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Dica de leitura: Acompanhamento psicológico de criança com problema de sono: Um relato de caso

O Artigo de Silvares, El Rafihi-Ferreira e Pires (2014) publicado pela revista Revista de Psicologia da Criança e do Adolescente (Lisboa) descreve um estudo de caso de uma intervenção comportamental para insônia infantil por meio de um programa dirigido aos pais, podendo constituir um bom material de estudo e trabalho para psicoterapeutas infantis!
Leia o resumo: 
Dificuldades com o sono são frequentes em crianças em idade préescolar. O objetivo do presente estudo foi de apresentar um relato de caso de uma intervenção comportamental por meio de orientação parental para o manejo de problemas de sono em uma criança em idade pré-escolar. Participaram do estudo um menino de quatro anos de idade que apresentava dificuldades de iniciar e manter o sono na ausência dos pais e sua mãe que recebeu orientação atráves de um programa de orientação parental. O programa foi composto por cinco sessões em que a mãe recebia orientações sobre o sono da criança e sobre as técnicas de extinção e reforço positivo para o manejo das dificuldades de sono infantil. O sono e o comportamento da criança foram avaliados em quatro momentos (pré-intervenção, pós-intervenção, follow-up 1 e 6 meses) por meio dos seguintes instrumentos:
1) Escala UNESP de Hábitos e Higiene do Sono-Versão Crianças;
2) Escala de Distúrbios do Sono para Crianças e Adolescentes;
3) Inventário de comportamentos para crianças entre 1½ a 5 anos;
4) Diários de sono: os resultados demonstraram que após a intervenção a criança passou a dormir independentemente, resistir menos a ir para cama e apresentou melhora nos seus comportamentos diurnos.

Pode se concluir que a intervenção comportamental dirigida aos pais, foi efetiva para os problemas de sono da criança.
Fonte: Comporte-se

Lugar de criança dormir é no quarto e na cama (dela!)

Algo muito comum nas famílias com filhos é o fato de estes dormirem junto aos pais. Geralmente esse hábito se inicia após o nascimento, quando o bebê precisa de monitoramento mais próximo, sobretudo no período noturno. No entanto, não é incomum esse hábito se estender a outras fases do desenvolvimento, como a adolescência. Independente do lugar em que os filhos dormem – se na mesma cama ou no mesmo quarto dos pais – há um consenso a respeito da dificuldade em que os adultos enfrentam em fazê-los dormirem sozinhos, que muitas vezes é proporcional ao tempo em que dormem sob a companhia dos pais.
 
De fato, é extremamente prazeroso ter um filho por perto, sobretudo se este for um bebê. Dormir junto com uma criança é tido como um dos grandes prazeres dos pais: é algo pequenino, inocente, cheiroso e macio, algo por quem se nutre um grande afeto, um ser que traz consigo não só os genes, mas a história do casal. Fazê-lo permanecer por perto é desfrutar de tal prazer continuamente, ali, diante dos olhos e ao alcance das mãos.
 
Analisando melhor a situação, pode-se perceber que pernoitar com filhos tem outras funções. Agindo assim, é possível reduzir o tempo do choro noturno – ávido pela amamentação ou por colo materno diante de um pesadelo – diminuir o esforço físico de se levantar e de se dirigir até o filho (enfrentando calor ou frio), além de se evitar o desgaste em lidar com a (suposta) resistência da criança em ficar longe dos pais e vice-versa.
 
Ao passo disso, é possível afirmar que a criança também sente prazer ao lado dos pais: há o conforto da companhia, a segurança que lhe é sentida (que muitas vezes afasta medos infantis), o próprio contato – que muitas vezes lhe falta durante o dia – também são fatores extremamente satisfatórios para ela.
 
Embora tal contexto traga várias consequências “positivas” para todos os envolvidos, podem ocorrer diversas complicações no desenvolvimento e à adequação infantis. Muitas vezes, quando a criança cresce, os pais tentam colocá-la de volta ao seu quarto e, diante de sua resistência, permitem que ela durma em suas companhias mais uma vez. Esta inconsistência dos limites, que não ocorre de forma contínua, faz a criança entender que sempre há uma possibilidade de permanecer junto a eles. Não é incomum, também, encontrar crianças que tem seu sono perturbado por pesadelos ou por imagens de terror no próprio quarto, situações que favorecem a busca infantil pelo colo paterno na madrugada.
 
Verificar apenas o comportamento de dormir junto aos pais, na verdade, é algo muito limitado. É possível constatar que este comportamento é apenas um que se manifesta no padrão de dependência. Pais que não se sentem confiantes em deixar suas crianças por um momento longe de seus olhos muitas vezes são aqueles que podem proteger em demasia a ponto de provocar um atrofiamento do repertório de habilidades sociais e das atividades diárias. À medida que a criança cresce, ela desenvolve autonomia em suas ações rotineiras (comer, vestir-se e se limpar, por exemplo); então, nada mais natural que também gerar maturidade ao pernoitar sem a presença dos pais ou cuidadores.
 
Além disso, também existem implicações para a intimidade do casal. Caso os cônjuges estejam privados de afeto e de sexo ao longo do dia, muito provavelmente o momento de dormir seja aquele em que se dará a intimidade sexual. Assim, como os cônjuges farão para preservar este momento, sem que ele possa ser presenciado por outra pessoa? Na cama, é importante que o casal seja visto como tal, não essencialmente enquanto pais. A intimidade do casal precisa ser reservada e, de certa forma, a presença de crianças pode colocar isso a perder. É de se supor, também, que a manutenção do filho junto aos pais durante o pernoite possa ser visto como uma justificativa e uma barreira para a intimidade em casais que não estão bem.
 
Cabe destacar que também se observa que a ausência do cônjuge torna mais propícia a companhia do filho na cama. Em casos de viuvez ou de separação, ter a prole por perto pode trazer conforto e ameniza a solidão. No entanto, simbolicamente faz a criança ocupar um espaço que não lhe pertence exatamente, fato que ficará mais claro quando o cônjuge solitário for se unir a outra pessoa. Este pode resistir em constituir outra família em virtude da criança que dorme consigo, com receio de magoá-la ou para evitar resistências quanto a dormir em outro local.
 
