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Estudo analisa casos em que sintomas de autismo desapareceram

Pesquisadora trabalhou com 34 jovens que passaram a ter vida normal.
Resultado leva a crer que síndrome tem evoluções 'muito diversas', diz.
Algumas crianças com diagnóstico de autismo quando pequenas veem desaparecer completamente seus sintomas quando crescem, segundo um estudo realizado nos Estados Unidos.
"Embora o autismo geralmente persista durante toda a vida, a descoberta permite pensar que a síndrome poderia experimentar evoluções muito diversas", afirmou Thomas Insel, diretor do Instituto Americano de Saúde Mental (NIMH, na sigla em inglês), que financiou os trabalhos.
A pesquisa foi realizada pela doutora Deborah Fein, da Universidade de Connecticut (nordeste), com 34 jovens de 18 a 21 anos, que tinham sido diagnosticados com autismo em idades muito remotas e que, com o passar do tempo, tinham uma vida completamente normal.
Estes jovens não apresentavam mais problemas de expressão, comunicação, reconhecimento de rostos ou socialização, sintomas característicos do autismo.
A pesquisa, publicada na revista "Child Psychology and Psychiatry", se concentrou em saber se o primeiro diagnóstico de autismo era suficientemente exato e se os sintomas efetivamente tinham desaparecido.
A resposta foi afirmativa nos dois casos, destacou o doutor Insel. Os resultados deste estudo levam a crer que as dificuldades de socialização destas crianças eram mais brandas, embora tenham sofrido problemas de comunicação e movimentos repetitivos tão severos quanto os demais autistas.
Para a avaliação mental destes 34 indivíduos estudados, os pesquisadores usaram testes cognitivos e de observação comum, bem como questionários enviados aos pais. Para participar do estudo, os jovens tinham que estar em cursos regulares na escola ou na universidade, e não se beneficiar de nenhum serviço especial para autistas.
 
No entanto, a pesquisa não conseguiu determinar a proporção de crianças diagnosticadas com autismo que no futuro verão desaparecer os sintomas com o passar o tempo.
 
"Todas as crianças autistas são capazes de progredir com as terapias intensivas. Mas no estado atual dos nossos conhecimentos, a maioria não chega a fazer os sintomas desaparecer", disse o doutor Fein, que espera que novas pesquisas ajudem a entender melhor os mecanismos desta doença.
 
Fonte: G1

'Criação moderna' das crianças pode prejudicar o desenvolvimento do cérebro

Washington, 7 jan (EFE).- As práticas sociais e as crenças culturais modernas impedem o desenvolvimento mental e emocional das crianças, segundo um conjunto de pesquisas interdisciplinares divulgado nesta segunda-feira pela Universidade Notre Dame (Indiana, EUA).

'O estilo de vida dos jovens nos Estados Unidos segue piorando, especialmente se comparado com o de cinquenta anos atrás', indicou em um simpósio Darcia Narváez, professora de psicologia que é especializada no desenvolvimento moral das crianças e na forma como as experiências podem influenciar no desenvolvimento do cérebro.

'Algumas práticas e crenças equivocadas tornaram-se comuns de nossa cultura como, por exemplo, o uso de 'fórmulas' infantis para a alimentação dos bebês, o isolamento das crianças em seus próprios dormitórios, ou a crença em que, se responder rápido às queixas do bebê, ele fica mal acostumado', disse Narváez.

A nova pesquisa vincula certas práticas da criação precoces - que são comuns nas sociedades de caçadores e coletores - com resultados emocionais saudáveis e específicos na idade adulta.

'A amamentação dos bebês, a resposta quando choram, o contato físico quase constante e o que vários adultos que se ocupam da criação fazem são algumas das práticas de criação ancestrais que demonstraram impacto positivo no desenvolvimento do cérebro, que não molda somente a personalidade, mas ajuda, além disso, na saúde física e no desenvolvimento moral', disse Narváez.

Os estudos, acrescentou, mostram que a resposta às necessidades da criança, sem deixá-la que 'se canse de chorar', influencia no desenvolvimento da consciência, e que o contato físico positivo afeta a reação ao estresse, o controle dos impulsos e a empatia.
Do mesmo modo, segundo esta investigadora, o brincadeira livre em um ambiente natural influencia nas capacidades sociais e como lida com agressões, e quando há um grupo de pessoas que oferecem cuidado, além da mãe, melhora o quociente intelectual.


Narváez afirmou que os Estados Unidos foram no sentido contrário em todos estes aspectos de cuidados infantis.

Em lugar de estar brincando, as crianças permanecem mais tempo em seus carrinhos, assentos para o automóvel e outros aparatos. Só ao redor de 15% das mães amamentam seus bebês e as que fazem não vão além de 12 meses; as famílias estão fragmentadas e diminuiu o tempo de pais e mães que permitem que seus filhos brinquem.

Narváez afirmou que outros membros das famílias e os professores podem ter um impacto benéfico quando a criança se sente segura em sua presença.

'O hemisfério direito do cérebro, que governa grande parte das auto-regulações, a criatividade e a empatia, pode crescer ao longo de toda a vida', acrescentou.

'Esse hemisfério cresce com experiências que envolvem todo o corpo, como os jogos de 'luta', a dança e a criação artística livre', explicou. EFE

fonte: G1

Dois milhões de brasileiros afetados pelo autismo ganham proteção da lei

Uma lei instituindo a política nacional para proteção aos direitos da pessoa com transtorno do espectro autista acabou de ser promulgada.
 
Mas a data, 27/12, espremida no meio do feriadão entre Natal e Ano-Novo, passou despercebida, assim como o problema, que atinge estimados 2 milhões de brasileiros -uma população três vezes maior do que a portadora de síndrome de Down.
 
"Os autistas no Brasil são invisíveis. A população não sabe o que é, a maioria dos profissionais não sabe do que se trata", diz o psiquiatra Estevão Vadasz, coordenador do programa de transtornos do espectro autista do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.
 
É quase um quebra-cabeça compreender e reconhecer o autismo, que pode se apresentar tanto numa pessoa com alguma habilidade extraordinária e boa cognição quanto em alguém com séria deficiência intelectual e que não consegue se comunicar verbalmente.
Por isso, hoje, é chamado de espectro autista, um guarda-chuva que abriga os diversos graus de severidade do distúrbio.
 
