Como enfrentar a tirania infantil


Se o exemplo não está em família, certamente todo mundo conhece alguém que enfrenta problemas com criança excessivamente mimada, birrenta, que inferniza a vida dos que estão ao redor quando é contrariada. As reações são típicas: cara feia, braços cruzados, choro, gritos e que perduram até conseguir o que deseja.

As consequências imediatas são conhecidas: os pais viram reféns do filho, que se transforma em um pequeno tirano do lar, a relação do casal é prejudicada, assim como o convívio social. Já as consequências futuras podem ser ainda piores, como alerta a psicóloga Paula Pessoa Carvalho.

"No futuro, ela poderá ter dificuldade de relacionamento, pois não saberá aceitar o que é diferente, tornando-se um adulto intolerante que não sabe lidar com a frustração. Os pais devem entender que o filho irá crescer e enfrentar situações onde não estarão presentes. Por isso, devem criá-lo para conviver em sociedade, preparado para se relacionar com outras pessoas e lidar com situações nem sempre favoráveis", diz a psicóloga, especializada em comportamento infantil e orientadora educacional.

Mas que fique o aviso: não se trata de voltar ao modelo antigo, quando bastava um olhar mais severo para a criança encolher. Paula Carvalho enfatiza que o zelo sempre é essencial para uma criança, o problema são os excessos. "Na sociedade em que vivemos os pais querem compensar a ausência com permissividade e cuidados. Porém, sua ausência em razão de necessidade de trabalho não pode ser utilizada como "desculpa" para não impor limites e educar bem os filhos".

Criança sabe manipular situações

O mimo exagerado pode ser consequência da superproteção ou mesmo de certa negligência, já que há quem ache mais fácil atender aos desejos do que impor limites e gastar energia discutindo com a criança.
Mas não se engane: as crianças desde pequenas aprendem a manipular as situações perante os adultos, principalmente quando esses se deixam manipular por excesso de ausência ou para suprir outras necessidades. "Desde pequena, a criança deve ter limites de educação e respeito. Os pais não devem ceder aos pequenos, ensinando para eles o respeito ao próximo", afirma Paula Carvalho.

Segundo ela, é preciso ter em mente que a criança está aprendendo a como lidar com tudo em seu desenvolvimento psicossocial. "Ela irá testar os adultos, cabe a esses estarem prontos para mostrar ao filho o que é certo e errado, ensinando a se relacionar com o que é diferente, dar segurança para a criança, autonomia, discernimento. E para isso é preciso dar amor, limites, respeitar os pequenos e nada pode substituir essa necessidade, muito menos o excesso de proteção".

Os riscos da superproteção

Autor do livro "Seu bebê em perguntas e respostas - Do nascimento aos 12 meses", o pediatra Sylvio Renan é defensor do amor e do diálogo entre pais e filhos, mas faz algumas ressalvas: "Toda criança precisa de atenção e cuidados especiais. Porém, nossos pequenos necessitam, também, crescer e descobrir um mundo repleto de desafios e gostosuras. É preciso que os adultos permitam a seus filhos liberdade, ensinando responsabilidade. Privar e superproteger interfere no progresso, seja físico ou psicológico da criança. Proteção exagerada pode gerar instabilidades, receios, ansiedades e angústias, dificultando que estas crianças se tornem indivíduos adultos independentes", esclarece.

O pediatra aconselha que se dê aos filhos a oportunidade de crescer como pessoa, de poder enxergar o mundo com seus próprios olhos, de viver momentos mágicos, encontrar desafios e novas descobertas, superar seus medos e inquietações. "Isso faz parte do desenvolvimento de qualquer pessoa. Lembre-se: Quem ama, cuida. Quem ama, permite! Mas também disciplina e impõe limites!".

Como controlar a agressividade?

O comportamento agressivo é uma atitude muito comum na infância e se manifesta geralmente no ambiente escolar, porque as crianças ficam envolvidas com outras crianças, tem que lidar com frustrações, regras e limites. "Esse ambiente pode propiciar manifestações de sentimentos que as crianças ainda não sabem controlar, como raiva e irritação, fazendo com que ela se comporte de forma agressiva", informa Paula Carvalho.

A psicóloga orienta os pais para não manifestarem comportamentos agressivos diante das crianças, mesmo que seja somente na forma de falar. "A criança exposta a tal ambiente reproduzirá esse comportamento em casa ou em qualquer outro ambiente com outras crianças, com os animais domésticos e também com os adultos".

Para a criança deve ficar claro que comportamentos inadequados como xingamentos, brigas, beliscões, tapas e qualquer outro não são corretos e não serão aceitos e que dessa forma ela não resolve as situações e nem consegue o que quer.

