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Cientista alemã explica o dom de aprender idiomas


Ninguém consegue aprender línguas como os recém-nascidos,
afirma pesquisadora

Entre os humanos são eles que possuem a maior facilidade para aprender línguas, mesmo sem conseguir formar uma frase. A lingüista e psicóloga Angela Friederici explica a genialidade lingüís...
tica dos recém-nascidos.

Recém-nascidos – e somente eles – podem aprender qualquer língua do mundo. Um potencial que desaparece e deve ser aproveitado por pais e educadores antes que os bebês aprendam sua língua materna.

Isto é o que afirma Angela Friederici, lingüista e diretora do Departamento de Neuropsicologia do Instituto Max Planck de Neurociências Cognitivas em Leipzig.

"Os bebês dividem em duas categorias tudo aquilo que papai, mamãe, titio e titia lhes falam: na primeira entra aquilo que eles sempre escutam, na segunda vai o resto", afirma a especialista. Cada língua possui uma melodia característica ou, em uma linguagem mais científica, uma prosódia, ou seja, o francês soa bem diferente do russo. Mas a partir de quando os bebês conseguem fazer esta distinção?

Gênios já aos quatro dias

"Já a partir dos quatro dias de vida, os bebês conseguem fazer esta distinção, o que ficou demonstrado em um teste chamado de 'experimento chupeta'. Quando estão desinteressados, eles diminuem o ritmo de como chupam sua chupeta. Ao escutar a entoação prosódica de uma outra língua, eles o aumentam. Isto demonstra que as crianças conseguem distinguir informações acústicas", comenta Friederici.

A cientista explica que os bebês se interessam somente pelo novo, pelo desconhecido, mas o que fica é somente aquilo que lhes é sempre repetido, ou seja, os sons de sua língua materna. O resto já foi reprimido e esquecido logo no primeiro ano de idade.

Quem quiser aproveitar este potencial do bebê, afirma Friederici, deve começar a lhe falar em várias línguas desde seu primeiro dia de nascido. Entretanto, cada língua deve ser falada sempre pela mesma pessoa, assim a criança poderá aprender dois ou mais idiomas sem grandes esforços.

Esperar pela alfabetização pode ser tarde

Segundo a pesquisadora do Instituto Max Planck, esperar que as crianças entrem na escola para o aprendizado de línguas pode ser muito tarde. "Existem pessoas que afirmam que somente se pode ser completamente bilíngüe se as línguas tiverem sido aprendidas até os seis anos de idade. Quanto mais avançada a idade, mais difícil é para as crianças aplicarem corretamente os parâmetros prosódicos e fonológicos", explica Angela.

Todo aquele que não cresceu com várias línguas sabe que basta abrir a boca para ser identificado como alguém de origem estrangeira. Claro que há pessoas que falam uma língua estrangeira como se tivesse crescido com ela, mas são casos excepcionais. Os sons de uma outra língua são estranhos e sua melodia, uma arte. Além disso, faltam ao falante vocabulário e as sutilezas gramaticais.

Friederici explica que é justamente a gramática o que o cérebro primeiramente analisa quando se escuta uma frase, e não o significado das palavras.Isso já foi constatado há muitos anos pela cientista em seus estudos, que lhe garantiram o renomado Prêmio Leibniz da Sociedade Alemã de Pesquisa (DFG) há nove anos.

Resultado do estudo Pisa impulsionou discussões lingüísticas
Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) impulsionaram as discussões em torno do aprendizado de idiomas, que começa de maneira geral no ensino fundamental. A tendência agora na maioria dos países da União Européia é inserir uma língua estrangeira também no ensino de outras matérias.

Ou seja, os alunos aprendem francês, por exemplo, não somente na aula de francês mas também na aula de História ou Geografia. Além disso, quem começa o aprendizado de um novo idioma quando adulto tem que aprender com maior rapidez a se comunicar de forma mais complexa do que somente "eu me chamo", "eu moro na" ou "tchau", afirma Angela Friederici.

Fonte:DW.DE

Trauma de matemática pode provocar sensação de dor

Pessoas que sofrem com muita ansiedade antes de realizar tarefas envolvendo raciocínio matemático ativam uma parte do cérebro relacionada com a dor
A ansiedade que algumas pessoas sentem antes de uma prova de matemática é um das grandes
 dificuldades do aprendizado, diz estudo. Isso porque ela ativa a parte do cérebro relacionada com a dor
(iStockphoto)
 
Para algumas pessoas, apenas pensar na realização de um exercício de matemática faz aflorar sensações de tensão, apreensão e até mesmo pavor. Como resultado, muitas delas evitam a matéria a todo custo ao longo da vida escolar e escolhem profissões que envolvam o menor contato possível com números. Mas o que causa tantas impressões negativas?
 
Dois pesquisadores, um da Universidade Ocidental de Ontário, no Canadá, e a outra da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, acreditam ter encontrado uma resposta bastante convincente: a culpa é da ansiedade que precede a realização de exercícios de matemática. De acordo com eles, quando colocados diante de uma tarefa matemática, alguns indivíduos ativam a parte do cérebro conhecida por ínsula posterior(A ínsula posterior é um tecido localizado dentro do cérebro, próxima ao ouvido, que é associado ao registro de ameaças diretas ao corpo e a experiências de dor.), responsável por processar impulsos relacionados a uma ameaça iminente ao corpo e, em alguns casos, a dor.
"Essas pessoas não se saem mal em uma prova porque são preguiçosas, mas porque para elas pode ser uma atividade angustiante", afirma o neurocientista Ian Lyons, da Universidade Ocidental de Ontário, no Canadá, e um dos responsáveis pelo estudo publicado na revista científica PLOS ONE. "Para essas pessoas, simplesmente pensar em uma atividade que envolve exercícios matemáticos provoca uma reação cerebral similar àquela que ocorre quando sentimos dor, ao queimarmos a mão, por exemplo", complementa Sian Beilock, da Universidade de Chicago, nos EUA, e também autora do artigo.
Trauma — Em alguns casos, os sinais são parecidos com o que o nosso cérebro costuma emitir quando passamos por situações negativas e traumáticas, como no caso de um rompimento amoroso.
Lyons e Sian Beilock formularam a hipótese segundo a qual algum componente neural poderia influenciar o mau desempenho de pessoas ansiosas em relação à matemática. Não se trata, alertam os pesquisadores, de uma dificuldade inata, mas a uma espécie de trauma desenvolvido desde a infância.
Para testar a hipótese, os pesquisadores convocaram estudantes universitários para um teste no qual deviam indicar quão apreensivos e tensos costumavam se sentir em determinadas situações (um exemplo de questão é "como você se sente ao abrir um livro de matemática ou de estatística e ver uma página repleta de equações?"). Do total, dois grupos com 14 pessoas foram selecionados, sendo um formado pelos mais ansiosos e o outro pelos que não demonstraram qualquer tipo de trauma com a matéria.
 
