8 FRASES NECESSÁRIAS DO TEDXSÃO PAULO EDUCAÇÃO 2017

Em agosto, aconteceu mais uma edição do TEDxSãoPaulo, desta vez com o tema “Educação”. O evento reuniu profissionais de diversas áreas para palestras sobre assuntos que vão desde a medicalização na infância até a divisão de tarefas entre homens e mulheres na criação dos filho e a qualidade do ensino no país.
Um dos momentos mais emocionantes foi o poema declamado pela arquiteta e blogueira feminista Stephanie Ribeiro sobre os 5,5 milhões de brasileiros que não têm o registro do pai na certidão de nascimento.
Para quem não conseguiu acompanhar ao vivo pela internet e não esteve no Allianz Parque, na zona oeste de São Paulo, o Free The Essence pinçou as principais frases do dia todo de palestras. Veja algumas das frases mais inspiradoras do TEDxSãoPaulo 2017.

8 frases de estaques do TEDxSãoPaulo Educação

“Chamar atenção é fácil, difícil é ser entendido”

Rodrigo Geribello
O primeiro palestrante do dia sobe ao palco e emite um som de sirene que chama a atenção de toda a plateia. Ele é empresário, sonoplasta e “explicador profissional”.  Quando reproduz sons como o de uma furadeira ou de um telefone tocando, é facilmente entendido.
Para Geribello, “ser entendido” é uma necessidade humana e todos somos “explicadores” desde o nascimento, quando choramos para nos comunicar com nossos pais. Quando aprendemos a falar, o “ser entendido” fica mais difícil.
Mas há uma fórmula que podemos seguir para explicar qualquer assunto. Quando o nosso ouvinte desconhece tudo sobre aquele tema, ele está no ponto zero. Se conhece o mínimo, está atento. Quando começa a pesquisar sobre, está interessado e, com um pouco mais de bagagem, convertido. E o ouvinte continua subindo na escala até se tornar especialistamentor e, por fim, mestre.
Sempre que for explicar algo, analise a distância entre o que você conhece sobre o assunto e o conhecimento do seu ouvinte. Assim, poderá definir melhor como construir a explicação.

“A pré-história é a piscina onde precisamos aprender a mergulhar”

Luiz Eduardo Anelli
Para o paleontólogo, há uma piscina olímpica em toda escola brasileira, mas não sabemos que ela existe. Essa piscina é a pré-história do Brasil, tão rica, mas pouco ou nada valorizada. Anelli conta que um dos dinossauros mais antigos do mundo vivia nos Pampas, na região Sul. Outras espécies habitavam os estados do Mato Grosso e Minas Gerais. Eles sentiram o aroma das primeiras flores, devoraram os primeiros mamíferos e presenciaram o nascimento da América do Sul, do Oceano Atlântico e do Aquífero Guarani.
Em outros países, a pré-história é um item da cultura e serve como base para entender os aspectos naturais da região. Anelli defende que o mesmo aconteça no Brasil.

 “O professor não merece um dia de homenagem, mas um ano inteiro de respeito”

Lourdes Atiê
A professora começa provocando: “A escola é do século 19, o professor do século 20 e o aluno do século 21”. Ela viaja pelo Brasil motivando professores, para que deixem de carregar toda a responsabilidade sobre a educação e desempenhem seu papel com coragem.
Para Atiê, a função do professor é ensinar o aluno a “ligar os pontos” e a pensar de forma crítica. Portanto, não deve ser um aplicador de exames ou um “papagaio que repete os conteúdos determinados pela escola”. E ele não merece apenas um dia de homenagem, e sim um ano inteiro de respeito.
Foto: Comodo – Agenzia Riguardare

“Não deixa que o ‘e se’ te perturbe. O mundo precisa que a gente mostre que pode mudar e transformar o que está ao nosso redor”

Debora Pessoa
Debora concluiu o Ensino Fundamental com 13 anos. Por causa da idade, só poderia se matricular na pior escola da região, que era inexpressiva em todos os sentidos. Diante do que todo mundo falava sobre a qualidade do ensino, começou a se questionar sobre o que era verdade e o que poderia fazer para mudar essa realidade.
Ao lado de outros alunos, fez um trabalho em formato de literatura de cordel sobre a história do seu município: Cascavel, no Ceará. Os estudantes conquistaram o primeiro lugar nas feiras regional e estadual e chegaram a competir em nível nacional. Motivada, decidiu levar a metodologia para dentro da escola, que deu mais voz para os alunos e incentivou sua autonomia.
A metodologia aplicada por Debora e seu grupo foi premiada em mais de 10 eventos nacionais e internacionais. Por isso, a adolescente afirma: não deixe que a opinião dos outros te impeça de realizar. Arregace as mangas e acredite.

