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O Uso do Controle Coercitivo na Infância e o Desenvolvimento de Comportamentos Antissociais na Adolescência


O tipo de controle que uma determinada família lança mão para educação dos filhos – focando-se aqui, especialmente, no papel educacional dos pais (ou cuidadores) – em muito irá influenciar para o desenvolvimento de comportamentos socialmente adequados ou inadequados. Apesar de nem todos os comportamentos socialmente inadequados serem considerados antissociais, quando se fala em comportamentos socialmente inadequados, pode-se incluir nesse conceito os chamados comportamentos antissociais (WEBER, SALVADOR & BRANDENBURG, 2005).

Quanto mais tecnologia usam os pais, mais birras fazem os filhos

Chiliques ininterruptos, acessos de teimosia, ataques de choro. Quem tem filhos pequenos sabe bem o que é passar por isso em casa ou - o que é pior - em público. As temidas "birras" quase sempre indicam algum ruído na comunicação com a criança, e é preciso estar atento ao que elas indicam sobre os vínculos entre pais/cuidadores e filhos. Nesta matéria, explicamos aprofundadamente alguns caminhos possíveis para desviar das birras com a chama Disciplina Positiva, abordagem interpessoal que investe na empatia e na solução de conflitos a partir da comunicação não violenta.
Uma pesquisa realizada pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, trouxe mais um indício sobre as birras que reforça o fato de que investir nos vínculos afetivos e nas abordagens de comunicação é fundamental para minimizar a agressividade das crianças.
No estudo, que analisou o comportamento e a rotina de 170 pais e mães de diferentes classes sociais, foi detectado que, quanto maior a frequência de uso de aparelhos eletrônicos - celular, tablet, computador, TV e outros - maior a ocorrência de maus comportamentos dos filhos.
A pesquisa mostrou que os adultos que tinham mais dificuldade de passar longos períodos sem checar os aparelhos eram justamente os que tinham mais problemas de relacionamento com os filhos.
E o motivo é muito claro: a criança não assistida e que não é percebida em suas necessidades afetivas e práticas migra sua atenção para os eletrônicos, movida por um instinto simples de comunicação.
Por outro lado, apesar de ser simples detectar onde está o problema, como resolvê-lo, se a maioria das famílias precisa dedicar muito tempo de sua rotina ao trabalho e às obrigações incontornáveis - incluindo o próprio cuidado diário dos filhos?
Créditos: Shutterstock
Birra e tecnologia: quando dedicamos muito tempo aos eletrônicos, negligenciamos as relações humanas.
Uma recomendação possível é organizar as prioridades. A jornalista Patricia Camargo, do nosso parceiro Tempojunto, alerta que é mais uma questão de gerenciar o tempo do que tê-lo em excesso, e chama a atenção para a importância de reservar um tempo para a brincadeira no dia a dia:
"Nós adultos damos um jeito na agenda quando percebemos a importância de aprender outro idioma, e marcamos aulas. Nós arrumamos espaço nos horários para incluir um exercício no dia, quando tomamos consciência da importância de cuidar do corpo. Encontramos tempo de pesquisar preços, seja física ou virtualmente, quando percebemos a importância de economizar para nossas finanças pessoais. Ou seja, sabemos ser flexíveis e organizar nossa agenda, conforme as prioridades. Filhos, quando chegam, se tornam de um jeito ou de outro nossa prioridade. Quando a importância do brincar estiver interiorizado nos pais, haverá tempo e agenda para ela", defende.
Assim, mesmo que os pais não tenham muito tempo disponível para dedicar exclusivamente aos filhos, é possível organizar pequenos momentos de presença e afetividade que farão toda a diferença no desenvolvimento dos pequenos e no modo como reagem a estímulos externos.

Fonte: Catraquinha

Pesquisa monitora o cérebro de crianças com problemas de conduta e descobre: elas reagem menos à dor alheia

Estudo sugere que atividade cerebral de crianças pode ser vista como fator de risco para desenvolvimento de psicopatia na idade adulta
Pesquisadores mostram que, em crianças agressivas e violentas, as áreas
cerebrais responsáveis pela empatia são menos ativadas pelo sofrimento alheio.
(Thinkstock)
 
As origens do comportamento cruel apresentado por criminosos e psicopatas pode estar no cérebro. Um estudo publicado nesta quinta-feira no periódico Current Biology monitorou a atividade cerebral de crianças inglesas que apresentavam problemas de conduta. A pesquisa deixou claro que o cérebro dessas crianças, quando são confrontadas com imagens de pessoas sofrendo, reage de maneira diferente da maioria das outras: as áreas associadas à empatia se mostram menos ativas em reação à dor alheia. Diante dos resultados, os cientistas sugerem que a análise da atividade cerebral de crianças ao testemunhar cenas de sofrimento pode ajudar a apontar fatores de risco para o comportamento antissocial e a psicopatia na fase adulta.
 

Jovens com transtorno de conduta apresentam uma série de comportamentos que violam os direitos alheios, como agressão física, crueldade, roubo e falta de empatia em relação às outras pessoas. As crianças com esse tipo de comportamento têm maiores chances de se tornar adultos violentos e ter comportamentos antissociais. Na Inglaterra, onde o estudo foi conduzido, cerca de 5% das crianças parecem ter esse tipo de problema.
 
No novo estudo, os pesquisadores usaram imagens de ressonância magnética para descobrir se o cérebro dessas crianças com desvio de conduta reagia de modo diferente a fotografias de outras pessoas sofrendo. Como resultado descobriram que, em relação às outras crianças, áreas como a ínsula anterior, o córtex cingulado anterior e o giro frontal inferior — todas associadas à empatia — ficaram menos ativas.
 
Segundo os pesquisadores, isso não quer dizer necessariamente que toda criança com problemas de conduta tem a mesma reação ao sofrimento, e nem que qualquer em que demonstre esse tipo de padrão cerebral vá se tornar um adulto problemático — na verdade, a maior parte deixa esse tipo de comportamento para trás durante seu desenvolvimento.
 
"Nossa descoberta indica que crianças com problemas de conduta têm uma resposta cerebral atípica ao ver outras pessoas sofrendo. O importante é ver essas descobertas como um indicador de vulnerabilidade, em vez de um destino biológico. Nós sabemos que crianças são bastante suscetíveis a intervenções, e o desafio é fazer essas intervenções ainda melhores", diz Essi Viding, pesquisadora da University College London responsável pelo estudo.
 
