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Cresce exposição de jovens na internet

Pesquisa com 4 mil adolescentes revela que eles passam mais horas na rede e muitos mostram desejo de expor o corpo até para desconhecidos

Maria Rita Nunes até ganhou uma cadeira mais confortável do pai para não sofrer de dores nas costas durante as cerca de seis horas diárias que fica em frente ao computador de casa. Isso sem contar as espiadas na internet do celular durante o intervalo das aulas no Colégio Santa Maria. Não raro, ela troca o tempo de sono da madrugada para assistir a algum vídeo publicado por um amigo ou para postar no Twitter. Afinal, foi por essa ferramenta que ela conheceu uma de suas melhores amigas.

Aos 15 anos, a adolescente é o retrato do que mostra a pesquisa Nós, Jovens Brasileiros, realizada pelo Portal Educacional, que mapeou o comportamento de 4 mil estudantes de 13 a 17 anos, alunos de 60 escolas particulares de todo o País. Neste ano, foram os próprios jovens que sugeriram as questões que, depois de selecionadas, compuseram o corpo do questionário.

E, quando o assunto é internet, as descobertas revelam desde questões mais objetivas - como o tempo de uso, que cresce ano após ano - até temas bem mais delicados, como a disposição a se expor na rede.

Nunca faria isso’, diz Maria Rita Nunes, de 15 anos, sobre expor o corpo
Um dos dados mais preocupantes é o que mostra que, do total de entrevistados, 6% deles já apareceram nus ou seminus em fotos na rede e o mesmo porcentual já mostrou partes íntimas de seu corpo para desconhecidos por meio de webcam. Além desses, outros 3% já pensaram em se exibir dessa forma, mas não puseram isso em prática.

Destemidos

"Isso reforça a nossa percepção de que o jovem acredita que a tela e a distância relativizam o risco do perigo", diz o psiquiatra Jairo Bouer, parceiro do Portal Educacional. "Ou ele quer se diferenciar e ganhar fama a qualquer preço, e para isso avalia que vale a pena até mostrar o corpo, ou ele é inocente e acha que não é tão grave."

O caso narrado por Caio Cardoso Fossati, de 15 anos, aluno do Colégio 12 de Outubro, foi de completa ingenuidade, acredita ele. Caio conta que um de seus amigos recebeu de uma paquera uma foto dela nua. "A garota gostava dele e achava que era uma forma de atraí-lo." A estratégia deu errado. Além de não se seduzir, o adolescente mostrou a imagem a um grupo de amigos que a conheciam e o assunto virou piada. "Só não ficou pior porque ela não sabe que todos nós a vimos daquele jeito."

Ivanna Castelli, de 13 anos e estudante do 8.º ano do ensino fundamental, diz que várias de suas amigas se expuseram dessa forma. "Algumas queriam aparecer e outras atenderam ao pedido do namorado. O problema é que isso sempre espalha, e elas acabam se arrependendo."

Para Carmen Neme, professora do programa de pós-graduação em Psicologia da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), essa exposição é resultado da falta de controle dos impulsos sexuais, própria da adolescência, com o imaginário, também típico da idade, de que estão acima de qualquer risco. "O adolescente acha que nada vai acontecer, porque ele é muito esperto."

O único antídoto a isso, explica, é a presença mais atuante dos pais. Uma intervenção que não se limite a um código de conduta com sites proibidos e permitidos, mas que subentenda mais tempo de convivência. "O problema não é a internet. A questão é que os adolescentes estão sozinhos. Nunca se viveu de maneira tão solitária como agora. Os pais estão longe, e a internet parece suprir a ausência", diz Carmen.

Sem orientação, somem os limites. "Uma certa rebeldia é tolerável, porque o adolescente que não se rebela não sai da dependência familiar. Mas a rebelião tem de ser dentro de certos limites. Ele pode questionar valores, confrontar, mas não pode perder o controle de impulsos, destruir os vínculos."

Descuido

Se a questão não for cuidada em tempo, pode ser tarde para que essa intermediação aconteça. O diretor do Colégio Mary, Cesar Marconi, conta que com frequência chama os pais à escola para discutir os limites dos filhos frente à internet.

O maior problema, por ali, é a queda do rendimento por conta do cansaço. "Tem aluno que chega morrendo de sono, não consegue se concentrar e, ao ser questionado, diz que não dormiu porque ficou na internet a noite toda." Ao serem convocados, diz Marconi, oito em cada dez pais dizem conhecer essa rotina. "Mas admitem que não conseguem mais controlar."

Uma outra pesquisa divulgada nesta semana pela Fundação Telefônica - o estudo mapeou o comportamento de crianças e jovens frente às telas de computador, celular e televisão - mostrou que 58,6% das crianças e 76,5% dos jovens acessam a rede sozinhos. O computador, revelou a pesquisa, se localiza preferencialmente no quarto da criança (37,6%) ou do adolescente (39,3%). Quanto à orientação, 31,7% dos jovens declararam que seus pais não costumam fazer nada em relação às atividades que desenvolvem na internet.

3 PERGUNTAS PARA...

Rosa Maria Farah, do núcleo de psicologia e informática da PUC-SP

1. Como você avalia os resultados da pesquisa?Esta geração é a primeira nativa digital. Se por um lado ela tem muita facilidade de acesso e habilidade no uso das ferramentas, por outro é muito jovem e sem preparo ou maturidade emocional para avaliar as consequências desse uso.

2. E quais as motivações para tanta exposição?Necessidade de afirmação, de se sentir parte da comunidade. O antigo grupo do clube e do bairro ganhou versão virtual. Por mais que ele saiba o alcance disso, e ele sabe, é como se sentisse imune. E, em muitos casos, a exposição traz perigos maiores para o próprio autor, não para um terceiro qualquer.

3. Mas o mundo virtual aumentou essa sede pela exposição? O jovem sempre teve essa curiosidade. Mas essa experimentação, no mundo presencial, tem determinado âmbito de repercussão, muito diferente do observado no mundo virtual. O mundo virtual não cria problemas psicológicos, ele coloca um foco. Não gera, ele potencializa. Da mesma forma que sempre se recomendou que os pais conhecessem os amigos dos filhos e soubessem onde eles estão, é preciso uma versão virtual. Não de forma policialesca, mas participativa.

DICAS DO COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL

PrecauçãoApós uma informação ser propagada na internet, não há como controlá-la. E aquilo que era para ser uma brincadeira entre amigos pode ser acessado por outras pessoas e usado contra você, agora ou futuramente. Sempre considere que está em um local público, que tudo que divulga pode ser lido ou acessado por qualquer pessoa.