“Se eu não passar a minha mensagem para as pessoas, me sinto até culpado”

Orimar Teixeira
Teixeira cresceu na Amazônia, cercado pela floresta tropical, e estudou até a oitava série. Sua convivência com os animais o motivou a fazer um trabalho de conscientização com os membros da comunidade, para que preservassem o ambiente.
Ele ensinou crianças a separar o lixo em reciclável e orgânico, e a fazer um plantio diverso, que recupera o solo e o mantém fértil. A comunidade onde Teixeira vive dá frutos orgânicos nutritivos e saborosos e serve como exemplo para o cultivo feito pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Além disso, junto das crianças, ele está repovoando os rios da região com mais de 25 mil filhotes de tartarugas da Amazônia.

“A ética é a arte da convivência”

Clóvis de Barros Filho
O famoso professor explicou, por meio de metáforas divertidas, que a ética é a diferença entre o que você faria se estivesse sozinho no mundo, e o que deve fazer quando convive em sociedade. Suas atitudes devem garantir que o outro tenha a chance de ser feliz, o que inclui valores como transparência e respeito.

“É preciso dar sinais sociais para que os homens entendam sua responsabilidade”

Ana Cardoso e Marcos Piangers
Ana e Piangers são casados e têm a “guarda compartilhada” de suas duas filhas, Aurora e Anita. Isso significa que 100% das tarefas são de responsabilidade dos dois. Ambos são jornalistas e militam a favor da divisão de tarefas nas redes sociais, para que as mulheres deixem de se sentir inseguras e culpadas e dividam as responsabilidades com todos: escola, marido e família.
Os sinais sociais que chamam a atenção do homem para a sua responsabilidade são a instalação de trocadores no banheiro masculino, licença para o casal após o nascimento da criança e até bonecas que dizem “papai”, e não apenas “mamãe”. Para o jornalista, homens são mais homens quando criam filhos que entendem que devem participar igualmente das tarefas.

“O planeta Terra não precisa ser salvo. Nós é que estamos em perigo”

Mariana Breim
A pedagoga defende o conceito de que as escolas sejam exemplos de Comunidades Humanas Sustentáveis. Ela conta que o planeta já entrou em seu sexto processo de destruição em massa, causado pela ação humana. As vítimas dessa destruição serão os próprios humanos.
Coletivamente, devemos parar de produzir resultados que individualmente ninguém quer. A mudança de conduta em prol de um futuro sustentável começa pela escola, que deve ser um local de conexão com os outros e com o planeta. Portanto, as crianças devem aprender a plantar a própria comida, a respeitar o próximo e os animais e assim por diante.

O que é o TedXSão Paulo?

TED é uma organização sem fins lucrativos dedicada ao lema “ideias que merecem ser compartilhadas”. Começou há mais de 25 anos como uma conferência na Califórnia, e, desde então, o TED tem crescido para apoiar ideias que mudam o mundo por meio de múltiplas iniciativas. O TEDx é um programa de eventos locais que juntam pessoas para dividir uma experiência estilo TED: apresentações em vídeo e apresentadores ao vivo que se combinam para estimular grandes discussões e conexões.