Os diferentes tipos têm três características em comum: comprometimento na área de comunicação e linguagem; transtornos de socialização; interesses restritos e comportamentos repetitivos.
 
São alterações que podem ser chamadas de comportamentais, mas a teoria mais aceita atualmente é a de que as causas são genéticas.
 
"Existem mais de mil genes possivelmente comprometidos que podem levar ao autismo. Uns poucos são herdados, mas, na maior parte, são mutações espontâneas e imprevisíveis, ocorrem por acidente ", afirma Vadasz.
 
Os neurônios dos autistas são mais curtos e com menos ramificações, o que dificulta a condução, a transmissão e o processamento de informações. As alterações vão se manifestar até por volta de um ano e meio de vida.
 
INVISIBILIDADE
 
Isso aumenta a invisibilidade dessas pessoas. "Não dá para reconhecer pela aparência, é igual a de um bebê típico. E há casos em que o desenvolvimento no primeiro ano é normal e, depois, a criança deixa de falar e interagir. Imagine a angústia dos pais", diz Joana Portolese, neuropsicóloga e coordenadora da ONG Autismo e Realidade, de São Paulo.
 
Os casos em que o bebê começa a se desenvolver normalmente e depois volta para trás, chamados de autismo regressivo, correspondem a 10% dos autistas. Os outros 90% manifestam sintomas a partir do oitavo ou nono mês de vida, mas, na maioria das vezes, os sinais não são compreendidos pelos pais.
 
Embora não exista cura para o autismo, essas pessoas terão um prognóstico melhor se receberem tratamento -preferencialmente, o mais cedo possível.
 
As terapias incluem técnicas para desenvolver a comunicação por meio de cartões com figuras, criação de rotinas rígidas e sensibilização e orientação das pessoas que convivem com o autista.
"É lugar-comum dizer
que o autista não faz contato, mas não é bem assim. Eles entendem o que se passa ao redor. A questão é como as informações são colocadas por nós para eles", diz Portolese.
 
 
Fonte: Folha
 

Pediatras reforçam a importância das férias

Para entidade americana, as crianças nunca devem ser privadas do tempo livre das atividades acadêmicas, como as férias e os intervalos entre aulas
 
 
As férias escolares e também a "hora do recreio" são essenciais para um bom desenvolvimento da criança e é crucial que os estudantes não sejam privados, por qualquer motivo, desse tempo de descanso. Estas são as recomendações da Academia Americana de Pediatria (AAP) presentes em um artigo publicado na edição desta semana da revista Pediatrics. Para os médicos, ainda, essas pausas são importantes para que o jovem desenvolva outras habilidades além das acadêmicas, como a comunicação, a cooperação e a partilha.
 
“Há uma pressão nas escolas para que as crianças tenham um desempenho cada vez melhor em provas, e muitas vezes o tempo livre, tanto as férias quanto os recreios, são tirados do estudante como forma de puni-lo”, diz o pediatra Robert Murray, um dos autores das recomendações. Ele afirma que, assim como o recesso não deve ser tirado da criança como forma de punição, também não deve ser permitido como forma de recompensa por alguma coisa.
 
“Os intervalos da sala de aula são essenciais para o aprendizado e crescimento pessoal da criança”, diz Murray. Ele explica que, assim como os adultos, as crianças também precisam de um tempo para processar informações novas e complicadas. “O tempo livre promove um ambiente de aprendizagem saudável e deve ser aplicado como um complemento a aulas como Educação Física ou Artística, e não um substituto”, afirma Catherine Ramstetter, outra pediatra que assinou as recomendações.
Fonte: Veja

Problemas emocionais do pai afetam a saúde mental de seus filhos desde a gravidez

Nova pesquisa encontrou relação entre pais com altos níveis de stress e ansiedade durante a gestação do filho e problemas de comportamento da criança durante a infância
 
 
Segundo um novo estudo norueguês, pais que sofrem de stress, ansiedade e outros problemas emocionais podem afetar de forma negativa a saúde mental de seus filhos antes mesmo antes de eles nascerem — ou seja, ao longo da gestação dos bebês. Para os autores dessa pesquisa, explicações plausíveis para essa relação incluem o fator genético e a possibilidade de esses homens influenciarem a saúde mental das mulheres grávidas, prejudicando indiretamente o feto. Essas conclusões foram publicadas nesta segunda-feira na revista médica Pediatrics.
 

A pesquisa, feita no Departamento de Psiquiatria do hospital dinamarquês Helse Fonna, se baseou em dados de mais de 30.000 crianças que foram acompanhadas desde a gestação. Na 17ª semana de gravidez, os pais dessas crianças responderam a um questionário que avaliou aspectos da saúde mental, como se esses homens apresentavam sintomas de depressão ou ansiedade, por exemplo. A equipe também coletou dados sobre a saúde mental das mães e avaliaram o desenvolvimento das crianças quando elas alcançaram três anos de idade.
 
De acordo com os resultados, 3% dos pais que participaram do estudo tinham altos níveis de stress e ansiedade durante a gestação de seus filhos. E, além disso, os filhos desses homens tinham um risco 22% maior de apresentar problemas emocionais e 19% maior de ter problemas de comportamento aos três anos de idade. Essa relação permaneceu semelhante mesmo após os pesquisadores levarem em consideração fatores como idade e nível socioeconômico do pai e saúde mental da mãe da criança.
 
“Nosso estudo sugere que um maior risco de problemas emocionais na criança pode ser identificado já na gravidez”, diz Anne Lise Kvalevaag, coordenadora da pesquisa. Para Kvalevaag, filhos de pais que sofrem com altos níveis de stress podem herdar a suscetibilidade de tal problema. “Além disso, pais que têm problemas de saúde mental durante o período pré-natal provavelmente continuarão a ter essas dificuldades ao longo da infância de seus filhos, o que pode afetar diretamente o desenvolvimento deles.
 
Fonte: Veja

Nova Barbie levanta debate sobre a evolução dos brinquedos

Um brinquedo que chega ao mercado americano no Natal vem sendo alardeado como a grande mudança no nicho. Antes, Barbies eram para meninas e blocos de construir, para meninos. Mas, pela primeira vez em 50 anos de Barbie, a Mattel associou um kit de construção à boneca mais perua do globo.
 