Existem algumas orientações que são válidas neste momento. A primeira delas diz respeito ao período em que crianças podem dormir sozinhas. Acredita-se que aos 6 (seis) meses ela pode dormir sozinha, sob monitoramento noturno dos pais quanto à amamentação e bem-estar geral (temperatura, conforto e segurança). Recomenda-se que os pais se revezem nesta tarefa, para minimizar o efeito aversivo do deslocamento até o quarto do filho e dos cuidados noturnos.
 
Cabe destacar que o momento de dormir deve ser prazeroso para pais e filhos. Pode-se contar histórias, cantar, ouvir juntos cantigas de ninar, conversar sobre o dia ou sobre um assunto específico. O ideal é que isso seja circunscrito no ambiente natural da criança, ou seja, no seu próprio quarto, ao invés de se iniciar no quarto do casal e terminar com os pais conduzindo a criança, já adormecida, ao seu aposento.
 
Também é válido organizar a rotina e o ambiente para criar contextos favoráveis ao sono solitário. Assim, estipular um horário para a criança dormir e fazer o restante da casa adormecer (por exemplo, desligar aparelhos eletrônicos e luzes dos aposentos, diminuir o movimento na casa, entre outros), assim como eliminar estímulos distratores dentro do quarto infantil (como desligar as luzes, deixar a porta entreaberta ou proporcionar uma penumbra através do abajur) são dicas salutares que tendem a um bom resultado.
 
Outra dica se refere ao afastamento gradual [1] dos pais enquanto se ensina a criança a dormir sozinha. Por exemplo, no início do processo, os pais podem permanecer deitados sob a cama, junto do filho, saindo de lá quando a criança adormecer. Após alguns dias agindo assim, quando os pais perceberem que podem se afastar mais, ao invés de ficarem deitados, podem ficar sentados, interagindo com a criança. Diante de sucessivos episódios, podem ficar no quarto do filho em pé e também se direcionando gradativamente cada vez mais para o rumo da porta, até as suas completas saídas.
 
Como já dito exaustivamente aqui no blog [2], é importante que, uma vez estabelecidos os limites, os pais possam sustentá-los mesmo que o filho venha a resistir. Obviamente, existem exceções que precisam ser avaliadas com cautela, como uma doença, medo ocasional por algum evento específico (como falecimento de alguém) ou mal-estar súbito, casos em que seria necessário avaliar a pertinência de a regra ser mantida. Caso seja relevante suspender a regra momentaneamente, deve-se explicar à criança por qual motivo ela foi burlada, limitando a concessão a este episódio específico.
 
Diante de limites, é natural haver resistência da criança em aceitá-los. Ela, provavelmente, desafiará através da birra ou dos insistentes pedidos em dormir com os pais pelo medo de ficar sozinho. Deve-se verificar a função destes comportamentos: algumas vezes eles podem ser emitidos apenas com a finalidade de permanecer junto aos pais. Caso haja verbalizações da criança quanto a ficar sozinho e ver/ouvir coisas, uma boa alternativa é verificar, junto com o infante, a veracidade desses fatos: ir ao quarto junto com ela e buscar evidências (debaixo da cama, no armário, dentro das gavetas, entre outros) de que tal situação não procede, assegurando que a criança está em segurança e que os pais podem ficar com ela (no quarto dela) até que adormeça novamente.
 
É possível que quando houver mudança de casa ou quarto (como em viagens, por exemplo) a criança volte a apresentar tais padrões. É importante dizer que, mesmo nesses casos específicos, a conduta deve ser a mesma: permanecer com a criança no novo ambiente, favorecendo a sua adaptação e esvanecendo aos poucos a presença dos pais. Recomenda-se também que os pais reconheçam cada conquista da criança, demonstrando satisfação quanto à sua superação do medo (“estou feliz por você!”), atribuindo-lhe um prêmio simbólico pela superação (“troféu coragem” ou similar).
 
No cotidiano verifica-se o quanto o ser humano tende a evitar situações que exigem um esforço (e um desgaste) na resolução de problemas, sobretudo quando as conseqüências são aversivas. Apesar de parecer à princípio que o comodismo é mais válido nesse caso, na verdade é mais fácil e saudável o adulto quebrar a sua zona de conforto agora do que ensinar a criança dormir no seu próprio quarto, quando esta já estiver maior e com o padrão mais cristalizado.
 

[1] Esvanecimento, ou Fading, trata-se de um procedimento psicológico em que um comportamento que ocorre em uma situação também passa a ser emitido em outra situação a partir da mudança gradual do estímulo, da primeira para a segunda ocasião (LUNDIN, 1977). Assim, no exemplo em questão, o objetivo do esvanecimento é fazer com que as crianças passem a dormir a partir da presença e proximidade cada vez menor dos pais.
[2] Confira aqui o texto “Ele é o rei da casa. Adivinha quem são os súditos?”, publicado em julho de 2012 no blog.
 
Juliana de Brito Lima é Psicóloga (CRP 11ª/05027), formada pela Universidade Estadual do Piauí e especializanda em Análise Comportamental Clínica pelo Instituto Brasiliense de Análise do Comportamento – IBAC. É membro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental – ABPMC. Atua como psicóloga clínica em Teresina-PI (Clínica Lecy Portela, onde atende criança, adolescente e adulto) e como psicóloga forense (Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão), em Caxias-MA. Atuou como pesquisadora no Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná/ NAC-UFPR (linha de pesquisa “Desenvolvimento da criança e do adolescente em situações adversas”) e atualmente está vinculada ao Laboratório de Neurociências Cognitivas da Universidade Estadual do Piauí- UESPI. Contato: juliana@inpaonline.com.br.

