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Aumento de transtornos mentais entre jovens preocupa universidades

Casos frequentes de alunos com ansiedade e depressão têm levado instituições públicas 

a criar núcleos de prevenção e atendimento psicológico; estudantes também 

organizam grupos de apoio nas redes sociais para compartilhar relatos e oferecer ajuda


Alunas de Medicina, Karen e Anna participam de grupo que
fez ciclo de palestras para tratar de saúde mental Foto: Alex Silva/Estadão

A euforia sentida por Evair Canella, de 25 anos, ao entrar em Medicina na Universidade de São Paulo (USP) se transformou em angústia e tristeza. Ao encarar a pressão por boas notas, a extenuante carga horária de aulas, as dificuldades financeiras para se manter no curso e os comentários preconceituosos por ser gay, ele foi definhando. “Tinha muitas responsabilidades, com muitas horas de estudo.” Em maio, no 4.º ano do curso, foi internado no Instituto de Psiquiatria da USP, com depressão grave. Ficou lá durante um mês e segue com antidepressivos e acompanhamento psicológico. 
Situação parecida viveu a estudante de Engenharia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Bárbara (nome fictício), de 21 anos, que trancou a matrícula após desenvolver um quadro de ansiedade e depressão que a levou à automutilação e a uma tentativa de suicídio no fim de 2016. Ela passou por tratamento, mudou de cidade e de faculdade, e retomou em agosto os estudos.
Relatos como esses se tornaram cada vez mais frequentes e mobilizam universidades e movimentos estudantis a estruturar grupos de prevenção e combate aos transtornos mentais. As ações, para oferecer ajuda ou prevenir problemas como depressão e suicídio, incluem a criação de núcleos de atendimento mental, palestras e até o acompanhamento de páginas dos alunos nas redes sociais.
Dados obtidos pelo Estado por meio da Lei de Acesso à Informação dão uma ideia da gravidade do problema. Apenas na UFSCar, foram 22 tentativas de suicídio nos últimos cinco anos. Nas universidades federais de São Paulo (Unifesp) e do ABC (UFABC), cinco estudantes concretizaram o ato no mesmo período. Mapeamento feito pela UFABC mostrou que 11% de seus alunos que trancaram a matrícula em 2016 o fizeram por problemas psicológicos.
A falta de compreensão de parte dos docentes é uma das principais queixas. “Alguns parecem ter orgulho em pressionar, reprovar”, conta Bárbara. 
O psicólogo André Luís Masieiro, do Departamento de Atenção à Saúde da UFSCar, diz que a busca por auxílio psicológico está frequentemente ligada à exigência constante que se faz dos jovens. “Sem dúvidas há um aumento do fenômeno da depressão em universitários. A ameaça do desemprego e do fracasso profissional são fatores desencadeantes de depressão.”
A UFSCar informou ainda que, entre outras iniciativas, distribuiu cartilha de práticas de acolhimento em saúde mental para docentes e funcionários que recebem alunos em situação de sofrimento psicológico.

Aproximação

Para combater o problema, instituições tentam, aos poucos, se aproximar dos alunos. Na Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, são estratégias a indicação de professor mentor para quem teve mudança repentina no rendimento acadêmico e a participação de grupos estudantis nas redes sociais.
Na Federal de Minas Gerais (UFMG), foram criados neste ano dois núcleos de saúde mental, após dois suicídios entre alunos. Até então, só a Medicina tinha atendimento do tipo. “Se um fato já aconteceu, é sinal de que falhamos no processo”, diz a vice-reitora Sandra Almeida.
Já a Federal da Bahia (UFBA) criou, também em 2017, programa para prevenir e ajudar alunos, principalmente os de baixa renda. “Os cotistas sofreram rejeição, até mesmo de alguns professores”, diz o psicanalista e assessor da UFBA Marcelo Veras.

Mobilização

Alunos também têm criado grupos para auxiliar colegas e sensibilizar as instituições. A principal iniciativa do tipo foi a Frente Universitária de Saúde Mental, criada em abril por alunos de instituições públicas e privadas de São Paulo.
O movimento surgiu após tentativas de suicídio na Medicina da USP. “Eram muitos alunos com esgotamento, sem acompanhamento adequado, e percebemos que isso não era particularidade da Medicina”, conta a aluna do curso Karen Maria Terra, de 23 anos, integrante da Frente. Eles organizaram, em junho, uma semana de palestras para abordar questões sobre a saúde mental. A página do grupo no Facebook tem 27 mil seguidores.
"Eu vejo meus colegas surtando, e a gente fala pouco sobre isso. A criação da Frente nos mostra que não estamos sozinhos”, comenta Anna Campos Teotonio, aluna de Medicina da Santa Casa.
Alunos da Veterinária da USP também criaram uma página no Facebook para desabafar. “Com o tempo, começaram a aparecer relatos de problemas de saúde e, este ano, o que mais tem é depressão e ansiedade”, diz Bianca Cestaro, de 30 anos.  (Colaborou Isabela Palhares)
Fonte: Estadão

Crianças que não enfrentam seus medos têm risco maior de ansiedade


Segundo pesquisa, jovens que costumam evitar situações das quais têm medo, diferentemente daqueles que as enfrentam, aumentam seus níveis de ansiedade
 

Um novo estudo da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, descobriu que crianças que, em vez de enfrentar, evitam situações das quais sentem medo são aquelas que apresentam um maior risco de ter ansiedade. Segundo os autores dessa pesquisa, esse achado é importante pois poderá ajudar os profissionais a identificarem melhor quem são as crianças mais propensas a ter esse transtorno e, assim, direcioná-las a abordagens que previnam a ansiedade. O trabalho foi publicado na edição deste mês do periódico Behavior Therapy

Participaram da pesquisa mais de 800 jovens de sete a 18 anos. Para realizar o estudo, os pesquisadores desenvolveram dois questionários, um que deveria ser respondido pelas crianças e outro, por seus pais. Ambos os relatórios tinham como objetivo avaliar as medidas de precaução tomadas pelas crianças. Ou seja, a equipe desejava saber se esses jovens, quando sentiam medo de alguma coisa, enfrentavam a situação depois ou simplesmente tentavam manter-se afastados dela o máximo possível.

Uma das conclusões da pesquisa foi a de que mensurar essa precaução das crianças pode ajudar a determinar o risco de elas terem ansiedade. Isso porque, um ano após a realização do estudo, a maioria dos jovens manteve seus níveis de ansiedade estáveis – ou seja, muito baixos. No entanto, entre os participantes que costumavam evitar situações em que sentiam medo, esses níveis tenderam a crescer depois de 12 meses.

