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Bebê ajuda a prevenir bullying em escola no Canadá

Objetivo de visitas de Naomi, de sete meses, é elevar capacidade emocional e social de alunos; aulas fazem parte de programa que acontece em outros sete países.
Bebê ajuda a prevenir bullying em escola no Canadá
 (Foto: Reprodução/BBC)

Naomi tem apenas sete meses, mas já tem um "emprego". E seu trabalho é sério.
O bebê ensina empatia a crianças de nove e dez anos de uma escola no Canadá.
O objetivo é elevar a capacidade emocional e social dos alunos.

Bullying não deve ser considerado como crime, dizem especialistas

Representantes de organizações relacionadas a crianças e adolescentes defendem tratamento pedagógico, dentro das escolas
foto:sxc
A proposta do novo Código Penal de tipificar como crime a prática de bullying recebeu críticas de organizações da área da criança e do adolescente. “Isso é criminalizar a adolescência”, diz a assessora de Políticas Públicas da Fundação Abrinq, Katerina Volcov. As organizações defendem que a proposta seja retirada do texto do novo Código Penal. “O bullying tem que ser tratado de forma pedagógica, dentro do espaço escolar".
De acordo com a Pesquisa Nacional da Saúde do Escolar (Pense), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 21% dos casos de bullying ocorrem nas salas de aula, mesmo com os professores presentes. Classificado como "intimidação vexatória" pela proposta do novo Código Penal, o bullying - ato de agredir fisicamente ou verbalmente algum menor de idade, de forma intencional e continuada - poderá ser considerado infração se for praticado por adolescentes.
O autor da prática, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, receberá medidas socioeducativas, como prestação de serviços, acompanhamento e internação e poderá resultar em até quatro anos de prisão quando o autor for maior de idade.
A adolescente Isabella Coelho Araújo, integrante do projeto Onda: Adolescentes em Movimento pelos Direitos disse ser contra a redução e defendeu a melhoria nas medidas socioeducativas. “O caminho é a gente investir em medidas para recuperar esses jovens.” Segundo a assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), Cléo Manhas, serão escritos uma carta pública e um abaixo-assinado virtual para pedir a retirada do bulliyng do Código Penal.
 

Estudo Indica que Crianças com Problemas Mentais Praticam Mais Bullying


Segundo estudo, crianças que possuem algum tipo de transtorno mental são três vezes mais propensas a praticar bullying contra os colegas. A pesquisa foi apresentada nesta segunda-feira, 22, na Conferência Nacional da Academia Americana de Pediatria, em Nova Orleans.

O bullying, muito comum no ambiente de convívio educacional ou de trabalho, é uma agressão física e verbal cometida de forma intencional e repetida. Com base nos estudos realizados com estudantes entre 6 e 17 anos, 20% dos entrevistados afirmaram ter sofrido bullying recentemente.

Apesar de haver uma série de pesquisas sobre o comportamento e as consequências sofridas por uma vítima dessa agressão, poucas análises foram voltadas para o perfil psicológico dos agressores.

A partir de uma revisão da Pesquisa Nacional de Saúde da Criança, feita há cinco anos, os pesquisadores puderam constatar que os pais dos praticantes de bullying atribuíram características comuns aos filhos, como depressão e TDO (distúrbio de comportamento desafiador). Essas pessoas apresentaram uma maior propensão à prática d bullying.

Segundo a autora do estudo Frances Turcotte-Benedict, é necessária a realização de mais pesquisas voltadas para os "valentões", pois fica comprovado que eles também precisam de um apoio psicológico, tanto quanto as vítimas da agressão.

Fonte: O Povo

Innove entrevista Milene Ferrazza


Milene é psicóloga, com 20 anos de experiência em atuação com grupos e coordena projetos de prevenção e combate ao bullying no Brasil e nos EUA. É co-autora do livro “Bullying: uma brincadeira que não tem graça!”. Esteve em 2012 no Brasil e a convite do Instituto Innove ministrou Workshop sobre como trabalhar para prevenção e combate ao bullying.

