Mostrando postagens com marcador Internet / Redes Sociais / Games. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Internet / Redes Sociais / Games. Mostrar todas as postagens

Mãe confisca eletrônicos dos 4 filhos e eles se vingam do jeito mais ingênuo possível

Mãe de quatro, Michelle Gigger contou do ocorrido no Twitter. O post viralizou e ela recebeu críticas

Na casa de Michelle: sexta à noite os aparelhos são liberados

Michelle Gigger é uma professora e mãe de quatro: duas crianças de 8 e dois pré-adolescentes de 11 e 13. Para acabar com o problema das noites mal dormidas dos pequenos estudantes, que não largavam seus eletrônicos até altas horas da madrugada, ela baixou um decreto daqueles: nada de aparelhos ligados à noite. Mas, um belo dia, eles resolveram se vingar. E não poderia ter sido de um jeito mais divertido.

App dá recompensas para estudantes ficarem longe do celular

Estudantes ganham pontos a cada 20 minutos sem usar o telefone e podem trocá-los por cafés, pipocas no cinema e livros.


Os três fundadores querem achar uma solução para a
 distração causada pelos celulares (Foto: Hold
)


Um aplicativo que recompensa estudantes pelo tempo que eles ficam longe do celular está sendo lançado no Reino Unido. Chamado de Hold, foi desenvolvido por três estudantes que se conheceram na Copenhagen Business School e quiseram desenvolver algo para ajudar a combater o problema da distração provocada pelo celular.

O que você sabe sobre o uso da tecnologia por crianças?


Em uma era em que os pais têm cada vez menos tempo para os seus filhos, nativos digitais, e as novas tecnologias invadem nossas casas, escritórios e escolas, os computadores, os tablets e smartphones têm sido usados para entreter, ensinar e acalmar. Não é um exagero se preocupar com o uso irresponsável ou sem planejamento dessas ferramentas, que fazem as vezes de “babás”. Se, de um lado, algumas empresas vendem suas soluções como milagres da ciência, que podem alfabetizar, ensinar matemática, ou línguas estrangeiras, a partir dos 4, 2 anos ou até dentro do útero; do outro lado há pais e educadores que defendem a proibição total das telas até o começo da puberdade. Mas o que a ciência realmente diz a esse respeito? Chegou a hora de avaliar o seu conhecimento sobre o assunto.

A boa utilização de novas tecnologias por crianças é possível?

As mídias interativas devem ser utilizadas de forma intencional e apropriada, como apoio à aprendizagem e ao desenvolvimento. Precisamos reconhecer que cada criança é única, e esse uso deve ser apropriado à idade, ao nível de desenvolvimento, e aos contextos sociais e culturais. As soluções devem criar uma experiência ativa e interativa, dando controle às crianças, aumentando a sua motivação e o seu engajamento com o conteúdo. Jogos digitais e plataformas adaptativas precisam auxiliar as crianças e jovens na construção de novas competências e habilidades dentro do seu próprio ritmo, sendo uma opção em um leque de estratégias de ensino. O foco principal deve ser na qualidade da prática e na didática, ao invés de na tecnologia.

O que você (professor, gestor ou responsável) deve levar em consideração?

Essa utilização intencional e planejada requer que educadores, gestores e famílias tenham informações suficientes sobre a natureza das soluções tecnológicas e suas consequências. Precisamos avaliar se o uso das novas tecnologias é uma estratégia mais efetiva do que materiais e métodos mais tradicionais para o ensino das crianças ou para um currículo específico. Não podemos negar que essas ferramentas têm potencial para melhorar o ensino, quebrar barreiras de tempo e espaço, para criação e comunicação (inclusive entre educadores e familiares sobre a produção, o progresso e as necessidades das crianças e dos jovens). Entretanto, a decisão de investir ou não recursos finitos em novas mídias deve considerar o custo-benefício (inicial e de manutenção) e todos os detalhes relacionados à infraestrutura (eletricidade, internet e materiais adicionais), os conhecimentos e a vontade dos adultos que vão mediar a nova experiência.

O tempo de uso deve ser limitado? Qual deve ser o limite?

A limitação do tempo de uso é fundamental. Um estudo da Universidade da Califórnia concluiu que as crianças americanas estão passando cada vez mais tempo em frente às telas e isso está diminuindo a sua capacidade de reconhecer as emoções das outras pessoas, algo essencial para o desenvolvimento de empatia, por exemplo. Enquanto boa parte das crianças e jovens passam pelo menos 4 horas por dia em frente a TVs, computadores, tablets e smartphones, as últimas recomendações científicas orientam que familiares e professores precisam limitar o tempo em frente às telas a 2 horas diárias para crianças e jovens entre 3 e 18 anos. Os cientistas também recomendam proibir o uso passivo de TVs, vídeos e outras tecnologias não-interativas e qualquer mídia com crianças menores de 2 anos, e desencorajam o uso passivo e não-interativo com crianças entre 2 e 5 anos de idade. Qualquer utilização de tecnologias com bebês de até 2 anos deve ser limitada a ferramentas que estimulam e reforçam as interações e os relacionamentos entre as crianças e os adultos. Por outro lado, quando utilizadas corretamente, dentro dos limites recomendados, mídias interativas podem melhorar (mas nunca substituir) brincadeiras criativas, explorações, atividades físicas (incluindo esportes e na natureza), e interações sociais.

Que problemas o uso excessivo pode causar?

Além de problemas em reconhecer emoções, pesquisas sérias já demonstraram que passar desses limites pode causar outros problemas graves para as crianças, como obesidade infantil, noites irregulares de sono e dificuldades em se comportar socialmente. A nossa espécie evoluiu em um ambiente onde só havia interações presenciais e nossas competências socioemocionais dependem dessas interações – esse é um fato também para pessoas adultas! As famílias e as escolas devem criar momentos de discussão sobre o que seria uma “dieta midiática saudável” para que crianças e os adultos consigam fazer boas escolhas de que mídias utilizar e durante quanto tempo. Não é demais lembrar que as novas tecnologias nunca deveriam ser usadas quando apresentam riscos emocionais ou físicos, e quando apresentam conteúdos desrespeitosos, perigosos ou intimidantes, incluindo a exposição a violências de todo o tipo, ou conteúdo sexual inapropriado para a idade.

O que isso tudo tem a ver com cidadania digital e inclusão?

É importante refletir sobre a cidadania digital e a inclusão, nesse contexto. Durante o uso das novas ferramentas tecnológicas, os adultos devem dar todo o apoio necessário para que todas as crianças e jovens possam refletir, fazer perguntas apropriadas e pensar criticamente sobre a experiência. Como a melhor forma de ensinar é pelo exemplo, os adultos precisam demonstrar o que é um comportamento exemplar de cidadania digital, com o uso apropriado e ativo dos vários tipos de mídias para que a aprendizagem aconteça de maneira positiva, responsável, saudável, segura e inclusiva. Em outras palavras, é necessário, também, se preocupar com a equidade no acesso a boas experiências interativas. Pesquisas demonstram que é menor o acesso de crianças de famílias com menor poder aquisitivo e de crianças com algum tipo de deficiência a soluções tecnológicas, o que significa que essas soluções podem estar contribuindo para o aumento do déficit de aprendizagem nesses grupos.