PrivacidadeUse as opções de privacidade oferecidas pelos sites. E seja o mais restritivo possível: mantenha o seu perfil e os seus dados privados, restrinja também o acesso ao seu endereço de e-mail, seja seletivo ao aceitar os seus contatos, tome cuidado ao se associar a grupos e a comunidades e não acredite em tudo o que você lê.

SegurançaCuidado ao divulgar fotos e vídeos, pois ao se observar onde eles foram gravados pode ser possível deduzir a localização. Não divulgue planos de viagens nem por quanto tempo ficará ausente da sua residência. Ao usar redes sociais baseadas em geolocalização, procure fazer check-in apenas em locais movimentados e, de preferência, ao sair.

RespeitoEvite falar sobre os hábitos e a rotina de outras pessoas. Muitos optam por não usar redes sociais e, portanto, podem não gostar que você comente ou repasse informações sobre a vida delas. Não poste, sem autorização, imagens em que outras pessoas apareçam e não divulgue nada copiado do perfil de pessoas que restrinjam o acesso.

OrientaçãoSe tiver filhos, oriente-os a não se relacionarem nem oferecerem informações pessoais a estranhos. Informe-os também a não divulgarem informações sobre hábitos familiares. Alerte-os sobre os riscos de uso da webcam e procure deixar o computador em um local público da casa. Por fim, respeite os limites de idade estipulados pelos sites.

ÉticaAquilo que você divulga ou que é divulgado sobre você pode ser acessado por seus chefes e companheiros de trabalho, além de compor um processo seletivo futuro que você venha a participar. Logo, antes de divulgar uma informação, avalie se, de alguma forma, ela pode atrapalhar a sua carreira e evite divulgar detalhes sobre seu trabalho.

Fonte: Estadão

Psiquiatrias revisam critérios para o diagnóstico de distúrbios mentais

A Academia Americana de Psiquiatria aprovou, neste fim de semana, os critérios definitivos para a nova edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o DSM-V, considerado a 'bíblia da psiquiatria'
 
 
A Academia Americana de Psiquiatria (APA, sigla em inglês) aprovou, neste fim de semana, os critérios definitivos para formular a nova edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM, sigla em inglês), documento considerado por muitos médicos como a 'bíblia da psiquiatria'. Entre as mudanças anunciadas pela APA para o DSM-V está a junção do autismo e suas variantes, incluindo a Síndrome de Asperger, que até agora era diagnosticada separadamente, na mesma categoria, a dos 'distúrbios do espectro autista'.
Essa será a quinta edição do manual, que lista todas as categorias do que a APA considera como doenças mentais, além dos critérios para diagnóstico de cada uma e também dados epidemiológicos dos transtornos. A primeira edição do documento, o DSM-I, foi publicada no ano de 1952 e a última, o DSM-IV, em 1994. A atual revisão foi feita ao longo de dez anos e contou com a contribuição de mais de 1.500 especialistas de 39 países diferentes. O DSM-V completo estará disponível a partir de maio de 2013.
 
Mudanças — Outra mudança do novo manual é a inclusão dos "distúrbios de humor desregulado", que foi estabelecido com a finalidade de diagnosticar crianças que apresentam irritabilidade frequente e episódios de explosões como portadoras de uma doença mental. O documento também incluiu o stress pós-traumático como uma patologia ligada aos distúrbios ligados ao stress. A dislexia deixará de ser uma categoria específica e passará a fazer parte de uma categoria mais geral, a de 'distúrbios específicos de aprendizagem', classificada como a dificuldade de aquisição e utilização de ao menos uma das seguintes habilidades: linguagem oral, leitura, escrita e matemática.
 
O distúrbio que consiste em comer compulsivamente agora também é reconhecido como uma patologia mental, assim como o distúrbio em que uma pessoa tem dificuldade em se desfazer de bens, independentemente de seu valor real. "Nosso trabalho teve como objetivo definir de forma mais exata as doenças mentais que têm um verdadeiro impacto na vida dos doentes, mas não ampliar o campo da psiquiatria", destaca David Kupfer, que preside o grupo de trabalho para a revisão do manual, em comunicado publicado no site da APA.
 
Os manuais da APA não são uma unanimidade. Muitos médicos atribuem o aumento da incidência de transtornos mentais, como o de ansiedade, às atualizações dos critérios do DSM. A terceira edição do documento, publicada em 1980, por exemplo, revelou que entre 2% e 4% dos americanos tinham algum distúrbio de ansiedade. Um levantamento feito pelo Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH, sigla em singlês) em 1998, quatro anos após a publicação do DSM-IV, mostrou que 10% da população apresentou algum transtorno de ansiedade em um período de um ano e 15%, em algum momento da vida. Um dos últimos estudos representativos, desenvolvido na Nova Zelândia, acompanhou participantes por 14 anos, dos 18 aos 32 anos. Nesse período, 22.8% deles tiveram ansiedade em um dos anos e 49.5% em algum momento desses anos todos.
(Com agência France-Presse)
 
Fonte: Veja

Tratamento controverso para autismo faz mais mal do que bem

Quelação

Um tratamento polêmico para desordens do espectro autista (DEA) - comumente conhecidas como autismo - não somente é ineficaz, mas pode ser prejudicial aos pacientes, alertam pesquisadores.

O tratamento, conhecido como quelação, tenta eliminar do corpo metais como o mercúrio.

Mas muitos cientistas afirmam que nunca se comprovou devidamente a conexão entre o autismo e esses íons metálicos.

A aprovação do uso clínico da quelação tem sido motivo de controvérsia entre os médicos e as autoridades de saúde há anos.

Riscos da quelação

Quelato é um composto químico que deriva seu nome do grego chele, que significa pinça, devido à forma como os íons metálicos são capturados pelo composto usado no tratamento da quelação.

Mas o novo estudo mostra que esses compostos não são inertes.

"As substâncias químicas utilizadas no tratamento de quelação têm uma infinidade de efeitos colaterais potencialmente graves, como vômitos, febre, hipertensão, hipotensão, arritmias cardíacas e hipocalcemia, podendo causar parada cardíaca," disse Tonya N. Davis, médica da Universidade de Baylor (EUA) e líder do estudo.

Em um exemplo citado na pesquisa, "uma criança de 5 anos de idade com diagnóstico de DEA morreu de parada cardíaca causada por hipocalcemia ao receber a quelação intravenosa."

Falta de sustentação científica

Em 2008, um estudo clínico do tratamento de quelação para o autismo foi suspenso devido a potenciais riscos de segurança associados com a técnica.