 
Milene, na sua palestra no Innove, você comentou que um dos maiores erros cometidos pelas escolas é tentar resolver o problema do bullying isoladamente, chamando apenas os envolvidos diretamente no episódio para conversar. Você finalizou a frase dizendo que "o que acontece no grupo, deve ser resolvido no grupo". Como isso pode ser feito pelas escolas?

É possível motivar para mudanças quando existe a sensibilização do grupo e isso é possível quando existe a oportunidade para a aproximação, para se conhecer o outro. Quando existe aproximação, podemos entender o outro e é possível haver compaixão. A compaixão o sentimento capaz de motivar para transformações. É o que nos permite olhar o outro de forma diferente. As escolas e universidades brasileiras têm uma vantagem enorme de poder ter todos estes jovens juntos todos os dias - esta é uma oportunidade incrível para se promover o crescimento do grupo em si e de cada indivíduo. A prática do bullying é um comportamento que traz consequências muito negativas para todos os envolvidos - administradores, educadores, pedagogos, pais, alunos - por isso a solução também deve envolver todo mundo. As escolas precisam começar a encontrar um espaço para o diálogo aberto e franco entre seus alunos e administradores. Em seis horas, com as oficinas do meu programa, por exemplo, é possível transformar o ambiente escolar. Professores podem usar 15 min da hora de sua aula para permitir que seus alunos se conheçam melhor através de atividades simples e prazerosas que promovem a união da sala e a inclusão de todos.
 
Veja a entrevista completa, clique AQUI

Livro para criança: A família Päntano 4

Betinha, a filha caçula da família Pântano, é uma menininha linda e com cara de gente normal, diferentemente de seus irmãos e irmãs. Ela estuda numa escola normal, de primeiro grau, que fica no fim da rua, e tem até uma melhor amiga normal, a Ffiona Hulbert.

Mas Betinha não é normal, ela é uma bruxa. Quando Fiona é vítima de bullying na escola e seu pai no trabalho, Betinha sabe exatamente o que fazer. Enquanto isso, Guigo Correia andou vendo alguns filmes antigos do Frankenstein, e resolveu que também quer construir um ser humano para si...


Autor: Colin Thompson
Ilustrador: Colin Thompson
Editora: Brinque Book

Interessante para trabalhar os seguintes temas: Literatura Estrangeira, Ficção, Bruxos e Bruxas, Magos, Bullying, Diversidade Humana, Aparência física, Respeito as Diferenças,  Convivência Social

Pesquisa aponta que conteúdo televisivo destinado às crianças possuem aspectos prejudiciais para os telespectadores

Estudo recentemente desenvolvido pela Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, aponta que o bullying social é fator prevalente no conteúdo assistido pelas crianças na televisão.

O estudo, denominado “Mean on the Screen: Social Agression in Programs Popular With Children”, apontou que 92% dos cinquenta programas infantis mais populares para crianças entre as idades de 2 e 11 anos mostraram personagens envolvidos em agressões físicas; Em média haviam 14 diferentes incidências de agressão social por hora ou uma a cada quatro minutos.

Embora a agressão física na televisão para crianças tem sido intensamente documentada, acredita-se que o presente estudo é um dos primeiros a analisar a exposição das crianças a determinados comportamentos, como manipulação das amizades.

Os autores da pesquisa analisaram 150 programas de televisão, com enfoque nos 50 programas infantis mais populares e em representações de casos de agressão social – onde o comportamento alvo era recompensado, punido ou justificado e feito por atores ou atrizes atraentes; Os resultados sugerem que as maneiras como a agressão social é contextualizada fazem essas representações particularmente problemáticas para jovens telespectadores.

De acordo com os pesquisadores, as descobertas podem ajudar os pais e educadores a reconhecerem que há comportamentos socialmente agressivos nos programas televisivos vistos pelas crianças, sendo que os pais não devem assumir que um programa é destinado às crianças somente porque não contém violência física.

A vasta maioria das situações agressivas socialmente (78%) eram verbais: palavras que agrediam a autoestima ou a posição social de outro personagem do programa; Os mais comuns tipos de agressão social percebidos foram os insultos (52%) ou apelidos (25%), sendo que os outros tipos de comportamentos negativos foram a provocação, com 10% dos casos, e sarcasmo - com 9%.

