Reflexão

O assunto é mesada...

Entrevista concedida pelo Prof. Hélio Guilhardi à Revista Integra



1) Como os pais devem proceder quando os filhos lhes pedem dinheiro? Dar o dinheiro à medida que vão aparecendo as necessidades ou estipular um valor a ser dado mensal ou semanalmente?

H Lidar com dinheiro faz parte de uma aprendizagem abrangente que envolve as maneiras de manejar os múltiplos aspectos da vida, o que extrapola, portanto, a especificidade dos aspectos financeiros ou econômicos. Por essa razão, a relação que os pais desenvolvem com seus filhos, ao estabelecer as práticas do uso de dinheiro, pode ser muito educativa. Assim, para dar um exemplo, se o filho pede dinheiro para comprar um sorvete durante um passeio, o pai pode lhe dar o dinheiro, dizendo a ele: “Tome esta nota de dez reais. Mas vamos antes comigo até a livraria e depois você compra seu sorvete. Aproveite e compre também um ‘sonho de valsa’ para sua irmã. Fique esperto porque ainda vai sobrar troco”. Com essas instruções, o pai estará ensinando os seguintes aspectos fundamentais para o desenvolvimento sadio do filho:

- controlar a impulsividade e aumentar a tolerância à frustração, uma vez que o dinheiro está disponível para comprar o sorvete, mas o filho deve fazer alguma coisa antes, o que atrasará o acesso imediato à gratificação;
 
- pensar no outro e fazer alguma coisa em benefício do outro, no momento em que o pai o lembrou de que a irmã gosta de bombom, dando-lhe um modelo de cooperação e de ficar atento aos interesses, desejos, necessidades etc. do outro;

- desenvolver sentimento de responsabilidade, pois lembrou ao filho que haverá sobra do dinheiro e, sem dirigi-lo diretamente, poderá observar e intervir, se necessário, na iniciativa do filho de devolver o troco, que pertence ao pai;

- desenvolver sentimento de autoconfiança, ao organizar uma situação na qual o filho fará várias atividades sem ajuda do pai, tais como: escolher o sorvete, solicitá-lo à atendente, comprar o bombom, pagar, aguardar e conferir o troco etc., o que envolve tomar iniciativa, assumir a decisão de uma escolha, interagir socialmente, vencer a timidez etc.

Se este tipo de preocupação estiver presente na interação entre pais e filhos, desde muito cedo na vida da criança, partindo de situações simples, compatíveis com as habilidades atuais da criança, esta se sentirá competente e protegida. Aos poucos, o filho irá generalizando e ampliando para novas situações o que aprendeu e sentiu, sem necessidade de qualquer tipo de orientação direta, aprimorando seu desenvolvimento afetivo e comportamental. Respondendo diretamente à pergunta, enfim, os pais devem atender inicialmente às necessidades imediatas da criança, mas com a preocupação de proporcionar o desenvolvimento de autocontrole. Isso poderia ser feito dando uma quantia maior de dinheiro para o consumo planejado e moderado de alguns dias e, a partir daí, ir aumentando gradualmente as exigências que irão aprimorando passo a passo o autocontrole.

2) Quando os pais optam por dar a mesada aos filhos, como ela deve ser encarada por ambos os lados? Obrigação dos pais? Merecimento dos filhos? Ou apenas um instrumento de educação financeira?

H A mesada não deve ser enfocada como uma interação especial entre pais e filhos, diferente de outras interações. É obrigação dos pais pagarem o médico, a escola, a roupa, a comida dos filhos? Esses itens raramente são questionados, pois fica claro que se os pais não assumirem essas responsabilidades haverá danos para ambos os lados. Pais e filhos devem compartilhar direitos e obrigações: cada qual deve dar o melhor que puder e, se não for possível dar, isso deve ser explicitado sem nenhum sentimento de culpa ou de incompetência. Há alguns parâmetros para guiar o ato de dar. A doação deve envolver o amor agápico, aquele amor em que meu maior bem é o bem que produzo para o outro. Deve envolver reciprocidade: quando uma pessoa aprende apenas a receber e não é ensinada a dar, torna-se egoísta e tem dificuldade para reconhecer, espontaneamente, o bem que vem recebendo; diz-se que é ingrata. Os pais devem ensinar os filhos a retribuir, a ter a iniciativa de dar e não, simplesmente, esperar que tais comportamentos surjam naturalmente. Mais que isso, devem ensinar aos filhos que devem dar não apenas para aqueles de quem receberam algo. O ato de dar deve ser por amor e cooperação e não por dever; assim também retribuo o bem que recebi de alguém, fazendo o bem para um outro alguém qualquer. A doação deve envolver limites: quem recebe tudo o que deseja e de imediato, se torna impulsivo, consumista compulsivo e terá enormes dificuldades para lidar com o “não”, com limites, com conseqüências gratificantes que só aparecem a médio ou a longo prazo. A criança deve ouvir “sim” e “não” e deve também aprender a dizer “sim” e “não”. A mesada não é obrigação dos pais; não é direito dos filhos. É uma forma de interação — em particular, envolvendo dinheiro —, na qual aquele que tem dá (os pais, no exemplo) — dentro de certos limites - o que o outro (o filho, no caso) não tem, para benefício deste, sem prejuízo para nenhuma das partes envolvidas. O filho, por sua vez, sempre terá algo a dar para seus pais: um sorriso, um abraço, uma conduta equilibrada, um ato de cooperação, amostras de um desenvolvimento sadio etc., simplesmente porque isso tudo se pode dar por amor, por respeito, por gratidão aos pais. Nunca por obrigação, nem só por dever.

