Cartilha de Orientação de Pais

Meu filho está com dificuldades, o que posso fazer pra ajudar?
Esta é a pergunta mais comum entre pais de crianças que apresentam dificuldades na escola. A primeira coisa a se pensar é que não existe um manual de instruções para a criança. O que é importante saber é que o jeito da criança agir com determinadas coisas é aprendido em suas interações; e, portanto, é possível criar um ambiente que estimule seus estudos e desenvolvimento pessoal. Aqui vão algumas dicas de Zoega et. all. (2004) sobre como fazê-lo:

1º Está claro, para seu filho, quais são seus direitos e deveres? É importante que exista clareza sobre o que são os direitos e deveres de seu filho. Seus direitos são conquistados à medida que cumpre seus deveres, e devem ser respeitados pelos pais.

2º O seu filho possui uma rotina de estudos organizada? É importante que os horários da criança sejam bem organizados e que sua rotina de estudos seja respeitada. Cada tipo de atividade deve ter um horário, e a criança rende mais se estudar antes de se cansar com outras atividades.

3º Existe clareza sobre quais são os limites da criança? É importante que ela aprenda que regras são para serem seguidas, e que o não seguimento, tem como conseqüência a perda de alguns direitos (como assistir TV, por exemplo). À medida que a criança cresce é importante que ela possa participar do estabelecimento destas regras, o que contribui para desenvolvimento de sua responsabilidade.

4º Você acompanha seu filho em suas atividades? É importante que os pais acompanhem os filhos em suas tarefas, mas sem criar um clima de pressão ou cobrança, mas de incentivo e valorização pelo que ele faz. Se for ajudar, é importante que não fala por ele, mas apenas ajude.

5º Você dá autonomia a seu filho sem deixar de cuidar dele? O incentivo à independência é importante para que a criança torne-se uma pessoa responsável mais tarde. Essa independência deve ser fornecida aos poucos, dosando proteção e autonomia.


6º Você o ajuda a ter um contexto adequado aos estudos? Com mesa e cadeira confortável, poucos movimentos ou barulhos que possam tirar sua atenção, sem fome, sede calor ou frio.

7º Você estabelece interações positivas com seu filho? Embora castigar faça com que, naquele momento, a criança deixe de comportar-se inadequadamente, isto não a ensina a conduta correta. E longe do risco do castigo, se o contexto favorecer, ela voltará a comportar-se inadequadamente. É mais proveitoso que os pais valorizem como puderem o que ela faz de adequado, por mais que esteja apenas cumprindo seu dever. Esse comportamento valorizado tenderá a ocorrer mais vezes.

8º Você demonstra afeto pelo seu filho? Muitos pais não o fazem por não terem tempo, ou tentam suprir com presentes ou coisas do tipo. Se os pais são sempre afetuosos com os filhos é bem mais fácil fazê-los seguir regras com boa vontade. Eles farão o que o pai quer por gostar dele, e não por temê-lo.

9º E você, cumpre com seus deveres? A criança aprende muito mais vendo do que ouvindo. Se o pai cobra dela que ela cumpra regras, compromissos e deveres, mas ele próprio não cumpre dificilmente a criança o fará.

10º Você conversa com seu filho? Apenas interroga, ou simplesmente não conversa? É importante que os pais mostrem-se dispostos a ouvir e ENTENDER o filho. Isto ajuda a encontrar a solução para a maioria dos problemas. Um interrogatório, no entanto, onde apenas o pai pergunta e o filho responde, piora a situação. Dar sermões também diminui as chances de que a criança fale. Coloque-se no lugar da criança.

11º Ajude-a a pensar no que aprende. Ou pelo menos ajudar a criança a encontrar aplicabilidade naquilo que aprende. Conversar com ela sobre o que ela estuda pode ser interessante.

12º Incentive o brincar. Uma criança que brinca tem melhor qualidade de vida, menos estresse e, conseqüentemente, melhor rendimento.

13º Você se interessa pela vida de seu filho? É importante que seja demonstrado interesse pela vida do filho como um todo, e não apenas pelos resultados que ele apresenta na escola. Isso faz com que a criança sinta-se mais valorizada e, por conseqüência, se esforce mais.

Já parou pra pensar sobre como é que o seu filho aprende?
Muita gente com certeza diria que não.

A aprendizagem é um processo que, pode-se dizer, inicia-se de fora pra dentro. A criança nasce com um conjunto de características físicas e comportamentais que são comuns a todos os outros seres humanos, e é a partir destas características que ela inicia a sua interação com o mundo.

A criança, a princípio, possui apenas movimentos aleatórios. À medida que ela vai experienciando o meio que a cerca, estes movimentos vão gerando certas conseqüências que, ao se associarem ao contexto no qual ocorrem, passam a controlar as suas ações. Por exemplo: um bebê recém nascido move aleatoriamente o braço. Um belo dia descobre que movendo em certa direção, terá como conseqüência bater no móbile e fazer um som. Ela aprende então que, na presença do móbile, aquele movimento tem como conseqüência o “som”, aprendendo, deste modo, a extrair o som do móbile. Se não houvesse a conseqüência (som), ela não aprenderia a bater no móbile.

A mesma coisa acontece com a maioria dos outros comportamentos da criança. O estudar, por exemplo, o que tem como conseqüência? O reconhecimento dos pais? Mais horas para se divertir a tarde? O direito de jogar vídeo-game? Sim, para que a criança aprenda a estudar, este comportamento precisa ter conseqüências agradáveis para ela. Esta conseqüência tem, necessariamente, que ser algo do interesse da criança; ou seja, algo que ela goste.

Um detalhe importante é que estas conseqüências devem ser imediatas; isto é, quanto menor o intervalo de tempo entre o momento em que a criança comportou-se adequadamente e o momento em que a conseqüência foi apresentada, maiores as chances daquele comportamento ser aprendido.

Parece artificial? Sim, mas até que a criança de fato tenha aprendido a estudar, dificilmente este comportamento irá gerar conseqüências naturais que exerçam controle sobre ele. Com o tempo, o próprio estudar tornar-se-á prazeroso para ela, mas até então, é necessário que os pais contribuam deste modo.

Encarar o “estudar” como nada mais do que uma obrigação da criança é um erro. Embora os pais pensem assim, é bobagem querer impor isto ao filho. Pelo contrário, se os pais associarem o “estudar” com broncas, imposição, brigas ou coisas do gênero, estarão apenas contribuindo para que a criança goste cada vez menos de estudar.

Se a aprendizagem da criança ocorre assim, de acordo com as conseqüências que seu comportamento gera no ambiente, culpabilizá-la por não aprender é, então, apenas se fugir da própria responsabilidade. Como dito antes, é certo que nenhuma criança nasce com manual de instruções, mas é possível aprender a lidar com ela e programar condições para que ela desenvolva o gosto e o hábito de estudar.

Por: Esequias Caetano de Almeida Neto - Psicólogo
Fonte:Comporte-se

Comentários

Anônimo disse…
Grata pelas dicas!
Com certeza se Eu tivesse lido a respeito não teria criado tantas dificuldades no relacionamento entre eu e minha filha!
Que bom que gostou! O mais importante vc fez, leu e refletiu sobre o assunto.
Abraços
Rayssa disse…
Excelentes dicas!!! obrigada

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