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“A criança tem que ter a experiência do risco, do machucadinho e da frustração.” Daniel Becker


O pediatra Daniel Becker é o criador da Pediatria Integral: um conceito de que a criança precisa ser vista de forma mais abrangente. Não é apenas tratar e prevenir doenças, mas cuidar do bem estar emocional, social e até espiritual da criança e da família. São 20 anos de experiência de consultório no Rio de Janeiro. Formado pela UFRJ, ele é especialista em Homeopatia e mestre em Saúde Pública. Médico do Instituto de Pediatria da UFRJ, ele foi pediatra da Médicos sem Fronteira em campos de refugiados na Ásia e fundador de uma ONG, o CEDAPS, Centro de Promoção da Saúde, com atuação em comunidades carentes.
Becker é um apaixonado pela profissão e conta que ao olhar sua trajetória se diz satisfeito pelas escolhas que fez. Ele é separado, pai de dois filhos, um menino de 17 anos, roqueiro, e uma menina de 20 anos, psicóloga. “Eles são muito bacanas. Tenho muito orgulho deles”, diz o médico. Com tantos compromissos, entre palestras e consultas, ele abriu gentilmente um espaço na agenda para responder às minhas perguntas.

1.Na sua palestra no Ted, você diz que um dos pecados contra a infância é a “entronização”. O que isso significa? Estamos colocando nossas crianças em um trono?

Brincadeiras que dialogam com diferentes aspectos da educação integral

Ensino-aprendizagem no território; monitoria entre os pares; participação da comunidade; letramento e cultura digital e experimentação são alguns fundamentos da educação integral.
Sabendo da importância do brincar para o processo de ensino-aprendizagem e para o desenvolvimento dos sujeitos em todas as suas dimensões, o Centro de Referências em Educação Integral elencou brincadeiras e atividades que dialogam diretamente com estes princípios.
Todas as brincadeiras têm por base ainda outros dois fundamentos da modalidade: a personalização, ou seja, atividades que têm como ponto de partida os interesses, desafios e contexto de cada criança, e as múltiplas interações, que visam identificar no território as oportunidades de promover o convívio e o diálogo entre crianças de diferentes gêneros, raças, classes sociais, territórios e habilidades. Confira:

 Ensino-aprendizagem no território

Conheça Catarina e seu canal: “A Menina que Indica Livros”!


Catarina tinha 8 anos recém feitos quando teve a ideia de criar vídeos com indicações de seus livros preferidos. Começou com algumas postagens em sua página pessoal do Facebook e, incentivada por seus pais, amigos e sua escola, criou um site, um canal no YouTube, uma página no Facebook e um Instagram para o projeto “A menina que indica livros”

Brincadeiras do tempo de pais e avós para serem compartilhadas com as crianças


Na era de videogame e outros jogos e brincadeiras tecnológicas, é comum constatar que brincadeiras do tempo de pais e avós têm caído no esquecimento.

No entanto, como aponta o estudo Brinquedos, brincadeiras e cantigas de roda: como brincavam nossos pais e avós, resgatar essa cultura é um rico exercício, pois possibilita às crianças conhecer e vivenciar novas experiências, além de uma reflexão empática de como brincavam as infâncias de outrora.

Criatividade, autonomia e mais 8 razões para deixar crianças sem fazer nada.



Imagem: iStock
Muitas crianças têm agendas tão cheias quanto as de CEOs (ok, só um pouco mais divertidas). Aula de natação, basquete, judô, inglês, dança... Dentro de casa, a coisa não é muito diferente e a criança é estimulada com atividades, tablet ou celular.
No entanto, a dinâmica que muitos adultos trazem do ambiente de trabalho -- que prevê produção contínua, resultados e competitividade -- não se aplica ao universo infantil. Segundo os especialistas, manter a criança ocupada o tempo todo não vai ajudá-la a crescer mais preparada. Ao contrário. Se ela não tiver um tempinho à toa, seja para brincar do que quiser, seja para apenas observar o formato das nuvens, pode estar perdendo a oportunidade de fazer diversas descobertas. Não é fácil ver seu filho de bobeira? Veja 10 motivos pelos quais deixá-lo sem fazer nada às vezes pode ser muito bom:

1. Estimula a criatividade

Se dermos um tempo livre para a criança, sem propor atividade alguma, veremos como ela é capaz de inventar suas próprias brincadeiras, brinquedos e histórias. Quando está muito ocupada ou tem alguém dirigindo suas ações, ela nem sempre consegue deixar a imaginação fluir.