"A terapia de quelação representa um cenário do tipo 'carro na frente dos bois', em que a hipótese que dá suporte ao uso de quelante não foi validada antes de ser usada como uma forma de tratamento," diz a pesquisadora.

"As evidências não sustentam a hipótese de que os sintomas de DEA estejam associados com níveis específicos de metais no corpo," conclui a Dra. Davis.

Fonte: Diário da Saúde

Final de infância feliz prepara para o futuro

 

 
Uma pesquisa de um grupo de universidades do Reino Unido analisou dados de mais de 15 mil pessoas entre nove e 12 anos – faixa etária da chamada pré-adolescência – e concluiu que os jovens mais felizes nessa fase conseguem uma espécie de efeito protetor, que perdura como amadurecimento e os torna mais engajados nos estudos.

A notícia serviu como tema para um dos comentários que a psicóloga Rosely Sayão faz na coluna “Seus Filhos”, da BandNews FM.

A especialista em educação ressaltou que a pré-adolescência é marcada por uma passagem para um período muito diferente da vida, que é o início da juventude. “Portanto, se acriança termina bem sua infância, tem um bom fechamento nessa fase, certamente ela está mais preparada, mais madura para entrar na próxima fase”, explicou.

Apesar disso, Rosely alerta que os pais não devem cometer o equívoco de pensar que felicidade é deixar os filhos fazerem tudo o que querem e nem adiantar a fase da adolescência, antecipando um período que ainda não chegou.

Segundo ela, a melhor coisa é deixar que os filhos sejam crianças “até o último momento”. “Realmente isso prepara bem melhor para a próxima fase”, afirmou.
 
Fonte: Band

Ranking de qualidade em educação coloca Brasil em penúltimo lugar

País ficou em 39.º lugar entre 40 países analisados; índice cruza dados de habilidades cognitivas e de desempenho escolar
 
O Brasil ficou na penúltima posição em um índice comparativo de desempenho educacional feito com dados de 40 países. O ranking, divulgado nesta terça-feira, 27, pela Pearson Internacional, faz parte do projeto The Learning Curve (Curva do Aprendizado, em inglês), realizado pela Economist Intelligence Unit (EIU). O estudo mede os resultados de três testes internacionais aplicados a alunos do 5.º e do 9.º ano do ensino fundamental. A Finlândia e a Coreia do Sul foram os países mais bem colocados. O Brasil ficou à frente apenas da Indonésa, e atrás de países como Bulgária (30.º), Romênia (32.º) e Colômbia (36.º).
O índice global de habilidades cognitivas e de desempenho escolar foi criado a partir do cruzamento de indicadores internacionais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE): Programa Internacional de Avaliação dos Alunos (Pisa), Tendências Internacionais nos Estudos de Matemática e Ciência (Timms) e avaliações do Progresso no Estudo Internacional de Alfabetização e Leitura (Pirls), assim como dados educacionais de cada país sobre alfabetização e as taxas de conclusão de escolas e universidades.
O desempenho de cada país mostra se ele está acima ou abaixo da média global calculada a partir dos dados de todos os participantes. Segundo os dados divulgados nesta terça, 27 dos 40 países ficaram acima da média, enquanto 13 estão abaixo do valor mediano. Os países ainda foram divididos em cinco grupos, de acordo com a sua distância da média. O Brasil, que teve pontuação de -1.65, foi incluído no grupo 5, onde estão as sete nações com a maior variação negativa em relação à média global.
Confira abaixo o ranking completo:
 
 
 
De acordo com Mekler Nunes, diretor superintendente de Educação Básica da Pearson no País, o 39.º lugar não é de todo ruim. Isso porque os 40 países que compõem o ranking são os únicos entre as 193 nações existentes a ter dados históricos e estatísticos comparáveis sobre a qualidade da educação. "Estar nessa relação de países já é, por si só, um destaque", afirma. "É sinal de que já fizemos o de dever de casa mais básico."
 
Fonte: Estadão

Abuso infantil triplica o risco de a criança ter depressão

Segundo estudo, maus-tratos físicos, mentais e negligência na infância também elevam as chances de comportamentos sexuais de risco e abuso de drogas
 
 
Um estudo da Universidade de Queensland, na Austrália, listou as principais consequências provocadas pelo abuso infantil físico e emocional e também pela negligência. De acordo com os autores dessa pesquisa, esse tipo de violência pode até triplicar o risco de uma criança, ao longo de sua vida, ter depressão. O estudo ainda mostrou que outros problemas, como abuso de cigarro e drogas, comportamento suicida e comportamentos sexuais de risco, como um maior risco de contrair alguma infecção sexualmente transmissível, também podem ser desencadeados pelos maus-tratos infantis. Os resultados desse trabalho foram publicados nesta terça-feira no periódico PLoS Medicine
 
A pesquisa australiana, que revisou 124 estudos sobre o assunto, mostrou que indivíduos que sofreram abuso emocional na infância (quando a criança é depreciada ou recebe ameaças constantemente, por exemplo) apresentam o triplo de chance de ter depressão do que aqueles que nunca sofreram esse tipo de violência. Esse risco dobra quando comparadas as pessoas que sofreram abuso físico (quando a força física é usada contra a criança, prejudicando a sua saúde, sobrevivência, desenvolvimento ou dignidade) àquelas que nunca passaram por situações como essa.
 
Ainda de acordo com o estudo, crianças que sofreram negligência ou abuso físico e emocional tendem a desenvolver comportamentos de risco, como tabagismo e sedentarismo, que podem levar a doenças crônicas ao longo da vida. “Essa pesquisa mostra uma relação causal entre abuso infantil, exceto o abuso sexual, e uma série de danos à saúde física e mental”, escreveram os autores. “Todas as formas de maus-tratos devem ser consideradas como fatores de risco importantes para a saúde da criança. A consciência sobre as graves consequências que o abuso infantil tem a longo prazo deve encorajar medidas que identifiquem e protejam crianças com maior risco de sofrer maus-tratos.”
 

Fonte: Veja

Pré-escola na Suécia estimula igualdade de gênero

ESTOCOLMO - Numa pré-escola de Estocolmo, os professores evitam usar os pronomes "ele" e "ela". Em vez disso, chamam seus 115 aluninhos de "amigos". O uso dos pronomes masculinos ou femininos é tabu. Eles são substituídos pelo pronome "hen", palavra sem gênero que a maioria dos suecos evita, mas que é usada em alguns círculos gays e feministas.
 
