“Os pais têm medo dos filhos, de dizer não”

Pediatra fala sobre os principais pecados cometidos contra a infância, entre eles, terceirização da criação, superproteção, confinamento e medicalização das crianças


Os dados são alarmantes. O Brasil já é o segundo país do mundo que mais consome Ritalina, medicação tarja preta usada para controlar o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), que tem como principais usuários crianças e adolescentes.

Para o médico pediatra Daniel Becker, o quadro é sintomático das condições sociais à quais a infância está sujeita atualmente. Falta de convívio entre a família, crianças confinadas dentro de casa que precisam ser constantemente distraídas e pais que superprotegem e não conseguem dizer “não” aos filhos são alguns desses fatores. “Ao invés de tentar entender da onde vêm esses sintomas, temos preferido mais uma agressão que é a medicalização”, diz.
Em conversa com o Carta Educação, o especialista com 20 anos de experiência na área e cujo TEDx “Crianças, já para fora” teve mais de 150 mil visualizações no YouTube falou sobre os principais “pecados” que estamos cometendo contra a infância e os possíveis caminhos para solucioná-los.
Carta Educação: O senhor fala que, hoje, estamos diante de uma terceirização da infância. Como se dá esse processo?
Daniel Becker: A terceirização da infância acontece em todos os níveis e classes sociais, mas é mais acentuada nas classes média e alta. Os pais estão convivendo muito pouco com seus filhos. Há casais que não se preparam para tê-los, não levam em consideração que um filho ocupa muito tempo e energia, que exige dedicação. Logo, quando chega uma criança na família, sua criação acaba terceirizada em uma creche, por uma babá. Os pais acabam vendo seus filhos, muitas vezes, só na hora de dormir, fazem poucas refeições e passeios juntos, enfim, acabam tendo poucos momentos de convivência. Isso tudo é agravado pelas condições que a sociedade atual impõe: longas horas de trabalho, exigindo, inclusive, que as pessoas trabalhem fora do expediente, à distância nos seus tablets e celulares. Nas classes baixas, a situação é, muitas vezes, mais grave porque nem sempre os pais têm acesso à creche e, para trabalhar, precisam deixar seus filhos com vizinhos, cuidadores. Isso quando não precisam deixar as crianças sozinhas em casa. Nesse contexto, elas ficam totalmente confinadas porque os pais não deixam sair justamente pelas condições de violência das comunidades. Logo, ficam na televisão, nos celulares o dia inteiro.
Carta Educação: Como essa falta de convívio entre pais e filhos afeta negativamente as novas gerações?
DB: Terceirizar a educação é ruim para as crianças, é ruim para os pais. Os filhos acabam sendo educados por pessoas que, muitas vezes, compactuam com outros valores. Além disso, a criança não cria memórias afetivas em família por meio das quais se constrói a coisa mais importante para se educar alguém, a intimidade. Só na intimidade consegue-se dar limites, orientar, conversar sobre assuntos profundos quando mais velhos. Sem convivência não há intimidade e as crianças ficam aleijadas de seus pais que são as figuras guias, afetivas, mais importantes para elas.
CE: As crianças estão também cada vez mais conectadas. Sabemos que a tecnologia traz muitos benefícios, mas quais os efeitos perversos de uma infância confinada, na qual precisam ser constantemente distraídas?
DB: Costumo dizer que a tecnologia não é só inevitável, mas desejável. O mundo moderno caminha para que os aparelhos eletrônicos, principalmente, os telefones celulares sejam a base da nossa comunicação, da circulação de ideias. Mas o sobreuso é prejudicial em todos os sentidos, inclusive, para a saúde física e estudos americanos mostram que as crianças ficam, em média, de 8 a 10 horas conectadas por dia. Isso é, obviamente, muito ruim porque a vida não pode acontecer só no smartphone, tem que acontecer do lado de fora também, nas interações olho a olho.
Na verdade, as crianças migram para a tecnologia porque estão confinadas em casa. As escolas têm cada vez menos espaços abertos e livres e mais sala de aula, conteudismo. Com a energia explosiva que as crianças têm, o único jeito de domar alguém confinado é oferecendo distração permanente e, claro, aquela oferecida pelos telefones é irresistível. Só que o excesso de distração que essa tecnologia traz incapacita a criança para o ócio, para o tédio, para estar com a mente vazia, distraída criando suas próprias histórias. E é tão importante usar a imaginação, a criatividade, é assim que se treina o cérebro para ser criativo e imaginativo no futuro – habilidades muitos importantes, inclusive, para o sucesso profissional. O antídoto para isso tudo é sair de casa, ir para a rua, para a natureza e brincar livremente.
CE: Sobre a mercantilização da infância, é possível educar longe da onda consumista que nos acomete? De que maneira?
DB: A mercantilização da infância se dá, principalmente, em dois ambientes. Primeiro, no ambiente das telas. A televisão, por exemplo, veicula o pior tipo de publicidade que é aquela dirigida à infância, uma publicidade covarde, pois vale-se da incapacidade da criança de distinguir entre realidade e fantasia, usa o amor que ela tem por personagens para vender comida tóxica, brinquedos caros e desnecessários. Além disso, vende marcas da moda e modelos muitas vezes adultizados de aparência. Outro ambiente onde se dá a mercantilização da infância é o shopping, que virou o programa de fim de semana da família brasileira. Os pais levam as crianças para ficar vendo vitrines e pessoas comprando e comprando, fazendo disso o grande objetivo da vida delas. São colocadas naquelas gaiolas cheias de brinquedo enquanto os pais fazem compras, depois vão para uma loja de fast food comer comida ruim, comer doce, engordar. Nesse contexto, as crianças vão absorvendo os valores do consumismo, isto é, a hipervalorização da aparência, valores sexistas, de futilidade, do ter melhor do que o ser. Isso tudo é muito ruim para o desenvolvimento de um indivíduo humanista, antenado ao que acontece na sociedade, participativo. Então, é preciso afastar as crianças desses dois lugares, das telas e do shopping.