Eles foram então submetidos a exames de ressonância magnética para mapear a atividade cerebral. Dentro do aparelho, tinham de responder duas sequências de perguntas, metade de raciocínio matemático e metade de ortografia. As questões apareciam de forma aleatória e os participantes só eram avisados se teriam de resolver um problema matemático ou de linguagem com seis segundos de antecedência, o suficiente para encher os que têm medo de matemática de tensão.
 
Ansiedade — Enquanto o desempenho no teste de inglês foi similar nos dois grupos, os voluntários identificados como altamente ansiosos tiveram avaliações significativamente piores com os números — a porcentagem de erro entre os que tinham pavor de matemática foi de 24% enquanto que para os demais foi de 11%.
O curioso é que, entre os muito ansiosos, a atividade na ínsula posterior, medida pelo aparelho de ressonância, atingia seu pico no momento em que o participante era informado do tipo de problema que teria de resolver, não no momento de tentar resolvê-lo. "Se a dor estivesse relacionada concretamente ao exercício de matemática, o lógico seria uma intensa atividade (na ínsula posterior) quando eles estivessem resolvendo as contas. Mas o que encontramos foi uma antecipação", afirma Lyons.
De acordo com o pesquisador, os resultados podem ajudar educadores a lidar com alunos mais ansiosos. "A ansiedade, que causa a sensação dolorosa, não nasce conosco. É uma resposta aprendida, uma consequência de alguma memória negativa que carregamos". Essa espécie de trauma – continua o neurocientista – pode ser construída a partir de um mau professor ou por uma situação na qual um garoto é alvo de brincadeiras por não conseguir resolver um problema na lousa.
"O estudo nos ajuda a entender porque algumas pessoas evitam os números a ponto de fugirem de profissões que envolvam matemática. Para elas, é uma experiência dolorosa", diz Lyons. "O importante é tratar a ansiedade primeiro, e não tentar fazer um aluno aprender matemática na marra, com uma enxurrada de exercícios."
 
Fonte: Veja

Participação dos pais vale mais que boa escola, diz estudo

Pesquisa reafirma posição de que família tem papel decisivo no desempenho acadêmico dos filhos. Mas atenção: qualidade da escola também importa
 
As boas escolas ensinam, mas só quem pode educar para a vida são os pais
(Photoalto/Getty Images )
 
Um estudo divulgado nesta semana reforça o conceito de que o ambiente familiar é determinante no desempenho escolar de crianças e jovens. De acordo com a pesquisa, realizada pela Universidade da Carolina do Norte, estudantes que frequentam escolas fracas mas são acompanhados de perto pelos pais obtêm desempenho superior ao de crianças matriculadas em boas escolas cujos pais pouco conhecem suas atividades acadêmicas.
 
O estudo contou com a participação de 10.000 jovens de 18 anos. Os cientistas avaliaram primeiramente o papel das famílias: o quanto os pais confiavam em seus filhos, o grau de envolvimento deles nas atividades escolares, com que frequência checavam os deveres de casa do filho e se costumavam comparecer a eventos escolares. Em um segundo momento, as instituições de ensino foram avaliadas segundo a qualidade de seus professores, o conceito que os alunos têm da escola, a variedade de atividades esportivas e extracurriculares e a frequência com que são reportados casos de bullying e outros tipos de abuso. Posteriormente, os resultados foram cruzados com o desempenho escolar de cada um dos estudantes em matemática, leitura, ciência e história.
 
"Os resultados apontam que o ambiente familiar influencia mais no sucesso acadêmico do que o ambiente escolar", diz Toby Parcel, professora de sociologia e uma das autoras do estudo. "Não estamos sugerindo que a qualidade da escola seja totalmente desprezível, mas queremos alertar para a importância dos pais no processo educativo", diz Parcel.
 
Para os autores da pesquisa, os pais devem estar conscientes de que investir tempo e dinheiro em um escola de ponta pode não ser o suficiente para garantir o sucesso dos filhos. "Ao acompanhar o dever de casa ou ir às reuniões escolares, os pais mostram aos pequenos que a escola é importante para toda a família e precisa ser levada a sério", diz Parcel.
 
O estudo foi publicado na edição mais recente do periódico Research and Social Stratification and Mobility e reafirma as evidências de que a família é fundamental no sucesso acadêmico de um indivíduo. Já está provado que pais leitores criam filhos leitores e quanto mais os responsáveis se envolvem com a escola, mais comprometida a criança é com seus afazeres acadêmicos. É sabido também que os pais não precisam dominar todo o conteúdo que é ensinado pela escola: ainda que não tenham frequentado os bancos escolares, eles podem estimular as crianças a se dedicarem aos deveres com afinco.
A pesquisa deixa claro, contudo, que uma boa escola também importa no processo de formação acadêmico das crianças. Mais do que isso: é fundamental.
 
Fonte: Veja

Alunos do ITA criam aplicativos para ajudar crianças que sofrem de dislexia

Falta de opções em português motivou desafio com alunos de computação.
Jogos educativos ajudam disléxicos a superar obstáculos de aprendizagem
 
No sentido horário, os aplicativos Aramumo, Arqueiro Defensor e Mimosa e o Reino das Cores
(Foto: Reprodução)
 
Um grupo de estudantes do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) participou de um desafio para criar os primeiros aplicativos em língua portuguesa para crianças e jovens com dislexia. Entre abril e setembro deste ano, eles desenvolveram três jogos educativos para smartphones e tablets destinados a ajudar quem tem dificuldade de relacionar o reconhecimento e interpretação dos sons às palavras e sílabas, ordenar e escrever corretamente as letras, além de memorizar sons e sílabas e estimular a coordenação motora. Os jogos são gratuitos e funcionam em aparelhos com sistema operacional Android.
 