#Presentesqueficam: descubra o poder do ócio na vida das crianças

"De uma perspectiva criativa, uma das coisas mais importantes que podemos dar a uma criança é o nada"
Este depoimento aparece em "O Começo da Vida", documentário de Estela Renner sobre as diferentes formas de cuidar do período que chamamos de primeira infância, vai desde a gestação até os cinco anos. É o relato de um pai sobre o que costuma fazer com seus filhos: permitir que inventem algo com o que estiver ao redor. Mas afinal, o que isso quer dizer?
Por mais paradoxal que possa parecer, o nada é muita coisa. É o ócio, o tempo livre, o vazio, o silêncio. E é sobre ele que vamos falar em mais esta matéria da campanha #Presentesqueficam, que o Catraquinha preparou para comemorar o mês das crianças longe do consumo - clique aqui para ler as que foram publicadas.
'Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo'
Guimarães Rosa diz isso no livro "Grande Sertão: Veredas", e faz pensar sobre o valor do 'nada' como elemento de contemplação e entendimento do mundo. Assim como os adultos, as crianças também recebem cada vez mais estímulos e informações a todo momento; com isso, elas ficam expostas a situações em que devem desempenhar algum papel. Ao contrário, os momentos livres de qualquer aprendizado ou finalidade são cada vez mais raros.
Por isso, ao apresentar aos pequenos mais opções de atividades do que elas podem absorver, acabamos privando sua liberdade de ser.
No filme de Estela, quando o entrevistado diz que "a melhor coisa que podemos dar a uma criança é o nada", ele se refere especificamente aos momentos de brincadeira. Ele explica que quando uma criança recebe um brinquedo pronto, que anda, pula, canta e faz coisas impressionantes, ela automaticamente entende que seu papel ali é de espectadora passiva: o brinquedo faz tudo por ela. Porém, crianças têm necessidades cognitivas de descobrir, explorar e tatear com as próprias mãos aquilo que não conhecem.
Não por acaso, muitos pais relatam: 'meu filho brinca mais com a caixa do que com o próprio presente'. E aí chegamos à questão: o que é um presente?
Ao oferecer alguma coisa às crianças, é fácil desconsiderar suas necessidades mais básicas. Mais do que encher os pequenos de mais estímulos e informações além dos que eles já recebem do mundo, por que não oferecer momentos de silêncio, experiências afetivas, memórias?
Brincar x Consumir
Dissociar a brincadeira do consumo é mais difícil do que parece; em um sistema capitalista, o conceito de experiência está diretamente ligado ao ato de consumir. Para Gabriela Romeu, jornalista, pesquisadora e idealizadora do "Infâncias" (clique aqui para ler a matéria do Catraquinha sobre o projeto), mais do que tentar ignorar essa realidade com a qual a criança terá contato mais cedo ou mais tarde, o importante é atribuir valores ao que consumimos para que aquilo se torne uma experiência.
“Vivemos em uma sociedade de consumo, e consumir não é errado, desde que ele seja significado. A nossa sociedade acredita que a criança precisa do brinquedo pronto, e existe toda uma indústria em torno disso, quando na verdade o que ela precisa é de tempo e espaço: o resto ela inventa", explica.
Para Gabriela, o consumo tira a possibilidade de a criança vivenciar a infância, já que esvazia experiências de descobertas que ela só teria caso fosse exposta a momentos de brincadeira livre, espaço e tempo de explorar o mundo, seu corpo e suas sensações por si própria.
Nesse sentido, há mais uma questão a ser levada em conta: o acesso ao tempo. A realidade de muitas famílias, que trabalham o dia todo para garantir o sustento dos filhos, nem sempre permite que esse 'tempo e espaço' possa ser colocado em prática.
Da mesma forma, nos ambientes de ensino, a lógica do desempenho e do aprender escolarizado não proporciona esses 'espaços em branco' de que estamos falando, tão necessários para a criança ser em liberdade. O caminho para isso é 'conquistar' o tempo, mesmo que seja um pouco por dia: pode ser um olho no olho entre pai e filho antes de dormir, um passeio ao ar livre sem rumo certo, deitar na grama, aproveitar a companhia um do outro em silêncio: enfim, fazer 'nada'.
O tempo com as crianças não precisa ser preenchido com atividades. "Fazer nada" junto também pode fortalecer os vínculos familiares.
Segundo a educadora Adriana Friedmann, diretora do Mapa da Infância Brasileira (MIB), quanto mais nos deixarmos levar pela dinâmica da produtividade a qualquer custo, mais o consumo ganha força. “A questão do consumo, principalmente em grandes cidades, tem muito a ver com a ausência dos pais. O ‘querer ter’ está relacionado à falta que a criança sente. Ela pede um brinquedo, mas o que está querendo é presença”, defende.
'Nada' de presente!
O assunto é tão urgente que tem até livro ilustrado infantil sobre o assunto. Para fazer uma brincadeira com a própria palavra 'nada', o livro "Nada de Presente", da editora Girafinha, conta a história de dois camaradas: o cachorro Earl e o gato Mooch, que quer dar um presente de aniversário para o seu melhor amigo. Mas o que pode querer um cachorro além de uma cama confortável, carinho dos donos e um osso para roer? Pelo jeito, ele já tem tudo. Então, o gato resolve presentear o amigo com a única coisa que ele não tem: o nada".
"Em um mundo com tantas coisas, onde eu vou encontrar o nada?", reflete o personagem.
E aí começa a confusão. Sem saber onde encontrar o seu presente ideal, o gato começa a observar o que as pessoas dizem sobre o tal 'nada'. O dono sempre liga a TV e reclama "não tem nada passando na TV", mas quando vai procurar, encontra muita coisa. Nada feito! Decepcionado, ele continua procurando. Um certo dia, a dona chega em casa e diz "nada no shopping". Ele vai até lá e só encontra muitas e muitas coisas. E assim vai: uma jornada em busca do nada, mas que só esbarra em tudo.
"Você não precisa me dar nada!", disse o cachorro quando viu o presente do amigo. "Mas como você sabia?", respondeu o gato. O livro brinca com o conceito de 'nada' e 'tudo' para discutir consumo e o valor que damos à experiência.[/img]
A partir desse enredo aparentemente banal, o autor Patrick Macdonnel faz uma profunda reflexão filosófica sobre a carga de estímulos e informações que recebemos a todo instante, o que faz com que o nada seja um verdadeiro artigo de luxo. Pode ser um momento de silêncio, a tranquilidade, uma tarde livre de obrigações, uma noite estrelada, a calma de poder deixar o 'tudo' para amanhã, a companhia do melhor amigo. Coisas difíceis de conseguir na sociedade que considera tempo sinônimo de dinheiro.
Como poupar as crianças dessa lógica cruel? Para a professora italiana Chiara Spaggiari, o caminho é mais simples do que parece: o mínimo de interferência dos adultos  para o máximo de liberdade se ser criança. "A criança precisa ser deixada livre para observar, escolher, se aproximar e se afastar, e experimentar o mundo de diversos modos".
Em depoimento no filme "O Começo da Vida", ela explica que um adulto, quando está diante de uma criança, tende a estabelecer uma hierarquia com as crianças, levando a crer que ele é o responsável por ensinar tudo a ela. "A criança não é um recipiente que enchemos com nossos saberes. As crianças aprendem e co-constroem o seu saber junto dos adultos. E o saber não passa só do adulto para a crianças, mas principalmente de uma criança para outra criança".
Fonte: Catraquinha

“Os pais têm medo dos filhos, de dizer não”

Pediatra fala sobre os principais pecados cometidos contra a infância, entre eles, terceirização da criação, superproteção, confinamento e medicalização das crianças


Os dados são alarmantes. O Brasil já é o segundo país do mundo que mais consome Ritalina, medicação tarja preta usada para controlar o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), que tem como principais usuários crianças e adolescentes.