3) Seria interessante estabelecer um “pagamento” por atividades consideradas positivas pela família dentro do lar, como por exemplo, arrumar o quarto, manter os brinquedos em ordem etc? Ou o dinheiro da mesada deve ser dado independentemente da realização dessas tarefas?

H Independentemente. O lar é um contexto de vida e de interação entre todos. Não há patrão, nem empregado. As responsabilidades, os deveres, assim como os prazeres, devem ser compartilhados de maneira cooperativa e harmoniosa, cabendo a cada um fazer aquilo que está dentro de suas possibilidades e desejos. No entanto, meus desejos não podem reinar soberanos, pois há o risco de prevalecer o egoísmo e a prepotência. Meus desejos devem ser limitados pelos desejos do outro que convive comigo. O diálogo pode gerar acordos harmônicos para benefício de todos. Mesada não é salário por tarefa realizada. Mas as tarefas devem ser realizadas... por todos, mesmo reconhecendo que algumas podem ser desagradáveis para mim. Mas podem ser indesejadas para o outro também. A mesada deve ser vista como um instrumento para o filho ter acesso a coisas, eventos, situações que são importantes para o seu desenvolvimento pessoal; para dar acesso a um livro, a um filme, a uma viagem, a uma festa, a uma roda de amigos, a um encontro com a namorada etc. e não como instrumento de prepotência, de exibição e de exercício de poder. Isso também vale para os pais: o dinheiro que eles entregam ao filho não deve ser um instrumento de coerção, de domínio, de opressão.

4) Uma vez que tenham optado pela mesada, a entrega do dinheiro é suficiente para uma boa educação financeira? Ou os pais devem aproveitar essa situação para educar os filhos quanto ao valor do dinheiro, quanto ao uso parcimonioso, quanto à sua destinação?

H As respostas anteriores esclarecem a questão. Mas volto a insistir que o dinheiro é instrumento de poder num sentido amplo. Às vezes, o uso parcimonioso do dinheiro, que aparentemente indicaria um equilíbrio na esfera financeira, pode ser uma estratégia para acumular bens e mais dinheiro, para usá-los como instrumento de poder e de opressão. O fato de o dinheiro ser instrumento de poder não significa que ele deva ser usado para oprimir. Além disso, o poder pode - e deve – ser usado para o meu bem e para o bem daqueles que me cercam. Os pais devem sim ensinar seus filhos a observarem as suas necessidades e a tentarem supri-las; mas devem também ensiná-los a ficar atentos às necessidades dos outros e a tentar supri-las. Este raciocínio não se aplica estritamente ao uso do dinheiro. O uso do dinheiro pode ser visto como uma metáfora de tudo aquilo de que uma pessoa é capaz. Todas as minhas capacidades devem estar a meu serviço e a serviço daqueles que me são relevantes. Ter dinheiro é apenas um dos itens – aliás, nem o mais relevante -, para nos capacitar a lidar com a vida.

5) A mesada deve ser dada a partir de que idade? E a educação financeira? Deve começar a partir de quando?

H O mais cedo possível, a criança deve entrar em contato com as relações de troca e, quando possível, estas devem ocorrer de forma consciente. Quando uma mãe brinca com seu filhinho bebê durante o banho e este ri com os afagos, já há uma troca. A passagem para as trocas que serão mediadas pelo dinheiro ocorrerá num momento além. Não há idade específica para ensinar o uso do dinheiro, pois esse uso ocorrerá normalmente durante o processo de desenvolvimento da criança. Quando dou uma bala para meu filho e digo que deve chupá-la só após o almoço, estou ensinando uma relação equivalente a dar-lhe uma moeda e dizer-lhe para aguardar o momento apropriado para gastar. Devo dar a bala e devo dar a moeda, como devo dar um brinquedo, um livro, um passeio no bosque etc. e, com tudo isso, ensino alguns conceitos básicos da vida. Quando programo com meu filho, na 2a feira, que irei levá-lo ao bosque no sábado, estou lhe dando algo: meu amor, uma promessa, uma esperança, uma visão antecipada de um programa gostoso... Tudo isso ele guardará e virá a usufruir com moderação, mas com entusiasmo, dias depois. Não é análogo a ter, guardar e usar no momento oportuno? A própria criança acaba fazendo a passagem de um nível de interação vivencial para outro nível. Informações específicas – como usar um cartão de crédito, como aplicar algum dinheiro, como controlar a conta bancária -, quando o filho for mais velho, serão aprendidas facilmente, quando os comportamentos básicos já estiverem devidamente instalados. Não se aprende a lidar bem com o dinheiro repentinamente, sem uma base de formação que ensinou a pessoa a lidar bem com as múltiplas facetas da vida: moderação, cooperação, autocontrole, respeito ao próximo etc.