Já temos todas as respostas?

De forma alguma. É impossível imaginar como as tecnologias evoluirão em alguns anos ou quais serão utilizadas (e de que forma) quando as crianças de hoje se tornarem adultas. Sabemos, contudo, que familiares e educadores precisam estar atualizados e ensinar como selecionar, usar, integrar e avaliar as novas tecnologias. Leituras constantes e formação continuada são essenciais. Governos, empresas e organizações do terceiro setor precisam investir constantemente em novas pesquisas que contribuam para um conhecimento mais aprofundado dessas questões e para a compreensão dos efeitos a longo prazo. Políticas e práticas devem ser fundamentadas nos achados científicos para que o uso das novas tecnologias seja cada vez mais intencional e bem estruturado para todas as crianças, apoiando experiências ativas, “mão na massa”, criativas e engajadoras.

Fonte: Porvir

Quanto mais tecnologia usam os pais, mais birras fazem os filhos

Chiliques ininterruptos, acessos de teimosia, ataques de choro. Quem tem filhos pequenos sabe bem o que é passar por isso em casa ou - o que é pior - em público. As temidas "birras" quase sempre indicam algum ruído na comunicação com a criança, e é preciso estar atento ao que elas indicam sobre os vínculos entre pais/cuidadores e filhos. Nesta matéria, explicamos aprofundadamente alguns caminhos possíveis para desviar das birras com a chama Disciplina Positiva, abordagem interpessoal que investe na empatia e na solução de conflitos a partir da comunicação não violenta.
Uma pesquisa realizada pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, trouxe mais um indício sobre as birras que reforça o fato de que investir nos vínculos afetivos e nas abordagens de comunicação é fundamental para minimizar a agressividade das crianças.
No estudo, que analisou o comportamento e a rotina de 170 pais e mães de diferentes classes sociais, foi detectado que, quanto maior a frequência de uso de aparelhos eletrônicos - celular, tablet, computador, TV e outros - maior a ocorrência de maus comportamentos dos filhos.
A pesquisa mostrou que os adultos que tinham mais dificuldade de passar longos períodos sem checar os aparelhos eram justamente os que tinham mais problemas de relacionamento com os filhos.
E o motivo é muito claro: a criança não assistida e que não é percebida em suas necessidades afetivas e práticas migra sua atenção para os eletrônicos, movida por um instinto simples de comunicação.
Por outro lado, apesar de ser simples detectar onde está o problema, como resolvê-lo, se a maioria das famílias precisa dedicar muito tempo de sua rotina ao trabalho e às obrigações incontornáveis - incluindo o próprio cuidado diário dos filhos?
Créditos: Shutterstock
Birra e tecnologia: quando dedicamos muito tempo aos eletrônicos, negligenciamos as relações humanas.
Uma recomendação possível é organizar as prioridades. A jornalista Patricia Camargo, do nosso parceiro Tempojunto, alerta que é mais uma questão de gerenciar o tempo do que tê-lo em excesso, e chama a atenção para a importância de reservar um tempo para a brincadeira no dia a dia:
"Nós adultos damos um jeito na agenda quando percebemos a importância de aprender outro idioma, e marcamos aulas. Nós arrumamos espaço nos horários para incluir um exercício no dia, quando tomamos consciência da importância de cuidar do corpo. Encontramos tempo de pesquisar preços, seja física ou virtualmente, quando percebemos a importância de economizar para nossas finanças pessoais. Ou seja, sabemos ser flexíveis e organizar nossa agenda, conforme as prioridades. Filhos, quando chegam, se tornam de um jeito ou de outro nossa prioridade. Quando a importância do brincar estiver interiorizado nos pais, haverá tempo e agenda para ela", defende.
Assim, mesmo que os pais não tenham muito tempo disponível para dedicar exclusivamente aos filhos, é possível organizar pequenos momentos de presença e afetividade que farão toda a diferença no desenvolvimento dos pequenos e no modo como reagem a estímulos externos.

Fonte: Catraquinha

Daniel Becker: "Experimentar o tédio é um dos melhores presentes que podemos oferecer aos nossos filhos"