No artigo, os pesquisadores explicam que crianças que evitam enfrentar os seus medos sofrem pois não sabem que eles podem ser administrados. Assim, para alguns jovens, determinados temores podem se intensificar de tal forma que se tornam parte de um transtorno de ansiedade. "Quando as crianças começam a evitar situações de medo, a ansiedade pode se tornar particularmente incapacitante, impedindo a participação dos jovens em atividades diárias", escreveram os autores em um comunicado da Clínica Mayo.

De acordo com os pesquisadores, terapias cognitivas e comportamentais são capazes de ajudar crianças que evitam situações das quais sentem medo — os pais dos 25 jovens que participaram do estudo e que foram submetidos a essa abordagem relataram que a frequência desse problema foi reduzidA pela metade em um período de um ano. Por isso, concluiu a equipe, essa terapia pode ajudar a prevenir a ansiedade em crianças que apresentam esse comportamento.

Fonte: Veja

Trauma pode ser transmitido de avós para netos

Maior risco de ansiedade está relacionado a interação de fatores sociais e bioquímicos
konstantin Christian/Shutterstock
 
Eventos estressantes vivenciados na infância, como negligência ou abuso, deixam marcas e não raro se manifestam em problemas psíquicos na vida adulta. Agora, um estudo mostra que as sequelas podem extrapolar gerações: filhos e netos de pessoas que sofreram traumas tendem a ser mais ansiosos e vulneráveis ao estresse.

Os bioquímicos Larry Feig e Lorena Saavedra-Rodríguez, da Universidade Tufts, em Massachusetts, estimularam o estresse em ratos jovens, mudando-os seguidamente de gaiola ao longo de sete semanas. Quando os animais se tornaram adultos, os pesquisadores os submeteram a testes que avaliam a ansiedade social em roedores, como a frequência com que se aproximam e interagem com ratos desconhecidos. As fêmeas adultas apresentaram comportamentos mais ansiosos em comparação com animais do grupo de controle, mas os machos não. Entretanto, posteriormente, os filhotes dos ratos de ambos os sexos mostraram-se mais vulneráveis ao estresse que a média.

O interessante, segundo Feig e Lorena, é que os ratos machos do início do estudo transmitiram o comportamento para as fêmeas de sua terceira geração, as “netas”. “Estudos anteriores sugerem que as fêmeas têm maior risco de ansiedade, o que pode ser causado por uma interação de fatores sociais e bioquímicos”, diz Feig. Ele afirma, porém, que é cedo para estender os resultados a humanos. “Os ratos do estudo foram criados em gaiolas simples, com número limitado de influências ambientais. Humanos, claro, são sujeitos a uma variedade muito maior de estímulos e também têm a habilidade de desenvolver formas de enfrentamento”, acredita
 

Enxaqueca em crianças

Entrevista com a Dra. Thaís Rodrigues Villa sobre enxaqueca em crianças brasileiras e o risco de distúrbios de ansiedade, depressão e déficit de atenção.


Stress na infância aumenta níveis de ansiedade em meninas adolescentes

Viver em lares com alto índice de stress modifica o desenvolvimento cerebral da menina, levando a conexões mais fracas entre áreas que regulam a emoção
 

Exposição precoce ao stress familiar aumenta níveis de ansiedade em meninas
durante a adolescência (Thinkstock)

 
 Meninas expostas a altos níveis de stress familiar no começo da infância tendem a ter mais ansiedade na adolescência. De acordo com um estudo populacional da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, o stress no começo da infância altera o desenvolvimento cerebral, levando a conexões mais fracas entre áreas responsáveis pela regulação e processamento da emoção. O estudo foi publicado no periódico Nature Neuroscience.
 
Segundo os pesquisadores, meninas ainda bebês que viviam em lares com mães estressadas eram mais suscetíveis a chegar ao fim do ensino infantil com níveis mais elevados de cortisol (hormônio do stress). Além disso, depois dos 14 anos, essas garotas também tinham menos comunicação entre as áreas cerebrais associadas com a regulação da emoção. No estudo, os meninos não demonstraram nenhum dos padrões relacionados ao stress na infância.
 
“Queríamos entender como o stress no começo da vida impacta nos padrões do desenvolvimento cerebral, o que pode levar à ansiedade e depressão”, diz Cory Burghy, coordenadora do estudo. “As jovens que, no ensino infantil, tinham níveis de cortisol intensificados, passaram a ter menos conectividade cerebral em caminhos neurais importantes para a regulação da emoção — o que prediz sintomas de ansiedade durante a adolescência.”
 
Pesquisa — O cérebro de 57 voluntários (28 mulheres e 19 homens) foi analisado por ressonância magnética para mapear a força das conexões entre a amígdala, uma área do cérebro conhecida por sua sensibilidade à emoção negativa e à ameaça, e o córtex pré-frontal, frequentemente associado em ajudar a processar e regular emoções negativas. Em seguida, os resultados de exames foram comparados com outros feitos durante a infância.
 
Descobriu-se, então, que as garotas com conexões mais fracas viveram, enquanto crianças, em lares onde suas mães haviam relatado níveis gerais altos de stress — o que pode incluir sintomas de depressão, frustração dos pais, conflitos conjugais, sensação de opressão no papel de pais e/ou problemas financeiros. Aos quatro anos de idade, essas garotas também demonstraram níveis mais altos de cortisol no fim do dia, mensurado pela saliva.
 
Os resultados sugerem que níveis mais altos de cortisol na infância podem ter modificado o desenvolvimento cerebral nas meninas, deixando conexões mais fracas entre o córtex pré-frontal e a amígdala — uma associação que explica 65% da variação dos níveis de stress na adolescência. “Sabemos que mulheres relatam níveis mais altos de desordens do humor e de ansiedade. Essas diferenças baseadas no sexo são muito pronunciadas, especialmente em adolescentes”, diz Davidson.
 
Fonte: Veja

“Mãe, fique comigo!”- Ansiedade de separação na infância

 
O medo da separação de figuras de forte vinculação afetiva é algo já previsto no desenvolvimento infantil. Alguns exemplos são quando o bebê chora ao ser retirado do colo da mãe ou a reação emocional de crianças pré-escolares no primeiro dia de aula. A ansiedade, como se vê, se mostra presente desde a infância. No entanto, quando a ansiedade atinge níveis elevados que perturbam a rotina da criança ou de seus familiares devido ao afastamento dos mesmos, fazendo-a evitar atividades diárias e apresentando sintomas físicos sem constatação clínica, pode trazer prejuízos ao desenvolvimento infanto-juvenil através do transtorno de ansiedade de separação.
 
