O tipo de controle que uma determinada família lança mão para educação dos filhos – focando-se aqui, especialmente, no papel educacional dos pais (ou cuidadores) – em muito irá influenciar para o desenvolvimento de comportamentos socialmente adequados ou inadequados. Apesar de nem todos os comportamentos socialmente inadequados serem considerados antissociais, quando se fala em comportamentos socialmente inadequados, pode-se incluir nesse conceito os chamados comportamentos antissociais (WEBER, SALVADOR & BRANDENBURG, 2005).
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O Uso do Controle Coercitivo na Infância e o Desenvolvimento de Comportamentos Antissociais na Adolescência
O tipo de controle que uma determinada família lança mão para educação dos filhos – focando-se aqui, especialmente, no papel educacional dos pais (ou cuidadores) – em muito irá influenciar para o desenvolvimento de comportamentos socialmente adequados ou inadequados. Apesar de nem todos os comportamentos socialmente inadequados serem considerados antissociais, quando se fala em comportamentos socialmente inadequados, pode-se incluir nesse conceito os chamados comportamentos antissociais (WEBER, SALVADOR & BRANDENBURG, 2005).
Quanto mais tecnologia usam os pais, mais birras fazem os filhos
Chiliques ininterruptos, acessos de teimosia, ataques de choro. Quem tem filhos pequenos sabe bem o que é passar por isso em casa ou - o que é pior - em público. As temidas "birras" quase sempre indicam algum ruído na comunicação com a criança, e é preciso estar atento ao que elas indicam sobre os vínculos entre pais/cuidadores e filhos. Nesta matéria, explicamos aprofundadamente alguns caminhos possíveis para desviar das birras com a chama Disciplina Positiva, abordagem interpessoal que investe na empatia e na solução de conflitos a partir da comunicação não violenta.
Uma pesquisa realizada pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, trouxe mais um indício sobre as birras que reforça o fato de que investir nos vínculos afetivos e nas abordagens de comunicação é fundamental para minimizar a agressividade das crianças.
No estudo, que analisou o comportamento e a rotina de 170 pais e mães de diferentes classes sociais, foi detectado que, quanto maior a frequência de uso de aparelhos eletrônicos - celular, tablet, computador, TV e outros - maior a ocorrência de maus comportamentos dos filhos.
A pesquisa mostrou que os adultos que tinham mais dificuldade de passar longos períodos sem checar os aparelhos eram justamente os que tinham mais problemas de relacionamento com os filhos.
E o motivo é muito claro: a criança não assistida e que não é percebida em suas necessidades afetivas e práticas migra sua atenção para os eletrônicos, movida por um instinto simples de comunicação.
Por outro lado, apesar de ser simples detectar onde está o problema, como resolvê-lo, se a maioria das famílias precisa dedicar muito tempo de sua rotina ao trabalho e às obrigações incontornáveis - incluindo o próprio cuidado diário dos filhos?
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Créditos: Shutterstock
Birra e tecnologia: quando dedicamos muito tempo aos eletrônicos, negligenciamos as relações humanas.
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Uma recomendação possível é organizar as prioridades. A jornalista Patricia Camargo, do nosso parceiro Tempojunto, alerta que é mais uma questão de gerenciar o tempo do que tê-lo em excesso, e chama a atenção para a importância de reservar um tempo para a brincadeira no dia a dia:
"Nós adultos damos um jeito na agenda quando percebemos a importância de aprender outro idioma, e marcamos aulas. Nós arrumamos espaço nos horários para incluir um exercício no dia, quando tomamos consciência da importância de cuidar do corpo. Encontramos tempo de pesquisar preços, seja física ou virtualmente, quando percebemos a importância de economizar para nossas finanças pessoais. Ou seja, sabemos ser flexíveis e organizar nossa agenda, conforme as prioridades. Filhos, quando chegam, se tornam de um jeito ou de outro nossa prioridade. Quando a importância do brincar estiver interiorizado nos pais, haverá tempo e agenda para ela", defende.
Assim, mesmo que os pais não tenham muito tempo disponível para dedicar exclusivamente aos filhos, é possível organizar pequenos momentos de presença e afetividade que farão toda a diferença no desenvolvimento dos pequenos e no modo como reagem a estímulos externos.
Fonte: Catraquinha
Pesquisa monitora o cérebro de crianças com problemas de conduta e descobre: elas reagem menos à dor alheia
Estudo sugere que atividade cerebral de crianças pode ser vista como fator de risco para desenvolvimento de psicopatia na idade adulta
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| Pesquisadores mostram que, em crianças agressivas e violentas, as áreas cerebrais responsáveis pela empatia são menos ativadas pelo sofrimento alheio. (Thinkstock) |
As origens do comportamento cruel apresentado por criminosos e psicopatas pode estar no cérebro. Um estudo publicado nesta quinta-feira no periódico Current Biology monitorou a atividade cerebral de crianças inglesas que apresentavam problemas de conduta. A pesquisa deixou claro que o cérebro dessas crianças, quando são confrontadas com imagens de pessoas sofrendo, reage de maneira diferente da maioria das outras: as áreas associadas à empatia se mostram menos ativas em reação à dor alheia. Diante dos resultados, os cientistas sugerem que a análise da atividade cerebral de crianças ao testemunhar cenas de sofrimento pode ajudar a apontar fatores de risco para o comportamento antissocial e a psicopatia na fase adulta.
