E quando conectar me desliga do mundo?


A internet confere a seus usuários um mundo de possibilidades. Embora na sua criação tenha sido usada somente por adultos em transações de “gente grande”, é cada vez mais frequente o uso por crianças e adolescentes. Diferente das gerações anteriores, os jovens se trancam no quarto não mais para se isolar do mundo, mas para se conectarem a ele. Uma vez que já nasceram em uma cultura que valoriza a informação e a tecnologia, muitas vezes é difícil discernirem o que seriam excessos nesse âmbito. O que dizer também dos adultos, que podem procrastinar tarefas em função do envolvimento com a rede? O texto de hoje tem como objetivo apresentar discussões e alternativas para favorecer o uso adequado da internet em qualquer faixa etária.
Atualmente, em algumas famílias, a exposição à internet começa antes mesmo do nascimento. Mamães e papais noticiam ao mundo a vinda de um filho, fazendo com que os contatos das redes sociais e seguidores de blogs e afins acompanhem a gestação por meio de descrições dos acontecimentos. Quando na maternidade, eles realizam check-in indicando onde podem ser encontrados e divulgam fotos do rosto do bebê. Em casa, ao longo do desenvolvimento, as crianças tem contato com babá eletrônica e brinquedos cada vez mais tecnológicos, manuseiam com destreza equipamentos como celulares, smartphones, tablets, notebooks, entre outros. E assim, a intimidade com a tecnologia cresce à proporção do seu desenvolvimento.

É inevitável a comparação com gerações anteriores. Há quem diga que hoje o brincar é diferente porque agora as crianças tem contato cada vez mais precoce com a tecnologia e a rede. Atrevo-me a dizer que, embora os adultos usem desse discurso, eles também sentem a dificuldade em se desvincularem da internet, sobretudo no que tange às redes sociais. No fim das contas, adultos e crianças brincam de se relacionarem virtualmente, aproveitando prazeres e dissabores que este tipo peculiar de contato social proporciona.

Excluir crianças e adolescentes dessa realidade é prejudicial, pois seria aliená-los do mundo em que vivem. Ao mesmo tempo em que ser adulto e abster-se do uso da internet também seria ruim por limitar as possibilidades de pesquisas em trabalhos, entre outros aspectos. No entanto, cabe ressaltar a necessidade do uso moderado para que não favoreça prejuízos na socialização e nas atividades acadêmicas e laborais, pois a rede possibilita o contato com tudo o que é satisfatório para o sujeito, o que propicia uma espécie de ciclo vicioso.




Por exemplo, uma simples busca confere muitas possibilidades, pois o resultado de uma delas pode levar a outras pesquisas diante da insatisfação ou da curiosidade e necessidade de outras informações. Em cada página da internet, existem diversos estímulos que acabam atraindo o leitor para outras informações (testes, jogos, propagandas, notícias, entre outros), mesmo que inicialmente ele esteja determinado a outras buscas. Uma atualização de status nas redes sociais já é um contexto para diálogos com os outros amigos conectados, que estão lá reforçando aquele contato (curtindo, compartilhando ou retuitando). Caso não ajam assim, o usuário busca esse reconhecimento variando temas de postagens, conforme a repercussão mais aceita. Nesse movimento, no fim das contas o usuário nem percebe quanto tempo se dedicou àquela tarefa. Não raro, ele também se perde dentro dos próprios objetivos, questionando-se sobre o que era para ele fazer ou como foi parar naquela atividade.

Assim, quando se trata de uso excessivo da internet são necessárias algumas considerações. Para categorizar como excesso cabe avaliar não só a frequência e a intensidade, mas também o contexto em que ocorre e a função desse comportamento. O critério para que seja considerado um “problema” ou transtorno comportamental é o prejuízo em algum âmbito da vida do sujeito ou para aqueles com quem convive [1].

Diante de atividades prazerosas, muitas vezes, fica difícil perceber o limiar dos excessos. Isso geralmente é sinalizado pelos outros (quando alguém reclama do tempo despendido no mundo virtual, da falta de atenção e do sedentarismo do usuário, por exemplo) ou sentido/ percebido pelo próprio sujeito (quando sente fome pela passagem do horário da refeição, quando há procrastinação de tarefas, quando o desempenho acadêmico e/ou a produtividade declina ou mesmo quando cai a qualidade dos relacionamentos afetivos e sexuais).

Avaliando a função dos excessos relacionados à rede virtual, é possível que pessoas que tenham escassez de atividades prazerosas na vida real ou excessos de vivências aversivas rotineiras encontrem na internet uma válvula de escape para esquivar-se do contato com problemas cotidianos ou mesmo para sentirem aquele prazer raro na vida real. São essas as situações que mais preocupam no que se refere aos excessos ou ao mau uso da rede. Cabe lembrar que no desconectar da máquina vem a realidade e, diante disso, o desamparo quanto ao que fazer para enfrentar satisfatoriamente tais condições acabam – muitas vezes – propiciando o retorno ao mundo virtual.