Fonte: RedePsi

MEC faz parceria com Conselho Federal de Psicologia para combater violência nas escolas

Para enfrentar a violência nas escolas brasileiras, o Ministério da Educação assinou nesta quinta-feira, 20, uma parceria com o Conselho Federal de Psicologia. A parceria prevê um estudo sobre violência nas escolas, elaboração de materiais didáticos e formação de professores para o combate à violência no ambiente escolar.
De acordo com o ministro Aloizio Mercadante, oito universidades também vão colaborar com o projeto. Entre os temas que serão trabalhados dentro das escolas estão enfrentamento às drogas, gravidez precoce, homofobia, racismo, discriminação, bullying e bullying eletrônico (feito por meio das redes sociais).
“Temos estimado em torno de 8 mil jovens, meninos e meninas, que voltam para casa com todo tipo de constrangimento e que muitas vezes são vítimas de bullying na escola. Precisamos tratar esses temas com responsabilidade e cuidado, mas enfrentá-los no sentido de respeito à diversidade, ao outro, a valores como os direitos humanos. Os professores e alunos também precisam aprender a solução dos conflitos por meio de diálogo”, disse o ministro.
Segundo Mercadante, o trabalho de campo será feito em todo o País. “Vamos trabalhar em todas as regiões do País, nos vários níveis do processo educacional - com pais, alunos e professores - e elaborar materiais pedagógicos, programas de prevenção e subsídios para aprimorar a prática pedagógica e criar uma escola mais atrativa, feliz, respeitosa e pacífica.”
O projeto, de acordo com o ministro, terá início em breve. “Em duas semanas estaremos iniciando o processo de trabalho, mas eu diria que o desenvolvimento pleno desse trabalho é para 2013.”
A expectativa do ministro é que, com esse projeto, os “professores tenham mais subsídios e melhores condições para lidar com esses desafios”. Os novos materiais didáticos, voltados para o combate da violência nas escolas, estará disponível logo após a pesquisa de campo ser finalizada. Também será desenvolvido um trabalho de formação de professores para trabalhar com esses temas nas escolas.
Para Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) e conselheiro do Conselho Nacional LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), a parceria é positiva.
“Vejo com bons olhos a ampliação dessa parceria. É fundamental não só para a questão da homofobia como também para a que envolve drogas, bullying etc. É fundamental que a escola seja um lugar seguro para que as pessoas possam estudar, não sejam discriminadas e não sofram a violência que muitas vezes faz parte do cotidiano escolar”, falou.
Segundo Reis, a escola é um dos ambientes mais importante para que esse trabalho seja desenvolvido. “A escola é um momento em que as pessoas convivem e as pessoas têm que aprender a respeitar o outro e esse outro pode ser evangélico, católico, ateu, de uma religião africana, judeu ou indígena, mas as pessoas têm que aprender a respeitar o ser humano como um todo”, disse.
Durante a 2.ª Mostra Nacional de Práticas de Psicologia, que ocorre até o dia 22 no Anhembi, em São Paulo, o presidente do conselho, Humberto Verona, anunciou também uma parceria entre o órgão e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República para ajudar na criação de comitês de combate à homofobia em todos os estados brasileiros.

Bullying em atividades esportivas gera jovens depressivos e agressivos

Especialistas explicam o papel dos pais e das escolas na resolução da questão


O esporte nas escolas tem papel de ensinar às crianças habilidades sociais e motoras relevantes. Algumas não têm o perfil atlético para realizarem atividades esportivas na escola. Atualmente, se discute como são afetadas as crianças que não se encontram no padrão. O Globo Educação ouviu especialistas que discutiram os problemas e soluções da questão.
 
Os alunos que não se encaixam no perfil ou não gostam de esportes são excluídos pelos colegas. Costumam ser escolhidos por último para participarem de atividades esportivas. Para Maria Ester Rodrigues, doutora em Psicologia da Educação e professora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, essas crianças desenvolvem autoestima e autoconfiança baixas.