Jovens com transtorno de conduta apresentam uma série de comportamentos que violam os direitos alheios, como agressão física, crueldade, roubo e falta de empatia em relação às outras pessoas. As crianças com esse tipo de comportamento têm maiores chances de se tornar adultos violentos e ter comportamentos antissociais. Na Inglaterra, onde o estudo foi conduzido, cerca de 5% das crianças parecem ter esse tipo de problema.
No novo estudo, os pesquisadores usaram imagens de ressonância magnética para descobrir se o cérebro dessas crianças com desvio de conduta reagia de modo diferente a fotografias de outras pessoas sofrendo. Como resultado descobriram que, em relação às outras crianças, áreas como a ínsula anterior, o córtex cingulado anterior e o giro frontal inferior — todas associadas à empatia — ficaram menos ativas.
Segundo os pesquisadores, isso não quer dizer necessariamente que toda criança com problemas de conduta tem a mesma reação ao sofrimento, e nem que qualquer em que demonstre esse tipo de padrão cerebral vá se tornar um adulto problemático — na verdade, a maior parte deixa esse tipo de comportamento para trás durante seu desenvolvimento.
"Nossa descoberta indica que crianças com problemas de conduta têm uma resposta cerebral atípica ao ver outras pessoas sofrendo. O importante é ver essas descobertas como um indicador de vulnerabilidade, em vez de um destino biológico. Nós sabemos que crianças são bastante suscetíveis a intervenções, e o desafio é fazer essas intervenções ainda melhores", diz Essi Viding, pesquisadora da University College London responsável pelo estudo.
Vulnerabilidade – Os pesquisadores também analisaram as diferenças de comportamento dentro do grupo das crianças com problemas de conduta, separando os indivíduos mais insensíveis e que demonstravam menos emoções. Essa indiferença emocional é uma importante característica dos psicopatas, e sua presença na infância pode ser vista como fator de risco para o desenvolvimento da condição na vida adulta.
Os cientistas descobriram que, em relação à dor alheia, o grupo apresentou uma atividade ainda menor na ínsula anterior e no córtex cingulado anterior. "Nossa pesquisa mostra muito claramente o fato de que nem todas as crianças com problemas de conduta têm a mesma vulnerabilidade neurobiológica — algumas podem ser mais vulneráveis à psicopatia, enquanto outras não. Isso traz a possibilidade de adaptarmos as intervenções existentes para se adequar aos perfis específicos que caracterizam as crianças com problemas de conduta", disse Essi Viding.
Fonte: Veja
Relação entre jogos e violência ainda é incerta
Novas pesquisas começam a esclarecer o que pode (ou não) ser dito sobre os efeitos de videogames violentos sobre os jovens.
Os games de fato provocam pulsões hostis, e jovens que criam o hábito de jogar tornam-se um pouco mais agressivos, pelo menos durante um ou dois anos.
Mas não está totalmente claro se, a longo prazo, esse hábito aumenta a propensão a cometer um crime violento, muito menos um massacre como o de dezembro em Connecticut, onde 20 crianças foram mortas por um atirador.
"Não sei se algum estudo psicológico poderá algum dia responder definitivamente essa questão", disse o economista Michael Ward, da Universidade do Texas, em Arlington. "Temos que juntar o que pudermos a partir de dados e pesquisas."
Há três tipos de pesquisas: experiências breves em laboratório, estudos mais prolongados, geralmente em escolas, e estudos de correlação -entre o tempo gasto jogando e a agressividade ou entre as vendas de games e as estatísticas criminais.
Num estudo recente, o psicólogo Christopher Barlett, da Universidade Estadual de Iowa, comandou uma equipe de pesquisadores que colocou 47 graduandos para jogar "Mortal Kombat: Deadly Alliance" durante 15 minutos. Depois, a equipe fez várias medições da excitação física e psicológica dos alunos.
A pesquisa também verificou se os estudantes se comportavam de forma mais agressiva, pedindo que dessem um molho apimentado a colegas que, conforme era dito no momento, não gostavam de comidas picantes.
Em comparação a um grupo que jogou um game não violento, os jogadores de "Mortal Kombat" mostravam-se mais agressivos, em geral, e davam porções significativamente maiores de pimenta aos colegas.
É bem mais difícil determinar se a exposição cumulativa leva à hostilidade a longo prazo no mundo real. Em um estudo publicado em meados de 2012, psicólogos da Universidade Brock, em Ontário, concluíram que o envolvimento prolongado de colegiais com games prenunciava um número ligeiramente superior ao longo do tempo de incidentes como brigas com colegas.
"Nenhum desses atos extremos, como um massacre escolar, ocorre por causa de um só fator de risco. Há muitos fatores, inclusive a sensação de estar socialmente isolado, de ser molestado e assim por diante", disse Craig Anderson, psicólogo da Universidade Estadual de Iowa.