CE: Muitos especialistas criticam o excesso de atividades extracurriculares nas quais os pais matriculam seus filhos na ânsia de torná-los adultos mais competitivos. Como o senhor enxerga isso?
DB: Hoje, temos uma cultura que chamamos de escolarização do aprendizado. Existe uma ilusão que a criança só aprende a partir do adulto, então ela fica com a agenda cheia de programas ministrados por adultos. Com três anos, sai da natação, vai para o futebol, depois vai para a capoeira para depois ter aula de inglês. É massacrante. Nas escolas, é a mesma coisa, sai de uma aula entra em outra, não tendo tempo livre de pátio. Só que a gente está esquecendo que isso não prepara a criança para o mundo. As habilidades mais importantes para ser uma criança feliz e um adulto preparado para a vida e, portanto, também feliz são adquiridas no livre brincar, na interação livre com outras crianças e com a natureza. Daí nasce a empatia, a inteligência emocional, a capacidade de tomar decisões, de negociações, de enfrentar desafios e medos, avaliar riscos, as habilidades corporais, etc. A arte de brincar quando criança é a arte de saber viver quando adulto.
CE: O senhor também afirma que os pais passaram a colocar seus filhos em um trono. Quão importante é colocar limites e ter uma relação de autoridade com as crianças? Por que a superproteção da infância é nociva?
DB: A superproteção é consequência dessa falta de convivência, de intimidade. Os pais têm medo dos filhos, de dizer não, dos ataques de birra. Mas os pais que superprotegem impedem que a criança experimente a vida e aprenda com as experiências negativas e sabemos muito bem a importância de errar, de aprender com as frustrações, de entender que o mundo não existe para nos servir, de ter que achar nosso lugar no mundo e saber que isso envolve um processo de sofrimento, de não atendimento das nossas expectativas. Privando a criança das frustrações próprias da infância como ralar um joelho, não conseguir fazer um dever de casa, brigar com os amigos, não ganhar um brinquedo induzimos a formação de crianças narcisistas e com muita dificuldade de lidar com qualquer condição negativa. No futuro, serão adultos mais egoístas, com menos empatia e, provavelmente, infelizes. Os pais não devem se interpor entre os filhos e o mundo. É importante dizer aqui que isso é uma análise das condições sociais da infância, não uma análise para culpabilizar as famílias e que muitos desses “pecados” em pequena dose não fazem mal algum. A criança pode comer um docinho de vez em quando, só não pode comer todo dia. Uma criança que vai uma vez por mês no shopping não vai se tornar uma consumista frenética e assim por diante.
CE: O senhor diz que a medicalização da infância é o pior dos pecados que cometemos hoje contra a infância. Por que e como evitá-la?
DB: Todos esses fatores negativos que elenquei acima tornam as crianças sintomáticas. Elas começam a engordar, dormir mal, ficar birrentas, rebeldes, não prestar atenção, não assimilar o conteúdo escolar, ficar melancólicas, estressadas, mimadas. E, ao invés de tentar entender da onde vêm esses sintomas, analisar essas condições sociais da infância, temos preferido mais uma agressão à infância que é a medicalização. Nos Estados Unidos, 15% de todos os alunos do Ensino Médio estão tomando remédios psiquiátricos, isto é, um em cada seis. E como evitar a medicalização? No particular, pensando no que está acontecendo com nosso filho e, como sociedade, no que está acontecendo com a infância. Uma vez que há uma criança sintomática, existem muitas formas de ajudá-la que não envolvem remédios. Pode-se rever o convívio daquela criança com a família, reduzir o stress que ela é submetida, aumentar o tempo dela ao ar livre, buscar terapias, além de exigir políticas públicas que ajudem nesse sentido.
CE: O senhor propõe como solução mudar nossa relação com o tempo e o espaço. De que maneira? É possível falar de ocupação do espaço público com cidades cada vez mais violentas?
DB: Proponho que pelo menos 10% do nosso tempo seja dedicado aos nossos filhos. Passar uma hora, uma hora e meia convivendo por dia. Tomar o café da manhã juntos, contar uma história antes de dormir são momentos que geram intimidade, afeto, capacidade de educar. A segunda dimensão é mudar a relação com o espaço. Temos uma série de evidências mostrando como o contato com a natureza traz benefícios cognitivos, psíquicos, físicos, para o presente e para o futuro. A natureza melhora a imunidade, favorece a atenção, traz mais felicidade, melhora a memória, a capacidade de absorção de coisas que são ensinadas, favorece a empatia, a disposição física, reduz a obesidade e a insônia. Neste contexto, deve-se buscar o livre brincar. A criança deve brincar livremente com outras crianças, criar jogos, subir em árvore, correr, enfim, participar dessa festa que é a infância. As famílias podem favorecer esse contato, mas, é claro, também precisamos exigir de nossos governantes que haja espaço público para ocupar e que ele seja seguro, além de políticas públicas que nos permitam explorar espaços naturais e conviver. É minha esperança para que possamos ter cidades melhores e cidades melhores implicam em pessoas mais felizes.