Para o médico pediatra Daniel Becker, o quadro é sintomático das condições sociais à quais a infância está sujeita atualmente. Falta de convívio entre a família, crianças confinadas dentro de casa que precisam ser constantemente distraídas e pais que superprotegem e não conseguem dizer “não” aos filhos são alguns desses fatores. “Ao invés de tentar entender da onde vêm esses sintomas, temos preferido mais uma agressão que é a medicalização”, diz.
Em conversa com o Carta Educação, o especialista com 20 anos de experiência na área e cujo TEDx “Crianças, já para fora” teve mais de 150 mil visualizações no YouTube falou sobre os principais “pecados” que estamos cometendo contra a infância e os possíveis caminhos para solucioná-los.
Carta Educação: O senhor fala que, hoje, estamos diante de uma terceirização da infância. Como se dá esse processo?
Daniel Becker: A terceirização da infância acontece em todos os níveis e classes sociais, mas é mais acentuada nas classes média e alta. Os pais estão convivendo muito pouco com seus filhos. Há casais que não se preparam para tê-los, não levam em consideração que um filho ocupa muito tempo e energia, que exige dedicação. Logo, quando chega uma criança na família, sua criação acaba terceirizada em uma creche, por uma babá. Os pais acabam vendo seus filhos, muitas vezes, só na hora de dormir, fazem poucas refeições e passeios juntos, enfim, acabam tendo poucos momentos de convivência. Isso tudo é agravado pelas condições que a sociedade atual impõe: longas horas de trabalho, exigindo, inclusive, que as pessoas trabalhem fora do expediente, à distância nos seus tablets e celulares. Nas classes baixas, a situação é, muitas vezes, mais grave porque nem sempre os pais têm acesso à creche e, para trabalhar, precisam deixar seus filhos com vizinhos, cuidadores. Isso quando não precisam deixar as crianças sozinhas em casa. Nesse contexto, elas ficam totalmente confinadas porque os pais não deixam sair justamente pelas condições de violência das comunidades. Logo, ficam na televisão, nos celulares o dia inteiro.
Carta Educação: Como essa falta de convívio entre pais e filhos afeta negativamente as novas gerações?
DB: Terceirizar a educação é ruim para as crianças, é ruim para os pais. Os filhos acabam sendo educados por pessoas que, muitas vezes, compactuam com outros valores. Além disso, a criança não cria memórias afetivas em família por meio das quais se constrói a coisa mais importante para se educar alguém, a intimidade. Só na intimidade consegue-se dar limites, orientar, conversar sobre assuntos profundos quando mais velhos. Sem convivência não há intimidade e as crianças ficam aleijadas de seus pais que são as figuras guias, afetivas, mais importantes para elas.
CE: As crianças estão também cada vez mais conectadas. Sabemos que a tecnologia traz muitos benefícios, mas quais os efeitos perversos de uma infância confinada, na qual precisam ser constantemente distraídas?
DB: Costumo dizer que a tecnologia não é só inevitável, mas desejável. O mundo moderno caminha para que os aparelhos eletrônicos, principalmente, os telefones celulares sejam a base da nossa comunicação, da circulação de ideias. Mas o sobreuso é prejudicial em todos os sentidos, inclusive, para a saúde física e estudos americanos mostram que as crianças ficam, em média, de 8 a 10 horas conectadas por dia. Isso é, obviamente, muito ruim porque a vida não pode acontecer só no smartphone, tem que acontecer do lado de fora também, nas interações olho a olho.
Na verdade, as crianças migram para a tecnologia porque estão confinadas em casa. As escolas têm cada vez menos espaços abertos e livres e mais sala de aula, conteudismo. Com a energia explosiva que as crianças têm, o único jeito de domar alguém confinado é oferecendo distração permanente e, claro, aquela oferecida pelos telefones é irresistível. Só que o excesso de distração que essa tecnologia traz incapacita a criança para o ócio, para o tédio, para estar com a mente vazia, distraída criando suas próprias histórias. E é tão importante usar a imaginação, a criatividade, é assim que se treina o cérebro para ser criativo e imaginativo no futuro – habilidades muitos importantes, inclusive, para o sucesso profissional. O antídoto para isso tudo é sair de casa, ir para a rua, para a natureza e brincar livremente.
CE: Sobre a mercantilização da infância, é possível educar longe da onda consumista que nos acomete? De que maneira?
DB: A mercantilização da infância se dá, principalmente, em dois ambientes. Primeiro, no ambiente das telas. A televisão, por exemplo, veicula o pior tipo de publicidade que é aquela dirigida à infância, uma publicidade covarde, pois vale-se da incapacidade da criança de distinguir entre realidade e fantasia, usa o amor que ela tem por personagens para vender comida tóxica, brinquedos caros e desnecessários. Além disso, vende marcas da moda e modelos muitas vezes adultizados de aparência. Outro ambiente onde se dá a mercantilização da infância é o shopping, que virou o programa de fim de semana da família brasileira. Os pais levam as crianças para ficar vendo vitrines e pessoas comprando e comprando, fazendo disso o grande objetivo da vida delas. São colocadas naquelas gaiolas cheias de brinquedo enquanto os pais fazem compras, depois vão para uma loja de fast food comer comida ruim, comer doce, engordar. Nesse contexto, as crianças vão absorvendo os valores do consumismo, isto é, a hipervalorização da aparência, valores sexistas, de futilidade, do ter melhor do que o ser. Isso tudo é muito ruim para o desenvolvimento de um indivíduo humanista, antenado ao que acontece na sociedade, participativo. Então, é preciso afastar as crianças desses dois lugares, das telas e do shopping.