O desafio foi idealizado pelo Instituto ABCD, organização não-governamental que mantém programas para pessoas com dislexia e outros transtornos de aprendizagem, como a discalculia (dificuldade em reconhecer e lidar com as diferentes formas de representação numérica). A premiação dos grupos participantes foi feita na quarta-feira (10), em São Paulo, como parte das atividades da Semana de Dislexia, realizada entre os dias 8 e 14 de outubro.
 
De acordo com a diretora-presidente do instituto, Mônica Cristina Andrade Weinstein, o desafio "surgiu da constatação de que existem pouquíssimos recursos de tecnologia em língua portuguesa para quem tem dislexia".
 
Ela afirmou que, em vez de contratar uma empresa para desenvolver aplicativos, o instituto preferiu envolver estudantes para "levar a questão da dislexia para outras áreas", e também porque são os alunos de computação de hoje que poderão desenvolver novas tecnologias para uso social no futuro.
 
Na primeira edição do desafio, a única instituição participante foi o ITA, por meio do ITAbits, grupo criado para incentivar a participação dos alunos em competições desse tipo. O sucesso da iniciativa fez com que o Instituto ABCD já começasse a planejar uma segunda edição, aberta a outras instituições.
 
"Os alunos são super jovens e brilhantes, são alunos com muita facilidade na aprendizagem que aceitaram ajudar alunos com dificuldade de aprendizagem", afirmou Mônica. Todos os nove estudantes que apresentaram aplicativos atualmente cursam o segundo ano de engenharia da computação no ITA.
 
Eric Gomes Muxagata Conrado, de 19 anos, faz parte do trio que venceu o desafio, junto com os colegas Marcio Araujo de Paiva Filho e Victor Gonçalves Elias. Como prêmio, os três ganharam uma viagem aos Estados Unidos para conhecer o Massachussetts Institute of Techonology (MIT) e iniciativas que estimulam a criação de programas de computador com alguma ênfase social.
 
Ele afirmou que esse é o seu primeiro grande desafio e que a ideia de elaborar um projeto destinado a pessoas com dificuldade de aprendizagem mudou sua visão sobre a carreira que escolheu. "Não tinha muito interesse nisso antes de estudar e ver o quanto é fácil usar os conhecimentos que a gente adquire na faculdade para ajudar as pessoas", explicou.
 
Diversão e aprendizado O aplicativo vencedor, Aramumo, traz um jogo de palavras-cruzadas, porém usando sílabas. Desenvolvido em dois meses, ele tem atualmente cinco níveis de dificuldade, mas Eric garante que o grupo vai continuar trabalhando para ampliá-lo. "O aplicativo fala a palavra e o usuário tenta montar a palavra com as sílabas. A pontuação é feita de acordo com o tempo que o jogador leva para acertar todas as palavras", diz.
 
Os outros dois aplicativos ficaram empatados em segundo lugar, e seus criadores receberam, como prêmio, a participação no Fórum Mundial de Empreendedorismo Social, no Rio de Janeiro. Arqueiro Defensor é o nome de um deles. Criado por Camila Matias Morais e Samuel Flavio Barroso Sousa, com a participação de Victor Gonçalves Elias, o jogo segue o estilo do aplicativo Angry Birds: o usuário deve usar a tela sensível a toque para atirar flechas e, ao acertar pássaros, uma palavra é ouvida e deve ser digitada.
 
"A gente queria algo que focasse o aluno, para que ele continuasse insistindo. Como o público tem dificuldade de aprendizagem, quisemos mexer com todos os sentidos dele", disse Camila, de 21 anos. "A ideia era unir uma coisa divertida ao aprendizado, e que o jogador não ficasse desmotivado", contou Samuel, de 20 anos. Segundo Camila, o jogo já está disponível para aplicativos Android de forma gratuita e pode ser usado por falantes de língua portuguesa de todas as partes do mundo.
 
Marcelo Florêncio Sobral, de 23 anos, desenvolveu o aplicativo Mimosa e o Reino das Cores com Gabriel Mendes Oliveira Lima e Rodrigo Rolim Ferreira. Ele conta que, no início do jogo, o vilão da história rouba as cores do mundo, e cabe ao jogador devolver as cores.
"Mas, para isso, ele precisa nomear cada objeto do cenário", explicou.
 
Colher, faca, guardanapo, limonada são algumas das palavras que o usuário deve escrever. Cada desafio tem uma abordagem, desde a escolha entre três opções até o preenchimento da letra que falta para completar o nome. O próximo passo do grupo é colocar o aplicativo no ar, na loja da Android, para smartphones e tablets.
 
Fonte: G1

Dever de casa e tarefa da escola

Professor particular, professor tutor, tia, avó que foi professora, horas obrigatórias de estudo etc. etc. etc.

Pai e mãe que chegam do trabalho e, em vez de se dedicarem ao relacionamento com o filho, vão estudar junto com ele. No início, com paciência para explicar tudo nos mínimos detalhes. Pouco tempo depois, sem paciência alguma e, não raramente, chegando aos gritos com o filho.

Tudo isso porque estamos chegando ao final do ano letivo e muitas crianças, por causa das notas, estão a perigo tanto do ponto de vista da escola quanto do ponto de vista dos pais.

Alguns pais me disseram que irão fazer o filho --e falo de crianças com menos de 11 anos-- estudar todos os dias com professores particulares para "recuperar" toda a matéria dada desde o início do ano. Só assim, me disseram, o filho conseguirá aprender a matéria apresentada agora, já no último bimestre.

Tenho pena dessas crianças. Em primeiro lugar, porque pais e escolas pensam que o processo de aquisição de conhecimento é igual ao de escalar um morro: antes de chegar ao topo seria preciso dar muitos passos.

Não: já sabemos há muito tempo que o conhecimento não exige pré-requisitos, ou seja, não é preciso aprender determinados temas para chegar a outros.

Essa ideia está ultrapassada, tanto quanto nossa organização escolar seriada que agrupa os alunos por idade.