Quanto mais tecnologia usam os pais, mais birras fazem os filhos

Chiliques ininterruptos, acessos de teimosia, ataques de choro. Quem tem filhos pequenos sabe bem o que é passar por isso em casa ou - o que é pior - em público. As temidas "birras" quase sempre indicam algum ruído na comunicação com a criança, e é preciso estar atento ao que elas indicam sobre os vínculos entre pais/cuidadores e filhos. Nesta matéria, explicamos aprofundadamente alguns caminhos possíveis para desviar das birras com a chama Disciplina Positiva, abordagem interpessoal que investe na empatia e na solução de conflitos a partir da comunicação não violenta.
Uma pesquisa realizada pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, trouxe mais um indício sobre as birras que reforça o fato de que investir nos vínculos afetivos e nas abordagens de comunicação é fundamental para minimizar a agressividade das crianças.
No estudo, que analisou o comportamento e a rotina de 170 pais e mães de diferentes classes sociais, foi detectado que, quanto maior a frequência de uso de aparelhos eletrônicos - celular, tablet, computador, TV e outros - maior a ocorrência de maus comportamentos dos filhos.
A pesquisa mostrou que os adultos que tinham mais dificuldade de passar longos períodos sem checar os aparelhos eram justamente os que tinham mais problemas de relacionamento com os filhos.
E o motivo é muito claro: a criança não assistida e que não é percebida em suas necessidades afetivas e práticas migra sua atenção para os eletrônicos, movida por um instinto simples de comunicação.
Por outro lado, apesar de ser simples detectar onde está o problema, como resolvê-lo, se a maioria das famílias precisa dedicar muito tempo de sua rotina ao trabalho e às obrigações incontornáveis - incluindo o próprio cuidado diário dos filhos?
Créditos: Shutterstock
Birra e tecnologia: quando dedicamos muito tempo aos eletrônicos, negligenciamos as relações humanas.
Uma recomendação possível é organizar as prioridades. A jornalista Patricia Camargo, do nosso parceiro Tempojunto, alerta que é mais uma questão de gerenciar o tempo do que tê-lo em excesso, e chama a atenção para a importância de reservar um tempo para a brincadeira no dia a dia:
"Nós adultos damos um jeito na agenda quando percebemos a importância de aprender outro idioma, e marcamos aulas. Nós arrumamos espaço nos horários para incluir um exercício no dia, quando tomamos consciência da importância de cuidar do corpo. Encontramos tempo de pesquisar preços, seja física ou virtualmente, quando percebemos a importância de economizar para nossas finanças pessoais. Ou seja, sabemos ser flexíveis e organizar nossa agenda, conforme as prioridades. Filhos, quando chegam, se tornam de um jeito ou de outro nossa prioridade. Quando a importância do brincar estiver interiorizado nos pais, haverá tempo e agenda para ela", defende.
Assim, mesmo que os pais não tenham muito tempo disponível para dedicar exclusivamente aos filhos, é possível organizar pequenos momentos de presença e afetividade que farão toda a diferença no desenvolvimento dos pequenos e no modo como reagem a estímulos externos.

Fonte: Catraquinha

Daniel Becker: "Experimentar o tédio é um dos melhores presentes que podemos oferecer aos nossos filhos"