CE: Muitos especialistas criticam o excesso de atividades extracurriculares nas quais os pais matriculam seus filhos na ânsia de torná-los adultos mais competitivos. Como o senhor enxerga isso?
DB: Hoje, temos uma cultura que chamamos de escolarização do aprendizado. Existe uma ilusão que a criança só aprende a partir do adulto, então ela fica com a agenda cheia de programas ministrados por adultos. Com três anos, sai da natação, vai para o futebol, depois vai para a capoeira para depois ter aula de inglês. É massacrante. Nas escolas, é a mesma coisa, sai de uma aula entra em outra, não tendo tempo livre de pátio. Só que a gente está esquecendo que isso não prepara a criança para o mundo. As habilidades mais importantes para ser uma criança feliz e um adulto preparado para a vida e, portanto, também feliz são adquiridas no livre brincar, na interação livre com outras crianças e com a natureza. Daí nasce a empatia, a inteligência emocional, a capacidade de tomar decisões, de negociações, de enfrentar desafios e medos, avaliar riscos, as habilidades corporais, etc. A arte de brincar quando criança é a arte de saber viver quando adulto.
CE: O senhor também afirma que os pais passaram a colocar seus filhos em um trono. Quão importante é colocar limites e ter uma relação de autoridade com as crianças? Por que a superproteção da infância é nociva?
DB: A superproteção é consequência dessa falta de convivência, de intimidade. Os pais têm medo dos filhos, de dizer não, dos ataques de birra. Mas os pais que superprotegem impedem que a criança experimente a vida e aprenda com as experiências negativas e sabemos muito bem a importância de errar, de aprender com as frustrações, de entender que o mundo não existe para nos servir, de ter que achar nosso lugar no mundo e saber que isso envolve um processo de sofrimento, de não atendimento das nossas expectativas. Privando a criança das frustrações próprias da infância como ralar um joelho, não conseguir fazer um dever de casa, brigar com os amigos, não ganhar um brinquedo induzimos a formação de crianças narcisistas e com muita dificuldade de lidar com qualquer condição negativa. No futuro, serão adultos mais egoístas, com menos empatia e, provavelmente, infelizes. Os pais não devem se interpor entre os filhos e o mundo. É importante dizer aqui que isso é uma análise das condições sociais da infância, não uma análise para culpabilizar as famílias e que muitos desses “pecados” em pequena dose não fazem mal algum. A criança pode comer um docinho de vez em quando, só não pode comer todo dia. Uma criança que vai uma vez por mês no shopping não vai se tornar uma consumista frenética e assim por diante.
CE: O senhor diz que a medicalização da infância é o pior dos pecados que cometemos hoje contra a infância. Por que e como evitá-la?
DB: Todos esses fatores negativos que elenquei acima tornam as crianças sintomáticas. Elas começam a engordar, dormir mal, ficar birrentas, rebeldes, não prestar atenção, não assimilar o conteúdo escolar, ficar melancólicas, estressadas, mimadas. E, ao invés de tentar entender da onde vêm esses sintomas, analisar essas condições sociais da infância, temos preferido mais uma agressão à infância que é a medicalização. Nos Estados Unidos, 15% de todos os alunos do Ensino Médio estão tomando remédios psiquiátricos, isto é, um em cada seis. E como evitar a medicalização? No particular, pensando no que está acontecendo com nosso filho e, como sociedade, no que está acontecendo com a infância. Uma vez que há uma criança sintomática, existem muitas formas de ajudá-la que não envolvem remédios. Pode-se rever o convívio daquela criança com a família, reduzir o stress que ela é submetida, aumentar o tempo dela ao ar livre, buscar terapias, além de exigir políticas públicas que ajudem nesse sentido.
CE: O senhor propõe como solução mudar nossa relação com o tempo e o espaço. De que maneira? É possível falar de ocupação do espaço público com cidades cada vez mais violentas?
DB: Proponho que pelo menos 10% do nosso tempo seja dedicado aos nossos filhos. Passar uma hora, uma hora e meia convivendo por dia. Tomar o café da manhã juntos, contar uma história antes de dormir são momentos que geram intimidade, afeto, capacidade de educar. A segunda dimensão é mudar a relação com o espaço. Temos uma série de evidências mostrando como o contato com a natureza traz benefícios cognitivos, psíquicos, físicos, para o presente e para o futuro. A natureza melhora a imunidade, favorece a atenção, traz mais felicidade, melhora a memória, a capacidade de absorção de coisas que são ensinadas, favorece a empatia, a disposição física, reduz a obesidade e a insônia. Neste contexto, deve-se buscar o livre brincar. A criança deve brincar livremente com outras crianças, criar jogos, subir em árvore, correr, enfim, participar dessa festa que é a infância. As famílias podem favorecer esse contato, mas, é claro, também precisamos exigir de nossos governantes que haja espaço público para ocupar e que ele seja seguro, além de políticas públicas que nos permitam explorar espaços naturais e conviver. É minha esperança para que possamos ter cidades melhores e cidades melhores implicam em pessoas mais felizes.