O pediatra Daniel Becker faz yoga com a família em casa para fugir da loucura do dia a dia. Morando no Rio de Janeiro, seu meio de transporte é uma bicicleta. O inventor da “pediatria integral” é daqueles que se esforçam para manter a “mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”. Ele defende o que a primeira vista pode parecer estranho: precisamos deixar nossas crianças sentirem tédio e isto não tem nada de absurdo. Mais uma vez no blog, pra mim é sempre uma honra entrevistá-lo:
1. Por que deixar a criança ficar sem fazer nada é importante?
Experimentar o tédio é um dos melhores presentes que podemos oferecer aos nossos filhos. É claro que eu não estou falando para deixar a criança entediada o dia todo! Mas bombardeá-la com atividades e impedir que ela fique sem fazer nada é prejudicar uma parte essencial do desenvolvimento, da personalidade e da emocionalidade da criança. Este tédio é importante para ela aprender a conviver consigo mesma, ser uma boa companhia pra si mesma. Como ela vai conhecer a si própria se fica o tempo todo distraída? É também crucial pra desenvolver a capacidade de auto-estimulação, porque ela vai ter que sair da passividade e ser pró-ativa.
2. Você considera então que sentir tédio ajuda na motivação?
Uma criança motivada ela vai procurar novas experiências, mas uma criança ocupada o tempo todo não precisa. A criança entediada vai ter que criar alguma coisa pra fazer. Ela vai ter que sair do script que lhe é imposto nas brincadeiras, geralmente pelo pai ou pela mãe, sair do joguinho do tablet e criar sua própria atividade. Muita gente se queixa que o filho não é curioso o bastante. Experimente deixá-lo realmente à toa. E leve-o para fora de casa. Depois de um tempo, ele vai começar a mexer nas folhas, procurar pedrinhas, buscar coisas que o motivem. Uma criança que já está muito tempo mergulhada no mundo virtual, ela vai levar mais tempo pra sair desse amortecimento mental criado pelos eletrônicos.
3. Há estudos que provam que o ócio, mesmo infantil, pode ser criativo?
Sim, há estudos mostrando que brincadeiras de baixa intensidade (“low-key activities”), como brincar de ver a folhinha sendo levada pela água da chuva por exemplo, é muito importante para o funcionamento e bem estar mental. Em adultos, um estudo provou que se engajar em atividades que não demandam esforço mental, faz a mente criativa funcionar melhor e pode gerar ideias, solucionar problemas. Um ditado antigo diz que "mente ociosa é oficina do diabo". Eu prefiro dizer que a mente ociosa é uma oficina da imaginação. E já dizia Einstein que a imaginação é mais importante do que a ciência, porque toda grande descoberta científica vem precedida por uma imaginação sobre a questão em si. 
4. Muita gente confunde o brincar com jogos cheio de regras e limites para não se sujar, não fazer isto ou aquilo. O que deve ser realmente o brincar para a criança?
Não há dúvida que certas atividades estruturadas são importantes, o esporte, interação com os pais, aula na escola, tudo isto é importante. Mas o livre brincar também. Acostumar uma criança a se divertir ao ar livre desde cedo é fundamental, bem como brincar sem a participação do adulto. A criança não aprende apenas interagindo com o adulto, ela é capaz de aprender também sozinha. Os países mais avançados do mundo estão deixando mais tempo livre de recreio, invertendo o que acontece nos Estados Unidos e Brasil onde o recreio está sendo substituído por intervalos. Tem escola no Rio de Janeiro que proíbe criança de correr no recreio e elas ficam sentadas no meio-fio trocando whatsapp! O livre brincar permite que a criança explore o mundo, desenvolva habilidades físicas, a coordenação motora, crie empatia, desenvolva a coragem de enfrentar os pequenos desafios, de avaliar os riscos: “será que eu avanço mais um degrau neste trepa-trepa?”.
5. Sobre pais que estão sempre na retaguarda dos filhos: este excesso, mesmo bem intencionado, é ruim? 
Quando eu falo de pais interagindo, não é ficar brincando junto o tempo todo. A criança precisa de tempo sem pai e sem mãe cercando. A interação envolve acordar, dar bom dia, ajudar a escovar o dente, conversar no carro, colocar para dormir, fazer refeição juntos, caminhar até a escola, observar com ela o caminho. Além disso, a criança precisa experimentar frustração. Precisamos dos pequenos erros na infância para lidar com os grandes erros da vida adulta. Pais que não deixam a criança se ralar, por exemplo. A criança que rala o joelho vai ver que a dor aguda vai embora, que o antiséptico arde mas passa, que no outro dia vai aparecer uma casquinha e em alguns dias a pele volta ao normal. Olha quanto aprendizado biológico e emocional por causa de um machucadinho? A dor de ser superprotegido é muito maior. 
6. A gente usa eletrônicos para distrair os filhos porque tem hora que bate o desespero de entretê-los quando estamos ocupados. Como administrar isso?
É usado e dever ser. Os aparelhos digitais são parte importante da vida moderna e podem servir como “babá” eventualmente. Mas a vida não pode acontecer só nestes aparelhos - o mundo real também conta. O problema não é só colocar a criança no tablet para comer ou resolver questão de trabalho. É usar o tempo todo. O aparelho como distração não tem nenhum problema em alguns momentos do dia, alternando momentos de total atenção. Se você deixa 15 minutos no tablet e interage 45 minutos, ok. E se você precisa de mais tempo, por que não fazer o filho interagir com os carrinhos, castelos e bonecos, que é muito mais saudável? Antigamente as crianças brincavam com os seus brinquedos. É só dizer: o tablet quebrou, agora não tem tablet, não sei onde está, vai brincar com os seus brinquedos, vai desenhar. 
7. Como criar filhos mais conectados com o mundo real?
Precisamos ter uma visão muito consciente sobre a nossa atitude com relação aos eletrônicos quando a gente está com nossos filhos e na verdade não está. As crianças estão crescendo sem o olhar dos pais, que está mais no celular do que nelas. E elas percebem isso. É preciso escolher momentos de “não-tela”, de desligamento, de estar integralmente com a criança: em família, em refeições, em passeios. A gente reclama que o filho não sai do tablet, a filha não sai do celular. Mas nós respondemos email no banheiro, nós acordamos de noite verificando mensagem, nós dormimos com o celular na mão. Restringir o uso de telas pelas crianças - que é importantíssimo - tem que vir acompanhado de uma mudança de atitude da nossa relação com eletrônicos. Enxergar de verdade a filha que diz “olha papai, eu vou pular daqui e dar uma cambalhota”, em vez de ficar com meio olho nela e um olho e meio no celular. Esta é a real interação amorosa que temos que trazer pra dentro de nossas famílias.

Ver TV por mais de três horas diárias pode aumentar risco de comportamentos antissociais em crianças


De acordo com pesquisadores, esse risco, porém, é muito pequeno, e não se aplica a computadores ou jogos eletrônicos
 
Crianças que ficam três ou mais horas diárias na frente da televisão apresentam um risco maior de desenvolver comportamentos antissociais, como brigar. Mas, de acordo com os autores de um estudo publicado online nesta segunda-feira no periódico Archives of Disease in Childhood, esse risco é muito pequeno. Eles também afirmam que o tempo passado em atividades como jogos eletrônicos e de computador não influencia o comportamento das crianças.
 
Para estudar o impacto do excesso de tempo vendo TV, os pesquisadores utilizaram informações de 11.014 crianças do Reino Unido nascidas entre 2000 e 2002. As mães dessas crianças responderam questionários sobre o comportamento dos filhos, abordando temas como sintomas emocionais, problemas de atenção, dificuldades em fazer amigos e preocupação com outros. Elas também relataram quanto tempo os filhos passavam assistindo televisão, no computador ou em jogos eletrônicos. Essas informações foram dadas quando as crianças tinham cinco anos, e novamente aos sete anos.
 
Aos cinco anos, quase dois terços das crianças assistiam televisão por uma a três horas diárias, enquanto 15% assistiam por mais de três horas e menos de 2% não assistiam. Nessa idade, elas passavam menos tempo jogando: apenas 3% passavam três horas ou mais nessa atividade.
 
Risco aumentado – Os autores concluíram que assistir a televisão por três horas ou mais está associado a um pequeno aumento do risco de comportamentos antissociais em crianças de cinco a sete anos. Porém eles não encontraram relação entre o tempo passado em frente à televisão e problemas emocionais ou de atenção.
 
O tempo gasto com jogos também não apresentou impacto. "Isso pode significar que as crianças nessa idade estão menos expostas a jogos eletrônicos ou que os pais impõem mais restrições a este tipo de atividade", escrevem os autores.
 
De acordo com eles, a relação entre o tempo passado em frente a telas e problemas de saúde mental pode ser indireta, ou seja, pode ser derivada do aumento do sedentarismo, dificuldades para dormir e prejuízos no desenvolvimento da linguagem.