O pediatra Daniel Becker faz yoga com a família em casa para fugir da loucura do dia a dia. Morando no Rio de Janeiro, seu meio de transporte é uma bicicleta. O inventor da “pediatria integral” é daqueles que se esforçam para manter a “mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”. Ele defende o que a primeira vista pode parecer estranho: precisamos deixar nossas crianças sentirem tédio e isto não tem nada de absurdo. Mais uma vez no blog, pra mim é sempre uma honra entrevistá-lo:
1. Por que deixar a criança ficar sem fazer nada é importante?
Experimentar o tédio é um dos melhores presentes que podemos oferecer aos nossos filhos. É claro que eu não estou falando para deixar a criança entediada o dia todo! Mas bombardeá-la com atividades e impedir que ela fique sem fazer nada é prejudicar uma parte essencial do desenvolvimento, da personalidade e da emocionalidade da criança. Este tédio é importante para ela aprender a conviver consigo mesma, ser uma boa companhia pra si mesma. Como ela vai conhecer a si própria se fica o tempo todo distraída? É também crucial pra desenvolver a capacidade de auto-estimulação, porque ela vai ter que sair da passividade e ser pró-ativa.
2. Você considera então que sentir tédio ajuda na motivação?
Uma criança motivada ela vai procurar novas experiências, mas uma criança ocupada o tempo todo não precisa. A criança entediada vai ter que criar alguma coisa pra fazer. Ela vai ter que sair do script que lhe é imposto nas brincadeiras, geralmente pelo pai ou pela mãe, sair do joguinho do tablet e criar sua própria atividade. Muita gente se queixa que o filho não é curioso o bastante. Experimente deixá-lo realmente à toa. E leve-o para fora de casa. Depois de um tempo, ele vai começar a mexer nas folhas, procurar pedrinhas, buscar coisas que o motivem. Uma criança que já está muito tempo mergulhada no mundo virtual, ela vai levar mais tempo pra sair desse amortecimento mental criado pelos eletrônicos.
3. Há estudos que provam que o ócio, mesmo infantil, pode ser criativo?
Sim, há estudos mostrando que brincadeiras de baixa intensidade (“low-key activities”), como brincar de ver a folhinha sendo levada pela água da chuva por exemplo, é muito importante para o funcionamento e bem estar mental. Em adultos, um estudo provou que se engajar em atividades que não demandam esforço mental, faz a mente criativa funcionar melhor e pode gerar ideias, solucionar problemas. Um ditado antigo diz que "mente ociosa é oficina do diabo". Eu prefiro dizer que a mente ociosa é uma oficina da imaginação. E já dizia Einstein que a imaginação é mais importante do que a ciência, porque toda grande descoberta científica vem precedida por uma imaginação sobre a questão em si. 
4. Muita gente confunde o brincar com jogos cheio de regras e limites para não se sujar, não fazer isto ou aquilo. O que deve ser realmente o brincar para a criança?
Não há dúvida que certas atividades estruturadas são importantes, o esporte, interação com os pais, aula na escola, tudo isto é importante. Mas o livre brincar também. Acostumar uma criança a se divertir ao ar livre desde cedo é fundamental, bem como brincar sem a participação do adulto. A criança não aprende apenas interagindo com o adulto, ela é capaz de aprender também sozinha. Os países mais avançados do mundo estão deixando mais tempo livre de recreio, invertendo o que acontece nos Estados Unidos e Brasil onde o recreio está sendo substituído por intervalos. Tem escola no Rio de Janeiro que proíbe criança de correr no recreio e elas ficam sentadas no meio-fio trocando whatsapp! O livre brincar permite que a criança explore o mundo, desenvolva habilidades físicas, a coordenação motora, crie empatia, desenvolva a coragem de enfrentar os pequenos desafios, de avaliar os riscos: “será que eu avanço mais um degrau neste trepa-trepa?”.
5. Sobre pais que estão sempre na retaguarda dos filhos: este excesso, mesmo bem intencionado, é ruim? 
Quando eu falo de pais interagindo, não é ficar brincando junto o tempo todo. A criança precisa de tempo sem pai e sem mãe cercando. A interação envolve acordar, dar bom dia, ajudar a escovar o dente, conversar no carro, colocar para dormir, fazer refeição juntos, caminhar até a escola, observar com ela o caminho. Além disso, a criança precisa experimentar frustração. Precisamos dos pequenos erros na infância para lidar com os grandes erros da vida adulta. Pais que não deixam a criança se ralar, por exemplo. A criança que rala o joelho vai ver que a dor aguda vai embora, que o antiséptico arde mas passa, que no outro dia vai aparecer uma casquinha e em alguns dias a pele volta ao normal. Olha quanto aprendizado biológico e emocional por causa de um machucadinho? A dor de ser superprotegido é muito maior. 
6. A gente usa eletrônicos para distrair os filhos porque tem hora que bate o desespero de entretê-los quando estamos ocupados. Como administrar isso?
É usado e dever ser. Os aparelhos digitais são parte importante da vida moderna e podem servir como “babá” eventualmente. Mas a vida não pode acontecer só nestes aparelhos - o mundo real também conta. O problema não é só colocar a criança no tablet para comer ou resolver questão de trabalho. É usar o tempo todo. O aparelho como distração não tem nenhum problema em alguns momentos do dia, alternando momentos de total atenção. Se você deixa 15 minutos no tablet e interage 45 minutos, ok. E se você precisa de mais tempo, por que não fazer o filho interagir com os carrinhos, castelos e bonecos, que é muito mais saudável? Antigamente as crianças brincavam com os seus brinquedos. É só dizer: o tablet quebrou, agora não tem tablet, não sei onde está, vai brincar com os seus brinquedos, vai desenhar. 
7. Como criar filhos mais conectados com o mundo real?
Precisamos ter uma visão muito consciente sobre a nossa atitude com relação aos eletrônicos quando a gente está com nossos filhos e na verdade não está. As crianças estão crescendo sem o olhar dos pais, que está mais no celular do que nelas. E elas percebem isso. É preciso escolher momentos de “não-tela”, de desligamento, de estar integralmente com a criança: em família, em refeições, em passeios. A gente reclama que o filho não sai do tablet, a filha não sai do celular. Mas nós respondemos email no banheiro, nós acordamos de noite verificando mensagem, nós dormimos com o celular na mão. Restringir o uso de telas pelas crianças - que é importantíssimo - tem que vir acompanhado de uma mudança de atitude da nossa relação com eletrônicos. Enxergar de verdade a filha que diz “olha papai, eu vou pular daqui e dar uma cambalhota”, em vez de ficar com meio olho nela e um olho e meio no celular. Esta é a real interação amorosa que temos que trazer pra dentro de nossas famílias.