“Existem outros prejuízos, de ordem internalizante e de ordem externalizante. Os primeiros são mais sentidos pelo próprio indivíduo, como: sentimentos e pensamentos autodepreciativos, depressão, ansiedade, autoagressão, ideias de suicídio, raiva e revolta. Os demais, frequentemente acompanhados pelos primeiros e sentidos também por terceiros são: agressividade, ataque, depredação e o envolvimento em conflitos com a lei, seja em ataque ao patrimônio, seja em confronto direto com outros indivíduos”, explica Maria Ester.

Ela também acredita que a rejeição ou a exclusão, seja por qual motivo for, faz com que a criança deixe de absorver valores da escola e se identificar com seu ambiente:“A exclusão faz com que a criança não internalize os valores da escola e não se sinta inclusa, deixando de considerar a escola como ambiente no qual possa se inserir e seus valores como passíveis de serem internalizados.”

O bullying afeta a criança da mesma forma que a exclusão, mas de forma mais grave. Para Maria Ester, “Utilizando a metáfora de uma arma, diríamos que tem maior poder ‘letal’”. O mais comum é que estudantes rejeitados e alvo de bullying simplesmente abandonem a escola ou permaneçam apenas de “corpo presente”. Em último caso, podem passam a atacar a escola e seus componentes com pichações, depredações, ameaças de agressão e agressões propriamente dita, chegando a atitudes extremas. “A chacina na escola Tasso da Silveira, em Realengo, é um exemplo disso”, diz Maria Ester.

Mais tarde, na adolescência, as crianças rejeitadas adquirem forte probabilidade de se engajarem em grupos antissociais. Segundo Maria Ester, “Os grupos antissociais são, normalmente, compostos de adolescentes com história semelhante à sua. A inserção nesses grupos contribui fortemente para o aumento da delinquência e abuso de substâncias, como o álcool e outras drogas, na adolescência, além do envolvimento em conflitos com a lei.”

Soluções

Segundo Maria Ester, para ajudar a resolver o problema, deveriam existir mais programas de socialização nas escolas. “Existem poucos programas de desenvolvimento de habilidade sociais em escolas ou mesmo programas de atendimento psicológico de caráter preventivo em instituições de ensino no Brasil. Isso poderia ser promovido com mais frequência”, diz.

Ela também defende que a atividade física deve ser repensada, no caso de a criança não possuir características favoráveis para realizá-la. Afirma: “A atividade esportiva escolhida pela escola deve ser redimensionada. Deve-se enfatizar o caráter lúdico da atividade esportiva em detrimento do competitivo.”

Cristina Montenegro, especialista em Psicologia Clínica, também acredita que deve haver um leque maior de atividades disponíveis nas escolas. “Talvez a aluna que não seja boa em voleibol, tenha ótimo desempenho em ginástica rítmica. Atualmente, não se leva em conta a heterogeneidade corpórea dos indivíduos. As atividades não abrangem tipos diferentes de corpos.”


Os pais tem papel muito importante na resolução do problema. Maria Ester afirma: “Pais que detectam rejeição do filho em ambiente escolar devem procurar a escola para juntos encontrarem uma solução”.

Ela também defende que a grande função dos pais nesse contexto é prover afeto aos filhos. “A escola também é um ambiente afetivo, especialmente para crianças pequenas. O afeto fornecido pela família não pode ser substituído por professores e colegas. Usualmente se fala no necessário estabelecimento de limites, mas esquece-se que esses limites devem ser fornecidos com afeto. As características dos pais, as práticas educativas positivas bem com a organização do ambiente familiar interferem enormemente no desenvolvimento das crianças”, diz ela.

Bullying: o que é e o que podemos fazer


Muitas vezes encontramos crianças e adolescentes que resistem em ir à escola, apresentando queda significativa no envolvimento e no desempenho acadêmico. Diante disso, os pais ficam confusos quanto ao que está acontecendo, questionando-se sobre o que fazer. Algumas hipóteses podem ser levantadas, dentre elas o padrão negativo das interações entre os colegas, ou mesmo entre professores/ funcionários e alunos. Neste contexto, destaca-se o bullying, cujos primeiros estudos não acompanham as suas primeiras manifestações na história da humanidade e cujas consequências são desproporcionais à sua concepção comumente inofensiva.

