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Piper, um dos curtas mais bonitos e cativantes da Disney


São 6 minutos. Seis minutos de uma vida. Seis minutos que vale a pena investir para desfrutar do curta mais meigo da Pixar-Disney. Porque sim, Piper é um dos curtas mais cativantes da fábrica de conteúdo audiovisual Pixar.
Estas imagens nos contam uma história que poderia ser a história de vida de qualquer um de nós, em qualquer momento da nossa existência. Superar os nossos medos e a nossa comodidade nos oferece, sempre, uma maravilhosa perspectiva da vida.

O mundo dentro da pele dos adolescentes – como a FAP pode proteger os adolescentes contra algumas questões da atualidade


O escritor e filósofo russo Fiódor Dostoiévski, já em 1875 abordava no seu romance “O adolescente” as dificuldades que eles já enfrentavam naquela época. O adolescente pode acabar, por vezes, sendo vítima de intrigas nas relações com os pares, em função da sua pouca experiência de vida, e imprevisibilidade de comportamentos de pessoas que convivem. Recentemente a discussão a respeito de depressão e suicídio na adolescência entrou em pauta com a repercussão do Jogo da Baleia Azul – fenômeno surgido da rede social russa, que propõe desafios, culminando no suicídio como última tarefa –, e do polêmico seriado “13 Razões Porquê” (13 Reasons Why*), estreado em 2017, baseado no livro de Jay Asher, que aborda a temática do suicídio na adolescência.
“Ah, lembranças assim machucam muito… É como quando lemos um poema tão marcante que sentimos uma dor toda vez que lembramos nele.”
 (Dostoiévski 2010, p. 264).

Conheça Catarina e seu canal: “A Menina que Indica Livros”!


Catarina tinha 8 anos recém feitos quando teve a ideia de criar vídeos com indicações de seus livros preferidos. Começou com algumas postagens em sua página pessoal do Facebook e, incentivada por seus pais, amigos e sua escola, criou um site, um canal no YouTube, uma página no Facebook e um Instagram para o projeto “A menina que indica livros”

O Uso do Controle Coercitivo na Infância e o Desenvolvimento de Comportamentos Antissociais na Adolescência


O tipo de controle que uma determinada família lança mão para educação dos filhos – focando-se aqui, especialmente, no papel educacional dos pais (ou cuidadores) – em muito irá influenciar para o desenvolvimento de comportamentos socialmente adequados ou inadequados. Apesar de nem todos os comportamentos socialmente inadequados serem considerados antissociais, quando se fala em comportamentos socialmente inadequados, pode-se incluir nesse conceito os chamados comportamentos antissociais (WEBER, SALVADOR & BRANDENBURG, 2005).

Brincadeiras do tempo de pais e avós para serem compartilhadas com as crianças


Na era de videogame e outros jogos e brincadeiras tecnológicas, é comum constatar que brincadeiras do tempo de pais e avós têm caído no esquecimento.

No entanto, como aponta o estudo Brinquedos, brincadeiras e cantigas de roda: como brincavam nossos pais e avós, resgatar essa cultura é um rico exercício, pois possibilita às crianças conhecer e vivenciar novas experiências, além de uma reflexão empática de como brincavam as infâncias de outrora.

Entrevista com Robson Faggiani sobre Terapia ABA


Nesta entrevista concedida para Shâmara Rached, Robson Faggiani esclarece dúvidas sobre a Terapia ABA. Ele é doutorando em Psicologia Experimental pela USP e principalmente nos seguintes temas: psicologia clínica, programação de condições de ensino, problemas de aprendizagem, psicologia e saúde, atendimento a crianças no Transtorno do Espectro Autista, orientação a novos terapeutas.

O que as crianças pensam sobre suas mães?

Será que as mães se percebem da mesma forma como são vistas por seus filhos?

Conforme já discutimos aqui, há muitas formas de exercer a maternidade. E por existirem tantas possibilidades há muita cobrança em relação às próprias atitudes e às decisões que são tomadas: “será que estou fazendo o certo?”; “o que estou deixando de fazer?”; “qual será a melhor forma para agir nesse caso?”… Essas e outras perguntas povoam a cabeça dos adultos que lidam com crianças no dia-a-dia e que se responsabilizam por sua educação e seu desenvolvimento.