Como diz Ken Robinson, autor inglês que trata da criatividade e da inovação em educação, a data de fabricação das crianças não é o que as agrupa quando se trata de aprendizagem do conhecimento. São seus ritmos e modos de aprendizagem.

Em nosso país, o mantra de que os pais zelosos devem acompanhar os estudos dos filhos não é questionado, tampouco problematizado.

Ponto para a nossa ideologia escolar, que consegue, desse modo, delegar aos pais tarefas que são da instituição de ensino. E como tem escola reclamando que os pais delegam a elas suas responsabilidades, não é?

O fato é que com a família em transição e a escola congelada seria preciso rediscutir as funções de ambas e, inclusive, criar as bases do que poderíamos chamar de "parceria escola-família".

O que os pais podem fazer para ajudar o filho que precisa reagir em sua vida escolar? Eles podem, por exemplo, ajudá-lo a entender que conhecimento exige esforço.

Uma ótima atitude a se tomar é organizar o dia do filho para que ele tenha horários de estudo --entre outras coisas-- e um local para fazer isso longe das tentações que costumam ser estimulantes para ele.

Insistir para que o filho "grude a bunda na cadeira" até conseguir estudar e focar sua atenção é outra atitude favorável que complementa a primeira.

Nem a escola ensina isso. Basta o estudante experimentar alguma dificuldade que ele pede para ir ao banheiro, tomar água etc. E a escola permite, ou seja, não ensina que aquela dificuldade pode ser superada com esforço e concentração.

Conversar com o filho a respeito da matéria que ele estuda, fazer perguntas que a escola não faz, ajudar o filho a fazer relações entre o tema e a vida ou mostrar a ele algumas dessas relações também incentivam bastante a criança a entender o que é que ela estuda, afinal.

Sim, os pais podem, como nós acabamos de ver, ajudar o filho em sua vida escolar, mas não como se fossem eles os professores. Podem ajudar como pais, que nem sequer precisam saber o conteúdo das lições.

Se não fosse assim, como é que tantas pessoas com pais analfabetos conseguiriam estudar?

Os pais devem ajudar ensinando a atitude diante do estudo. Simples assim. Mas é algo tão difícil de realizar quanto simples.

Fonte: Folha

Separar alunos entre 'burros' e 'espertos' define o desempenho escolar

Espere que uma criança vá mal na escola e ela não o desapontará. A partir dessa certeza, o educador Robert Pianta, reitor da Escola de Educação Curry, da Universidade da Virgínia, nos EUA, acaba de publicar sua pesquisa baseada em um estudo da década de 1960 com alunos de nível fundamental.

Aquele trabalho provara que a opinião do professor sobre a capacidade de um aluno interfere em seu desempenho. Agora, Pianta, 57, revisitou a conclusão para defender que professores sejam treinados a ocultar suas crenças em relação aos alunos.

Professores tratam melhor estudantes tidos como mais inteligentes, o que favorece o desempenho escolar desses.

O reitor criou um método que promete amenizar a influência da opinião do educador sobre o aprendizado. Nesta entrevista à Folha, ele diz como isso pode ser feito.

Folha - O que faz um professor achar que determinado aluno não tem potencial?

Robert Pianta - Em geral, o "histórico" do estudante. O fato de ele não ter demonstrado bom rendimento em anos anteriores faz com que o novo professor já o encare como alguém que não tem muito a oferecer. Se esse aluno tirar notas medíocres o professor já se dá por satisfeito.

Essas crenças são moldadas ao longo do percurso escolar?

Sim, mas, mesmo quando a criança é nova demais para ter um histórico, outros preconceitos do professor se manifestam. Alguns acham que meninas têm dificuldade em matemática, por isso exigem menos delas nessa disciplina. Outros acham que filhos de pais divorciados se saem pior. Somos todos cheios de preconceitos e não fazemos por mal, só precisamos tomar atitudes para impedir que esses preconceitos envenenem o desempenho da classe.

De que forma o professor desestimula os alunos que considera menos capazes?

De todas as formas possíveis. Sorrindo menos para eles, mostrando impaciência, não levando suas dúvidas a sério. Na pesquisa, gravamos muitas aulas e há um comportamento recorrente: se um aluno tido como inteligente não entende um assunto, o professor toma aquela dúvida como um "feedback" do trabalho dele. Pensa em fazer uma revisão da matéria, por exemplo. Se um estudante considerado difícil tem dúvida, o professor age como se só ele não tivesse entendido.


O senhor diz que treinar o comportamento do docente é mais eficiente que tentar mudar suas crenças. Fingir que crê no potencial de alguém é suficiente?

Fingir é um termo muito forte. Desde os anos 1960 sabemos que a expectativa dos professores é decisiva no processo de aprendizagem, isso é senso comum. Acontece que as tentativas de fazer os docentes mudarem suas expectativas se provaram insuficientes. Nossas crenças não são construídas de modo racional. Não basta mostrar dados dizendo que meninas são boas em matemática para que o professor altere seu sistema de crenças.

No fim, descobrimos que ter conceitos bons sobre os estudantes é muito importante, mas agir corretamente em relação a eles é mais eficaz.

Como agir bem em relação ao aluno do qual se espera pouco?

É isso que o treinamento desenvolvido durante minha pesquisa procura ensinar.

Imagine que acabo de fazer uma pergunta em sala de aula e um garoto começa a berrar que sabe a resposta. Se sou do tipo que acha que meninos são bagunceiros, meu impulso será o de controlar aquele começo de confusão. Vou mandar o aluno sentar no seu lugar e abaixar o tom de voz. Essa resposta só confirmará o que o garoto já sabe: que o professor o vê como alguém que atrapalha.

Uma resposta mais adequada seria: "Por que você não me conta o que acha dessa pergunta? Enquanto isso, sente-se em seu lugar para que eu consiga entender melhor".

Os pais também influenciam os filhos com suas crenças...

Certeza. Não posso falar em relação ao Brasil, mas nos Estados Unidos nós lutamos contra o hábito de certos pais que insistem em fazer trabalhos escolares pelos filhos. Não sou contra o pai ou a mãe dar um apoio. Mas se faço o trabalho do meu filho a mensagem é clara: não acredito que ele seja capaz de dar conta da tarefa.