A biblioteca da escola tem poucos contos de fada clássicos, como "Cinderela" ou "Branca de Neve", com seus estereótipos masculinos e femininos. Mas há muitas histórias sobre pais solteiros, crianças adotadas ou casais do mesmo sexo.
 
As meninas não são incentivadas a brincar com cozinhas de brinquedo, e os blocos de montar não são vistos como brinquedos para meninos. Os professores são orientados a tratar os meninos, quando eles se machucam, com o mesmo carinho que dariam às meninas. Lá, todo mundo pode brincar com bonecas.
 
A Suécia é famosa por sua mentalidade igualitária. Mas essa pré-escola financiada pelos contribuintes, conhecida como a Nicolaigarden -o nome vem do santo cuja capela ficava no prédio que hoje é da escola-, talvez seja um dos exemplos mais contundentes dos esforços do país para apagar as divisões entre os gêneros.
 
Malin Engleson, funcionária de uma galeria de arte, estava buscando sua filha na escola e comentou que as crianças são ensinadas ali "que meninas podem chorar, mas meninos também podem". "Foi por isso que escolhemos essa escola", prosseguiu. O modelo vem sendo tão bem sucedido que, dois anos atrás, três professores da Nicolaigarden abriram uma escola distinta nos mesmos moldes, que agora tem quase 40 alunos. Chamada Egalia, para sugerir igualdade, a nova escola fica no bairro de Sodermalm.
 
O que hoje desperta o entusiasmo dos professores começou com um empurrãozinho dos legisladores suecos, que em 1998 aprovaram uma lei exigindo que as escolas garantissem oportunidades iguais para meninos e meninas.
 
Uma crítica persistente do modelo vem sendo a matemática Tanja Bergkvist, da Universidade Uppsala, cujo blog lança ataques frequentes à "insensatez de gênero" na Suécia. Num artigo escrito para o jornal "Svenska Dagbladet", ela questionou se as crianças não estariam "recebendo uma lavagem cerebral já aos três meses de idade". Em passeios da escola, indagou ironicamente, "o que os professores fazem quando uma menina vai colher flores enquanto um garoto coleciona pedras?".
 
Para Carl-Johan Norrman, 36, que trabalha na Nicolaigarden há 18 meses, essas críticas "partem da ideia equivocada de que queremos converter menininhos em menininhas".
 
O governo de Estocolmo é a favor da política de gênero. "O importante é que as crianças tenham as mesmas oportunidades, independentemente de seu sexo", explicou Lotta Edholm, vice-prefeita responsável pelas escolas. "É uma questão de liberdade."
 
Para ela, os pais sempre terão um papel maior do que a escola ou a creche no desenvolvimento de seus filhos. "A pré-escola ocupa as crianças algumas horas por dia", disse ela. "As crianças tendem a adotar os valores dos pais."
 
Fonte: Folha

Crianças com deficiência contam quais são suas brincadeiras preferidas

Lamiss, 7, adora pensar que é professora
Lucas Lima/Folhapress
'Tia' das bonecas
Todos os dias, o quarto de Lamiss Taghlebi, 7, transforma-se em sala de aula.
Enquanto ela passa a lição, Barbies e ursinhos de pelúcia prestam atenção à professorinha de cadeira de rodas.
"Finjo que estou em 'Carrossel' e que sou a professora Helena", conta.
 
 
Artilheira rosa
Fernanda, 5, gosta de futebol
Lucas Lima/Folhapress
O que mais chama a atenção em Fernanda de Souza, 5, não são as mechas cor-de-rosa no cabelo. A primeira coisa que você vê é seu sorriso. Principalmente quando joga bola.
Apoiada na mãe para levantar da cadeira de rodas e ficar em pé, ela chuta no ângulo.
"Adoro futebol. Mas gosto de pintar também", conta a menina, enquanto desenha no bloco de notas do repórter.
 
 
Brincar é na rua
Emily, 10, gosta de brincar na rua
 Lucas Lima/Folhapress
Emely Gabriely Silva, 10, nasceu duas vezes.
Até os três anos, corria e estava aprendendo a andar de bicicleta. Aí veio um caminhão e ela não viu mais nada. Quando acordou, estava sem a perna direita.
Foi então que nasceu de novo: ela reaprendeu a andar e hoje se equilibra na bicicleta e até pula corda. "Não gosto de boneca. Prefiro brincar na rua", diz.
 
 
 
Alta velocidade
Gabriel, 10, é craque no videogame
Lucas Lima/Folhapress
Todos os dias, Gabriel Fernandes, 10, espera ansioso para ir à casa da vizinha. Como o garoto não tem videogame, é lá que ele se transforma em piloto, a cadeira de rodas, em carro de corrida e o quarto, em autódromo.
Gabriel pisa fundo e garante: é difícil ganhar dele em jogos de velocidade.
Antes, os amigos não davam muita bola para Gabriel. Mas ele é um corredor. Rapidinho, conquistou os meninos e agora todos jogam videogame juntos.
 
Fonte: Folha

Crianças com deficiência inventam formas de brincar

Lucas Lima/Folhapress
 
 
Gabriel Fernandes, 10, é fera no videogame, nem lembra quando perdeu um jogo de corrida pela última vez. Lamiss Taghlebi, 7, adora brincar de escolinha. Fernanda de Souza, 5, é a artilheira no futebol do seu quintal.
 
Além de craques da brincadeira, os três possuem outra coisa em comum: têm deficiência intelectual e física e andam de cadeira de rodas. "Criança sempre dá um jeito de brincar. Não importam as limitações", diz Lina Borges, terapeuta ocupacional da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente).
 
Para driblar as deficiências, as atividades são adaptadas. No futebol, por exemplo, a bola é mais pesada para que role mais lentamente, e as crianças jogam sentadas no chão.
Há duas semanas, durante o Teleton (evento do SBT que arrecada dinheiro para a AACD), Ivan Fontenelli, 4, andava pra lá e pra cá com seu skate. Com má formação das pernas e dos braços, é com ele que o menino se locomove. "Brinco de futebol, corrida, tudo. Tenho até duas namoradas", conta baixinho para a mãe não escutar.
 
No próximo sábado, dia 1º, começa a 3ª Virada Inclusiva, organizada pelo governo de São Paulo em mais de 80 cidades, com lazer e esportes adaptados. Termina em 3/12, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência (viradainclusiva.sedpcd.sp.gov.br).
 