O que se recomenda é os pais conversarem com a criança e colocare consequências a essas atitudes. É importante retirar a criança da situação, do ambiente em que ela está sendo agressiva e fazer com que ela reflita sobre o que ela fez para que ela entenda que aquele comportamento não será tolerado. Sempre deixe claro para a criança, por qual comportamento ela está sendo punida. E não volte atrás. Lembre que para a criança tudo é atenção, inclusive uma bronca ou um castigo".

Psicóloga explica como crianças podem superar o trauma de um assassinato

Zeena, a filha de 4 anos do casal britânico de origem iraquiana que foi morto na última quarta-feira em seu carro, em Annecy, nos Alpes franceses, foi encontrada pela polícia oito horas depois de eles terem chegado à cena do crime, no sul da França.
Ela estava escondida sob o corpo de sua mãe. Não havia ferimentos aparentes, mas o trauma do que viu e a perda de seus pais provavelmente vão afetá-la para o resto de sua vida.
Zeena passou a noite da última quarta-feira no hospital, com uma enfermeira ao seu lado.
De acordo com Emma Citron, psicóloga clínica especializada em traumas de infância, Zeena pode ter sofrido reação de estresse agudo, um choque enorme, ao testemunhar um incidente assustador.
“Trata-se de uma espécie de bloqueio de reação. A reação oferece proteção contra os estímulos ao redor, porque começa dentro da pessoa", disse Citron.
"De certa forma, isso permite que a pessoa supere as situações mais terríveis", acrescentou.
Segundo Citron, crianças da idade de Zeena já têm um conceito de vida e morte. Elas, no entanto, apresentam uma noção menos desenvolvida do que as das crianças mais velhas, que reconhecem as implicações da morte dos pais.
O promotor de Annecy, Eirc Maillaud, disse que encontrou Zeena "aterrorizada e imóvel entre os cadáveres."
A polícia de Annecy falou brevemente com a menina. Citron disse que pode levar até uma semana para que os investigadores possam questionar Zeena.
Enquanto a polícia tenta obter informações, é preciso ter cuidado para falar com Zeena, para não traumatizá-la novamente ou não fazer com que ela reviva o crime, acrescenta Citron.
"Do ponto de vista da psicoterapia, é melhor para a criança estar entre os entes queridos, mas é claro que a polícia deve tentar encontrar essas pistas vitais”, disse Citron.

Traumas

Há um risco forte e imediato de que Zeena sofra de estresse pós-traumático (PTSD, na sigla em inglês), e isso pode se manifestar de diferentes maneiras, de acordo com o psicólogo.
Flashbacks, recorrência do incidente como um filme em sua mente, enurese (falta de controle da micção) e insônia são alguns sintomas observados em crianças com estresse pós-traumático.
A psicóloga acrescentou que, futuramente, as crianças que testemunharam acontecimentos violentos podem ter problemas na escola e sentir que vivem "em uma área ou mundo diferente" do que todos os outros.
Elas também poderiam ter dificuldade em fazer amigos.
“Ter parentes próximos e queridos é fundamental nesse tratamento, que pode levar anos e anos”, explicou.
“Mesmo para um bebê, pode ser traumático, quando, mais velho, perceber que perdeu os parentes e colocando todas as peças desse quebra-cabeça juntas”, disse.
A experiência de cada criança a uma atrocidade é diferente e muito pessoal, afirmou.
A capacidade de Zeena em lidar com o trauma dependerá de uma série de fatores, incluindo a sua capacidade de resistência e predisposição genética.
"Quando ela crescer, grande parte de sua recuperação vai depender de sua personalidade, seus genes”, concluiu
Fonte: BBC Brasil

Forma rara de autismo poderia ser tratada com suplementos alimentares, segundo estudo