A conclusão de que a opinião do docente afeta o aluno não é muito óbvia?

Ciência não serve só para trazer fatos surpreendentes. Confirmar aquilo de que já desconfiávamos é tão importante quanto trazer um fato novo.

Fonte: Folha

Maioria apoia, mas só 37% leem para crianças

Apesar de terem tido pouco contato com os livros na infância, 96% dos brasileiros consideram importante ou muito importante o incentivo à leitura para crianças pequenas, de até 5 anos - mas apenas 37% costumam ler livros ou histórias para elas. Esse é o resultado de uma pesquisa da Fundação Itaú Social que será anunciada nesta terça-feira em São Paulo.
Para o levantamento, o instituto Datafolha ouviu, no início de agosto, 2.074 pessoas com mais de 16 anos de idade em 133 municípios de todo o País. Os entrevistados também foram questionados acerca de sua experiência pessoal de leitura, quando crianças, além de seu atual hábito de leitura para crianças de seu círculo de convivência.
"O nosso objetivo foi medir a percepção sobre a importância da leitura para crianças pequenas, mas também o envolvimento do adulto nessa tarefa", afirma o vice-presidente da Fundação Itaú Social, Antonio Matias. Ele conta que a pesquisa é uma das ações da campanha que vê no estímulo à leitura uma oportunidade de mobilizar a sociedade para a garantia dos direitos da criança e do adolescente.
"Lutamos por essa causa porque muitos estudos já mostraram que a leitura na primeira infância pode ajudar muito no desenvolvimento dessas crianças", completa Matias.

Resultados
Os números da pesquisa mostram que a população também compreende a importância. À pergunta "por quais razões você acha importante incentivar as crianças de até 5 anos a ter gosto pela leitura?", as respostas foram consistentes: 54% citaram o desenvolvimento intelectual e cultural, isto é, que a leitura deixa mais inteligente e ajuda a desenvolver a capacidade de raciocínio, além de despertar a curiosidade.
Outros 36% acreditam que a leitura na infância ajuda na formação educacional e na criação desse hábito. O desempenho no mercado de trabalho é citado por apenas 10% dos entrevistados.
Apesar dessa consciência, menos da metade (37%) costuma ler livros ou histórias para crianças. Um comportamento que repete a mesma experiência que esses adultos tiveram na infância: 60% dos entrevistados não tiveram experiência de leitura durante sua infância e gostariam que alguém tivesse feito isso.
Na escolha por esse "mentor", a opção recai sobre a mãe. Se pudessem escolher quem eles gostariam que tivesse lido para eles durante a infância, 44% dizem a mãe, 28% o pai e apenas 2% a professora.
"Isso é bom, mas desde que se transforme essa percepção em mobilização. Quanto mais um adulto se envolve, mais ele se compromete com o processo de educação dos seus filhos e se torna atuante na cobrança de uma escola pública de qualidade, que é a nossa causa maior", resume Matias.
Alheios
Na pesquisa, os 4% que acham "mais ou menos importante" ou não veem razão para ler para crianças de até 5 anos alegam que, nessa idade, elas não estão maduras o suficiente para a tarefa: são muito novas e estão na idade de brincar. Para alguns, a prática seria "forçar a mente da criança" ou poderia fazer com que os pequenos enjoassem de estudar antes mesmo de entrar na escola.
Uma preocupação equivocada, explica a gerente de projetos do Instituto do Pró-Livro, Zoara Failla. "A leitura também é uma forma de brincar. A criança vai se divertir com as ilustrações e com as pequenas frases que podem ser lidas pelo adulto. É um momento de familiarização, de descoberta. Basta ver como os pequenos pedem a repetição de uma boa história para ver como esse contato é lúdico." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo
Fonte: Uol

Quase 8% das crianças brasileiras sofrem de enxaqueca, diz pesquisa inédita

Quadro aumenta problemas de desempenho na escola, além de elevar o risco do surgimento de distúrbios como depressão e ansiedade

Enxaqueca: Segundo levantamento, apenas 18% das crianças brasileiras nunca se
 queixaram de dores de cabeça (Thinkstock)
Um estudo recente concluiu que 7,9% das crianças brasileiras de cinco a 12 anos têm enxaqueca, ressaltando o fato de que queixas frequentes de dor de cabeça em crianças devem ser levadas a sério. O levantamento, apresentado neste mês no 26º Congresso Brasileiro de Cefaleia, no Rio de Janeiro, é o primeiro a avaliar a prevalência da enxaqueca infantil no país.
Segundo o neurologista Marco Antonio Arruda, diretor do Instituto Glia de Cognição e Desenvolvimento e autor do estudo, ao contrário do que muitos pensam, crianças podem, sim, ter enxaqueca. De acordo com o médico, sua pesquisa mostrou que uma criança com o problema pode desenvolver dificuldades emocionais, além de ter o desempenho escolar prejudicado. Os resultados completos do trabalho serão publicados na edição de outubro da revista científica Neurology.
Ao todo, foram avaliadas 5.671 crianças de 18 estados e 87 cidades brasileiras. Seus pais responderam a um questionário validado cientificamente, e os professores dos jovens relataram o desempenho escolar desses alunos. Segundo a pesquisa, apenas 17,9% das crianças brasileiras nunca se queixaram de dores de cabeça. E, além dos 7,9% que têm enxaqueca episódica, 0,6% apresenta a forma crônica da doença, que se caracteriza por dores em mais de 15 dias por mês.
Desempenho acadêmico — Quanto ao impacto nas atividades escolares, o levantamento descobriu que, na população com enxaqueca, o risco de ter dificuldade em prestar atenção na aula é 2,8 vezes maior do que entre as crianças saudáveis. Já o risco de ter um desempenho abaixo da média é 32,5% maior entre as com enxaqueca episódica e 37,1% maior entre as com enxaqueca crônica. O problema também é motivo de faltas: 32,5% das crianças com enxaqueca episódica perdem dois ou mais dias de aula por causa da dor. Além disso, os sintomas de depressão e ansiedade têm um risco 5,8 vezes maior de se manifestarem nas crianças com enxaqueca.
De acordo com o neurologista Mario Fernando Prieto Peres, do Hospital Israelita Albert Einstein, os principais sinais de que a criança pode estar sofrendo de enxaqueca, além das queixas frequentes de dor de cabeça, são enjoo, vômito, incômodo com luz ou barulho, relato de alteração visual e de dores pulsantes. O neuropediatra Carlos Takeuchi, do Hospital Infantil Sabará, observa que, no caso das crianças, gatilhos comuns para a cefaleia são excesso de sol, longos períodos de jejum e o consumo de alguns alimentos.
Atualmente, o tratamento para enxaqueca infantil segue três passos: analgésicos para as crises, alteração de hábitos que desencadeiam a dor e, caso as mudanças não sejam suficientes para cessar o problema, aplica-se também um tratamento profilático com medicamento de uso contínuo.
Fonte: Veja