Estudos em populações americanas indicaram que os transtornos de ansiedade têm prevalência estimada entre 8 e 12% [1]. Por sua vez, no Brasil, um estudo populacional encontrou índices de prevalência de 4,6% em crianças e 5,8% entre os adolescentes. Apesar de suas primeiras descrições na literatura datarem do início do século XIX, apenas no início do século seguinte foram descritos os primeiros casos clínicos de ansiedade infantil. Sigmund Freud relatou um caso de fobia em 1909, conhecido como Pequeno Hans. A partir da década de 40, com o número de crianças órfãs em virtude da Segunda Guerra Mundial, cresceu o interesse de pesquisadores da época em estudar a ansiedade na infância.
 
Até a década de 80, os manuais de classificação dos transtornos mentais estabeleciam que as manifestações de ansiedade na infância eram transitórias. A partir de então, as três categorias iniciais desse transtorno foram ampliadas, existindo na versão mais atualizada do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais- DSM IV cerca de dez tipos, cujos critérios de diagnóstico abrange crianças e adolescentes. Dentre eles, apenas o Transtorno de Ansiedade de Separação é definido como exclusivo da infância e adolescência (APA, 2000).
 
Este transtorno é caracterizado pela vivência de ansiedade excessiva em função do afastamento de casa ou de figuras de apego e vínculo. Cabe destacar que a reação emocional exagerada diante do afastamento dos pais é esperada no desenvolvimento de crianças pré-escolares, motivada pela insegurança gerada pela ausência dos cuidadores. A ansiedade de separação e a ansiedade diante de estranhos costumavam ser consideradas como marcos no desenvolvimento emocional e cognitivo da segunda metade da primeira infância (período de 0 a 3 anos de idade), constituindo reflexos do apego à mãe.
 
Porém, no percurso do desenvolvimento, para que a ansiedade seja considerada um transtorno, ela deve interferir no funcionamento da vida diária do indivíduo, repercutindo negativamente também na rotina e bem-estar de cuidadores. Assim, o DSM-IV estabelece uma série de critérios para o diagnóstico do Transtorno de Ansiedade de Separação. Pelo menos três deles devem estar presentes em relação ao afastamento de casa ou dos pais. Dentre os sintomas possíveis estão o sofrimento excessivo e recorrente diante da ocorrência ou iminência de afastamento; preocupações persistentes e excessivas acerca de perigos envolvendo os pais ou a si mesmo; recusa ou resistência a ir desacompanhado para a escola ou outros locais; temor em ficar sozinho em casa; preocupação persistente e excessiva acerca de perder ou sobre possíveis perigos envolvendo as figuras de apego; temor excessivo de que um evento indesejado ocasione à separação das pessoas com quem se vincula (como perder-se ou ser sequestrado); repetidas queixas de sintomas somáticos (sintomas sem comprovação médica, como dores de cabeça e abdominais) quando a separação de figuras importantes de vinculação ocorre ou é prevista; pesadelos repetidos envolvendo a possibilidade de separação e relutância ou recusa persistente a ir dormir sem a presença de uma figura de vinculação ou para pernoitar longe de casa.
 
Outros critérios relevantes são o prejuízo funcional e significativo em áreas da vida da criança (como o acadêmico e o social), a duração dos sintomas de pelo menos quatro semanas e que ele não ocorra durante o curso de outros transtornos de comportamento. O diagnóstico também requer que o quadro tenha início antes dos 18 anos de idade.
 
Diante da ocorrência ou previsão de afastamento dos pais ou das figuras de vinculação, a criança e o adolescente com este transtorno tendem a apresentar um medo irreal de que algo muito ruim aconteça com eles ou com seus pais que impediria o reencontro com eles. Os medos mais frequentes são ferimentos graves, morte e sequestro, que podem ocorrer até mesmo durante o sono, perturbando-o. Ao passo disso, eles tendem a seguir e perseguir os pais dentro de casa (ou fora dela, através de telefone, incessantemente), recusam-se a dormir sozinhos ou a saírem de casa desacompanhados. Não raro, diante da separação ou na antecipação do afastamento, sentem uma saudade sufocante que ocasionam sintomas corporais como dores de cabeça, náuseas e dores estomacais.
 
Este transtorno é mais comum em crianças com idade 7 a 9 anos, havendo diferenças em como expressam os medos. Por exemplo, crianças com idade entre 5 e 8 anos costumam preocupar-se e terem pensamentos trágicos sobre os pais, ao passo que protestos, acessos de raiva, apatia e desconcentração são mais comuns em púberes de 9 a 12 anos. Por sua vez, sintomas psicossomáticos e recursa escolar são manifestados em adolescentes. Cabe destacar que não há distinção entre os sintomas de acordo com o sexo.
 
Cabe destacar que várias situações históricas podem influenciar o surgimento de sintomas de ansiedade. Cada caso deve ser avaliado individualmente, mas alguns fatores são relatados na literatura, como mudanças de escola ou domicílio, doença de algum membro familiar ou separação conjugal. Não raro, com acesso a reportagens que destacam a vulnerabilidade humana a eventos sociais aversivos, como sequestros relâmpagos, assassinatos e assaltos a mão armada, eles sentem o perigo mais próximo e, assim, temem que algo ruim aconteça a si mesmo ou com seus familiares.
 
Com o medo de afastar-se dos familiares, crianças e adolescentes podem perder oportunidades de contato social, como excursões, viagens e reuniões em casas de amigos. Assim, pode prejudicar a socialização dos mesmos, uma vez que preocupados consigo e com os outros, poderão não se envolver em atividades ou serem alvos de fofocas ou chacotas sociais. Ademais, essa ansiedade também pode perturbar a rotina laboral dos pais, que tenderão a receber inúmeros telefonemas, checando onde estão e solicitando que estes vão resgatá-los.
 