É que os pais andam mais presentes na vida dos filhos e as meninas estão sendo estimuladas a usarem brinquedos que desenvolvam desde cedo suas capacidades matemáticas e científicas.
 
A linha da Barbie que constrói seria reflexo da mudança no papel paterno e de outras revoluções sócio-econômicas, no discurso da indústria. "Papais podem muito bem participar dessa brincadeira; de outra forma, eles se sentiriam fora de seu território", explicou a psicóloga Maureen O'Brien, que deu consultoria ao desenvolvimento do produto.
 
O novo brinquedo se ajusta ao mais recente Censo feito nos EUA, que mostrou o aumento no número de homens responsáveis por cuidar dos filhos enquanto as mães trabalham fora e no número de pais que passam mais tempo com os filhos do que qualquer outro adulto -mãe incluída.
 
De olho na mudança, a Mattel, unida à canadense Mega Brands, acaba de colocar nas prateleiras dos EUA o kit "Barbie Build'n Style" (construção e estilo), com o objetivo de atrair pais e filhas.
 
Sim, a Barbie agora constrói, mas não que tenha abandonado seu mundo rosa para virar engenheira: seus blocos são encontrados nas "opções" de sempre: piscina, casa de luxo, loja de roupas...O kit deve chegar ao Brasil no segundo semestre de 2013.
 
Construção para meninas está em alta. A linha "Friends", da Lego, lançada nos EUA em janeiro e voltada às garotas, nasceu de um pedido direto de mães e crianças.
 
O brinquedo, também tratado como inovador pela mídia e pelo comércio, foi desenvolvido em quatro anos, conforme o diretor de operações da empresa dinamarquesa no Brasil, Robério Esteves.
 
"A linha traz meninas urbanas, com profissões e personalidades diferentes. O objetivo é mostrar que elas se projetam hoje em suas mães, mulheres modernas e ativas profissionalmente", diz.
 
Segundo Esteves, a Lego "sempre insistiu na busca do desenvolvimento do raciocínio lógico, da coordenação motora e da criatividade".
 
Os blocos da série, à venda no Brasil, permitem a construção de salão de beleza, cafeteria, campo de equitação e laboratório, entre outros.
 
"Discurso da cegonha"
 
Enquanto duas gigantes da indústria sinalizam a tentativa de acompanhar as recentes transformações vividas por seu público, alguns pais e especialistas acham que o conservadorismo nesse mercado segue intocado.
 
A designer Anne Rammi, que tem um site sobre maternidade,
com os filhos Joaquim (de vermelho) e Tomas
Avener Prado/Folhapress
 
"As inovações não passam de reflexo da nossa cultura de excessos. Nunca houve tanto brinquedo inútil", opina a designer Anne Rammi, mãe de dois meninos.
 
"A indústria de brinquedos não está preocupada em oferecer produtos com responsabilidade social", diz Anne, 32. Ela ilustra a visão de outras mães de sua geração, ativas na internet, às vezes com blogs temáticos, que apontam defasagem entre sua realidade familiar e os brinquedos -sempre divididos entre carros e heróis "deles", bonecas e panelinhas "delas".
 
Quem é do ramo não concorda com essa percepção. "Não há defasagem entre a sociedade e a produção, até porque se eu não me antecipar ao que a criança vai querer, eu vou perder mercado", diz Synésio Batista da Costa, presidente da Abrinq, que reúne fabricantes brasileiros.
 
"Há 3.000 designers brasileiros independentes que criam para 523 fábricas -e eles não estão defasados."
 
Brinquedos podem ser conceitualmente interessantes desde que vendam. Costa dá o exemplo da boneca grávida lançada no início dos anos 1990, um fracasso.
"Esquecemos de perguntar à mãe se ela estaria disposta a explicar à filha de seis anos como uma mulher fica grávida. No Brasil, ainda predomina o discurso da cegonha. A gente não pode ir contra a cultura da mãe brasileira."
 
Não quer dizer que não haja inovação. "O lançamento das bonecas negras foi um sucesso, hoje estão estabelecidas no mercado, assim como os brinquedos para crianças especiais. Lançamos há pouco bonecas que têm assaduras e podem ser curadas. Isso mexe na sociedade infantil", enumera o empresário.
 
Uma característica histórica do setor de brinquedos é a escassez de opções "lúdico-educativas", diz Sandra Mara Corazza, doutora em educação e professora na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e na universidade Lumière Lyon 2, na França.
 
"O mundo dos brinquedos é atrasado, limitado e simplificador; embora haja mudanças, ele não acompanha o que vivemos", diz Corazza.
 
Para Lais Fontenelle, psicóloga do Instituto Alana (dedicado a projetos sobre o universo infantil), o problema não é a distância entre o que as prateleiras oferecem e o que a criança vive. Ela critica o procedimento da indústria de tentar prever ou inventar demandas. "Desde sempre pais conseguiram brincar com suas filhas sem precisar de blocos de construção cor-de-rosa da Barbie", afirma.
 
Em meio à multiplicidade de opiniões e opções -a estimativa é de que sejam vendidos 4.500 modelos de brinquedos no país neste ano-, a questão é saber quais elementos ajudam a compor o presente ideal.
 
"As crianças precisam de pouco para se divertir; o bom brinquedo é o que não vem tão pronto", diz Fontenelle.
 
Anne Rammi, que tem um site (www.mamatraca.com.br) sobre maternidade, pensa da mesma forma: "Brinquedos simples e duráveis são capazes de suprir as necessidades de entretenimento e desenvolvimento de cognição. As coisas que eram criativas e interessantes há 50 anos continuam as mesmas. O resto é invenção para fazer a gente gastar".
 
O presidente da Abrinq contesta: "Criança não gosta de coisa velha; quem gosta de coisa velha é acadêmico e psicólogo. Criança, não."
 
Já a educadora Corazza considera que o grau de antiguidade, o material e as visões de mundo associadas a um brinquedo não falam mais alto do que a atitude dos pais. "O adulto deve assumir a responsabilidade ética de tornar o brinquedo mais criador. Implica estabelecer entre adultos, crianças e brinquedos uma relação que vá além dos limites de cada um."
 