Como lidar com a mudança de escola das crianças


Shutterstock/Blaj Gabriel

A mudança de escola é uma das etapas mais difíceis para as crianças. Durante o ano todo, elas se acostumam com o ambiente, com os colegas de classe e já têm liberdade de comunicação e a rotina estabilizada. No entanto, alguns motivos fazem com que os pais façam essa mudança que pode trazer alguns transtornos para a vida dos pequenos.

A parte mais difícil é dar a notícia e fazer com que a criança entenda o motivo da decisão dos pais. "A conversa deve ser clara e direta com a criança e os benefícios devem ser sempre colocados em primeiro lugar, o ideal é incluir a criança nesse processo desde o início para que ela já acostume com a ideia", diz Jéssica Fogaça, psicóloga infantil.

Além de aprender, brincar e se desenvolver, na escola as crianças fazem suas primeiras amizades. "A saudade do convívio na escola anterior é inevitável e vai depender do tempo e vínculo que a criança cria em cada lugar, mas ela irá perceber a mudança de ambiente", diz Paula Pessoa Carvalho, psicóloga comportamental. "Filhos únicos tendem a se apegar com mais facilidade aos amiguinhos, se o convívio é intenso como o da escola, com três anos já é possível observar que a criança sente saudade", atenta Jéssica.

Ouvir a opinião da criança nesse momento é essencial, pois a mudança irá influenciar diretamente na vida e rotina dela. "Quando a criança participa da conversa ela expõe o que pensa e sente, os pais conseguem lidar com a situação com mais facilidade, assim podem entender as dúvidas, medos e angústias do filho e esclarecer pontos mais específicos", explica Jéssica. "Por mais que a criança não possa mudar a situação se sentirá importante em dar sua opinião e isso irá ajudar a superar a mudança", completa Paula.

A adaptação com a nova escola é o período que mais exige atenção dos pais, a criança irá criar outra rotina que vem seguida do medo de um ambiente novo e da vergonha do convívio com as novas pessoas até que se consiga fazer amizade com os novos coleguinhas.

O importante é respeitar e responder as dúvidas que a criança terá em relação à nova escola. "Os pais terão que ter paciência e serem bem descritivos em suas respostas sobre como é o novo lugar, as novas pessoas e como ela deve se adaptar à nova escola", indica Jéssica. "Levar o filho até a nova escola antes de começarem as aulas, apresentar aos funcionários e professores pode amenizar e solucionar alguns medos da criança", indica Paula.

Conversar com a criança sobre atitudes que ela deve tomar na escola também é essencial, isso poderá deixá-la mais segura para enfrentar o novo ambiente. "Os pais também devem dar ideias de atitudes para lidar com as situações que a criança poderá viver no dia a dia da escola, como perguntar o nome das pessoas da classe, se apresentar aos demais colegas da escola, convidar alguém para lanchar com ela ou brincar juntos no recreio", sugere Jéssica.

A empolgação dos pais também ajudará a criança a se adaptar na nova escola e se acostumar melhor com a situação. "É importante que os pais se mostrem animados com a mudança e deixem claro que a criança está indo para um lugar melhor, que ela está ganhando algo. Elogios aos comportamentos adaptativos apresentados pela criança também são fundamentais", esclarece Jéssica.
Segundo a psicóloga comportamental Paula Carvalho, a conversa é o mais importante. Falar e ouvir os problemas que a criança tem na fase de adaptação pode fazer com que ela se sinta mais leve e frequente a escola sem grandes problemas. Explicar sobre os benefícios da mudança também irá ajudar a amenizar e solucionar os medos.

Falta de adaptação da criança, localização e a dificuldade de aprendizado são fatores principais para os pais fazerem essa escolha. "Os motivos são muitos e irá depender de família para família, os pais também procuram fazer essa mudança por conta de uma escola que oferece mais recursos e melhor ensino", exemplifica Paula.

As dificuldades durante o ano também fazem com que os pais mudem a criança de escola, para evitar uma possível reprovação. "Isso acontece bastante no meio do ano, quando a criança vai mal em alguma disciplina e corre o risco de ter que fazer o ano novamente, mas não é a opção mais adequada, o ideal é que ela consiga se recuperar para evitar a mudança constante de escola", diz Aline Fernandes, diretora do colégio Universitário.

Perder os amigos é a maior preocupação da criança e isso pode trazer alguns problemas na transição. "A reação mais comum é a criança se negar a mudar, porque não quer perder o atual convívio, mais isso é natural, porque está sendo apresentada uma realidade desconhecida e ela ainda não tem parâmetros para pensar nisso ainda. Cabe aos pais descreverem ao máximo as novas possibilidades que a criança terá na nova escola. Visitar o novo ambiente acalma bastante a ansiedade", atenta Jéssica.

Segundo a psicóloga comportamental Paula, a criança pode ficar retraída no começo e apresentar alguma recaída, como faltar na escola ou sentir medo de se relacionar com as outras pessoas. Os pais devem dar suporte nesse momento e ficarem de olho nas reações da criança.