Desse modo, as habilidades de enfrentamento e de resolução de problemas, assim como outras habilidades sociais (como a de fazer amizades, que implica em haver contato visual, fazer e responder perguntas, manter um diálogo, expressar-se de modo a deter a atenção e o interesse do ouvinte) podem ficar restritas no repertório comportamental diante do uso excessivo da internet. Como a maneira de se expressar na rede é diferente do “tête-à-tête”, algumas pessoas podem sentir dificuldades em fazê-lo nas interações físicas. O contato virtual excessivo pode fazê-las titubear diante dos sinais emitidos através do corpo (expressões faciais e corporais), que diferem dos emoticons utilizados nos bate-papos e da linguagem própria da rede. Ao mesmo tempo em que a realidade de ter mais amigos no mundo virtual do que no cotidiano acaba sendo atrativa por demais, acomodando o sujeito na tarefa de encará-los fisicamente.

Diante das dificuldades no estabelecimento de limites quanto ao uso da internet, cabe destacar o comportamento dos outros familiares ao utilizá-la. Partindo do pressuposto de que há aprendizagem por imitação e que os pais são os grandes modelos dos filhos, a maneira como os pais fazem uso da tecnologia influenciará significativamente o modo de os jovens interagirem com ela. Assim, talvez a resistência do filho em lidar com o excesso de horas na internet seja agravada pelo fato de o jovem observar que os outros familiares também ficam plugados na rede em detrimento de relações físicas no lar. Quem sabe também a dificuldade de os pais lidarem com o hábito de o filho visualizar pornografia na internet não tem contribuição da falta de diálogo sobre sexualidade em casa?

Para tanto, em caso de crianças e adolescentes, cabem as orientações dos adultos sobre como aproveitar a internet da melhor forma possível, manejando contextos que também favoreçam a vida do lado de cá do monitor. Assim, permanecer na rede é mais interessante quando as tarefas escolares estão concluídas, quando há tempo livre, para pesquisar artigos ou consultar informações da atualidade, para relacionar-se com outras pessoas, e com qualquer finalidade, desde que orientado e supervisionado. E que, principalmente, não substitua o brincar. Delimitar os limites (quanto tempo pode deleitar-se na rede, o que pode fazer nela e quando utilizá-la), assim como discutir em família as experiências virtuais também são importantes. Assim como os pais buscam conhecer os amigos dos filhos, cabe também saber quem são os amigos virtuais, os seguidores e assinantes, orientando condutas de modo a evitar exposição danosa ou violência (como o cyberbullying).


O que dizer então dos adultos? É comum observar memes e postagens criticando o vício na internet, o que denota que, de alguma forma, quem o faz tem prejuízos pelo uso compulsivo da rede. Antes de tudo, é importante verificar a rotina do usuário: em quais momentos fica conectado, por quanto tempo, o que faz costumeiramente, como se relaciona com as pessoas, se há procrastinação de tarefas ou outros prejuízos (acadêmicos ou ocupacionais), por quais tecnologias costuma se conectar, entre outros. Uma medida simples para se ter uma ideia da frequência desse uso é riscar traços curtos em um papel cada vez que abrir uma página da internet ao longo de um período de tempo. Caso a proporção frequência/ tempo seja alta, ou verificando que possui prejuízos em algum âmbito, é hora de reavaliar hábitos e implementar algumas mudanças. Apresentamos aqui algumas sugestões simples.

Este vídeo é uma cena retirada do filme The Future, de Miranda July (2011). Nele, a personagem do filme, desesperada para poder produzir uma dança, mas sofrendo os efeitos concorrentes de outros estímulos (revistas, computador, acessórios de beleza), resolve tornar esses objetos inacessíveis de uma forma bem inusitada: Miranda July’s “A Handy Tip for the Easily Distracted”

No entanto, esta estratégia pode ser reformulada para uma menos drástica, a princípio. Como fora dito anteriormente sobre hábitos de estudo [2], é necessário organizar a rotina e também o local de estudo/ trabalho, eliminando os estímulos que concorrem com a realização da tarefa por serem mais atrativos e mais prazerosos a curto prazo. Eliminar estímulos concorrentes é uma boa solução, assim como organizar as tarefas e eleger prioridades.