Fonte: Folha

Tratamento precoce melhora função cerebral de crianças com autismo segundo um novo estudo da Yale School of Medicine

 Yale News - 06 de novembro de 2012
Quando se inicia um tratamento precoce com crianças com transtornos do espectro do autismo (ASD em inglês) se consegue melhorias significativas na comunicação, comportamento e mais impressionante, na função cerebral, é o que diz um novo estudo da Yale School of Medicine.
 O estudo foi publicado na edição atual do Journal of Developmental Disorders e pelo Centro de Estudos da Criança da Universidade de Yale, com os pesquisadores Dr. Fred Volkmar, A. Kevin Pelphrey, e seus colegas.
Os resultados sugerem que os sistemas cerebrais que apoiam a percepção social respondem bem a um programa de intervenção precoce de comportamento chamado de ‘Pivotal response treatment’. Este tratamento inclui treinamento dos pais, e emprega jogos em seus métodos.
O autismo é um distúrbio neurobiológico complexo que inibe a capacidade de uma pessoa para comunicar e desenvolver relações sociais, e muitas vezes são acompanhados por novos desafios comportamentais. Até recentemente, o diagnóstico de autismo normalmente não ocorria até que a criança tivesse cerca de três a cinco anos de idade, quando então recebiam orientação para os programas de tratamento. Hoje, Volkmar e sua equipe estão realizando o diagnóstico de crianças com a idade de um ano. O ‘Pivotal response treatment’, desenvolvido na Universidade da Califórnia-Santa Barbara, combina aspectos do desenvolvimento e da aprendizagem e seu desenvolvimento, e fácil de implementar em crianças menores de dois anos.
No estudo atual, a equipe usou imagens de ressonância magnética funcional - pela primeira vez - para medir as mudanças recentes na atividade cerebral de duas crianças com ASD com cinco anos de idade que receberam o ‘Pivotal response treatment’. O co-autora Pamela Ventola utilizou este método de tratamento para identificar objetivos comportamentais distintos para cada criança no estudo, e depois reforçou essas habilidades específicas com tratamento que envolvia atividades lúdicas motivacionais.
A equipe descobriu que as crianças que receberam o tratamento apresentaram melhoras no comportamento, e foram capazes de falar com outras pessoas. Além disso, as imagens da ressonância magnética mostraram um aumento na atividade cerebral aumentada nas regiões que apoiam a percepção social.
Os resultados deste estudo são de duas crianças, mas os pesquisadores estão atualmente conduzindo um estudo em larga escala com 60 crianças. Pelphrey disse que, embora as crianças do presente estudo recebessem o mesmo tipo de tratamento, os resultados não foram homogêneos, porque a ASD é uma doença multifacetada que tem um efeito exclusivo em cada criança.
Para Volkmar estes resultados são o primeiro passo de uma nova abordagem para o planejamento do tratamento.
"A pesquisa sobre o autismo já percorreu um longo caminho", disse ele. "Estes resultados são animadores porque eles demonstram que a intervenção precoce funciona no autismo”.
Fonte texto e imagem: Yale News
Para ver o estudo siga o link: Child Study Center

Dia Internacional da Pessoa com Deficiência

 
01, 02, e 03 de Dezembro
 
Shows, oficinas, apresentações, mostras teatrais, exposições, partidas, gincanas e demais manifestações de arte, cultura, esporte e lazer em uma variada gama de lugares em diversos municípios do estado de São Paulo. As atividades acontecem entre os dias 1, 2 e 3 de dezembro de 2012, contando com mais de 24 horas de diversão inclusiva e informação com participação plena de todos os cidadãos.
 
Veja a programação: Virada Inclusiva

Cadeirante pode jogar futebol? E brincar de pega-pega? Saiba como

Já viu boliche com canaleta para arremessar a bola? E pega-pega no colo de adultos? Essas e outras adaptações ajudam crianças com deficiência na hora de brincar.
 
"É muito gostoso quando alguém me pega no colo e sai correndo na hora do pega-pega", conta Lamiss Taghlebi, 7. Crianças sem deficiência se adaptam às regras diferentes para brincar junto. A lei é se divertir sempre.
 
 
Fonte: Folha

A natureza fundamental do amor de uma mãe


(Photo : Bruce D. Perry, M.D., Ph.D./Child Trauma Academy)
 

O amor da mãe é fundamental para o desenvolvimento do cérebro da criança.

Varreduras arrepiantes que mostram o impacto real do amor: Cérebro da criança negligenciada é muito menor do que a de um
a normal de três anos de idade

Neurologistas dizem que as últimas imagens fornecem mais evidências de que a forma como as crianças são tratadas em seus primeiros anos é importante não só para o desenvolvimento emocional da criança, mas também para determinar o tamanho de seus cérebros.

Ambas as imagens são imagens do cérebro de duas crianças de três anos de idade, mas o cérebro do lado esquerdo é consideravelmente maior, tem menos manchas e áreas escuras, em comparação com o da direita. Segundo neurologistas esta diferença considerável tem uma causa primária - a forma como cada criança foi tratada por suas mães.

A criança com o cérebro maior e mais desenvolvido era cuidado por sua mãe com muito apoio e carinho ao seu bebê, informou o Sunday Telegraph. Mas a criança com o cérebro encolhido foi vítima de negligência grave e abuso. Segundo a pesquisa, publicada pelo jornal, o cérebro da direita é preocupante e carece de algumas das áreas mais fundamentais presentes na imagem à esquerda.

As consequências desses déficits são pronunciadas - a criança do lado esquerdo com o cérebro maior vai ser mais inteligente e mais propenso a desenvolver a capacidade social de empatia com os outros. Mas, em contraste, a criança com o cérebro encolhido terá uma maior probabilidade de se tornar viciado em drogas, envolver-se em crimes violentos, estar desempregado e ser dependente de benefícios do Estado. Além disso a criança também será mais propensa a desenvolver problemas mentais e de saúde.

Vídeo mostra bebê bocejando dentro do útero materno

 
Com base no tempo em que a boca do feto permanece aberta, pesquisadores conseguiram determinar quando a criança estava bocejando.
 
Dentro do útero da mãe, os bebês não só soluçam, engolem e se espreguiçam, mas também bocejam, segundo concluiu um estudo da Universidade de Durham, na Grã-Bretanha. Os autores chegaram a essa conclusão após analisar vídeos em 4D (que além de captar as três dimensões espaciais, faz o registro em tempo real, por isso o nome "4D") de fetos que estavam entre a 24ª a 36ª semana de gestação. O trabalho foi descrito em um artigo publicado nesta quarta-feira no periódico PLoS One e um vídeo com a imagem do feto ao bocejar foi divulgado. (Obs. vídeo não está mais disponível)
 
A pesquisa analisou os exames de 15 fetos saudáveis — sendo oito do sexo feminino e sete do masculino — e, a partir do tempo em que a boca do bebê permanecia aberta, os autores conseguiram apontar para o que era apenas uma abertura de boca e o que era um bocejo. De acordo com os resultados, o tempo do bocejo é 50% maior do que o de uma abertura normal da boca e o número de bocejos de um bebê tende a diminuir a partir da 28ª semana de gestação.
 