Um simples suplemento alimentar poderia ajudar a tratar um tipo raro de autismo que está vinculado à epilepsia e, ao que tudo indica, a uma deficiência de aminoácidos, segundo um estudo publicado na revista Science esta semana.
Cerca de 25% das pessoas que sofrem de autismo são também epilépticos, ou seja, possuem um problema nas conexões elétricas cerebrais caracterizado por convulsões cujas causas são em sua maior parte desconhecidas.
Pesquisadores americanos da Universidade da Califórnia em San Diego e de Yale (Connecticut, nordeste dos Estados Unidos) foram capazes de isolar uma mutação genética em alguns pacientes autistas epilépticos que acelera o metabolismo de certos aminoácidos, o que gera uma carência.
Esta descoberta poderia ajudar os médicos a diagnosticar este tipo de autismo mais rapidamente, o que permitiria também começar um tratamento mais cedo.
Segundo os autores deste trabalho seria possível também tratar esta forma de autismo com suplementos alimentares que contêm os chamados aminoácidos ramificados, como mostram experimentos realizados com camundongos geneticamente modificados para ter a mesma mutação genética.
"Foi muito surpreendente encontrar mutações genéticas que afetam o metabolismo e que são específicas do autismo e podem ser potencialmente tratadas", afirmou o coautor do estúdio Joseph Gleeson, professor de neurociência da Universidade da Califórnia, em San Diego.
"O que é mais excitante é que o potencial tratamento é óbvio e simples: trata-se de dar aos pacientes afetados os aminoácidos que faltam a seu organismo", disse.
O professor Gleeson e seus colegas sequenciaram uma parte do genoma de crianças autistas em duas famílias que sofriam epilepsia e que contavam com a mutação do gene que regula o metabolismo dos aminoácidos ramificados.
A equipe de Gleeson realizou testes com suplementos alimentares comuns disponíveis em herbários em camundongos modificados geneticamente.
Os camundongos com a mutação genética específica mostraram sintomas de autismo, incluindo ataques de epilepsia, mas ao serem tratados com suplementos alimentares, a condição deles melhorou.
"Estudar os animais foi essencial para nossa descoberta", afirmou Gaia Novarino, do laboratório Gleeson, e principal autor do estudo.
"Uma vez que descobrimos que podemos tratar a condição em camundongos, a questão era se funcionaria de forma eficaz em nossos pacientes", disse.
Os pesquisadores forneceram o suplemento a pacientes humanos, mas ainda não há dados suficientes para determinar se o tratamento serviu para melhorar os sintomas do autismo.
Fonte: Terra

Sinais de que há algo errado com o comportamento da criança

A seguinte matéria foi elaborada pela jornalista Cristiane Marangon, do Site do Bebê (Editora Abril) em maio de 2012, tendo como um dos entrevistados a psicóloga e colunista do Blog do InPA Juliana de Brito Lima.


Detectar desconfortos emocionais nos pequenos não é tão simples quanto perceber os de ordem física. Saiba reconhecer indícios como agressividade, recusa a se alimentar, problemas de sono, entre outros, e identificar suas causas

Desejar que um filho cresça saudável, feliz e que nada de mal aconteça a ele é natural e faz parte de cada dia da vida de pais e mães. A pergunta “será que está tudo bem o meu filho?” ecoa como um mantra na cabeça dos adultos. Afinal, quais são os sinais que revelam que algo está fora dos padrões?

Para a psicanalista e professora Isabel Kahn Marin, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o principal critério é observar se a criança, frente ao novo, busca coragem para ir adiante. “Estranhar as novidades é comum. O que não pode acontecer é a paralização diante de um desafio”, explica. “Não conseguir dormir, ter medo de tudo, ficar calado demais e ter atitudes de recusa o tempo todo são indícios de que algo não vai bem.” Cuidado apenas com os diagnósticos antecipados. O pequeno pode até não querer comer, mas, se no fim das contas se alimenta, tudo corre dentro da normalidade.


Em um primeiro momento, as referências familiares são fundamentais para detectar qualquer dificuldade. Pais, mães, avôs, avós e babás devem se organizar para ajudar o pequeno. “Se ele quer o brinquedo de outro garoto e, por isso, joga a areia do parque nele, cabe aos responsáveis orientá-lo, alertando que essa atitude não é adequada”, ensina a professora. “É fundamental a mediação de um adulto para que ele se adapte às exigências do mundo.”



Quando uma dificuldade não é resolvida em casa, vale conversar com os profissionais que atendem a criança – professor e pediatra. Caso não se observe mudanças importantes nas manifestações de desconforto, o caminho é buscar orientações com profissionais ligados ao desenvolvimento infantil, como os psicólogos.

Cabe ressaltar que muitos problemas apresentados sofrem influência paterna ou materna. Agressividade pode indicar pais permissivos ou abusadores e ansiedade tem a ver com pais autoritários ou também ansiosos. “Muitas vezes, na psicoterapia infantil, um treinamento parental é o suficiente para reduzir a frequência do comportamento problemático”, afirma a psicóloga Juliana de Brito Lima, de Teresina (PI), e também colunista do blog do Instituto de Psicologia Aplicada (InPA), de Brasília (DF).

Segundo a psicóloga não é raro encontrar crianças com problemas de comportamento que são reflexo de desajustes conjugais ou mesmo emocionais de seus progenitores, uma vez que elas estão sensíveis ao ambiente que as cerca. “Daí a importância da avaliação comportamental do pequeno e encaminhamentos dos responsáveis para outros tratamentos, como terapia de casal ou individual.”