Dan Olweus, pesquisador norueguês que se dedicou ao estudo de interações entre crianças e adolescentes na década de 70 [1], denominou bullying como comportamento agressivo e negativo, que ocorre repetida e sistematicamente ao longo do tempo em um relacionamento que envolve desequilíbrio de força e poder (físico e/ou psicológico). Outro fator que caracteriza o bullyingé o aspecto individual ou grupal do agressor e também da vítima, além do fato de não haver motivo evidente para ataques e existir a intenção de subjugar o outro ao seu poder. Ademais, constata-se diversas modalidades desta agressão: direta ou indireta, física, psicológica, sexual ou virtual.

O bullying se manifesta no ambiente escolar a partir do momento em que, diante de uma diferença física ou de comportamento social específico, uma vítima se destaca perante os demais, atraindo a atenção negativa dos pares. A presença de algum acessório (como óculos de grau ou aparelho ortodôntico) ou de doença, deficiência física ou intelectual; baixo peso ou obesidade, raça, etnia ou condição socioeconômica diferente da maioria; bom ou mau desempenho acadêmico, retraimento social, dentre outros, são geralmente os estímulos mais comuns para a agressão. Diante disso, surgem os apelidos pejorativos, as intimidações, as piadas de mau gosto, o abuso de força física, a coerção para práticas sexuais, a extorsão de objetos pessoais, os insultos em redes sociais e fotos espalhadas através de Bluetooth, entre outros. Até aqui, a ocorrência do bullyingé episódica.

No entanto, os ganhos diretos e indiretos resultantes deste episódio podem ser responsáveis pela alteração da frequência da agressão. Dinheiro e objetos pessoais extorquidos, reconhecimento social e popularidade perante os pares, o poder e o prazer em dominar, intimidar e causar sofrimento às vítimas já aumentam a probabilidade de ocorrência de outro episódio agressivo, perpetuando a violência e caracterizando o bullying, pois a agressão passa de episódica para contínua. Desta forma, percebe-se que o agressor discrimina uma maneira fácil e desabilidosa para conseguir algo através da coerção e, obtendo sucesso, é mais provável que novamente apresente esse padrão de comportamento com essa pessoa ou com outras.

Quanto à vítima, esta pode comportar-se de duas formas perante o bullying: submeter-se às ameaças ou comportar-se de forma agressiva com quem lhe oprime ou mesmo com outros colegas. Na segunda hipótese, ao agir dessa forma o aluno acaba perpetuando a violência por observarem as consequências sociais advindas do comportamento agressivo na escola ou mesmo por uma inabilidade no enfrentamento da agressão.

Neste cenário, tem-se também os expectadores, que são aqueles que se envolvem indiretamente com o bullying, podendo participar ativamente dos episódios, auxiliando o agressor (muitas vezes achando que se comportando assim evitam a probabilidade de serem as próximas vítimas); atuando como observadores (geralmente reforçando o ataque pelos olhares); ou saindo da cena em busca de ajuda, delatando a agressão aos educadores.

Esclarecido o contexto do bullying, cabe destacar aqui fatores que tornam mais prováveis o comportamento agressivo nas relações interpessoais infanto-juvenis. Partindo do pressuposto de que, ao chegar à escola, a criança se comporta de acordo com o treinamento social recebido em suas interações pré-escolares, conclui-se que o comportamento agressivo dos jovens recebe influência direta da família, que é o primeiro grupo a educá-los.


Pesquisas [2] tem destacado aspectos da criação de jovens que se envolvem com o bullying. No caso dos agressores, constatou-se que há uma educação com pouco afeto incondicional, déficits no envolvimento e na participação da rotina diária dos filhos, além de pouca exigência, com fraco estabelecimento de regras e limites. Considerando o grupo das vítimas, os pesquisadores enfatizaram a superproteção dos pais e a baixa exigência, fatos estes que não permitem o pleno desenvolvimento de habilidades de enfrentamento necessárias para a resolução de problemas, favorecendo o comportamento passivo. Já no grupo das vítimas-agressoras, há evidências de que a exposição contínua à violência e abusos em casa, a rejeição dos pais e o uso de práticas negativas (como punição) influenciam no comportamento agressivo de crianças e adolescentes. Dessa forma, experiências precoces de vitimização, de agressividade e de poucos limites por parte dos adultos influenciam negativamente a criança, favorecendo o envolvimento no bullying.