Segundo Nadja Reissland, que coordenou o estudo, a função e a importância do bocejo para o feto ainda não estão claras. Porém, para ela, os resultados sugerem que o bocejo está ligado ao desenvolvimento fetal e poderia servir como um indicador de saúde do bebê enquanto ele está no útero materno. “Ao contrário de nós, o feto não boceja de forma contagiosa e nem boceja porque está com sono. Em vez disso, podemos acreditar que o ato de bocejar possa estar ligado ao desenvolvimento de seu cérebro no início da gestação”, diz Reissland.
 
Fonte: Veja

Cientista alemã explica o dom de aprender idiomas


Ninguém consegue aprender línguas como os recém-nascidos,
afirma pesquisadora

Entre os humanos são eles que possuem a maior facilidade para aprender línguas, mesmo sem conseguir formar uma frase. A lingüista e psicóloga Angela Friederici explica a genialidade lingüís...
tica dos recém-nascidos.

Recém-nascidos – e somente eles – podem aprender qualquer língua do mundo. Um potencial que desaparece e deve ser aproveitado por pais e educadores antes que os bebês aprendam sua língua materna.

Isto é o que afirma Angela Friederici, lingüista e diretora do Departamento de Neuropsicologia do Instituto Max Planck de Neurociências Cognitivas em Leipzig.

"Os bebês dividem em duas categorias tudo aquilo que papai, mamãe, titio e titia lhes falam: na primeira entra aquilo que eles sempre escutam, na segunda vai o resto", afirma a especialista. Cada língua possui uma melodia característica ou, em uma linguagem mais científica, uma prosódia, ou seja, o francês soa bem diferente do russo. Mas a partir de quando os bebês conseguem fazer esta distinção?

Gênios já aos quatro dias

"Já a partir dos quatro dias de vida, os bebês conseguem fazer esta distinção, o que ficou demonstrado em um teste chamado de 'experimento chupeta'. Quando estão desinteressados, eles diminuem o ritmo de como chupam sua chupeta. Ao escutar a entoação prosódica de uma outra língua, eles o aumentam. Isto demonstra que as crianças conseguem distinguir informações acústicas", comenta Friederici.

A cientista explica que os bebês se interessam somente pelo novo, pelo desconhecido, mas o que fica é somente aquilo que lhes é sempre repetido, ou seja, os sons de sua língua materna. O resto já foi reprimido e esquecido logo no primeiro ano de idade.

Quem quiser aproveitar este potencial do bebê, afirma Friederici, deve começar a lhe falar em várias línguas desde seu primeiro dia de nascido. Entretanto, cada língua deve ser falada sempre pela mesma pessoa, assim a criança poderá aprender dois ou mais idiomas sem grandes esforços.

Esperar pela alfabetização pode ser tarde

Segundo a pesquisadora do Instituto Max Planck, esperar que as crianças entrem na escola para o aprendizado de línguas pode ser muito tarde. "Existem pessoas que afirmam que somente se pode ser completamente bilíngüe se as línguas tiverem sido aprendidas até os seis anos de idade. Quanto mais avançada a idade, mais difícil é para as crianças aplicarem corretamente os parâmetros prosódicos e fonológicos", explica Angela.

Todo aquele que não cresceu com várias línguas sabe que basta abrir a boca para ser identificado como alguém de origem estrangeira. Claro que há pessoas que falam uma língua estrangeira como se tivesse crescido com ela, mas são casos excepcionais. Os sons de uma outra língua são estranhos e sua melodia, uma arte. Além disso, faltam ao falante vocabulário e as sutilezas gramaticais.

Friederici explica que é justamente a gramática o que o cérebro primeiramente analisa quando se escuta uma frase, e não o significado das palavras.Isso já foi constatado há muitos anos pela cientista em seus estudos, que lhe garantiram o renomado Prêmio Leibniz da Sociedade Alemã de Pesquisa (DFG) há nove anos.

Resultado do estudo Pisa impulsionou discussões lingüísticas
Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) impulsionaram as discussões em torno do aprendizado de idiomas, que começa de maneira geral no ensino fundamental. A tendência agora na maioria dos países da União Européia é inserir uma língua estrangeira também no ensino de outras matérias.

Ou seja, os alunos aprendem francês, por exemplo, não somente na aula de francês mas também na aula de História ou Geografia. Além disso, quem começa o aprendizado de um novo idioma quando adulto tem que aprender com maior rapidez a se comunicar de forma mais complexa do que somente "eu me chamo", "eu moro na" ou "tchau", afirma Angela Friederici.

Fonte:DW.DE

Trauma de matemática pode provocar sensação de dor

Pessoas que sofrem com muita ansiedade antes de realizar tarefas envolvendo raciocínio matemático ativam uma parte do cérebro relacionada com a dor
A ansiedade que algumas pessoas sentem antes de uma prova de matemática é um das grandes
 dificuldades do aprendizado, diz estudo. Isso porque ela ativa a parte do cérebro relacionada com a dor
(iStockphoto)
 
Para algumas pessoas, apenas pensar na realização de um exercício de matemática faz aflorar sensações de tensão, apreensão e até mesmo pavor. Como resultado, muitas delas evitam a matéria a todo custo ao longo da vida escolar e escolhem profissões que envolvam o menor contato possível com números. Mas o que causa tantas impressões negativas?
 