Comecinho de vida

Os bebês, desde cedo, apresentam sua personalidade, mesmo que ainda em formação. “Com o tempo, identificamos suas preferências e aprendemos a vê-lo como um indivíduo, trazendo em si aquilo que diferencia um ser humano de outro – sua subjetividade”, explica a equipe do Entre Laços – núcleo de atenção à primeira infância. “Quanto mais nos abrimos para ler o bebê, mais aprendemos sobre ele!” Para que sua mensagem seja interpretada pelo adulto que o cuida, é fundamental estar aberto para aprender e ensinar como a relação entre eles vai se desenvolver.

No início da vida, a criança traduz, por meio do corpo, suas experiências psíquicas. Ela pode expressar bem-estar quando o desenvolvimento se dá de maneira harmoniosa ou algum sofrimento psíquico quando algo não vai bem. “Ao observarmos como acontece a alimentação, o sono, a vocalização, o olhar, o brincar e a postura desse bebê, podemos traçar um panorama de como ele está se desenvolvendo do ponto de vista cognitivo, social e emocional”, afirmam os profissionais do Entre Laços.

Bebês que comem demais ou rejeitam com frequência diversos alimentos, que dormem muito ou mantém um sono curto por longo período, que não se comunicam com o olhar ou emitem gritos inarticulados ou mudismo excessivo, que não interagem ao brincar com o próprio corpo ou na exploração de objetos, que apresentam o corpo relaxado ou tensionado demais podem estar sinalizando que algo não vai bem do ponto de vista emocional.

Vale destacar que o estranhamento a cada fase nova de seu desenvolvimento é esperado, como apresentar dificuldade de sono por mudar do berço para a cama ou recusar a se alimentar na passagem da dieta pastosa para a sólida. Os adultos serão os condutores dessas mudanças. Se elas forem feitas respeitando o ritmo individual, as fases de estranhamento não devem permanecer por muito tempo.


Pouco depois

Mesmo quando o quando o bebê cresce e já faz uso da fala para expressar seus desejos e protestos, os adultos que o rodeiam devem se atentar. O fato de começar a dominar o discurso não quer dizer que ele já domina as causas de seu desconforto, principalmente se for emocional. “O que dá pistas de que algo não vai bem é, de novo, o seu comportamento”, explica o pessoal do Entre Laços. “Além de todos os sintomas já citados como preocupantes para os bebês, roer unha, diminuição do apetite, reagir à entrada na escola e pesadelos também são indícios.” Vale destacar que essas manifestações podem ser ocasionais, frente à introdução de novidades, afinal, qualquer um apresenta alguma mudança de comportamento diante do novo.

Juliana enfatiza outros fatores de observação, considerando a necessidade de auxílio profissional: apatia, tristeza, irritabilidade, olhar vago ou perdido, esquiva de contato visual, atrasos na aquisição e desenvolvimento da linguagem e psicomotricidade, dificuldade na compreensão e aprendizagem, déficit no seguimento de regras impostas pelos cuidadores, agressividade, agitação psicomotora e perturbação do sono.

Os cuidadores, ao observarem mudanças de comportamento nos pequenos, podem traduzir o que imaginam estar acontecendo, independentemente de sua idade: “Você pode estar estranhando essa nova comida, mas já tem dentinhos fortes e condições de mastigar”, “Sua cama está diferente, mas o papai e a mamãe vão continuar contando historinhas antes de você dormir”. Com palavras tranquilizadoras e apostando na condição da criança de superar as dificuldades iniciais, o comportamento não tende a persistir.

Bem maiorzinho

Quando ingressa na escola, a criança exercita aspectos cognitivos (pela aprendizagem de conteúdos escolares) e sociais. É nessa fase que se desenvolve a socialização, pois já é possível interagir, brincar em grupos e assimilar regras, valores, habilidades (como civilidade, expressão emocional, empatia, fazer amizades e resolver problemas interpessoais).

Os pais devem observar, sobretudo, dois sinais: se há problemas acadêmicos (baixo desempenho escolar, alguma dificuldade de aprendizagem, baixas concentração e atenção, agitação ou retardo neuropsicomotor, recusa de ir à escola, ansiedade diante de atividades escolares) e prejuízos sociais (se exclui ou é excluído dos grupos de amigos, se é isolado, se é bem quisto pelos colegas, se é agressivo ou retraído diante dos amiguinhos etc.). Como a criança chega da escola também merece de atenção. Perceba como ela relata as atividades acadêmicas de que participa (se com entusiasmo ou apatia, por exemplo), se chega com dúvidas que poderia ter sanado com os professores e como interage socialmente.

