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Dica de filme: Um Sonho Possível (The Blind Side, 2009)



O filme conta a história real do astro do futebol americano Michael Oher. O jogador só ganha a chance de mostrar seu talento em campo com a ajuda da família Tuohy, que o adota. Oher cresceu na periferia da cidade de Memphis e nunca conseguiu frequentar uma escola com regularidade. Mas sua vontade de entrar na faculdade para jogar futebol americano no time da universidade foi maior do que qualquer obstáculo. A evolução do jovem nos estudos e no esporte também vale como troféu para a família que o acolheu.



Vale a Pena assistir!

Dica de documentário: Waiting For “Superman” (Esperando pelo Super-Homem, 2010)


O documentário se concentra em cinco crianças de diferentes idades e circunstâncias de vida. O que os jovens têm em comum é um interesse pelo aprendizado, que é prejudicado por escolas superlotadas, péssimos professores e falta de atenção dos administradores. O filme contextualiza suas histórias, entrevistando uma série de proponentes de reformas educacionais, incluindo Michelle Rhee, uma polêmica defensora do sistema público em Washington, e Geoffrey Canada, um visionário, cuja organização conseguiu um impressionante sucesso em convencer os jovens a lutar por uma educação universitária.



 Vale a pena assistir!

Dica de documentário: A Educação Proibida (La Educación Prohibida, 2012)


A Educação Proibida é um documentário que discute a educação normatizada e os valores que sustentam o sistema de ensino tradicional. O filme é um projeto realizado por jovens alunos que passaram a questionar a maneira que as pessoas são preparadas para viver em um mundo “adulto”. Em uma pesquisa que cobre 8 países e com mais de 90 educadores entrevistados, o documentário é eficiente ao passar um panorama da atual situação do ensino a qual tem conservado comportamentos de competição, rivalidade e a super valorização do lucro.



Vale a pena assistir!

Estudar pra que? – Como instalar hábitos de estudos

Texto de Priscila Ribeiro

Início de ano letivo parece ser um pesadelo para muitos pais e, principalmente, para os estudantes. Problemas que durante as férias escolares estavam adormecidos voltam a todo vapor: os conflitos recomeçam e a relação pais/filhos/escola se torna desgastante. Infelizmente não vivemos em uma sociedade pró-saber, pró-escola. As atividades escolares geralmente são vistas como chatas, desinteressantes e pouco conectadas com a vida cotidiana.
E o que nós, analistas do comportamento, temos a ver com isso?

Como aumentar a probabilidade da obediência e respostas novas

Texto de Monalisa Ribeiro

Quem nunca se queixou de um aluno(a) desobediente? Aquele que geralmente não segue as regras e muito menos cumpre com um pedido ou demanda em sala de aula?
Acredito que esse assunto possa ser de grande interesse para pais e, principalmente, para os profissionais que lidam com alunos que não cumprem com regras e demandas, que tentam escapar das atividades mais difíceis ou, simplesmente, não estão motivados o suficiente para cumprir com uma tarefa mais elaborada.
Afinal, qual é o prejuízo do aluno não cumprir com demandas acadêmicas?
A idéia de abordar esse assunto na minha estreia como colunista do blog se iniciou com uma mera busca de dados no meu laptop que, acidentalmente, me direcionou à minha tese de mestrado, defendida em 2012. Embora eu tenha utilizado essa estratégia de controle antecedente para induzir a imitação de movimentos de coordenação oro-faciais em crianças diagnosticadas com TEA (Transtorno do Espectro Autista), a mesma pode ser aplicada como uma estratégia (de controle antecedente) para aumentar a probabilidade de emissão de diferentes respostas, em vários contextos .
O artigo de hoje focará numa estratégia comportamental chamada Seqüência de demandas de alta probabilidade ou “behavior momentum”. Essa técnica é muito prática e pode ser utilizada em salas de aula para INDUZIR respostas e maximizar o desempenho acadêmico dos alunos. O aluno que não segue as normas e/ou demandas acadêmicas em uma sala de aula, provavelmente terá um prejuízo cognitivo e acadêmico no futuro. Portanto, essa estratégia é um ótimo método para ser aplicado nesse ambiente.
Momentum comportamental é uma estratégia para aumentar a probabilidade de ocorrência de uma resposta (comportamento) que tenha baixa probabilidade de ocorrência. Ou seja, é uma estratégia que aumenta a frequência de uma resposta que não ocorre frequentemente.
Essa técnica consiste na apresentação de três (3) a cinco (5) demandas de atividades (em sequência) em que o indivíduo tenha alta probabilidade de cumprir (atividades fáceis), para depois apresentar a demanda da atividade alvo (atividade de baixa probabilidade). A atividade alvo é a atividade que você deseja induzir. Essa atividade é considerada de baixa probabilidade porque não ocorre frequentemente e, por isso, ela se torna a atividade alvo.
Por exemplo, se um dos meus alunos não gosta ou se recusa a fazer operações de multiplicação, esta tarefa poderia ser considerada uma resposta de baixa probabilidade (baixa-p), pois o aluno não gosta de fazer, nunca quer fazer, ou não está motivado o suficiente. Porém, se esse mesmo aluno nunca me deu trabalho para tirar o material da mochila, escrever a data e nome na folha de exercícios, escrever números, e copiar as operações de multiplicação da lousa, tais comportamentos se classificariam como comportamentos de alta probabilidade (alta-p). Ao final, a multiplicação (tarefa de baixa-p) seria apresentada, mas com uma maior probabilidade de ser resolvida pelo aluno. No Quadro 1, pode ser visualizado um esquema do exemplo apresentado.
Quadro 1. Exemplo de atividades de alta-p e de baixa-p envolvendo a multiplicação.
Atividades de alta probabilidade (alta-p)          (fáceis de cumprir)Atividade de baixa probabilidade (baixa-p) (difícil de cumprir)
Retirar o material da mochilaFazer operações de multiplicação
Escrever data e nome na folha de exercício
Escrever os números
Copiar as operações de multiplicação da lousa