"Cada sociedade tem o brinquedo que merece", afirma a educadora. "Para fugir dos brinquedos bobos, temos de deixar de tratar a infância de maneira boba, parar de adultizar a infância, enquanto o mundo adulto é infantilizado eternamente."
Com o "New York Times"
 
Fonte: Folha

Criança que faz refeições em família come mais frutas e verduras

Segundo pesquisa, ter pais que consomem com frequência esses alimentos e morar em uma casa com grande variedade de vegetais também são fatores contribuem com boa alimentação das crianças

O estudo mostrou que, em média, as crianças inglesas consomem 293 gramas por dia de frutas e verduras,
 o que equivale a 3,7 porções (Thinkstock)
 
O hábito de realizar refeições junto com pais e familiares faz com que as crianças consumam mais frutas, legumes e verduras. E, quanto maior a frequência com que isso ocorre, maiores são as chances de o jovem atingir as recomendações diárias de ingestão desses alimentos. É o que mostra uma pesquisa realizada na Inglaterra e publicada nesta quarta-feira no periódico Journal of Epidemiology and Community Health. Ainda segundo o estudo, que foi feito na Universidade de Leeds, na Grã-Bretanha, outros fatores, como a dieta dos pais e a variedade de vegetais disponíveis na casa da criança, também ajudam a elevar esse consumo.
 
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a ingestão diária de cinco porções de 80 gramas cada de frutas, verduras e legumes, para que as quantidades necessárias de vitaminas e minerais sejam obtidas. Isso porque esses alimentos ajudam a evitar diversas doenças e prevenir a obesidade. No entanto, os níveis reais de consumo continuam abaixo dessa meta na maior parte dos países da Europa e também no Brasil.
 
Segundo escreveram os autores desse estudo no artigo, o ambiente do lar é um fator importante, pois é onde os hábitos alimentares se desenvolvem, e onde os pais, que são quem mais influenciam a qualidade da dieta dos filhos, dão os exemplos a serem seguidos.
 
Participaram da pesquisa mais de 2.000 crianças com idade média de oito anos que estudavam em 52 escolas primárias de Londres. Os pais responderam questionários sobre a alimentação de seus filhos, a frequência com que as refeições em família eram realizadas e a quantidade de frutas e verduras que os próprios pais consumiam.
 
Consumo saudável — O estudo mostrou que, em média, as crianças consumiam 293 gramas por dia de frutas e verduras, o que equivale a 3,7 porções dos alimentos ao dia. Porém, aquelas que costumavam realizar refeições em família apresentaram um consumo mais elevado desses alimentos.
Segundo os resultados, crianças cujos pais afirmaram que comiam juntos aos seus filhos “às vezes” consumiam, ao dia, 95 gramas de frutas, legumes e verduras a mais do que aquelas que nunca comiam com seus familiares. Esses jovens ingeriam o equivalente a 4,6 porções desses alimentos todos os dias. Por outro lado, os participantes cujos pais afirmaram que sempre realizavam as refeições em família consumiam, por dia, 125 gramas desses alimentos a mais do que os jovens que nunca comiam com seus pais, atingindo a recomendação da OMS — ou seja, ingeriam cinco porções diárias de frutas, legumes e verduras.
 
Dieta dos pais — Os pesquisadores identificaram ainda outros fatores capazes de influenciar a qualidade de vegetais ingeridos pelos jovens. As crianças cujos pais declararam comer frutas e verduras todos os dias consumiam, ao dia, 88 gramas desses alimentos a mais do que aquelas com pais que nunca ou raramente consumiam esses alimentos.
Além disso, as crianças consumiam 44 gramas a mais desses alimentos todos os dias quando seus pais cortavam as frutas e verduras da criança para facilitar o consumo. A variedade dos ingredientes também se mostrou importante: os pesquisadores relataram um aumento de cinco gramas no consumo para cada variedade adicional desses alimentos disponíveis na casa.
 
Fonte: Veja

Obesidade não está relacionada a distúrbios do sono em crianças

Estudo mostrou que, ao contrário do que acontece em adultos, o excesso de peso não aumenta os riscos de crianças de 6 a 8 anos desenvolverem Distúrbios Respiratórios do Sono
 
Um estudo realizado Finlândia mostrou que a obesidade e outros fatores relacionados ao peso não estão relacionados à presença de Distúrbios Respiratórios do Sono (DRS) em crianças. A pesquisa é parte de um estudo maior, denominado Atividade Física e Nutrição em Crianças (Panic, na sigla em inglês), realizado pelo Instituto de Biomedicina da Universidade da Finlândia Oriental. Os resultados foram publicados na edição de dezembro do periódico European Journal of Pediatrics.
 
O excesso de peso é um fator de risco para problemas do sono em adultos, e é comum que a mesma relação seja feita em crianças. Esse é um fator preocupante para os especialistas, uma vez que a obesidade infantil tem crescido em ritmo rápido. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 2010, 42 milhões de crianças até cinco anos de idade têm sobrepeso.
 
Pesquisa — O estudo foi realizado com 512 crianças finlandesas de 6 a 8 anos de idade. Aproximadamente 10% delas apresentaram alguma forma de distúrbio respiratório durante o sono, que vão desde ronco moderado até apneia obstrutiva do sono (SAOS), uma parada respiratória provocada pelo colapso das paredes da faringe do paciente. Outros sintomas também podem ser observados fora do período de sono, como hiperatividade, dificuldades de aprendizado e problemas de crescimento.
 
O principal fator de risco encontrado no estudo foi a presença de amígdalas aumentadas, que ocasionou um risco 3,7 vezes maior da criança desenvolver Distúrbios Respiratórios do Sono. Os outros fatores foram mordida cruzada (quadro no qual os dentes da arcada superior se sobrepõem aos dentes da arcada inferior), com risco 3,3 vezes maior e perfil facial convexo (caracterizado pelo queixo pequeno), com o risco aumentado em 2,6 vezes.
 