"Acho que está claro que a violência na mídia é um fator. Não é o maior fator, mas também não é o menor."
A maioria dos pesquisadores concorda com Anderson, mas nem todos. Alguns estudos concluíram que as crianças mais agressivas é que são as mais atraídas por games violentos. Há pesquisas que não são capazes de controlar fatores externos, como a situação familiar ou transtornos de humor.
"Esse é um conjunto de pesquisas que, até agora, não foi muito bem feito", disse Christopher Ferguson, professor associado de psicologia e justiça penal na Universidade Internacional A&M, no Texas -ele próprio autor de uma pesquisa que não revelou essa associação. "Olho para ela e não consigo dizer o que significa."
Muitos psicólogos argumentam que os videogames violentos "socializam" a criança ao longo do tempo, levando-a a imitar o comportamento dos personagens do jogo. Mas os pesquisadores ainda não conseguiram responder quando, exatamente, um hábito torna-se tão intenso a ponto de se sobrepor aos efeitos socializadores de outras figuras importantes na vida de uma criança, como pais, amigos, professores e irmãos.
A proliferação dos games violentos não coincide com os picos de criminalidade juvenil. O número de criminosos menores de idade caiu mais de 50% de 1994 a 2010, quando ficou em 224 a cada 100 mil jovens, segundo dados governamentais. Já as vendas de videogames mais do que duplicaram desde 1996.
Ward e dois colegas analisaram as vendas semanais de videogames violentos em várias comunidades. Os índices de violência são sazonais, geralmente maiores no verão do que no inverno. As vendas de games também, com picos na época natalina.
"Concluímos que índices maiores de venda de videogames violentos estavam relacionados a uma diminuição nos crimes, especialmente nos crimes violentos", disse Ward, que trabalhou no estudo com A. Scott Cunningham, da Universidade Baylor, no Texas, e Benjamin Engelstätter, do Centro para a Pesquisa Econômica Europeia, em Mannheim, na Alemanha.
"No mínimo, os pais deveriam estar cientes sobre o que há nos games que seus filhos estão jogando", afirmou Anderson, "e pensar neles do ponto de vista da socialização: que tipo de valores, de habilidades comportamentais e de papéis sociais a criança está aprendendo?"
Fonte: Folha
Excesso de televisão na infância pode levar a comportamento agressivo e antissocial
Segundo pesquisa, crianças que passam muitas horas em frente à televisão são mais propensas a apresentar problemas de personalidade quando adultas
De acordo com pesquisadores da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, crianças que passam muito tempo em frente à televisão sentem mais emoções negativas e tendem a apresentar uma personalidade agressiva e antissocial ao longo da vida. Em um novo estudo, esses especialistas também descobriram que quanto mais horas os jovens assistem televisão, maior a chance de eles serem condenados pela justiça por algum motivo. Essas conclusões foram publicadas nesta segunda-feira na revista Pediatrics.
Para realizar essa pesquisa, os autores selecionaram 1.037 indivíduos nascidos em 1972 ou 1973 que foram acompanhados até completarem 26 anos. Durante esse período, eles relataram quanto tempo passavam em frente à televisão e tiveram suas características de comportamento e personalidade analisadas. A partir desses dados, a equipe estudou a associação entre quantas horas o indivíduo costumava passar assistindo televisão quando tinha entre cinco e 15 anos de idade e problemas de comportamento, personalidade agressiva e distúrbios psicológicos na idade adulta.
Segundo os resultados, os participantes que gastaram mais tempo na infância assistindo televisão, em comparação com aqueles que menos horas passavam em frente ao aparelho quando crianças, foram significativamente mais propensos a receber um diagnóstico de transtorno da personalidade antissocial (também chamada de psicopática ou sociopática). Além disso, a pesquisa concluiu que cada hora a mais na média de tempo em que uma criança assiste televisão em um dia comum, o risco de ela receber alguma condenação penal ao longo da vida aumenta em 30%. Essas conclusões não têm relação com fatores como nível socioeconômico ou características da família, afirmam os autores.
De acordo com Lindsay Robertson, uma das autoras do estudo, os participantes da pesquisa não apresentavam comportamentos antissociais quando crianças – ou seja, não recorreram à televisão porque já tinham uma personalidade antissocial. “Pelo contrário. Foi o excesso de televisão que desencadeou esse comportamento nas crianças”, diz. “Nossos resultados sugerem que a redução do tempo de televisão pode de alguma forma contribuir para a diminuição das taxas de comportamento antissocial na sociedade", afirma Robert Hancox, outro autor da pesquisa.
Hábito prejudicial – Esse não é o primeiro estudo a apontar para danos causados pelo excesso de tempo em que passamos em frente à televisão. Pesquisas recentes concluíram que o hábito pode, entre outras coisas, piorar a alimentação, o aprendizado e o desempenho das crianças em atividades físicas, além de levar à obesidade infantil. A Academia Americana de Pediatria recomenda que as crianças não devem passar mais do que duas horas por dia em frente à televisão.
Fonte: Veja