Mace et al. (1988) foram os primeiros autores a publicarem um estudo com essa técnica. Segundo os seus estudos e experimentos, após o estudante seguir uma série de demandas de alta probabilidade, estabelece-se o “momento” no qual a resposta de baixa probabilidade tem chances aumentadas de ser emitida.
Mace et al. (1988), sugerem que esse fenômeno pode ser explicado a partir do conceito de operação abolidora. O momentum comportamental pode, assim, ser entendido como uma operação que diminui a valor reforçador da resposta de esquiva da atividade. Depois de cada demanda de probabilidade alta, sempre há elogios, e por isso, o valor de não cumprir com a demanda da atividade alvo diminui. Em outras palavras, Segundo Mace et al. (1988) cumprimos, fazemos, ou completamos uma atividade de baixa probabilidade porque já nos “aquecemos” com as atividades fáceis (alta-p), e como agora já estamos no “embalo”, cumprimos com a atividade de baixa probabilidade (baixa-p).
No Quadro 2, descreve-se os passos para aplicação da técnica de momentum comportamental.
Quadro 2. Guia para usar o procedimento corretamente.
Passo # 1

Selecionar os comportamentos de probabilidade alta
–       Esses comportamentos têm que existir no repertório atual do cliente, serem frequentes e de curta duração.
–       Fazer uma lista das atividades que são cumpridas 100% das vezes que foram demandadas.
Passo # 2Apresentar as demandas rapidamente
–       As demandas devem ser apresentadas rapidamente uma atrás da outra, com um intervalo curto entre elas.
–       Devem ser apresentadas de 3 a 5 demandas de atividades de probabilidade alta.
–       Depois de cada demanda de probabilidade alta, disponibiliza-se um elogio.
Passo #3Demanda alvo (baixa probabilidade)
– Apresentar a demanda da atividade de baixa probabilidade.
Passo # 4Reforçar imediatamente se o paciente (aluno) cumprir com a demanda alvo.

Cumprir com demandas em sala de aula promove oportunidades de desenvolvimento de muitos comportamentos. Essa estratégia é um procedimento não aversivo para melhorar a obediência. Esse procedimento, indiretamente, manipula a frequência de reforço para estabelecer o que chamamos de “momento”.
Estudos mostram que essa intervenção é efetiva em mudar o comportamento das pessoas, como adquirir ecóicos e mandos, aumentar a frequência de cumprimento de atividades e diminuir a frequência de autolesões.
Quadro 3. Apresenta-se um resumo de experimentos que utilizaram a estratégia Momentum comportamental  (sequência de demandas de alta probabilidade) em vários contextos.
Atividade AlvoMotivo do estudoParticipantesAutores
Imitação oral motoraPré-requisito para falaCrianças diagnosticadas com TEAThomas, Lafasakis e Sturney (2010)
Desobediência (não cumprir com demandas)Diminuir desobediência e comportamento agressivoAdulto de 36 anos com deficiência mentalMace et al (1988)
AutolesãoDiminuir ou eliminar a autolesãoAdulto de 33 anos com deficiência mentalZarcone, Iwata, Hughes e Vollmer (1993)
Atividades acadêmicasCumprir com demandas acadêmicas (tarefa de matemática)Aluno do Ensino FundamentalWehby e Hollaham (2000)
Imitação motoraEmissão de ecoicos e mandosCrianças com TEA não verbaisTsiouri e Greer (2003)