Vulnerabilidade – Os pesquisadores também analisaram as diferenças de comportamento dentro do grupo das crianças com problemas de conduta, separando os indivíduos mais insensíveis e que demonstravam menos emoções. Essa indiferença emocional é uma importante característica dos psicopatas, e sua presença na infância pode ser vista como fator de risco para o desenvolvimento da condição na vida adulta.
 
Os cientistas descobriram que, em relação à dor alheia, o grupo apresentou uma atividade ainda menor na ínsula anterior e no córtex cingulado anterior. "Nossa pesquisa mostra muito claramente o fato de que nem todas as crianças com problemas de conduta têm a mesma vulnerabilidade neurobiológica — algumas podem ser mais vulneráveis à psicopatia, enquanto outras não. Isso traz a possibilidade de adaptarmos as intervenções existentes para se adequar aos perfis específicos que caracterizam as crianças com problemas de conduta", disse Essi Viding.
 
Fonte: Veja 

Relação entre jogos e violência ainda é incerta

Novas pesquisas começam a esclarecer o que pode (ou não) ser dito sobre os efeitos de videogames violentos sobre os jovens.
 
Os games de fato provocam pulsões hostis, e jovens que criam o hábito de jogar tornam-se um pouco mais agressivos, pelo menos durante um ou dois anos.
 
Mas não está totalmente claro se, a longo prazo, esse hábito aumenta a propensão a cometer um crime violento, muito menos um massacre como o de dezembro em Connecticut, onde 20 crianças foram mortas por um atirador.
"Não sei se algum estudo psicológico poderá algum dia responder definitivamente essa questão", disse o economista Michael Ward, da Universidade do Texas, em Arlington. "Temos que juntar o que pudermos a partir de dados e pesquisas."
 
Há três tipos de pesquisas: experiências breves em laboratório, estudos mais prolongados, geralmente em escolas, e estudos de correlação -entre o tempo gasto jogando e a agressividade ou entre as vendas de games e as estatísticas criminais.
 
Num estudo recente, o psicólogo Christopher Barlett, da Universidade Estadual de Iowa, comandou uma equipe de pesquisadores que colocou 47 graduandos para jogar "Mortal Kombat: Deadly Alliance" durante 15 minutos. Depois, a equipe fez várias medições da excitação física e psicológica dos alunos.
 
A pesquisa também verificou se os estudantes se comportavam de forma mais agressiva, pedindo que dessem um molho apimentado a colegas que, conforme era dito no momento, não gostavam de comidas picantes.
 
Em comparação a um grupo que jogou um game não violento, os jogadores de "Mortal Kombat" mostravam-se mais agressivos, em geral, e davam porções significativamente maiores de pimenta aos colegas.
 
É bem mais difícil determinar se a exposição cumulativa leva à hostilidade a longo prazo no mundo real. Em um estudo publicado em meados de 2012, psicólogos da Universidade Brock, em Ontário, concluíram que o envolvimento prolongado de colegiais com games prenunciava um número ligeiramente superior ao longo do tempo de incidentes como brigas com colegas.
 
"Nenhum desses atos extremos, como um massacre escolar, ocorre por causa de um só fator de risco. Há muitos fatores, inclusive a sensação de estar socialmente isolado, de ser molestado e assim por diante", disse Craig Anderson, psicólogo da Universidade Estadual de Iowa.
 
"Acho que está claro que a violência na mídia é um fator. Não é o maior fator, mas também não é o menor."
 
A maioria dos pesquisadores concorda com Anderson, mas nem todos. Alguns estudos concluíram que as crianças mais agressivas é que são as mais atraídas por games violentos. Há pesquisas que não são capazes de controlar fatores externos, como a situação familiar ou transtornos de humor.
 
"Esse é um conjunto de pesquisas que, até agora, não foi muito bem feito", disse Christopher Ferguson, professor associado de psicologia e justiça penal na Universidade Internacional A&M, no Texas -ele próprio autor de uma pesquisa que não revelou essa associação. "Olho para ela e não consigo dizer o que significa."
 
Muitos psicólogos argumentam que os videogames violentos "socializam" a criança ao longo do tempo, levando-a a imitar o comportamento dos personagens do jogo. Mas os pesquisadores ainda não conseguiram responder quando, exatamente, um hábito torna-se tão intenso a ponto de se sobrepor aos efeitos socializadores de outras figuras importantes na vida de uma criança, como pais, amigos, professores e irmãos.
 
A proliferação dos games violentos não coincide com os picos de criminalidade juvenil. O número de criminosos menores de idade caiu mais de 50% de 1994 a 2010, quando ficou em 224 a cada 100 mil jovens, segundo dados governamentais. Já as vendas de videogames mais do que duplicaram desde 1996.
 
Ward e dois colegas analisaram as vendas semanais de videogames violentos em várias comunidades. Os índices de violência são sazonais, geralmente maiores no verão do que no inverno. As vendas de games também, com picos na época natalina.
 
"Concluímos que índices maiores de venda de videogames violentos estavam relacionados a uma diminuição nos crimes, especialmente nos crimes violentos", disse Ward, que trabalhou no estudo com A. Scott Cunningham, da Universidade Baylor, no Texas, e Benjamin Engelstätter, do Centro para a Pesquisa Econômica Europeia, em Mannheim, na Alemanha.
 
"No mínimo, os pais deveriam estar cientes sobre o que há nos games que seus filhos estão jogando", afirmou Anderson, "e pensar neles do ponto de vista da socialização: que tipo de valores, de habilidades comportamentais e de papéis sociais a criança está aprendendo?"
 
Fonte: Folha

Excesso de televisão na infância pode levar a comportamento agressivo e antissocial


Segundo pesquisa, crianças que passam muitas horas em frente à televisão são mais propensas a apresentar problemas de personalidade quando adultas
 
De acordo com pesquisadores da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, crianças que passam muito tempo em frente à televisão sentem mais emoções negativas e tendem a apresentar uma personalidade agressiva e antissocial ao longo da vida. Em um novo estudo, esses especialistas também descobriram que quanto mais horas os jovens assistem televisão, maior a chance de eles serem condenados pela justiça por algum motivo. Essas conclusões foram publicadas nesta segunda-feira na revista Pediatrics.
 
Para realizar essa pesquisa, os autores selecionaram 1.037 indivíduos nascidos em 1972 ou 1973 que foram acompanhados até completarem 26 anos. Durante esse período, eles relataram quanto tempo passavam em frente à televisão e tiveram suas características de comportamento e personalidade analisadas. A partir desses dados, a equipe estudou a associação entre quantas horas o indivíduo costumava passar assistindo televisão quando tinha entre cinco e 15 anos de idade e problemas de comportamento, personalidade agressiva e distúrbios psicológicos na idade adulta.
 