Esta tabela periódica interativa mostra o propósito de cada elemento

O Americano Keith Enevoldsen desenvolveu uma tabela com explicação e exemplos de como elementos funcionam

Uma das maiores dificuldades que os estudantes encontram ao conhecer a tabela periódica é entender as aplicações que os elementos têm em suas vidas. Pensando nisso, o americano Keith Enevoldsen criou uma tabela interativa que dá mais informações sobre os elementos e exemplos de como eles são utilizados.

Enevoldsen é formado em física pela Colorado College, nos Estados Unidos, e atualmente trabalha como engenheiro de softwares. "Quando era criança, gostava das tabelas periódicas com figuras, mas elas nunca tinham boas imagens de todos os elementos", contou à BBC

Inspirado pelo livro Building Blocks of the Universe (Blocos de Construção do Universo, em tradução livre), de Isaac Asimov, que possui relatos da história e do uso dos elementos, o engenheiro desenvolveu a "The Periodic Table of the Elements, in Pictures and Words" (A Tabela Periódica dos Elementos, em Figuras e Palavras). 

A tabela em versão interativa está disponível em inglês na internet (clique aqui para conhecê-la) e conta com ilustrações em cada um dos elementos. Ao clicar nos ícones deles, novas caixas aparecem no topo da página com explicações do elemento, bem como exemplos de onde ele pode ser encontrado. O ícone do ferro, por exemplo, é uma ponte, já o do sódio, é o sal. 

"Queria que toda a tabela fosse colorida, com um desenho limpo, que não fosse cheia dos números dos pesos atômicos que, para as crianças, não servem para muita coisa", explicou. 

O site de Enevoldsen também disponibiliza a tabela em pdf em diversos tamanhos para serem impressas em casa — tudo de graça. Confira aqui.

Fonte: Galileu

Pensamento mágico: o que acontece com o cérebro quando brincamos?

"A imaginação é a verdade da criança. Para alcançarmos a criança, devemos compreender que a imaginação é um mundo", defendeu o pesquisador de cultura da infância Gandhy Piorski em uma entrevista concedida ao Catraquinha. É durante o brincar que os pequenos dão corda nessa imaginação e, segundo o especialista, constroem a sua psiquê. Mas afinal, como a brincadeira atua no desenvolvimento neurológico? O que acontece com o cérebro da criança enquanto ela brinca?
O nosso parceiro Tempojunto entrevistou a pediatra Ana Escobar - doutora pelo departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da USP - sobre o assunto. Afinal, os benefícios do ato de brincar para a criança não são só sociais, culturais e cognitivos, são também físicos.
Créditos: iStock

Brincando sozinho ou junto, a criança desenvolve a imaginação 
e constrói as capacidades cognitivas que vão acompanhá-la até a vida adulta
"Brincar desenvolve todo o sistema neurológico de forma absoluta, e desenvolve também uma das coisas mais importantes que a gente tem, que é a imaginação. É ela quem nos dá as possibilidades e potencialidades de seguir novos caminhos na vida adulta, e isso começa na infância, com as brincadeiras e o pensamento mágico", explica a médica.
A doutora explica que enquanto brinca, a criança - ou mesmo o adulto - estimulam as sinapses, que é a comunicação entre os neurônios, estimuladas por atividades externas que os pais podem fazer com os pequenos desde a primeiríssima infância.
Créditos: iStock
Quando falamos do desenvolvimento neural da criança, as sinapses, 
ou a comunicação entre os neurônios, são estimuladas pelas atividades 
que os pais ou cuidadores fazem com as crianças desde recém-nascidos.
"Do ponto de vista da saúde, brincar é que permite que os neurônios se conectem. Isso se chama neuroplasticidade, quanto mais conectados estiverem os neurônios, melhor para as capacidades cognitivas de cada um", comenta.
Assista abaixo à entrevista na íntegra e leia o post completo do Tempojunto aqui.

Sete competências para as escolas e faculdades se adaptarem ao novo mercado profissional



O mercado profissional vem mudando e a reforma trabalhista aprovada em 12 de julho, em muitos aspectos, só registra o que já estava acontecendo, de modo informal. Questões ideológicas à parte (sem dúvida existem, mas não é objetivo deste artigo discuti-las), é fato que há novas competências que escolas, famílias e universidades deveriam desenvolver nos estudantes, com vistas a um bom desempenho no mundo do trabalho dos próximos anos.

Veja abaixo sete competências que estão se tornando cada vez mais essenciais aos atuais e futuros profissionais:

Habilidade de negociação. Os acordos entre prestadores de serviços e contratantes poderão se sobrepor à própria legislação trabalhista. Isso vai requerer habilidade para chegar a consensos por meio do diálogo, traquejo no relacionamento interpessoal e prática para resolver conflitos, buscando soluções em que as duas partes se sintam confortáveis. Isso envolve também aspectos como senso de oportunidade, persuasão e ética.