Essa estratégia pode ser aplicada em vários contextos, e geralmente, as atividades, tarefas ou ações escolhidas como “atividades de alta-probabilidade” são relacionadas a atividade alvo. Por exemplo, na minha tese de mestrado, a atividade alvo era induzir imitação de movimentos de coordenação oro-facial motora em crianças diagnosticadas com TEA não verbais. As atividades de alta probabilidade envolviam a imitação de movimentos de coordenação motora (grossas) ampla, que os participantes do estudo já tinham desenvolvido em seu repertório, após o comando “Faça isso”. Os movimentos apresentados eram: bater palmas, colocar os braços para cima, tocar na barriga e tocar nas pernas. A atividade de baixa probabilidade (atividade alvo) eram respostas de imitação de movimentos oro-faciais que os participantes não emitiam, tais como: abrir a boca, abrir e fechar a boca e colocar a língua para fora. Segundo pesquisadores, alguns dos pré-requisitos da fala envolvem os movimentos ora-faciais, por isso, é muito importante que crianças não verbais sejam induzidas a imitar uma série de movimentos como as atividades alvo que eu escolhi para minha tese.
Quando escolherem a atividade alvo, tentem selecionar as atividades de alta probabilidade que são de alguma forma relacionas com a atividade alvo. Boa sorte ao aplicar essa estratégia e aumentar a probabilidade da obediência e induzir respostas novas!
Referências Bibliográficas:
Cooper, O., John, Heron, E. Timothy., Heward, L., William (2007). Applied Behavior Analysis(2ndedition). Pearson Prentice Hall  New Jersey, USA.
Mace, C. F., Hock, M. L., Lalli, J. S., West, B. J., Belfiore, P., Pinter, E., et al. (1988). Behavioral momentum in the treatment of noncompliance. Jornal of Applied Behavior Analysis, 21, 123-141.
Thomas, B. R., Lafasakis, M., & Sturmey, P. (2010). The effects of prompting, fading, and differential reinforcement on vocal mands in non-verbal preschool children with autism spectrum disorders. Behavioral Interventions25, 157-168.
Tsiouri, I., & Greer, D. R. (2003). Inducing vocal verbal behavior in children with severe language delays through rapid motor imitation responding. Jornal of Behavioral Education, 12, 185-206.
Wehby, J. H., & Hollahan, S. M. (2000). Effects of high probability latency to initiate academic tasks. Journal of Applied Behavior Analysis, 33, 259-262.
Fonte: Comporte-se

Esta tabela periódica interativa mostra o propósito de cada elemento

O Americano Keith Enevoldsen desenvolveu uma tabela com explicação e exemplos de como elementos funcionam

Uma das maiores dificuldades que os estudantes encontram ao conhecer a tabela periódica é entender as aplicações que os elementos têm em suas vidas. Pensando nisso, o americano Keith Enevoldsen criou uma tabela interativa que dá mais informações sobre os elementos e exemplos de como eles são utilizados.

Enevoldsen é formado em física pela Colorado College, nos Estados Unidos, e atualmente trabalha como engenheiro de softwares. "Quando era criança, gostava das tabelas periódicas com figuras, mas elas nunca tinham boas imagens de todos os elementos", contou à BBC

Inspirado pelo livro Building Blocks of the Universe (Blocos de Construção do Universo, em tradução livre), de Isaac Asimov, que possui relatos da história e do uso dos elementos, o engenheiro desenvolveu a "The Periodic Table of the Elements, in Pictures and Words" (A Tabela Periódica dos Elementos, em Figuras e Palavras). 

A tabela em versão interativa está disponível em inglês na internet (clique aqui para conhecê-la) e conta com ilustrações em cada um dos elementos. Ao clicar nos ícones deles, novas caixas aparecem no topo da página com explicações do elemento, bem como exemplos de onde ele pode ser encontrado. O ícone do ferro, por exemplo, é uma ponte, já o do sódio, é o sal. 

"Queria que toda a tabela fosse colorida, com um desenho limpo, que não fosse cheia dos números dos pesos atômicos que, para as crianças, não servem para muita coisa", explicou. 

O site de Enevoldsen também disponibiliza a tabela em pdf em diversos tamanhos para serem impressas em casa — tudo de graça. Confira aqui.