6) A criança ou o adolescente deve participar da elaboração do orçamento familiar? Em que medida?

H A criança e o adolescente devem participar de quaisquer problemas ou planos familiares. Os filhos são parte funcional da família e não apêndices, que só são acionados em momentos específicos, ou quando os assuntos são “para crianças”. Há pais que dizem que nunca brigaram diante dos filhos. “Sempre nos trancamos no quarto, para discutir nossas diferenças”, costumam dizer. Seria ingênuo imaginar que as portas e paredes não têm ouvidos infantis nessas ocasiões e que os sentimentos e percepções dos filhos estão adormecidos. Todo problema ou plano familiar deve ser compartilhado por todos da família, mantidas, por certo, limitações inerentes às faixas etárias. Isso é verdade se os problemas forem moderados. Se as desavenças e problemas são agudos, então os próprios pais devem procurar ajuda profissional específica para o problema e não envolver e nem usar os filhos durante os conflitos. Os filhos, às vezes, têm importantes sugestões para encaminhar problemas, que os adultos não conseguem desvendar (não foi uma criança que gritou no meio da multidão: “O rei está nu?”). Além disso, em situações difíceis, os pais sentem-se aliviados sabendo que os filhos conhecem as dificuldades em curso, e não precisam usar o recurso da farsa: “Nada de preocupante está ocorrendo!”

7) Até que ponto os pais devem interferir na forma como o dinheiro da mesada está sendo gasto? Se os filhos quiserem fazer algo com o dinheiro com o qual os pais não concordem – comprar cigarros ou bebidas alcoólicas, por exemplo – como eles devem proceder?

H Os pais não devem ser cúmplices daqueles desvios dos filhos, que podem acarretar, a médio ou a longo prazo, prejuízos drásticos para estes. Há outros desvios também graves, mas que não aparecem de forma tão clara. Assim, por exemplo, os avanços tecnológicos determinam muitos comportamentos e sentimentos humanos, sem que as pessoas se dêem conta disso. A produção de bens de consumo descartáveis (“use e jogue fora”; “troque logo o modelo – de carro, de computador etc. -, pois o seu já está ultrapassado”; “é mais barato comprar um novo relógio do que pagar o conserto” etc.) interfere na vida cotidiana de maneira tão sutil e desastrosa, que as pessoas passam a lidar umas com as outras como se fossem bens de consumo a serem usados e, em seguida, postos de lado, como produto descartável. Os pais devem estar atentos a esse tipo de problema e lembrar-se de que o dinheiro facilita o envolvimento com tal estilo de desumanização do homem. Assim, se o dinheiro está sendo usado com bebidas ou drogas, casos extremamente preocupantes, retirar a mesada ou reduzi-la drasticamente pode ser uma alternativa, mas não basta. Há necessidade de um conjunto de medidas de intervenção para se obter um bom resultado “terapêutico”. Já ocorreram outros erros no passado, na interação pais-filhos, que ultrapassam a questão da mesada e da quantia de dinheiro disponibilizado. E esses erros provavelmente continuam ocorrendo. Há necessidade de avaliação e orientação profissionais mais profundas sobre o que está ocorrendo. Por outro lado, quando não se está falando de problemas graves – como álcool e droga - é de se esperar que os filhos tenham preferências e hábitos diferentes daqueles apresentados pelos pais. É preferível, por parte dos pais, maior tolerância; afinal, os filhos não têm que ser como eles querem que os filhos sejam. Permitam, os pais, que os filhos ensaiem seus vôos e aprendam com as conseqüências de seus atos. Um grupo homogêneo na forma de agir, pensar e sentir se condena à própria degradação. A evolução de uma comunidade, pequena como uma família ou extensa como uma nação, será mais saudável e sólida se houver heterogeneidade entre os membros que a compõe.

8) É correto os pais darem palpites sobre a compra – com o dinheiro da mesada, evidentemente - de produtos que julguem supérfluos ou desnecessários?

H Se dar palpite não significar “impor”, não vejo problemas. Os filhos podem saber o que os pais pensam sobre a vida, sobre as atividades dos filhos etc. Esse diálogo é importante porque, através dele, podem ocorrer influências recíprocas: os filhos podem ponderar os argumentos dos pais e concordar ou discordar. Da mesma maneira, os pais podem aprender melhor as razões dos atos dos filhos. Influência recíproca não significa opressão. Humildade para aprender com o outro é louvável e não uma fraqueza. Ceder é uma forma de aprofundar as relações, desde que a concessão não seja hipócrita, nem por fraqueza. Neste caso não haveria autenticidade na relação. É preferível saber o que o outro pensa e como ele agirá – mesmo que se possa discordar dele – do que ser iludido por palavras doces que se quer ouvir, mas que omitem a realidade.  