Para os pesquisadores, a descoberta de fatores de risco permite que sejam realizadas intervenções para prevenir o aparecimento da doença ainda na infância. Apesar de não estar relacionado com distúrbios do sono na infância, o papel da obesidade nesses distúrbios parece aumentar com o passar dos anos, de modo que a prevenção do ganho de peso excessivo continua sendo uma medida preventiva importante.
Fonte: Veja

IBGE: Guarda compartilhada de filhos dobra em 2011, mas ainda representa só 5,4% do total

Com o número de divórcios em ascensão, a pesquisa Estatísticas do Registro Civil 2011, divulgada nesta segunda-feira (17) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), aponta que a guarda dos filhos ainda é predominantemente materna. Mas a tendência de guarda compartilhada vem crescendo no Brasil e ganhando cada vez mais espaço nas varas da família.
 
Entre 2001 e 2011, o percentual de decisões judiciais com compartilhamento da guarda de ?lhos menores dobrou. Em 2001, apenas 2,7% das separações optavam pela guarda compartilhada. Esse número saltou para 5,4% em 2011. Os números não levam em conta os possíveis recursos das partes.
 
Há Estados em que a guarda compartilhada dos ?lhos é mais frequente. No Pará (8,9%) e no Distrito Federal (8,3%), por exemplo, são registrados os maiores índices, que superaram a casa dos oito pontos percentuais. Já Sergipe (2,4%) e Rio de Janeiro (2,8%) tiveram as menores taxas.
 
 

Mãe cuidadora

 Segundo o IBGE, a Justiça brasileira ainda privilegia a mãe como responsável pela criação dos filhos. Em 2011, 87,6% dos divórcios concedidos no Brasil terminaram com a guarda das crianças e adolescentes delegada às mães. "É usual no país o entendimento de que as mães sejam responsáveis prioritárias pelos ?lhos", aponta o documento. Em 2001, esse percentual era um pouco maior: 89,7%.
 
No mesmo período, houve redução percentual das decisões da guarda dos ?lhos para os homens. Em 2001, houve 5,7% das decisões favoráveis aos pais, contra 5,3% registrados no ano passado. Ao todo, 1,1% das crianças e adolescentes ficam com a guarda fora de pai e mãe.

Sem filhos

 O estudo ainda identificou um crescimento na proporção de divórcio entre casais sem ?lhos, que saltou de 26,8%, em 2001, para 37,2%, em 2011. Para o IBGE, essa mudança de cenário pode ser explicada pelas mudanças que facilitaram o divórcio, por via administrativa, dos casais sem filho. 

 Outro índice que cresceu foi o de casais que tinham apenas ?lhos maiores: a evolução foi de 22%, em 2006, para 19,7%, em 2011. Na mesma proporção, houve uma redução significativa de participação dos divórcios entre casais com ?lhos menores, caindo de 51,5%, em 2001, para 37,1%, em 2011.
 
Fonte: Uol

Estudo da Unifesp derruba mito de que Ritalina 'turbina' cérebros saudáveis

 
Conhecida como 'pílula da inteligência', a droga tem sido usada por estudantes que querem melhorar o desempenho acadêmico; pesquisa revela que medicamento não beneficia a atenção nem a memória; remédio costuma ser obtido no mercado negro
 
A Ritalina não promove melhora cognitiva em pessoas saudáveis. Indicada para transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), ela tem sido usada por estudantes que buscam melhor desempenho em provas e concursos. Apesar da fama - que lhe rendeu o apelido de "pílula da inteligência" ou "droga dos concurseiros" -, uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostra que o medicamento não beneficia a atenção, a memória e as funções executivas (capacidade de planejar e executar tarefas) em jovens sem o transtorno.
A psicóloga Silmara Batistela, autora do estudo, decidiu investigar o tema ao perceber a popularização da prática de doping mental. "É muito comum ouvir o relato de pessoas que, para passar a noite estudando antes da prova, tomam Ritalina", diz. O objetivo da pesquisadora era avaliar se o consumo do medicamento, cujo princípio ativo é o cloridrato de metilfenidato, realmente trazia vantagens cognitivas.
Para a pesquisa, foram selecionados 36 jovens saudáveis de 18 a 30 anos. Eles foram divididos aleatoriamente em quatro grupos: um deles tomou placebo e os outros três receberam uma dose única de 10 mg, 20 mg ou 40 mg da medicação. Depois de tomarem a pílula, os participantes foram submetidos a uma série de testes que avaliaram atenção, memória operacional e de longo prazo e funções executivas. O desempenho foi semelhante nos quatro grupos, o que demonstrou a ineficácia da Ritalina em "turbinar" cérebros saudáveis.
"O uso não alterou a função cognitiva. A única diferença que observamos foi que os que tomaram a dose maior, de 40 mg, relataram uma sensação subjetiva de bem-estar maior em comparação aos demais", diz Silmara.
Perigos. O psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, diretor do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) da Unifesp, observa que o mito de que a Ritalina teria o potencial de tornar alguém mais inteligente não faz sentido. "A pessoa fala que consegue estudar a noite inteira com o remédio. Isso é porque ela fica acordada e não porque tem uma melhora na atenção", diz. Ele observa que o aprendizado sob o efeito da droga consumida inadequadamente é de má qualidade.
Silveira destaca que existem perigos relacionados ao uso inadequado do medicamento. O consumo aumenta os riscos de problemas do coração e pode levar a um quadro de arritmia cardíaca. O especialista acrescenta que, tratando-se de uma anfetamina, a droga apresenta também um potencial de abuso, razão pela qual é controlada e só pode ser comprada com receita especial.
A alternativa para os que resolvem usar a Ritalina sem ter indicação é recorrer ao mercado negro. Estudantes relatam que não é difícil encontrar fornecedores anunciando o produto em fóruns de discussão na internet.
Um estudante de Economia de 22 anos, que preferiu não se identificar, conta que soube dos efeitos da Ritalina por um amigo. "Ouvi falar de uma droga que todos universitários estavam usando na Europa e nos Estados Unidos para aumentar a concentração. Li sobre seus efeitos colaterais, para o que servia e, como sempre me achei um pouco hiperativo, resolvi experimentar."
As duas primeiras caixas foram compradas de um conhecido. Depois, encontrou um fornecedor na internet que atende aos pedidos dele e de seus amigos. "A gente pede de uma vez só várias caixas." Para o universitário, que toma o remédio para estudar aos fins de semana ou à noite, quando pretende varar a madrugada entre os livros, a principal vantagem é tirar o sono. "O ganho está nas horas a mais que estudo na madrugada."
Segundo ele, também há um aumento na concentração e na atenção. "Não fiquei mais inteligente, mas meu tempo de dedicação aos estudos aumentou", relata. Ele, que foi um dos primeiros entre seus amigos a usar o recurso, conta que hoje conhece cerca de 15 pessoas que aderiram.
Um de seus amigos, também estudante de Economia, conta que aderiu à pílula por ter dificuldade de ler textos longos. "Eu começo a me dispersar no meio deles. Como trabalho o dia inteiro, acaba me faltando tempo para conseguir ler volumes grandes." Para ele, a Ritalina o ajuda a ler bastante sem se dispersar.
Encenação. Outra estratégia que tem sido adotada para obter o remédio é simular os sintomas do TDAH na esperança de ganhar uma receita. O neuropediatra Paulo Alves Junqueira, membro da Academia Brasileira de Neurologia (Abneuro), conta que tem existido essa demanda, principalmente entre os concurseiros. "O médico precisa ter a habilidade de identificar esses casos: o TDAH não vem de uma hora para outra. É um transtorno incapacitante que acompanha o paciente ao longo da vida."
Segundo levantamento feito pelo Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma) a pedido do Estado, houve um crescimento de quase 50% na venda de remédios à base de cloridrato de metilfenidato no Brasil entre 2008 e 2012. Entre setembro de 2007 e outubro de 2008 foram vendidas 1.238.064 caixas, enquanto entre setembro de 2011 e outubro de 2012 as vendas cresceram para 1.853.930 caixas. Nesse intervalo, os valores gastos com a medicação passaram de R$ 37.838.247 para R$ 90.719.793.
 