Diante deste panorama, é necessária uma avaliação criteriosa. Os comportamentos, por mais disfuncionais que pareçam, são mantidos pelas suas consequências no ambiente. No caso da ansiedade, tendemos a fugir ou evitar o contato com os estímulos que causam temor. Outra questão que comumente acontece é que, emitindo verbalizações de medo de que algo ruim aconteça, os ouvintes tendem a reassegurar que nada irá acontecer, protegendo e acalentando a criança/adolescente. Além disso, se com isso evitam que os pais saiam de perto delas, ou se esquivam de responsabilidades como a escola ou de se exporem a situações sociais, tais consequências fortalecem o comportamento ansioso.
Algumas recomendações são válidas para prevenir este transtorno:
  • Desde cedo, diante dos afastamentos dos pais, estes devem sinalizar para onde irão e quando devem retornar, porém, com uma certa “margem de erro”. Por exemplo, “volto quando o sol se pôr”, “venho para te colocar para dormir”. Se for dar uma saída e for demorar, não adianta dizer que volta logo, ou estipular os minutos (“volto em dez minutos”). Recomenda-se estabelecer as horas para mais, para evitar os atrasos em virtude dos imprevistos. Não é recomendada a “saída à francesa”.
  • Recomenda-se que a despedida seja algo natural. Coloca-se em evidência as questões satisfatórias que os filhos terão contato na escola (o melhor amigo, a aula da disciplina que tem afinidade, os paqueras) e não o afastamento ou as exigências (por exemplo, “não me ligue!”).
  • Alguns pais, em momentos de irritação, podem ameaçar o abandono do lar diante do comportamento inadequado da criança visando a diminuição da frequência deste. Por exemplo, “se você fizer isso de novo, eu vou embora e não volto mais!”. Em brigas conjugais, esta fala também é comum. Diante de crianças ansiosas, então, não se recomenda este tipo de verbalização, pois ela provoca ansiedade e deixa a criança alerta quanto à possibilidade deste perigo.
  • Elimine estímulos ambientais que possam remeter aos perigos sociais: evite assistir jornais diante dos filhos, supervisione o que estes estão vendo na internet e também os assuntos das rodas de amigos. Tendo conhecimento dos perigos que circundam a sociedade, o jovem pode ficar ansioso quanto à iminência de algo aversivo quando este ou seus pais for sair de casa, mesmo quando há segurança.
  • Trate de segurança, mas sem apavorar os filhos. Ao invés de “ligue a cerca elétrica, pois bandidos não escolhem a hora de assaltar as casas”, diga um simples “ligue a cerca elétrica”. Se você tem medo e se sente inseguro quando sai de casa, tente não verbalizar suas fragilidades diante dos filhos. Procure ajuda, mas com outras pessoas.
  • Incentive o brincar, o contato com os colegas e o lazer. Quando estão em um contexto com estímulos satisfatórios, estas situações concorrem com as preocupações, fazendo com que o medo fique em segundo plano.
  • Diante do medo da criança ou adolescente, jamais afirme a sua invulnerabilidade a eventos como doença, morte ou mazelas sociais, apenas mude o foco, apontando as evidências que não favorecem o perigo. Por exemplo, se o adolescente revelar o medo de ficar sozinho em casa, lembre-o da segurança que possui no momento, que reduz a probabilidade de que algo ruim aconteça, como o porteiro, a trava da porta ou a cerca elétrica.
O risco é inerente à vida. O ser humano é vulnerável e a vida é finita. Mas tais preocupações na infância e adolescência acaba reduzindo o brilho da vida que se vê com mais clareza apenas nesta fase da vida. Assim, para evitar que esta ansiedade prejudique a adaptação da criança no ambiente ou evolua para outro transtorno de ansiedade (como transtorno de pânico ou de ansiedade generalizada), procure um profissional de sua confiança.
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[1] Viana, Campos e Landeira-Fernandez (2009). Transtornos de ansiedade na infância e adolescência: uma revisão. Revista brasileira de terapia cognitiva, v.5, n.1.
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Juliana de Brito Lima é Psicóloga (CRP 11ª/05027), formada pela Universidade Estadual do Piauí e especializanda em Análise Comportamental Clínica pelo Instituto Brasiliense de Análise do Comportamento – IBAC. É membro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental – ABPMC e Psicóloga do Centro Integrado de Educação Especial – CIES e da Clínica Lecy Portela, em Teresina-PI. Tem experiências acadêmicas (linha de pesquisa “Desenvolvimento da criança e do adolescente em situações adversas” do Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná/ NAC-UFPR) e profissionais na área clínica (atendimento a criança, adolescente e adulto), jurídica e educação especial, na orientação de pais.
Fonte: Instituto de Psicologia Aplicada - InPA
Telefone - (61) 3242-1153

Enxaqueca aumenta problemas psicológicos em crianças

Levantamento conduzido por pesquisador brasileiro relaciona frequência de crises de enxaqueca com sintomas depressivos e de ansiedade
Estima-se que 90% das crianças brasileiras que têm enxaqueca não foram diagnosticadas
(Thinkstock)
Crianças que têm enxaqueca são mais propensas a desenvolver problemas comportamentais, como sintomas de ansiedade, depressão e dificuldade de atenção. Quanto mais frequentes forem as dores de cabeça, maiores serão esses problemas. De acordo com a pesquisa, publicada no periódico médico Cephalagia, aproximadamente 1,7 milhão de crianças e adolescentes no Brasil têm 10 ou mais dores de cabeça por mês.
O estudo foi conduzido por Marco Arruda, diretor do Instituto Glia, em Ribeirão Preto, e por Marcelo Bigal, da Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova York. Para o levantamento, foram avaliadas 1.856 crianças brasileiras. Todas tinham idades entre cinco e 11 anos. De acordo com os autores, esse é o primeiro grande estudo do tipo a procurar uma relação entre os problemas psicológicos e a enxaqueca e a dor de cabeça tensional com uma base geral — e não apenas em crianças que procuravam atendimento médico. Informações sobre a frequência das crises também foram incorporadas ao levantamento.
A enxaqueca se caracteriza por uma dor que, normalmente, afeta apenas um lado da cabeça. A dor costuma piorar com o esforço físico, luz, ruídos e odores, e pode ser de moderada a intensa. A enxaqueca pode ainda estar associada a náuseas e vômitos. Já dor de cabeça tensional provoca uma dor que vai de leve a moderada. Sua causa pode estar relacionado a situações de estresse, mas seu papel ainda não foi completamente compreendido pela medicina.
Veja também:
No estudo, foram usados questionários internacionais para dor de cabeça e o Child Behavior Checklist (CBCL), para avaliar os sintomas emocionais. Em crianças que tinham tanto enxaqueca (23%) como dor de cabeça tensional (29%), as dores de cabeça mais frequentes estavam relacionadas com um aumento anormal na pontuação da escala que mede o comportamento. Os tipos de comportamentos mais vistos eram aqueles caracterizados como internalizados — direcionados para si mesmo.
Enquanto menos de um quinto das crianças do grupo de controle (19% da amostra) tinha problemas com comportamentos internalizados, mais da metade daqueles com enxaqueca tinham o problema. Já os comportamentos externalizados, como se tornar mais agressivo ou desrespeitar leis, não se mostraram diferentes nos dois grupos. "Como previamente relatado, descobrimos que a enxaqueca estava associada com problemas sociais", diz Arruda.
Pesquisas anteriores já haviam apontado que crianças com enxaquecas eram mais propícias a ter outros problemas psicológicos ou fisiológicos – como ansiedade, depressão e problemas de atenção e hiperatividade. Até agora, no entanto, poucos estudos tinham examinado a relação desses mesmos problemas com a dor de cabeça tensional em crianças. Incluir a frequência da dor de cabeça nessa análise também era uma peça importante do quebra-cabeça que estava faltando.