Obesidade não está relacionada a distúrbios do sono em crianças

Estudo mostrou que, ao contrário do que acontece em adultos, o excesso de peso não aumenta os riscos de crianças de 6 a 8 anos desenvolverem Distúrbios Respiratórios do Sono
 
Um estudo realizado Finlândia mostrou que a obesidade e outros fatores relacionados ao peso não estão relacionados à presença de Distúrbios Respiratórios do Sono (DRS) em crianças. A pesquisa é parte de um estudo maior, denominado Atividade Física e Nutrição em Crianças (Panic, na sigla em inglês), realizado pelo Instituto de Biomedicina da Universidade da Finlândia Oriental. Os resultados foram publicados na edição de dezembro do periódico European Journal of Pediatrics.
 
O excesso de peso é um fator de risco para problemas do sono em adultos, e é comum que a mesma relação seja feita em crianças. Esse é um fator preocupante para os especialistas, uma vez que a obesidade infantil tem crescido em ritmo rápido. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 2010, 42 milhões de crianças até cinco anos de idade têm sobrepeso.
 
Pesquisa — O estudo foi realizado com 512 crianças finlandesas de 6 a 8 anos de idade. Aproximadamente 10% delas apresentaram alguma forma de distúrbio respiratório durante o sono, que vão desde ronco moderado até apneia obstrutiva do sono (SAOS), uma parada respiratória provocada pelo colapso das paredes da faringe do paciente. Outros sintomas também podem ser observados fora do período de sono, como hiperatividade, dificuldades de aprendizado e problemas de crescimento.
 
O principal fator de risco encontrado no estudo foi a presença de amígdalas aumentadas, que ocasionou um risco 3,7 vezes maior da criança desenvolver Distúrbios Respiratórios do Sono. Os outros fatores foram mordida cruzada (quadro no qual os dentes da arcada superior se sobrepõem aos dentes da arcada inferior), com risco 3,3 vezes maior e perfil facial convexo (caracterizado pelo queixo pequeno), com o risco aumentado em 2,6 vezes.
 
Para os pesquisadores, a descoberta de fatores de risco permite que sejam realizadas intervenções para prevenir o aparecimento da doença ainda na infância. Apesar de não estar relacionado com distúrbios do sono na infância, o papel da obesidade nesses distúrbios parece aumentar com o passar dos anos, de modo que a prevenção do ganho de peso excessivo continua sendo uma medida preventiva importante.
Fonte: Veja

Terror noturno é comum entre seis e 12 anos; veja como agir se seu filho sofre do problema

 
A criança se comporta como se estivesse em perigo, grita, o coração fica acelerado. Parece ver ou sentir algo amedrontador, mas, apesar de toda a agitação e de até ficar de olhos abertos em alguns casos, ela está dormindo. A cena, descrita pela psicóloga clínica e terapeuta cognitiva Margarida Antunes Chagas, retrata um episódio do chamado terror noturno, distúrbio do sono incidente, principalmente, entre os seis e os 12 anos.

“Embora sério no momento em que ocorre, pois costuma assustar quem o presencia pela intensidade da manifestação, esse distúrbio é benigno e tende a desaparecer com o tempo, conforme o amadurecimento dos mecanismos do sono”, afirma a neurologista Márcia Pradella-Hallinan, coordenadora do setor de pediatria do Instituto do Sono, em São Paulo.
 
Fases do sono: O sono é um estado que se alterna com a vigília. Nele são identificados duas fases distintas: o sono mais lento, ou sono não REM, e o sono com atividade cerebral mais rápida, ou sono REM (do inglês, movimentos rápidos dos olhos). O sono não REM é dividido em estágios segundo a progressão de sua profundidade. Já o sono REM caracteriza-se por movimentos oculares rápidos e de relaxamento muscular máximo. É nele que ocorrem os sonhos.O sono não REM e o REM alternam-se durante a noite. Normalmente, o não REM se concentra na primeira parte da noite. E o REM predomina na segunda.  Fonte: Instituto do Sono
 
Segundo a médica, é como se o cérebro não soubesse ainda alternar entre os estágios do sono e ficasse “encalhado” entre eles. Essa dificuldade de transição faz com que haja sobreposição do sono profundo com um despertar, daí a crise é desencadeada. A criança parece que está sonhando ou que teve pesadelo, mas não se lembrará de nada, independentemente se acordar durante o episódio ou na manhã seguinte.
O fato de a criança não se lembrar é um dos fatores que diferencia o terror noturno de um pesadelo comum. No caso do sonho ruim, ela é capaz de contar sobre o que estava sonhando e às vezes até de identificar o que a deixou com medo. No terror noturno, é como se nada tivesse acontecido.

“O pesadelo e os episódios de terror acontecem em fases distintas do sono. O primeiro tem lugar no chamado sono REM, mais próximo do despertar, quando o sono está mais superficial. Já o segundo acontece em um período bem profundo do sono”, diz o neurologista Saul Cypel, neuropediatra do Hospital Israelita Albert Einsten, de São Paulo, e consultor da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, voltada à primeira infância.
Para ajudar os pais a lidarem com esse distúrbio, o UOL Gravidez e Filhos reuniu informações sobre as perguntas mais frequentes sobre o assunto:

O terror noturno é herdado?

 De acordo com a especialista Márcia Pradella-Hallinan, não há um gene que transmita o terror noturno, mas a forma como a criança amadureceu em relação ao sono pode ter sido “herdada” de familiares. A especialista diz que mais da metade das crianças com qualquer manifestação de parassonia do despertar –sonambulismo, terror noturno, choro inconsolável do bebê– tem um parente próximo que teve o mesmo quadro
 
Quanto tempo dura um episódio de terror noturno? O que acontece com a criança durante a crise?
A duração é de cinco a 15 minutos em média. Segundo a psicóloga Margarida Antunes Chagas, durante a manifestação, a criança pode até se levantar da cama. Se acordar abruptamente, continuará amedrontada, pode não reconhecer as pessoas e ficar agressiva.

O que fazer quando acontece uma crise?

 Se a criança sair da cama, os pais devem conduzi-la calmamente para que ela se deite de novo, sem acender luzes ou expô-la a fatores que possam despertá-la. Acordá-la, em vez de interromper a crise, pode prolongar o episódio.
É necessário acompanhar o momento e oferecer proteção e carinho, principalmente nos casos em que a criança apresenta sonambulismo ou comportamento agressivo, correndo o risco de causar danos físicos a si. Para evitar que ela se machuque, algumas medidas preventivas são necessárias, como colocação de redes de proteção em janelas e portões em escadas e esconder chaves e objetos cortantes.