Fonte: Estadão 

Ter televisão no quarto aumenta o risco de obesidade

Jovens que têm televisão no quarto passam mais tempo sentados em frente ao aparelho do que outros
Televisão: ter o aparelho no quarto contribui com aumento da circunferência abdominal e da gordural acumulada no corpo de crianças e adolescentes (Thinkstock)

Não são poucas as pesquisas que comprovam que quanto mais tempo uma criança passa em frente à televisão, pior para a sua saúde. O hábito, afirmam esses estudos, está ligado a uma pior alimentação, a dificuldades de aprendizado e de desempenho em esportes, além do aumento da gordura corporal e, consequentemente, do risco da obesidade. Agora, um trabalho desenvolvido nos Estados Unidos mostra que o fato de uma criança possuir uma televisão em seu próprio quarto pode aumentar tais prejuízos, especialmente em relação ao acúmulo de gordura. Essas conclusões estarão presentes na edição de janeiro do periódico American Journal of Preventive Medicine.
 
O estudo, desenvolvido no Centro de Pesquisas Biomédicas Pennington, nos Estados Unidos, acompanhou 369 crianças e adolescentes de cinco a 18 anos de idade, avaliando aspectos como índice de massa corporal (IMC), circunferência abdominal, pressão arterial e níveis de colesterol no sangue.
 
Os resultados mostraram que, de fato, os jovens que tinham televisão no quarto passavam mais tempo sentados em frente ao aparelho do que o restante dos participantes. Além disso, esses participantes, em média, tinham maiores níveis de gordura subcutânea (que geralmente se acumula na barriga, nas pernas e no culote), de gordura visceral (que fica em torno dos órgãos) e maiores medidas de circunferência abdominal do que os jovens que não possuíam televisão em seus quartos. Isso ocorreu mesmo quando os autores compararam os participantes que gastavam o mesmo tempo em frente à televisão por dia.
 
O estudo ainda concluiu que aqueles que assistiam televisão no quarto durante ao menos 2,5 horas por dia foram os participantes que apresentaram os maiores níveis de gordura acumulada. Com isso, o risco desses jovens sofrerem alguma condição cardíaca ou metabólica também foi mais elevado. “Ter televisão no quarto pode ser ainda pior do que somente assistir televisão para prejudicar hábitos saudáveis que deveriam ser seguidos por todas as crianças e adolescentes. O aparelho no quarto está relacionado, por exemplo, a menos tempo de sono e uma maior prevalência de refeições realizadas em frente ao aparelho, hábitos conhecidos por elevar o risco de obesidade”, afirma Amanda Staiano, uma das autoras do estudo.
 
Fonte: Veja

Ter filhos reduz o risco de morte prematura entre casais

Segundo estudo, aqueles que se tornam pais, tanto biológicos quanto adotivos, têm menos chances de morrer por acidente, doença circulatória ou câncer

A chegada de um filho pode melhorar a saúde de um casal, segundo indicou uma nova pesquisa da Universidade de Aarhus, na Dinamarca. De acordo com o estudo, pessoas que têm filhos apresentam um risco menor de morrer de forma prematura do que aquelas que ainda não se tornaram pais. Além disso, mostrou o trabalho, casais que optam pela adoção podem chegar a ter metade das chances de apresentar algum distúrbio mental. Essas conclusões foram publicadas nesta quarta-feira no periódico Journal of Epidemiology and Community Health.

A pesquisa se baseou nos dados de 21.276 casais que não tinham filhos, mas que estavam sendo submetidos a tratamento de fertilização in vitro — todos os participantes, portanto, desejavam se tornar pais. As informações foram coletadas entre os anos de 1994 e 2005. Durante esse período, 15.210 casais que participaram da pesquisa se tornaram pais biológicos e outros 1.564 adotaram um filho.
Segundo os resultados, em comparação com mulheres que não se tornaram mães durante o período da pesquisa, a taxa de morte precoce por doenças circulatórias, câncer ou acidente foi até quatro vezes menor entre mulheres que deram à luz e 50% menor entre as participantes que adotaram uma criança. Em relação aos homens, as chances de mortalidade precoce por esses motivos foram duas vezes menor entre aqueles que se tornaram pais — biológicos ou adotivos — em comparação com os participantes que não tiveram filhos.

A pesquisa não encontrou diferenças significativas na incidência de distúrbios mentais entre pessoas que se tornaram pais biológicos e indivíduos que não tiveram filhos, mas observou que a adoção reduziu pela metade o risco desse tipo de problema.