Foco em resultados. Entregar o que lhe é confiado no prazo e com qualidade, com o menor gasto de recursos e a maior produtividade. Isso implica, entre outros aspectos, manter a concentração e não perder tempo com atividades que o distanciam de suas principais metas.

Autonomia, autodisciplina e processos de trabalho. O home office ou teletrabalho, regulamentado pela reforma trabalhista, é uma tendência apreciada tanto pelas empresas como pelos seus colaboradores, por aliar economia de recursos com qualidade de vida no trabalho. Para funcionar bem, requer organização, capacidade de gestão do tempo, planejamento do trabalho a partir de processos e bastante autocontrole.

Capacidade comercial e de marketing pessoal.  Profissionais que prestam serviços têm passado a trabalhar por projetos e até mesmo para mais de uma empresa. Irão sobressair aqueles que souberem divulgar bem os seus talentos e montar uma carteira de clientes fiéis.

Flexibilidade e resiliência. O mercado de trabalho se tornou volátil e é comum que, ao longo do tempo, o profissional acabe assumindo novas atribuições, diferentes daquelas para as quais foi inicialmente contratado. Estar aberto a essa possibilidade, assim como administrar as próprias emoções ao lidar com situações adversas e com mudanças, são fortes diferenciais.

Disposição para trabalhar em grupo e respeitar diferenças. As empresas costumam montar equipes multidisciplinares e estas podem variar de acordo com cada projeto. Isso requer capacidade de ouvir os diversos pontos de vista e de exercer diferentes posições nos grupos – ora podemos ser o líder, ora coadjuvantes ou colaboradores. Conviver bem com as diferenças de cultura, raça, crença, posição política é essencial. Ter uma atitude inclusiva é ainda melhor.

Capacidade de aprender continuamente e se reinventar. Num mundo marcado por inovações tecnológicas e pela rapidez das mudanças, os conhecimentos se tornam obsoletos ou insuficientes em pouco tempo. Algumas profissões deixaram de existir e outras se tornaram completamente diferentes nos últimos anos. Mesmo sem um professor do lado ou sem frequentar cursos formais, os profissionais deverão ter habilidade para aprender o tempo todo, mantendo-se atualizados por meio de processos de educação continuada.O mercado profissional vem mudando e a reforma trabalhista aprovada em 12 de julho, em muitos aspectos, só registra o que já estava acontecendo, de modo informal. Questões ideológicas à parte (sem dúvida existem, mas não é objetivo deste artigo discuti-las), é fato que há novas competências que escolas, famílias e universidades deveriam desenvolver nos estudantes, com vistas a um bom desempenho no mundo do trabalho dos próximos anos.

Fonte: G1

Brincadeiras e jogos aproximam crianças da matemática



Alguns leitores me pediram sugestões de materiais –jogos, livros etc.– para interagir matematicamente com os filhos e melhorar sua receptividade à matemática. Mencionarei alguns exemplos que eu mesmo testei, mas há muitas opções na internet, tanto comerciais quanto de custo zero. A grande vantagem de muitas brincadeiras lógico-matemáticas é que o material pode ser facilmente produzido em casa. E isso é parte da diversão: mais importante do que o jogo em si, é a participação dos pais, apresentando a matemática de forma descontraída, como uma brincadeira em que todos se divertem.

Uma colega me contou do jogo dos dedos, brincadeira tradicional japonesa que usa apenas as mãos e pode ser feita em qualquer lugar, com dois ou mais jogadores. Testei com os meus filhos (7 e 10 anos) e foi um sucesso! Os dois agora pedem para jogar na sala, no carro, até na cama, na hora de dormir. O mais velho já ensinou os colegas da escola a jogar: está adorando ser o especialista do pedaço!

Depois de se decidir quem começa, os jogadores apresentam as mãos com os dedos indicadores esticados e os demais dobrados. O primeiro a agir toca com uma das mãos uma mão do adversário. A mão tocada passa a exibir a soma dos dedos dessas mãos dos jogadores (se o jogador A usar uma mão com dois dedos esticados para tocar uma mão de B com um dedo esticado, B passa a esticar três dedos). Ao chegar a cinco dedos esticados, a mão "morre" e sai do jogo. Ganha o último jogador com alguma mão "viva". Há variações das regras que tornam o jogo ainda mais divertido.

Já o wali é originário da África Ocidental e popular em diferentes regiões do continente. É jogado com uma espécie de tabuleiro, um pedaço de madeira com 12 cavidades escavadas e 48 pedrinhas. O tabuleiro pode ser substituído por uma dúzia de copinhos ou até por covinhas na areia. Em vez de pedrinhas, podem-se usar bolas de gude, feijões, moedas etc. Comprei meu wali de um artesão no Senegal. No lugar de pedras, ele pôs castanhas de uma árvore local, que catou na hora no chão do galinheiro: até hoje o tabuleiro tem um leve aroma inconfundível...

Com dois jogadores, o jogo começa com quatro pedrinhas em cada buraco. A partir daí, alternadamente, cada um escolhe uma cavidade, pega as pedras contidas nela e as distribui uma a uma, nos buracos seguintes, em sentido anti-horário. Se ao colocar a última pedrinha a respectiva cavidade ficar com duas ou três, o jogador deve retirá-las do jogo. Ganha quem retirar mais pedrinhas. O jogo muda de nome dependendo do país.