Estabelecer uma rotina tranquila antes de ir para a cama pode evitar as manifestações?

 Segundo a neurologista Márcia, do Instituto do Sono, ajudar a criança a ter um sono mais tranquilo não impede que o terror noturno se manifeste.
“De toda forma, ter cuidados com a alimentação, investigar se algum medicamento em uso pode estar acentuando os episódios, diminuir a ansiedade, caso a criança esteja passando por um momento de estresse, e oferecer conforto físico e emocional antes do sono é sempre muito importante”, afirma a terapeuta Margarida Antunes Chagas.

Com que frequência pode acontecer e quando os pais devem procurar ajuda?

 Na maioria das vezes, os episódios são esporádicos e o período de ocorrência varia de criança para criança. Algumas têm semanalmente, outras no espaço de dez a 15 dias. Em casos raros, várias vezes durante a mesma noite.

“Se forem frequentes, vale a pena procurar um especialista para avaliação. Quando a qualidade do sono da família estiver sendo prejudicada e tiver havido acidente associado a um episódio, é indicado procurar ajuda médica”, diz Márcia Pradella-Hallinan, do Instituto do Sono.

Para a psicóloga Margarida, também é válido procurar um médico no caso de a criança apresentar prejuízos emocionais ou em suas atividades diárias.

Fatores emocionais podem ter ligação com as crises de terror noturno?

 “Servem como favorecedores em um terreno predisponente”, afirma a neurologista do Instituto do Sono. Quando a criança não tem predisposição, segundo a profissional, a chance de um episódio acontecer é muito menor.
No entanto, para o neuropediatra Saul Cypel, do Einstein, os fatores emocionais devem ser levados em conta. “Pela observação em consultório, vejo que muitas crianças que apresentam o distúrbio têm também algum transtorno em seus aspectos emocionais.” De acordo com Cypel, por vezes, são intolerantes durante o dia e apresentam dificuldade de lidar com regras.
Para o neuropediatra, crianças que manifestam certa dose de insegurança e medo quando estão acordadas e que não têm maturidade emocional adequada para a idade tendem a manifestar, mais do que as outras, alterações do sono. Daí a importância de os pais buscarem orientação de como lidar com o filho que apresenta esse tipo de distúrbio não apenas no que tange o problema, mas também em outros aspectos comportamentais.
 
Fonte: Uol

Sonambulismo atinge crianças entre 3 e 10 anos

O sonambulismo, transtorno do sono que faz com que pessoas se movimentem ou falem enquanto dormem, é comum entre os brasileiros. O distúrbio afeta cerca de 20% das crianças na idade entre 3 e 10 anos.
 
Segundo o neurologista do Hospital e Maternidade São Luiz, Álvaro Pentagna, o sonambulismo é um tipo de parassonia (manifestação noturna durante o sono) em que as funções motoras despertam, mas a consciência não e, assim, a pessoa interage parcialmente com o ambiente, podendo se mexer excessivamente, falar ou até “perambular” pela casa durante a noite.
 
“É um distúrbio hereditário, mas costuma ter algo que desencadeia – geralmente barulho, som ou estímulo enquanto dorme”, explica o neurologista.
 
Pentagna esclarece ainda que o mito de que a pessoa não pode ser acordada deve ser esquecido. "Durante o sonambulismo, o despertar é confuso e agitado, mas pode ser feito. O ideal é ir com tranquilidade, falar baixo e conduzir a criança calmamente até um local seguro."
 
Os episódios de sonambulismo são breves e de frequência variável, dificilmente prejudica a qualidade do sono. “Procurar um médico é importante quando o distúrbio causar medo ou quando ocorrem situações de perigo. O quadro costuma melhorar naturalmente com o avanço da idade”, aconselha.
 
Tratamento
 
De acordo com o médico, existem medicações, como antidepressivos e ansiolíticos, que estabilizam o sono, mas que são recomendadas apenas em casos extremos. O melhor, segundo o especialista, é ficar atento à “higiene do sono”: estabelecer regras como dormir sempre no mesmo horário e no mesmo local, buscar ambiente sem barulho ou luminosidade, e evitar qualquer fator que possa fragmentar o sono, por exemplo, TV ligada. 

TV e dispositivos tecnologicos no quarto das crianças está ligado a falta de sono e obesidade, diz estudo

ScienceDaily (22 de outubro de 2012)
Crianças que adormecem com o brilho de uma TV ou computador não descansa o suficiente e sofre de maus hábitos  ao longo da vida, diz uma nova pesquisa da Universidade de Alberta.
 

(Crédito: © HuiTuan Wang / Fotolia)
 
 
Uma pesquisa mostrou que crianças com um ou mais dispositivos eletrônicos no quarto - TVs, computadores, videogames e celulares - tem mais propensão a ter excesso de peso ou obesidade.
 
"Se você quer que seus filhos durmam melhor e vivam uma vida mais saudável, mantenha os equipamentos tecnológicos fora do quarto", disse o co-autor Paul Veugelers, professor na Escola de Saúde Pública, Presidente da Pesquisa e diretor da Unidade de Pesquisa de Saúde da População e Intervenção, que trabalha com o Projeto Alberta promoção de uma vida ativa e uma alimentação saudável (Escolas Apple).
 
Paul Veugelers disse que a pesquisa é a primeira a ligar os pontos sobre a relação entre dieta, sono e atividade física entre as crianças.
 
Cerca de 3.400 crianças foram questionados sobre seus hábitos noturnos, sono e acesso a equipamentos eletrônico. Metade das crianças relataram ter uma televisão, leitor de DVD ou console de videogame no quarto, 21% um computador, 17% um celular e 5% tinham todos os três tipos de dispositivos.
 
57%  doa crianças relataram o uso de eletrônica na hora que deveriam estar dormindo, como a assistir TV e filmes (atividade mais popular), 27% envolvem-se em três ou mais atividades após deitar.
 