Estudo mostra como alterações genéticas podem levar ao autismo

Defeito em um único gene causa menor produção de energia nos neurônios

Cientistas descobrem mecanismo que pode desencadear comportamentos típicos do autismo
(Thinkstock)
Uma nova pesquisa mostrou como o defeito no funcionamento de um único gene causa alterações cerebrais que podem levar ao comportamento típico dos indivíduos com autismo. O estudo, publicado na revista PLoS ONE, oferece uma nova possibilidade de tratamento para a condição.
Pesquisas anteriores já haviam mostrado que defeitos em um gene conhecido como PTEN estavam relacionados a alguns casos de autismo. No entanto, nenhuma delas havia conseguido demonstrar como esses defeitos afetavam o funcionamento do cérebro dessas pessoas. Agora, o novo estudo mostrou que as mudanças nesse gene alteram o modo como os neurônios produzem energia. Junto com isso, surgem as mudanças comportamentais típicas do autismo, como comportamento antissocial e repetitivo.



“Um número grande de genes e fatores ambientais já haviam sido apontados por estarem associados com o autismo. Mas esse estudo é o primeiro a mostrar o mecanismo pelo qual isso pode acontecer”, diz Cecilia Giulivi, professora da Universidade da Califórnia e autora do estudo.


Estudo - Na pesquisa, os cientistas alteraram o funcionamento do gene PTEN em ratos, de modo que os neurônios dos animais tivessem uma menor quantidade das proteínas produzidas por ele. O gene defeituoso pareceu afetar o uso de energia nos neurônios, processo que acontece nas mitocôndrias, espécie de usina energéticae energia das células.


Depois de quatro semanas de estudo, os cientistas passaram a detectar falhas no funcionamento da mitocôndria nas células dos animais.


Quando os ratos atingiram 20 semanas de vida, os pesquisadores descobriram alterações no DNA das mitocôndrias, que aconteciam em conjunto com falhas ainda maiores em seu funcionamento. A partir dessa idade, os ratos começaram a evitar contato com outros animais e a se envolver em comportamentos de limpeza repetitiva, condutas típicas do autismo. Ratos que não tiveram alterações em seu gene não apresentaram nem os defeitos na mitocôndria nem as alterações comportamentais.


Segundo os pesquisadores essa descoberta pode levar ao desenvolvimento de novos tratamentos para o autismo. “A partir do momento em que entendemos o mecanismo, isso abre caminho para desenvolver novas drogas para tratar a condição”, afirma Cecilia Giulivi.


Fonte: Veja

Como desenvolver hábitos de estudo?


Estudar é um dos hábitos mais valorizados nas famílias hoje em dia. A ele está associada a possibilidade de um emprego melhor, de obter êxito na carreira, de acumular conhecimento e de se posicionar criticamente perante o mundo. Porém, os resultados mais significativos do estudo são obtidos apenas a longo prazo e, por isso, muitas vezes é difícil manter-se motivado para tal atividade. Para conseguir fazê-lo, devemos ser disciplinados, persistentes e organizados desde cedo. Este artigo tem como objetivo orientar os leitores quanto ao desenvolvimento de hábitos de estudo, seja para si mesmo ou na educação de crianças e adolescentes.


Antes mesmo da admissão escolar a criança já é ensinada em casa a reproduzir uma série de comportamentos, como sentar-se, pegar no lápis, rabiscar em um papel, fazer cópia de vogais, entre outros. Nesses momentos, já estão sendo treinadas as habilidades acadêmicas. Em termos analítico-comportamentais [1], “estudar” abrange uma classe de respostas que envolve organizar material de estudo, sentar-se, folhear o material acadêmico, fazer a lição (ou resolver questões de concurso), ler um texto ou livro, responder perguntas, entre outras. Dessa forma, uma pessoa que apresenta hábitos de estudo adequados emite diversos comportamentos desta classe e, geralmente, seu desempenho acadêmico é atingido devido ao engajamento nas tarefas de estudo.


“Hábitos inadequados de estudo” é uma expressão, portanto, que se refere à não ocorrência de muitos dos comportamentos da classe “estudar” e à realização de comportamentos que evitam e/ou procrastinam a realização de atividades acadêmicas. Assim, tem-se a dispersão em vários aspectos: olhar em outras direções que não o material pedagógico (pessoas, teto, celular), movimentos de esquiva e fuga, que afastam o sujeito da tarefa (levantar, ir ao banheiro, cochilar, comer); além de verbalizações dispersivas (cantar, conversar com alguém sobre outros assuntos). Esses comportamentos de fuga decorrem de situações diversas, que devem ser controladas para melhor desempenho na tarefa.


Analisando funcionalmente os comportamentos relacionados ao não-estudo, Pergher et al (2012) [2] apontam uma série de hipóteses quanto a contextos que antecedem estes comportamentos, como a falha no controle de estímulos do ambiente de estudo (a inexistência de ambiente apropriado ao estudo, com iluminação inadequada ou com variados estímulos visuais, sociais e auditivos, horários flutuantes para o estudo, desorganização do material, inexistência de uma rotina para tal, entre outros). Tais condições antecedentes são os contextos que facilitam o comportamento difuso na hora de estudar.