Recomenda-se que os pais observem um pouco a criança antes do início das aulas ou na saída da escola. “Muitas vezes, as questões escolares são fontes de ansiedade quando um fracasso ou um erro vem acompanhado de uma punição. É o caso das provas, que podem desencadear ansiedade significativa quando a família é exigente quanto às notas”, explica Juliana.
 É importante avaliar cada comportamento em seu contexto, buscando variáveis que o influenciam e o mantêm. O contato frequente com os professores e com os demais pais nas reuniões escolares e a conversa diária com os filhos, verificando como foi o dia, o que aprendeu, quem são os amigos, de quem gosta mais, o que faz diante de alguém que não gosta muito, também constituem fatores que ajudam na detecção precoce de problemas infantis, favorecendo um melhor prognóstico.
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Juliana de Brito Lima é Psicóloga (CRP 11ª/05027), formada pela Universidade Estadual do Piauí e especializanda em Análise Comportamental Clínica pelo Instituto Brasiliense de Análise do Comportamento – IBAC. É membro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental – ABPMC e Psicóloga do Centro Integrado de Educação Especial – CIES e da Clínica Lecy Portela, em Teresina-PI. Tem experiências acadêmicas (linha de pesquisa “Desenvolvimento da criança e do adolescente em situações adversas” do Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná/ NAC-UFPR) e profissionais na área clínica (atendimento a criança, adolescente e adulto), jurídica e educação especial, na orientação de pais.
Fonte: Instituto de Psicologia Aplicada - InPA
Telefone - (61) 3242-1153

Palavras “hã” e “hum” preparam criança para aprendizado


Lacunas no discurso ajudam os pequenos a supor o significado do próximo vocábulo
 
mãe penteando o cabelo da filha, pastel e guache sobre papel,
mary cassatt, 1879, the brooklyn museum, nova york

O hábito de fazer muitas pausas durante uma explicação normalmente é visto como sinal de insegurança ou indício de que a história narrada não é verdadeira. No entanto, uma pesquisa publicada pela Science demonstra que interromper uma frase e usar “palavras de preenchimento” como “hã” e “hum” enquanto falamos com as crianças pequenas pode ajudá-las a supor o significado do próximo vocábulo. Ao que tudo indica, elas pressupõem que depois dessa lacuna no discurso virá uma palavra nova e interessante. Em seu experimento, a linguista Celeste Kidd, da Universidade de Rochester, em Nova York, e sua equipe mostraram a crianças de 2 a 3 anos diversos pares de imagens contendo um objeto do qual elas sabiam o nome e outro que ainda não haviam aprendido como chamar. Quando os pequenos ouviam: “Olhe para o... hum...”, eles se voltavam rapidamente para o que ainda era desconhecido – antes mesmo de o adulto terminar a frase. Quando o pedido era feito em um discurso fluente, as crianças só direcionavam o olhar para o que fora indicado após receber a instrução completa. Os pesquisadores acreditam que os pequenos não associam palavras de preenchimento a determinado objeto, mas julgam-nas como indício de que a mensagem seguinte será diferente das costumeiras. O que ainda não se sabe é como eles conseguem fazer essa associação.

Fonte
Mente e Cerebro

Crianças que assistem a cenas de sexo podem perder virgindade mais cedo


Assistir a filmes com cenas de sexo durante a infância pode influenciar no comportamento sexual na adolescência. De acordo com uma pesquisa da Faculdade de Dartmouth, nos Estados Unidos, o hábito faz com que aumente a possibilidade de o jovem perder a virgindade mais cedo, ter mais parceiros sexuais e não usar preservativo em relações casuais. Os dados são do jornal Daily Mail.
Os cientistas listaram 684 filmes de maior bilheteria entre 1998 e 2004 e avaliaram seu conteúdo sexual. Depois, pediram a 1.228 participantes, com idade entre 12 e 14 anos, que dissessem quais daqueles filmes haviam visto. Seis anos depois, eles foram entrevistados e falaram sobre a vida sexual.
"Esses filmes parecem influenciar fundamentalmente a personalidade por meio de mudanças em busca de sensações, que têm implicações de longo alcance para todos os seus comportamentos de risco", disse o pesquisador Ross O'Hara. Embora seja impossível provar a ligação direta entre filmes e comportamento sexual, o profissional enfatizou que os resultados sugerem que os pais devem realmente evitar que as crianças tenham acesso a conteúdo erótico.
Fonte: Terra

Pesquisadores sustentam que brincar é fundamental; entenda por quê


Os amigos imaginários, as brincadeiras com bonecos e fantoches, os desenhos,
e todo o mundo da representação surgem por volta dos dois anos e não param mais

Qualquer que seja a cultura ou a época, a criança brinca. Desde o bebê que põe na boca todo objeto que vê na frente até as crianças que jogam vôlei na rua, qualquer criança saudável sente prazer em brincar. Mas qual a importância disso? Em resumo, a brincadeira constrói a mente. “O brincar desenvolve a percepção, a coordenação motora, a criatividade, o vocabulário, a afetividade e o vínculo com o outro”, diz Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia.
 