Fonte: Veja

O alívio da ansiedade

Conheça os novos tratamentos e as descobertas que ajudam a controlar as crises e melhorar a qualidade de vida daqueles que sofrem com a chamada doença do século


Neste momento, uma em cada quatro pessoas no mundo está com uma sensação de aperto no peito, sentindo o coração bater mais rápido, com as mãos suando. Na mente, um medo inexplicável ou preocupação obsessiva com algo que ainda nem aconteceu. Esses são alguns dos sintomas das crises de ansiedade, um dos transtornos mentais mais incidentes da atualidade e, assim como os demais, extremamente cruel. Dependendo do grau, tira o sono do indivíduo, deixa-o mais predisposto a sofrer de enfermidades cardiovasculares e o priva de sair de casa quando o medo atinge níveis incontroláveis.
 

Estudos mostram que a ansiedade é mais frequente do que transtornos de humor como a depressão. E dados divulgados pelo World Health Mental Survey, ligado à Organização Mundial da Saúde, revelam um triste panorama para o Brasil: 20% das pessoas que vivem em São Paulo convivem com ou tiveram algum transtorno ansioso nos últimos 12 meses. “Foram analisadas cidades de 24 países. Em São Paulo, encontramos o índice mais elevado”, diz Laura Andrade, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). Mas um esforço monumental da medicina para buscar as origens da doença e criar novas opções de tratamento promete dar alívio a quem sofre desse pesadelo.
 
A ansiedade fazia parte das reações que nossos ancestrais manifestavam diante de ameaças como a possibilidade de um ataque animal ou a morte por frio extremo. Preocupar-se com esses eventos mantinha o corpo em alerta: mais tenso, pressão elevada, maior bombeamento de sangue. Se o perigo se concretizasse, o corpo estava pronto para reagir. Se não, o sistema era desligado. Esse esquema ficou gravado no cérebro e até hoje entra em ação diante de situações interpretadas como risco. Essas circunstâncias podem ser reais ou fictícias, resultado de mecanismos psíquicos não totalmente esclarecidos. O problema é que, se esse estado de preocupação se torna crônico, caso da ansiedade generalizada, ou leva a crises espontâneas, como os ataques de pânico, deixa de ser uma reação natural. Causa prejuízos à saúde e à vida social, afetiva e profissional. Transforma-se em doença.

TERAPIA - Adriana Mazzagardi tem a ajuda dos cavalos para controlar o sentimento
Atualmente, há catalogados oito tipos da enfermidade (leia mais detalhes no quadro à pág.84). Como ocorre com a maioria das enfermidades mentais, há dificuldade na detecção do problema. “Um estudo feito em Londres, pelo psiquiatra Paul Bebbington, mostrou que apenas 14% dos pacientes tinham sido diagnosticados e tratados no ano anterior ao trabalho”, contou Márcio Bernik, coordenador do Programa de Ansiedade (Amban) do Instituto de Psiquiatria da USP. O diagnóstico é feito por psicólogos ou psiquiatras, que recorrem a perguntas definidas para identificar a alteração, como ela se insere na vida do indivíduo e sua gravidade. “Uma das primeiras perguntas é se a pessoa sente que teve prejuízo em algum campo ou momento da vida por causa da doença”, diz o psiquiatra Bernik.


O tratamento varia de acordo com o transtorno especifico e a intensidade da enfermidade. Nos casos mais leves, indicam-se apenas medicamentos ou sessões de terapia cognitivo-comportamental (TCC), método cujo objetivo é modificar padrões de pensamentos e comportamentos associados. Uma pessoa que tenha receio permanente de perder o emprego, por exemplo, pode ser treinada para evitar esses pensamentos ou substituí-los por outros, mais otimistas e calcados na realidade. Nos casos moderados e mais graves, é recomendada a combinação de remédios com a TCC. Um trabalho da psicóloga Mariângela Savoia, ligada ao Amban, mostrou que essa associação foi mais eficaz do que o uso isolado dos métodos.
 
Os recursos criados recentemente são utilizados para os casos mais severos e que não respondem ao tratamento padrão. Um dos mais promissores é a aplicação da realidade virtual. A terapia consiste em expor o paciente – de modo virtual – às situações que desencadeiam crises para que, aos poucos, ele aprenda formas de evitar os pensamentos ansiosos. Na Universidade de Washington (EUA), o método está sendo aplicado para tratar fobias, a ansiedade gerada pelo estresse pós-traumático e aquela sentida durante a troca de curativos em pacientes com queimaduras. “Temos bons resultados”, disse à ISTOÉ Hunter Hoffman, coordenador da equipe que aplica a técnica.
 
Semelhante à realidade virtual, a terapia de modificação cognitiva com auxílio de computador também desponta como alternativa. Um trabalho da Brown University (EUA) mostrou que indivíduos com fobia de falar em público melhoraram depois de se submeter aos exercícios duas vezes por semana, por um mês. Eles consistem em instruir o paciente a evitar expressões faciais hostis – para quem tem fobia social isso detona crises – e a interpretar as reações de interlocutores de forma otimista.

 
Começa também a ser testada a eficácia da estimulação magnética transcraniana. A técnica submete o paciente a aplicações de ondas eletromagnéticas. O objetivo é regularizar a atividade elétrica nas regiões cerebrais associadas à doença (leia mais no quadro à pág. 82). O médico Marco Marcolin, do Instituto de Psiquiatria da USP, iniciará até o fim do ano testes com 30 pacientes com fobia social. Por enquanto, não há nada conclusivo. Estudos com o método para tratar a ansiedade associada ao estresse pós-traumático deram resultados negativos no Brasil e positivos na Europa.