Precisamos falar, refletir e atuar mais sobre os nossos adolescentes e a geração atual

Ultimamente tenho observado uma certa semelhança no padrão de crianças e adolescentes que são levados por seus pais ou responsáveis para o processo psicoterapêutico. Digo que são levados considerando o fato de que nem sempre a queixa parte da própria criança ou adolescente. Crianças de pouca idade que não seguem regras ou instruções, que apresentam comportamentos indesejados em relação aos coleguinhas e amiguinhos da escola e que pouco se interessam por estímulos que não produzam reforço imediato tais como jogos eletrônicos e tablets. Adolescentes desinteressados, entediados, apresentando notas baixas, cada vez mais isolados ou com problemas emocionais que exigem que intervenções medicamentosas sejam utilizadas cada vez mais cedo…

Pare de fazer estas 8 coisas para o seu filho se quiser criar um adulto

Como criamos adultos competentes se nós estamos sempre fazendo tudo para nossos filhos?

Não me julgue se você viu meus filhos comendo um pacote de bolachas no almoço da escola.

Não me julgue se eles não fizeram aula de Educação Física porque esqueceram o uniforme.
Não me julgue se eles não entregaram o dever de casa porque esqueceram na mesa de casa.
O que alguns podem enxergar como falta de educação, eu considero como “educação proposital”, enquanto construímos habilidades necessárias na vida de nossos filhos.

Estudar pra que? – Como instalar hábitos de estudos

Texto de Priscila Ribeiro

Início de ano letivo parece ser um pesadelo para muitos pais e, principalmente, para os estudantes. Problemas que durante as férias escolares estavam adormecidos voltam a todo vapor: os conflitos recomeçam e a relação pais/filhos/escola se torna desgastante. Infelizmente não vivemos em uma sociedade pró-saber, pró-escola. As atividades escolares geralmente são vistas como chatas, desinteressantes e pouco conectadas com a vida cotidiana.
E o que nós, analistas do comportamento, temos a ver com isso?

Como aumentar a probabilidade da obediência e respostas novas

Texto de Monalisa Ribeiro

Quem nunca se queixou de um aluno(a) desobediente? Aquele que geralmente não segue as regras e muito menos cumpre com um pedido ou demanda em sala de aula?
Acredito que esse assunto possa ser de grande interesse para pais e, principalmente, para os profissionais que lidam com alunos que não cumprem com regras e demandas, que tentam escapar das atividades mais difíceis ou, simplesmente, não estão motivados o suficiente para cumprir com uma tarefa mais elaborada.
Afinal, qual é o prejuízo do aluno não cumprir com demandas acadêmicas?
A idéia de abordar esse assunto na minha estreia como colunista do blog se iniciou com uma mera busca de dados no meu laptop que, acidentalmente, me direcionou à minha tese de mestrado, defendida em 2012. Embora eu tenha utilizado essa estratégia de controle antecedente para induzir a imitação de movimentos de coordenação oro-faciais em crianças diagnosticadas com TEA (Transtorno do Espectro Autista), a mesma pode ser aplicada como uma estratégia (de controle antecedente) para aumentar a probabilidade de emissão de diferentes respostas, em vários contextos .
O artigo de hoje focará numa estratégia comportamental chamada Seqüência de demandas de alta probabilidade ou “behavior momentum”. Essa técnica é muito prática e pode ser utilizada em salas de aula para INDUZIR respostas e maximizar o desempenho acadêmico dos alunos. O aluno que não segue as normas e/ou demandas acadêmicas em uma sala de aula, provavelmente terá um prejuízo cognitivo e acadêmico no futuro. Portanto, essa estratégia é um ótimo método para ser aplicado nesse ambiente.
Momentum comportamental é uma estratégia para aumentar a probabilidade de ocorrência de uma resposta (comportamento) que tenha baixa probabilidade de ocorrência. Ou seja, é uma estratégia que aumenta a frequência de uma resposta que não ocorre frequentemente.
Essa técnica consiste na apresentação de três (3) a cinco (5) demandas de atividades (em sequência) em que o indivíduo tenha alta probabilidade de cumprir (atividades fáceis), para depois apresentar a demanda da atividade alvo (atividade de baixa probabilidade). A atividade alvo é a atividade que você deseja induzir. Essa atividade é considerada de baixa probabilidade porque não ocorre frequentemente e, por isso, ela se torna a atividade alvo.
Por exemplo, se um dos meus alunos não gosta ou se recusa a fazer operações de multiplicação, esta tarefa poderia ser considerada uma resposta de baixa probabilidade (baixa-p), pois o aluno não gosta de fazer, nunca quer fazer, ou não está motivado o suficiente. Porém, se esse mesmo aluno nunca me deu trabalho para tirar o material da mochila, escrever a data e nome na folha de exercícios, escrever números, e copiar as operações de multiplicação da lousa, tais comportamentos se classificariam como comportamentos de alta probabilidade (alta-p). Ao final, a multiplicação (tarefa de baixa-p) seria apresentada, mas com uma maior probabilidade de ser resolvida pelo aluno. No Quadro 1, pode ser visualizado um esquema do exemplo apresentado.
Quadro 1. Exemplo de atividades de alta-p e de baixa-p envolvendo a multiplicação.
Atividades de alta probabilidade (alta-p)          (fáceis de cumprir)Atividade de baixa probabilidade (baixa-p) (difícil de cumprir)
Retirar o material da mochilaFazer operações de multiplicação
Escrever data e nome na folha de exercício
Escrever os números
Copiar as operações de multiplicação da lousa