Acontece que não somos como um computador: não nascemos com algum tipo de programa pré-instalado que nos permita, de cara, reconhecer e entender o que está à sua volta, comunicar-se, criar novas coisas, lidar com suas emoções e obedecer a regras. E esse “programa” tampouco pode ser instalado de cima para baixo, como em uma sala de aula onde o professor dita uma matéria e a criança a copia. Ele é construído aos poucos, livremente, conforme a criança procura obter prazer explorando o mundo e interagindo com outras pessoas. Conforme ela brinca.
 
E como acontece isso? Segundo Jean Piaget (psicólogo suíço, o primeiro a estudar o processo de aquisição de entendimento das crianças) em três tipos de jogos: os de exercício, os simbólicos e os de regras, que vão surgindo conforme a criança cresce. É o que veremos a seguir.

Jogos de exercício: cadê o toucinho que estava aqui?
Quando o bebê ainda é bem pequenininho, o mundo é ele. O resto é um monte de coisas desorganizadas a serem exploradas por meio de seus sentidos e movimentos. “E todos os movimentos que o bebê faz e que dão prazer são um ato de brincar”, diz Paula Birchal, psicóloga e professora da PUC de Minas Gerais.

Por exemplo, ele agita as mãos e acha um chocalho. Sente o objeto, pega-o e percebe que fez barulho. Então chacoalha, chacoalha até que caia no chão. E chora. Depois, agarra uma bolinha. Cheira, morde, bate e joga. A mãe pega a bola e a entrega de volta à criança, que a joga novamente, esperando que a mãe a pegue mais uma vez. É nessa repetição que está o pulo do gato. Basta que, por acaso, uma ação provoque um resultado imprevisto -e prazeroso- para que a criança comece a repeti-la. “Ela vê e faz, vê e faz, e cada vez vai fazendo melhor”, diz Paula. Com o tempo, ela percebe que novos resultados não acontecem apenas por acaso, mas que pode conseguir resultados diferentes mudando intencionalmente suas ações. Que pode combinar ações. Que suas ações podem acontecer em situações diferentes.

É assim, bem aos poucos, com repetições que levam a descobertas, e ações que levam a novas descobertas, que a criança passa a se relacionar com o mundo à volta. É por isso que Paula considera o jogo de exercício o mais fundamental dos jogos. “Se a criança não construir uma relação com o objeto lúdico, não conseguirá construir relações com o outro”, explica. Sem essa interação prazerosa, a criança ficará apática, indiferente.

Em sua tese de doutorado, Paula comparou o comportamento de crianças numa creche de Belo Horizonte onde não havia brinquedos que pudessem estimular esses jogos de exercício. Um grupo continuou como estava, e outro recebeu um kit com bolas, caixa de formas, chocalho, jogo de empilhar, livrinho e mordedores em formato de bichinhos. “Crianças sem esses objetos eram mais passivas, relacionavam-se menos. À medida que mexeram com os brinquedos, apareceu a disputa, a interação, a surpresa e o sorriso. As manifestações afetivas. O brincar promove a afetividade”.

Conforme a criança cresce -e mesmo quando o indivíduo é adulto- os “jogos de exercício” não deixam de existir. Apenas se tornam mais complexos: brinca-se não só com objetos, mas com ideias, sentimentos, pessoas, situações. Mas não deixam de existir. Paralelamente a esses jogos, outro tipo de brincadeira começa a surgir ainda por volta do primeiro ano de idade. Além de explorar algo que existe e que está diante dela, a criança passa a imitar algo que não está presente.

Jogo simbólico: faz de conta
“Tudo começa com a criança fazendo vozes de animais, imitando a mãe e o pai”, diz Maria Angela Barbato Carneiro, coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisas do Brincar da PUC-SP. De certa forma, a criança está brincando com o animalzinho. Mas com uma grande diferença: não é o animalzinho propriamente dito, mas alguma coisa que o substitui.

Esse é o começo do próximo tipo de jogo de Piaget: o “jogo simbólico”. Aqui entramos para o mundo da imitação, da representação, da fantasia. Do faz de conta que surge para valer por volta dos dois anos, e não para mais. São os amigos imaginários, as brincadeiras com bonecos e fantoches, os desenhos, o teatrinho. A caixa de sapato vira carro, um lençol vira cabana da selva. A criança vira mãe, médico, caminhoneiro, professor -o que quiser.