Então, se for necessário trabalhar ou estudar no computador, se a pessoa deter-se à tarefa inicialmente, por um período de tempo de 1 hora, e só depois desse intervalo for acessar a internet por um período menor (de 15 minutos, por exemplo), pode favorecer o engajamento na tarefa que é menos provável (o trabalho). Aqui, como se percebe, é necessário um autocontrole para que realmente haja engajamento no trabalho, pois se houver pensamentos obsessivos junto com uma vontade incontrolável de utilizar a internet, o desempenho na tarefa pode ser prejudicado.

Se o acesso à internet não for restrito apenas ao computador, cabe eliminar outros acessórios que podem facilitar a fuga. Por exemplo, não adianta desligar o modem ou o roteador para melhor se deter ao trabalho se outros equipamentos eletrônicos que acessam a rede (como celulares e tablets) estão ao alcance das mãos. Ao passo disso, extinguir ou restringir possibilidades de evasão também são medidas válidas: se for imprescindível abrir e-mails ou redes sociais durante uma tarefa importante, uma medida paliativa é desativar o bate-papo, pois diminuiria as chances de engajar-se em atividades distratoras. Outra medida válida é definir contas de e-mail para cada grupo ou finalidade. Por exemplo, ter um e-mail profissional, outro pessoal e outro para grupos de discussões de internet direcionam o usuário à sua tarefa, diminuindo os riscos de distração com assuntos alheios ao objetivo inicial.

Para o controle do impulso, a medida de riscar um pedaço de papel (anteriormente descrita) pode, com o passar do tempo, ser suficiente para o usuário perceber a fuga e logo retornar ao trabalho, interrompendo ou encurtando o ciclo.


Outra avaliação a ser feita é como está o seu relacionamento virtual e físico com as pessoas. Fazer amizades pela internet não é apenas ter um número bom de contatos, seguidores ou um mosaico de fotos de amigos. Não é apenas se expor e ver outros no mesmo movimento: é saber fazer uso dessas informações. As mesmas regras de convivência da vida real são válidas em relacionamentos virtuais: respeito, cordialidade, fazer revelações espontâneas, ser empático, iniciar e encerrar adequadamente as conversações, elogiar, entre outras. E mais importante: trazê-los para o lado de cá do monitor, estabelecendo contato quando encontrá-los em ambientes sociais ou estendendo o contato físico.

O uso moderado e habilidoso da internet traz ganhos em qualquer faixa etária: facilita a aprendizagem, complementa os estudos, favorece oportunidades de emprego e derruba barreiras físicas na comunicação e na qualificação em qualquer parte do mundo. Para consegui-los, cabe manejar estratégias, sobretudo no que tange ao autocontrole. Aqui foram expostas algumas dicas simples, sem a intenção de esgotar as possibilidades ou de substituir a avaliação e intervenções clínicas. No mais, cabe a orientação de sempre: procure um profissional de sua confiança para tornar seu comportamento na internet mais favorável ao seu cotidiano.
_______________________________
[1] A título de curiosidade, na 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais – DSM da Associação Americana de Psiquiatria – APA incluirá diretrizes diagnósticas para transtorno de dependência à internet. A versão vigente, que data de 1994, ainda não havia incluído essa categoria.


[2] Confira o texto “Como desenvolver hábitos de estudo?”
________________________________
Juliana de Brito Lima é Psicóloga (CRP 11ª/05027), formada pela Universidade Estadual do Piauí e especializanda em Análise Comportamental Clínica pelo Instituto Brasiliense de Análise do Comportamento – IBAC. É membro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental – ABPMC e Psicóloga do Centro Integrado de Educação Especial – CIES e da Clínica Lecy Portela, em Teresina-PI. Tem experiências acadêmicas (linha de pesquisa “Desenvolvimento da criança e do adolescente em situações adversas” do Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná/ NAC-UFPR) e profissionais na área clínica (atendimento a criança, adolescente e adulto), jurídica e educação especial, na orientação de pais.
Fonte: Instituto de Psicologia Aplicada - InPA
Telefone - (61) 3242-1153

Veja como conduzir uma separação sem desestabilizar os filhos adolescentes


Manter um relacionamento fracassado pensando estar ajudando os filhos é um erro;
a convivência com pais que brigam é muito mais prejudicial para o adolescente do que ver o casal separado

Houve uma época em que as separações eram menos comuns. O divórcio não era legalmente reconhecido e havia o mito de que os pais permanecerem juntos era sempre a melhor opção para os filhos. E, é claro, existia o estigma: filhos de pais separados eram vistos com preconceito e considerados, via de regra, problemáticos. Hoje, as pessoas se casam considerando que a união não será, necessariamente, para sempre, e a separação é uma possibilidade, caso a relação não dê certo.