Ganhando espaço na prática clínica está o neurofeedback, método que se propõe a imprimir no cérebro um novo padrão de funcionamento, igual ao de uma pessoa sem a doença. “Eletrodos colocados sobre o couro cabeludo fazem a leitura da informação neurológica que está sendo produzida e registrada por eletroencefalografia”, explica o psicólogo Leonardo Mascaro, mestre em neurociências pelo Núcleo de Neurociências e Comportamento da USP e autor do livro “Para Que Medicação?”. Segundo ele, na presença de enfermidades como a ansiedade, os dados revelam padrões eletroencefalográficos anormais e específicos que possibilitam o reconhecimento da doença ou de outros comprometimentos neurológicos.

TECNOLOGIA - Acima, o psicólogo Mascaro acompanha a sessão de
neurofeedback da empresária Marisa. Abaixo, paciente com queimadura
no braço usa equipamento de realidade virtual.
O recurso o ajuda a diminuir a dor e a ansiedade

 
No treinamento, o paciente visualiza as alterações e também os padrões normais. “Os parâmetros corretos são então apresentados de volta aos neurônios por meio de um trabalho de condicionamento feito sob a forma de sinalização sonora e visual”, diz Mascaro. Essas sinalizações ocorrem somente quando os neurônios em treino produzem o tipo de atividade que está sendo solicitada. “Dessa maneira acontece a aprendizagem neurológica e a modificação da atividade cerebral, que se normaliza progressivamente”, complementa o psicólogo. “Conforme o tratamento caminha, a pessoa necessita de menos medicação e a retirada do medicamento acontece, sempre sob supervisão médica”, assegura Mascaro. A empresária Marisa Rollemberg Rocha, 40 anos, de Brasília, submeteu-se a três sessões até agora. “Já consigo dormir melhor e passei a suar menos nas mãos”, diz. A técnica, porém, não é aceita por todos os médicos. Bernik, do Amban, não a considera eficaz.
 

O desenvolvimento de instrumentos como esses só foi possível a partir do avanço do conhecimento sobre as bases neurológicas da doença. Apesar de a identificação das estruturas cerebrais vinculadas à enfermidade ter sido feita há algum tempo, dezenas de pesquisas estão revelando detalhes sobre a interação entre elas. Cientistas da Columbia University (EUA), por exemplo, descreveram a maneira pela qual operam o hipocampo e o córtex pré-frontal medial. “Vimos que o hipocampo envia muita informação para esta área do córtex, fazendo com que ela reconheça o ambiente como uma ameaça”, explicou Joshua Gordon, autor da pesquisa.
 
Por aqui, o psiquiatra Luiz Vicente Mello, de São Paulo, participa de um esforço internacional para entender melhor a relação entre comportamentos ansiosos e mecanismos de defesa legados pela evolução. “Muitas das nossas reações são anacrônicas. Ao mesmo tempo, não temos defesas para situações recentes, como o medo de carros, que precisa ser ensinado”, diz.

ENERGIA -  O psiquiatra Marcolin iniciará os testes para verificar a eficácia
da aplicação de ondas eletromagnéticas em centros cerebrais associados à doença
Ainda na USP, cientistas investigam a relação da enfermidade com o sistema serotonérgico do cérebro. Recentemente, o psiquiatra Felipe Corchs, em estudo feito no Amban com universidades da Inglaterra, Nova Zelândia e Austrália, observou que as diferenças na quantidade de serotonina (substância que faz a comunicação entre neurônios) interferem na sensibilidade aos estímulos que iniciam crises. Para chegar a essa conclusão, os cientistas deixaram sem comer proteínas um dia inteiro voluntários que já haviam sido tratados de transtornos ansiosos. Não ingerir proteína prejudica o aporte de triptofano, aminoácido essencial para a formação da serotonina.


O resultado foi surpreendente: pacientes com pânico, estresse pós-traumático e fobia social ficaram mais sensíveis aos gatilhos de crise, sugerindo que a serotonina tem papel na modulação dessa resposta. “E pessoas que tinham melhorado com o tratamento pioraram quando os níveis da substância diminuíram”, explicou Felipe. A redução do composto não causou o mesmo impacto em pacientes com ansiedade generalizada e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Para estes, o que parece é que o contrário, o aumento na concentração da serotonina, faz diferença. Um outro estudo, feito pelo psicólogo Thiago Sampaio, também do Amban, indicou que portadores de TOC que possuem maior concentração de serotonina respondem mais rápido à terapia.


Intervir nas situações em que a ansiedade pode prejudicar o tratamento é hoje uma atitude incorporada por alguns hospitais. No Albert Einstein, em São Paulo, psicólogos entram em ação para atender pacientes internados que apresentam sintomas da doença. “Uma das formas de reduzi-los é ajudar os doentes a esclarecer suas dúvidas”, diz Ana Kernkraut, coordenadora do serviço de psicologia do hospital.


Nos EUA, médicos usaram a terapia com animais para diminuir o sentimento em indivíduos que se submeteriam a exames de imagem, situação que desencadeia temor. No Monmouth Medical Center, 28 pacientes que fariam ressonância magnética foram selecionados para brincar com cães por 15 minutos, meia hora antes de fazer o exame
 
Comparados a doentes que não tiveram esse tempo com os animais, eles manifestaram muito menos ansiedade. “A terapia mostrou potencial para substituir os remédios contra crises às vezes dados aos pacientes”, disse Richard Ruchman, autor do estudo.
 

No Brasil, nos centros de equoterapia é possível aliviar os sintomas com o auxílio dos cavalos. A empresária Adriana Mazzagardi experimentou esses efeitos durante as aulas de equitação que teve na infância e decidiu expandir o benefício. “Os cavalos me ensinaram a controlar a minha ansiedade, que era muito intensa”, diz Adriana, que está à frente do Centro Equestre Equovita, em Jundiaí (SP). O local é frequentado por muitas pessoas em busca de alívio das tensões. “Se você está ansioso e sem concentração, o cavalo percebe e reage. Você precisa estar atento e calmo para que ele se deixe conduzir”, diz Adriana.


Manter a ansiedade sob controle é também importante porque reduz riscos para outras doenças. Na semana passada, pesquisadores da Stanford University (EUA) divulgaram os resultados de um estudo com animais, indicando que o sentimento contribui para o surgimento de tumores. A explicação é a de que a ansiedade costuma vir acompanhada de estresse. Juntas, as condições enfraquecem o sistema de defesa do organismo. “Eles podem acelerar a progressão do câncer”, afirmou o imunologista Firdaus Dhabhar, autor do experimento.