As falhas no comportamento de estudar também são aprendidas. Nesse caso, é possível que a escola e os pais não tenham se dedicado adequadamente à orientação de comportamentos pró-estudo, como horários de tarefas no ambiente doméstico, técnicas para otimizar a concentração e atenção, entre outros. Muitas vezes, tais falhas decorrem de crenças de educadores e pais de que é necessário esperar o tempo de despertar do aluno para o estudo, ao invés de estimular e treinar respostas envolvidas na atividade. Cabe ressaltar que os serviços de orientação escolar psicopedagógica são extremamente importantes nesse sentido, pois podem informar, desenvolver técnicas e acompanhar o acadêmico em prol de uma melhor qualidade de aprendizagem e otimização dos estudos.


Outro fato a ser considerado é a rotina extraclasse, muito comum na adolescência, que algumas vezes pode concorrer com os estudos. Por exemplo, as atividades extras às vezes são mais atrativas que a própria rotina de estudo em casa, pois envolvem o contato social, muito prazeroso nessa faixa etária, além do acesso a outros conhecimentos que não se tem em sala de aula. Todo esse contexto de excesso de atividades (como natação, curso de línguas, informática) pode reduzir o tempo disponível para o estudo e, por envolverem a sensação imediata de prazer, felicidade, podem ser mais atrativas que os estudos em casa, muitas vezes pareado com a “obrigação” comumente enfatizadas na sociedade. Com essa associação, o estudo tende a ser vivenciado como algo chato, rotineiro, que necessita de engajamento para evitar punições, o que favorece sentimentos como ansiedade, raiva ou alívio.


No que tange a outros estímulos que concorrem com o hábito de estudar, tem-se equipamentos eletrônicos (videogames, celular, tablet) e a navegação online, que passa sobretudo por comunicação em redes sociais e chats. É importante que existam regras claras quanto ao uso destes recursos, pois são estímulos que podem concorrer com a modalidade tradicional de estudos, que muitas vezes está disposta em materiais pedagógicos menos atrativos, ou até mesmo obsoletos em alguns casos. Como a comunidade valoriza tais recursos e também pelo fato de que há satisfação imediata em contato com tais tecnologias, favorece mais o engajamento nessas atividades, em detrimento dos estudos.


Abordando outros fatores que interferem negativamente na aquisição e manutenção do repertório de estudo, observa-se a exigência dos pais quanto a desempenhos acadêmicos superiores ao que os filhos apresentam, verbalizando que estes são incompetentes e favorecendo a formação de um autoconceito negativo quanto às suas capacidades acadêmicas. Não menos danoso, também é possível que não haja consequências prazerosas diante das respostas de estudar, o que diminui a motivação dos estudantes para tais atividades. Um exemplo disso é a abordagem do boletim dos filhos. Em algumas famílias, os pais elogiam as chamadas “notas azuis”, sem distinção quanto a valores. No entanto, outros podem selecionar a atenção apenas para as ditas “notas vermelhas” e reclamar, colocar de castigo ou mesmo abusar da autoridade para coagir e punir corporalmente o mau desempenho, desconsiderando a existência das notas boas.


O caso se torna ainda mais grave quando, diante de bom desempenho, os pais dizem que aquilo “não foi mais que a obrigação do filho”. Este exemplo ilustra um contexto em que o comportamento adequado teve uma consequência aversiva. Como resultados, pode-se obter desmotivação, aumento da ansiedade diante das atividades acadêmicas, ou mesmo supressão do envolvimento nos estudos, o que é contrário à “obrigação” que os pais desejam que os filhos tenham.


Outra questão a ser considerada é a criação de situações de pressão e punição por parte de pais e professores. Desqualificar um aluno em função de seu baixo desempenho acadêmico, aplicar punição e/ou brigar com ele quando ele comete algum erro são exemplos destas situações. Elas podem gerar diversos sentimentos nos jovens estudantes, como raiva, sentimento de injustiça, além da formação de autoconceitos negativos. Muitas vezes, como resultado disso, as outras atividades com os pares, às vezes disruptivas, se tornam mais interessantes para o jovem, aumentando o risco de evasão escolar, envolvimento com drogas, agressões, entre outros.


Além disso, a realização das tarefas de casa também constitui um âmbito a ser discutido. Diante das dificuldades próprias do processo de aprendizagem, para evitarem conflitos ou para diminuírem o tempo despendido e desgaste, muitos pais oferecem respostas prontas, fazendo a tarefa pelas crianças. Diante disso, a aprendizagem será prejudicada, pois o aluno não aprendeu a desenvolver o raciocínio diante da questão de forma adequada. Além disso, torna-se muito provável que a criança recorra novamente a outras pessoas diante de suas dificuldades, eximindo-se de exercitar o próprio aprendizado e aprender a resolver a tarefa. Outro risco é a dependência, que ocorrem quando os jovens passam a estudar apenas na presença (ou com ajuda) dos pais.


Diante desse contexto, os jovens comumente são encaminhados para o consultório psicológico. Nesse escopo, muitas são as intervenções possíveis na terapia analítico-comportamental: treinamento de agentes educativos e professores, orientação de pais e professores para motivarem adequadamente comportamentos pró-estudo; a contratação de alunos com bom repertório de estudo (tutores) para fornecer modelo de comportamento pró-estudo ao paciente, além da orientação individual, no caso de jovens adultos, e acompanhante terapêutico (psicólogos que atuam no ambiente extraconsultório para favorecer a aquisição e manutenção de comportamentos).


Cada caso envolvendo dificuldades nos estudos deve ser considerado individualmente. Porém, algumas dicas são válidas. A primeira delas é a preparação do ambiente, que deve ter o mínimo de estímulos visuais (como computador, adesivos e pôsteres na parede e outros distratores) e auditivos, além de iluminação e temperatura adequadas, existência de mesa ampla (o suficiente para manipulação do material de estudo) e cadeira adequada. O ideal é que esse local seja fixo para esta atividade, sem interrupções sociais. A organização do material de estudo também se faz necessária: dispor de todo o material necessário, organizado. Porém, excessos não são adequados, pois podem desencadear ansiedade e favorecer a dispersão.


O estabelecimento de prioridades se faz necessário, cujos critérios podem ser a proximidade da avaliação, a quantidade de páginas, a dificuldade em cada disciplina, a nota que será necessário atingir, entre outros. Orienta-se que, para evitar a probabilidade de desistência diante da atividade, o estudante possa começar com tarefas que ele já sabe, aumentando gradativamente a exigência. Recomenda-se que a cada conclusão de tarefas ou após 50 minutos ou 1 hora seja dada uma pausa breve, como um momento de lazer ou prazer. Esta situação é interessante sobretudo quando se trata de crianças, pois pode ser usada como recompensa pelo esforço despendido.


Para deixar o estudo mais satisfatório, é mister associar o estudo a momentos agradáveis. Por exemplo, no caso de crianças, os pais podem utilizar de humor, fazer comentários engraçados sobre os conteúdos e desafiar o infante de forma divertida (“Quero ver se você sabe disso aqui!”) e usar a imaginação para facilitar a memorização do conteúdo são algumas medidas simples que tornam a tarefa tão agradável quanto uma brincadeira. Não esqueça de apresentar consequências incentivadoras diante de um bom desempenho da criança, e, diante da dificuldade, ensine, mas não faça a tarefa por ela. E, ao término de todas as atividades, proporcione um bom momento de lazer para você ou para a criança/ adolescente. Afinal, é o que é merecido após um esforço bem executado.
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[1] A Análise do Comportamento é uma abordagem da Psicologia calcada na filosofia do Behaviorismo Radical de B. F. Skinner. É uma das forças da Psicologia, juntamente com Psicanálise e Humanismo. A aplicação desses conhecimentos na clínica é denominada Análise Comportamental Clínica ou Terapia analítico-comportamental. Todos os textos escritos nessa coluna são baseados nessa abordagem.


[2] Pergher, N.K. et al (2012). Desenvolvimento de hábitos de estudo. In: Borges, N.B.; Cassas, F.A. (orgs) Clínica analítico-comportamental. Aspectos teóricos e práticos. Porto alegre: Artmed.
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Juliana de Brito Lima é Psicóloga (CRP 11ª/05027), formada pela Universidade Estadual do Piauí e especializanda em Análise Comportamental Clínica pelo Instituto Brasiliense de Análise do Comportamento – IBAC. É membro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental – ABPMC e Psicóloga do Centro Integrado de Educação Especial – CIES e da Clínica Lecy Portela, em Teresina-PI. Tem experiências acadêmicas (linha de pesquisa “Desenvolvimento da criança e do adolescente em situações adversas” do Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná/ NAC-UFPR) e profissionais na área clínica (atendimento a criança, adolescente e adulto), jurídica e educação especial, na orientação de pais.
Fonte: Instituto de Psicologia Aplicada - InPA
Telefone - (61) 3242-1153

Estudo relaciona ronco alto e frequente a problemas comportamentais em crianças

Distúrbio costuma ser indicador de doenças respiratórias mais graves que prejudicam a qualidade do sono dos mais jovens



Depressão, hiperatividade e dificuldade de atenção: ronco pode predispor crianças
 a esses problemas comportamentais (Thinkstock)

Crianças que roncam alto e frequentemente têm maiores riscos de apresentar problemas comportamentais como hiperatividade, depressão e dificuldade de atenção. Essa é a conclusão de um estudo publicado nesta segunda-feira na revista Pediatrics. Segundo os pesquisadores, que são do Hospital da Criança de Cincinnati, em Ohio, nos Estados Unidos, esse efeito ocorre principalmente entre jovens de dois a três anos de idade. O problema pode indicar também a presença de distúrbios respiratórios mais graves.


Participaram do estudo 250 crianças - cerca uma em cada dez sofria de ronco persistente. Após entrevistas com os pais dos pacientes, os pesquisadores concluíram que aqueles que roncavam alto com frequência (ao menos duas vezes por semana), e que tinham entre dois e três anos de idade, eram mais propensos a apresentar problemas comportamentais do que crianças que não roncavam ou que eram mais velhas. Ainda de acordo com os resultados, níveis socioeconômicos mais baixos e falta de aleitamento materno no primeiro ano de vida também contribuíram para o aumento desse risco.

"Muitas crianças roncam com frequência. É importante saber que esse problema, quando persiste por muito tempo, não é normal, especialmente pelo fato de prejudicar o comportamento dos mais novos", diz o coordenador do estudo, Dean Beebe. "O ronco pode ser um sinal de problemas respiratórios mais graves que são tratáveis. Eu encorajo os pais a falarem com algum médico sobre o ronco de seus filhos, especialmente se o quadro é frequente."


Segundo Marcelo Reibscheid, pediatra do Hospital São Luiz, em São Paulo, os problemas comportamentais são derivados da baixa qualidade do sono das crianças afetadas. Esses problemas fazem com que as crianças apresentem problemas de humor, concentração e aprendizado.

Fonte: Veja

Por que as pessoas mentem?


No artigo anterior em que eu escrevi sobre “como se aprende a mentir”, defini o que é a mentira e caracterizei este comportamento como sendo um comportamento verbal, e identifiquei duas maneiras de como uma criança pode aprender a mentir. A primeira foi a aprendizagem por imitação, processo em que os pais ou outras pessoas desempenham o papel de modelo para a criança. O comportamento do adulto ou de um colega é imitado, porque a criança pode observar que o outro obtém vantagens com a mentira ou até porque em outras situações, nas quais imitou o comportamento de um adulto, foi elogiado e ou incentivado por se parecer com aquela pessoa. "Olha que gracinha, ele é igual ao seu pai...".

Podem servir como modelos, também, os atores de novelas e filmes. As novelas, em particular, apresentam inúmeros personagens que são beneficiados com a mentira. Uma outra razão que pode levar uma criança a mentir é a conseqüência que o seu próprio comportamento produz. Como exemplifiquei no texto anterior, livrar-se de punições é uma das fortes razões para isto. Uma outra possível conseqüência direta do comportamento de mentir é a obtenção de benefícios, de vantagens ou de prestígio. Por exemplo, uma criança pode mentir, dizendo que está com dor de cabeça para não ter que ir para a escola. Isto pode ter começado com um fato verdadeiro: na primeira ou na segunda vez ela realmente estava doente, mas na terceira vez, a situação não era tão grave e a mãe, até por comodidade, preferiu aceitar a desculpa de seu filho ou de sua filha, para não ir para a escola.

A obtenção de vantagens ou de prestígio são as razões mais comuns que levam pessoas adultas a mentir, no dia-a-dia. Ter prestígio, ser valorizado e receber atenção são conseqüências importantes para nós que vivemos em sociedade. Naturalmente, nas diferentes sociedades, as pessoas prestigiam e valorizam aspectos diferentes de nossos comportamentos.

Uma pessoa que não é valorizada pelas suas ações e que, além disso, freqüentemente, é criticada ou punida, por ser considerada incompetente porque não é capaz de realizar uma determinada tarefa, pode desenvolver o que se chama de baixa auto-estima. Auto-estima conceituada como sendo a opinião de si, isto é, o auto-conceito (tema que abordei em outro artigo) pode, portanto, estar relacionado à mentira. Uma pessoa com uma baixa auto-estima, não confia, não tem segurança ou não valoriza aquilo que sabe fazer ou aquilo que possui e, por essa razão, pode mentir. Ela mente, por exemplo, dizendo que possui coisas e bens que não são seus, sobre sua idade, sobre o que é capaz de fazer, sobre o que já fez ou foi no passado. É importante, no entanto, observar que mentir não é aprovado socialmente, nem tão bom e fácil como parece. Se eu inventar uma história, eu tenho que sustentá-la com evidências e argumentos, para que a mentira não seja desvendada. Eu tenho que me lembrar do que eu falei em momentos posteriores e em situações bastante diferentes em que aquele assunto referente à mentira é abordado de forma sutil ou superficial. Enfim, eu tenho que manter coerência com a mentira que inventei.

No entanto, pessoas que mentem com freqüência começam a perder a noção daquilo que é verdade e daquilo que é mentira. Elas deixam de perceber que não há correspondência entre o que dizem e o que fazem ou entre o que contaram ontem e o que estão contando hoje. Por exemplo, um dia ele ou ela diz ter sido gerente de uma determinada loja, no período em que ali trabalhou. Em um outro dia, durante uma conversa sobre dificuldades enfrentadas com chefes, conta como era difícil agüentar as broncas do gerente daquela mesma loja. Assim, uma pessoa que mente o tempo todo deixa de "cuidar de suas mentiras", pois perde a noção do que é mentira. É mais fácil esquecer um fato inventado do que um fato que você vivenciou. Por esse motivo, diz-se que a mentira tem "pernas curtas".

