Como lidar com a mudança de escola das crianças


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A mudança de escola é uma das etapas mais difíceis para as crianças. Durante o ano todo, elas se acostumam com o ambiente, com os colegas de classe e já têm liberdade de comunicação e a rotina estabilizada. No entanto, alguns motivos fazem com que os pais façam essa mudança que pode trazer alguns transtornos para a vida dos pequenos.

A parte mais difícil é dar a notícia e fazer com que a criança entenda o motivo da decisão dos pais. "A conversa deve ser clara e direta com a criança e os benefícios devem ser sempre colocados em primeiro lugar, o ideal é incluir a criança nesse processo desde o início para que ela já acostume com a ideia", diz Jéssica Fogaça, psicóloga infantil.

Além de aprender, brincar e se desenvolver, na escola as crianças fazem suas primeiras amizades. "A saudade do convívio na escola anterior é inevitável e vai depender do tempo e vínculo que a criança cria em cada lugar, mas ela irá perceber a mudança de ambiente", diz Paula Pessoa Carvalho, psicóloga comportamental. "Filhos únicos tendem a se apegar com mais facilidade aos amiguinhos, se o convívio é intenso como o da escola, com três anos já é possível observar que a criança sente saudade", atenta Jéssica.

Ouvir a opinião da criança nesse momento é essencial, pois a mudança irá influenciar diretamente na vida e rotina dela. "Quando a criança participa da conversa ela expõe o que pensa e sente, os pais conseguem lidar com a situação com mais facilidade, assim podem entender as dúvidas, medos e angústias do filho e esclarecer pontos mais específicos", explica Jéssica. "Por mais que a criança não possa mudar a situação se sentirá importante em dar sua opinião e isso irá ajudar a superar a mudança", completa Paula.

A adaptação com a nova escola é o período que mais exige atenção dos pais, a criança irá criar outra rotina que vem seguida do medo de um ambiente novo e da vergonha do convívio com as novas pessoas até que se consiga fazer amizade com os novos coleguinhas.

O importante é respeitar e responder as dúvidas que a criança terá em relação à nova escola. "Os pais terão que ter paciência e serem bem descritivos em suas respostas sobre como é o novo lugar, as novas pessoas e como ela deve se adaptar à nova escola", indica Jéssica. "Levar o filho até a nova escola antes de começarem as aulas, apresentar aos funcionários e professores pode amenizar e solucionar alguns medos da criança", indica Paula.

Conversar com a criança sobre atitudes que ela deve tomar na escola também é essencial, isso poderá deixá-la mais segura para enfrentar o novo ambiente. "Os pais também devem dar ideias de atitudes para lidar com as situações que a criança poderá viver no dia a dia da escola, como perguntar o nome das pessoas da classe, se apresentar aos demais colegas da escola, convidar alguém para lanchar com ela ou brincar juntos no recreio", sugere Jéssica.

A empolgação dos pais também ajudará a criança a se adaptar na nova escola e se acostumar melhor com a situação. "É importante que os pais se mostrem animados com a mudança e deixem claro que a criança está indo para um lugar melhor, que ela está ganhando algo. Elogios aos comportamentos adaptativos apresentados pela criança também são fundamentais", esclarece Jéssica.
Segundo a psicóloga comportamental Paula Carvalho, a conversa é o mais importante. Falar e ouvir os problemas que a criança tem na fase de adaptação pode fazer com que ela se sinta mais leve e frequente a escola sem grandes problemas. Explicar sobre os benefícios da mudança também irá ajudar a amenizar e solucionar os medos.

Falta de adaptação da criança, localização e a dificuldade de aprendizado são fatores principais para os pais fazerem essa escolha. "Os motivos são muitos e irá depender de família para família, os pais também procuram fazer essa mudança por conta de uma escola que oferece mais recursos e melhor ensino", exemplifica Paula.

As dificuldades durante o ano também fazem com que os pais mudem a criança de escola, para evitar uma possível reprovação. "Isso acontece bastante no meio do ano, quando a criança vai mal em alguma disciplina e corre o risco de ter que fazer o ano novamente, mas não é a opção mais adequada, o ideal é que ela consiga se recuperar para evitar a mudança constante de escola", diz Aline Fernandes, diretora do colégio Universitário.

Perder os amigos é a maior preocupação da criança e isso pode trazer alguns problemas na transição. "A reação mais comum é a criança se negar a mudar, porque não quer perder o atual convívio, mais isso é natural, porque está sendo apresentada uma realidade desconhecida e ela ainda não tem parâmetros para pensar nisso ainda. Cabe aos pais descreverem ao máximo as novas possibilidades que a criança terá na nova escola. Visitar o novo ambiente acalma bastante a ansiedade", atenta Jéssica.

Segundo a psicóloga comportamental Paula, a criança pode ficar retraída no começo e apresentar alguma recaída, como faltar na escola ou sentir medo de se relacionar com as outras pessoas. Os pais devem dar suporte nesse momento e ficarem de olho nas reações da criança.

Fonte BBL

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