Segundo os resultados, os participantes que gastaram mais tempo na infância assistindo televisão, em comparação com aqueles que menos horas passavam em frente ao aparelho quando crianças, foram significativamente mais propensos a receber um diagnóstico de transtorno da personalidade antissocial (também chamada de psicopática ou sociopática). Além disso, a pesquisa concluiu que cada hora a mais na média de tempo em que uma criança assiste televisão em um dia comum, o risco de ela receber alguma condenação penal ao longo da vida aumenta em 30%. Essas conclusões não têm relação com fatores como nível socioeconômico ou características da família, afirmam os autores.
 
De acordo com Lindsay Robertson, uma das autoras do estudo, os participantes da pesquisa não apresentavam comportamentos antissociais quando crianças – ou seja, não recorreram à televisão porque já tinham uma personalidade antissocial. “Pelo contrário. Foi o excesso de televisão que desencadeou esse comportamento nas crianças”, diz. “Nossos resultados sugerem que a redução do tempo de televisão pode de alguma forma contribuir para a diminuição das taxas de comportamento antissocial na sociedade", afirma Robert Hancox, outro autor da pesquisa.
 
Hábito prejudicial – Esse não é o primeiro estudo a apontar para danos causados pelo excesso de tempo em que passamos em frente à televisão. Pesquisas recentes concluíram que o hábito pode, entre outras coisas, piorar a alimentação, o aprendizado e o desempenho das crianças em atividades físicas, além de levar à obesidade infantil. A Academia Americana de Pediatria recomenda que as crianças não devem passar mais do que duas horas por dia em frente à televisão.
 
Fonte: Veja

 

Comportamento Anti-Social

 
O comportamento agressivo ou anti-social vem sendo estudado por behavioristas radicais de forma a entender o porque do comportamento muitas vezes violento do homem voltado para a própria espécie, chamado de agressão intra-específica (REGRA, 2001). Este tipo de comportamento tem sido explicado no estudo da relação do homem com o seu meio. De acordo com GOMIDE (2001), a definição do termo comportamento anti-social é utilizado por KASDIN e BUELA-CASAL (1998) para se referir a todo comportamento que infringe regras sociais ou que seja uma ação contra os outros, tais como comportamento agressivo, comportamento infrator como furto, roubo, vandalismo, piromania, mentira, ausência ou fuga escolar, fuga de casa, entre outros. O DSM IV (APA, 1995) define o comportamento anti-social como um padrão repetitivo e persistente de comportamento de violação aos direitos básicos dos outros e de normas ou regras sociais importantes apropriadas à idade. Já PATTERSON, REID e DISHION (2002) definem comportamento anti-social como eventos que são simultaneamente aversivos e contingentes. Eles salientam que se deve descrever um evento anti-social e não uma pessoa anti-social. O termo contingente refere-se à conexão entre o comportamento do indivíduo e o de outra pessoa pertencente ao ambiente onde o evento ocorre.
 
Esses autores preferem utilizar o termo anti-social ao agressivo, pois o primeiro descreve mais a natureza do comportamento do que o segundo. Esses comportamentos são respostas dadas pelo organismo dentro de determinadas contingências e se mantém em função de reforçadores. O behaviorismo radical fornece uma explicação desse comportamento anti-social sem recorrer a explicações mentalistas. Afirmar que o comportamento agressivo ocorre em função de sentimentos, não ajuda muito. Segundo SKINNER (2002, p. 184), “não é de qualquer auxílio na solução de um problema prático, dizer-se que algum aspecto do comportamento do homem se deve à frustração, à ansiedade; precisamos também saber como a frustração ou a ansiedade foi induzida e como pode ser alterada.” Skinner tráz na sua teoria uma ferramenta de fundamental importância para podermos entender e alterar o comportamento
anti-social: a análise funcional. Essa análise implica a descrição de contingências e a relação de dependência dessas com o comportamento e, que nos possibilita descrever o valor funcional da agressão. Percebendo que emoções não são causas e sim respostas induzidas por uma classe de operações, podemos compreender o que mantém o comportamento anti-social.
 
Para diagnosticar uma pessoa com comportamento anti-social, GOMIDE (2001), coloca que é necessário que este padrão de comportamento venha se mantendo já há algum tempo e com alta frequência, por períodos duradouros. O que é diagnosticado é o padrão de comportamento e não o organismo. Este apenas responde a um conjunto de contingências e, se mudamos as contingências podemos mudar o padrão de respostas que são dadas pelo organismo. SIDMAN (1995), no livro Coerção e suas implicações discute o modelo da nossa cultura que educa de forma coercitiva. Segunda ele, a punição e a privação levam o homem a apresentar comportamento agressivo. Observa-se que, somos punidos de várias formas possíveis por não nos comportarmos adequadamente e, quando apresentamos comportamentos desejados, não recebemos nenhuma gratificação ou algo que nos motive a manter esse padrão de comportamento.

A sociedade comtemporânea convive com episódios que envolvem, em larga escala, comportamentos anti-sociais em crianças e adolescentes provavelmente em decorrência do contato com ambientes ameaçadores. O grande número de ocorrências que nos chegam através da mídia, focalizando o destino insólito de crianças que crescem nos ambientes da periferia da cidade, vivenciando privações materiais e a violência causada pelo tráfico de drogas demonstram a importância do entendimento dessa questão no Brasil. Apesar da intervenção de pessoas e organizações que se dedicam voluntariamente, ao entendimento dessa situação e de algumas ações do poder público, constata-se que os resultados obtidos por esse trabalho não são efetivos. Para que se processem intervenções mais eficazes, é necessário um conhecimento mais aprofundado do assunto e de suas variáveis de controle. Torna-se importante assim, analisar funcionalmente o curso de desenvolvimento do comportamento anti-social nas fases da infância e da adolescência, mostrando que ele se inicia no ambiente familiar chegando até os grupos delinquentes, nas ruas.