“A criança vai imitar o que ela vir. Vai conversar com amigo invisível, conversar com a boneca como se fosse pessoa, como se fosse o professor ou o colega”, diz Maria Angela. Ela começa esse tipo de jogo sozinha. Mas, conforme cresce, vai bricar com mais outras. Aí está mais um grande passo: esse jogo se tornará socializado, não só no sentido de brincar com mais crianças, mas também no de assumir vários papéis sociais, ainda que na imaginação. “A criança vai imitando tudo o que vê nos adultos, seja na família, seja nas profissões ou em outras situações que possam surgir. E isso é importante para a criança entender esses papéis”, diz Maria Angela.

A fantasia também serve para a autoestima da criança. “Ela pode errar, não chegar até o final. Mas não tem problema. O erro nunca é punido. A criança tem oportunidade de voltar a fazer de novo”, diz Maria Angela. Além disso, tem a oportunidade de criar, ir além. “Se não explorar sua imaginação, a criança vai ficar com um pensamento muito limitado, muito pouco criativo”.

Às vezes o adulto acha que o faz de conta é só um passatempo. É um grave engano. A brincadeira de faz de conta também serve para expressar aquilo que criança não consegue dizer habilmente. “Enquanto brinca com um boneco, a criança pode comunicar, por exemplo, alguma violência que sofra”, conta Maria Angela.

Até aqui, a brincadeira não obedece a regras. Até que, por volta dos cinco anos, começa a ficar claro nas brincadeiras o que vale e o que não vale. O que é perder e o que é ganhar. É quando surge o embrião dos “jogos de regras”.

Jogo de regras: levando na esportiva
Quando a criança é pequena, ela gosta de jogar bola. Primeiro, ela sente a bola. Sua cor, sua textura, sua forma. Depois, joga a bola e vê que ela quica. E acha graça. Então, transforma a bola em outra coisa: num amiguinho, no pai, na mãe, num animalzinho. Mas mesmo que ela já esteja chutando a bola com outras crianças, ela ainda não joga futebol. Se ela brincar de pelota, o dono da bola sempre vai ser vencedor, simplesmente porque ainda não há regras. Tudo pode, tudo vale. Até que, por volta dos seis anos, ela e seus amiguinhos começam a se dividir em aliados e adversários.

O seu jogo não é mais chutar a bola de um lado para o outro, mas chutá-la dentro de uma área determinada, com pessoas determinadas contra outras pessoas determinadas, com regras determinadas. Conforme aprende as regras, constrói estratégias, toma decisões, analisa erros e lida com perdas e ganhos. De pelota, passa a jogar futebol. “Ela aprende a perder, a esperar a vez dela. A lidar com a frustração, a crítica, o que vai ser fundamental para uma adolescência menos sofrida”, diz Vera Barros de Oliveira, presidente da Associação Brasileira de Brinquedotecas.

É então que surgem os campeonatos, desde futebol até plantar bananeira. Também se torna claro quando há justiça ou injustiça. “Quando os pais protegem um filho mais novo, o mais velho geralmente se sente trapaceado, pois o menor burla as regras”, diz Quézia Bombonatto.

Por ser tão importante para o desenvolvimento, a criança precisa praticar todo tipo de brincadeira. “Nossas crianças perderam muito do brincar: pular corda, bolinha de gude, telefone sem fio, jogos de roda. Essas brincadeiras que antigamente aconteciam na rua ficaram restritas à escola”, diz Quézia .

E não basta participar de brincadeiras. É preciso também desempenhar diferentes papéis. “Vejo crianças que ficam à mercê do grupo, e para sentir que pertencem acabam aceitando o papel do fraco. Aceitam o papel de escravo, do capacho. Enquanto as outras crianças jogam bola, elas carregam as mochilas”, diz Quézia. “Esse papel pode existir. Mas uma criança não pode jogar apenas um papel.”
 