Fonte: Veja

Jogar games uma hora por dia ajuda a ‘treinar’ o cérebro

Novo estudo mostrou que o hábito melhora, de fato, as habilidades cognitivas, mas apenas aquelas que são exigidas durante um determinado jogo
 
 
Jogar videogame durante uma hora todos os dias já é o suficiente para surtir efeitos positivos na cognição de uma pessoa. Mas, de acordo um estudo da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura, o hábito treina o cérebro apenas em relação a tarefas cognitivas específicas que são exigidas em cada jogo. Os resultados da pesquisa foram publicados nesta quarta-feira no periódico PLoS One.
 
Segundo os autores do estudo, embora trabalhos anteriores tenham observado que jogos de ação beneficiam a cognição, esta é a primeira vez em que uma pesquisa mostra que diferentes tipos de jogos - e não só os de ação - podem melhorar habilidades cognitivas distintas.
 
O estudo selecionou 75 pessoas com uma idade média de 21 anos que foram distribuídas em cinco grupos. Cada grupo foi orientado a jogar, em um smartphone, um tipo de jogo durante uma hora por dia. Entre os jogos, havia tanto os de ação, como um em que era preciso encontrar objetos escondidos em um curto espaço de tempo, mas também de outros tipos, como aqueles que consistiam em, por exemplo, combinar três objetos idênticos ou jogar algo parecido com o The Sims.
 
Desempenhos - Antes e depois do período em que os participantes deveriam passar jogando os games, eles realizaram testes que avaliaram diversas capacidades cognitivas de cada um. De acordo com os resultados, as pessoas melhoraram seu desempenho especificamente nas tarefas que eram exigidas nos jogos. Por exemplo, as pessoas que jogaram desafios de ação melhoraram a sua capacidade de rastrear objetos em um curto espaço de tempo. Aquelas que se dedicaram a jogos em que era preciso combinar três objetos semelhantes, por sua vez, melhoraram a atuação em testes de memória visual.
 
Segundo as conclusões do estudo, portanto, o videogame não parece provocar uma melhora em todas as habilidades cognitivas, mas sim das capacidades exigidas nos jogos. “No geral, esses resultados sugerem que muitas melhorias cognitivas relacionadas aos jogos provavelmente não se devem ao treinamento de sistemas cognitivos gerais, como o controle da atenção, por exemplo, mas sim devido a processos cognitivos que acontecem durante o jogo”, escreveram os autores.
 
Fonte: Veja

Vício em internet é um risco à saúde, alertam pesquisadores

Internet: Pesquisa alerta para riscos à saúde mental do uso excessivo
 da internet (Thinkstock)

Estudo concluiu que o hábito está ligado à depressão, traços de autismo e variações de humor que podem ser semelhantes a crises de abstinência
 
Um artigo publicado neste mês no periódico PLoS One chama a atenção para os riscos à saúde apresentados pelo hábito de passar muitas horas na internet. Após avaliar 60 pessoas, entre elas alguns usuários assíduos da rede, pesquisadores britânicos concluíram que o vício em internet, assim como a dependência de drogas, está associado a alterações de humor, ao aumento do risco de depressão e a sinais de abstinência. E, além disso, o hábito pode até fazer com que um indivíduo apresente traços de autismo.
 
“A associação entre o vício em internet e depressão e humor instável já era conhecida e demonstra que as nossas descobertas estão de acordo com estudos anteriores. Porém, o fato de o vício em internet ter sido fortemente relacionado a traços de autismo é um achado novo, e pode ser de natureza semelhante a associações estabelecidas anteriormente entre isolamento social e esse tipo de dependência”, escreveram os autores no artigo.
 
Como as drogas — Ainda de acordo com a pesquisa, pessoas viciadas em internet são muito mais propensas a apresentar uma variação de humor negativa e um pior estado de espírito imediatamente após desligarem o computador do que indivíduos que usam a internet moderadamente. Segundo os autores, esse quadro é semelhante a sintomas de abstinência e reforça ainda mais que essas pessoas sofrem de dependência de internet. “Quando essas pessoas se veem off-line, elas passam a apresentar um humor muito mais negativo, assim como indivíduos que deixam de usar drogas ilegais, como o ecstasy”, disse Phil Reed, professor da Universidade de Swansea, na Grã-Bretanha, e coordenador do estudo.
 
“Esses resultados iniciais e pesquisas relacionadas à função cerebral sugerem que, na internet, há algumas surpresas desagradáveis para o bem-estar das pessoas”, disse Reed. Para os pesquisadores, a mensagem principal desse estudo é a de que algumas pessoas podem acabar tendo muitos problemas com o uso excessivo da internet, inclusive danos à saúde física e mental. Esses indivíduos, os autores escrevem, “talvez precisem de ajuda para entender as razões para o uso excesso da internet e qual é a função do hábito em suas vidas”.
 
 
Esse estudo foi feito com 60 pessoas, com uma idade média de 24 anos. Os pesquisadores analisaram o uso de internet, além de traços de humor, personalidade e sentimentos dos participantes. Os indivíduos foram orientados a responder um questionário sobre humor e ansiedade antes e depois de usarem a internet durante 15 minutos. Dos voluntários, 32 foram considerados "problemáticos" em relação ao uso da internet. Não foi encontrada relação entre vício em internet e sintomas de ansiedade.
 
Novo distúrbio — No artigo, os autores afirmam que o vício em internet tem sido cada vez mais debatido nos últimos dez anos. O problema vai, inclusive, ganhar mais atenção na quinta e mais nova edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM, sigla em inglês), documento considerado por muitos médicos como a "bíblia da psiquiatria". No DSM-V, que deverá ser publicado integralmente em maio, esse tipo de dependência será classificado como uma condição digna de atenção de pesquisas futuras.
 
Fonte: Veja

Relação entre jogos e violência ainda é incerta

Novas pesquisas começam a esclarecer o que pode (ou não) ser dito sobre os efeitos de videogames violentos sobre os jovens.
 
Os games de fato provocam pulsões hostis, e jovens que criam o hábito de jogar tornam-se um pouco mais agressivos, pelo menos durante um ou dois anos.
 
Mas não está totalmente claro se, a longo prazo, esse hábito aumenta a propensão a cometer um crime violento, muito menos um massacre como o de dezembro em Connecticut, onde 20 crianças foram mortas por um atirador.
"Não sei se algum estudo psicológico poderá algum dia responder definitivamente essa questão", disse o economista Michael Ward, da Universidade do Texas, em Arlington. "Temos que juntar o que pudermos a partir de dados e pesquisas."
 
Há três tipos de pesquisas: experiências breves em laboratório, estudos mais prolongados, geralmente em escolas, e estudos de correlação -entre o tempo gasto jogando e a agressividade ou entre as vendas de games e as estatísticas criminais.
 
Num estudo recente, o psicólogo Christopher Barlett, da Universidade Estadual de Iowa, comandou uma equipe de pesquisadores que colocou 47 graduandos para jogar "Mortal Kombat: Deadly Alliance" durante 15 minutos. Depois, a equipe fez várias medições da excitação física e psicológica dos alunos.
 