PATTERSON, REID e DISHION (2002), colocam que os atos aparentemente inofensivos observados no lar e na escola são os protótipos de comportamentos anti-sociais na adolescência. Eles afirmam também que a exposição muito longa à violência e à agressão, tanto na comunidade quanto na televisão, tem aumentado a extensão da aprendizagem de comportamentos agressivos nos tempos atuais. A exposição a episódios anti-sociais propicia a aprendizagem, onde a criança é inicialmente uma simples observadora e com experiência, passa a copiar os modelos daqueles personagens com que se identifica. Alem disso, através da aprendizagem por modelagem, a criança pode utilizar as birras, choros e outros comportamentos anti-sociais para obter controle sobre os pais. Esses comportamentos vão sendo instalados no repertório da criança na medida que os resultados são atingidos. PATTERSON e colegas (2002), descrevem quatro estágios de desenvolvimento do comportamento anti-social. O primeiro estágio desenvolve-se na família onde os pais descrevem a criança como difícil e diferente dos outros, e proporcionam uma disciplina ineficiente com pouca monitoria das atividades da criança.

O segundo estágio ocorre na escola, onde iniciam as reclamações sobre a criança nos aspectos da aprendizagem e inadequação em sala de aula, levando à rejeição das outras crianças e dos professores e aos déficits acadêmicos. O terceiro estágio descreve a reação do meio social e o fracasso neste ambiente impulsiona a criança a buscar apoio em ambientes alternativos, isto é, rejeitada pelos colegas, ela procura grupos desviantes e aperfeiçoa suas habilidades anti-sociais, buscando as drogas e cometendo pequenos delitos. O último e quarto estágio, via de regra, acaba levando o adolescente para instiuições correcionais. Segundo GOMIDE (2001), é basicamente uma sequência de ação e reação. No primeiro estágio, as ações agressivas da criança se iniciam sem que os pais tenham habilidades de controle. No segundo estágio, o meio social reage e a rejeita. No terceito estágio, ela busca apoio nos grupos desviantes.

Este conjunto leva a casamentos prematuros e fracassados, empregos caóticos e institucionalização, o quarto estágio. SKINNER (2002) e SIDMAN (1995) questionam em seus livros o modelo coercitivo que predomina há tanto tempo nos sistemas familiares, educacionais, legais e policiais onde a punição tem sido a única estratégia de controle de comportamento utilizada. O grande problema é que ela funciona de forma imediata e por isso parece mais eficaz. Entretanto, a punição produz efeitos colaterais tanto para quem pune quanto para quem é punido: os estímulos aversivos que são usados pelos adeptos da agressão no controle do comportamento, eliciam sentimentos no agredido que dificultam a aprendizagem e a relação dele com outras pessoas; provocam o comportamento de fuga e esquiva que impedem o contato com situações de aprendizagem de repertórios comportamentais alternativos. Para SIDMAN (1995), coerção é o uso da punição e da ameaça de punição para conseguir que os outros ajam como gostaríamos. Entretanto, embora ela possa produzir esse resultado – às custas dos inevitáveis efeitos colaterais – não oferece à criança ou ao adolescente qualquer caminho alternativo para comportar-se construtivamente.

Para SKINNER (2002), a técnica de controle mais comum é a punição. Se o seu filho não se comporta de forma adequada, castigue-o, se um país não tem a mesma religião que a sua, bombardeio-o, sistemas legais e policiais funcionam com esquema punitivo e a sociedade ainda não abandonou a palmatória. O que aprendemos com os behaviorista radiciais é que devemos questionar que tipo de controle queremos: o controle coercitivo que sempre foi usado e que não tem trazido resultados satisfatórios, ou o controle por reforçadores positivos? Diante dos fatos, os cientistas buscam explicações que possam servir para identificar e modificar a situação. Os estudiosos da área de comportamento anti-social apresentam alternativas.

Em particular os behavioristas radicais. A alternativa que temos para evitar a palmatória, a agressão, a violência, o vandalismo etc, é a de repensar a nossa cultura, como fez Skinner durante toda sua vida. Devemos abandonar a crença de que os controles coercitivos são absolutamente necessários para o bom funcionamento da sociedade. Segundo ele, as mudanças nas formas de controle interpessoais, de coercitivas para reforçadoras, poderiam resultar em uma qualidade de vida melhor, propiciando ambientes mais adequados para o desenvolvimento das crianças e adolescentes.


Referências Bibliográficas

BAUM, W. (1999). Compreender o behaviorismo. Porto Alegre: Ed. Artmed. GOMIDE, P.I.C. (2001).

Efeitos das práticas educativas no desenvolvimento do comportamento anti-social. Em Marinho, M.L. e Caballo, V. E. (org.) : Psicologia Clínica e da Saúde, p.p. 33-53. Londrina: Ed.

UEL PATTERSON, G., REID, J. e DISHION, T. (2002). Anti-social Boys: comportamento anti-social. Santo André: ESETEC Ed. Associados.

REGRA, J. (2002). A agressividade infantil. Em Silvares, E.F.M. (org): Estudos de caso em Psicologia clínica comportamental infantil. Vol II. Campinas: Ed. Papirus.

SIDMAN, M. (1995). Coerção e suas implicações. Campinas: Ed. Psy II. SKINNER, B. F. (2002). Ciência e comportamento humano. São Paulo: Ed. Martins Fontes.
 
Fonte RedePsi

Comportamento infrator: fatores de risco e de proteção

 
Hoje em dia, ser jovem implica assumir muitos riscos. Um deles diz respeito à luta pela própria vida. Segundo o Mapa da Violência de 2012 [1], as chances de uma criança ou adolescente brasileiro morrer assassinado são maiores atualmente do que eram há 30 anos, fator que rende ao país a quarta pior colocação mundial em violência contra o jovem. Assim, o prazo de validade da juventude, que poderia ser estendido à fase adulta, é reduzido em virtude de comportamentos antissociais e da violência infanto juvenil. Embora a justiça tenha a missão de lidar com as práticas infracionais juvenis, ainda cabe à família delinear práticas educativas que possam inibir comportamentos antissociais e desenvolver o comportamento moral.
 
Segundo pesquisadores, demonstrações de comportamento antissocial podem acontecer desde os dois anos de idade, quando as crianças são consideradas de temperamento difícil ou forte, com tendência a destruir objetos e agredir seus cuidadores. Pesquisas apontam que este padrão de comportamento desobediente, impulsivo, socialmente inadequado e impaciente tende para o estabelecimento do chamado Transtorno Desafiador de Oposição. Caso este seja persistente, facilita-se a exclusão do grupo de pares quando adolescente, que é um dos critérios diagnósticos para o transtorno de conduta na adolescência e antissocial na vida adulta.
 