A conexão com a depressão também está sendo investigada. Um trabalho patrocinado pelo Canadian Institutes of Health Research apontou uma molécula (CRFR1) como a responsável pela interação entre a ansiedade, o estresse e a doença. Um primeiro passo já foi dado para quebrar a associação: em cobaias, a inibição da produção dessa molécula atenuou a ansiedade.
 
Mais conhecida, a relação da enfermidade com os males cardiovasculares exige também atenção. Tanto que médicos do Montreal Heart Institute, também no Canadá, fizeram um trabalho para provar que pacientes em risco para doenças do gênero e que apresentem traços de ansiedade devem ser submetidos a uma tomografia do coração, e não apenas a um eletrocardiograma. “O exame de imagem é mais efetivo para identificar doença cardíaca nesses indivíduos”, afirmou Simon Bacon, coautor do experimento.
 
Fonte: Isto É

Transtorno obsessivo-compulsivo em jovens é alvo de estudos no HC

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP está fazendo pesquisas sobre métodos de tratamento do TOC (transtorno obsessivo-compulsivo) para crianças e jovens e sobre a hereditariedade do transtorno.

Um dos estudos vai comparar a eficácia de iniciar o tratamento com remédios e/ou com terapia cognitiva-comportamental. Os participantes receberão acompanhamento por um ano. A pesquisa seleciona voluntários entre crianças e jovens de seis a 17 anos que tenham pensamentos, impulsos ou comportamentos repetitivos.

Um segundo estudo está avaliando a possibilidade de pais com transtornos de ansiedade terem mais risco de gerar filhos que vão desenvolver esse tipo de problema.

Podem participar da pesquisa pais que receberam diagnóstico de TOC, pânico, ansiedade e fobia social, com filhos de três a 17 anos.

Inscrições para os estudos podem ser feitas pelo telefone 0/xx/11/2661-7594.

Fonte: Folha SP

Fobia é o medo exagerado que atrapalha as atividades do dia-a-dia

Problema causa sintomas físicos como taquicardia e falta de ar.

Existe tratamento com especialistas para todos os tipos de fobia.

Sentir medo é bom, é uma forma de proteção do nosso corpo contra os perigos da vida e do ambiente. Mas há momentos em que este sentimento passa dos limites e, em vez de proteger, atrapalha em atividades que deveriam ser corriqueiras. É neste ponto que o medo se torna fobia.
A fobia é um medo que não fica só na cabeça de quem sente. Ela dispara sintomas físicos, como taquicardia, falta de ar e ataques de pânico. Com isto, a pessoa deixa de fazer coisas básicas do dia-a-dia, como dirigir ou pegar um ônibus.

No Bem Estar desta terça-feira (27), a pediatra Ana Escobar e do psiquiatra Luiz Vicente Figueira de Mello explicaram qual é o limite que diferencia medo e fobia. Eles também deram dicas de como enfrentar e superar este problema.


As dicas acima fazem parte de uma técnica conhecida como exposição gradual. São maneiras de encarar o medo aos poucos, até pegar a confiança necessária para retomar este tipo de atividade normalmente

A técnica é mais indicada para os casos de fobias específicas – quando a pessoa tem medo de altura ou de lugares fechados, por exemplo. Em geral, este medo é provocado por alguma experiência ruim que provoca um trauma psicológico, e pode surgir em qualquer momento da vida.
O que acontece nestes casos é que o cérebro relaciona uma “memória ruim” a algum objeto, lugar ou situação. Quando isto acontece, A pessoa não consegue mais entrar em contato com esta coisa específica – ela sente um bloqueio, os sintomas físicos se manifestam.

Além da fobia específica, há outros dois tipos de medo exagerado, e ambos têm tratamento: a agorafobia e o medo social.

A agorafobia é o medo de se sentir mal em determinados locais e não poder receber socorro. Normalmente, as pessoas que tem este tipo de medo se sentam perto das saídas no ônibus ou no cinema, ficam sempre prontas para escapar caso algo aconteça. Em geral, a agorafobia está associada à síndrome do pânico.

Já a fobia social é uma timidez exagerada e doentia que pode surgir em várias situações. As pessoas que têm esta fobia costumam nascer com ela, ou pelo menos com uma predisposição a desenvolvê-la.

Este medo do julgamento dos outros atrapalha muito na interação social e no relacionamento com amigos e colegas de trabalho. A timidez chega ao ponto de fazer com que uma pessoa não consiga nem assinar um cheque, por medo da exposição, por exemplo. Este tipo de medo é o mais difícil de resolver sozinho, é preciso procurar ajuda profissional.

Na enquete que fizemos entre os leitores do site, perguntando qual é o principal medo das pessoas, houve empate técnico entre a altura – uma fobia específica – e falar em público – timidez –, com 27% dos votos para cada.


Fonte: Bem Estar

Medos, Ansiedades e Fobias

Todos, desde o filho mais novo ao mais velho, experimentam ansiedades e medos em um momento ou outro. Sentir-se ansioso em uma situação particularmente desconfortável não é legal. No entanto, com as crianças, tais sentimentos não são apenas normal, eles também são necessárias. Lidar com ansiedade pode preparar os jovens para lidar com as experiências inquietantes e situações desafiadoras da vida.

Ansiedades e medos são muito normal

A ansiedade é definida como "apreensão sem causa aparente." Isso geralmente ocorre quando não há ameaça imediata à segurança de uma pessoa ou bem-estar, mas a ameaça parece real.

A ansiedade faz alguém querer fugir da situação, e rápido. O coração bate mais rapidamente, o corpo pode começar a transpirar e sente-se "borboletas" no estômago. No entanto, um pouco de ansiedade pode realmente ajudar as pessoas a ficar alerta e focada.

Tendo medos ou ansiedades sobre certas coisas também pode ser útil porque as crianças se comportam de maneira segura. Por exemplo, uma criança com medo do fogo evita a brincar com fósforos.

A natureza das ansiedades e medos mudam à medida que as crianças crescem e se desenvolvem:

•Bebês sofrem de ansiedade, agarrando-se aos pais quando confrontado por pessoas que não reconhecem.

•Crianças em torno de 10 a 18 meses experienciam a ansiedade de separação, tornando-se emocionalmente perturbado quando um ou ambos os pais as deixam.