Fonte BBL

Enxaqueca aumenta problemas psicológicos em crianças

Levantamento conduzido por pesquisador brasileiro relaciona frequência de crises de enxaqueca com sintomas depressivos e de ansiedade
Estima-se que 90% das crianças brasileiras que têm enxaqueca não foram diagnosticadas
(Thinkstock)
Crianças que têm enxaqueca são mais propensas a desenvolver problemas comportamentais, como sintomas de ansiedade, depressão e dificuldade de atenção. Quanto mais frequentes forem as dores de cabeça, maiores serão esses problemas. De acordo com a pesquisa, publicada no periódico médico Cephalagia, aproximadamente 1,7 milhão de crianças e adolescentes no Brasil têm 10 ou mais dores de cabeça por mês.
O estudo foi conduzido por Marco Arruda, diretor do Instituto Glia, em Ribeirão Preto, e por Marcelo Bigal, da Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova York. Para o levantamento, foram avaliadas 1.856 crianças brasileiras. Todas tinham idades entre cinco e 11 anos. De acordo com os autores, esse é o primeiro grande estudo do tipo a procurar uma relação entre os problemas psicológicos e a enxaqueca e a dor de cabeça tensional com uma base geral — e não apenas em crianças que procuravam atendimento médico. Informações sobre a frequência das crises também foram incorporadas ao levantamento.
A enxaqueca se caracteriza por uma dor que, normalmente, afeta apenas um lado da cabeça. A dor costuma piorar com o esforço físico, luz, ruídos e odores, e pode ser de moderada a intensa. A enxaqueca pode ainda estar associada a náuseas e vômitos. Já dor de cabeça tensional provoca uma dor que vai de leve a moderada. Sua causa pode estar relacionado a situações de estresse, mas seu papel ainda não foi completamente compreendido pela medicina.
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No estudo, foram usados questionários internacionais para dor de cabeça e o Child Behavior Checklist (CBCL), para avaliar os sintomas emocionais. Em crianças que tinham tanto enxaqueca (23%) como dor de cabeça tensional (29%), as dores de cabeça mais frequentes estavam relacionadas com um aumento anormal na pontuação da escala que mede o comportamento. Os tipos de comportamentos mais vistos eram aqueles caracterizados como internalizados — direcionados para si mesmo.
Enquanto menos de um quinto das crianças do grupo de controle (19% da amostra) tinha problemas com comportamentos internalizados, mais da metade daqueles com enxaqueca tinham o problema. Já os comportamentos externalizados, como se tornar mais agressivo ou desrespeitar leis, não se mostraram diferentes nos dois grupos. "Como previamente relatado, descobrimos que a enxaqueca estava associada com problemas sociais", diz Arruda.
Pesquisas anteriores já haviam apontado que crianças com enxaquecas eram mais propícias a ter outros problemas psicológicos ou fisiológicos – como ansiedade, depressão e problemas de atenção e hiperatividade. Até agora, no entanto, poucos estudos tinham examinado a relação desses mesmos problemas com a dor de cabeça tensional em crianças. Incluir a frequência da dor de cabeça nessa análise também era uma peça importante do quebra-cabeça que estava faltando.

Fonte: Veja

Mais tempo de exercício é melhor para as crianças, diz estudo

Pesquisa mostrou que crianças que se exercitaram por 40 minutos tiveram maior redução de resistência à insulina em relação ao grupo que fez 20 minutos. O tempo extra também ajudou na perda de mais gordura corporal e visceral
Crianças que praticam exerícios físicos diários por 40 minutos têm uma saúde melhor e
 menos chances de sobrepeso e de obesidade (Thinkstock)
Praticar 40 minutos de atividade física por dia pode reduzir os riscos de diabetes em crianças, além de reduzir os índices de gordura total do corpo e de gordura visceral. É o que indica uma pesquisa conduzida durante três meses por pesquisadores da Universidade de Georgia, nos Estados Unidos, e publicada no JAMA, periódico da Associação Médica Americana.
Estudos em crianças e adultos já haviam demonstrado os benefícios metabólicos da atividade aeróbica. Faltava, no entanto, entender as diferenças da resposta em relação à duração da atividade. "Se o exercício é bom para você, então mais exercício deve ser ainda melhor. Foi exatamente isso que encontramos na maioria dos resultados", diz Catherine Davis, psicóloga clínica do Instituto de Saúde Pública e Preventiva da Universidade de Georgia.
"A obesidade é um problema de saúde pública que está afetando a juventude em todo os Estados Unidos. Sabemos que a obesidade pode contribuir para o desenvolvimento do diabetes tipo 2", diz Michael Lauer, diretor do Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue da Divisão de Ciências Cardiovasculares do Instituto Nacional de Saúde. "Essa pesquisa se soma ao corpo de evidências de que a atividade física melhora a saúde da criança, que longos períodos de exercícios geram mais benefícios e que o aumento de atividades físicas entre crianças com sobrepeso e obesas pode evitar o aparecimento do diabetes tipo 2."
Pesquisa — Foram acompanhados 222 crianças e adolescentes, com idades entre 7 e 11 anos. Todos tinham sobrepeso e eram previamente inativos fisicamente. Um terço manteve seu estilo de vida sedentário, um terço fez exercícios por 20 minutos e o ultimo terço por 40 minutos. Embora o foco primário do estudo era a resistência à insulina, fator de risco para o diabetes, os pesquisadores também mediram o total de gordura corpórea, de gordura visceral e qualidade aeróbica.
Crianças que se exercitaram por 40 minutos tiveram 22% de redução de resistência à insulina em relação ao grupo controle. O grupo que fez 20 minutos teve 18% de redução. Os 20 minutos extras também ajudaram na perda de mais gordura corporal e visceral. "Se você consegue fazer com que as crianças fiquem ativas por 20 minutos todos os dias na escola, isso pode fazer uma real diferença", diz Catherine. De acordo com a pesquisadora, as escolas são um importante local de início, mas uma rotina de 40 minutos irá exigir programas depois da escola também.
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Especialista tira dúvidas sobre diabetes
Diabetes — A obesidade infantil é um problema crescente nos Estados Unidos (país onde foi realizado o estudo). Os níveis sem precedentes do problema têm consequências sérias para a saúde e longevidade das crianças. Um exemplo é o diabetes tipo 2, antes considerada uma doença de adulto, com sérias implicações para a saúde cardiovascular. Um dos primeiros indicadores do problema é a resistência à insulina, a quantidade de insulina que o pâncreas precisa produzir para permitir que a glicose circulante no sangue se transforme em energia para as células.
Quando o corpo não consegue produzir insulina suficiente para quebrar toda a glicose do sangue, começa-se um ciclo vicioso. Como as células estão sedentes por energia, há um aumento no apetite e a pessoa acaba comendo mais — o que aumenta a glicose no sangue. "O exercício basicamente dá ao pâncreas uma pausa, e pode prevenir ou atrasar o diabetes tipo 2", diz Catherine. Estudos mais longos, no entanto, ainda são necessários para se descobrir o que acontece com essas crianças ao longo do tempo.
Em 2005, uma comissão federal, liderada por William B. Strong, cardiologista pediátrico e professor aposentado da Faculdade de Medicina da Georgia, recomendou 60 minutos ou mais de exercícios vigorosos por dia para crianças em idade escolar. As sessões de 40 minutos tiveram resultados similares. "Infelizmente, esses 40 minutos ainda estão muito aquém do que as crianças fazem hoje em dia."
Fonte: Veja

Dificuldade de aprendizado: como os pais devem lidar com isto?