Desejo — De acordo com os autores, outros estudos já haviam apontado para a relação entre não ter filhos e uma maior taxa de mortalidade. Porém, nenhuma pesquisa havia diferenciado casais que não tem filhos porque assim desejam daqueles que gostariam de se tornar pais, mas não conseguem. Para Esben Agerbo, coordenador do estudo, os resultados de seu trabalho poderiam ter sido diferentes se a pesquisa tivesse olhado também para pessoas que não desejavam ter filhos. “Uma interpretação possível do nosso estudo é que não é o fato de não ter filhos que é perigoso para a saúde, mas sim não ter filhos e viver com a ansiedade de se tornar pai ou mãe”, disse o pesquisador ao site de VEJA.

Os pesquisadores não conseguiram explicar, porém, o motivo pelo qual a taxa de mortalidade é reduzida quando uma pessoa tem um filho. “Não temos certeza se é uma relação causal. Talvez indivíduos que não têm filhos possuam comportamentos diferentes e sigam um estilo de vida com maiores riscos, o que faz com que as mortes decorrentes de acidentes sejam mais prevalentes entre essas pessoas. Além disso, o estudo mostrou que mortes por doenças circulatórias também ocorrem mais entre pessoas sem filhos, o que sugere que pais e mães se preocupem mais em ter uma vida saudável”, disse Agerbo.

Fonte: Veja

Falta de oxigenação cerebral em fetos aumenta o risco de TDAH

O problema eleva essa chance, em média, em 16%, mas a probabilidade pode ser maior dependendo do fator que desencadeia a privação de oxigênio
 
Feto: Problema de falta de oxigenação no cérebro pode aumentar o risco de déficit de atenção
 
A falta de oxigenação no cérebro de um bebê que está no útero materno pode aumentar o risco de essa criança desenvolver transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) ao longo da infância. O estudo, realizado pelo Departamento de Pesquisa e Avaliação da Kaiser Permanente, uma organização sem fins lucrativos, contribui com outras evidências de que os fatores que levam à desordem vão além dos genéticos, que são os mais conhecidos. Os resultados foram publicados nesta segunda-feira na revista Pediatrics.
 
A pesquisa analisou os dados de 82.000 crianças de cinco anos da idade. Os resultados revelaram que a privação de oxigênio no cérebro de um feto aumenta, em média, em 16% o risco de TDAH na infância. Se a falta de oxigênio ocorre em decorrência de uma síndrome da angústia respiratória (lesão pulmonar em que os alvéolos dos pulmões do bebê não permanecem abertos), essa chance pode ser 47% maior; e, se o problema ocorre devido a um quadro de pré-eclâmpsia (quando há um aumento da pressão arterial e edemas na grávida), 34% maior.
 
O estudo também mostrou que a associação entre hipóxia cerebral e TDAH foi mais forte em partos prematuros. "Nossas descobertas podem ter implicações clínicas importantes. Elas podem, por exemplo, ajudar os médicos a identificar recém-nascidos com maior risco de apresentar TDAH e beneficiá-los com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado", diz Darios Getahun, coordenador do estudo.
 
Fonte: Veja

Filme retrata impacto da epidemia de obesidade infantil no Brasil

 
 
Algumas das crianças entrevistadas no documentário brasileiro Muito Além do Peso não têm mais do que 7 anos de idade. Mas suas fichas médicas se parecem com a de uma pessoa de meia-idade e bastante sedentária.

Pressão alta, colesterol elevado e diabetes tipo 2, problemas no pulmão e no coração são apenas alguns dos males que afetam esses meninos e meninas.

Em 84 minutos, a diretora Estela Renner e o produtor executivo Marcos Nisti procuraram mostrar o impacto da epidemia de obesidade infantil no Brasil pelo prisma das próprias crianças.

"O holofote aqui está todo na vítimas, porque a criança está sozinha nessa discussão, enquanto as pessoas ficam debatendo de quem é a culpa", disse Nisti, em entrevista à BBC Brasil.

Ao longo do documentário, há cenas de crianças que não reconhecem uma cenoura ou um mamão, mas conhecem todas as marcas de salgadinhos e bolachas recheadas.

Muitos meninos contam ficar sem fôlego ao brincar ou correr e dizem preferir a televisão a atividades físicas. Por dia, as crianças brasileiras passam em média três horas na escola e cinco diante da televisão, de acordo com dados do Ibope e da FGV citados no filme.

O filme cita ainda outros dados numéricos, como o fato de 56% dos bebês brasileiros tomarem refrigerante frequentemente antes do primeiro ano de vida, segundo a Unifesp.
Chefs e especialistas brasileiros e internacionais em nutrição e saúde da criança também são entrevistados no documentário.

Estela e Nisti afirmam que procuraram não apontar apenas um culpado pela epidemia, com entrevistas que questionam o papel da publicidade em produtos infantis, a falta de orientação por parte dos pais e a omissão das escolas.
 
Fonte: UOL

Experiências dolorosas afetam os cromossomos

Vítimas de agressão durante a infância podem ter maior vulnerabilidade a doenças
 
Zentilia/Shutterstock
Crianças que vivenciaram episódios de violência doméstica têm, em média, as extremidades dos cromossomos – chamadas telômeros – mais reduzidas, descobriram neurocientistas da Universidade Duke. O grupo coordenado por Idan Shalev investigou o DNA de 236 meninos e meninas britânicos, aos 5 anos e depois aos 10. Nesse meio-tempo, os pesquisadores perguntaram regularmente às mães se seus filhos testemunharam ou foram vítima de qualquer tipo de agressão verbal ou física dentro de casa. Shalev também levantou informações sobre possíveis assédios na escola. De acordo com a análise genética, crianças que enfrentaram mais de duas dessas experiências, consideradas altamente estressantes, apresentaram telômeros muito menores que as que viviam em ambiente pacífico.

O encurtamento das pontas dos cromossomos é um efeito característico do envelhecimento celular. Assim, as crianças de 10 anos que viram a violência de perto seriam biologicamente “pré-idosos”, o que pode explicar, segundo os pesquisadores, sua maior vulnerabilidade a doenças. Os telômeros selam a cadeia de DNA como os invólucros de plástico na ponta de cadarços. A cada divisão celular os cromossomos perdem um pouco de sua proteção telomérica, de forma que chega um momento em que as células não podem mais se dividir. Estudos já comprovaram que as tampas protetoras do DNA diminuem com o aumento da idade biológica e são influenciadas por fatores como tabagismo e obesidade.
 