Fonte: Galileu

Sete competências para as escolas e faculdades se adaptarem ao novo mercado profissional



O mercado profissional vem mudando e a reforma trabalhista aprovada em 12 de julho, em muitos aspectos, só registra o que já estava acontecendo, de modo informal. Questões ideológicas à parte (sem dúvida existem, mas não é objetivo deste artigo discuti-las), é fato que há novas competências que escolas, famílias e universidades deveriam desenvolver nos estudantes, com vistas a um bom desempenho no mundo do trabalho dos próximos anos.

Veja abaixo sete competências que estão se tornando cada vez mais essenciais aos atuais e futuros profissionais:

Habilidade de negociação. Os acordos entre prestadores de serviços e contratantes poderão se sobrepor à própria legislação trabalhista. Isso vai requerer habilidade para chegar a consensos por meio do diálogo, traquejo no relacionamento interpessoal e prática para resolver conflitos, buscando soluções em que as duas partes se sintam confortáveis. Isso envolve também aspectos como senso de oportunidade, persuasão e ética.

Foco em resultados. Entregar o que lhe é confiado no prazo e com qualidade, com o menor gasto de recursos e a maior produtividade. Isso implica, entre outros aspectos, manter a concentração e não perder tempo com atividades que o distanciam de suas principais metas.

Autonomia, autodisciplina e processos de trabalho. O home office ou teletrabalho, regulamentado pela reforma trabalhista, é uma tendência apreciada tanto pelas empresas como pelos seus colaboradores, por aliar economia de recursos com qualidade de vida no trabalho. Para funcionar bem, requer organização, capacidade de gestão do tempo, planejamento do trabalho a partir de processos e bastante autocontrole.

Capacidade comercial e de marketing pessoal.  Profissionais que prestam serviços têm passado a trabalhar por projetos e até mesmo para mais de uma empresa. Irão sobressair aqueles que souberem divulgar bem os seus talentos e montar uma carteira de clientes fiéis.

Flexibilidade e resiliência. O mercado de trabalho se tornou volátil e é comum que, ao longo do tempo, o profissional acabe assumindo novas atribuições, diferentes daquelas para as quais foi inicialmente contratado. Estar aberto a essa possibilidade, assim como administrar as próprias emoções ao lidar com situações adversas e com mudanças, são fortes diferenciais.

Disposição para trabalhar em grupo e respeitar diferenças. As empresas costumam montar equipes multidisciplinares e estas podem variar de acordo com cada projeto. Isso requer capacidade de ouvir os diversos pontos de vista e de exercer diferentes posições nos grupos – ora podemos ser o líder, ora coadjuvantes ou colaboradores. Conviver bem com as diferenças de cultura, raça, crença, posição política é essencial. Ter uma atitude inclusiva é ainda melhor.

Capacidade de aprender continuamente e se reinventar. Num mundo marcado por inovações tecnológicas e pela rapidez das mudanças, os conhecimentos se tornam obsoletos ou insuficientes em pouco tempo. Algumas profissões deixaram de existir e outras se tornaram completamente diferentes nos últimos anos. Mesmo sem um professor do lado ou sem frequentar cursos formais, os profissionais deverão ter habilidade para aprender o tempo todo, mantendo-se atualizados por meio de processos de educação continuada.O mercado profissional vem mudando e a reforma trabalhista aprovada em 12 de julho, em muitos aspectos, só registra o que já estava acontecendo, de modo informal. Questões ideológicas à parte (sem dúvida existem, mas não é objetivo deste artigo discuti-las), é fato que há novas competências que escolas, famílias e universidades deveriam desenvolver nos estudantes, com vistas a um bom desempenho no mundo do trabalho dos próximos anos.

Fonte: G1

Como os pais podem favorecer o desempenho de crianças



Dentre as várias definições trazidas pela literatura, Fonseca (1995) define o termo dificuldades de aprendizagem como um conceito geral que se refere a um grupo heterogêneo de desordens na aquisição e utilização da compreensão auditiva, da fala, da leitura, da escrita e/ou do raciocínio matemático.
Machado (1993) afirma que crianças com dificuldades de aprendizagem podem apresentar comportamentos de passividade, isolamento, apatia ou agressão, além de comportamentos encobertos como medo, frustração, raiva e outros. Além disso, Condemarim e Blomquist (1989 apud Peres, 1999) destacam que estas crianças apresentam: desinteresse pela leitura (levando a um menor contato com o material, o que contribui ainda mais para sua dificuldade); comportamentos passivos e falta de iniciativa; sentimentos de culpa frente suas dificuldades; e esquiva de situações que exigem participação ativa (evitando futuros fracassos).
 