No tocante à questão familiar, o infrator é oriundo de ambientes altamente coercitivos, nos quais são constantes a violência física e o abandono (ROCHA, 2009). Desta forma, ele acaba por reproduzir em sua relação com o mundo um padrão de comportamento conhecido como antissocial. O comportamento antissocial pode ser definido como aquele que viola e desrespeita os direitos alheios, ou seja, aquele que a todo custo busca beneficiar-se, desconsiderando os possíveis danos que isso possa causar a outrem.
 
Estudos mostram que a disciplina ineficiente e pouco consistente imposta pelos pais está positivamente associada ao comportamento delituoso. Assim, pode-se afirmar que pais de filhos em conflito com a lei geralmente são aqueles que exercem uma supervisão inconsistente, uma disciplina incoerente e inadequada.
 
Quanto a isso, Hasson e Meleiro (2003) [2] destacam ainda que a exposição a abusos físicos, punições excessivas e maus tratos, pais ausentes, com problemas de saúde ou no relacionamento conjugal são fatores relacionados positivamente com o comportamento delituoso. Desta forma, as práticas educativas parentais ineficientes se constituem fatores de risco ao envolvimento criminal.
 
Para Rocha (2009) [3], além das práticas parentais negativas, outros fatores de risco para o desenvolvimento de problemas de comportamento são: a presença de problemas de comportamento durante a infância, a ocorrência de comportamento antissocial em algum momento da vida e o abandono ou fracasso escolar. Outros pesquisadores destacam que a família monoparental (ou seja, famílias com apenas um cuidador/pai), em especial as gerenciadas por mulheres, também é um fator de risco. Hasson e Meleiro (2003) destacaram que o risco de atividade criminal na adolescência se duplica para homens criados sem figura paterna, sendo que em mulheres criadas sem mãe o risco é quase nulo.
 
Cabe destacar que os adolescentes em conflito com a lei têm déficit significativo nas habilidades sociais e em resolução de problemas. Assim, esses adolescentes tendem a reagir de forma totalmente despreparada diante de conflitos interpessoais. Um exemplo disso é quando diante de uma intimidação, o adolescente busca meios agressivos ou coercitivos que podem aumentar o problema ou colocar em risco a própria vida ou a de outras pessoas, como andar armado para fazer com que as provocações que recebe diminuam. Tal fato já abre precedente para outros comportamentos perigosos, como intimidar outras pessoas para roubar, emprestar a arma para amigos, trocá-la por droga, entre outros.
 
Outro fator de risco para o comportamento criminoso do jovem conforme apontado por pesquisadores é a baixa escolaridade ou o desinteresse pelos estudos. Gallo e Williams (2005) [4] constataram que a maior parte dos adolescentes que cumprem medida socioeducativa abandonou os estudos muito cedo. Ressalta-se que os estudos se configuram como uma atividade cujos resultados se apresentam a longo prazo, visto que a conclusão dos estudos básicos é algo que se dá após um período significativo de dedicação e empenho. Dessa forma, é uma atividade que requer persistência, autocontrole e muita tolerância à frustração, fatores muitas vezes prejudicados em adolescentes que estão em conflito com a lei.
 
Quando o jovem está desocupado, sem estudar, fica mais propenso a se envolver em atividades não exigentes, como o lazer, o uso de drogas e a convivência com o grupo de colegas. Assim, diante da desmotivação, das necessidades a serem supridas (por exemplo, uso de droga em virtude da abstinência, a necessidade de alimentação ou dinheiro) e de estímulos concorrentes com o estudo (como amizades, passeios, aventuras), o adolescente se vê em um contexto que é possível engajar-se em uma atividade que não requer tanto esforço quanto o que teria diante da escola (como o roubo) e que terá um resultado mais imediato, que é a satisfação de suas necessidades, mesmo que com os estudos haja resultados mais satisfatórios a longo prazo (como um emprego). Assim, com as atividades delituosas, o adolescente encontra um meio de suprir suas necessidades sem precisar de esforço para tal.
 
Daí a necessidade de os pais, desde cedo, educarem os filhos com afeto e limites, frustrando-lhes quando preciso, orientando-os quanto ao mundo e quanto à necessidade dos estudos. Embora na adolescência a voz do grupo de amigos muitas vezes seja mais forte do que a da família, esforços são necessários para que na infância seja feita uma boa relação com os pais, com diálogo e disciplina. É necessário que os pais se empenhem na tarefa de desenvolver nos filhos a empatia para com o outro, além de outros valores como a polidez, a vergonha, a culpa e a honestidade.
 
O desenvolvimento do comportamento moral e das habilidades sociais é algo que também é possível de se obter no contexto clínico. É inegável os muitos benefícios que a psicoterapia pode oferecer aos indivíduos que não se adaptam às normas sociais e que vivem à margem dos grupos, sobretudo as abordagens comportamentais e cognitivo-comportamentais. Por meio dessas modalidades terapêuticas, o adolescente com histórico infracional aprende novos repertórios comportamentais sobre ele mesmo e sobre o mundo, desenvolvendo novas maneiras de se relacionar. Caso seja implementada a psicoterapia enquanto o adolescente estiver cumprindo medida socioeducativa, os resultados podem ser ainda melhores.
 
No entanto, melhores resultados geralmente são aqueles obtidos quanto mais próximos do início dos comportamentos problemáticos, sobretudo quando crianças. Assim, diante da manifestação de comportamentos opositores e desafiadores na infância, procure um psicólogo de sua confiança.


[1] WAISELFISZ, J.J. Mapa da violência 2012. Crianças e adolescentes no Brasil. Rio de Janeiro: CEBELA, 2012.
[2] HASSON, M.E.; MELEIRO, A.M.A.S. Reflexões sobre a desestruturação familiar na criminalidade. In: RIGONATTI, S.P. (Coord.). Temas em psiquiatria forense e psicologia jurídica. São Paulo: Vetor Editora, 2003.
[3] ROCHA, G.V. M. Psicoterapia com infratores de alto-risco: trabalhando a mentira, a vergonha e a culpa. In: ROVINSKI, S. L.R.; CRUZ, R. M. Psicologia jurídica. Perspectivas teóricas e processos de intervenção. São Paulo: Vetor Editora, 2009.
[4] GALLO, A.E.; WILLIAMS, L.C.A. Adolescentes em conflito com a lei: uma revisão dos fatores de risco para a conduta infracional. Psicologia: Teoria e Prática, n. 7, v. 1, pp.81-95, 2005.
 