•Crianças com idades entre 4 a 6 anos tem ansiedade sobre coisas que não são baseadas na realidade, como medo de monstros e fantasmas.

•Crianças com idades entre 7 a 12 anos à vezes tem medos que refletem circunstâncias reais que podem acontecer a eles, tais como lesão corporal e desastre natural.

Como as crianças crescem, um medo pode desaparecer ou se substituido por outro. Exemplo, uma criança que não conseguia dormir com a luz apagada aos 5 anos de idade pode desfrutar de uma história de fantasma mais tarde. E alguns medos pode se estender apenas a um tipo particular de estímulo. Em outras palavras, uma criança pode querer acariciar um leão no zoológico, mas consegue chegar perto do cachorro do vizinho.

Sinais de ansiedade

Medos infantis típicos mudam com a idade. Eles incluem o medo de estranhos, alturas, escuridão, animais, sangue, insetos, e ser deixado sozinho. As crianças muitas vezes aprendem a temer um objeto ou situação específica, depois de ter uma experiência desagradável, como uma mordida de cão ou um acidente.

Ansiedade de separação é um outro tipo de ansiedade comum quando as crianças estão começando a escola, enquanto que os adolescentes podem sofrer de ansiedade relacionada à aceitação social e desempenho acadêmico.

Se sentimentos de ansiedade persistirem, eles podem tornar-se um grande problema em relação ao sentimentos de bem-estar de uma criança. A ansiedade associada com evitação social pode ter efeitos a longo prazo. Por exemplo, uma criança com medo de ser rejeitado pode deixar de aprender importantes habilidades sociais, causando o isolamento social.

Muitos adultos são atormentados por medos que decorrem das experiências da infância. Medo de um adulto ao falar em público pode ser o resultado de constrangimento na frente de colegas de muitos anos antes. É importante que os pais reconhecem e identifiquem os sinais e sintomas da ansiedade das crianças para que os medos não atrapalhem o desenvolvimento saudável a longo prazo.

Alguns sinais de que uma criança ansiosa:

•tornar-se pegajosa, impulsiva, ou distraída

•movimentos nervosos, como espasmos temporários

•problemas para dormir e/ou dormir mais tempo que o normal

•mãos suadas

•batimento cardíaco acelerado e respiração ofegante

•náusea

•dores de cabeça (sem justificativa fisiológica)

•dores de estômago

Os pais ao perceber a ansiedade ou algum sentimento de inquietação podem dizer algo ao filho e escutar de forma atenta pois algumas vezes apenas essa simples atitude pode ajudar a criança a entender e perceber o que esta ocorrendo. 

O que é uma fobia?

Quando ansiedades e medos persistem, podem surgir problemas. Por mais que um pai espera que a criança cresça e supere esta fase dos medos, às vezes ocorre o oposto, e a  ansiedade paira e torna-se mais prevalente. A ansiedade pode-se  tornar uma fobia ou um medo extremo, grave e persistente.

A fobia pode ser muito difícil de tolerar, tanto para as crianças e aqueles à sua volta, especialmente se o estímulo a ansiedade (o que está causando a ansiedade) é inevitável (por exemplo, tempestades e trovões).

A fobia é uma das principais razões as quais as crianças são encaminhadas a profissionais da saúde. Mas a boa notícia é que, a menos que a fobia persista e dificulte a capacidade diária de função, a criança às vezes não necessita de tratamento longo.

Focalizando ansiedades, medos ou fobias

Tente responder as seguintes perguntas com honestidade:

O medo do seu filho é típico da idade?

Se a resposta a esta pergunta é sim, fique tranquilo os medos de seu filho irá resolver antes de se tornar um sério motivo de preocupação. Isto não é para dizer que a ansiedade deve ser ignorada, mas sim, deve ser considerado como um fator de desenvolvimento normal da criança.

Muitas crianças experimentam, adequado à idade, o medo do escuro. A maioria, ultrapassam com alguma tranquilidade esta fase, talvez, uma noite acordada, é possível eliminar esta dificuldade. No entanto, se continuar a ter problemas uma intervenção será inevitável.

Quais são os sintomas do medo, e como eles afetam o funcionamento pessoal, social e acadêmico do seu filho?
Se os sintomas podem ser identificados e superados com as atividades cotidianas do seu filho, ajustes podem ser feitos para aliviar alguns dos fatores de estresse, mas ainda encontra-se numa normalidade.

Será que o medo parece razoável em relação à realidade da situação, ou poderia ser um sinal de um problema mais sério. Se o medo do seu filho parece estar fora de proporção com a causa do estress, o que pode sinalizar a necessidade de buscar ajuda externa como um psiquiatra ou psicólogo.

Os pais devem procurar padrões. Se um incidente isolado for resolvido, não torná-lo mais significativo do que é. Mas se surge um padrão que é persistente ou penetrante, você deve agir. Se você não fizer isso, a fobia é provável que continue a afectar o seu filho.

Contacte o seu médico e / ou um profissional de saúde mental que tenha experiência em trabalhar com crianças e adolescentes.

Ajude o seu filho

Os pais podem ajudar as crianças a desenvolver habilidades e a confiança para superar medos para que eles não evoluam para reações fóbicas.

Para ajudar seu filho a lidar com medos e ansiedades:

• Reconhecer que o medo é real e faz seu filho sentir-se ancioso.ioso e com medo. Ser capaz de falar sobre os medos ajuda - as palavras muitas vezes tiram um pouco da energia do sentimento negativo. Se você falar sobre isso, pode tornar-se menos potente.

•Nunca menospreze o medo como uma maneira de forçar seu filho a superá-lo. Dizendo: "Não seja ridículo! Não há monstros em seu armário!". Você pode conseguir que seu filho vá para a cama, mas não fará com que o medo vá embora.

•Não atender aos temores, no entanto. Se seu filho não gosta de cães, não atravessar a rua deliberadamente para evitar um reforça a idéia que os cães devem ser temido e evitado. Prestar cuidados de apoio e gentileza como você se aproxima do objeto temido ou situação com seu filho.

•Ensinar as crianças a dar uma nota na intensidade do medo. Uma criança que pode visualizar a intensidade do medo em uma escala de 1 a 10, sendo 10 o mais forte, pode ser capaz de "ver" o medo como menos intensas do que imaginava. 

A chave para resolver medos e ansiedades é superá-los. Usando estas sugestões, você pode ajudar seu filho a lidar melhor com situações da vida.

Fonte: Kids Health