Qualquer problema ou dificuldade de um indivíduo, na perspectiva da Análise do Comportamento, deve ser analisado em termos de comportamento, levando em conta a história – ontogenética, filogenética e cultural –, bem como as condições conseqüentes à emissão do comportamento em questão. Nesse contexto, os pais podem funcionar como agentes de mudanças ambientais e comportamentais (Sampaio, Souza e Costa, 2004), alterando as condições antecedentes, modelando as respostas envolvidas no processo de execução de atividades acadêmicas e conseqüenciando-as adequadamente.

Considerando que a família é o primeiro contato social da criança e é com ela que a criança passa a maior parte do seu tempo, é de extrema importância que os pais participem da vida acadêmica do filho (Souza, Goyos, Campaner e Silva, 2004). Esse envolvimento parental diz respeito às interações dos pais na realização dos trabalhos escolares do filho e ao encorajamento verbal e reforço direto de comportamentos, o que supõe suporte e monitoramento das atividades diárias, contribuindo para produzir melhoras no desempenho acadêmico da criança (Ferhaman, Keith e Reimers, 1987). O envolvimento ainda abrange idas à escola e participação em reuniões diversas e discussões sobre questões relacionadas ao ambiente familiar (SOARES, SOUZA e MARINHO, 2004).
Existem fatores, porém, que podem dificultar a participação ativa dos pais na vida escolar de seus filhos, como as mudanças constantes nas práticas de ensino, o desconhecimento dos assuntos que estão sendo trabalhados na escola, a falta de tempo, o nível de dificuldade apresentada pelo filho, os tipos de avaliações feita pela escola, os comportamentos gerais dos professores em relação aos pais e crianças, o desconhecimento de procedimentos de enfrentamento frente a problemas relacionados à vida escolar dos filhos, entre outros (SOARES, SOUZA e MARINHO, 2004).

Para que os pais possam contribuir o desenvolvimento de comportamentos facilitadores da aprendizagem dos filhos, alguns pontos devem ser levados em consideração. Esses pontos foram formulados tendo como base estudos, pesquisas e experiências descritas por vários
autores (Hübner, 2002; Marturano, 1999; Scarpelli, Costa e Souza, 2006; Soares, Souza e Marinho, 2004; Matos, 1993; entre outros) e serão descritos a seguir.
a) Estabelecimento de uma rotina organizada
Rotina se refere aos horários definidos para a realização das diversas atividades que a criança deve cumprir diariamente. A organização dessa rotina supõe a distribuição dos horários para os estudos (horário pra ir à escola, pra estudar e pra fazer tarefa) e para outras atividades (como brincar, fazer refeições e dormir).

Hübner (2002) ressalta que uma rotina sobrecarregada de atividades extra-classe interfere negativamente no desempenho escolar da criança. Quando os pais dão prioridades para outras atividades na vida dos filhos em detrimento das atividades acadêmicas, o problema se torna ainda maior.

Ferreira e Marturano (2002) fizeram um estudo buscando compreender a relação das características do ambiente familiar com o baixo rendimento escolar de crianças. De acordo com os resultados da pesquisa, as condições ambientais interferem diretamente no desempenho escolar das crianças. Segundo as autoras, a organização da rotina doméstica – que inclui atividades com horário definido e organização temporal e espacial para execução de tarefa de casa –, é um fator importante que favorece o bom desempenho escolar.
 
b) Supervisão e acompanhamento de tarefas
De acordo com a definição de Keith e Cooper (1986 apud Scarpelli, Costa e Souza, 2006) tarefa escolar é um trabalho que os professores atribuem aos alunos para ser concluído fora do período normal de aula, com o objetivo de estender a prática de habilidades acadêmicas a outros ambientes. A realização da tarefa escolar pode trazer muitas vantagens para os alunos, entre elas: o desenvolvimento de habilidades específicas (como a solução de problemas); motivação para a aprendizagem; aperfeiçoamento de hábitos de estudo e de atitudes em relação à escola; e responsabilidade (Eiliam, 2001 apud SCARPELLI, COSTA e SOUZA, 2006).
Considerando que a tarefa é realizada em casa, cabe aos pais supervisionar sua execução e verificar se a criança está cumprindo os horários estabelecidos na rotina. Pesquisas, como a de Marturano (1999), afirmam que a supervisão dos pais às tarefas dos filhos contribui diretamente com o progresso no desempenho escolar. Esta supervisão não significa fazer a tarefa pela criança ou dar a resposta correta. Quando isso ocorre, os pais reforçam positivamente o comportamento inadequado da criança (de sempre pedir e esperar pela resposta) e o comportamento dos pais é reforçado negativamente (por livrarem-se mais rapidamente da obrigação de ajudar os filhos na realização da tarefa). Tudo isso pode acarretar um aumento na freqüência dos comportamentos inadequados dos pais e dos filhos com relação ao estudo (Zagury, 2002; Soares, Souza & Marinho, 2004), o que, a longo prazo, pode trazer prejuízos ainda maiores.

c) Promoção de ambiente com recursos e instrumentos para o estudo
Um ambiente adequado para o estudo inclui um espaço físico arejado, iluminado, organizado e com pouco ruído. O ambiente apropriado somado com a disponibilidade de recursos materiais – como livros, dicionários e outros instrumentos acadêmicos – e o  
envolvimento dos pais pode favorecer o desenvolvimento acadêmico de uma criança (MARTURANO, 1999; HÜBNER, 2000; FEHRMANN, KEITH & REIMERS, 1987; entre outros).

d) Estabelecimento de interações positivas
O
s pais devem estabelecer condições que propiciem comportamentos relevantes para a educação de seus filhos. Para isso, os pais podem – e devem – incentivar, elogiar, encorajar e fornecer suporte aos filhos durante a execução da tarefa de casa, colaborando para o aumento do interesse e satisfação das crianças pelos estudos. Os elogios imediatos e contextuais relacionados às respostas da criança aumentam a probabilidade do comportamento de estudar.

Scarpelli, Costa e Souza (2006) ressaltam que a realização da tarefa é ainda uma boa oportunidade para demonstrar afeto e amor pelos filhos.

e) Exigência compatível com o desempenho da criança
É natural que os pais tenham expectativas quanto ao bom desempenho escolar do filho (Soares, Souza e Marinho, 2004). O problema é quando essa expectativa dos pais torna-se alta demais, gerando um grau elevado de frustração e um maior índice de desistência e de perda de interesse por parte da criança. É importante incentivar o filho, mas sem deixar que o anseio pelo bom desempenho traga prejuízos para a criança.

Infelizmente, muitos pais, ao invés de atentar para tais aspectos, estão mais atentos ao que
não deve ser feito e às punições pertinentes. Isso vai de encontro com o que afirma Sidman (1995): as ocasiões em que os pais mais interagem com seus filhos são os momentos de corrigir ou criticar. Muitas vezes, devido às reclamações da escola, os pais acabam acentuando o uso da punição em casa. Esse aumento no uso de conseqüências desagradáveis (broncas, sermões, castigos, humilhações, etc.) relacionadas à tarefa escolar tende a diminuir a freqüência desses comportamentos, reduzindo a probabilidade de ocorrência de comportamentos adequados em relação ao estudo.

Skinner (1953/1993) identifica lamentáveis subprodutos do uso da punição, tais como medo, ansiedade, culpa e falta de repertório socialmente adequado. Hübner e Marinotti (2000) ainda descrevem mais alguns alarmantes efeitos da utilização do sistema aversivo relacionados aos processos de aprendizagem: supressão de respostas (chamada popularmente de "branco" em provas e testes), respostas de fuga (desligar-se ou desistir), respostas de esquiva (procrastinação e lentidão) e baixo nível de autoconhecimento.

Além do uso da coerção pelos pais, crianças com dificuldades de aprendizagem cometem mais erros, e situações que geram erros são, também, punitivas (Matos, 1993). Dessa forma, o comportamento de estudar das crianças com dificuldades de aprendizagem pode ser freqüentemente punido não só pelos pais como pelo seu próprio desempenho, gerando uma diminuição na freqüência de respostas de estudar e um aumento na esquiva de situações de estudo por parte da criança. Como afirma Matos (1993), erros são aversivos e produzem paradas temporárias ou permanentes no comportamento.

Para que os filhos apresentem os comportamentos esperados pelos pais, o uso de coerção deve ser substituído pelo uso de reforçamento positivo (Silva e Marturano, 2002)
. Hübner (2002), através da sua experiência em atendimentos com pais de crianças que apresentam baixos desempenhos escolares, afirma que os pais que conseguiram mudar do

sistema aversivo para o sistema de reforçamento ou incentivo foram aqueles que obtiveram melhores resultados na evolução da vida escolar e satisfação de seus filhos.

O envolvimento dos pais com a vida acadêmica dos filhos, o estabelecimento de rotina, a reorganização do ambiente, o fornecimento de recursos e o uso de reforçamento positivo não são os únicos fatores que devem ser levados em consideração, quando se fala sobre uma criança com dificuldades de aprendizagem. As orientações do texto, se somadas com o acompanhamento de outras áreas, como a pedagógica, pessoal e social, certamente garantem uma considerável melhora no desempenho escolar dos filhos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FEHRMANN, P. G.; KEITH, T. Z.; REIMERS, T. M. Home influence on school learning: direct and indirect effects of parental involvement on high school grades. Journal of Educational Research, 80 (6), 330-337, 1987.

FERREIRA, M. C. T.; MARTURANO, E. M. Ambiente familiar e os problemas de comportamento apresentados por crianças com baixo desempenho escolar. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 15, n. 1. Porto Alegre, 2002.

FONSECA, V.
Introdução às dificuldades de aprendizagem. 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

HÜBNER, M. M. A importância da participação dos pais no desempenho escolar dos filhos: ajudando sem atrapalhar. BRANDÃO, Maria Zilah da Silva; CONTE, Fátima Cristina de Souza; e MEZZAROBA, Solange Maria Beggiato (orgs.). Comportamento humano: tudo (ou quase tudo) que você gostaria de saber para viver melhor. Santo André: ESETec Editores Associados, 2002.

HÜBNER, M. M. C.; MARINOTTI, M. Criança com problemas escolares. In: Estudos de caso em Psicologia comportamental infantil II. Campinas, SP: Papirus, 2000.

MACHADO, V. L. S. Dificuldades de aprendizagem e a relação interpessoal na prática pedagógica. Paidéia, Ribeirão Preto, v. 3, p. 16-37, 1993.

MARTURANO, E. M. Recursos no ambiente familiar e dificuldades de aprendizagem na escola. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 15, p. 135-142, 1999.

MATOS, M. A. Análises de contingências no aprender e no ensinar. In: ALENCAR, E. S. (Org). Novas contribuições da psicologia aos processos de ensino e aprendizagem
. 2.ed, p. 141-165. São Paulo: Cortez, 1993.

PERES, E. A. Problemas de interação social e dificuldade de leitura: o paradigma da equivalência aplicado a um caso clínico. Monografia (Especialização em Psicoterapia na Análise do comportamento). Universidade Estadual de Londrina. Londrina, 1999.

SAMPAIO, A. C. P.; SOUZA, S. R.; COSTA, C. E. Treinamento de mães no auxílio à execução da tarefa de casa. In: BRANDÃO, M. Z. S. et. al. (orgs). Sobre comportamento e cognição - entendendo a psicologia comportamental e cognitiva aos contextos da saúde, das organizações, das relações pais e filhos e das escolas.
Vol. 14. Santo André: ESETec Editores Associados, 2004.


SCARPELLI, P. B.; COSTA, C. E.; SOUZA, S. R. Treino de mães na interação com os filhos durante a realização da tarefa escolar. Estudos de Psicologia. Vol. 23, n. 1, p. 55-65. Campinas, SP: 2006 
SIDMAN, M. Coerção e suas implicações. Campinas: Editorial Psy II, 1995.

SILVA, A. T. B.; MARTURANO, E. M. Práticas educativas e problemas de comportamento: uma análise à luz das habilidades sociais. Estudos de Psicologia. Vol.7, n.2. Natal, 2002.

SKINNER, B. F. Ciência e comportamento humano. 8. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1993 (Texto original publicado em 1953).

SOARES, M. R. Z., SOUZA, S. R. de; e MARINHO, M. L. Envolvimento dos pais: incentivo à habilidade de estudo em crianças  . Estudos de Psicologia. Vol.21, n.3, p. 253-260. Campinas,  SP: 2004.

SOUZA, S. R.; GOYOS, A. C. N.; CAMPANER, E. C.; SILVA, F. A. M. Procedimento de construção de anagramas: treinamento em grupo de mães de crianças com dificuldades de aprendizagem. In: BRANDÃO, M. Z. S. et. al. (orgs). Sobre comportamento e cognição - entendendo a psicologia comportamental e cognitiva aos contextos da saúde, das organizações, das relações pais e filhos e das escolas. Vol. 14. Santo André: ESETec Editores Associados, 2004.

ZAGURY, T. Escola sem conflito: parceria com os pais. Rio de Janeiro: Record, 2000

Por Carina Paula Costelini

Estudos discutem relação entre curiosidade e aprendizagem

Trabalho em grupo e feedback são chave na educação infantil
Morgan Lane Photography/Shutterstock
 
Alguns pesquisadores veem a fonte natural da motivação humana na ampliação das próprias competências. Já que novas situações ocultam tanto chances quanto riscos, formaram-se ao longo da evolução dois sistemas de motivos antagonistas: curiosidade e medo. O psicólogo Clemens Trudewind, da Universidade de Bochum, Alemanha, estudou essa interação. Ele descobriu que crianças curiosas e destemidas resolvem problemas com mais eficácia do que as temerosas e passivas. No entanto, a curiosidade e o medo não são opostos: crianças muito medrosas e ao mesmo tempo curiosas também se revelaram boas solucionadoras de problemas no estudo de Trudewind. Motivos supostamente antagônicos, portanto, não obrigatoriamente se excluem. 



Para aumentar a motivação dos alunos, pedagogos geralmente tentam despertar seu interesse pelo objeto de aprendizagem. Porém, como o estudo educacional internacional TIMSS (Tire International Mathematics and Science Study), publicado em 2007, comprovou, os fatores “interesse” e “bom desempenho” não estão muito fortemente associados. Uma pessoa pode se interessar pelo céu estrelado, mas nem por isso querer estudar astronomia.

Como então podemos reforçar a motivação para o aprendizado na escola de forma mais efetiva? Segundo o pesquisador Albert Ziegler, da Universidade de Ulm, Alemanha, isso depende de três fatores: em primeiro lugar, os alunos devem se sentir no controle. Isso é possível, por exemplo, com uma “negociação” comum dos objetivos do aprendizado. Em segundo lugar, a competência de cada um deve ser reconhecida e valorizada. Para tanto, é importante que haja feedback positivo frequente. Em terceiro lugar, é fundamental a ligação social proporcionada pelo aprendizado − por exemplo, por meio de trabalhos em grupo
 

"Curtir" Trabalho dos Filhos vira Tarefa de Pais

 
Mãe de três filhos, Angela Allyn não costuma entrar no Facebook para publicar fotos. Ela prefere promover os trabalhos que seu filho Alec faz para cobrir os custos com o ciclismo, um de seus hobbies.
 
"Garoto adolescente disponível para trabalho duro, cuidar de crianças e serviços de limpeza. Me escrevam se estiverem interessados", é um comentário frequente dela.
 
Os Allyns são um exemplo do encontro entre a crescente economia informal de adolescentes americanos e pais proativos com uma vasta rede social de contatos
 
Com a crise na economia dos Estados Unidos, os adolescentes viram suas oportunidades mais frequentes (como trabalhos em lojas ou lanchonetes) sendo ocupadas por pessoas mais velhas e altamente qualificadas e acabam recorrendo a bicos.
 
E muitos pais aproveitam o Facebook, o LinkedIn e as salas de chat para divulgar as habilidades dos rebentos.
 
"Você se torna uma cafetina do próprio filho", brincou April Rudin, jornalista de Nova Jersey que tem promovido as diversas habilidades dos dois filhos, de limpar neve na calçada a ajudar em apresentações em Powerpoint.
 
Recorrer às ligações nas redes sociais é a estratégia ideal para aumentar o potencial de contato de trabalho desses sites, já que os adolescentes "vivem lá", afirma Nimish Thakkar, especialista em orientação profissional.
 
Segundo ele, muitos dos seus clientes estão usando as redes sociais para ajudar os filhos na busca por trabalho.
 
EXAGERO
 
sse auxílio, no entanto, gera algumas dúvidas sobre o quanto os pais devem ajudar sem exagerar no envolvimento e como proteger a segurança on-line dos filhos ao mesmo tempo em que divulgam suas atividades.Angela Allyn diz que divulga os trabalhos de Alec, 15, porque os contatos do filho nas redes sociais são, na maioria, gente da mesma idade, o que reduz as possibilidades de achar interessados
 
De acordo com ela, Alec não montou um site porque poderia ocorrer um aumento na demanda pelos serviços em momentos em que ele está sobrecarregado com os trabalhos da escola e as atividades extracurriculares.Angela diz ainda que os dois pesquisaram sobre os preços dos serviços, mas que cabe ao filho negociar.
 
"Eu não entro nas negociações."
 
"Uma coisa é ajudar as crianças a construir pontes, outra é ajudá-los a atravessá-las", afirma o psicólogo Michael Woodward.
 
Mas nem sempre as coisas funcionam assim. Rudin, jornalista, usou sua rede on-line para negociar os serviços dos filhos sem combinar com eles antes.
 
Ela prometeu que um deles limparia a neve na entrada da garagem da casa de um vizinho.
Quando o filho não apareceu, coube a ela a posição desconfortável de ter que se desculpar
 
Fonte: Folha