Toda essa evolução comportamental ajudou a acabar com a discriminação, mas não foi suficiente para zerar um dos maiores efeitos do divórcio: a dor e o sofrimento de seus envolvidos, principalmente dos filhos. A situação se torna ainda mais complexa se eles estão na adolescência, fase de mudanças em que tudo –em especial uma frustração– parece mais intenso.

Segundo a psicóloga Marilia Castello Branco, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), as perdas –como uma separação, mudanças, doenças, mortes e conflitos– podem deixar marcas no ser humano, mas fazem parte da vida. "Lidar com elas e com as marcas que inevitavelmente irão deixar é importante no processo de crescimento. Tentar manter os filhos protegidos desses acontecimentos pode causar ainda mais prejuízos, mantendo-os frágeis e incapazes de lidar com as dificuldades da vida", afirma.
Os adultos costumam temer a reação dos adolescentes, mas nem sempre se pode prevê-la. Ela vai depender da personalidade, do grau de amadurecimento, da relação com os pais, da situação atual em casa. "Já vi jovens ficarem bastante abalados e levarem um grande tempo até aceitarem a realidade da separação, mas também conheço outros que, diante dos inúmeros conflitos que estavam presenciando em casa, sugeriram ou até pediram aos pais que se separassem", conta Marilia Castello Branco.
Para a terapeuta cognitivo-comportamental Mara Lúcia Madureira, os efeitos nocivos do divórcio sobre os filhos estão mais relacionados aos sentimentos negativos dos pais –culpa, raiva, estresse e inabilidade para enfrentar as crises– do que às questões de assimilação e aceitação, pelos filhos, das mudanças no formato da relação. "Em muitos casos, a separação pode beneficiar as relações. Na medida em que elaboram as perdas, as pessoas reconhecem os ganhos e passam a valorizar o tempo de convivência", afirma.

Ao informar ao filho que os pais vão se separar,
 é importante ser verdadeiro, sem dramas, e não
falar sobre detalhes que só dizem respeito ao casal


Sinceridade é fundamental A hora de abrir o jogo para os filhos é sempre dolorosa. A psicoterapeuta Gisela Castanho diz que os pais devem dar juntos a notícia. "Não é preciso entrar em detalhes sobre a vida do casal, afinal, isso só diz respeito aos pais. Mas é importante deixar claro que é o casal que está se desfazendo, não a família. Não existe ex-pai ou ex-mãe. O adolescente, mesmo que chocado ou revoltado, precisa sentir desde o início que não perderá o amor e o amparo dos pais", explica a especialista.
"É bom usar frases simples e verdadeiras, sem dramas, sentimentos de vitimização ou acusações contra a outra parte", diz Mara Lúcia Madureira. Para que os filhos se sintam seguros, os pais precisam, de preferência, já ter decidido sobre com quem o adolescente vai morar, como será o esquema de visitas e toda a nova configuração familiar. "Saber como a vida vai funcionar dali em diante dá tranquilidade", conta Gisela.
Durante a conversa, ambos devem se concentrar nos aspectos positivos da história que viveram –e mostrar que essa trajetória em comum valeu a pena, porque geraram um filho juntos, mas que agora não vale mais e que todos merecem ser felizes. Os pais não devem se encher de culpa pelo sofrimento causado aos filhos, já que, em longo prazo, o divórcio causa menos danos do que viver em um lar infeliz, permeado por brigas e ofensas.
"Manter um casamento a todo custo, mesmo quando ele já não faz sentido, ‘em nome dos filhos’, pode ser muito prejudicial para um adolescente. Ele pode se sentir responsável ou culpado pelos problemas dos pais, além de estar exposto a um exemplo de relacionamento muito pouco saudável, baseado em mentiras", declara a psicóloga Marilia Castello Branco.

Em situações em que o adolescente fica tão magoado que se recusa a ver um dos pais (em geral, aquele que sai de casa) é essencial ter paciência com a mágoa, de acordo com Gisela Castanho. "Por mais que o filho diga palavras duras, os pais devem entender que o adolescente está vivenciando um tipo de luto. E continuar a batalhar por seu afeto, não desistir jamais de manter um bom relacionamento", explica a psicoterapeuta, que afirma que o primeiro ano é sempre o mais difícil.
A terapeuta Mara Lúcia Madureira explica que os pais devem deixar claro que respeitam os sentimentos e a dor que eles possam estar sentindo, mas que manifestações excessivas de raiva, além de serem irracionais, não dão a ninguém o direito de ser cruel consigo ou com os outros. As demonstrações de carinho e afeto são fundamentais para combater possíveis atitudes de revolta ou agressividade. Não são poucos os adolescentes que, para confrontar os pais, os desrespeitam se sentem no direito de fazer o que bem querem, já que os adultos tomaram a decisão que consideraram melhor para si.