Quanto mais tecnologia usam os pais, mais birras fazem os filhos

Chiliques ininterruptos, acessos de teimosia, ataques de choro. Quem tem filhos pequenos sabe bem o que é passar por isso em casa ou - o que é pior - em público. As temidas "birras" quase sempre indicam algum ruído na comunicação com a criança, e é preciso estar atento ao que elas indicam sobre os vínculos entre pais/cuidadores e filhos. Nesta matéria, explicamos aprofundadamente alguns caminhos possíveis para desviar das birras com a chama Disciplina Positiva, abordagem interpessoal que investe na empatia e na solução de conflitos a partir da comunicação não violenta.
Uma pesquisa realizada pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, trouxe mais um indício sobre as birras que reforça o fato de que investir nos vínculos afetivos e nas abordagens de comunicação é fundamental para minimizar a agressividade das crianças.
No estudo, que analisou o comportamento e a rotina de 170 pais e mães de diferentes classes sociais, foi detectado que, quanto maior a frequência de uso de aparelhos eletrônicos - celular, tablet, computador, TV e outros - maior a ocorrência de maus comportamentos dos filhos.
A pesquisa mostrou que os adultos que tinham mais dificuldade de passar longos períodos sem checar os aparelhos eram justamente os que tinham mais problemas de relacionamento com os filhos.
E o motivo é muito claro: a criança não assistida e que não é percebida em suas necessidades afetivas e práticas migra sua atenção para os eletrônicos, movida por um instinto simples de comunicação.
Por outro lado, apesar de ser simples detectar onde está o problema, como resolvê-lo, se a maioria das famílias precisa dedicar muito tempo de sua rotina ao trabalho e às obrigações incontornáveis - incluindo o próprio cuidado diário dos filhos?
Créditos: Shutterstock
Birra e tecnologia: quando dedicamos muito tempo aos eletrônicos, negligenciamos as relações humanas.
Uma recomendação possível é organizar as prioridades. A jornalista Patricia Camargo, do nosso parceiro Tempojunto, alerta que é mais uma questão de gerenciar o tempo do que tê-lo em excesso, e chama a atenção para a importância de reservar um tempo para a brincadeira no dia a dia:
"Nós adultos damos um jeito na agenda quando percebemos a importância de aprender outro idioma, e marcamos aulas. Nós arrumamos espaço nos horários para incluir um exercício no dia, quando tomamos consciência da importância de cuidar do corpo. Encontramos tempo de pesquisar preços, seja física ou virtualmente, quando percebemos a importância de economizar para nossas finanças pessoais. Ou seja, sabemos ser flexíveis e organizar nossa agenda, conforme as prioridades. Filhos, quando chegam, se tornam de um jeito ou de outro nossa prioridade. Quando a importância do brincar estiver interiorizado nos pais, haverá tempo e agenda para ela", defende.
Assim, mesmo que os pais não tenham muito tempo disponível para dedicar exclusivamente aos filhos, é possível organizar pequenos momentos de presença e afetividade que farão toda a diferença no desenvolvimento dos pequenos e no modo como reagem a estímulos externos.