A pesquisa também verificou se os estudantes se comportavam de forma mais agressiva, pedindo que dessem um molho apimentado a colegas que, conforme era dito no momento, não gostavam de comidas picantes.
 
Em comparação a um grupo que jogou um game não violento, os jogadores de "Mortal Kombat" mostravam-se mais agressivos, em geral, e davam porções significativamente maiores de pimenta aos colegas.
 
É bem mais difícil determinar se a exposição cumulativa leva à hostilidade a longo prazo no mundo real. Em um estudo publicado em meados de 2012, psicólogos da Universidade Brock, em Ontário, concluíram que o envolvimento prolongado de colegiais com games prenunciava um número ligeiramente superior ao longo do tempo de incidentes como brigas com colegas.
 
"Nenhum desses atos extremos, como um massacre escolar, ocorre por causa de um só fator de risco. Há muitos fatores, inclusive a sensação de estar socialmente isolado, de ser molestado e assim por diante", disse Craig Anderson, psicólogo da Universidade Estadual de Iowa.
 
"Acho que está claro que a violência na mídia é um fator. Não é o maior fator, mas também não é o menor."
 
A maioria dos pesquisadores concorda com Anderson, mas nem todos. Alguns estudos concluíram que as crianças mais agressivas é que são as mais atraídas por games violentos. Há pesquisas que não são capazes de controlar fatores externos, como a situação familiar ou transtornos de humor.
 
"Esse é um conjunto de pesquisas que, até agora, não foi muito bem feito", disse Christopher Ferguson, professor associado de psicologia e justiça penal na Universidade Internacional A&M, no Texas -ele próprio autor de uma pesquisa que não revelou essa associação. "Olho para ela e não consigo dizer o que significa."
 
Muitos psicólogos argumentam que os videogames violentos "socializam" a criança ao longo do tempo, levando-a a imitar o comportamento dos personagens do jogo. Mas os pesquisadores ainda não conseguiram responder quando, exatamente, um hábito torna-se tão intenso a ponto de se sobrepor aos efeitos socializadores de outras figuras importantes na vida de uma criança, como pais, amigos, professores e irmãos.
 
A proliferação dos games violentos não coincide com os picos de criminalidade juvenil. O número de criminosos menores de idade caiu mais de 50% de 1994 a 2010, quando ficou em 224 a cada 100 mil jovens, segundo dados governamentais. Já as vendas de videogames mais do que duplicaram desde 1996.
 
Ward e dois colegas analisaram as vendas semanais de videogames violentos em várias comunidades. Os índices de violência são sazonais, geralmente maiores no verão do que no inverno. As vendas de games também, com picos na época natalina.
 
"Concluímos que índices maiores de venda de videogames violentos estavam relacionados a uma diminuição nos crimes, especialmente nos crimes violentos", disse Ward, que trabalhou no estudo com A. Scott Cunningham, da Universidade Baylor, no Texas, e Benjamin Engelstätter, do Centro para a Pesquisa Econômica Europeia, em Mannheim, na Alemanha.
 
"No mínimo, os pais deveriam estar cientes sobre o que há nos games que seus filhos estão jogando", afirmou Anderson, "e pensar neles do ponto de vista da socialização: que tipo de valores, de habilidades comportamentais e de papéis sociais a criança está aprendendo?"
 
Fonte: Folha

Soltos no mundo virtual

 
No último dia cinco deste mês foi comemorado o Dia da Internet Segura. Li muitas reportagens e artigos a respeito das mais variadas ações que ocorreram em outros países para alertar sobre a importância do uso consciente, crítico e seguro da internet. Percebi que a maioria das escolas aderiu à reflexão promovida pela data.
 
E em nosso país, como essa questão caminha? Mal, muito mal. No ano passado, tomei conhecimento de muitos casos que envolviam alunos, internet e ofensas pessoais sérias. Alguns deles terminaram com advogados e polícia envolvidos.
 
De um modo geral, temos ignorado essa questão. De quando em quando, campanhas ocorrem alertando a população sobre a pornografia infantil no espaço virtual, cartilhas com regras de segurança são distribuídas, novelas dramatizam situações que envolvem os mais novos e os perigos da internet. E só.
 
Entretanto, sabemos que o uso seguro e consciente desse instrumento, que pode ser tão valioso, depende de um processo: o educativo. E processo não ocorre de modo sazonal, não é verdade? A educação para o melhor uso da internet deve começar em casa e seguir para a escola.
 
O que cabe aos pais nessa questão? Primeiramente, não acreditar que seus filhos, que são da geração que já nasceu com a internet, só por esse motivo sabem como se comportar no espaço virtual.
 
É interessante saber que essa tendência existe. Tenho conversado com muitos pais e quase todos afirmam que os filhos sabem se virar melhor na internet do que eles próprios. E você, leitor, pensa que eles se referem a filhos grandes? Os filhos têm menos de dez anos! E são devidamente equipados com celulares, tablets e tudo mais. Usam muito a internet, muitas vezes a pedido dos professores que solicitam "pesquisas" como trabalho de casa.
 
Crianças e adolescentes podem saber se virar mais com a tecnologia para acessar e navegar na internet, ter mais agilidade para descobrir o que querem, mas eles não têm ideia do contexto da rede. Os pais têm. Ou deveriam ter. E o grande risco de pensarem que os filhos sabem de tudo é o de não acompanhar, não ensinar, não transmitir os valores familiares e as normas de convivência adotadas, seja no mundo real, seja no virtual.
 
Mas o trabalho dos pais não é suficiente: é na escola que os mais jovens podem aprender muito sobre o melhor uso da rede. Mas, para isso, precisariam ter espaço para falar o que pensam, receber informações críticas, aprender a usar coletivamente a internet e a refletir sobre os usos e abusos que acontecem no mundo virtual.
 
E, como disse anteriormente, essa aprendizagem só poderá ocorrer se for realizado um trabalho educativo regular. Assim como há aulas semanais de todas as disciplinas, também deveria ser semanal a experiência do uso da rede tutelada e conduzida pelos professores.
 
O ano letivo mal começou, por isso ainda há tempo de as escolas programarem um trabalho nesse sentido. Ele é urgentemente necessário.
 
E você, caro leitor, já perguntou aos responsáveis pela escola que seu filho frequenta qual o projeto pedagógico dela para o uso da internet pelos alunos? Já usou um período do tempo que passa com seu filho para saber o que ele pensa a respeito da rede? Esse já é um bom começo de conversa sobre o assunto.
 
Fonte: Folha

EUA: 1/3 das adolescentes já se encontrou com alguém que conheceu na web

Adolescentes maltratadas estavam mais propensas que outras garotas a apresentar-se online de forma sexualmente provocativa
 
Meninas que se apresentam provocativamente têm mais chance de serem alvos
 de conversas de cunho sexual na internet (Thinkstock)
Um estudo publicado na edição desta semana do periódico Pediatrics mostra que três em cada dez garotas entre 14 e 17 anos afirmam que já se encontraram com pessoas que conheceram online e que cuja identidade não havia sido confirmada previamente. A pesquisa mostra ainda os riscos que as adolescentes enfrentam na internet, principalmente aquelas que já foram vítimas de maus tratos, ou de abandono, ou apresentam problemas comportamentais ou baixa capacidade cognitiva.
 