Juliana de Brito Lima é Psicóloga (CRP 11ª/05027), formada pela Universidade Estadual do Piauí e especializanda em Análise Comportamental Clínica pelo Instituto Brasiliense de Análise do Comportamento – IBAC. É membro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental – ABPMC. Atua como psicóloga clínica em Teresina-PI (Clínica Lecy Portela, onde atende criança, adolescente e adulto) e como psicóloga forense (Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão), em Caxias-MA. Atuou como pesquisadora no Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná/ NAC-UFPR (linha de pesquisa “Desenvolvimento da criança e do adolescente em situações adversas”) e atualmente está vinculada ao Laboratório de Neurociências Cognitivas da Universidade Estadual do Piauí- UESPI. Contato: juliana@inpaonline.com.br.

Experiências dolorosas afetam os cromossomos

Vítimas de agressão durante a infância podem ter maior vulnerabilidade a doenças
 
Zentilia/Shutterstock
Crianças que vivenciaram episódios de violência doméstica têm, em média, as extremidades dos cromossomos – chamadas telômeros – mais reduzidas, descobriram neurocientistas da Universidade Duke. O grupo coordenado por Idan Shalev investigou o DNA de 236 meninos e meninas britânicos, aos 5 anos e depois aos 10. Nesse meio-tempo, os pesquisadores perguntaram regularmente às mães se seus filhos testemunharam ou foram vítima de qualquer tipo de agressão verbal ou física dentro de casa. Shalev também levantou informações sobre possíveis assédios na escola. De acordo com a análise genética, crianças que enfrentaram mais de duas dessas experiências, consideradas altamente estressantes, apresentaram telômeros muito menores que as que viviam em ambiente pacífico.

O encurtamento das pontas dos cromossomos é um efeito característico do envelhecimento celular. Assim, as crianças de 10 anos que viram a violência de perto seriam biologicamente “pré-idosos”, o que pode explicar, segundo os pesquisadores, sua maior vulnerabilidade a doenças. Os telômeros selam a cadeia de DNA como os invólucros de plástico na ponta de cadarços. A cada divisão celular os cromossomos perdem um pouco de sua proteção telomérica, de forma que chega um momento em que as células não podem mais se dividir. Estudos já comprovaram que as tampas protetoras do DNA diminuem com o aumento da idade biológica e são influenciadas por fatores como tabagismo e obesidade.
 

Saiba identificar os sinais de que algo não vai bem com seu filho na escola

Deixar a criança sob os cuidados de uma creche ou escola é, em geral, uma boa opção para os pais que não podem passar o tempo todo com seus filhos. Muitas vezes, a única. Mas é preciso ter atenção aos sinais físicos e comportamentais que a criança dá quando o estabelecimento não consegue cumprir bem o seu papel.

Creches, berçários e escolas de educação infantil oferecem vantagens, como equipe de profissionais treinados, respaldo educacional e eliminação da necessidade de babá. Apesar disso, a criança pode se mostrar infeliz por várias razões: não se adaptar à instituição, estar sendo negligenciada ou sendo vítima de maus-tratos.

“Mudanças de comportamento são o primeiro indício de que algo não vai bem. Elas podem se manifestar na alimentação ou no sono. A criança pode ainda se tornar mais chorosa ou violenta”, diz a psicóloga Ana Laura Schliemann, da PUC (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

Ao notar alterações comportamentais, os pais devem investigar o que pode estar acontecendo. Veja quais são as principais pistas de que algo está errado.
Alterações do sono A criança que enfrenta problemas de qualquer tipo fica mais agitada, o que prejudica o sono. São comuns os despertares noturnos, seguidos ou não por crises de choro. “É importante checar também o quanto ela está dormindo na escola”, diz Rita Romaro, doutora em psicologia clínica pela USP (Universidade de São Paulo). Dormir pouco durante o dia não significa dormir bem à noite, principalmente no caso dos bebês. Pular as sonecas do dia pode deixá-los irritados e dificultar o sono da noite.

Falta ou excesso de apetite
A alimentação está intimamente ligada às emoções da criança. Se ela estiver infeliz ou com medo de algo, certamente, vai mudar seus hábitos alimentares. O mais comum é parar de comer, mas o contrário também pode acontecer: a alimentação exagerada provocada pela ansiedade. Vale a pena prestar atenção, também, se a criança fica com medo ao ser alimentada, indício de que pode estar sendo forçada a comer na escola.

Medo
“Mostrar-se com medo das pessoas, assustada, encolhendo-se diante da aproximação de um adulto pode indicar que a criança esteja sendo maltratada de alguma forma”, afirma Rita Romaro.

Marcas no corpo
Esse é um dos pontos mais importantes a serem observados. Hematomas, arranhões e mordidas são provocados, normalmente, pelos amiguinhos do berçário ou da escola. “Mas pode significar que a instituição não lida bem com a agressividade das crianças. Não sabe como controlá-las”, diz Rita. A hipótese de haver algum funcionário agressor não pode ser descartada e precisa ser investigada.

O melhor momento para observar o corpo do seu filho é no banho e o ideal é que você aja naturalmente. Segundo Ana Paula Cuocolo Macchia, do ABC Aprendizagem, Centro Pedagógico Interdisciplinar, em Santo André, na Grande São Paulo, caso a criança perceba que os pais estão procurando algo, ela pode desenvolver o sentimento de que o corpo corre sérios riscos.
Ausência de cuidados básicos
Segundo a neuropediatra Lívia Cunha Eklis, da Unisa (Universidade Santo Amaro), em São Paulo, há sinais corporais que podem demonstrar que a escola não está cuidando bem da criança. “Preste atenção se o nariz está cheio de secreção, se as mãos do seu filho estão sujas quando ele chega em casa, se há vermelhidão no corpo, assaduras ou picadas de insetos na pele”, diz a especialista.

Choro
Chorar é um sinal bastante importante e que pode aparecer a qualquer momento. Insegurança e irritação são alguns de seus significados. A manifestação se torna mais preocupante se a criança se mostrar arredia e chorosa na porta da escola, demonstrando que não quer ficar no lugar.

É bastante comum que seu filho chore nos primeiros dias em que vai para a escola, por não querer se separar de você. Se ele já estava ambientado e começa a apresentar esse comportamento, pode significar a existência de algum problema.
Desenvolvimento
A máxima de que cada criança tem seu ritmo é verdadeira, mas é esperado que ela sente por volta dos seis meses de idade, comece a engatinhar com cerca de nove meses e a andar e a falar por volta de um ano. Clique aqui para saber mais sobre o desenvolvimento da criança até os dois anos.

Caso essas etapas demorem a acontecer, é possível que seu filho --principalmente se ele ficar em período integral na escola-- não esteja sendo devidamente estimulado. Por exemplo: se fica muitas horas deitado, pode demorar mais para sentar ou engatinhar.