Fonte: Catraquinha

Daniel Becker: "Experimentar o tédio é um dos melhores presentes que podemos oferecer aos nossos filhos"

O pediatra Daniel Becker faz yoga com a família em casa para fugir da loucura do dia a dia. Morando no Rio de Janeiro, seu meio de transporte é uma bicicleta. O inventor da “pediatria integral” é daqueles que se esforçam para manter a “mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”. Ele defende o que a primeira vista pode parecer estranho: precisamos deixar nossas crianças sentirem tédio e isto não tem nada de absurdo. Mais uma vez no blog, pra mim é sempre uma honra entrevistá-lo:
1. Por que deixar a criança ficar sem fazer nada é importante?
Experimentar o tédio é um dos melhores presentes que podemos oferecer aos nossos filhos. É claro que eu não estou falando para deixar a criança entediada o dia todo! Mas bombardeá-la com atividades e impedir que ela fique sem fazer nada é prejudicar uma parte essencial do desenvolvimento, da personalidade e da emocionalidade da criança. Este tédio é importante para ela aprender a conviver consigo mesma, ser uma boa companhia pra si mesma. Como ela vai conhecer a si própria se fica o tempo todo distraída? É também crucial pra desenvolver a capacidade de auto-estimulação, porque ela vai ter que sair da passividade e ser pró-ativa.
2. Você considera então que sentir tédio ajuda na motivação?
Uma criança motivada ela vai procurar novas experiências, mas uma criança ocupada o tempo todo não precisa. A criança entediada vai ter que criar alguma coisa pra fazer. Ela vai ter que sair do script que lhe é imposto nas brincadeiras, geralmente pelo pai ou pela mãe, sair do joguinho do tablet e criar sua própria atividade. Muita gente se queixa que o filho não é curioso o bastante. Experimente deixá-lo realmente à toa. E leve-o para fora de casa. Depois de um tempo, ele vai começar a mexer nas folhas, procurar pedrinhas, buscar coisas que o motivem. Uma criança que já está muito tempo mergulhada no mundo virtual, ela vai levar mais tempo pra sair desse amortecimento mental criado pelos eletrônicos.
3. Há estudos que provam que o ócio, mesmo infantil, pode ser criativo?
Sim, há estudos mostrando que brincadeiras de baixa intensidade (“low-key activities”), como brincar de ver a folhinha sendo levada pela água da chuva por exemplo, é muito importante para o funcionamento e bem estar mental. Em adultos, um estudo provou que se engajar em atividades que não demandam esforço mental, faz a mente criativa funcionar melhor e pode gerar ideias, solucionar problemas. Um ditado antigo diz que "mente ociosa é oficina do diabo". Eu prefiro dizer que a mente ociosa é uma oficina da imaginação. E já dizia Einstein que a imaginação é mais importante do que a ciência, porque toda grande descoberta científica vem precedida por uma imaginação sobre a questão em si. 
4. Muita gente confunde o brincar com jogos cheio de regras e limites para não se sujar, não fazer isto ou aquilo. O que deve ser realmente o brincar para a criança?
Não há dúvida que certas atividades estruturadas são importantes, o esporte, interação com os pais, aula na escola, tudo isto é importante. Mas o livre brincar também. Acostumar uma criança a se divertir ao ar livre desde cedo é fundamental, bem como brincar sem a participação do adulto. A criança não aprende apenas interagindo com o adulto, ela é capaz de aprender também sozinha. Os países mais avançados do mundo estão deixando mais tempo livre de recreio, invertendo o que acontece nos Estados Unidos e Brasil onde o recreio está sendo substituído por intervalos. Tem escola no Rio de Janeiro que proíbe criança de correr no recreio e elas ficam sentadas no meio-fio trocando whatsapp! O livre brincar permite que a criança explore o mundo, desenvolva habilidades físicas, a coordenação motora, crie empatia, desenvolva a coragem de enfrentar os pequenos desafios, de avaliar os riscos: “será que eu avanço mais um degrau neste trepa-trepa?”.
5. Sobre pais que estão sempre na retaguarda dos filhos: este excesso, mesmo bem intencionado, é ruim? 
Quando eu falo de pais interagindo, não é ficar brincando junto o tempo todo. A criança precisa de tempo sem pai e sem mãe cercando. A interação envolve acordar, dar bom dia, ajudar a escovar o dente, conversar no carro, colocar para dormir, fazer refeição juntos, caminhar até a escola, observar com ela o caminho. Além disso, a criança precisa experimentar frustração. Precisamos dos pequenos erros na infância para lidar com os grandes erros da vida adulta. Pais que não deixam a criança se ralar, por exemplo. A criança que rala o joelho vai ver que a dor aguda vai embora, que o antiséptico arde mas passa, que no outro dia vai aparecer uma casquinha e em alguns dias a pele volta ao normal. Olha quanto aprendizado biológico e emocional por causa de um machucadinho? A dor de ser superprotegido é muito maior. 
6. A gente usa eletrônicos para distrair os filhos porque tem hora que bate o desespero de entretê-los quando estamos ocupados. Como administrar isso?
É usado e dever ser. Os aparelhos digitais são parte importante da vida moderna e podem servir como “babá” eventualmente. Mas a vida não pode acontecer só nestes aparelhos - o mundo real também conta. O problema não é só colocar a criança no tablet para comer ou resolver questão de trabalho. É usar o tempo todo. O aparelho como distração não tem nenhum problema em alguns momentos do dia, alternando momentos de total atenção. Se você deixa 15 minutos no tablet e interage 45 minutos, ok. E se você precisa de mais tempo, por que não fazer o filho interagir com os carrinhos, castelos e bonecos, que é muito mais saudável? Antigamente as crianças brincavam com os seus brinquedos. É só dizer: o tablet quebrou, agora não tem tablet, não sei onde está, vai brincar com os seus brinquedos, vai desenhar. 
7. Como criar filhos mais conectados com o mundo real?
Precisamos ter uma visão muito consciente sobre a nossa atitude com relação aos eletrônicos quando a gente está com nossos filhos e na verdade não está. As crianças estão crescendo sem o olhar dos pais, que está mais no celular do que nelas. E elas percebem isso. É preciso escolher momentos de “não-tela”, de desligamento, de estar integralmente com a criança: em família, em refeições, em passeios. A gente reclama que o filho não sai do tablet, a filha não sai do celular. Mas nós respondemos email no banheiro, nós acordamos de noite verificando mensagem, nós dormimos com o celular na mão. Restringir o uso de telas pelas crianças - que é importantíssimo - tem que vir acompanhado de uma mudança de atitude da nossa relação com eletrônicos. Enxergar de verdade a filha que diz “olha papai, eu vou pular daqui e dar uma cambalhota”, em vez de ficar com meio olho nela e um olho e meio no celular. Esta é a real interação amorosa que temos que trazer pra dentro de nossas famílias.