Estudo analisa interação de crianças e jovens brasileiros com mídias digitais

Pesquisa 'Gerações Interativas' foi realizada pela Fundação Telefônica em parceria com Ibope e Escola do Futuro, da USP
 
As crianças e jovens brasileiros estão cada vez mais conectadas às telas e tecnologias digitais: 75% dos adolescentes entre 10 e 18 anos afirmam navegar na internet, enquanto entre as crianças de 6 a 9 anos esse índice é de 47%. Os dados fazem parte da pesquisa Gerações Interativas Brasil – Crianças e Jovens Diante das Telas, que foi apresentada nesta quarta-feira, 28, pela Fundação Telefônica Vivo no Auditório do Masp, na região central de São Paulo.
 
Em parceria com o Fórum Gerações Interativas, o Ibope e a Escola do Futuro da USP, a fundação pesquisou o comportamento da geração de nativos digitais brasileiros diante de quatro telas: TV, celular, internet e videogames. A coleta de dados ocorreu entre 2010 e 2011 junto a 18 mil crianças e jovens, com idades entre 6 e 18 anos. O Ibope ajustou a amostragem, baseado no Censo Escolar de 2007, e o conjunto válido de respondentes foi de 1.948 crianças e 2.271 jovens, pertencentes a um universo que abrange alunos de escolas do ensino público e privado, nas zonas urbana e rural de todas as regiões do País.
Esta é a segunda etapa de uma pesquisa iniciada em 2005. Na ocasião, o Brasil foi analisado dentro do contexto da região ibero-americana.“Desta vez, decidimos fazer um retrato exclusivo do País, para obtermos um panorama abrangente e crítico a respeito do contexto e das perspectivas das telas digitais no Brasil”, explica Françoise Trapenard, presidente da Fundação Telefônica Vivo.
Principais resultados
Do total dos pesquisados, 51% das crianças, de 6 a 9 anos, e 60% dos jovens e adolescentes, de 10 a 18 anos, declararam possuir computadores em casa, enquanto 38,8% das crianças e 74,7% dos jovens disseram ter celulares próprios. Já quanto à posse de games, 78,7% das crianças e 62,4% dos adolescentes entrevistados responderam positivamente. A TV é a tela predominante, com índices de penetração nos lares entre 94,5%, no caso das crianças, a até 96,3% para os jovens.
No entanto, diferenças socioeconômicas entre as regiões impactam na posse e no acesso às telas. A análise detalhada pelas macrorregiões geográficas do País evidenciou diferenças marcantes para os indicadores da inclusão digital dos jovens brasileiros. Observou-se que, enquanto a presença de computadores domésticos atingiu 70,4% das crianças do Sudeste e 55,1% para as residentes no Sul, no Norte e Nordeste estes índices retrocedem para 23,6% e 21,2%, respectivamente.
Diferentemente do que se observa para a maioria dos adultos que com ela convivem, a geração interativa redefine o uso das telas pela sua integração, convergência e multifuncionalidade. Desta forma, a internet é usada para tarefas escolares, compartilhar músicas, vídeos, fotos, ver páginas na web, utilizar redes sociais, bater papo e usar e-mail.
Políticas públicas
De acordo com Lygia Pupatto, secretária de Inclusão Digital do Ministério das Comunicações, atualmente 52% da população brasileira não têm acesso à internet. O cenário agrava-se ainda mais quando se observa a distribuição dessa acessibilidade. Enquanto 96% da classe A possuem acesso à internet, apenas 35% da C têm esse privilégio e 5% das D e E. Vale lembrar que as classes C, D e E, juntas, somam cerca de 80% da população. "A exclusão digital segue o mesma lógica da exclusão social", diz Lygia. "Essa desigualdade, por sua vez, é muito mais maléfica, pois gera novos padrões de exclusão social, principalmente no que diz respeito ao acesso à informação e, consequentemente, ao exercício da cidadania", afirma.
Segundo a secretária, o governo federal tem alguns projetos para garantir a acessibilidade uma maior porcentagem da população. Um deles trata da redução da carga tributária de smartphones, o que, por sua vez, interferiria diretamente no preço final do produto. Lygia também destacou a importância de uma articulação com os governos estaduais e municipais e também com a academia.
Convergência
O celular representa a tela de convergência por excelência. Pela ordem, a geração interativa utiliza o aparelho para: falar (90% dos jovens); mandar mensagens (40%); ouvir música ou rádio; jogar; como relógio/despertador; como calculadora; fazer fotos; gravar vídeos; ver fotos/vídeos; usar a agenda; baixar arquivos; assistir TV; bater papo; e navegar na internet. "O celular é a mídia convergente, a que pode ser tratada como ganhadora", diz Françoise Trapenard, da Fundação Telefônica Vivo. "Entre as mídias interativas, é a mais simples, extremamente intuitiva e que pode ser levada para qualquer lugar, em qualquer momento."
40% dos jovens afirmaram que nenhum professor usa a web em aula e apenas 11% aprenderam a navegar com um educador. Por outro lado, 64,2% dos respondentes disseram que aprenderam a usar a internet sozinhos. “Trata-se de uma geração nascida a partir do final da década de 1990, período em que no Brasil as TIC (Tecnologias da Informação e da Comunicação) já se encontravam profundamente instaladas e arraigadas na vida cotidiana das famílias e, em maior ou menor grau, também nas escolas”, observa Brasilina Passarelli, coordenadora científica da Escola do Futuro.
Segundo a professora, a interação que os nativos digitais têm com as novas mídias não deve ser encarada com estranhamento ou hesitação. "Esse jovens estão reconstruindo uma relação com o conhecimento", diz. "O conceito de leitura que conhecemos, por exemplo, não existe mais, ao menos para as novas gerações, que foram criadas pelo hipertexto, onde a lineariedade não faz mais sentido algum."
Na opinião dela, é um erro tentar formatar os jovens e crianças da geração Z ao mundo que estávamos acostumados até 10, 15 anos atrás. "Temos de ter coragem de ousar, caso contrário, seremos afogados pelo real", diz Brasilina, referindo-se à adoção de TICs na educação.
A pesquisa estará disponível para download no site da Fundação Telefônica (www.fundacaotelefonica.org.br), inclusive com versão para tablets.
 
Fonte: Estadão