Exposição a telas por mais de duas horas diárias prejudica o desenvolvimento de crianças e adolescentes

De acordo com pediatra, crianças brasileiras até doze anos de idade passam entre 3,5 e 4,5 horas diárias em frente à televisão e a dispositivos digitais
 
Televisão e aparelhos digitais: Dos três aos doze anos,
as crianças devem passar apenas uma hora diária em frente a telas (Thinkstock)
 
Um artigo publicado nesta segunda-feira no periódico britânico Archives of Disease in Childhood alerta para a necessidade de restringir o tempo de exposição de crianças e adolescentes a aparelhos com telas, como televisões, computadores, videogames, tablets e até smartphones. O pesquisador Aric Sigman, autor do estudo, alerta para o fato de que, além de estarem passando cada vez mais tempo em frente a telas, as crianças são expostas a esse tipo de tecnologia cada vez mais cedo, aumentando o risco de problemas como o déficit de atenção.
 
No Brasil, os pediatras não recomendam a exposição de crianças a telas antes dos seis meses de vida. Já nos Estados Unidos, a recomendação é antes de dois anos de idade. Sigman relata que, aos sete anos de idade, uma criança nascida hoje na Europa terá passado um tempo correspondente a um ano, 24 horas por dia, olhando para telas. Aos dezoito anos, já serão de três anos inteiros. De acordo com Marcelo Reibscheid, pediatra do Hospital São Luiz, as crianças brasileiras de zero a doze anos passam, em média, entre 3,5 e 4,5 horas diárias em frente a uma tela, levando em consideração os diversos dispositivos mencionados.
 
Déficit de atenção — O artigo, que reúne resultados de diversos estudos sobre o assunto, mostra que o tempo passado em frente às telas traz riscos à saúde que vão além do fato de ser um comportamento sedentário. "Um tempo de exposição prolongado eleva os riscos à saúde independentemente do nível de exercícios moderados a intensos que a pessoa realiza diariamente", afirma Sigman na pesquisa.
 
Outras pesquisas citadas por Sigman ligam a exposição a transtornos de atenção. "Um estudo com 2.623 crianças mostrou que aquelas que assistiram televisão de zero a três anos tinham um aumento significativo no risco de desenvolver distúrbios de atenção aos sete anos de idade. Para cada hora diária assistindo televisão, houve um aumento de 9% nos diagnósticos de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)", diz o pesquisador.
"O brilho da tela pode prejudicar o desenvolvimento do bebê, causando transtornos oftalmológicos. O estímulo excessivo causado pelo brilho também pode causar maior irritabilidade e até transtornos do sono nas crianças”, afirma Marcelo Reibscheid.
 
Recomendações — Diante desses dados, Sigman aconselha que os pais imponham regras aos filhos, limitando o tempo que assistem televisão e utilizam tecnologias digitais como computadores e videogames portáteis. A recomendação é, dos três aos doze anos, uma hora diária de exposição no máximo. Até quinze anos, uma hora e meia e, acima dos dezesseis, duas horas.
Ele também desaconselha a presença de telas no quarto das crianças e recomenda que informações sobre o assunto sejam incluídas nos materiais informativos oferecidos nas maternidades como uma forma de conscientizar os pais e incentivá-los a tomar atitudes que reduzam o tempo de exposição das crianças a telas. "Outro fator importante é dar o exemplo. O tempo que as crianças e seus pais passam em frente às telas está intimamente relacionado: crianças que vivem em casas em que há intenso hábito de assistir televisão são mais propensas a assistir televisão em quantidade excessiva", diz Sigman.
Para Reibscheid, é importante incentivar as crianças a desenvolverem outros tipos de atividade, como a leitura e as brincadeiras longe das telas. "Os dispositivos acabam virando uma espécie de babá eletrônica para as crianças. É importante que os pais tenham mais tempo com elas e estimulem a prática de atividades físicas e a interação com outros adultos e crianças. Ninguém está dizendo que é proibido ver televisão ou ficar no computador, mas os pais precisam ter o controle e restringir as horas diárias de exposição", alerta o pediatra.
 
Fonte: Veja

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