Os pesquisadores descobriram que os estudantes e crianças com acesso a um dispositivo eletrônico tinham 1,47 vezes mais chances de estar acima do peso, comparado com crianças sem aparelhos no quarto. Que aumentou para 2,57 vezes para as crianças com três dispositivos, com resultados semelhantes relatados entre crianças obesas.
 
Mais sono também levou a atividade física e melhores escolhas de dieta, os pesquisadores descobriram.
 
Co-autor Christina Fung observou que as crianças de hoje não estão dormindo tanto quanto as gerações anteriores, com dois terços não dormindo as horas recomendadas de sono por noite. Além de hábitos de vida saudáveis, uma noite de sono tem sido associada a melhores resultados acadêmicos, distúrbios de humor e menos outros resultados positivos para a saúde, disse ela.
 
"É importante ensinar as crianças em idade precoce a terem hábitos saudáveis."
 
A pesquisa foi publicada em setembro pela revista obesidade pediátrica, em uma libertação antecipada online. The REAL Kids Alberta evaluation was funded through a contract with Alberta Health. O REAL Crianças avaliação Alberta foi financiado através de um contrato com a Saúde de Alberta.
 

Meia hora a mais de sono já melhora o comportamento das crianças

Estudo canadense concluiu que essa pequena mudança de hábito produz efeitos positivos sobre condutas como distração e impulsividade
 
Sono: Aumentar a quantidade de sono de uma criança, mesmo que pouco,
 já desencadeia efeitos positivos em seu comportamento (Thinkstock)
 
Pesquisadores canadenses mostraram como pequenas mudanças na rotina de uma criança podem impactar de forma positiva o seu desempenho escolar e o relacionamento social. Segundo um novo estudo, 27 minutos a mais de sono por noite pode ser o suficiente para que jovens em idade escolar melhorem comportamentos como distração e impulsividade. Por outro lado, dormir uma hora a menos pode piorar de forma significativa essas condutas. Essas conclusões fazem parte de uma pesquisa publicada nesta segunda-feira na revista Pediatrics.
O estudo, desenvolvido na Universidade McGill, em Montreal, no Canadá, selecionou 34 crianças de sete a 11 anos de idade que não apresentavam distúrbios do sono ou outros problemas médicos, de comportamento ou de desemprenho escolar. Parte das crianças foi orientada a dormir mais do que a quantidade habitual de sono e o restante, a dormir menos. A duração e a atividade do sono foram medidas com um dispositivo inserido em um relógio de pulso, e as mudanças de comportamento dos jovens, relatas por pais e professores.
 
Segundo os autores, estima-se que 64% das crianças entre seis e 12 anos de idade dormem após às nove horas da noite e que 43% dos meninos de 10 a 11 anos não atingem a quantidade de sono recomendada para a faixa-etária. A Fundação Nacional do Sono do Canadá recomenda que crianças de cinco a 12 anos durmam de 10 a 11 horas por noite. Esses resultados, explica a equipe, acrescentam evidências a outras pesquisas que indicaram os efeitos positivos do aumento, mesmo que pequeno, da duração do sono de uma criança em idade escolar
 
Sintomas — Para os pesquisadores, é importante que os pais fiquem atentos aos sinais de que a criança não está dormindo o suficiente. São comportamentos como bocejo, sonolência, hiperatividade, irritabilidade, impulsividade e dificuldades de concentração. Para ajudar a melhorar o sono do filho, os adultos devem estipular horários fixos para que eles se deitem e acordem e devem evitar que a criança coma alimentos pesados antes de dormir e que tire cochilos ao longo do dia. Além disso, afirmam os autores, praticar alguma atividade física e fazer a lição de casa mais cedo também podem ajudar o jovem a ter um sono com mais qualidade.
 
Fonte: Veja

Psicóloga explica como crianças podem superar o trauma de um assassinato

Zeena, a filha de 4 anos do casal britânico de origem iraquiana que foi morto na última quarta-feira em seu carro, em Annecy, nos Alpes franceses, foi encontrada pela polícia oito horas depois de eles terem chegado à cena do crime, no sul da França.
Ela estava escondida sob o corpo de sua mãe. Não havia ferimentos aparentes, mas o trauma do que viu e a perda de seus pais provavelmente vão afetá-la para o resto de sua vida.
Zeena passou a noite da última quarta-feira no hospital, com uma enfermeira ao seu lado.
De acordo com Emma Citron, psicóloga clínica especializada em traumas de infância, Zeena pode ter sofrido reação de estresse agudo, um choque enorme, ao testemunhar um incidente assustador.
“Trata-se de uma espécie de bloqueio de reação. A reação oferece proteção contra os estímulos ao redor, porque começa dentro da pessoa", disse Citron.
"De certa forma, isso permite que a pessoa supere as situações mais terríveis", acrescentou.
Segundo Citron, crianças da idade de Zeena já têm um conceito de vida e morte. Elas, no entanto, apresentam uma noção menos desenvolvida do que as das crianças mais velhas, que reconhecem as implicações da morte dos pais.
O promotor de Annecy, Eirc Maillaud, disse que encontrou Zeena "aterrorizada e imóvel entre os cadáveres."
A polícia de Annecy falou brevemente com a menina. Citron disse que pode levar até uma semana para que os investigadores possam questionar Zeena.
Enquanto a polícia tenta obter informações, é preciso ter cuidado para falar com Zeena, para não traumatizá-la novamente ou não fazer com que ela reviva o crime, acrescenta Citron.
"Do ponto de vista da psicoterapia, é melhor para a criança estar entre os entes queridos, mas é claro que a polícia deve tentar encontrar essas pistas vitais”, disse Citron.

