Artigo de Revisão: “Epidemiologia dos Transtornos Globais do Desenvolvimento”


Esta revisão é a mais recente realizada pelo Psiquiatra da Infância e Adolescência, Dr. Eric Fombonne, o maior epidemiologista na área do espectro do autismo. Os resultados do artigo derivam quase que exclusivamente de pesquisas realizadas em países desenvolvidos. No Brasil, apenas um estudo piloto foi realizado até o momento demonstrando a necessidade de uma pesquisa mais completa em nossa realidade.

O estudo de prevalência é fundamental para identificação do número de casos existentes em nosso país, o que permitirá o estabelecimento de propostas mais adequadas para o tratamento das crianças, dos adolescentes e dos adultos brasileiros com Transtornos Globais do Desenvolvimento.

Resumo:

Este artigo analisa os resultados de 43 estudos publicados desde 1966 e que haviam fornecido estimativas para o estabelecimento da prevalência dos Transtornos Globais (ou Invasivos) do Desenvolvimento, incluindo o Autismo, a Síndrome de Asperger, os Transtornos Globais (ou Invasivos) do Desenvolvimento Sem Outra Especificação e o Transtorno Desintegrativo da Infância.

A prevalência de Autismo vem aumentando progressivamente, e atualmente as estimativas mais precisas estão em torno de 20 casos para cada 10 mil pessoas, enquanto a prevalência de Transtornos Globais do Desenvolvimento Sem Outra Especificação em torno de 30 para cada 10 mil pessoas. A prevalência da Síndrome de Asperger é bem menor e os casos com Transtorno Desintegrativo da Infância são muito raros, cerca de dois para cada 100 mil pessoas.

A somatória de todos os Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) combinados leva a estimativa de quase 1%, ou seja, de 60 a 70 indivíduos para uma população de 10 mil pessoas. Com isso, os TGD são considerados entre os mais frequentes transtornos do neurodesenvolvimento infantil.

O autor discute os motivos para o forte crescimento nas prevalências dos TGD. Há fortes evidências de que isso seja uma consequência principalmente da ampliação do conceito e da expansão dos critérios diagnóstico, da maior conscientização sobre os transtornos, entre outros; embora outros fatores ainda não conhecidos também possam ter contribuído para esses resultados

 

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