Mace et al. (1988) foram os primeiros autores a publicarem um estudo com essa técnica. Segundo os seus estudos e experimentos, após o estudante seguir uma série de demandas de alta probabilidade, estabelece-se o “momento” no qual a resposta de baixa probabilidade tem chances aumentadas de ser emitida.
Mace et al. (1988), sugerem que esse fenômeno pode ser explicado a partir do conceito de operação abolidora. O momentum comportamental pode, assim, ser entendido como uma operação que diminui a valor reforçador da resposta de esquiva da atividade. Depois de cada demanda de probabilidade alta, sempre há elogios, e por isso, o valor de não cumprir com a demanda da atividade alvo diminui. Em outras palavras, Segundo Mace et al. (1988) cumprimos, fazemos, ou completamos uma atividade de baixa probabilidade porque já nos “aquecemos” com as atividades fáceis (alta-p), e como agora já estamos no “embalo”, cumprimos com a atividade de baixa probabilidade (baixa-p).
No Quadro 2, descreve-se os passos para aplicação da técnica de momentum comportamental.
Quadro 2. Guia para usar o procedimento corretamente.
Passo # 1

Selecionar os comportamentos de probabilidade alta
–       Esses comportamentos têm que existir no repertório atual do cliente, serem frequentes e de curta duração.
–       Fazer uma lista das atividades que são cumpridas 100% das vezes que foram demandadas.
Passo # 2Apresentar as demandas rapidamente
–       As demandas devem ser apresentadas rapidamente uma atrás da outra, com um intervalo curto entre elas.
–       Devem ser apresentadas de 3 a 5 demandas de atividades de probabilidade alta.
–       Depois de cada demanda de probabilidade alta, disponibiliza-se um elogio.
Passo #3Demanda alvo (baixa probabilidade)
– Apresentar a demanda da atividade de baixa probabilidade.
Passo # 4Reforçar imediatamente se o paciente (aluno) cumprir com a demanda alvo.

Cumprir com demandas em sala de aula promove oportunidades de desenvolvimento de muitos comportamentos. Essa estratégia é um procedimento não aversivo para melhorar a obediência. Esse procedimento, indiretamente, manipula a frequência de reforço para estabelecer o que chamamos de “momento”.
Estudos mostram que essa intervenção é efetiva em mudar o comportamento das pessoas, como adquirir ecóicos e mandos, aumentar a frequência de cumprimento de atividades e diminuir a frequência de autolesões.
Quadro 3. Apresenta-se um resumo de experimentos que utilizaram a estratégia Momentum comportamental  (sequência de demandas de alta probabilidade) em vários contextos.
Atividade AlvoMotivo do estudoParticipantesAutores
Imitação oral motoraPré-requisito para falaCrianças diagnosticadas com TEAThomas, Lafasakis e Sturney (2010)
Desobediência (não cumprir com demandas)Diminuir desobediência e comportamento agressivoAdulto de 36 anos com deficiência mentalMace et al (1988)
AutolesãoDiminuir ou eliminar a autolesãoAdulto de 33 anos com deficiência mentalZarcone, Iwata, Hughes e Vollmer (1993)
Atividades acadêmicasCumprir com demandas acadêmicas (tarefa de matemática)Aluno do Ensino FundamentalWehby e Hollaham (2000)
Imitação motoraEmissão de ecoicos e mandosCrianças com TEA não verbaisTsiouri e Greer (2003)