Cara fechada
A falta de sorrisos de seu filho também pode ser uma pista de que algo está fora do trilho. “Crianças infelizes ou abusadas psicologicamente passam a sorrir menos”, afirma Ana Paula Cuocolo Macchia, do ABC Aprendizagem, Centro Pedagógico Interdisciplinar, em Santo André, na Grande São Paulo.

Evite atitudes precipitadas
Se perceber que a criança está realmente desconfortável ou descontente, não procure o estabelecimento sem antes investigar melhor. Muitas vezes, a culpa não está ali. Em primeiro lugar, é preciso prestar atenção no que ocorre fora do ambiente escolar. “A instituição não é responsável por toda alteração negativa no comportamento da criança. O ambiente familiar tem um grande peso também”, explica Rita Romaro.

Mesmo que a causa esteja dentro da escola, nem sempre representa negligência ou má conduta. “Às vezes, a criança está recebendo menos atenção porque entrou um aluno novo ou um colega está doente, exigindo mais cuidados”, diz Lívia Cunha Elkis. Outras vezes, a criança está triste porque um amiguinho saiu da escola. Isso pode gerar estresse e mudança de comportamento. Nesses casos, converse com o responsável pela instituição para ajeitar as coisas.
Fonte: Uol

Como enfrentar a tirania infantil


Se o exemplo não está em família, certamente todo mundo conhece alguém que enfrenta problemas com criança excessivamente mimada, birrenta, que inferniza a vida dos que estão ao redor quando é contrariada. As reações são típicas: cara feia, braços cruzados, choro, gritos e que perduram até conseguir o que deseja.

As consequências imediatas são conhecidas: os pais viram reféns do filho, que se transforma em um pequeno tirano do lar, a relação do casal é prejudicada, assim como o convívio social. Já as consequências futuras podem ser ainda piores, como alerta a psicóloga Paula Pessoa Carvalho.

"No futuro, ela poderá ter dificuldade de relacionamento, pois não saberá aceitar o que é diferente, tornando-se um adulto intolerante que não sabe lidar com a frustração. Os pais devem entender que o filho irá crescer e enfrentar situações onde não estarão presentes. Por isso, devem criá-lo para conviver em sociedade, preparado para se relacionar com outras pessoas e lidar com situações nem sempre favoráveis", diz a psicóloga, especializada em comportamento infantil e orientadora educacional.

Mas que fique o aviso: não se trata de voltar ao modelo antigo, quando bastava um olhar mais severo para a criança encolher. Paula Carvalho enfatiza que o zelo sempre é essencial para uma criança, o problema são os excessos. "Na sociedade em que vivemos os pais querem compensar a ausência com permissividade e cuidados. Porém, sua ausência em razão de necessidade de trabalho não pode ser utilizada como "desculpa" para não impor limites e educar bem os filhos".

Criança sabe manipular situações

O mimo exagerado pode ser consequência da superproteção ou mesmo de certa negligência, já que há quem ache mais fácil atender aos desejos do que impor limites e gastar energia discutindo com a criança.
Mas não se engane: as crianças desde pequenas aprendem a manipular as situações perante os adultos, principalmente quando esses se deixam manipular por excesso de ausência ou para suprir outras necessidades. "Desde pequena, a criança deve ter limites de educação e respeito. Os pais não devem ceder aos pequenos, ensinando para eles o respeito ao próximo", afirma Paula Carvalho.

Segundo ela, é preciso ter em mente que a criança está aprendendo a como lidar com tudo em seu desenvolvimento psicossocial. "Ela irá testar os adultos, cabe a esses estarem prontos para mostrar ao filho o que é certo e errado, ensinando a se relacionar com o que é diferente, dar segurança para a criança, autonomia, discernimento. E para isso é preciso dar amor, limites, respeitar os pequenos e nada pode substituir essa necessidade, muito menos o excesso de proteção".

Os riscos da superproteção

Autor do livro "Seu bebê em perguntas e respostas - Do nascimento aos 12 meses", o pediatra Sylvio Renan é defensor do amor e do diálogo entre pais e filhos, mas faz algumas ressalvas: "Toda criança precisa de atenção e cuidados especiais. Porém, nossos pequenos necessitam, também, crescer e descobrir um mundo repleto de desafios e gostosuras. É preciso que os adultos permitam a seus filhos liberdade, ensinando responsabilidade. Privar e superproteger interfere no progresso, seja físico ou psicológico da criança. Proteção exagerada pode gerar instabilidades, receios, ansiedades e angústias, dificultando que estas crianças se tornem indivíduos adultos independentes", esclarece.

O pediatra aconselha que se dê aos filhos a oportunidade de crescer como pessoa, de poder enxergar o mundo com seus próprios olhos, de viver momentos mágicos, encontrar desafios e novas descobertas, superar seus medos e inquietações. "Isso faz parte do desenvolvimento de qualquer pessoa. Lembre-se: Quem ama, cuida. Quem ama, permite! Mas também disciplina e impõe limites!".

Como controlar a agressividade?

O comportamento agressivo é uma atitude muito comum na infância e se manifesta geralmente no ambiente escolar, porque as crianças ficam envolvidas com outras crianças, tem que lidar com frustrações, regras e limites. "Esse ambiente pode propiciar manifestações de sentimentos que as crianças ainda não sabem controlar, como raiva e irritação, fazendo com que ela se comporte de forma agressiva", informa Paula Carvalho.

A psicóloga orienta os pais para não manifestarem comportamentos agressivos diante das crianças, mesmo que seja somente na forma de falar. "A criança exposta a tal ambiente reproduzirá esse comportamento em casa ou em qualquer outro ambiente com outras crianças, com os animais domésticos e também com os adultos".

Para a criança deve ficar claro que comportamentos inadequados como xingamentos, brigas, beliscões, tapas e qualquer outro não são corretos e não serão aceitos e que dessa forma ela não resolve as situações e nem consegue o que quer.

O que se recomenda é os pais conversarem com a criança e colocare consequências a essas atitudes. É importante retirar a criança da situação, do ambiente em que ela está sendo agressiva e fazer com que ela reflita sobre o que ela fez para que ela entenda que aquele comportamento não será tolerado. Sempre deixe claro para a criança, por qual comportamento ela está sendo punida. E não volte atrás. Lembre que para a criança tudo é atenção, inclusive uma bronca ou um castigo".

Agressividade infantil – é possível controlar?