Traumas

Há um risco forte e imediato de que Zeena sofra de estresse pós-traumático (PTSD, na sigla em inglês), e isso pode se manifestar de diferentes maneiras, de acordo com o psicólogo.
Flashbacks, recorrência do incidente como um filme em sua mente, enurese (falta de controle da micção) e insônia são alguns sintomas observados em crianças com estresse pós-traumático.
A psicóloga acrescentou que, futuramente, as crianças que testemunharam acontecimentos violentos podem ter problemas na escola e sentir que vivem "em uma área ou mundo diferente" do que todos os outros.
Elas também poderiam ter dificuldade em fazer amigos.
“Ter parentes próximos e queridos é fundamental nesse tratamento, que pode levar anos e anos”, explicou.
“Mesmo para um bebê, pode ser traumático, quando, mais velho, perceber que perdeu os parentes e colocando todas as peças desse quebra-cabeça juntas”, disse.
A experiência de cada criança a uma atrocidade é diferente e muito pessoal, afirmou.
A capacidade de Zeena em lidar com o trauma dependerá de uma série de fatores, incluindo a sua capacidade de resistência e predisposição genética.
"Quando ela crescer, grande parte de sua recuperação vai depender de sua personalidade, seus genes”, concluiu
Fonte: BBC Brasil

Sacrificar o sono para estudar mais piora desempenho acadêmico

O ideal é manter um mesmo horário dedicado ao estudo todos os dias e aproveitar ao máximo as horas em que fica na escola.


Uma nova pesquisa da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), nos Estados Unidos, mostra que passar noites em claro para estudar mais não dá resultado. Alunos que dormem pouco em véspera de prova, por exemplo, apresentam um desempenho acadêmico pior. Esse efeito, segundo os autores do estudo, ocorre independentemente do quanto o jovem se dedica aos estudos no dia-a-dia

Isso não quer dizer, porém, que um aluno deva estudar menos para se sair melhor na escola. “O sucesso acadêmico depende de estratégias que evitem o sacrifício do sono. É preciso manter um mesmo horário dedicado ao estudo todos os dias e aproveitar ao máximo as horas em que fica na escola”, afirma Andrew Fuligni, um dos autores do estudo, que foi publicado nesta segunda-feira no periódico Child Development

De acordo com os resultados, a capacidade cardiorrespiratória, que é desenvolvida com atividades aeróbicas, como correr, andar e nadar, foi o fator mais fortemente associado a um melhor desempenho acadêmico — embora as outras características físicas também tenham sido relacionadas a bons resultados na escola. As conclusões foram semelhantes para ambos os sexos. Para os pesquisadores, o estudo reforça a ideia de que a atividade física melhora a memória, a concentração e a organização de uma pessoa — e deve incentivar os pais a incluírem algum tipo de exercício na rotina de seus filhos.

Fonte Veja

Estudo relaciona ronco alto e frequente a problemas comportamentais em crianças

Distúrbio costuma ser indicador de doenças respiratórias mais graves que prejudicam a qualidade do sono dos mais jovens



Depressão, hiperatividade e dificuldade de atenção: ronco pode predispor crianças
 a esses problemas comportamentais (Thinkstock)

Crianças que roncam alto e frequentemente têm maiores riscos de apresentar problemas comportamentais como hiperatividade, depressão e dificuldade de atenção. Essa é a conclusão de um estudo publicado nesta segunda-feira na revista Pediatrics. Segundo os pesquisadores, que são do Hospital da Criança de Cincinnati, em Ohio, nos Estados Unidos, esse efeito ocorre principalmente entre jovens de dois a três anos de idade. O problema pode indicar também a presença de distúrbios respiratórios mais graves.


Participaram do estudo 250 crianças - cerca uma em cada dez sofria de ronco persistente. Após entrevistas com os pais dos pacientes, os pesquisadores concluíram que aqueles que roncavam alto com frequência (ao menos duas vezes por semana), e que tinham entre dois e três anos de idade, eram mais propensos a apresentar problemas comportamentais do que crianças que não roncavam ou que eram mais velhas. Ainda de acordo com os resultados, níveis socioeconômicos mais baixos e falta de aleitamento materno no primeiro ano de vida também contribuíram para o aumento desse risco.

"Muitas crianças roncam com frequência. É importante saber que esse problema, quando persiste por muito tempo, não é normal, especialmente pelo fato de prejudicar o comportamento dos mais novos", diz o coordenador do estudo, Dean Beebe. "O ronco pode ser um sinal de problemas respiratórios mais graves que são tratáveis. Eu encorajo os pais a falarem com algum médico sobre o ronco de seus filhos, especialmente se o quadro é frequente."


Segundo Marcelo Reibscheid, pediatra do Hospital São Luiz, em São Paulo, os problemas comportamentais são derivados da baixa qualidade do sono das crianças afetadas. Esses problemas fazem com que as crianças apresentem problemas de humor, concentração e aprendizado.

Fonte: Veja

Livro para criança: Boa Noite, Marcos

Para crianças com dificuldade para dormir este livro conta a história de Marcos que não consegue dormir sem o seu cachorro Fred. Decide, então, acordar sua irmã Estela para procurar o cão. Para ajudar o irmão a dormir, Estela sugere que Marcos conte carneirinhos. Mas não tem nenhum carneirinho no quarto! E Marcos só sabe contar até três! Estela então especula sobre possíveis lugares onde Fred estaria: embaixo da poltrona ou dentro do armário, mas Marcos sabe que seu pequeno cachorro jamais se esconderia nesses locais. Afinal, um monstro mora dentro do armário e a poltrona se parece com um sapo gigante!

Autor: Marie-Louise Gay
Ilustrador: Marie-Louise Gay
Editora Brinque book
Tema: Relacionamento entre irmãos, Hora de Dormir, Medo de Escuro, Fantasia, Imaginação

Exposição infantil à violência pode levar ao desenvolvimento de distúrbios do sono

Segundo estudo realizado por pesquisadores americanos, crianças que convivem com situações de violência podem desenvolver problemas relacionados ao sono, sendo que o impacto e a severidade dos sintomas violentos podem continuar ao longo do tempo e afetar o desenvolvimento da criança.

De acordo com o estudo, a severidade da violência vivenciada pela criança está diretamente relacionada ao impacto sofrido na quantidade e qualidade do sono infantil; Percebeu-se também que a experiência violenta afeta aspectos mais profundos do sono (além de pesadelos e insônia, características já associadas a violência), como o fato da criança que envolve-se diretamente no ato violento tende a sofrer mais impacto do que o infante que somente testemunhou a violência, ou ainda um aumento gradativo de um sono inconsistente por parte da criança que presencia um homicídio.