Quando falamos em dificuldade de aprendizado temos que tomar muito cuidado, pois, muitas das crianças que são “enquadradas” nessa categoria não apresentam problemas para aprender. Na grande maioria das vezes o problema está no método de ensino, que a criança simplesmente não compreende. O problema é de “ensinagem” e não de aprendizagem.
É comum que a criança chegue ao consultório com o encaminhamento feito pela escola, dizendo que ela não consegue aprender. Isso não é verdade, pois todos temos a capacidade para aprender, mas precisamos ser ensinados. Às vezes, o jeito que a professora explica, pode não servir para uma determinada criança, pode ser algo muito vago ou muito complexo para ela. É importante lembrar que cada um aprende de maneira diferente e através das suas experiências de vida. Essas experiências devem ser levadas em conta no processo de aprendizagem.
Quando os pais recebem da escola a informação de que seu filho está com dificuldade para aprender, devem questionar a professora sobre o que, especificamente, a criança não está aprendendo. Qual matéria, é em algum conteúdo em especial? Quando a professora explica ou quando ele lê sozinho? Ela observa essa dificuldade há quanto tempo? O que ela já tentou de diferente para ensinar a criança? É fundamental que os pais trabalhem em parceria com a escola, entendendo a dificuldade e buscando alternativas para solucionar o problema.
Em casa, os pais devem perguntar à criança se ela, de fato, acha algo difícil. Se a resposta for afirmativa, devem explorar o que é difícil (ler, escrever, entender o que a professora fala, compreender o que é para ser feito em um exercício), se ela consegue entender melhor quando outro coleguinha explica ou alguém da família. Também devem estar atentos para descartar qualquer problema físico, como dificuldade para enxergar a lousa, por exemplo. Muitas crianças têm queda no rendimento escolar devido a problemas de visão ainda não detectados.
Agora, se a criança realmente tem dificuldade para aprender, os pais devem buscar orientação de profissionais capacitados, como psicólogos e psicopedagogos que irão auxiliar a família e a criança para lidar com essa questão. Há que se fazer uma serie de observações e testes para verificar de que ordem é a dificuldade da criança e estabelecer uma nova maneira para ensiná-la.
Mas uma coisa é certa: ela irá aprender. Talvez em um ritmo mais lento, com os conteúdos escolares organizados de um jeito mais simples, precisando de mais supervisão e de mais tempo. Porém, o que nunca poderá faltar é o apoio dos pais. Com ajuda a gente consegue superar as dificuldades com mais facilidade.
Fonte Nota 10

Falar duas línguas beneficia crianças

Estudo pode ajudar a diminuir disparidades  em diferentes situações socioeconómicas

A investigação envolveu 80 alunos do segundo ano de escolaridade

As crianças bilingues em famílias de baixos rendimentos têm mais facilidade em direccionar e centrar a sua atenção, em comparação com crianças monolingues, afirma um estudo da Universidade do Luxemburgo em colaboração com a Universidade do Minho, publicado na revista Psychological Science.

“Este é o primeiro estudo que demonstra que, embora crianças bilingues em famílias de baixos rendimentos tenham de enfrentar muitos desafios linguísticos, também demonstram pontos fortes nas competências cognitivas não relacionadas com a língua, mas que são cruciais para a aprendizagem”, afirma o psicólogo Pascale Engel de Abreu.

Crianças bilingues direccionam e centram melhor a atenção
Participaram na investigação 80 alunos do segundo ano de escolaridade de famílias de baixo rendimento. Metade das crianças era da primeira ou segunda geração de imigrantes no Luxemburgo, originalmente do norte de Portugal, e falava luxemburguês e português diariamente. A outra metade das crianças vivia no norte de Portugal e só falava português.

Em primeiro lugar, os investigadores testaram o vocabulário das crianças, pedindo-lhes que nomeassem objectos ou acções apresentados em imagens. Ambos os grupos completaram a tarefa em português e, no caso das crianças bilingues, também em luxemburguês.

Para examinar a forma como as crianças representavam o conhecimento na memória, os investigadores deram-lhes a tarefa de encontrar uma peça em falta para completar uma determinada forma geométrica. Também mediram a quantidade de informação visual que as crianças conseguiam ter na memória.

Depois, as crianças participaram em tarefas que permitiam examinar a capacidade de direccionar e centrar a sua atenção, mesmo com distrações.

Embora as crianças bilingues soubessem menos palavras do que as monolingues e não apresentassem vantagem em tarefas de memória, tiveram melhor desempenho na tarefa de controlo, na qual tinham de direccionar e centrar a sua atenção com distrações.

Para Engel de Abreu, “crianças em famílias de baixo rendimento representam uma faixa populacional vulnerável”. Assim, “estudar os processos cognitivos neste grupo é de grande importância social e representa um avanço significativo na percepção do desenvolvimento infantil”.

Os investigadores creem que os resultados podem informar sobre esforços para diminuir as disparidades entre crianças de diferentes situações socioeconómicas. “Ensinar uma língua estrangeira não envolve equipamento caro, aumenta os horizontes linguísticos e culturais das crianças e promove o desenvolvimento saudável do sistema de comando do cérebro, importante para planeamento e resolução de problemas”, afirma Engel de Abreu. “O nosso estudo conclui que programas de intervenção baseados na aprendizagem de uma segunda língua constitui uma via a explorar em futuras pesquisas”.

Fonte: Ciencia Hoje