No entanto, apesar de a ênfase ser atribuída à família, destaca-se a importância da escola neste contexto. Com a admissão da criança, a escola necessita dar continuidade à educação social, complementando o ensino proporcionado pelos pais no tocante a valores, convivência social, educação cívica e moral, além da parte acadêmica.


Antes concebida como apenas uma realidade americana, os ataques armados à escolas provocados por alunos com perfis de vítimas de bullying também estão se estendendo às escolas brasileiras. A mais recente data de 2011, em uma escola pública de Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro. Dessa forma, observa-se que os responsáveis pelos ataques recorriam às armas para “combater” o poder e a coerção a que eram freqüentemente submetidos no recinto escolar.


A Psicologia, dentro das medidas preventivas de bullying no contexto escolar, aborda o relacionamento interpessoal desenvolvendo habilidades sociais que são úteis na situação de conflito interpessoal (autocontrole emocional, resolução de problemas, expressividade emocional, dentre outros) e promovendo atividades que fomentem a empatia, o respeito e a tolerância às diferenças. Atividades de socialização de alunos novatos, mediados por alunos veteranos que apresentem boa aceitação entre os pares, também são úteis para aumentar a probabilidade de melhor recepção do recém-admitido.


Ao passo disso, a escola oferece a sua contrapartida quanto ao manejo da agressão entre pares, promovendo um clima escolar favorável à denúncias (ou seja, abrindo canais de comunicação entre estudantes e educadores e, sobretudo, consequenciando adequadamente os episódios de bullying), orientando pais em reuniões e também oferecendo suporte médico-psicológico na comunidade para aqueles estudantes que já estão apresentando sinais de agravo à saúde física e prejuízos significativos ao repertório comportamental.

Ao trabalhar preventivamente, família e escola evitam a evasão escolar, o engajamento dos estudantes em atividades de risco (como uso de drogas, porte de arma), os agravos ao desenvolvimento e à saúde mental dos alunos (depressão, transtornos de ansiedade, suicídio, déficits em habilidades sociais, estresse e queixas somáticas) e consequências nefastas à socialização dos mesmos.


Já quanto aos pais, finalmente, algumas orientações são válidas:

1.Desde cedo, eduque suas crianças para perceberem e respeitarem as diferenças interpessoais, estimulando a tolerância e também a empatia diante do sofrimento alheio. Além disso, procurem equilibrar expressões de afeto, envolvimento, participação e comunicação positiva com estabelecimento de regras e limites, supervisão e monitoria de suas atividades. Desta forma, não estarão apenas prevenindo o bullying, mas educando para melhor adaptação ao ambiente e para o enfrentamento de várias situações adversas que a vida ainda lhes proporcionará.

2.Esteja atento a como seus filhos chegam em casa: uniforme rasgado ou desalinhado, livros estragados e perda de alguns pertences são sinais de vitimização. Outros indícios são os raros convites para festas ou atividades de lazer, o fato de não levarem colegas para casa (e também de não frequentarem a casa deles), de serem os últimos escolhidos nos jogos esportivos. É também comum apresentarem queda súbita no desempenho acadêmico, além de medo de ir à escola, muitas vezes apresentando fortes crises de ansiedade na iminência de uma aula. No campo da saúde, observa-se que há a presença de falta de apetite, dores de cabeça ou estomacais, insônia ou sono perturbado e tristeza.


3.Caso seus filhos peçam excessivamente dinheiro ou objetos, inclusive furtando em casa, é possível que esteja se utilizando de uma estratégia para enfrentar a extorsão na escola, sobretudo se for acompanhado dos demais indícios supracitados. Se, por outro lado, se comportarem agressivamente em outros ambientes, portando dinheiro ou objetos, cuja origem é desconhecida e trazendo explicações frívolas sobre isso, não hesitem em abordar o caso e entrar em contato com a escola.

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[1] OLWEUS, D. (1993). Bullying at School: what we know and what we can do.Oxford, England: Blackwell.

