Pais mais velhos têm mais chances de passar mutações nocivas aos filhos

Pesquisa mostra que, quanto maior a idade do pai, maiores as chances de ele transmitir mutações genéticas prejudiciais aos filhos, como as responsáveis pelo autismo e esquizofrenia
Estudo publicado nesta quarta-feira na revista Nature mostrou que a idade em que um pai tem seu filho pode influenciar no número de mutações genéticas que a criança vai herdar. Quanto mais velho ele for, maiores as chances de seu esperma carregar mutações que podem desencadear doenças como autismo e esquizofrenia.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da deCODE Genetics, empresa dedicada ao estudo genético da população da Islândia. Eles analisaram as informações genéticas de 78 famílias, todas compostas por pai, mãe e filho. Desses filhos, 44 tinham autismo, e 21, esquizofrenia. Os pesquisadores procuraram por mutações no DNA das crianças que não estavam presentes em nenhum dos pais e deveriam ter surgido espontaneamente.
Ao analisar os resultados, os pesquisadores descobriram que os pais transmitiram quatro vezes mais mutações que as mães. A média foi de 55 mutações paternas contra 14 maternas. Segundo os pesquisadores, isso acontece porque o esperma é produzido continuamente ao longo da vida, pela divisão sucessiva das células reprodutivas. A cada divisão, elas podem adquirir novas mutações. As mães, ao contrário, já nascem com a quantidade de óvulos que vão usar por toda a vida.
O estudo também mostrou que o número de mutações passadas de pai para filho crescia conforme a idade paterna, numa média de duas novas mutações a cada ano de vida. Segundo os pesquisadores, um pai de 36 anos passaria a seu filho o dobro de mutações que um de 20 anos. Já um pai de 70 anos, passaria oito vezes mais.
Estilo de vida — Algumas das mutações genéticas identificadas pelos cientistas haviam sido relacionadas por outros estudos a condições como autismo e esquizofrenia. Por causa disso, uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é que a idade cada vez maior em que os homens se reproduzem pode ser uma das causas do aumento do número de crianças com autismo nos Estados Unidos.
Na própria Islândia, a idade média em que os homens têm filhos aumentou de 28 para 33 anos entre 1980 e 2011. Nesse período, segundo o estudo, o número de mutações transmitidas para as crianças subiu de 60 para 70. Os cientistas destacam, no entanto, que a grande maioria dessas mutações não causa nenhum tipo de dano. Na verdade, algumas delas podem até trazer vantagens evolutivas.
Fonte Veja

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