Essa estratégia pode ser aplicada em vários contextos, e geralmente, as atividades, tarefas ou ações escolhidas como “atividades de alta-probabilidade” são relacionadas a atividade alvo. Por exemplo, na minha tese de mestrado, a atividade alvo era induzir imitação de movimentos de coordenação oro-facial motora em crianças diagnosticadas com TEA não verbais. As atividades de alta probabilidade envolviam a imitação de movimentos de coordenação motora (grossas) ampla, que os participantes do estudo já tinham desenvolvido em seu repertório, após o comando “Faça isso”. Os movimentos apresentados eram: bater palmas, colocar os braços para cima, tocar na barriga e tocar nas pernas. A atividade de baixa probabilidade (atividade alvo) eram respostas de imitação de movimentos oro-faciais que os participantes não emitiam, tais como: abrir a boca, abrir e fechar a boca e colocar a língua para fora. Segundo pesquisadores, alguns dos pré-requisitos da fala envolvem os movimentos ora-faciais, por isso, é muito importante que crianças não verbais sejam induzidas a imitar uma série de movimentos como as atividades alvo que eu escolhi para minha tese.
Quando escolherem a atividade alvo, tentem selecionar as atividades de alta probabilidade que são de alguma forma relacionas com a atividade alvo. Boa sorte ao aplicar essa estratégia e aumentar a probabilidade da obediência e induzir respostas novas!
Referências Bibliográficas:
Cooper, O., John, Heron, E. Timothy., Heward, L., William (2007). Applied Behavior Analysis(2ndedition). Pearson Prentice Hall  New Jersey, USA.
Mace, C. F., Hock, M. L., Lalli, J. S., West, B. J., Belfiore, P., Pinter, E., et al. (1988). Behavioral momentum in the treatment of noncompliance. Jornal of Applied Behavior Analysis, 21, 123-141.
Thomas, B. R., Lafasakis, M., & Sturmey, P. (2010). The effects of prompting, fading, and differential reinforcement on vocal mands in non-verbal preschool children with autism spectrum disorders. Behavioral Interventions25, 157-168.
Tsiouri, I., & Greer, D. R. (2003). Inducing vocal verbal behavior in children with severe language delays through rapid motor imitation responding. Jornal of Behavioral Education, 12, 185-206.
Wehby, J. H., & Hollahan, S. M. (2000). Effects of high probability latency to initiate academic tasks. Journal of Applied Behavior Analysis, 33, 259-262.
Fonte: Comporte-se

Alunos tímidos precisam de abordagem que respeite a introspecção

O espaço escolar está se tornando cada vez mais desafiador para os introvertidos. É preciso cuidado para que as práticas não levem ao sofrimento em vez de servir de estímulo

Foto: Bigstock

Nada de preconceito com os tímidos. Quando se fala em escola do futuro, chama atenção as propostas de mudanças pedagógicas que impactam diretamente o comportamento dos estudantes, cada vez mais inseridos em situações interativas. Para frente, prometem-se ainda mais métodos de aprendizagem compartilhada, espaços de convivência fora de quatro paredes e salas de aula invertida (Flipped Classroom), quando o aluno é o protagonista em uma discussão, tendo estudado antes a matéria e vai para a aula apenas para aprofundar o aprendizado com professor e colegas. São práticas e didáticas que são eficientes em alguns casos, mas podem prejudicar estudantes com tendência introspectiva.

A cultura da colaboração e autoexposição forçada acaba subvalorizando os introvertidos, segundo a escritora e conferencista norte-americana Susan Cain, autora do livro “O poder dos quietos”. A palestrante, que tem uma apresentação de sucesso em um TED Talk (Quiet: The Power of Introverts in a World That Can’t Stop Talking ), alerta para a falta de respeito aos diferentes perfis de estudantes dentro da escola – algo que pode prejudicar os introvertidos – quase um terço da população.
Tímidos são bons ouvintes, geralmente bem comportados e trabalham bem nas tarefas escolares. Há tímidos que não gostam de ficar no meio de pessoas, mas existem tímidos que gostam de ficar com pessoas (sociáveis). Esse segundo tipo pode sofrer um pouco mais - porque parece que o mundo de hoje exige que todos sejam supersociáveis.
LIDIA WEBER
 professora sênior do Doutorado em Educação da UFPR
Da mesma forma como seria uma violência obrigar um canhoto a ser destro, e vice-versa, não respeitar a introspecção de alunos com essa tendência pode empobrecer a convivência. Nesse cenário, a escola tem o desafio de permitir que os alunos mais inibidos possam se expressar de forma diferente, mesmo que não seja pela palavra.

