Mostrando postagens com marcador Comunicação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comunicação. Mostrar todas as postagens

Quando o elogio vira um problema…


Hoje muito se fala sobre a importância e dos “bons efeitos” de elogiar as crianças ao ensiná-las novas habilidades. Existem também importantes efeitos em relação ao desenvolvimento de sentimentos de autoestima (Guilhardi, 2002), porém, gostaria aqui de me referir aos elogios durante o processo de instalação de comportamentos.

Piper, um dos curtas mais bonitos e cativantes da Disney


São 6 minutos. Seis minutos de uma vida. Seis minutos que vale a pena investir para desfrutar do curta mais meigo da Pixar-Disney. Porque sim, Piper é um dos curtas mais cativantes da fábrica de conteúdo audiovisual Pixar.
Estas imagens nos contam uma história que poderia ser a história de vida de qualquer um de nós, em qualquer momento da nossa existência. Superar os nossos medos e a nossa comodidade nos oferece, sempre, uma maravilhosa perspectiva da vida.

Precisamos falar, refletir e atuar mais sobre os nossos adolescentes e a geração atual

Ultimamente tenho observado uma certa semelhança no padrão de crianças e adolescentes que são levados por seus pais ou responsáveis para o processo psicoterapêutico. Digo que são levados considerando o fato de que nem sempre a queixa parte da própria criança ou adolescente. Crianças de pouca idade que não seguem regras ou instruções, que apresentam comportamentos indesejados em relação aos coleguinhas e amiguinhos da escola e que pouco se interessam por estímulos que não produzam reforço imediato tais como jogos eletrônicos e tablets. Adolescentes desinteressados, entediados, apresentando notas baixas, cada vez mais isolados ou com problemas emocionais que exigem que intervenções medicamentosas sejam utilizadas cada vez mais cedo…

10 situações que parecem birra mas não são

Aqui estão 10 coisas que as crianças fazem que parecem birra mas não são. Quando reconhecemos os comportamentos indesejáveis ​​das crianças como reações às condições ambientais, às fases de desenvolvimento ou às nossas próprias ações, somos capazes de responder proativamente e com muito mais compaixão.
Source: katarinag/Shutterstock


1. Não controlar impulsos


Você diz ao seu filho, “Não jogue isso!” E ele joga de qualquer maneira? Pesquisas sugerem que as regiões cerebrais envolvidas no autocontrole não amadurecem completamente até o final da adolescência, o que explica por que o autocontrole em desenvolvimento é um “processo longo e lento” (Tarullo, Obradovic e Gunna, 2009, 31).
Uma pesquisa recente revelou que muitos pais supõe que as crianças podem fazer coisas mais cedo do que os peritos em desenvolvimento da infantil afirmam ser verdadeiros. Por exemplo, 56% dos pais acreditam que as crianças com menos de 3 anos devem ser capazes de resistir ao desejo de fazer algo proibido, enquanto a maioria das crianças não domina essa habilidade até os três anos e meio ou quatro anos (Zero to Three, 2016).
Quando nos lembramos que as crianças nem sempre conseguem gerir impulsos (porque os seus cérebros não estão totalmente desenvolvidos) podemos ter reações mais suaves ao seu comportamento.

2. Superestimulação


Escolinha, natação, balé, judô e o que mais tivermos dinheiro e tempo pra colocar nossos filhos. Será que isso tudo é mesmo necessário? Horários apertados, superestimulação e exaustão são marcas da vida familiar moderna. Kim John Payne, autor de Simplicity Parenting, argumenta que as crianças experimentam uma “reação de estresse acumulado”devido ao excesso de enriquecimento, atividade, escolha e brinquedos. Ele afirma que as crianças precisam de toneladas de “tempo de inatividade” para equilibrar o seu “tempo” (Payne, 2010). Quando nós construímos para que haja tempo inativo, hora de brincar e tempo de descanso, o comportamento das crianças melhora frequentemente visivelmente.

3. Reações a determinados fatores


Você já ficou irritado porque está com fome ou completamente sem paciência devido à privação de sono? As crianças são afetadas dez vezes mais quando estão cansadas, com fomesede, pelo excesso de açúcar ou doentes. A capacidade das crianças de controlar emoções e comportamento é muito diminuída quando estão cansadas. Muitos pais também notam uma mudança acentuada no comportamento das crianças cerca de uma hora antes das refeições, se elas acordaram durante a noite ou se estão com sono. Elas muitas vezes não conseguem se comunicar ou resolver sozinhas o problema pegando uma bolacha, um remédio pra dor ou até mesmo tomando água, como fazem os adultos.

4. Expressão de fortes sentimentos


Como adultos, fomos ensinados a domar e ocultar nossas fortes emoções. Mas crianças não podem fazer isso ainda. A educadora da primeira infância Janet Lansbury tem uma ótima frase para quando as crianças exibem sentimentos fortes, como gritar ou chorar. Ela sugere que os pais “deixem os sentimentos” não reagindo ou punindo as crianças quando expressam essas emoções.

5. Necessidade de toneladas de movimento


“Pare de perseguir seu irmão em volta da mesa!” “Pare de lutar com espadas com esses pedaços de papelão!” “Pare de pular do sofá!” As crianças têm uma necessidade de toneladas de movimento. Elas têm uma tremenda necessidade de passar o tempo fora de casa, andar de bicicleta e patinete, correr e cair, rastejar sob as coisas, balançar de coisas, saltar coisas e correr em torno de coisas. Em vez de pedir que parem quando eles estão cheias de energia, pode ser melhor organizar uma ida rápida ao parquinho ou passar um tempo na rua.

6. Necessidade de tornar-se independente


O modelo de Erik Erikson (1963) afirma que as crianças tentam fazer as coisas por si mesmas, e que os pré-escolares tomam a iniciativa e executam seus próprios planos. Mesmo que seja irritante quando uma criança escolhe tomates que ainda estão verdes, corta seu próprio cabelo, ou faz uma cabaninha com 8 lençóis limpinhos, eles estão fazendo exatamente o que eles deveriam fazer: tentando realizar seus próprios planos, por conta própria, tomando suas próprias decisões e tornando-se independente.

7. O outro lado de suas forças


Todos nós temos forças essenciais que também podem nos desviar. Talvez estejamos incrivelmente concentrados, mas não podemos fazer a transição com muita facilidade. Talvez sejamos intuitivos e sensíveis, mas assumimos o humor negativo de outras pessoas como uma esponja. As crianças são semelhantes: elas podem ser conduzidas na escola, mas têm dificuldade em lidar quando se confundem (por exemplo, gritando quando cometem um erro). Elas podem ser cautelosos e seguros, mas resistentes a novas atividades (por exemplo, recusando-se a ir à prática de um novo esporte). Elas podem viver no momento, mas não são organizadas (por exemplo, deixando o chão do quarto ficar coberto com brinquedos). Reconhecer quando os comportamentos indesejáveis de uma criança são realmente o outro lado de suas forças – assim como o nosso – pode nos ajudar a reagir com mais compreensão.

8. Necessidade feroz brincar


Seu filho pinta o rosto com iogurte, quer que você corra atrás dele quando está tentando escovar osdentes, ou coloca os seus sapatos, em vez dos dele, quando estão atrasados para a escolinha? Alguns dos comportamentos aparentemente “maus” dos filhos são o que John Gottman chama de “táticas” para você brincar com eles. As crianças adoram ser pestinhas. Elas se deliciam com a conexão que vem do riso compartilhado e amam os elementos de novidade, surpresa e emoção. A brincadeira muitas vezes leva tempo extra e, portanto, atrapalha agendas e compromissos, o que pode parecer resistência e desobediência mesmo quando não é. Mas quando os pais entendem e atendem essa necessidade das crianças fica mais fácil evitar brincadeiras fora de hora.

9. Reação ao humor dos pais


Vários estudos sobre o contágio emocional descobriram que leva apenas milissegundos para que emoções como entusiasmo e alegria, bem como tristeza, medo e raiva, passem de pessoa para pessoa, e isso geralmente ocorre sem que ninguém perceba (Goleman, 1991), Hatfield et al., 2014). Com as crianças não é diferente, elas são diretamente influenciadas pelo humor dos seus pais. Se eles são estressados, distraídos, para baixo, frustrados, os pequenos absorvem estes humores. E o mesmo acontece quando  são alegres, de bem com a vida.

10. Resposta a limites inconsistentes

 

Hoje você dá um chocolate pro seu filho antes do jantar. No dia seguinte você diz: “não, vai arruinar seu jantar” e ele grita e lamenta. Uma noite você lê cinco livros, mas na próxima você insiste que só tem tempo para ler um, e eles imploram por mais. Quando os pais são incoerentes com os limites, isso naturalmente desencadeia a frustração das crianças e convida a choramingar e gritar. Assim como os adultos, as crianças querem (e precisam)saber o que esperar. Esforce-se para que em sua casa haja limites e rotinas, isso vai melhorar o comportamento das crianças.
Fonte: Psychology Today   |   Tradução e adaptação: Redação Papo de Pai

Formando crianças gratas


Além da gratidão ser uma das características mais importantes para o nosso bem estar, segundo a Psicologia Positiva, ainda temos um problema grande de insatisfação na geração de crianças de hoje.

É comum pais procurarem ajuda profissional para seus filhos porque estes estão sempre insatisfeitos, mal humorados e bravos, mesmo tendo lhes dado o mundo. Essa ingratidão gera, com razão, muita frustração aos pais, que se esforçam arduamente para que seus filhos sejam felizes.

Existem alguns exercícios que podemos fazer com os pequenos para que esses aumentem o grau de gratidão. Eles precisam, antes de mais nada, perceber o que há de bom em sua volta e que existem outras pessoas, além deles, responsáveis por isso.

Um exercício que gosto muito é a Parede da Gratidão.

Escolha uma parede da casa e 1x por semana, a família toda deve escrever em um post-it o que foi o evento mais legal da semana e a quem devemos agradecer por ele ter acontecido. Depois de escrito, todos devem colar na parede.

Com o tempo a parede vai se enchendo e as crianças, que são muito visuais, percebem quantas coisas boas tiveram. Leia de tempos em tempos os post-it para elas relembrarem tudo de bom que já aconteceu e quem foram os responsáveis por eles. 

Capacidade e Dificuldade das crianças




Uma das coisas mais importantes pros pais se atentarem na educação dos filhos é como ensinamos eles a entenderem as suas capacidades ou dificuldades. Com 4 anos uma criança já tem um pensamento que pode distinguir entre "sou burro, sou inteligente, ele consegue porque é mais esperto, eu nunca vou conseguir" ou "eu preciso treinar mais pra conseguir, ele consegue porque se esforçou mais que eu, eu consigo aprender e melhorar o que eu quiser, se eu me dedicar mais". 


O que muda nos 2 casos é uma estrutura de pensamento fixa (sou ou não sou) para uma estrutura de construção (posso aprender e melhorar). 

Conseguimos ajudar os pequenos a desenvolverem essa estrutura de construção com 2 dicas:

1- Valorize o processo ao invés da criança- ao invés de dizer q ela é inteligente, esperta, boa quando consegue alguma coisa, diga q ela conseguiu, q ela se esforçou para fazer tal coisa, q ela melhorou desde a última vez. Isso faz com que quando ela não consiga, não vá para o outro extremo e pense q quem não consegue é burro ou algo assim.

2- Use a palavra AINDA nas falhas- quando o seu filho falhar em alguma coisa ou disser q não consegue, diga a ele q ele não consegue AINDA! Isso abre a possibilidade de mudança, de que ele pode conseguir se quiser. 

Dificuldades vão aparecer por toda a vida e essas duas estruturas de pensamento fazem toda a diferença na maneira de lidar com elas, mesmo na idade adulta.



Minuto Terapia com Carol Kherlakian

Ver TV por mais de três horas diárias pode aumentar risco de comportamentos antissociais em crianças


De acordo com pesquisadores, esse risco, porém, é muito pequeno, e não se aplica a computadores ou jogos eletrônicos
 
Crianças que ficam três ou mais horas diárias na frente da televisão apresentam um risco maior de desenvolver comportamentos antissociais, como brigar. Mas, de acordo com os autores de um estudo publicado online nesta segunda-feira no periódico Archives of Disease in Childhood, esse risco é muito pequeno. Eles também afirmam que o tempo passado em atividades como jogos eletrônicos e de computador não influencia o comportamento das crianças.
 
Para estudar o impacto do excesso de tempo vendo TV, os pesquisadores utilizaram informações de 11.014 crianças do Reino Unido nascidas entre 2000 e 2002. As mães dessas crianças responderam questionários sobre o comportamento dos filhos, abordando temas como sintomas emocionais, problemas de atenção, dificuldades em fazer amigos e preocupação com outros. Elas também relataram quanto tempo os filhos passavam assistindo televisão, no computador ou em jogos eletrônicos. Essas informações foram dadas quando as crianças tinham cinco anos, e novamente aos sete anos.
 
Aos cinco anos, quase dois terços das crianças assistiam televisão por uma a três horas diárias, enquanto 15% assistiam por mais de três horas e menos de 2% não assistiam. Nessa idade, elas passavam menos tempo jogando: apenas 3% passavam três horas ou mais nessa atividade.
 
Risco aumentado – Os autores concluíram que assistir a televisão por três horas ou mais está associado a um pequeno aumento do risco de comportamentos antissociais em crianças de cinco a sete anos. Porém eles não encontraram relação entre o tempo passado em frente à televisão e problemas emocionais ou de atenção.
 
O tempo gasto com jogos também não apresentou impacto. "Isso pode significar que as crianças nessa idade estão menos expostas a jogos eletrônicos ou que os pais impõem mais restrições a este tipo de atividade", escrevem os autores.
 
De acordo com eles, a relação entre o tempo passado em frente a telas e problemas de saúde mental pode ser indireta, ou seja, pode ser derivada do aumento do sedentarismo, dificuldades para dormir e prejuízos no desenvolvimento da linguagem.

Fonte: Veja

Como os pais podem favorecer o desempenho de crianças



Dentre as várias definições trazidas pela literatura, Fonseca (1995) define o termo dificuldades de aprendizagem como um conceito geral que se refere a um grupo heterogêneo de desordens na aquisição e utilização da compreensão auditiva, da fala, da leitura, da escrita e/ou do raciocínio matemático.
Machado (1993) afirma que crianças com dificuldades de aprendizagem podem apresentar comportamentos de passividade, isolamento, apatia ou agressão, além de comportamentos encobertos como medo, frustração, raiva e outros. Além disso, Condemarim e Blomquist (1989 apud Peres, 1999) destacam que estas crianças apresentam: desinteresse pela leitura (levando a um menor contato com o material, o que contribui ainda mais para sua dificuldade); comportamentos passivos e falta de iniciativa; sentimentos de culpa frente suas dificuldades; e esquiva de situações que exigem participação ativa (evitando futuros fracassos).
 
Qualquer problema ou dificuldade de um indivíduo, na perspectiva da Análise do Comportamento, deve ser analisado em termos de comportamento, levando em conta a história – ontogenética, filogenética e cultural –, bem como as condições conseqüentes à emissão do comportamento em questão. Nesse contexto, os pais podem funcionar como agentes de mudanças ambientais e comportamentais (Sampaio, Souza e Costa, 2004), alterando as condições antecedentes, modelando as respostas envolvidas no processo de execução de atividades acadêmicas e conseqüenciando-as adequadamente.

Considerando que a família é o primeiro contato social da criança e é com ela que a criança passa a maior parte do seu tempo, é de extrema importância que os pais participem da vida acadêmica do filho (Souza, Goyos, Campaner e Silva, 2004). Esse envolvimento parental diz respeito às interações dos pais na realização dos trabalhos escolares do filho e ao encorajamento verbal e reforço direto de comportamentos, o que supõe suporte e monitoramento das atividades diárias, contribuindo para produzir melhoras no desempenho acadêmico da criança (Ferhaman, Keith e Reimers, 1987). O envolvimento ainda abrange idas à escola e participação em reuniões diversas e discussões sobre questões relacionadas ao ambiente familiar (SOARES, SOUZA e MARINHO, 2004).
Existem fatores, porém, que podem dificultar a participação ativa dos pais na vida escolar de seus filhos, como as mudanças constantes nas práticas de ensino, o desconhecimento dos assuntos que estão sendo trabalhados na escola, a falta de tempo, o nível de dificuldade apresentada pelo filho, os tipos de avaliações feita pela escola, os comportamentos gerais dos professores em relação aos pais e crianças, o desconhecimento de procedimentos de enfrentamento frente a problemas relacionados à vida escolar dos filhos, entre outros (SOARES, SOUZA e MARINHO, 2004).

Para que os pais possam contribuir o desenvolvimento de comportamentos facilitadores da aprendizagem dos filhos, alguns pontos devem ser levados em consideração. Esses pontos foram formulados tendo como base estudos, pesquisas e experiências descritas por vários
autores (Hübner, 2002; Marturano, 1999; Scarpelli, Costa e Souza, 2006; Soares, Souza e Marinho, 2004; Matos, 1993; entre outros) e serão descritos a seguir.
a) Estabelecimento de uma rotina organizada
Rotina se refere aos horários definidos para a realização das diversas atividades que a criança deve cumprir diariamente. A organização dessa rotina supõe a distribuição dos horários para os estudos (horário pra ir à escola, pra estudar e pra fazer tarefa) e para outras atividades (como brincar, fazer refeições e dormir).

Hübner (2002) ressalta que uma rotina sobrecarregada de atividades extra-classe interfere negativamente no desempenho escolar da criança. Quando os pais dão prioridades para outras atividades na vida dos filhos em detrimento das atividades acadêmicas, o problema se torna ainda maior.

Ferreira e Marturano (2002) fizeram um estudo buscando compreender a relação das características do ambiente familiar com o baixo rendimento escolar de crianças. De acordo com os resultados da pesquisa, as condições ambientais interferem diretamente no desempenho escolar das crianças. Segundo as autoras, a organização da rotina doméstica – que inclui atividades com horário definido e organização temporal e espacial para execução de tarefa de casa –, é um fator importante que favorece o bom desempenho escolar.
 
b) Supervisão e acompanhamento de tarefas
De acordo com a definição de Keith e Cooper (1986 apud Scarpelli, Costa e Souza, 2006) tarefa escolar é um trabalho que os professores atribuem aos alunos para ser concluído fora do período normal de aula, com o objetivo de estender a prática de habilidades acadêmicas a outros ambientes. A realização da tarefa escolar pode trazer muitas vantagens para os alunos, entre elas: o desenvolvimento de habilidades específicas (como a solução de problemas); motivação para a aprendizagem; aperfeiçoamento de hábitos de estudo e de atitudes em relação à escola; e responsabilidade (Eiliam, 2001 apud SCARPELLI, COSTA e SOUZA, 2006).
Considerando que a tarefa é realizada em casa, cabe aos pais supervisionar sua execução e verificar se a criança está cumprindo os horários estabelecidos na rotina. Pesquisas, como a de Marturano (1999), afirmam que a supervisão dos pais às tarefas dos filhos contribui diretamente com o progresso no desempenho escolar. Esta supervisão não significa fazer a tarefa pela criança ou dar a resposta correta. Quando isso ocorre, os pais reforçam positivamente o comportamento inadequado da criança (de sempre pedir e esperar pela resposta) e o comportamento dos pais é reforçado negativamente (por livrarem-se mais rapidamente da obrigação de ajudar os filhos na realização da tarefa). Tudo isso pode acarretar um aumento na freqüência dos comportamentos inadequados dos pais e dos filhos com relação ao estudo (Zagury, 2002; Soares, Souza & Marinho, 2004), o que, a longo prazo, pode trazer prejuízos ainda maiores.

c) Promoção de ambiente com recursos e instrumentos para o estudo
Um ambiente adequado para o estudo inclui um espaço físico arejado, iluminado, organizado e com pouco ruído. O ambiente apropriado somado com a disponibilidade de recursos materiais – como livros, dicionários e outros instrumentos acadêmicos – e o  
envolvimento dos pais pode favorecer o desenvolvimento acadêmico de uma criança (MARTURANO, 1999; HÜBNER, 2000; FEHRMANN, KEITH & REIMERS, 1987; entre outros).

d) Estabelecimento de interações positivas
O
s pais devem estabelecer condições que propiciem comportamentos relevantes para a educação de seus filhos. Para isso, os pais podem – e devem – incentivar, elogiar, encorajar e fornecer suporte aos filhos durante a execução da tarefa de casa, colaborando para o aumento do interesse e satisfação das crianças pelos estudos. Os elogios imediatos e contextuais relacionados às respostas da criança aumentam a probabilidade do comportamento de estudar.

Scarpelli, Costa e Souza (2006) ressaltam que a realização da tarefa é ainda uma boa oportunidade para demonstrar afeto e amor pelos filhos.

e) Exigência compatível com o desempenho da criança
É natural que os pais tenham expectativas quanto ao bom desempenho escolar do filho (Soares, Souza e Marinho, 2004). O problema é quando essa expectativa dos pais torna-se alta demais, gerando um grau elevado de frustração e um maior índice de desistência e de perda de interesse por parte da criança. É importante incentivar o filho, mas sem deixar que o anseio pelo bom desempenho traga prejuízos para a criança.

Infelizmente, muitos pais, ao invés de atentar para tais aspectos, estão mais atentos ao que
não deve ser feito e às punições pertinentes. Isso vai de encontro com o que afirma Sidman (1995): as ocasiões em que os pais mais interagem com seus filhos são os momentos de corrigir ou criticar. Muitas vezes, devido às reclamações da escola, os pais acabam acentuando o uso da punição em casa. Esse aumento no uso de conseqüências desagradáveis (broncas, sermões, castigos, humilhações, etc.) relacionadas à tarefa escolar tende a diminuir a freqüência desses comportamentos, reduzindo a probabilidade de ocorrência de comportamentos adequados em relação ao estudo.

Skinner (1953/1993) identifica lamentáveis subprodutos do uso da punição, tais como medo, ansiedade, culpa e falta de repertório socialmente adequado. Hübner e Marinotti (2000) ainda descrevem mais alguns alarmantes efeitos da utilização do sistema aversivo relacionados aos processos de aprendizagem: supressão de respostas (chamada popularmente de "branco" em provas e testes), respostas de fuga (desligar-se ou desistir), respostas de esquiva (procrastinação e lentidão) e baixo nível de autoconhecimento.

Além do uso da coerção pelos pais, crianças com dificuldades de aprendizagem cometem mais erros, e situações que geram erros são, também, punitivas (Matos, 1993). Dessa forma, o comportamento de estudar das crianças com dificuldades de aprendizagem pode ser freqüentemente punido não só pelos pais como pelo seu próprio desempenho, gerando uma diminuição na freqüência de respostas de estudar e um aumento na esquiva de situações de estudo por parte da criança. Como afirma Matos (1993), erros são aversivos e produzem paradas temporárias ou permanentes no comportamento.

Para que os filhos apresentem os comportamentos esperados pelos pais, o uso de coerção deve ser substituído pelo uso de reforçamento positivo (Silva e Marturano, 2002)
. Hübner (2002), através da sua experiência em atendimentos com pais de crianças que apresentam baixos desempenhos escolares, afirma que os pais que conseguiram mudar do

sistema aversivo para o sistema de reforçamento ou incentivo foram aqueles que obtiveram melhores resultados na evolução da vida escolar e satisfação de seus filhos.

O envolvimento dos pais com a vida acadêmica dos filhos, o estabelecimento de rotina, a reorganização do ambiente, o fornecimento de recursos e o uso de reforçamento positivo não são os únicos fatores que devem ser levados em consideração, quando se fala sobre uma criança com dificuldades de aprendizagem. As orientações do texto, se somadas com o acompanhamento de outras áreas, como a pedagógica, pessoal e social, certamente garantem uma considerável melhora no desempenho escolar dos filhos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FEHRMANN, P. G.; KEITH, T. Z.; REIMERS, T. M. Home influence on school learning: direct and indirect effects of parental involvement on high school grades. Journal of Educational Research, 80 (6), 330-337, 1987.

FERREIRA, M. C. T.; MARTURANO, E. M. Ambiente familiar e os problemas de comportamento apresentados por crianças com baixo desempenho escolar. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 15, n. 1. Porto Alegre, 2002.

FONSECA, V.
Introdução às dificuldades de aprendizagem. 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

HÜBNER, M. M. A importância da participação dos pais no desempenho escolar dos filhos: ajudando sem atrapalhar. BRANDÃO, Maria Zilah da Silva; CONTE, Fátima Cristina de Souza; e MEZZAROBA, Solange Maria Beggiato (orgs.). Comportamento humano: tudo (ou quase tudo) que você gostaria de saber para viver melhor. Santo André: ESETec Editores Associados, 2002.

HÜBNER, M. M. C.; MARINOTTI, M. Criança com problemas escolares. In: Estudos de caso em Psicologia comportamental infantil II. Campinas, SP: Papirus, 2000.

MACHADO, V. L. S. Dificuldades de aprendizagem e a relação interpessoal na prática pedagógica. Paidéia, Ribeirão Preto, v. 3, p. 16-37, 1993.

MARTURANO, E. M. Recursos no ambiente familiar e dificuldades de aprendizagem na escola. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 15, p. 135-142, 1999.

MATOS, M. A. Análises de contingências no aprender e no ensinar. In: ALENCAR, E. S. (Org). Novas contribuições da psicologia aos processos de ensino e aprendizagem
. 2.ed, p. 141-165. São Paulo: Cortez, 1993.

PERES, E. A. Problemas de interação social e dificuldade de leitura: o paradigma da equivalência aplicado a um caso clínico. Monografia (Especialização em Psicoterapia na Análise do comportamento). Universidade Estadual de Londrina. Londrina, 1999.

SAMPAIO, A. C. P.; SOUZA, S. R.; COSTA, C. E. Treinamento de mães no auxílio à execução da tarefa de casa. In: BRANDÃO, M. Z. S. et. al. (orgs). Sobre comportamento e cognição - entendendo a psicologia comportamental e cognitiva aos contextos da saúde, das organizações, das relações pais e filhos e das escolas.
Vol. 14. Santo André: ESETec Editores Associados, 2004.


SCARPELLI, P. B.; COSTA, C. E.; SOUZA, S. R. Treino de mães na interação com os filhos durante a realização da tarefa escolar. Estudos de Psicologia. Vol. 23, n. 1, p. 55-65. Campinas, SP: 2006 
SIDMAN, M. Coerção e suas implicações. Campinas: Editorial Psy II, 1995.

SILVA, A. T. B.; MARTURANO, E. M. Práticas educativas e problemas de comportamento: uma análise à luz das habilidades sociais. Estudos de Psicologia. Vol.7, n.2. Natal, 2002.

SKINNER, B. F. Ciência e comportamento humano. 8. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1993 (Texto original publicado em 1953).

SOARES, M. R. Z., SOUZA, S. R. de; e MARINHO, M. L. Envolvimento dos pais: incentivo à habilidade de estudo em crianças  . Estudos de Psicologia. Vol.21, n.3, p. 253-260. Campinas,  SP: 2004.

SOUZA, S. R.; GOYOS, A. C. N.; CAMPANER, E. C.; SILVA, F. A. M. Procedimento de construção de anagramas: treinamento em grupo de mães de crianças com dificuldades de aprendizagem. In: BRANDÃO, M. Z. S. et. al. (orgs). Sobre comportamento e cognição - entendendo a psicologia comportamental e cognitiva aos contextos da saúde, das organizações, das relações pais e filhos e das escolas. Vol. 14. Santo André: ESETec Editores Associados, 2004.

ZAGURY, T. Escola sem conflito: parceria com os pais. Rio de Janeiro: Record, 2000

Por Carina Paula Costelini

”Meu marido não me ajuda o suficiente”

Esta matéria foi elaborada pela jornalista Cristiane Marangon, do Site do Bebê (Editora Abril) em setembro de 2012, tendo como uma das entrevistadas a psicóloga e colunista do Blog do InPA Juliana de Brito Lima.
 
Se você se identificou com o título desta matéria, chame-o para lê-la com você. E saibam, de cara, que pais que dividem as tarefas de cuidados e acompanham de perto a educação dos filhos criam laços afetivos mais fortes na família
 
A rotina começa bem cedo. Na verdade, ela se emenda com as tarefas do dia anterior. Nem são cinco horas da manhã e o bebê já mamou. Agora, ele dorme uma soneca que deve durar até por volta de 8h30. A vontade de voltar para a cama é enorme, mas não posso. O dever me chama! Aproveito esse tempo para fazer todas as coisas que não dizem respeito diretamente ao pequeno. Pagar contas na internet, relacionar as compras de mercado, tomar café da manhã (é tão básico, mas, às vezes, não dá tempo) e trabalhar (muito!)… Na agenda, não sobra um espacinho livre.
 
Na hora de conceber o bebê, todo mundo sabe, é preciso um homem e uma mulher. Trata-se de uma questão biológica. No entanto, depois que ele nasce, entra em cena só a mãe (ou quem ocupa esse lugar). “Na linha evolutiva, ela tem preparo filogenético para a maternidade, o que envolve o zelo, o cuidado, o amor, a alimentação e a higienização”, explica a psicóloga Juliana de Brito Lima, de Teresina (PI), e também colunista do blog do Instituto de Psicologia Aplicada (InPA), de Brasília (DF).
 