[2] Trata-se de uma pesquisa realizada entre 2007 e 2009, desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná, cuja amostra envolveu cinco cidades brasileiras: Curitiba-PR, Governador Valadares-MG, Formosa-GO, Goiânia-GO e Teresina-PI. Seu resultado pode ser conferido aqui.
Juliana de Brito Lima é Psicóloga (CRP 11ª/05027), formada pela Universidade Estadual do Piauí e especializanda em Análise Comportamental Clínica pelo Instituto Brasiliense de Análise do Comportamento – IBAC. É membro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental – ABPMC e Psicóloga do Centro Integrado de Educação Especial – CIES e da Clínica Lecy Portela, em Teresina-PI. Tem experiências acadêmicas (linha de pesquisa “Desenvolvimento da criança e do adolescente em situações adversas” do Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná/ NAC-UFPR) e profissionais na área clínica (atendimento a criança, adolescente e adulto), jurídica e educação especial, na orientação de pais.
Fonte: Instituto de Psicologia Aplicada - InPA
Contato: juliana@inpaonline.com.br
Telefone - (61) 3242-1153

O motivo por trás dos tiros

Fui procurada pela Jornalista Flavia Bianchi do Jornal da Universidade Federal do Paraná para conceder uma entrevista sobre Bullying. Confiram a interessante reportagem...
 
Reportagem Flavia Bianchi
Edição Carla Cavagnolli

O motivo por trás dos tiros

Embora possa parecer brincadeira de criança, o bullying pode acarretar consequências futuras alarmantes
 
O estudante de Letras Lucas Seman, 18 anos, não enfrenta problemas sérios de relacionamento, mas nem sempre foi assim. Dos 13 aos 16 anos, o convívio social era perturbado, já que Lucas foi vítima de um tipo de violência muito comum: o bullying.

A escola, tida como o primeiro lugar onde a criança se impõe socialmente fora de casa, é o principal palco da agressão. Sendo o bullying um ato de violência física ou psicológica e executado dentro de uma relação de poder, não é de se surpreender que algumas vítimas carreguem marcas pela vida toda. Lucas diz não possuir traumas dessa época, entretanto, nem sempre é isso o que ocorre.

 
Continue lendo: Jornal UFPR
 

Bullying: Carta de adolescente divulgada expondo agressão sofrida


Uma carta escrita por Ricardo, adolescente de 15 anos, que foi divulgada pela imprensa esta semana, chamou a atenção pela sua dramaticidade. Ele mora no interior do Rio Grande do Sul, assumiu sua homossexualidade para a família e sofreu preconceito, humilhação, bullying e homofobia na escola. Ana Maria Braga falou sobre o caso no Mais Você desta quinta, 22 de março. A apresentadora recebeu o adolescente, bem como um psiquiatra infantil.

No último dia 13, ele foi ameaçado por um colega e pediu ajuda a um professor, mas não foi ouvido. Depois da aula, foi espancado. É um caso de dupla violência: bullying e homofobia. “Quem está aqui comigo é o psiquiatra infantil Gustavo Teixeira. Ele trabalha orientando professores, pais e alunos sobre o bullying dentro das escolas”, anunciou Ana Maria.

Adolescente conversa com Ana

Brincadeiras Perversas

O bullying é caracterizado por violência recorrente, desequilíbrio de poder e intenção de humilhar; a prática, freqüente nas escolas, pode levar as vítimas à depressão e ao suicídio

A violência e seus impactos são temas freqüentes nos debates nacionais e internacionais, especialmente quando se desdobram em tragédias que envolvem estudantes e instituições escolares. É fato que tais acontecimentos trazem à luz questões até então negligenciadas no passado, como a violência entre os estudantes.

Os trotes universitários, muitas vezes humilhantes e violentos, por exemplo, ainda são pouco discutidos e só ganham visibilidade quando os meios de comunicação veiculam cenas de barbárie. A literatura mostra a existência desse costume em diversos países. No Brasil, datam da criação das instituições acadêmicas. Como herança de Coimbra, os trotes em algumas instituições brasileiras já fizeram – e continuam a fazer – inúmeras vítimas. O primeiro registro de morte – de um aluno da Faculdade de Direito – ocorreu em Recife, em 1831.