Dois pesquisadores, um da Universidade Ocidental de Ontário, no Canadá, e a outra da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, acreditam ter encontrado uma resposta bastante convincente: a culpa é da ansiedade que precede a realização de exercícios de matemática. De acordo com eles, quando colocados diante de uma tarefa matemática, alguns indivíduos ativam a parte do cérebro conhecida por ínsula posterior(A ínsula posterior é um tecido localizado dentro do cérebro, próxima ao ouvido, que é associado ao registro de ameaças diretas ao corpo e a experiências de dor.), responsável por processar impulsos relacionados a uma ameaça iminente ao corpo e, em alguns casos, a dor.
"Essas pessoas não se saem mal em uma prova porque são preguiçosas, mas porque para elas pode ser uma atividade angustiante", afirma o neurocientista Ian Lyons, da Universidade Ocidental de Ontário, no Canadá, e um dos responsáveis pelo estudo publicado na revista científica PLOS ONE. "Para essas pessoas, simplesmente pensar em uma atividade que envolve exercícios matemáticos provoca uma reação cerebral similar àquela que ocorre quando sentimos dor, ao queimarmos a mão, por exemplo", complementa Sian Beilock, da Universidade de Chicago, nos EUA, e também autora do artigo.
Trauma — Em alguns casos, os sinais são parecidos com o que o nosso cérebro costuma emitir quando passamos por situações negativas e traumáticas, como no caso de um rompimento amoroso.
Lyons e Sian Beilock formularam a hipótese segundo a qual algum componente neural poderia influenciar o mau desempenho de pessoas ansiosas em relação à matemática. Não se trata, alertam os pesquisadores, de uma dificuldade inata, mas a uma espécie de trauma desenvolvido desde a infância.
Para testar a hipótese, os pesquisadores convocaram estudantes universitários para um teste no qual deviam indicar quão apreensivos e tensos costumavam se sentir em determinadas situações (um exemplo de questão é "como você se sente ao abrir um livro de matemática ou de estatística e ver uma página repleta de equações?"). Do total, dois grupos com 14 pessoas foram selecionados, sendo um formado pelos mais ansiosos e o outro pelos que não demonstraram qualquer tipo de trauma com a matéria.
 
Eles foram então submetidos a exames de ressonância magnética para mapear a atividade cerebral. Dentro do aparelho, tinham de responder duas sequências de perguntas, metade de raciocínio matemático e metade de ortografia. As questões apareciam de forma aleatória e os participantes só eram avisados se teriam de resolver um problema matemático ou de linguagem com seis segundos de antecedência, o suficiente para encher os que têm medo de matemática de tensão.
 
Ansiedade — Enquanto o desempenho no teste de inglês foi similar nos dois grupos, os voluntários identificados como altamente ansiosos tiveram avaliações significativamente piores com os números — a porcentagem de erro entre os que tinham pavor de matemática foi de 24% enquanto que para os demais foi de 11%.
O curioso é que, entre os muito ansiosos, a atividade na ínsula posterior, medida pelo aparelho de ressonância, atingia seu pico no momento em que o participante era informado do tipo de problema que teria de resolver, não no momento de tentar resolvê-lo. "Se a dor estivesse relacionada concretamente ao exercício de matemática, o lógico seria uma intensa atividade (na ínsula posterior) quando eles estivessem resolvendo as contas. Mas o que encontramos foi uma antecipação", afirma Lyons.
De acordo com o pesquisador, os resultados podem ajudar educadores a lidar com alunos mais ansiosos. "A ansiedade, que causa a sensação dolorosa, não nasce conosco. É uma resposta aprendida, uma consequência de alguma memória negativa que carregamos". Essa espécie de trauma – continua o neurocientista – pode ser construída a partir de um mau professor ou por uma situação na qual um garoto é alvo de brincadeiras por não conseguir resolver um problema na lousa.
"O estudo nos ajuda a entender porque algumas pessoas evitam os números a ponto de fugirem de profissões que envolvam matemática. Para elas, é uma experiência dolorosa", diz Lyons. "O importante é tratar a ansiedade primeiro, e não tentar fazer um aluno aprender matemática na marra, com uma enxurrada de exercícios."
 
Fonte: Veja

Método Mãe Canguru tem um impacto positivo sobre o cérebro dos bebês prematuros


Método Mãe Canguru - uma técnica em que um bebê prematuro é amamentado e permanece em contato pele-a-pele sobre o peito dos pais, em vez de ser colocado em uma...
 
incubadora - isto tem um impacto positivo e duradouro sobre o desenvolvimento do cérebro, revelou uma pesquisa da Universite Laval na edição de outubro da Acta Paediatrica. Bebês muito prematuros que se beneficiaram desta técnica tiveram melhor funcionamento do cérebro na adolescência - comparável à de adolescentes nascidos a termo - do que bebês prematuros colocados em incubadoras.

Pesquisas anteriores mostraram que crianças nascidas antes da 33 ª semana de gravidez enfrentaram mais problemas cognitivos e comportamentais durante a infância e adolescência. Os pesquisadores da Université Laval, Cyril Schneider e Réjean Tessier, respectivamente do Departamento de Reabilitação da Faculdade de Medicina e da Escola de Psicologia,e seus colegas colombianos Nathalie Charpak (Kangaroo Foundation) e Juan Ruiz-Peláez (Universidad Javeriana) queriam determinar se o Método Mãe Canguru poderia evitar estes problemas.Para este fim, eles compararam 15 anos após o nascimento, 18 bebes prematuros que foram mantidos em incubadoras, 21 bebês prematuros mantidos em contato Canguru por uma média de 29 dias e 9 nascidos a termo.

Para avaliar as funções cerebrais dos participantes, os pesquisadores usaram estimulação magnética transcraniana. Com esta técnica não invasiva e indolor foi possível ativar as células cerebrais em áreas específicas, nomeadamente o córtex motor primário que controla os músculos. Ao medir a resposta muscular à estimulação, eles foram capazes de avaliar as funções do cérebro, tais como o nível de excitabilidade cerebral e inibição, sincronização celular, velocidade de condução neural, e coordenação entre os dois hemisférios cerebrais.

Os dados coletados pelos pesquisadores indicaram que todas as funções do cérebro dos adolescentes do grupo canguru eram comparáveis aos do grupo de lactentes nascidos a termo. Por outro lado, bebês prematuros colocados em incubadoras estavam significativamente desviados dos outros dois grupos 15 anos após o seu nascimento.

"Graças ao Método Mãe Canguru, os bebês se beneficiaram da estimulação do sistema nervoso - o som do coração do pai e o calor do seu corpo-- durante um período crítico para o desenvolvimento das conexões neurais entre os hemisférios cerebrais. Isso promove o desenvolvimento imediato e futuro do cérebro” disse a neurofisiologista Cyril Schneider.

A pesquisadora de psicologia Réjean Tessier observa que "bebês em incubadoras também receberam estimulação, mas muitas vezes o estímulo é muito intenso e estressante para a capacidade cerebral dos bebês prematuros. O Método Mãe Canguru reproduz as condições naturais do ambiente intrauterino na qual as crianças teriam se desenvolvido se não tivessem nascido prematuros. Estes efeitos benéficos no cérebro estão em evidência, pelo menos até a adolescência e talvez mais além.”.
 
Fonte:
EurekAlert!