Esta tabela periódica interativa mostra o propósito de cada elemento

O Americano Keith Enevoldsen desenvolveu uma tabela com explicação e exemplos de como elementos funcionam

Uma das maiores dificuldades que os estudantes encontram ao conhecer a tabela periódica é entender as aplicações que os elementos têm em suas vidas. Pensando nisso, o americano Keith Enevoldsen criou uma tabela interativa que dá mais informações sobre os elementos e exemplos de como eles são utilizados.

Enevoldsen é formado em física pela Colorado College, nos Estados Unidos, e atualmente trabalha como engenheiro de softwares. "Quando era criança, gostava das tabelas periódicas com figuras, mas elas nunca tinham boas imagens de todos os elementos", contou à BBC

Inspirado pelo livro Building Blocks of the Universe (Blocos de Construção do Universo, em tradução livre), de Isaac Asimov, que possui relatos da história e do uso dos elementos, o engenheiro desenvolveu a "The Periodic Table of the Elements, in Pictures and Words" (A Tabela Periódica dos Elementos, em Figuras e Palavras). 

A tabela em versão interativa está disponível em inglês na internet (clique aqui para conhecê-la) e conta com ilustrações em cada um dos elementos. Ao clicar nos ícones deles, novas caixas aparecem no topo da página com explicações do elemento, bem como exemplos de onde ele pode ser encontrado. O ícone do ferro, por exemplo, é uma ponte, já o do sódio, é o sal. 

"Queria que toda a tabela fosse colorida, com um desenho limpo, que não fosse cheia dos números dos pesos atômicos que, para as crianças, não servem para muita coisa", explicou. 

O site de Enevoldsen também disponibiliza a tabela em pdf em diversos tamanhos para serem impressas em casa — tudo de graça. Confira aqui.

Fonte: Galileu

Pensamento mágico: o que acontece com o cérebro quando brincamos?

"A imaginação é a verdade da criança. Para alcançarmos a criança, devemos compreender que a imaginação é um mundo", defendeu o pesquisador de cultura da infância Gandhy Piorski em uma entrevista concedida ao Catraquinha. É durante o brincar que os pequenos dão corda nessa imaginação e, segundo o especialista, constroem a sua psiquê. Mas afinal, como a brincadeira atua no desenvolvimento neurológico? O que acontece com o cérebro da criança enquanto ela brinca?
O nosso parceiro Tempojunto entrevistou a pediatra Ana Escobar - doutora pelo departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da USP - sobre o assunto. Afinal, os benefícios do ato de brincar para a criança não são só sociais, culturais e cognitivos, são também físicos.
Créditos: iStock

Brincando sozinho ou junto, a criança desenvolve a imaginação 
e constrói as capacidades cognitivas que vão acompanhá-la até a vida adulta
"Brincar desenvolve todo o sistema neurológico de forma absoluta, e desenvolve também uma das coisas mais importantes que a gente tem, que é a imaginação. É ela quem nos dá as possibilidades e potencialidades de seguir novos caminhos na vida adulta, e isso começa na infância, com as brincadeiras e o pensamento mágico", explica a médica.
A doutora explica que enquanto brinca, a criança - ou mesmo o adulto - estimulam as sinapses, que é a comunicação entre os neurônios, estimuladas por atividades externas que os pais podem fazer com os pequenos desde a primeiríssima infância.
Créditos: iStock
Quando falamos do desenvolvimento neural da criança, as sinapses, 
ou a comunicação entre os neurônios, são estimuladas pelas atividades 
que os pais ou cuidadores fazem com as crianças desde recém-nascidos.
"Do ponto de vista da saúde, brincar é que permite que os neurônios se conectem. Isso se chama neuroplasticidade, quanto mais conectados estiverem os neurônios, melhor para as capacidades cognitivas de cada um", comenta.
Assista abaixo à entrevista na íntegra e leia o post completo do Tempojunto aqui.