Cartilha contra o Bullying


O Bullying é um problema mundial, podendo ocorrer em praticamente qualquer contexto no qual as pessoas interajam, tais como escola, faculdade, família, mas pode ocorrer também no local de trabalho e entre vizinhos. Há uma tendência de as escolas não admitirem a ocorrência do bullying entre seus alunos; ou desconhecem o problema ou se negam a enfrentá-lo.

Esse tipo de agressão geralmente ocorre em áreas onde a presença ou supervisão de pessoas adultas é mínima ou inexixtente. Estão inclusos no bullying os apelidos pejorativos criados para humilhar os colegas. As pessoas que testemunham o bullying, na grande maioria, alunos, convivem com a violência e se silenciam em razão de temerem se tornar as "Próximas vítimas" do agressor.

Cerca de 70% de crianças envolvidas com bullying sofrem castigo corporal, mostra pesquisa


Brasília - Cerca de 70% das crianças e adolescentes envolvidos com bullying (violência física ou psicológica ocorrida repetidas vezes no colégio) nas escolas sofrem algum tipo de castigo corporal em casa. É o que mostra pesquisa feita com 239 alunos de ensino fundamental em São Carlos (SP) e divulgada hoje (30) pela pesquisadora Lúcia Cavalcanti Williams, da Universidade Federal de São Carlos.

Bullying:"Além de banalizar o conceito, o que mais conseguimos ao abusar desse termo? Alarmar os pais" Rosely Sayão



No dia 17 de maio, tive o prazer de participar como uma ouvinte curiosa, da palestra da psicóloga Rosely Sayão. O tema abordado foi questões de convivência e conflitos entre alunos.

Como espectadora pude perceber a demanda dos pais em relação a este tema e fiquei espantada ao ver como os mesmos estão amedrontados, imaginando que algo possa acontecer a seus filhos no ambiente escolar.

Escutei diversos relatos, perguntas e dúvidas em relação ao tema, histórias verbalizadas como: pequenos tiranos, criança marginal e aquele agressor violento. Fiquei perplexa ao me deparar com histórias rotineiras e simples sendo transformadas no Caso Casey (menino australiano).

Anti-Bullying

O mundo moderno está tentando encontrar soluções para o sofrimento das vítimas de bullying e enquanto isso alguns amigos das vítimas podem ajudar, veja o video:


Cyberbullying



Infelizmente, estão sendo criadas novas formas de humilhação. Além do bullying tradicional que envolve humilhações e agressão física, hoje em dia temos o Cyber Bullying, que ao invés de ocorrer cara-a-cara, acontece através do uso da tecnologia como computadores, telefones celulares ou outros dispositivos eletrônicos com a intenção de humilhação e exposição publica caluniosa e difamatória. Essa é uma forma mais agressiva do Bullying tradicional, já que calunias e difamações por internet têm um alcance muito maior e conta com o anonimato do agressor. Ele não precisa mais ser uma pessoa forte ou popular, pode ser feita por qualquer um, inclusive vitimas em busca de vingança.
Alguns exemplos de cyberbullying incluem:

Emocionante entrevista o Casey Heynes (Zangief Kid) [legendado]




O Bullying é terrivelmente cruel, e seus efeitos podem ser devastadores para as crianças e dolescentes. Uma recente pesquisa mostrou que a prevalência de bullying escolar (quando apenas as câmeras de observação estão filmando) é extremamente elevado. Ainda mais surpreendente, a proporção de incidentes que levam a intervenção de um adulto ou de repreensão é extremamente baixa.
Segue a entrevista de Casey Heynes, estudante na Chifley College Dunheved Campus - Australia. Este menino de 16 anos sofre bullying. Nesta entrevista ele relata seus sentimentos, sua solidão! 

O bullying é extremanete doloroso para as vítimas.

Bullying – O terrorismo psicológico


Uma das maiores preocupações da Psicologia e dos educadores sem duvida é o Bullying. A palavra não tem uma tradução exata e no português é traduzida mais ou menos como “assedio moral”.