Cientistas conseguem remover o cromossomo causador da síndrome de Down

 
A síndrome de Down ocorre devido a uma anomalia genética, na qual um cromossomo 21 extra participa da cadeia genética dos portadores, ao invés dos dois pares usuais destes cromossomos. É então caracterizada por uma tríade de cromossomos 21, fato que é chamado cientificamente de trissomia do 21.
 
A síndrome de Down foi estudada mais a fundo pela equipe do Dr. Li B. Li, do Departamento de Medicina da Universidade de Washington. O objetivo da pesquisa era remover o cromossomo excedente, o que poderia trazer novas aplicações clínicas e laboratoriais. Saiu na MedicalXpress.
 
Em nascimentos de bebês com vida, a síndrome de Down é tida como a mais frequente das trissomias. A condição faz com que o paciente desenvolva uma fisionomia característica, com olhos puxados, face arredondada, mãos e dedos curtos e vários problemas sistêmicos, como anomalias cardíacas, intelecto subdesenvolvido, envelhecimento precoce, demência e até mesmo casos de leucemia.
 
"Certamente, não estamos propondo que o método que descrevemos possa levar ao tratamento da síndrome de Down", disse o Dr. Russell, um dos principais pesquisadores do projeto. "O que estamos fazendo é procurar por uma possibilidade para que cientistas médicos possam criar terapias para alguns distúrbios de formação sanguínea que acompanham a síndrome de Down".
 
E o doutor cita um exemplo: algum dia, pacientes portadores da síndrome e de leucemia poderão fornecer células tronco derivadas de suas próprias células comuns, e assim conseguirem a trissomia corrigida em culturas de células, em laboratório. Eles poderiam então receber um transplante de seu próprio sistema celular - menos o cromossomo extra - ou de hemácias sadias, criadas a partir de células tronco modificadas, para assim cessar a evolução da leucemia, como parte do tratamento contra o câncer.
 
O doutor acrescenta que a possibilidade de gerar células tronco com e sem a trissomia do 21 a partir de um mesmo paciente poderia levar a um melhor entendimento de como os problemas ligados à síndrome de Down se originam. As linhas celulares seriam geneticamente idênticas, a não ser pelo cromossomo extra.
 
Assim, os cientistas poderiam pesquisar, por exemplo, o desenvolvimento de neurônios com a trissomia do 21, o que poderia ajudar a esclarecer a existência de danos cognitivos que surgem ao longo da vida destes pacientes e que tendem a piorar na idade adulta. Abordagens comparativas semelhantes poderiam buscar pelas origens, causas e possíveis tratamentos do envelhecimento precoce e das desordens cardíacas em portadores da síndrome.
 
A formação de trissomias também é um problema constante em pesquisas na área da medicina regenerativa, que utiliza células tronco. Russell e sua equipe observaram que sua abordagem poderia também ser usada para reverter trissomias que frequentemente surgem na criação de culturas de células tronco.
 
E como explicou Russell: a vantagem é que, uma vez eliminado o cromossomo, nenhum rastro é deixado. É preciso ter cuidado, no entanto, para que a remoção de um cromossomo não quebre ou desorganize a cadeia genética.

No país, 625 mil crianças com déficit de atenção não são diagnosticadas

Pesquisadores avaliaram 6,3 mil menores de 5 a 12 anos em 18 Estados.
 

TDAH pode prejudicar as relações sociais e tarefas simples, diz médico.
Pelo menos 912 mil crianças brasileiras de 5 a 12 anos - o equivalente a 3,3% da população infantil, segundo o IBGE - possuem Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), mas nunca trataram. Outros 625 mil menores, 2,3% do total, nem sabem que têm a doença.
Esse é o resultado de um estudo realizado por psiquiatras e neurologistas da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), do Albert Einstein College of Medicine, nos Estados Unidos, e do Instituto Glia em Neurociência de Ribeirão Preto (SP).
A pesquisa avaliou uma amostra composta por 6.303 crianças nessa faixa etária em 87 cidades brasileiras, através de questionários aplicados aos pais e professores. A conclusão, apesar de ainda não ter sido publicada, já foi apresentada e premiada em congressos internacionais sobre TDAH.
O neurologista Marco Antônio Arruda explica que os índices preocupam os especialistas na medida em que o distúrbio pode prejudicar as relações sociais e a realização de atividades consideradas simples, porque os pacientes têm muita energia, não conseguem ficar parados ou tomar decisões importantes.
Arruda afirma que crianças com TDAH, por exemplo, têm risco sete vezes maior de sofrerem acidentes domésticos e nove vezes mais chances de serem hospitalizadas por contusões e fraturas, do que jovens da mesma idade que não possuem a doença.
“Quando chegam à Universidade, eles menos frequentemente terminam o curso. Na vida adulta, [essas pessoas] têm menor chance de emprego em tempo integral, maior risco de divórcio e suicídio”, disse.
"Nem toda criança que não para quieta tem TDAH"
Marco Antônio Arruda
Sintomas
O TDAH é caracterizado por uma disfunção no córtex pré-frontal, parte do cérebro responsável pela tomada de decisão, planejamento de ações e controle das emoções. Os sintomas do distúrbio são desatenção, dificuldade de planejar, montar estratégias e controlar as emoções, falta de organização, hiperatividade e impulsividade.
“Esses sintomas se combinam em graus diferentes de um paciente para outro. Nas meninas, esses dois últimos não aparecem muito porque são características mais ligadas ao sexo”, afirma o neurologista.
Além disso, Arruda alerta que os sintomas devem aparecer em todas as situações da vida da criança e não apenas em um único contexto. “A confusão está justamente no diagnóstico, porque ele deve ser feito através de diversos critérios clínicos. O TDAH não é um problema apenas de sala de aula. Nem toda criança que não para quieta tem TDAH”, disse.
Tratamento
Ao contrário do que se imagina, o tratamento para TDAH deve ser feito com uso de anfetaminas e estimulantes. O neurologista explica que a ministração de calmantes causa o efeito contrário, ou seja, a criança se torna ainda mais hiperativa. "Muitos pais dizem: 'Por isso que em dei antialérgico e ele ficou sem dormir a noite inteira.' Dando estimulante, você faz o 'breque' que existe no cérebro voltar funcionar corretamente", ilustra Arruda.
O médico afirma, porém, que o tratamento deve ser individualizado e contar com o apoio de uma equipe multidisciplinar formada por psicólogos, educadores, fonoaudiólogos, entre outros profissionais.
Apesar de o distúrbio ser herdado geneticamente, Arruda diz que o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura. "Existe forma dos pais serem orientados para ajudar essas crianças a organizarem melhor suas vidas em casa, na escola, no dia a dia."
 Fonte G1