“Meu filho tem 3 anos e meio e a professora da escolinha me chamou para informar sobre alguns comportamentos agressivos que ele tem manifestado com os amiguinhos. Disse que ele chegou a morder um colega que disputava um brinquedo com ele. Mas em casa ele é calmo e muito carinhoso”. Este é o relato de M., que nos escreve superpreocupada sobre como lidar com a agressividade do filho e ensiná-lo a se controlar. Uma dúvida bastante comum entre muitas mães, não é mesmo?
 
Bom, segundo a psicóloga Paula Pessoa Carvalho, especialista em comportamento infantil, a agressividade é uma atitude muito comum entre as crianças podendo se manifestar de diversas formas como: xingamentos, brigas, mordidas, tapas, gritos, etc. E pode ser observada ainda no início da infância.
 
Mas, como ela mesma ressalta, normalmente os pais só percebem este tipo de comportamento no momento em que a escola se manifesta, chamando-os para informá-los ou mesmo aplicando algum tipo de advertência na criança. “É provável, porém, que esse comportamento tenha se manifestado antes e não somente em momentos em que estão longe dos pais e em contato com outras crianças”.
 
Segundo a psicóloga, o comportamento agressivo na infância se manifesta geralmente no ambiente escolar, porque as crianças ficam envolvidas com outras crianças, tem que lidar com frustrações, regras e limites. Esse ambiente pode propiciar manifestações de sentimentos que as crianças ainda não sabem controlar, como raiva e irritação, fazendo com que ela se comporte de forma agressiva.
 
“As crianças hoje são extremamente estimuladas em todos os ambientes. Em casa pelos pais, na escola pelos professores e ainda em atividades extras, como inglês, futebol, balé, música. Esse mar de informações pode causar uma confusão na cabeça dos pequenos que ainda não sabem lidar com os sentimentos novos que irão surgir em todos esses ambientes e como controlá-los”.
 
Assim, a primeira atitude dos pais é estarem atentos se eles próprios mantêm comportamentos agressivos diante das crianças, mesmo que seja somente na forma de falar. “A criança exposta a tal ambiente reproduzirá esse comportamento em casa ou em qualquer outro ambiente com outras crianças, com os animais domésticos e também com os adultos”, diz Paula. “É preciso sempre lembrar que os adultos são os modelos para as crianças e que elas estão aprendendo e reproduzindo seus comportamentos”.
 
Além disso, ela ressalta, para a criança deve ficar claro que comportamentos inadequados como xingamentos, brigas, beliscões, tapas e qualquer outro não são corretos e não serão aceitos e que dessa forma ela não resolve as situações e nem consegue o que quer.
“Para isso, os pais devem conversar com as crianças e colocar consequências à estas atitudes. Retirando a criança da situação, do ambiente em que ela está sendo agressiva e fazendo com que ela reflita sobre o que ela fez. Para que ela entenda que aquele comportamento não será tolerado. Sempre deixe claro para a criança por qual comportamento ela está sendo punida. E não volte atrás. Lembre que para a criança tudo é atenção, inclusive uma bronca ou um castigo”.
 

Violência na TV e no cinema e os nossos filhos?


O efeito da violência na TV e no cinema sobre o comportamento das crianças e dos jovens é um tema que preocupa psicólogos e educadores, porque, ao mesmo tempo em que cresce o acesso de crianças e de jovens a esses meios de comunicação e de  entretenimento, cresce também o índice de cenas de violência exibidas ou praticadas nos programas de TV e filmes.

De forma geral, não existe constrangimento, por parte dos adultos, em assistir diante de crianças e adolescentes filmes ou reportagens com cenas de agressões entre pessoas, tiroteio, cenas de guerra reais ou de ficção. Os pais não se dão conta de que os programas de TV e os filmes fornecem modelos e exemplos a serem seguidos, mas crianças da cidade de Belo Horizonte (MG) revelaram, em entrevistas, que consideram como modelos, com os quais elas mais se identificam, os artistas de televisão e de cinema; e os cantores e os atletas.

Pergunta-se, então, diante dessa situação: Qual o impacto da mídia de massa no comportamento de interação social da criança e do jovem?

Para responder a questões como essas, um número muito grande de pesquisas científicas tem sido realizado. Uma dessas pesquisas investigou os efeitos que os filmes com cenas de violência têm sobre o comportamento agressivo de crianças. Um filme com cenas de violência (Mortal Kombat) e um filme considerado não-violento (Babe, um Porquinho Atrapalhado) foram exibidos a crianças de 9 a 11 anos de idade e o comportamento delas foi observado, em uma partida de futebol de salão. Verificou-se que, após assistirem ao filme Mortal Kombat, os meninos apresentaram mais agressividade do que antes da exibição do filme e maior, também, em relação ao apresentado após o filme Babe, um Porquinho Atrapalhado. Esse mesmo efeito não foi observado no comportamento das meninas. No entanto, em um outro estudo, no qual um filme que apresentava cenas de violência contra mulheres foi exibido, verificou-se aumento de agressividade em meninas.

A conclusão que estes e outros estudos científicos permitem formular é que a agressividade, assim como os demais comportamentos humanos complexos são mantidos, porque eles produzem efeito no ambiente: as ações que dão certo tendem a ser repetidas e as que não produzem esse efeito são eliminadas. Em outros termos, atos de violência que eliminam algo aversivo, que afastam pessoas ameaçadoras ou produzam certas conseqüências positivas tendem a ser repetidos.

A sociedade tem um importante papel no desenvolvimento de valores éticos e políticos. Se personagens de filmes, de novelas e de desenhos têm sucesso com atos de violência e são considerados heróis, as crianças e os jovens tendem a imitá-los e os valores éticos desses personagens passam a fazer parte do conjunto de valores e de regras que determinam as suas ações.

Psicólogos sugerem que é muito importante que se reduza a exposição de crianças e de adolescente à mídia com violência. Os pais são orientados a supervisionar a escolha dos programas a serem assistidos. Entretanto, impedir totalmente o contato com a mídia com violência é impossível, o que também não os prepararia para compreender o mundo real. Assim, sugere-se que pais e educadores atuem no sentido de desenvolverem atitudes críticas com relação à violência, começando a não usar a violência dentro de suas próprias casas e a mostrar que existem formas alternativas de lidar com as adversidades.

Além disso, mostrar que a mídia com violência não é uma forma apropriada de entretenimento, nem mesmo para o adulto, também pode ser um bom exemplo.

Por: Verônica Bender Haydu - Professora da Universidade Estadual de Londrina e Doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo