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Treinamento esfincteriano e sua correlação com a constipação e dor na defecação



Estudos documentam a associação entre uma variedade de problemas do treinamento do toalete e o desenvolvimento da constipação infantil e defecação dolorosa. Para exemplificar, o estudo de Schonwald e colaboradores (2004), que contou com uma amostra de 400 crianças, observou que a constipação ocorreu em 84% das crianças que exibiam recusa para defecar no vaso sanitário e em 88% delas o treino de toalete não foi bem estabelecido.
 


Durante o treino de toalete, episódios de constipação foram relatados por 30% dos indivíduos com encoprese primária (aqueles que nunca adquiriram o controle e resposta de defecar corretamente) e 19% com encoprese secundária (aqueles que adquiriram em algum momento anterior o controle e resposta de defecar corretamente).
A vivência de defecação dolorosa antes dos 3 anos de idade foi relatada por mais de metade das crianças com encoprese secundária, sinalizando que a retenção de fezes e evacuação de modo inapropriado é intensificado após experiências dolorosas. Dados importantes de pesquisas anteriores demonstraram que a recusa para defecar no vaso sanitário e a constipação são preditores de treinamento esfincteriano e fatores familiares e/ou sociais prejudiciais.
O período de retirada das fraldas e aquisição de controle esfincteriano tem suas chances aumentadas para a ocorrência de problemas quando há: inconsistência na rotina da criança e/ou dos pais (horários e locais irregulares para se alimentar, ir dormir e acordar, tomar banho, frequentar o penico e/ou vaso sanitário); atenção e valorização inadequada, punição, ambiente conflituoso ou condições estressantes e instáveis, irregularidade entre cuidadores e os estilos comportamentais dos mesmos (negligentes, agressivos, permissivos, participativos). Estes são exemplos de condições que elevam as chances bem como a gravidade do problema.
Bebês que pouco são estimulados a defecar diariamente por meio de procedimentos naturais tornam-se crianças que mais facilmente apresentam irregularidades na freqüência do defecar. Para entender melhor a relação entre a constipação e a recusa para defecar no vaso sanitário, Schonwald e colaboradores (2004b) avaliaram se as evacuações rígidas e defecação dolorosa são mais prováveis de ocorrer antes ou após a criança apresentar a recusa para defecar no vaso sanitário.
 
Os estudos indicaram que na maioria dos casos, os movimentos intestinais rígido e, em menor medida, os movimentos intestinais dolorosos, ocorrem antes do início da recusa para defecar, o que demonstra pouca atitude dos pais quando pequenos sinais são apresentados pela criança. Esta condição muitas vezes levam os pais a "aceitar o ritmo da criança" ao invés de insistir na defecação diária, prevenindo problemas mais graves no futuro, entre eles os diferentes tipos de encoprese.
O período de retirada das fraldas pode ser considerado simples para os cuidadores que não percebem que a aquisição de controle esfincteriano e um bom nível de funcionamento gastrointestinal não são condições que nascem com a criança mas são processos aprendidos no início da vida por meio de e estimulação adequada. O que nasce com a criança é a capacidade orgânica para que estes eventos ocorram.
 
O treino fica prejudicado se os pais exibem pressa quando a criança solicita ajuda para ir ao banheiro; demonstram pouca alegria e satisfação com o comportamento da criança em defecar no vaso; desconsideram que é mais fácil e cômodo para a criança continuar na fralda e não fazem deste momento algo suficientemente prazeroso para ela; verbalizam que defecar é legal, e depois que é fedido e ruim; desrespeitam a gradatividade das etapas acelerando ou pulando-as; não perguntam e discriminam à criança possíveis condições fisiológicas alteradas (ex: você bebeu bastante suco, vamos juntos ao banheiro agora); quando se comportam de forma a sinalizar a criança que conquistar a independência é ruim e desagradável (ex: ainda bem que você é uma criança, aproveita sua infância porque crescer é um saco); quando permanecem mais tempo com a criança quando é para fazer atividades em que ela não pode ou não consegue fazer sozinha (se os poucos momentos dacriança com os pais se dá em situação em que ele precisa de ajuda, ser independente não será vantajoso para ela e, portanto, será mais provável que seus comportamentos se mantenham mais infantilizados).
 

Consideradas estas defasagens em conjunto, os estudos sugerem como efeito a constipação intestinal, dor na defecação e a recusa para ir ao vaso sanitário, sendo que problemas decorrentes destas condições podem passar a compor um quadro de problemas no desenvolvimento comportamental da infância.

REFERÊNCIAS:

Schonwald A, Rappaport L. Consultation with the specialist: encopresis: assessment and management. Pediatrics Rev. 2004; 25:278-83.
Schonwald A, Sherritt L, Stadtler A, Bridgemohan C. Factors associated with diffi cult toilet training. Pediatrics Rev. 2004.
Naiara Costa
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1Considerando crianças com o desenvolvimento dentro dos padrões de normalidades
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Por Naiara Costa
Fonte: Instituto Innove
 

Prevenção dos problemas da Infância e Adolescencia - Enurese e Encoprese

Pelo menos 70% das crianças com enurese tem algum parente que apresentou esse problema na infância.

Quais são os Critérios Diagnósticos nos casos de enurese e encoprese?

Tanto a enurese (falta do controle de urina) quanto a encoprese (falta de controle das fezes) implicam deficiência no controle de esfíncteres, respectivamente vesical e anal, em uma idade em que a maioria das crianças já tem esse domínio. Assim, são consideradas enuréticas ou encopréticas as crianças acima de cinco e quatro anos respectivamente, que ainda não urinam ou não defecam nos locais destinados à eliminação.

Quando podemos suspeitar que a criança apresenta efetivamente um problema de enurese ou encoprese?

Curiosidade: Pesquisa sobre Encoprese


Estados Unidos

Embora poucos estudos prospectivos têm sido conduzidos para examinar a prevalência da encoprese na infância, um 1-2% estimado de crianças menores de 10 anos têm encoprese. Em um estudo, 4,4% de 482 crianças com idades entre 4-17 anos observada ao longo de um período de seis meses em uma clínica de cuidados primários pediátricos em Iowa experientes incontinência fecal pelo menos uma vez por semana.

Internacional

Vamos falar de... Encoprese Infantil

Encoprese é uma doença relativamente comum na infância que continua a ser mal compreendida, por esta razão, é importante explicá-la mais uma vez.


“do grego em-kópros-osis, etimologicamente,
processo patológico não inflamatório que afeta a defecação”
Miguel Ângelo Simon

Encoprese Infantil denomina uma situação de dificuldade que algumas crianças apresentam para controlar adequadamente os esfíncteres. Pode-se constatar através de variações na quantidade e consistência de fezes na cueca ou calcinha e em outros lugares impróprios, na ausência de patologia orgânica. 

Encoprese Infantil




O que é Encoprese Infantil?

Também conhecida como incontinência fecal ou escape fecal, encoprese é o vazamento involuntário das fezes na roupa íntima sem que a criança perceba. Geralmente ocorre em local socialmente inadequado. O diagnostico ocorre após a idade do treino ao toalete (geralmente com mais de 4 anos). Comumente a encoprese é associada à constipação crônica, ou seja, uma vez a criança se torna constipado, torna-se alvo fácil para adquirir encoprese. É importante ressaltar que há a encoprese não orgânica, adquirida após um período estressor, um trauma. Embora encoprese ocorra igualmente em meninos e meninas em idade escolar, é importante ressaltar que é três a seis vezes mais comum em meninos.

Encoprese não é uma doença, mas sim um sintoma que pode ter diferentes causas. Para entender encoprese, é importante também entender a constipação.

O que é constipação?