"Pai e mãe devem ser firmes nesse momento e reafirmar, sempre que necessário, sua autoridade", diz Gisela. E não é só a rebeldia que precisa ser trabalhada: jovens introvertidos necessitam de ajuda dos pais para expressar suas emoções. "Pai e mãe devem avisar que estão disponíveis para conversar novamente sobre o assunto quantas vezes forem necessárias. E cumprir o que dizem, sem esperar que o adolescente tome a iniciativa", diz a psicóloga Marilia Castello Branco. Ela conta ainda que o maior medo dos filhos é do abandono. "É importante que eles tenham certeza de que as casas de ambos, pai e mãe, são deles também. E a possibilidade de alternar entre essas casas com liberdade e tranquilidade pode trazer mais segurança", afirma a especialista.
Fonte Uol

Jovens com Transtorno do Espectro do Autismo podem se beneficiar com jogos de video game?

De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças nos EUA, uma em 88 crianças tem transtorno do espectro autista (ASD), um amplo grupo de transtornos de neurodesenvolvimento. Crianças e adolescentes com este transtorno geralmente são fascinados por tecnologia (baseado em tela), como os jogos de video game, e estes podem ser usados para fins educativos e de tratamento, como descrito em uma discussão esclarecedora em uma Mesa Redonda publicada em  Games for Health Journal: Research Development, and Clinical Applications
Indivíduos com ASD têm dificuldade em comunicação e interação social, mas muitas vezes eles têm particularmente boas habilidades visuais e respondem bem a esses estímulos. Os videogames oferecem oportunidades para o sucesso da aprendizagem, a motivação para melhorar suas habilidades como planejamento, organização, auto-controle e reforço de comportamentos desejados, sem a necessidade de interação humana direta.
O autismo é uma área de crescente interesse para a comunidade que continua a explorar os vários aspectos de como a tecnologia de videogame pode ser benéfico no tratamento deste complexo espectro de transtornos. "Comparing Energy Expenditure in Adolescents with and without Autism while Playing Nintendo® Wii™ Games" ( http://online.liebertpub.com/doi/full/10.1089/g4h.2011.0019 )
"As crianças e os adolescentes com ASD têm oportunidades únicas para capitalizar o seu interesse e aptidão em videogames como um recurso para desenvolver desejados comportamentos sociais e habilidades para a vida além de aumentar a atividade física", afirma Jogos para a Saúde Jornal Editor-Chefe Bill Ferguson , PhD, que moderou a Mesa Redonda.

Agressividade infantil – é possível controlar?

“Meu filho tem 3 anos e meio e a professora da escolinha me chamou para informar sobre alguns comportamentos agressivos que ele tem manifestado com os amiguinhos. Disse que ele chegou a morder um colega que disputava um brinquedo com ele. Mas em casa ele é calmo e muito carinhoso”. Este é o relato de M., que nos escreve superpreocupada sobre como lidar com a agressividade do filho e ensiná-lo a se controlar. Uma dúvida bastante comum entre muitas mães, não é mesmo?
 
Bom, segundo a psicóloga Paula Pessoa Carvalho, especialista em comportamento infantil, a agressividade é uma atitude muito comum entre as crianças podendo se manifestar de diversas formas como: xingamentos, brigas, mordidas, tapas, gritos, etc. E pode ser observada ainda no início da infância.
 
Mas, como ela mesma ressalta, normalmente os pais só percebem este tipo de comportamento no momento em que a escola se manifesta, chamando-os para informá-los ou mesmo aplicando algum tipo de advertência na criança. “É provável, porém, que esse comportamento tenha se manifestado antes e não somente em momentos em que estão longe dos pais e em contato com outras crianças”.
 
Segundo a psicóloga, o comportamento agressivo na infância se manifesta geralmente no ambiente escolar, porque as crianças ficam envolvidas com outras crianças, tem que lidar com frustrações, regras e limites. Esse ambiente pode propiciar manifestações de sentimentos que as crianças ainda não sabem controlar, como raiva e irritação, fazendo com que ela se comporte de forma agressiva.
 
“As crianças hoje são extremamente estimuladas em todos os ambientes. Em casa pelos pais, na escola pelos professores e ainda em atividades extras, como inglês, futebol, balé, música. Esse mar de informações pode causar uma confusão na cabeça dos pequenos que ainda não sabem lidar com os sentimentos novos que irão surgir em todos esses ambientes e como controlá-los”.
 