Segundo James Spilsbury, autor do estudo, a violência permeia a sociedade de tal maneira que o próprio estudo demonstra que apenas um ato violento sofrido pela criança – seja como vítima ou testemunha – pode influenciar o comportamento do sono de diferentes maneiras, sendo que posteriormente isso afetará o desenvolvimento e saúde do indivíduo.

Crianças que não dormem bem tendem a não se desenvolver corretamente e a ter problemas comportamentais, além de tal fato estar relacionado a diversos riscos à saúde, como hipertensão, problemas cardíacos, depressão, diabetes, obesidade, entre outros.

O estudo analisou o sono de 46 crianças com idades entre oito e dezesseis anos, em sua maioria residentes de áreas urbanas; os dados foram coletados por sete dias, medindo-se a atividade durante o dia e a noite. Ao analisar-se os resultados, os pesquisadores atentaram-se a fatores como idade, sexo, aspectos familiares e exposição à violência no último ano.

“Mesmo depois de controlar os possíveis efeitos da exposição à violência durante o ano que se passou, percebemos que a severidade de eventos mais recentes tiveram influência negativa na qualidade e quantidade do sono infantil”, aponta Spilsbury.

Informações: American Academy of Sleep Medicine
Fonte: RedePsi

Crianças com sonolência excessiva durante o dia têm mais problemas de aprendizado

Pesquisa apontou que o distúrbio afeta também comportamento e memória dos jovens, mesmo se eles dormem o suficiente durante a noite
Crianças que têm muito sono durante o dia, mesmo se dormem o suficiente à noite, podem passar a enfrentar problemas de aprendizado e de comportamento. Essa é a conclusão de uma nova pesquisa feita na Faculdade de Medicina da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e publicada na edição do mês de maio do periódico Sleep.
Prejuízo no aprendizado: excesso de sono durante o dia afeta cognição, comportamento e memória de crianças
(Polka Dot/Thinkstock)


De acordo com os pesquisadores, a sonolência diurna excessiva atinge aproximadamente 15% da população, e pode ser desencadeada por privação do sono, apneia do sono e uso de certos medicamentos, por exemplo. Pessoas que têm esse problema correm maiores riscos de acidentes de trânsito ou de trabalho, e estudos anteriores sugeriram que elas também têm uma saúde geral mais fraca. Poucas pesquisas, porém, foram feitas para entender de que maneira a sonolência excessiva afeta as crianças.

A pesquisa — Esse estudo analisou 508 crianças em idade escolar, que foram dividias em dois grupos: as que tinham sonolência diurna excessiva e as que não sofriam do problema. Todas foram induzidas a dormirem por nove horas durante a noite e, depois, realizaram testes neurocognitivos. Os pais dos jovens também foram entrevistados.

Os pesquisadores observaram que as crianças que tinham sonolência diurna excessiva, mesmo aquelas que dormiam o suficiente durante a noite, eram mais propensas a apresentarem hiperatividade e problemas de atenção, aprendizagem, memória e de comportamento do que as outras que não sofriam do distúrbio. Segundo os autores do estudo, alguns fatores, como obesidade infantil, depressão, ansiedade, asma e dificuldade para dormir, contribuíram para o aumento da incidência desses problemas.

“Os prejuízos causados pela sonolência diurna excessiva na função cognitiva e comportamental da criança podem ter sérios impactos no desenvolvimento infantil”, diz a coordenadora do estudo, Susan Calhoun. Para a autora, é fundamental que crianças sofrem de problemas neurocomportamentais também sejam avaliadas quanto ao risco de terem problemas de sono. Além disso, pais e professores são essenciais para que o problema seja identificado na criança. “Reconhecer e tratar a sonolência excessiva é fundamental para oferecer novas estratégias que ajudem jovens com problemas de comportamento na idade escolar”, afirma.
Fonte: Veja

Depressão pode levar as mães a despertar Bebês



Marie-Vanderweide Murray / Getty Images
 As mães deprimidas são mais propensas a inutilmente acordar seus filhos à noite do que as mães que não estão deprimidas, de acordo com pesquisadores da Penn State.

"Nós descobrimos que as mães com níveis elevados de sintomas depressivos são mais propensas a se preocupar excessivamente com seus bebês à noite do que as mães com níveis baixos do mesmo sintoma, e que tais mães eram mais propensas a buscar seus bebês durante a noite e passar mais tempo com seus filhos do que as mães com níveis baixos", disse Douglas M. Teti, diretor associado do Social Science Research Institute e professor de desenvolvimento humano, psicologia e pediatria.

"Este, por sua vez, foi associado com os bebês de mães deprimidas que acordam durante à noite, em comparação com os bebês de mães não-deprimidas", disse Teti. "O interessante sobre isso é que quando as mães deprimidas procuram seus bebês à noite, seus filhos não parecem precisar da ajuda dos pais. Eles podem estar dormim ou acordado, talvez, mas não angustiados."

Em contraste, as mães com baixos níveis de sintomas de preocupação e depressão raramente acordaram seus filhos de um sono profundo e poucas foram verificar seus bebês durante à noite a menos que as crianças estivessem angustiadas.

As duas maiores preocupações que os novos pais reportaram aos pediatras foram: problemas de sono e problemas de alimentação. Enquanto Teti e o colega Brian Crosby, professor de psicologia, não descartam as preocupações dos pais com o bem-estar dos filhos, mas eles observam que provavelmente não há razão para acordar um bebê que dorme profundamente, se a criança não está enfrentando qualquer perigo. Eles enfatizam que, a depressão dos pais ou preocupação com o sono da criança, pode ter consequências negativas para a relação pai-filho a longo prazo.

Esta pesquisa publicada na revista Child Development em 17 de abril,  mostra a importancia de ajudar os pais a reduzir o estresse.

"É preciso examinar a saúde do sistema familiar e abordar o problema", disse Teti. "Se a criança acorda sozinha com frequência, pode causar sofrimento parental, então é preciso estabelecer intervenções para ajudar os bebês a desenvolverem a auto-regulação do sono."