O fato é que a mulher contemporânea faz muito mais do que só cuidar do bebê. Eu, por exemplo, ainda tenho de me dividir entre os carinhos e os cuidados destinados à filha mais velha, que tem 6 anos, além de ser esposa e dona de casa. Com quem dividir essa sobrecarga? “O papel do pai é tão importante quanto o da mãe para promover acolhimento, crescimento e desenvolvimento adequados para a criança. Isso fortalece os vínculos familiares”, afirma a pediatra neonatologista Vera Fidelman Ramalho Valverde, do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo. “Com exceção da amamentação, que é realmente exclusiva da mãe, o pai pode contribuir muito ao dar apoio à mulher, além de ajudar em outros afazeres.”
 
Embora ainda em um ritmo não satisfatório, Vera destaca um avanço. “Tenho percebido cada vez mais o pai presente nas consultas ao pediatra, demonstrando o seu interesse em participar ativamente no acompanhamento do seu filho, algo que, há alguns anos, era muito raro”, constata. Ainda que o homem não possa estar presente na consulta, o que se espera é que ele se interesse pelo desenvolvimento do pequeno. Lembrar-se de administrar a vitamina ou o medicamento receitado e das datas de vacinação ajuda bastante.
 
Em casa
 
Desde sempre, meu marido se envolve com a rotina caseira. Logo que acorda, ele lava toda a louça do jantar do dia anterior, mas logo tem de sair para o trabalho. Quando volta para casa, ele se encarrega do jantar, do banho dos filhos e de outras coisinhas que vou pedindo para ele, como segurar o bebê, trocar a fralda, pegar um brinquedo para a nossa filha. “Dar afeto, garantir segurança, alimentar, higienizar, brincar e educar são os cuidados que podem ser assumidos pelo homem”, orienta Vera. “Com o crescimento da criança, o pai poderá continuar contribuindo em várias situações.”
 
Muitas mulheres, no entanto, não contam com a mesma sorte. Há companheiros que não se implicam no processo. “O modo como o parceiro foi criado sinaliza qual a visão que ele tem de mãe”, explica Juliana. “Se há a concepção de que a mulher deve concentrar todos os cuidados da criança, provavelmente, ele só fará tarefas se solicitado.” Então, um aviso para quem é dessa turma: “Quanto mais o pai se faz presente no cotidiano do filho, melhor se desenvolvem os laços afetivos e o apego da criança com ele”, constata a psicóloga. Por outro lado, vale também a observação de que nem sempre o homem consegue espaço, pois, muitas vezes, mãe e avó materna se alternam entre os cuidados com as crianças, deixando-o sem função específica.
 
Quando o homem fica por perto, acompanhando as tarefas, pode aprender por observação. Se a mulher passa as instruções de como trocar a fralda, por exemplo, passo a passo, a aprendizagem se torna ainda mais efetiva. Caso ele tenha dificuldades na execução, é importante que sua parceira não aja com intolerância, agressividade ou ironia. “É necessário ter paciência, incentivar a fazer novamente, corrigindo a falha e reconhecer quando ele se engajar em algo, agindo de modo carinhoso, como agradecer com um beijo. Indiretas do tipo ‘ninguém me ajuda mesmo’, expressões faciais que indiquem raiva ou chateação, ou qualquer outro sinal não verbal que revele a sobrecarga costumam desgastar a relação”, analisa Juliana.
 
Não vou negar que já perdi a paciência algumas vezes. No auge do cansaço, quando o sono não está em dia, a casa está uma bagunça e ainda tem uma pilha de roupinhas do bebê para passar, já parti para a ofensiva. Para mim é tão óbvio o que deve ser feito… Mas não posso desconsiderar que a rotina é muito familiar a mim. Eu gostaria sim de mais proatividade, mas, assim como no mundo profissional um bom gestor diz claramente o que espera de sua equipe para que todos alcancem o sucesso, meu papel é ser clara nessa comunicação para, só assim, cobrar resultados.
 
Na escola
 
Não bastasse a rotina em casa, à mulher também cabe a tarefa de acompanhar o percurso educacional dos filhos. “É possível perceber não só na fala, mas na expressão reveladora das mães que, muitas delas, devido o acúmulo de tarefas, estão cansadas e solitárias nesse processo”, pontua Bete Godoy, do Instituto Para Além do Cuidar e coordenadora pedagógica da rede municipal de ensino de São Paulo. “Quando a instituição escolar acolhe, respeita e estabelece uma parceria compartilhada, ela se sente mais segura nessa caminhada.”
 
No entanto, é mais democrático dividir entre os adultos os direitos e os deveres também no que diz respeito à educação escolar dos filhos e os demais afazeres que uma criança necessita para o seu desenvolvimento. Em casa, eu e meu marido acompanhamos, participamos e decidimos em conjunto sobre o rumo da educação escolar de nossa filha. Além de marcarmos presença em todos os eventos da escola (festas, feira do livro, reuniões e palestras), nos alternamos nas tarefas de levar, de buscar, de preparar o lanche, de ajudar nas lições de casa, de arrumar a mochila, de deixar o uniforme em ordem etc. “Quando isso acontece desde cedo, os laços afetivos, morais e sociais são mais intensos e saudáveis”, ressalta a pedagoga.
 
Os pais que participam das reuniões, colegiados, eventos realizados na escola e também do acompanhamento mais próximo, seja nas tarefas que a criança realiza, seja conversando com os professores sobre o que elas sabem ou têm dificuldade contribuem muito para uma parceria entre escola e família e para o desenvolvimento infantil.
 
Quando o pequeno sabe que pode contar com o cuidado e a atenção dos pais, cada um à sua maneira, ele se sente amado, seguro na constituição de sua identidade e no desenvolvimento da autonomia moral e intelectual. A alegria que as crianças demonstram quando a família prestigia suas produções, quer saber como foi que realizaram ou mesmo quando são capazes de reconhecer sua marca é um enorme convite para novas experiências e aprendizagens.
 
Fontes
Bete Godoy, do Instituto Para Além do Cuidar e coordenadora pedagógica da rede municipal de ensino de São Paulo, blog http://paraalmdocuidar-educaoinfantil.blogspot.com.br/
Vera Fidelman Ramalho Valverde, pediatra neonatologista, do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo
 
Juliana de Brito Lima é Psicóloga (CRP 11ª/05027), formada pela Universidade Estadual do Piauí e especializanda em Análise Comportamental Clínica pelo Instituto Brasiliense de Análise do Comportamento – IBAC. É membro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental – ABPMC e Psicóloga do Centro Integrado de Educação Especial – CIES e da Clínica Lecy Portela, em Teresina-PI. Tem experiências acadêmicas (linha de pesquisa “Desenvolvimento da criança e do adolescente em situações adversas” do Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná/ NAC-UFPR) e profissionais na área clínica (atendimento a criança, adolescente e adulto), jurídica e educação especial, na orientação de pais.
Fonte: Instituto de Psicologia Aplicada - InPA
Telefone - (61) 3242-1153 begin_of_the_skype_highlighting GRÁTIS (61) 3242-1153 end_of_the_skype_highlighting

Como responder “A fase dos porquês?”


Um filho é sempre uma grande alegria: suas roupinhas, sua carinha, seu jeitinho de descobrir o mundo... e de repente... opa! Ele começa a falar e perguntar, Por quê? Será que para os pais esta etapa é tão esperada assim? Será que eles sabem o que fazer? Como responder a todos os questionamentos dos pequenos? Como falar de assuntos delicados como sexo, educação e limites? O que fazer na fase dos porquês?
 
Realmente é uma fase complicada para os pais que, por um lado, querem ter uma relação de confiança com os filhos e ao mesmo tempo não sabem qual é o limite para responder aos questionamentos das crianças.
 
Mamãe e Papai: fiquem calmos! É possível responder aos questionamentos dos filhos com tranquilidade e sinceridade, o que é mais importante. Por volta dos 2 a 3 anos, as crianças, começam a falar e perceber o que está ao seu redor e que não existe somente a mãe e o pai. Nessa fase também se iniciam algumas atividades em grupo, vão à escola, passam a perceber as diferenças do corpo de menino e de menina.
 
Estão em uma fase do desenvolvimento de autonomia do corpo. Começam a comer sozinhos, a tirar a fralda. Também começam a ficar curiosas sobre o que não entendem e fazem perguntas que são das mais variadas. No início os questionamentos são: O que é isso? Podendo ser um objeto ou algum lugar do corpo. Neste momento os pais devem ser muito claros com as crianças, respondendo o que foi perguntado, falando, por exemplo, que isso é uma boneca, isso é uma bola, isso é sua mão e esse é o seu pé.
 
Quando essa fase é solucionada para as crianças, com muita tranquilidade e verdade os pequenos passam para a próxima fase que é a de “como?”. Primeiro eles perguntam: como eu nasci? Como fui parar dentro da sua barriga? Como é essa brincadeira? Como é a escola?
 
Já na fase dos porquês: Por que eu vou ao médico, por que tenho que tomar o remédio? Por que eu nasci? Nesse momento os pais começam a ficar encabulados com algumas perguntas, com duvidas se devem responde-las ou não e qual é o limite.
 
Primeiro temos que lembrar que nesta fase a criança precisa ter uma fonte de informação segura. Se ela está perguntando é porque não sabe e precisa tirar suas dúvidas com pessoas que confia para que comece a compreender as coisas e fique menos ansiosa em relação a tudo.
 
Os pais por sua vez devem sempre ouvir exatamente a pergunta e responder SOMENTE o que foi perguntado, sem pular fases ou responder outra coisa que a criança ainda não perguntou. Sempre usando a verdade, sendo diretos e usando termos corretos.
 
Os pais podem ficar tranquilos com as perguntas, pois, se as crianças obtiverem respostas verdadeiras e diretas não perguntarão novamente já que sua dúvida foi sanada e uma ultima dica importante, a criança só pergunta sobre aquilo que está preparados para ouvir a resposta. Então não tenha medo de responder as duvidas do seu filho, isso faz parte de seu desenvolvimento.
 
Fonte Nota10

“Você faz isso e eu aquilo”: a divisão de tarefas entre o casal com filhos

As mulheres, quando se tornam mães, acham que seus problemas girarão em torno apenas das dificuldades próprias da maternidade. Mero engano: algumas vezes, certos comportamentos dos maridos nesse momento podem trazer consequências nefastas à convivência marital. Um exemplo é ausência ou falha da divisão de tarefas entre o casal, que além de sobrecarregar a rotina de um deles, pode repercutir negativamente no clima conjugal.
 
Diante da falta de atitude dos seus maridos nos cuidados com os filhos, há várias questões que inquietam as mulheres. Uma delas é sobre os fatores socioculturais que perpassam questões de gênero e que repercutem nos repertórios comportamentais de pais e mães. Sobre isso, pode-se dizer que, de fato, alguns comportamentos típicos da maternidade possuem origens filogenéticas. Isso quer dizer que zelar, cuidar, amar, amamentar e higienizar, atividades tipicamente executadas por mulheres são também classe de comportamentos verificada em fêmeas de outras espécies.

A despeito disso, historicamente, observa-se que o papel da mulher estava relacionado às tarefas domésticas e a procriação. Era dela a organização do lar, os cuidados de esposa (a saber: zelo pela família, busca da procriação e comportamento submisso ao cônjuge) e a educação dos filhos, enquanto que o papel do homem era, essencialmente, prover o sustento da família. Com a industrialização, começou a inserção da mulher no mercado de trabalho, de modo que gradativamente ela vem conquistando cada vez mais espaço na sociedade. Sendo assim, os cuidados maternos também são aprendidos, visto que ao longo do tempo a mulher se submetia às tarefas do lar e à maternidade por observarem modelos familiares que exibiam tais padrões, também se esquivando de maior atividade na sociedade para evitarem críticas sociais e conflitos conjugais.




Por sua vez, culturalmente, o pai apresenta comportamentos voltados para a segurança e o provimento do sustento da família. Além disso, comumente a ele é atribuído o exercício da autoridade, como sendo aquele que delimita a ordem da casa e os limites comportamentais da prole. No entanto, se esse papel for exercido com rigidez excessiva, é possível que os pais pouco participem da rotina dos filhos, não se arriscando a se comportar mediante papeis historicamente exercidos pelas mulheres, como conferir os cuidados básicos da criança.

Além disso, algo que comumente acontece é uma associação entre o pai e a autoridade que, se excessiva, pode distanciá-lo dos filhos por sobrepor o estabelecimento de limites ao afeto. Assim, ao mesmo tempo em que há esse distanciamento, ocorre a aproximação do filho e um desenvolvimento maior do apego àquela pessoa que confere mais afeto, por ter uma convivência mais satisfatória e próxima.

Nesse contexto, é muito importante o comportamento do cônjuge que se encontra sobrecarregado. Caso a mãe detenha a maior parte dos cuidados referentes à rotina infantil e não insista na divisão de tarefas com o companheiro, cria-se um ambiente propício ao surgimento de um pai ausente e distante do filho. Portanto, orienta-se que os casais dividam as tarefas relacionadas aos cuidados infantis, uma vez que o excesso de atividades favorece comportamentos relacionados ao estresse (como irritação, desgaste físico e cognitivo, entre outros), que podem interferir negativamente tanto no manejo dos filhos, quanto no clima conjugal.

Um exercício interessante para ser feito antes do casamento é a análise do histórico familiar do cônjuge: o modo como foi criado pelos pais, como se comportava naquele meio e como se relaciona com crianças. É importante que o (a) parceiro (a) observe o modo como o cônjuge foi criado, pois isso já sinaliza papeis relacionados ao gênero, além de práticas e estilos parentais que possam ser modelos. Se na família do marido há a concepção de que a mulher deve concentrar todos os cuidados da criança (trocar fralda, amamentar, pôr para dormir, etc.), então a esposa já tem uma ideia de que, muito provavelmente, seu parceiro só fará tarefas se solicitado. É importante que a divisão de tarefas entre o casal seja combinada previamente (durante a gestação, por exemplo), ou solicitada nos momentos oportunos.

É importante que seja construída uma rotina de cuidados. Caso a mãe aja de forma assertiva, indicando a necessidade de que o marido execute algumas tarefas e, principalmente, reconhecendo quando este se engajar em alguma tarefa, é possível que haja mudança de comportamento. Alguns exemplos desse reconhecimento social seria um simples “obrigado (a)”, carinhos físicos ou verbais, além de verbalizações que descrevam o comportamento do cônjuge e as consequências positivas vindas desse fato. Por exemplo, “como você secou as louças, agora sobrou mais tempo para namorar!” ou “que bom que brincou com nosso filho, veja o sorriso dele agora”. Indiretas do tipo “ninguém me ajuda mesmo”, assim como expressões faciais que indiquem raiva ou chateação (ou qualquer outro sinal não verbal que indique sobrecarga) costuma desgastar a relação e não contribuem muito para a solução do problema, portanto, são contraindicadas.

Dependendo da rotina do casal e da qualidade do clima conjugal, algumas medidas simples podem ajudar na divisão de tarefas. Se é a mãe quem faz as tarefas domésticas, então o pai pode supervisionar a criança enquanto ela organiza a casa, o que inclui fazer as demais tarefas inerentes ao cuidado com a criança nesse intervalo de tempo (por exemplo, trocar a fralda, brincar, dar banho). Ambos também podem se revezar nos momentos de colocar a criança para dormir ou interromper o sono na madrugada para dar a mamadeira. Podem também eleger um parceiro responsável pelo acompanhamento das tarefas escolares (ou fazerem juntos), de acordo com o conhecimento ou o grau de afinidade com as disciplinas.

Embora haja todo um contexto histórico, social e cultural em torno dos comportamentos relacionados à paternidade, é possível que haja a aprendizagem de novos papeis e atividades. A partir do momento em que o pai fica por perto, acompanhando as tarefas da mãe, pode aprender por observação (sobretudo se estiver motivado). Se a mãe o mantiver por perto e passar as instruções (por exemplo, na troca de fralda descrever o passo a passo), inclusive criando oportunidades para que o parceiro pratique as novas tarefas, a aprendizagem se torna ainda mais efetiva. Caso o pai tenha dificuldades na execução das mesmas, é importante que a mãe não aja de forma intolerante, agressiva ou irônica. Ao contrário, deve ter paciência e incentivá-lo a fazer novamente, corrigindo a falha. E o mais importante, diante de uma tarefa concluída de forma plena, deve-se reconhecer o esforço, conforme anteriormente mencionado.



É importante lembrar que, quando o filho é bebê, os cuidados são mais próximos à criança. Quanto mais o pai ou a mãe se fizerem presentes no cotidiano do filho, melhores serão os laços afetivos e o apego da criança para com eles. Casais que se dividem nas tarefas, participando ativamente da rotina familiar tendem a se tornar mais harmoniosos, melhorando ainda o clima conjugal. Assim, em meio a tantos benefícios, que tal quebrar os preconceitos socioculturais e experimentar outras formas de agir em casa?
_____________________________________________
Juliana de Brito Lima é Psicóloga (CRP 11ª/05027), formada pela Universidade Estadual do Piauí e especializanda em Análise Comportamental Clínica pelo Instituto Brasiliense de Análise do Comportamento – IBAC. É membro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental – ABPMC e Psicóloga do Centro Integrado de Educação Especial – CIES e da Clínica Lecy Portela, em Teresina-PI. Tem experiências acadêmicas (linha de pesquisa “Desenvolvimento da criança e do adolescente em situações adversas” do Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná/ NAC-UFPR) e profissionais na área clínica (atendimento a criança, adolescente e adulto), jurídica e educação especial, na orientação de pais.
Fonte: Instituto de Psicologia Aplicada -  Inpa Telefone - (61) 3242-1153