Assim, a primeira atitude dos pais é estarem atentos se eles próprios mantêm comportamentos agressivos diante das crianças, mesmo que seja somente na forma de falar. “A criança exposta a tal ambiente reproduzirá esse comportamento em casa ou em qualquer outro ambiente com outras crianças, com os animais domésticos e também com os adultos”, diz Paula. “É preciso sempre lembrar que os adultos são os modelos para as crianças e que elas estão aprendendo e reproduzindo seus comportamentos”.
 
Além disso, ela ressalta, para a criança deve ficar claro que comportamentos inadequados como xingamentos, brigas, beliscões, tapas e qualquer outro não são corretos e não serão aceitos e que dessa forma ela não resolve as situações e nem consegue o que quer.
“Para isso, os pais devem conversar com as crianças e colocar consequências à estas atitudes. Retirando a criança da situação, do ambiente em que ela está sendo agressiva e fazendo com que ela reflita sobre o que ela fez. Para que ela entenda que aquele comportamento não será tolerado. Sempre deixe claro para a criança por qual comportamento ela está sendo punida. E não volte atrás. Lembre que para a criança tudo é atenção, inclusive uma bronca ou um castigo”.
 

Nem prepotente, nem impotente, eficiente.

O Nucleo Paradigma em parceria com o projeto Alcance abre seu espaço e apresenta no dia 22/09 o curso "Nem prepotente, nem impotente, eficiente: aprimorando a relação entre pais e filhos". Faça a sua inscrição! - VAGAS LIMITADAS


Descrição
O curso tem como objetivo aperfeiçoar a relação entre pais e filhos instrumentalizando os pais, através da compreensão sobre o funcionamento do comportamento ...
da criança, a lidarem com seus filhos. Em clima intimista e acolhedor, com base na teoria da Análise do Comportamento, as psicólogas que ministram o curso irão debater com os pais estratégias para enfrentarem os conflitos diários.

Psicólogas

Ana Beatriz D. Chamati:
Mestranda em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento (PUC-SP), especialista em Clínica Analítico-Comportamental (Núcleo Paradigma) e com formação em Clínica Analítico-Comportamental Infantil (Núcleo Paradigma). Professora e supervisora do curso de Formação em Clínica Analítico-Comportamental Infantil do Núcleo Paradigma e supervisora no grupo Pró-estudo. Atendimento de crianças e adolescentes em consultório particular e intervenções em ambiente escolar e residencial.

Bia Alckmin:
Especialista em Clínica Analítico-Comportamental (Núcleo Paradigma) e com Formação em Clínica Analítico-Comportamental Infantil (Núcleo Paradigma). Atendimento de crianças e adultos em consultório particular e intervenções em ambiente escolar e residencial. Mãe de trigêmeos de seis anos.

Público Alvo: pais e profissionais da área de educação

Contato e Inscrições:

www.alcancepsicologia.com

www.facebook.com/Alcancepsicologia

paisefilhos.bias@gmail.com

(11) 983969496

'Viciados' em jogos preocupam pais e psicólogos

Jogos de RPG on-line estão criando uma legião de adolescentes dependentes e levando à especialização do atendimento psicológico e psiquiátrico no Brasil.
Fenômeno recente, esse tipo de vício fez também com que clínicas para dependências químicas (como álcool e tabagismo) se adaptassem para tratar a nova patologia.
A Associação Americana de Psiquiatria chegou a considerar a inclusão do vício em videogames na nova e quinta versão do DSM (Manual de Diagnósticos e Estatísticas), mas decidiu que ainda não há evidências suficientes.
Não é raro, porém, que psiquiatras e psicólogos se deparem com casos de adolescentes e adultos jovens com graves consequências em suas vidas por causa do uso excessivo dos jogos. Pesquisas também mostram semelhanças entre os jogos on-line e os de azar, como bingos.
Entre os jogos de videogame, aqueles que têm o maior potencial de criar dependência são conhecidos como MMORPG ("massively multiplayer online roleplaying game"). Traduzindo: diversos participantes se aventuram em desafios e simulações de guerras (para citar um dos cenários do RPG) de forma intensa, por muitas horas ou até dias seguidos.
O poder viciante desses jogos tem a ver com suas características: não há "game over"; o sucesso depende das horas investidas; e os desafios requerem um grupo de jogadores (para lutar contra o próprio jogo ou contra outras equipes), o que os torna responsáveis pelo time e os desestimula a deixá-lo.
EM BANDO
Há também um sistema de recompensa pelos desafios enfrentados, e a interação entre os jogadores acaba funcionando como rede social.
"Muitos dos pacientes contam que o mais legal é a interação com os colegas no jogo. Dizem se sentir mais valorizados, queridos e eficazes no jogo do que em casa ou na vida", diz Cristiano Nabuco, pesquisador na área de dependência em internet do Instituto de Psiquiatria da USP.
A psiquiatra Analice Gigliotti, chefe do setor de dependências químicas da Santa Casa do Rio de Janeiro e médica do Espaço Cliff, conta que começou a tratar dependentes de tabaco há 20 anos, mas há pouco tempo teve de aprender a lidar com os jogadores compulsivos.
"A internet é a dependência da vez, com um uso cada vez mais distribuído. Nela, os jogos on-line são os mais perversos", afirma.
Além do Rio, há serviços especializados em dependências tecnológicas em São Paulo e Porto Alegre. Psiquiatras e psicólogos que tratam de transtornos do impulso também têm lidado mais e mais com jogadores on-line.
Em outros países, o problema é mais discutido e também mais grave: Coreia do Sul, China e Estados Unidos têm casos de mortes de jovens em decorrência de dias ininterruptos de jogos. Nos EUA, no início do mês, um garoto de 15 anos foi hospitalizado por exaustão e desidratação após jogar "Call of Duty" por quatro dias inteiros.
Serviços especializados em jogos on-line também são mais numerosos e existem desde 2006 na Europa. Na Coreia do Sul há até um acampamento de "desintoxicação" de jogos para meninos, onde eles fazem atividade física e reaprendem a brincar.
PASSATEMPO
A tendência, dizem especialistas, é que o problema comece cada vez mais cedo, até porque já há redes sociais com jogos para crianças, e o uso de eletrônicos é estimulado pelos próprios pais.
"Sempre se pensou que era um passatempo inofensivo. Mas começamos a ver uma situação curiosa nas famílias: o problema estava dentro do quarto dos adolescentes, enquanto os pais achavam que assim estavam seguros", afirma Daniel Spritzer, psiquiatra e coordenador do Grupo de Estudos de Adições Tecnológicas, em Porto Alegre.
É o caso de Julio (nome fictício), 18, do Rio de Janeiro. Sua mãe, que também preferiu não se identificar, percebeu que o simples gosto por jogos eletrônicos havia se tornado um vício quando o filho parou de estudar e perdeu o interesse em sair de casa.
"O problema piorou aos 15 anos. Se eu pedia para ele sair do computador, começava a briga. Ele mentia dizendo que ia dormir, mas ficava jogando. O que mais doeu foi o afastamento da família. Não sabia mais o que fazer."
Ela conta que a coisa piorou de vez quando ele repetiu de ano e começou a colocar dinheiro na conta de outra pessoa para que seu personagem no jogo ficasse mais poderoso. A solução foi buscar tratamento em uma clínica privada, no início do ano.
"Ele não está 100%, mas já melhorou muito. Faz terapia e usa remédio para controlar a compulsão", diz a mãe.
Segundo Gigliotti, é importante que os pais busquem ajuda porque esse comportamento pode se arrastar e atrapalhar durante toda a vida.
Quanto à abordagem, Spritzer diz que os pais precisam se aproximar do filho sem recriminá-lo para abrir um canal de comunicação.
"Não adianta virar policial do filho. A ideia do tratamento é reaprender a usar o computador e colocar outras atividades no lugar."
Fonte Uol

["Comporte-se"]: Sobre o programa "Saia Justa" e a disseminação de mitos sobre o Behaviorismo

Prezados,

O programa “Saia Justa”, veiculado pela GNT, exibiu uma matéria intitulada New Behaviorismo, na qual foram exibidas cenas do filme Laranja Mecânica, que, segundo a apresentadora, representa uma crítica às teorias do psicólogo americano B. F. Skinner. Ela explica:
 
"Em 'A Laranja Mecânica', o personagem do criminoso Alex é submetido a uma terapia sádica de modificação do comportamento. O clássico, do diretor Stanley Kubrick, é baseado no romance homônimo de Anthony Burgess, publicado há 50 anos, e a referência à terapia era uma crítica às teorias deste psicólogo: B. F. Skinner. Ele era defensor de um Behaviorismo Radical, denunciado na época como autoritário. Uma tentativa de controlar o comportamento da população. Mas, meio século depois, é a população que está tentando se controlar. A Tecnologia inspirou um tipo de Behaviorismo da autoajuda. Graças aos Smarthphones e Tablets. Nós, agora, temos à disposição, aplicativos para modificar comportamentos e viver melhor...” (continua no vídeo)*.

Em um movimento coletivo, os analistas do comportamento brasileiros estão contatando a produção do programa através de seu formulário próprio de contato e expressando indignação pela leviandade com que a abordagem foi tratada. Várias pessoas, sites se páginas no facebook já estão participando.
 
Leia a matéria na integra: Comporte-se

Infância traumática pode levar à dependência de drogas durante a vida

Crianças que passam por situações de abuso físico, sexual ou emocional são mais propensas a desenvolver comportamentos associados ao vício.
 