“A criança mais silenciosa tem papel dentro do grupo também, importante para o equilíbrio”, explica a psicóloga e filósofa Alba Regina Bonotto.“As mais introspectivas falam pouco, mas servem para dar força para os que falam mais. Professores ou alunos que não sabem lidar com o silêncio são mais barulhentos e acabam projetando naquela pessoa fantasmas e medos. A pessoa introspectiva serve para revelar o outro.”
Mais do que uma característica que pode ser vista como defeito ou qualidade, a introspecção e os momentos de silêncio são fundamentais para o aprendizado. A professora do Departamento de Psicologia Educacional da Unicamp, Ana Archangelo, lembra que a instituição escolar é, por definição, um espaço que requer grande investimento cognitivo e afetivo por parte de todos e que aprender (e ensinar) envolve processos internos complexos, como o contato com a frustração por não se saber tudo. “Todos nós precisamos de experiências compartilhadas, de troca e de cooperação, que envolvam claramente a figura do outro. Mas há muito movimento na introversão, investimento psíquico, que nos permite maior contato com os processos de transformação que nos movem”, diz.

A ciência de olho nos introvertidos

Mais do que resultado da educação e dos estímulos recebidos, a introversão ou timidez tem sido apontada pela ciência como fruto de características genéticas e neurológicas. Há mais de 30 anos, o psicólogo Jerome Kagan, da Universidade Harvard, acompanhou 500 bebês avaliando seu crescimento e a intensidade do choro, a taxa cardíaca, pressão e temperatura. Observando a diferença de perfil, entre bebês reservados e extrovertidos, verificou diferenças biológicas, ocasionadas pelas funções da amígdala (região do cérebro). A amígdala também foi destaque em pesquisa da Universidade de Vanderbilt, que demonstrou que essa área primitiva influencia um comportamento mais inibido nas pessoas, e emoções como o medo e a ansiedade.

Estudo de outra universidade norte-americana, de Iowa, demonstrou que o cérebro relaxa de forma diferente entre os dois perfis de pessoas. No Brasil, um estudo da PUCRS fez um levantamento em sala de aula, ouvindo mais de 50 mil estudantes de 11 a 32 anos. A pesquisa apontou que até 25% dos estudantes têm sinais de timidez e depressão, preferindo não trabalhar em grupo e participar pouco da aula. Outro estudo gaúcho em parceria com a USP levantou que 20% dos estudantes têm algum grau de fobia social. “Mas, biologia não é destino!”, afirma a psicóloga e pesquisadora Lidia Weber, professora sênior do Doutorado em Educação da UFPR. Ela explica que a forma como a pessoa vai lidar com a timidez ou introversão depende de como a família e a escola trabalham com isso. “As causas da timidez podem ser de origem temperamental (biológica), mas mais importantes são os comportamentos aprendidos e experiências traumáticas ou não. Se os pais percebem que o filho apresenta certa introversão podem, sim, incentivar, aos poucos, a aproximação com outros, pois as relações sociais são fundamentais para o ser humano.”

Criatividade, autonomia e mais 8 razões para deixar crianças sem fazer nada.



Imagem: iStock
Muitas crianças têm agendas tão cheias quanto as de CEOs (ok, só um pouco mais divertidas). Aula de natação, basquete, judô, inglês, dança... Dentro de casa, a coisa não é muito diferente e a criança é estimulada com atividades, tablet ou celular.
No entanto, a dinâmica que muitos adultos trazem do ambiente de trabalho -- que prevê produção contínua, resultados e competitividade -- não se aplica ao universo infantil. Segundo os especialistas, manter a criança ocupada o tempo todo não vai ajudá-la a crescer mais preparada. Ao contrário. Se ela não tiver um tempinho à toa, seja para brincar do que quiser, seja para apenas observar o formato das nuvens, pode estar perdendo a oportunidade de fazer diversas descobertas. Não é fácil ver seu filho de bobeira? Veja 10 motivos pelos quais deixá-lo sem fazer nada às vezes pode ser muito bom:

1. Estimula a criatividade

Se dermos um tempo livre para a criança, sem propor atividade alguma, veremos como ela é capaz de inventar suas próprias brincadeiras, brinquedos e histórias. Quando está muito ocupada ou tem alguém dirigindo suas ações, ela nem sempre consegue deixar a imaginação fluir.