Fonte Uol

Uso de celulares e tablets por crianças deve ser mediado pelos pais

Esqueça o tempo em que o uso de aparelhos eletrônicos estava restrito ao mundo adulto. Hoje, as crianças despertam para o universo da tecnologia e destacam celulares, smartphones e tablets na lista de desejos. Como poderia ser diferente? Boa parte já nasceu na era digital, conectada, e todos os"gadgets" são parte da sua realidade.
No Brasil, 59% das crianças de cinco a nove anos já utilizaram um celular. A porcentagem daquelas que já têm o próprio aparelho varia: 24% com nove anos de idade já têm um celular, 16% aos seis anos e 7% aos cinco, de acordo com dados da pesquisa TIC Crianças 2010, realizada pelo NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR) por meio do CETIC.br (Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação). O levantamento contou com respostas de 2.516 crianças de cinco a nove anos de idade em todo o país. “Mesmo com todas as questões econômicas e desigualdades sociais do Brasil, muitas crianças já têm um aparelho próprio”, diz Juliano Cappi, coordenador de pesquisa da organização.
Acesso móvel à internet
De acordo com dados da TIC Crianças 2010, a principal atividade realizada no celular é brincar com joguinhos (84%), seguida por ligar para alguém (64%). Por último, está o acesso a internet (1%), mas, segundo Juliano Cappi, esse número deve crescer na próxima avaliação.
A era do acesso móvel é causa de grande preocupação na hora de colocar um "smartphone" ou um "tablet" nas mãos de uma criança. A partir do momento em que a rede migra para um dispositivo como estes, a possibilidade de usar a internet sem acompanhamento de um adulto aumenta bastante. A cumplicidade entre pais e filhos, a orientação e a conversa aberta são as melhores formas de manter a segurança dos filhos na navegação.
Além dos responsáveis, professores também são indispensáveis. “A função maior da escola é organizar o uso da tecnologia com os estudantes, mostrar a eles quais são as possibilidades, os limites e o lado educativo a ser explorado em cada plataforma”, diz Roberta Deliberato, coordenadora pedagógica de Educação Infantil e Ensino Fundamental da Escola Internacional de Alphaville, de São Paulo. Desde o início do ano, a escola usa "tablets" em 20% das atividades escolares de crianças a partir dos dois anos de idade. Roberta acredita que além de brincar, é possível aprender de forma divertida com o "tablet". Veja dicas da coordenadora de aplicativos que funcionam como apoio para o aprendizado do seu filho:
Idade certa Mas qual é a idade certa para ter um celular pela primeira vez? Para Maria Ângela Barbato Carneiro, coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisas do Brincar da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, é natural que crianças bem pequenas já se interessem pelo objeto, mas o momento ideal para ter um telefone particular é aos 13, 14 anos. “Antes disso é desnecessário. Até essa idade, supõe-se que a criança estará em lugares onde sempre haverá um telefone disponível para ela possa entrar em contato com os pais e responsáveis -seja a escola, o clube, a casa de um amigo”, diz ela.
Segundo Maria Ângela, na faixa entre um e quatro anos, os filhos gostam de mexer no celular para imitar o que os pais fazem, mas não têm noção exata da função do aparelho. “Eles percebem que quando mexem no teclado, a tela acende, o que funciona como um estímulo”, diz a coordenadora. Até os seis, sete anos, o celular acaba funcionando mais como um instrumento de poder. “Está ligado à questão do consumo, ao ‘eu tenho e você não tem’”, afirma Maria Ângela.
Mesmo a partir dos sete anos, quando começa o processo de alfabetização da criança e ela passa a entender tudo um pouco melhor, ela ainda não está apta a ter um celular próprio. Nessa idade, a criança não tem maturidade suficiente para controlar gastos ou entender, por exemplo, o risco que corre ao atender a ligação de um desconhecido. Para os pais que encaram o celular uma segurança extra no controle dos filhos, é recomendado ter um aparelho a mais, de preferência pré-pago, para emprestar a eles em casos específicos.
Já para o primeiro "tablet", nove anos é a idade adequada, segundo a pedagoga Edinéia Regina Burger, consultora educacional do Instituto Crescer. “É a fase de transição da criança do pensamento concreto para o abstrato. Ela começa a pensar mais abstratamente e a entender melhor conceitos e conselhos do adulto", diz ela. "É a idade em que entendemos melhor como ela poderá fazer uso efetivo desse equipamento com todas as ferramentas que ele oferece”. Aos nove, por exemplo, ela já entenderá completamente o que é um aplicativo, um programa, um vírus.
Fonte Uol

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Livro para criança: Grunter, a história de um porco insuportável

Abra as páginas deste livro explosivo e descubra como NÃO tratar seus amigos!
Esta é a história de uma pequena fazenda verde que tem um grande problema cor-de-rosa.
Um problema comilão, zangado, reclamão e até perigoso, que atende pelo nome de Grunter, o porco insuportável.
Cansados de maldades, os animais da fazenda resolvem dar uma lição no porco bem no dia do seu aniversário: um presente bombástico!

Autor: Mike Jolley
Ilustrador: Deborah Allwright
Editora: Brinque-Book 
  
Assuntos abordados: Falta de Educação, Desrespeito, Intolerância, Raiva, Vingança