 
Segundo uma nova pesquisa da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, pessoas que tiveram uma infância traumática adquirem traços de personalidade, como impulsividade ou compulsão, que são associados a um maior risco de dependência em drogas. O estudo foi publicado nesta sexta-feira no periódico American Journal Psychiatry. “Há muito se sabe que situações de abuso e violência na infância ajudam a determinar o comportamento e a personalidade que uma pessoa apresenta durante a vida, e nossos resultados confirmaram esse conceito”, diz a coordenadora do trabalho, Karen Ersche.
 
Estiveram envolvidos no estudo 50 adultos dependentes de cocaína, que foram comparados com seus irmãos biológicos que nunca haviam apresentado problemas com drogas. Todos esses indivíduos foram submetidos a extensas e aprofundadas análises de personalidade e também relataram se haviam sofrido experiências negativas na infância — como abuso físico, emocional ou sexual.
 
Consequências — Os resultados indicaram que existe uma relação direta entre situações traumáticas na infância, personalidade impulsiva e dependência de drogas. “É uma associação interessante, pois traços de impulsividade são conhecidos por elevar as chances de dependência química, mas não podem ser considerados como uma desculpa para o abuso de drogas”, diz Ersche.
 
A pesquisa ainda mostrou que os irmãos dos dependentes, que também tiveram uma infância traumática, embora não abusassem de drogas, apresentavam traços de personalidade associados ao vício. Os pesquisadores pretendem estudar de que maneira os irmãos que apresentavam essas características não se tornaram dependentes de drogas durante a vida — ou seja, o que torna uma pessoa que é propensa ao vício ‘resistente’ ao problema. Com isso, eles acreditam que seja possível criar abordagens terapêuticas mais eficazes para combater a dependência química
 
Fonte Veja

Bullying e Cyberbullying - Dra. Lygia Dorigon

A Dra. Lygia Dorigon responde perguntas do público a respeito dos temas bullying e cyberbullying.

Geração de filhos únicos

 
Os filhos únicos normalmente são crianças planejadas, pois os pais decidiram ter apenas um filho para poder dar tudo de forma integral, principalmente atenção exclusiva. Mas tudo que é demais pode gerar saciação ou despreparo para lidar com a falta e os pais precisam ficar atentos. Devem dar amor e atenção mas também impor limites, assim, a criança crescerá sabendo o que é certo e errado e que o mundo não gira em torno dela.
 
Como os filhos únicos convivem com muitos adultos, são crianças com vocabulário avançado para a idade e são muito criativos, já que desenvolvem habilidades brincando sozinhos. Mas, por outro lado, faltam modelos variados de conduta e, muitas vezes, apresentam dificuldades de relacionamento principalmente com outras crianças. As outras crianças, que vivem em um padrão diferente, não o compreendem devido ao seu repertório diferenciado e por isso há desavenças.
 
Por estar acostumado a ser o centro das atenções e ter seus gostos realizados pelos adultos, o filho único tem dificuldade em dividir e ser frustrado. Isso implica em uma inabilidade para lidar com o próximo quando esse não faz aquilo que esperam.
 
Na relação com outras crianças isso tende a se agravar, pois o outro pode não querer ceder. Sem habilidade para lidar com isso, é comum que o filho único arrume confusões e até mesmo bata em um coleguinha ou seja vítima de uma criança maior. Mas isso acontece só até a sua adaptação para lidar com um semelhante e reconhecer as diferentes regras de um novo ambiente.
 
Assim, é importante que os pais de filhos únicos favoreçam o contato de seu filho com outras crianças, para que eles aprendam as regras de conduta dos pequenos, levando os filhos para passear em locais infantis, beneficiando o contato e o entrosamento com novas crianças.
 
Outro fator importante é dar os limites adequados, pois, muitas vezes os pais relevam atitudes inadequadas porque seu filho é “sozinho”. Isso não faz bem à criança, pois ela não aprende as conseqüências de seus atos e não sabe até onde pode ir. Assim como também não ajuda nada superproteger o filho, uma vez que ele não saberá se defender sozinho; o que é fundamental no convívio com outras crianças e no futuro para suas relações sociais em geral.
 
Outro fator a ser considerado é quando os pais esperam atitudes maduras de seus filhos. Lembre-se, ele pode mostrar algumas atitudes maduras porque convive com muitos adultos, mas ainda é uma criança. Os comportamentos acima da norma são uma exceção e não a regra.
 
Para auxiliar o desenvolvimento saudável do filho único, ensine-o a compartilhar. Aprendendo a dividir, ele terá um convívio mais fácil com os demais.
Fonte Nota10