Estudo brasileiro mostra que Ritalina não melhora o desempenho neural

Droga não beneficia a atenção nem a memória e pode causar dependência
James Steidl/Shutterstock
 
Prescrito para o tratamento de transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e de narcolepsia (crises de sono incontroláveis), o medicamento metilfenidato, comercializado com o nome de Ritalina, tem sido usado sem acompanhamento medico por estudantes que acreditam que a droga pode “turbinar” o rendimento intelectual, diminuindo a necessidade de sono e favorecendo a memória. Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), no entanto, descobriram que, além de não ter efeitos cognitivos esperados no cérebro de pessoas saudáveis, a “pílula da inteligência” ainda pode aumentar a chance de desenvolver problemas cardiovasculares.



A psicóloga Silmara Batistela dividiu 36 voluntários entre 18 e 30 anos em quatro grupos: um deles tomou placebo e os outros uma dose única de 10 mg, 20 mg ou 40 mg de Ritalina. Em seguida, todos fizeram testes cognitivos. Segundo Silmara, o desempenho foi semelhante, independentemente de terem tomado o remédio ou da quantidade administrada, o que sugere que o medicamento não aprimora as funções neurais, apesar de os que ingeriram a dose de 40 mg relatarem maior sensação de bem-estar, o que é compreensível, pois a droga é um estimulante. 



Medicamentos “turbinadores” têm ganhado popularidade entre vestibulandos, adultos jovens que estão estudando para concursos ou em situações de grande pressão por resultados. A segurança da Ritalina como aprimorador neural não é comprovada e, no Brasil, ela é comercializada para esse fim de forma ilegal. Estudos sugerem, aliás, que o uso contínuo aumenta o risco de dependência, complicações cardiovasculares e, em um grupo restrito de pessoas, pode até piorar o desempenho cognitivo.

Fonte:
Mente e Cérebro

Comentários

Mais Visitados