Uma outra razão que leva uma pessoa a mentir e que não é considerada uma forma egoísta de se comportar, é quando se mente para beneficiar outra pessoa. Por exemplo, quando se faz um elogio só por fazer, sem razão real. Este é o comportamento típico do galanteador. A questão que podemos formular então é: Por que as pessoas mentem para beneficiar outras pessoas? Uma provável explicação é que elas recebem aprovação social por se comportarem de forma altruísta. Por conseguinte, no fim das contas, é em benefício próprio que elas se comportam desta forma.

Mesmo quando a mentira é altruísta, ela é facilmente identificada, sendo as pessoas mentirosas com, freqüência, socialmente discriminadas. Elas geralmente não têm amigos e os familiares apenas a toleram. Além disso, uma pessoa mentirosa dificilmente conquista um grande amor e se conquistar, dificilmente, será capaz de mantê-lo. Faltam os ingredientes principais: a intimidade, a cumplicidade e a confiança.

Verônica Bender Haydu - Professora da Universidade Estadual de Londrina e Doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo

Pai não é professor particular

A criançada está de volta à escola. Foi bom esse tempo sem rotina, sem horário e sem obrigações escolares. Mas, será bom, também, o retorno a uma vida organizada.

Faz bem para os mais novos saber, pelo menos um pouco, como será o dia seguinte. Dá a eles sensação de segurança, estabilidade.
Nos primeiros dias na escola, é uma alegria para as crianças encontrar os colegas que não viram por quase um mês, contar as novidades, voltar a brincar com os amigos no recreio. Mas, logo depois recomeça, para muitos, uma jornada bem árdua.
Não, não me refiro aqui aos deveres escolares e à tarefa de ter de aprender algo que não sabem -situação que nós sabemos ser bem difícil. Muitas crianças sofrem, de fato, com essas questões.

Custa a elas assumir as pequenas responsabilidades que lhes cabem e custa mais ainda aceitar que não sabem e que precisam aprender para saber. E isso requer esforço e concentração.

Nos tempos atuais, as crianças são iludidas pelas imagens e isso faz com que elas pensem que já sabem a respeito de quase tudo. "Eu sei" é a frase curta que repetem várias vezes ao dia, já reparou?


Mesmo com tais dificuldades, as crianças podem superar os seus desafios escolares e colocar em atos o potencial que têm.


Quando falei em jornada árdua, eu me referia ao envolvimento dos pais, tão requisitado atualmente, na vida escolar dos filhos.


A frase "Se os pais acompanham de perto a vida escolar dos filhos, esses se saem melhor na escola" resume o principal argumento que leva adultos a estudar com as crianças, a fazer as lições de casa junto com elas, a providenciar trabalhos, a coletar informações na internet etc.

A afirmação acima é verdadeira, claro. Qualquer pessoa que tenha ajuda em qualquer coisa se sai melhor. O problema é o equívoco que esse pensamento contém.


Na escola, sair-se bem é aprender -e não simplesmente alcançar boas notas. E aprender, caro leitor, é uma tarefa que a criança precisa realizar sem a ajuda dos pais.


Com o estilo de vida que nós adotamos, cada vez mais uma enorme quantidade de pais acredita que precisa acompanhar os estudos do filho e até realiza isso de bom grado. Quer dizer, mais ou menos.


No início, até que a coisa vai bem, mas logo a paciência acaba e a relação entre os pais e o filho fica conturbada. É que os pais cobram esforço, dedicação e lição correta. E não costuma ser isso o que os filhos produzem.

Para muitos desses pais, a tarefa parental se resume a esse acompanhamento da vida escolar e à gestão da vida do filho. A função dos pais é bem maior do que isso: é acompanhar a vida do filho.


A função dos pais é dar ao filho a oportunidade de ele próprio se responsabilizar por sua vida escolar. É estimular no filho a vontade de formular perguntas que envolvem o conhecimento, de dirigi-las aos pais e de ficar interessado nas respostas. É, também, dar ao filho a chance de ele saber que é capaz de enfrentar sua própria batalha sozinho e dar conta dela.

Essas são coisas muito mais importantes para a criança do que ter a mãe ou o pai sempre presente nos trabalhos, nas provas etc.


Neste retorno às aulas, dê chance para que seu filho se aproprie de seus estudos. Isso não significa abandoná-lo. Ele precisa ser lembrado, incentivado, encorajado a assumir suas responsabilidades escolares e a seguir sempre em frente, mesmo com dificuldades e obstáculos.


Mas isso pode ser feito sem que os estudos se tornem mais importantes para os pais do que para ele próprio.


Os pais precisam se lembrar de o que filho já tem professores na escola, que é o local especializado no ensino. Em casa, a criança precisa é de pais, e não de professores particulares ou tutores.


Fonte: Folha

Segurança na internet

Aproveitando o sucesso  de Phineas & Ferbs, a Disney elaborou uma mensagem divertida para a segurança das crianças ao utilizarem a na internet.