A torre de Hanói é uma base com três pinos, em torno dos quais estão colocados quatro ou mais discos perfurados, de tamanhos diferentes, que crescem do topo até a base. O objetivo é deslocar todos os discos para outro pino: só pode ser movido um disco por vez; não é permitido pôr um disco maior sobre outro menor.

Com quatro discos, o jogo é acessível a crianças pequenas, a partir de 3 anos. Quanto mais discos, mais complicado. Mas sempre tem solução: pode provar-se matematicamente que com 'n' discos a transferência de todos os pinos pode ser feita em 2n-1 movimentos. É um belo exercício buscar o método de solução.

A torre de Hanói foi criada pelo matemático francês Édouard Lucas (1842-1941). Ele teria se inspirado em uma lenda sobre um templo na Índia (ou China, ou Tailândia, ou Hanói –antigo nome da capital do Vietnã) onde existiriam três postes rodeados por 64 discos de ouro de tamanhos diferentes. A cada dia, os monges transferiam um disco para outro poste, segundo as regras enunciadas anteriormente. E quando finalizassem a tarefa o mundo acabaria!

Não há razão para preocupações no curto prazo: de acordo com a fórmula no parágrafo anterior, a tarefa dos monges demoraria ao menos
264-1 (ou 18.446.744.073.709.551.615) dias, ou pouco mais de 50 quatrilhões de anos. Como a idade atual do Universo, desde o Big Bang, não chega a 14 bilhões de anos, há tempo para terminarmos a maioria das tarefas pendentes...


O livro "Mágicas com Papel, Geometria e Outros Mistérios" dos professores Pedro Malagutti e João Carlos Sampaio, da editora da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), está recheado de belos truques, paradoxos, desafios e mágicas, que proporcionam descobertas surpreendentes em aritmética e geometria.

Outra opção que estará disponível em breve, gratuitamente, é o aplicativo do Biênio da Matemática Brasil para dispositivos móveis: terá um problema por dia, com grau de dificuldade escolhido pelo usuário. Enquanto esperamos, nos Facebooks do Biênio da Matemática e do Impa já há desafios lógico-matemáticos, propostos inclusive pela mascote Aramat.

Este aqui a Aramat pegou no site da Obmep (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas): João possui 30 barras de chocolate com os seguintes pesos: 2, 3 ou 4 quilos. A soma dos pesos das barras é 100 quilos. João possui mais barras de 2 quilos ou de 4 quilos?

Fonte: Folha

Criando filhos autoconfiantes


Autoconfiança e autonomia andam de mãos dadas. Isso acontece por uma simples razão: se autoconfiança é o sentimento de que se é capaz, de que se dá conta de enfrentar as dificuldades ao nosso redor, como nossos filhos vão sentí-lo se não os deixamos dar conta de nada?


Seu filho provavelmente vai ficar inseguro de dormir na casa de um amigo se ele ainda não descobriu que consegue ir ao banheiro sozinho, se trocar, dormir sem você!


A autoconfiança cresce como uma escala, do menos pro mais. Por isso, por mais simples e boba que pareça uma atividade, se seu filho já é capaz de fazer sozinho, deixe com que ele faça! Ajuda demais atrapalha! Elogie o seu esforço e mostre a ele o quanto, cada vez mais, tem dado conta de resolver as demandas ao seu redor. 


Como o desenvolvimento varia muito de uma idade para outra, o ideal é ir tirando a ajuda aos poucos. Talvez a criança ainda não consiga se trocar inteira sozinha, mas já consegue tirar as meias, colocar a roupa suja no cesto. Mais pra frente você pode ir ajudando ela a tirar as calças, até que ela consiga sozinha e assim vai!


Se você tiver dúvidas do que seu filho já está apto a fazer, converse com o pediatra ou um psicólogo! Be happy!!!

Vida após divórcio: como lidar com as frustrações, com os sentimentos dos filhos e se refazer

Projeto ‘Bem Separadas’ oferece profissionais de diferentes áreas, como jurídica, saúde, psicologia e empreendedorismo, para homens e mulheres que necessitam de apoio para recomeçar

Foram dois anos de namoro, mais 16 de casamento e dois filhos. Há 8 meses, a designer Larissa Siebenkaess, de 44 anos, se separou. “Na verdade, a gente se separou há 1 ano, mas continuamos juntos por causa da crise”, conta ela. Quando o ex-casal conseguiu vender o apartamento, Larissa se mudou para outro bairro em São Paulo, com os dois filhos.

Apesar da certeza da decisão, a dor foi inevitável. “Tem a sensação de fracasso horroroso, porque é um projeto de vida que deu certo por um tempo. Foi uma coisa construída juntos”, pondera Larissa. “De repente, não tem mais a quem pedir conselho, existe o peso da responsabilidade de ficar com as duas crianças. Mas não faria nada diferente, foi bom enquanto durou e, agora, bola pra frente.”

Larissa conta que os filhos sentiram as mudanças, cada um ao seu jeito, porque, além da separação dos pais, eles passaram a morar em um novo bairro e a frequentar um novo colégio. A fórmula para lidar com esse momento das crianças? “Com muito amor e atenção, é muito recente”, ressalta a designer.