2. Dá origem a boas memórias

Quando nos tornamos adultos, até nos lembramos de algumas atividades da rotina ou do que as pessoas ao nosso redor faziam. Mas a memória afetiva é recheada com os momentos de descontração e risadas, essas coisas que a gente só consegue curtir quando não tem a obrigação de cumprir tarefas o tempo todo.

3. Desenvolve a percepção corporal

Criança precisa de espaço e brincadeira livre para entender como funciona o próprio corpo, para subir no sofá, dançar, rolar pela grama… É muito bom deixar que o pequeno decida sobre seus movimentos. Claro que é preciso observar de perto, para intervir em caso de perigo.

4. Melhora a capacidade de resolver problemas

É superdifícil segurar a vontade de solucionar tudo pelo filho. Mas, sempre que possível, deixe-o encarar os desafios do caminho sozinho, da forma que ele achar melhor, sem interferir.

5. Aumenta a concentração

Quando a criança é hiperestimulada, além de ficar irritada, tem dificuldade para se concentrar em atividades como a leitura.

6. Permite processar e fixar o que é importante

Somos bombardeados de informações o tempo todo. Se a criança não tiver esse período de ócio, será difícil processar e absorver tudo o que aprendeu num único dia.

7. Favorece a autonomia

Como consequência, você estará criando alguém com mais autoconfiança. E isso é tão importante para o futuro quanto um curso intensivo de inglês.

8. Possibilita tomar decisões e pensar por si só

O que não significa que ele ficará independente e que deixará de ter vínculos com você… pode ficar tranquila!

9. Motiva a encarar os próprios medos

Quando a criança entende que é capaz de superar os desafios, que existe coragem dentro dela, se sente motivada a seguir em frente. Na vida adulta, ela provavelmente já estará familiarizada com essa sensação.

10. Faz com que os pais compreendam melhor o filho

Ao relaxar um pouco e observar o que seu filho faz no tempo livre, você tem a oportunidade de conhecê-lo melhor, de perceber as capacidades e limites dele. Será um novo momento para você também.

Fontes: Katia Chedid, educadora, pedagoga, psicopedagoga, gestora escolar, com extensão em Neuropsicologia. Roberto Cooper, médico pediatra pela UFRJ, mestre em saúde da família pela Universidade Estácio de Sá. Gabriel Limaverde, assessor pedagógico da área de Educação e Cultura da Infância do Instituto Alana.
Fonte: Uol

“Se Sujar” Educa: o que as crianças aprendem se sujando?


Confira, aqui, algumas das aprendizagens que as crianças realizam em situações em que lidam com terra, areia… E literalmente “se sujam”.
Alguns adultos ficam muito ansiosos quando percebem que as crianças estão em contato com a sujeira. Isso pode derivar de uma preocupação com a saúde dos pequenos. Entretanto, conforme apontamos aqui, médicos, pediatras e outros especialistas indicam que ambientes com algum grau sujeira são importantes para que a criança crie anticorpos e fortaleça seu sistema imunológico.
Mas para além dessa vantagem para o organismo, o que mais será que as crianças desenvolvem quando se sujam?
Um dos primeiros contatos que temos com o mundo é por meio do tato. Levar objetos à boca, manuseá-los e movimentar-se no espaço são formas de exploração que permitem que a criança comece a assimilar aquilo que está à sua volta. Essas sensações corporais são registros fundamentais que darão base para que o pensamento se torne cada vez mais sofisticado e também para a construção da identidade.
A intensa aproximação com o ambiente muitas vezes resulta em sujeira! Afinal, como morder uma fruta suculenta sem se lambuzar? Como brincar na areia do parque sem encardir as roupas e as mãos? Como pintar e desenhar sem manchar a camiseta?
Se sujar é também uma consequência de explorar diferentes materiais  e descobrir como se comportam. Os líquidos se espalham rapidamente, escorrem, espirram. Os sólidos não, mas podem liberar algum tipo de resíduo ao serem tocados ou esfregados. Certas misturas são mais pegajosas e grudentas do que outras. Alguns alimentos e bebidas mancham, outros não. Certos pigmentos podem deixar marcas permanentes, outros saem facilmente. E assim por diante!
Todas essas percepções cotidianas ajudam a criança a compreender como o mundo funciona, como as substâncias interagem e de que maneira podem reagir a elas no espaço. Assim, aos poucos ela aprende, por exemplo, que precisa manusear com cuidado um recipiente com tinta para não derrubá-lo e que a água que cai no chão evapora e seca depois de um tempo.
Essas experiências vão refinando sua motricidade e ensinando que tipo de força e movimento precisam ser aplicados em que situações. Além disso, elas possibilitam que a criança entre em contato com as ideias de “destruição” e “criação”, “permanente” e “efêmero”. A construção desses conceitos ajuda a elaborar não só as situações concretas percebidas em relação aos materiais e aos objetos, mas também às vivências afetivas.
Vale ressaltar também que a sujeira e a higiene estão relacionadas à liberdade e ao cuidado com o próprio corpo e que encontrar, com auxílio dos mais velhos, um modo de equilibrar esses aspectos faz parte da aprendizagem e da elaboração da autoimagem da criança.
O papel dos adultos é o de potencializar as oportunidades para que a criança explore o mundo e se desenvolva, tomando os cuidados necessários para que ela não se coloque em risco. Assim, permitir que os pequenos se sujem é algo que faz parte do cotidiano.
Considerando a importância que essas interações têm na infância, a equipe do Toda Criança Pode Aprender desenvolveu um aplicativo chamado Apprendendo, que dá aos adultos algumas dicas e sugestões de como aproveitar os momentos da rotina para favorecer as aprendizagens infantis. Baixe gratuitamente em seu dispositivo móvel de sistema Android ou iOS!!

Reflexão


“O tempo, pouco a pouco, me liberará da extenuante fadiga de ter filhos pequenos, das noites sem dormir e dos dias sem repouso. Das mãos gordinhas que não param de me agarrar, que me escalam pelas costas, que me pegam, que me buscam sem cuidados, nem vacilos. Do peso que enche meus braços e curva minhas costas. Das vezes que me chamam e não permitem atrasos nem esperas.
O tempo me devolverá a folga aos domingos e as chamadas sem interrupções, o privilégio e o medo da solidão. Acelerará, talvez, o peso da responsabilidade que às vezes me aperta o diafragma. O tempo, certamente e inexoravelmente esfriará outra vez a minha cama, que agora está aquecida de corpos pequenos e respirações rápidas. Esvaziará os olhos de meus filhos, que agora transbordam de um amor poderoso e incontrolável. Tirará de seus lábios meu nome gritado e cantado, chorado e pronunciado cem mil vezes ao dia.
Cancelará, pouco a pouco, ou de repente, a confiança absoluta que nos faz um corpo único, com o mesmo cheiro, acostumados a mesclar nossos estados de ânimo, o espaço, o ar que respiramos.
Como um rio que escava seu leito, o tempo perigará a confiança que seus olhos têm em mim, como ser onipotente, capaz de parar o vento e acalmar o mar, consertar o inconsertável e curar o incurável. Deixarão de me pedir ajuda, porque já não acreditarão mais que em algum caso eu possa salvá-los. Pararão de me imitar, porque não desejarão parecer-se muito a mim. Deixarão de preferir minha companhia em comparação com os demais (e vejo, isto tem que acontecer!).
Se esfumaçarão as paixões, as birras e os ciúmes, o amor e o medo. Se apagarão os ecos das risadas e das canções, as sonecas e os “era uma vez”… Com o passar do tempo, meus filhos descobrirão que tenho muitos defeitos e se eu tiver sorte, me perdoarão por alguns deles.
Eles esquecerão, mas ainda assim eu não esquecerei. As cosquinhas e os “corre-corre”, os beijos nos olhos e os choros que de repente param com um abraço, as viagens e as brincadeiras, as caminhadas e a febre alta, as festas, as papinhas, as carícias enquanto adormecíamos lentamente.
Meus filhos esquecerão que os amamentei, que os balancei durante horas, que os levei nos braços e às vezes pelas mãos. Que dei de comer e consolei, que os levantei depois de cem caídas. Esquecerão que dormiram sobre meu peito de dia e de noite, que houve um dia que me necessitaram tanto, como o ar que respiram.
Esquecerão, porque é assim mesmo, porque isto é o que o tempo escolhe. E eu, eu terei que aprender a lembrar de tudo para eles, com ternura e sem arrependimentos, incondicionalmente. E que o tempo, astuto e indiferente, seja amável com estes pais que não querem esquecer.”
Silvana Santo

10 lições de um pai que perdeu o filho

"Se você tem seus filhos com você. Pare para beijá-los à noite. Para tomar café da manhã. Para caminhar até a escola. Você é abençoado. Nunca se esqueça disso", diz o pai Richard Pringle.


Richard Pringle perdeu o filho Hughie, de 3 anos, repentinamente (Foto: Reprodução/Facebook)

Não existe dor maior do que perder um filho. Um ano após a morte de Hughie, que tinha 3 anos, o pai Richard Pringle compartilhou o que aprendeu com a experiência em um post no Facebook.

O inglês – que tem outros dois filhos – fez um alerta para que as famílias aproveitem o tempo que passam juntos ao máximo. A publicação “As 10 coisas mais importantes que eu aprendi desde a morte do meu filho“ emocionou a internet e viralizou – já tem mais de 24 mil curtidas e 14 mil compartilhamentos.
Hughie morreu repentinamente após ter uma hemorragia cerebral em 18 de agosto de 2016. Apesar de o menino ter uma doença cerebral, só havia 5% de chance de acontecer o sangramento que o levou à morte no ano passado. 
“Ele era gentil, carinhoso e amável. Ele fazia as coisas tediosas se tornarem divertidas. Em apenas três anos, ele nos deixou lembranças incríveis”, contou o pai em entrevista ao Daily Mirror.
Foto do post que o pai fez contando as lições que aprendeu com a morte do filho (Foto: Reprodução/Facebook)

Confira o post "as 10 coisas mais importantes que aprendi desde que perdi meu filho" na íntegra:
"1. Você nunca perderá em beijar e amar demais;
2. Você sempre tem tempo. Pare o que você está fazendo e vá brincar, nem que seja por apenas um minuto. Nada é tão importante que não possa esperar;
3. Tire fotos e grave quantos vídeos for humanamente possível. Um dia, isso pode ser tudo o que você terá;
4. Não gaste dinheiro, gaste tempo. Você acha que o que você compra para ele é importante? Não é. O que você faz é o que importa. Pule em poças d’água, faça caminhadas. Nade no mar, acampe e divirta-se. Isso é tudo o que eles querem. Não consigo lembrar o que compramos para o Hughie, só me lembro do que nós fizemos juntos;
5. Cante. Cante músicas juntos. Minhas lembranças mais felizes são do Hughie sentado em meus ombros ou ao meu lado no carro, cantando as nossas músicas favoritas. As memórias são criadas através da música;
6. Valorize as coisas mais simples. À noite, na hora de dormir, lendo histórias. Jantares juntos. Domingos preguiçosos. Aprecie os momentos mais simples. São deles que sinto mais falta. Não permita que essas memórias especiais passem despercebidas;
7. Sempre dê um beijo de despedida naqueles que você ama e, se você esquecer, volte e beije-os. Você nunca sabe se é a última vez que você terá a chance;
8. Faça as situações entediantes, divertidas. Viagens ao supermercado, viagens de carro, andanças pelo shopping. Seja bobo, conte piadas, ria, sorria e aproveite. Elas são apenas tarefas se você tratá-las assim. A vida é muito curta para não se divertir;
9. Mantenha um diário. Escreva tudo o que seus filhos fazem e iluminam o seu mundo. As coisas engraçadas que dizem, as coisas fofas que fazem. Nós só começamos a fazer isso depois que perdemos o Hughie. Queríamos nos lembrar de tudo. Agora, nós fazemos isso por Hettie e também faremos por Hennie. Você terá essas memórias escritas para sempre e, quando estiver mais velho, poderá olhar para trás e apreciar todos os momentos;
10. Se você tem seus filhos com você. Pare para beijá-los à noite. Para tomar café da manhã. Para caminhar até a escola. Para levar à universidade. Para vê-lo se casar. Você é abençoado. Nunca se esqueça disso".
Fonte: Crescer