De acordo com Jennie Noll, uma das autoras do estudo e psicóloga do Centro Médico do Hospital Infantil Cincinnati, nos Estados Unidos, esses encontros podem não ter trazido mal algum, mas não deixam de ser perigosos para meninas. "Além disso, adolescentes maltratadas ou abandonadas estavam mais propensas que outras garotas a apresentar-se online de forma sexualmente provocativa", relatou. Jennie é diretora de medicina comportamental e psicologia clínica no Hospital Infantil Cincinnati.
 
O estudo foi realizado com 251 adolescentes do sexo feminino, das quais cerca de metade já havia sido vítima de maus tratos ou abandono, e durou de 12 a 16 meses, com o objetivo de observar o impacto dos comportamentos na internet nos subsequentes encontros marcados fora dela. "Se uma pessoa na internet está procurando uma adolescente vulnerável para começar uma conversa de cunho sexual, tal pessoa irá procurar alguém que se apresenta provocativamente", disse Jennie.
 
Comportamentos de alto risco na internet incluem busca intencional por conteúdo adulto, autoapresentações provocativas em redes sociais e recebimento de chamados sexuais online. Por outro lado, segundo Jennie, uma "criação de alta qualidade" e o monitoramento dos pais ajudaram a reduzir a associação entre fatores de risco e esses comportamentos online, coisa que softwares com filtros que controlam a internet não têm capacidade de fazer sozinhos.
 
A partir dos resultados obtidos, a equipe chegou à conclusão de que modalidades de tratamento para adolescentes maltratadas devem ser ampliadas para incluir informações sobre segurança na internet. Tanto os pais como as adolescentes precisam estar cientes de que a autoapresentações online e outros comportamentos na internet podem aumentar a vulnerabilidade da pessoa.
 
O estudo faz parte de um trabalho maior da pesquisadora sobre comportamentos de alto risco na internet e foi financiado pelo National Institutes of Health. O trabalho deve prosseguir ainda por um período de cinco anos, com 3,7 milhões de dólares do governo federal para obter mais dados sobre esse tipo de comportamento na internet.
 
Fonte: Veja

A culpa não é da internet

Problemas modernos não são responsabilidade da tecnologia, mas do mau uso que fazemos dela
 
Gonçalo Viana
 
São várias as queixas: estaríamos ficando superficiais, desatentos, desmemoriados, desinteressados. De quem é a culpa? Dizem que da internet, do mundo moderno, das novas tecnologias, disso tudo junto. Segundo algumas teses publicadas em livro e rapidamente alardeadas pelos jornalistas, falta de atenção é consequência de janelas demais piscando no monitor, a abundância de informação é um convite à superficialidade, falta de memória é o “efeito Google”, falta de tempo é culpa de e-mails demais por responder. Para eles, nosso cérebro é vítima das circunstâncias modernas.

Eu discordo veementemente. Não vejo problema no que o mundo moderno faz com nosso cérebro – pelo contrário, só vejo coisas boas na facilidade de acesso a notícias, na facilidade de contato com amigos e parentes distantes, na profundidade de informação que hoje podemos obter. Para mim, o problema está em nós mesmos: em como nos deixamos sucumbir a tentações e imposições que nos são apresentadas através das novas tecnologias.

Para começar, não vejo como “a internet” poderia reduzir nosso tempo de atenção sustentada e tornar nosso conhecimento superficial. É preciso muita atenção focada para passar horas ininterruptas em frente a videogames, e sites de busca, Wikipédia e jornais internacionais acessíveis às pontas dos seus dedos permitem a qualquer um se tornar um profundo conhecedor de política internacional ou biologia das fossas abissais sem sair de casa. Aprofundar-se ou surfar superficialmente é uma questão do uso que se escolhe fazer de um mundo inteiro agora navegável.

O mesmo se aplica à memória. A tecnologia nos permite terceirizar facilmente nossa memória, delegando-a à agenda do celular, que guarda nossos contatos, endereços e compromissos, e à memória coletiva da Wikipédia e tantos outros sites acessíveis via internet. Quem de fato ainda tenta memorizar números de telefone?

O problema é que, sem tentar, não há como memorizar o que quer que seja – e, sem exigir da sua memória, não há como mantê-la tinindo. A memória não depende de simples exposição à informação, e sim do processamento ativo dela, que precisa receber atenção, ser associada a outras informações, e ainda ser considerada importante pelo cérebro. Se não for importante, não entra para a memória. Portanto, não há como se lembrar de um número de telefone que você apenas o digitou em seu celular!

Também não é verdade que a internet nos deixe desatentos ao fornecer “informação demais”. Nossa atenção já é limitada – e pelo próprio cérebro: só conseguimos nos concentrar em uma coisa de cada vez. Por causa dessa limitação, sempre há mais informação disponível do que conseguimos processar – e isso não é culpa da internet. Por outro lado, conhecendo essa limitação, quem tem problemas para se manter focado pode se ajudar reduzindo o número de tarefas disputando sua atenção a cada instante, por exemplo, reduzindo o número de janelas abertas em seu computador.

O mesmo vale para o e-mail, que acelerou a velocidade das trocas por escrito – e, ao contrário das predições catastróficas da época em que surgiu, hoje nos faz escrever mais do que anteriormente. Recebemos e-mails às dúzias por dia, muitos deles nos cobrando respostas imediatas. E aqui está mais um mau uso da tecnologia, culpa nossa: poder responder imediatamente a e-mails não significa ter de fazê-lo na hora, encorajando a cobrança alheia. Nossos problemas modernos não são culpa da tecnologia, mas do (mau) uso que fazemos dela.
 

Estudo analisa interação de crianças e jovens brasileiros com mídias digitais

Pesquisa 'Gerações Interativas' foi realizada pela Fundação Telefônica em parceria com Ibope e Escola do Futuro, da USP
 
As crianças e jovens brasileiros estão cada vez mais conectadas às telas e tecnologias digitais: 75% dos adolescentes entre 10 e 18 anos afirmam navegar na internet, enquanto entre as crianças de 6 a 9 anos esse índice é de 47%. Os dados fazem parte da pesquisa Gerações Interativas Brasil – Crianças e Jovens Diante das Telas, que foi apresentada nesta quarta-feira, 28, pela Fundação Telefônica Vivo no Auditório do Masp, na região central de São Paulo.
 
Em parceria com o Fórum Gerações Interativas, o Ibope e a Escola do Futuro da USP, a fundação pesquisou o comportamento da geração de nativos digitais brasileiros diante de quatro telas: TV, celular, internet e videogames. A coleta de dados ocorreu entre 2010 e 2011 junto a 18 mil crianças e jovens, com idades entre 6 e 18 anos. O Ibope ajustou a amostragem, baseado no Censo Escolar de 2007, e o conjunto válido de respondentes foi de 1.948 crianças e 2.271 jovens, pertencentes a um universo que abrange alunos de escolas do ensino público e privado, nas zonas urbana e rural de todas as regiões do País.
Esta é a segunda etapa de uma pesquisa iniciada em 2005. Na ocasião, o Brasil foi analisado dentro do contexto da região ibero-americana.“Desta vez, decidimos fazer um retrato exclusivo do País, para obtermos um panorama abrangente e crítico a respeito do contexto e das perspectivas das telas digitais no Brasil”, explica Françoise Trapenard, presidente da Fundação Telefônica Vivo.
Principais resultados
Do total dos pesquisados, 51% das crianças, de 6 a 9 anos, e 60% dos jovens e adolescentes, de 10 a 18 anos, declararam possuir computadores em casa, enquanto 38,8% das crianças e 74,7% dos jovens disseram ter celulares próprios. Já quanto à posse de games, 78,7% das crianças e 62,4% dos adolescentes entrevistados responderam positivamente. A TV é a tela predominante, com índices de penetração nos lares entre 94,5%, no caso das crianças, a até 96,3% para os jovens.
No entanto, diferenças socioeconômicas entre as regiões impactam na posse e no acesso às telas. A análise detalhada pelas macrorregiões geográficas do País evidenciou diferenças marcantes para os indicadores da inclusão digital dos jovens brasileiros. Observou-se que, enquanto a presença de computadores domésticos atingiu 70,4% das crianças do Sudeste e 55,1% para as residentes no Sul, no Norte e Nordeste estes índices retrocedem para 23,6% e 21,2%, respectivamente.
Diferentemente do que se observa para a maioria dos adultos que com ela convivem, a geração interativa redefine o uso das telas pela sua integração, convergência e multifuncionalidade. Desta forma, a internet é usada para tarefas escolares, compartilhar músicas, vídeos, fotos, ver páginas na web, utilizar redes sociais, bater papo e usar e-mail.
Políticas públicas
De acordo com Lygia Pupatto, secretária de Inclusão Digital do Ministério das Comunicações, atualmente 52% da população brasileira não têm acesso à internet. O cenário agrava-se ainda mais quando se observa a distribuição dessa acessibilidade. Enquanto 96% da classe A possuem acesso à internet, apenas 35% da C têm esse privilégio e 5% das D e E. Vale lembrar que as classes C, D e E, juntas, somam cerca de 80% da população. "A exclusão digital segue o mesma lógica da exclusão social", diz Lygia. "Essa desigualdade, por sua vez, é muito mais maléfica, pois gera novos padrões de exclusão social, principalmente no que diz respeito ao acesso à informação e, consequentemente, ao exercício da cidadania", afirma.
Segundo a secretária, o governo federal tem alguns projetos para garantir a acessibilidade uma maior porcentagem da população. Um deles trata da redução da carga tributária de smartphones, o que, por sua vez, interferiria diretamente no preço final do produto. Lygia também destacou a importância de uma articulação com os governos estaduais e municipais e também com a academia.
Convergência
O celular representa a tela de convergência por excelência. Pela ordem, a geração interativa utiliza o aparelho para: falar (90% dos jovens); mandar mensagens (40%); ouvir música ou rádio; jogar; como relógio/despertador; como calculadora; fazer fotos; gravar vídeos; ver fotos/vídeos; usar a agenda; baixar arquivos; assistir TV; bater papo; e navegar na internet. "O celular é a mídia convergente, a que pode ser tratada como ganhadora", diz Françoise Trapenard, da Fundação Telefônica Vivo. "Entre as mídias interativas, é a mais simples, extremamente intuitiva e que pode ser levada para qualquer lugar, em qualquer momento."
40% dos jovens afirmaram que nenhum professor usa a web em aula e apenas 11% aprenderam a navegar com um educador. Por outro lado, 64,2% dos respondentes disseram que aprenderam a usar a internet sozinhos. “Trata-se de uma geração nascida a partir do final da década de 1990, período em que no Brasil as TIC (Tecnologias da Informação e da Comunicação) já se encontravam profundamente instaladas e arraigadas na vida cotidiana das famílias e, em maior ou menor grau, também nas escolas”, observa Brasilina Passarelli, coordenadora científica da Escola do Futuro.
Segundo a professora, a interação que os nativos digitais têm com as novas mídias não deve ser encarada com estranhamento ou hesitação. "Esse jovens estão reconstruindo uma relação com o conhecimento", diz. "O conceito de leitura que conhecemos, por exemplo, não existe mais, ao menos para as novas gerações, que foram criadas pelo hipertexto, onde a lineariedade não faz mais sentido algum."
Na opinião dela, é um erro tentar formatar os jovens e crianças da geração Z ao mundo que estávamos acostumados até 10, 15 anos atrás. "Temos de ter coragem de ousar, caso contrário, seremos afogados pelo real", diz Brasilina, referindo-se à adoção de TICs na educação.
A pesquisa estará disponível para download no site da Fundação Telefônica (www.fundacaotelefonica.org.br), inclusive com versão para tablets.
 
Fonte: Estadão

Cresce exposição de jovens na internet

Pesquisa com 4 mil adolescentes revela que eles passam mais horas na rede e muitos mostram desejo de expor o corpo até para desconhecidos

Maria Rita Nunes até ganhou uma cadeira mais confortável do pai para não sofrer de dores nas costas durante as cerca de seis horas diárias que fica em frente ao computador de casa. Isso sem contar as espiadas na internet do celular durante o intervalo das aulas no Colégio Santa Maria. Não raro, ela troca o tempo de sono da madrugada para assistir a algum vídeo publicado por um amigo ou para postar no Twitter. Afinal, foi por essa ferramenta que ela conheceu uma de suas melhores amigas.

Aos 15 anos, a adolescente é o retrato do que mostra a pesquisa Nós, Jovens Brasileiros, realizada pelo Portal Educacional, que mapeou o comportamento de 4 mil estudantes de 13 a 17 anos, alunos de 60 escolas particulares de todo o País. Neste ano, foram os próprios jovens que sugeriram as questões que, depois de selecionadas, compuseram o corpo do questionário.

E, quando o assunto é internet, as descobertas revelam desde questões mais objetivas - como o tempo de uso, que cresce ano após ano - até temas bem mais delicados, como a disposição a se expor na rede.

Nunca faria isso’, diz Maria Rita Nunes, de 15 anos, sobre expor o corpo
Um dos dados mais preocupantes é o que mostra que, do total de entrevistados, 6% deles já apareceram nus ou seminus em fotos na rede e o mesmo porcentual já mostrou partes íntimas de seu corpo para desconhecidos por meio de webcam. Além desses, outros 3% já pensaram em se exibir dessa forma, mas não puseram isso em prática.

Destemidos

"Isso reforça a nossa percepção de que o jovem acredita que a tela e a distância relativizam o risco do perigo", diz o psiquiatra Jairo Bouer, parceiro do Portal Educacional. "Ou ele quer se diferenciar e ganhar fama a qualquer preço, e para isso avalia que vale a pena até mostrar o corpo, ou ele é inocente e acha que não é tão grave."

O caso narrado por Caio Cardoso Fossati, de 15 anos, aluno do Colégio 12 de Outubro, foi de completa ingenuidade, acredita ele. Caio conta que um de seus amigos recebeu de uma paquera uma foto dela nua. "A garota gostava dele e achava que era uma forma de atraí-lo." A estratégia deu errado. Além de não se seduzir, o adolescente mostrou a imagem a um grupo de amigos que a conheciam e o assunto virou piada. "Só não ficou pior porque ela não sabe que todos nós a vimos daquele jeito."

Ivanna Castelli, de 13 anos e estudante do 8.º ano do ensino fundamental, diz que várias de suas amigas se expuseram dessa forma. "Algumas queriam aparecer e outras atenderam ao pedido do namorado. O problema é que isso sempre espalha, e elas acabam se arrependendo."

Para Carmen Neme, professora do programa de pós-graduação em Psicologia da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), essa exposição é resultado da falta de controle dos impulsos sexuais, própria da adolescência, com o imaginário, também típico da idade, de que estão acima de qualquer risco. "O adolescente acha que nada vai acontecer, porque ele é muito esperto."

O único antídoto a isso, explica, é a presença mais atuante dos pais. Uma intervenção que não se limite a um código de conduta com sites proibidos e permitidos, mas que subentenda mais tempo de convivência. "O problema não é a internet. A questão é que os adolescentes estão sozinhos. Nunca se viveu de maneira tão solitária como agora. Os pais estão longe, e a internet parece suprir a ausência", diz Carmen.

Sem orientação, somem os limites. "Uma certa rebeldia é tolerável, porque o adolescente que não se rebela não sai da dependência familiar. Mas a rebelião tem de ser dentro de certos limites. Ele pode questionar valores, confrontar, mas não pode perder o controle de impulsos, destruir os vínculos."

Descuido

Se a questão não for cuidada em tempo, pode ser tarde para que essa intermediação aconteça. O diretor do Colégio Mary, Cesar Marconi, conta que com frequência chama os pais à escola para discutir os limites dos filhos frente à internet.

O maior problema, por ali, é a queda do rendimento por conta do cansaço. "Tem aluno que chega morrendo de sono, não consegue se concentrar e, ao ser questionado, diz que não dormiu porque ficou na internet a noite toda." Ao serem convocados, diz Marconi, oito em cada dez pais dizem conhecer essa rotina. "Mas admitem que não conseguem mais controlar."

Uma outra pesquisa divulgada nesta semana pela Fundação Telefônica - o estudo mapeou o comportamento de crianças e jovens frente às telas de computador, celular e televisão - mostrou que 58,6% das crianças e 76,5% dos jovens acessam a rede sozinhos. O computador, revelou a pesquisa, se localiza preferencialmente no quarto da criança (37,6%) ou do adolescente (39,3%). Quanto à orientação, 31,7% dos jovens declararam que seus pais não costumam fazer nada em relação às atividades que desenvolvem na internet.

3 PERGUNTAS PARA...

Rosa Maria Farah, do núcleo de psicologia e informática da PUC-SP

1. Como você avalia os resultados da pesquisa?Esta geração é a primeira nativa digital. Se por um lado ela tem muita facilidade de acesso e habilidade no uso das ferramentas, por outro é muito jovem e sem preparo ou maturidade emocional para avaliar as consequências desse uso.

2. E quais as motivações para tanta exposição?Necessidade de afirmação, de se sentir parte da comunidade. O antigo grupo do clube e do bairro ganhou versão virtual. Por mais que ele saiba o alcance disso, e ele sabe, é como se sentisse imune. E, em muitos casos, a exposição traz perigos maiores para o próprio autor, não para um terceiro qualquer.

3. Mas o mundo virtual aumentou essa sede pela exposição? O jovem sempre teve essa curiosidade. Mas essa experimentação, no mundo presencial, tem determinado âmbito de repercussão, muito diferente do observado no mundo virtual. O mundo virtual não cria problemas psicológicos, ele coloca um foco. Não gera, ele potencializa. Da mesma forma que sempre se recomendou que os pais conhecessem os amigos dos filhos e soubessem onde eles estão, é preciso uma versão virtual. Não de forma policialesca, mas participativa.

DICAS DO COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL

PrecauçãoApós uma informação ser propagada na internet, não há como controlá-la. E aquilo que era para ser uma brincadeira entre amigos pode ser acessado por outras pessoas e usado contra você, agora ou futuramente. Sempre considere que está em um local público, que tudo que divulga pode ser lido ou acessado por qualquer pessoa.

PrivacidadeUse as opções de privacidade oferecidas pelos sites. E seja o mais restritivo possível: mantenha o seu perfil e os seus dados privados, restrinja também o acesso ao seu endereço de e-mail, seja seletivo ao aceitar os seus contatos, tome cuidado ao se associar a grupos e a comunidades e não acredite em tudo o que você lê.

SegurançaCuidado ao divulgar fotos e vídeos, pois ao se observar onde eles foram gravados pode ser possível deduzir a localização. Não divulgue planos de viagens nem por quanto tempo ficará ausente da sua residência. Ao usar redes sociais baseadas em geolocalização, procure fazer check-in apenas em locais movimentados e, de preferência, ao sair.

RespeitoEvite falar sobre os hábitos e a rotina de outras pessoas. Muitos optam por não usar redes sociais e, portanto, podem não gostar que você comente ou repasse informações sobre a vida delas. Não poste, sem autorização, imagens em que outras pessoas apareçam e não divulgue nada copiado do perfil de pessoas que restrinjam o acesso.

OrientaçãoSe tiver filhos, oriente-os a não se relacionarem nem oferecerem informações pessoais a estranhos. Informe-os também a não divulgarem informações sobre hábitos familiares. Alerte-os sobre os riscos de uso da webcam e procure deixar o computador em um local público da casa. Por fim, respeite os limites de idade estipulados pelos sites.

ÉticaAquilo que você divulga ou que é divulgado sobre você pode ser acessado por seus chefes e companheiros de trabalho, além de compor um processo seletivo futuro que você venha a participar. Logo, antes de divulgar uma informação, avalie se, de alguma forma, ela pode atrapalhar a sua carreira e evite divulgar detalhes sobre seu trabalho.

Fonte: Estadão