No entanto, se os bebês são acordados pelas mães desnecessariamente, outras abordagens podem ser consideradas. Estas abordagens incluem tentativas de aliviar os sintomas depressivos maternos, reduzir preocupações desnecessárias sobre o comportamento do sono infantil à noite, incentivar o apoio do cônjuge, e fornecer informações aos pais sobre os benefícios de uma boa noite de sono para os bebês e os pais.

A trajetória do estudo contou com a coleta de informações através de câmeras colocadas em casas de 45 mães de 45 bebês com idades entre 1 a 24 meses. Os dispositivos gravaram a atividade por até 12 horas, desde o início do momento de dormir até a manhã seguinte, as mães relaram em um diário do sono quantas vezes seus bebês tinham despertado.

Os pesquisadores observaram os vídeos e correlacionaram com o relato dos pais.

"Concluimos que é importante enterder o que ocorre no período da noite e como os pais podem afetar o sono dos bebês" disse Teti. "Provavelmente há muita coisa acontecendo à noite que precisamos entender, e nós precisamos usar observações reais do que os pais estão fazendo. Sabemos muito pouco sobre parentalidade noturna."

Fonte: Science Daily

Insônia Infantil

Artigo escrito pela Psicóloga Clínica Carmen Alcântara, especialista em disturbios de sono em crianças.

1- Por que algumas crianças sofrem deste mal?

O sono é uma das funções fisiológicas mais frágeis e por isso uma das mais atingidas quando algo interno ou externo perturba a criança, seu cotidiano ou sua rotina. Podemos falar desde problemas orgânicos como alergia ao leite de vaca, otites, refluxo gastresofágico, por exemplo; ambientais como falta de rotina e barulhos; até o nascimento de um irmãozinho, entrada na escola, separação dos pais, fase dos pesadelos.
A insônia infantil pode ser primária ou secundária, a primária surge a partir dos dois meses de vida, pois antes disso é muito difícil caracterizá-la pela irregularidade do sono. Chamada também de insônia do lactente, ela vai até quase os dois anos e caracteriza-se por despertares freqüentes durante a noite com choros.
Normalmente nestes casos, quando excluímos causas orgânicas e ambientais, percebemos que algo do vínculo mãe-bebê está impedindo um sono tranqüilo e muitas vezes condicionando um sono de má qualidade.
A insônia secundária se manifesta de modo diferenciado da insônia primária, são crianças pequenas, a partir do segundo ano e que já haviam estabelecido uma organização adequada do sono, começam a apresentar despertares durante a noite, queixando-se de pesadelos ou apenas medos. Normalmente este tipo de insônia é passageira e tem a ver com a fase do desenvolvimento ou com situações de stress e(ou) mudanças na vida que a criança está enfrentando.
Em todos os casos, a família como um todo é afetada e caso a situação não seja bem conduzida e tratada, pode ser geradora de grande stress familiar, principalmente do casal.

2- Como os pais podem notar que o filho tem insônia? Apenas a falta de sono caracteriza o problema, ou há outros sinais e sintomas?

Caracterizamos a insônia em inicial (dificuldade iniciar o sono) e a intermediária (acordar no meio da noite e ter dificuldade para voltar a dormir). Se a criança apresentar um ou outro tipo de insônia, ou os dois, por mais de três semanas, pode-se considerar como insônia e deve ser buscada ajuda especializada.
Além da falta de sono, a criança pode apresentar irritabilidade, agitação e menos frequentemente cansaço (pois normalmente na criança, o cansaço se expressa pela agitação e irritabilidade) como conseqüência da privação do sono.

3- A partir de que idade pode ocorrer?

A partir dos dois meses de vida, quando a criança deve dormir em ciclos de três horas, acordando para se alimentar e dormindo um total, em média de 16 a 18 horas por dia.
Algumas crianças mesmo nesta idade, já apresentam uma irregularidade nestes ciclos, com menos horas de sono e mais episódios de choro.

4- Como os pais devem agir?

Em primeiro lugar, levando ao pediatra e descartando possíveis causas físicas, depois repensando o ambiente, se este é adequado à criança, se existem muitos estímulos antes da hora de dormir, por exemplo, estabelecendo rotinas e um ritual próprio e adequado para hora de dormir, fazendo com que esta se torne agradável e tranqüilizadora.
Se ainda assim o sintoma persistir, a ajuda de um psicólogo pode identificar possíveis causas conflitivas ou tencionais na família ou mesmo fantasias infantis próprias da fase de desenvolvimento que possam estar afetando o sono da criança.
Em alguns casos, o pediatra pode também fazer uso de medicação apropriada, em geral fitoterápicos ou homeopatia para ajudar em um quadro mais agudo, no qual a família está muito cansada.

5- E quando o problema é medo do escuro ou de ficar sozinho, como os pais devem proceder?

Conversar com o filho, de preferência durante o dia, tranqüilizando-o.
Se for o caso experimentar o uso de uma luz de parede de baixa intensidade, de preferência azul (que tem efeito relaxante) ou colocar dois irmãos no mesmo quarto para se fazerem companhia.
É recomendado também para crianças pequenas de um a cinco anos, um bicho de pelúcia como companheiro durante a noite, chamado pelo psicanalista inglês, Winnicott, como objeto transicional, ou objeto de apoio.

6- Muitas crianças dão trabalho na hora de ir para a cama. É birra, manha? Ou existe um motivo real? Qual a melhor saída para os pais?

De um modo geral, as crianças tendem a lutar contra o sono e a se separar dos pais.
É o momento então, para os pais exercerem os limites de forma firme e carinhosa, ajudando os filhos a terminarem o dia, com uma rotina pré estabelecida de horários: banho, jantar, contar histórias etc.por exemplo, sem margem para discussões e negociações.

7- Quais os danos para a saúde, quando o pequeno dorme pouco/mal?

A privação do sono na criança pode causar desde problemas comportamentais como irritabilidade e agitação, até mesmo déficit no crescimento (quando a privação é muito intensa), já que é durante a noite que o hormônio do crescimento é secretado.

Fonte: Clinica Len de Pediatria