Para os psicólogos Oswaldo M. Rodrigues Jr. e Carla Zeglio, refazer a vida após um divórcio implica em saber para onde se quer ir. “Na verdade, já deveria haver um plano de ação prévio ao divórcio para ser colocado na realidade, mas não é assim que vivem as pessoas que se divorciam”, observam Oswaldo e Carla, ambos especialistas em comportamento de casais e sexualidade no Instituto Paulista de Sexualidade – Clínica de Psicologia em Sexualidade.

“Ter um plano organizado para após o divórcio não parece ser comum e um período de sofrimento deve ocorrer e durar várias semanas, ao menos um par de meses. Somente após esta fase de reconhecimento da perda é que se pode refazer uma vida”, completam.
Segundo eles, no entanto, não são todos que vivenciam a sensação de fracasso com um divórcio. “Mas as pessoas que se sintam fracassadas precisam analisar racionalmente essa percepção, pois isso permitirá reconhecer emoções mobilizadoras para se dedicarem ao recomeço.”

E quando é o momento certo para se abrir para outro relacionamento? “Um novo relacionamento sempre dependerá de cada pessoa e como ela administra a perda com um divórcio. Algumas pessoas podem estar disponíveis e adequadas em poucas semanas, mas algumas precisarão de vários meses. Mas vários precisarão fazer testes, aproximando-se de várias pessoas, tentando sentir emoções positivas e construtivas”, explicam.

Quando o ex-casal tem filhos, os psicólogos ressaltam a importância do entendimento entre as duas partes. “Se os dois estão tendo dificuldades, deveriam desejar se desenvolver positivamente em prol dos filhos, para que não ocorra a alienação parental. Existem pessoas que buscam a psicoterapia para que desenvolvam uma forma de administrar as raivas e mal-estares que ainda sentem pelo ex.”

Autoestima. Há 4 anos, a depiladora Andreia Firmino de Morais se separou do marido, após 21 anos de casamento. O sofrimento foi grande. E também a sensação de que muitos problemas que tinha com o marido somente ela vivia. “Eu achava que não iria conseguir ir em frente”, relembra Andreia, hoje com 45 anos. Até que ela encontrou, no Facebook, o anúncio de um site especializado no assunto, o Bem Separadas.

“O site me ajudou, antes de tudo, a me ver, que não sou menos nem mais que ninguém, sou capaz de tudo o que eu quiser fazer. Hoje, estou tão confiante que vou começar um curso técnico”, diz Andreia, que continua a utilizar o site. “Uso para conversar com outras mulheres que estão passando pela separação. No início, é muito ruim, dói muito. Também tiro muita coisa como experiência de vida mesmo.”

Lançado em 2015, o Bem Separadas foi criado pela empresária goiana Valéria Ruiz, de 43, mãe de dois filhos, e que foi casada durante 19 anos. Valéria queria ajudar outras mulheres que passam pela mesma situação. O projeto coloca à disposição uma equipe de 25 profissionais especialistas em diferentes áreas, como jurídica, saúde, psicologia e empreendedorismo. “Quando me separei, muitas pessoas vieram perguntar como foi meu processo, como lidei com a dor e como criei coragem para romper. A partir daí, percebi que outras mulheres tinham as mesmas dúvidas e anseios que eu. Foi dessa forma que resolvi criar o Bem Separadas”, conta a empresária.

Valéria formatou essa rede de profissionais a partir das próprias necessidades que sentiu na fase de sua separação. “Para decidir me separar, busquei apoio psicológico, o qual foi de grande validade para entender o que eu realmente queria e não tomar uma decisão precipitada para mais tarde não me arrepender”, diz. “Depois da separação foi que senti o impacto de outras questões como a necessidade de um advogado de confiança, orientação financeira, orientação de como lidar com os filhos, como aumentar minha autoestima, etc. Naquele momento, percebi que eu teria que buscar cada assunto em um local e que não havia nada que reunisse orientação em todos os aspectos que somos impactados quando nos separamos.”

Com pacotes que variam de R$ 29 (plano básico; anual) a R$ 87 (plano master; mensal), as assinantes têm acesso a salas de bate-papo online, grupos exclusivos no WhatsApp e Facebook; a um webinar (seminário, curso online) por mês, com a participação de um especialista (advogado, psicólogo, etc) e da idealizadora do site; ao final do webinar, é possível ainda participar de um fórum de discussão e ter acesso a uma atividade prática para desenvolver até o próximo encontro; entre outros serviços, dependendo do pacote escolhido.

Apesar de o site se chamar Bem Separadas, Valéria Ruiz afirma que o projeto não é necessariamente só para mulheres. “Muitos homens nos procuram e temos até um colunista que fala sobre a visão masculina das relações. Coloquei mais direcionado a mulheres por minha própria experiência de saber exatamente quais as principais dores e os principais medos. Tanto é que, em 2018, lançaremos com domínio de Bem Separados.”

Comentários e sugestões de pauta devem ser encaminhados para os e-mails familiaplural@estadao.com e familiaplural@gmail.com

Fonte: Estadão