2. Dá origem a boas memórias

Quando nos tornamos adultos, até nos lembramos de algumas atividades da rotina ou do que as pessoas ao nosso redor faziam. Mas a memória afetiva é recheada com os momentos de descontração e risadas, essas coisas que a gente só consegue curtir quando não tem a obrigação de cumprir tarefas o tempo todo.

3. Desenvolve a percepção corporal

Criança precisa de espaço e brincadeira livre para entender como funciona o próprio corpo, para subir no sofá, dançar, rolar pela grama… É muito bom deixar que o pequeno decida sobre seus movimentos. Claro que é preciso observar de perto, para intervir em caso de perigo.

4. Melhora a capacidade de resolver problemas

É superdifícil segurar a vontade de solucionar tudo pelo filho. Mas, sempre que possível, deixe-o encarar os desafios do caminho sozinho, da forma que ele achar melhor, sem interferir.

5. Aumenta a concentração

Quando a criança é hiperestimulada, além de ficar irritada, tem dificuldade para se concentrar em atividades como a leitura.

6. Permite processar e fixar o que é importante

Somos bombardeados de informações o tempo todo. Se a criança não tiver esse período de ócio, será difícil processar e absorver tudo o que aprendeu num único dia.

7. Favorece a autonomia

Como consequência, você estará criando alguém com mais autoconfiança. E isso é tão importante para o futuro quanto um curso intensivo de inglês.

8. Possibilita tomar decisões e pensar por si só

O que não significa que ele ficará independente e que deixará de ter vínculos com você… pode ficar tranquila!

9. Motiva a encarar os próprios medos

Quando a criança entende que é capaz de superar os desafios, que existe coragem dentro dela, se sente motivada a seguir em frente. Na vida adulta, ela provavelmente já estará familiarizada com essa sensação.

10. Faz com que os pais compreendam melhor o filho

Ao relaxar um pouco e observar o que seu filho faz no tempo livre, você tem a oportunidade de conhecê-lo melhor, de perceber as capacidades e limites dele. Será um novo momento para você também.

Fontes: Katia Chedid, educadora, pedagoga, psicopedagoga, gestora escolar, com extensão em Neuropsicologia. Roberto Cooper, médico pediatra pela UFRJ, mestre em saúde da família pela Universidade Estácio de Sá. Gabriel Limaverde, assessor pedagógico da área de Educação e Cultura da Infância do Instituto Alana.
Fonte: Uol

10 situações que parecem birra mas não são

Aqui estão 10 coisas que as crianças fazem que parecem birra mas não são. Quando reconhecemos os comportamentos indesejáveis ​​das crianças como reações às condições ambientais, às fases de desenvolvimento ou às nossas próprias ações, somos capazes de responder proativamente e com muito mais compaixão.
Source: katarinag/Shutterstock


1. Não controlar impulsos


Você diz ao seu filho, “Não jogue isso!” E ele joga de qualquer maneira? Pesquisas sugerem que as regiões cerebrais envolvidas no autocontrole não amadurecem completamente até o final da adolescência, o que explica por que o autocontrole em desenvolvimento é um “processo longo e lento” (Tarullo, Obradovic e Gunna, 2009, 31).
Uma pesquisa recente revelou que muitos pais supõe que as crianças podem fazer coisas mais cedo do que os peritos em desenvolvimento da infantil afirmam ser verdadeiros. Por exemplo, 56% dos pais acreditam que as crianças com menos de 3 anos devem ser capazes de resistir ao desejo de fazer algo proibido, enquanto a maioria das crianças não domina essa habilidade até os três anos e meio ou quatro anos (Zero to Three, 2016).
Quando nos lembramos que as crianças nem sempre conseguem gerir impulsos (porque os seus cérebros não estão totalmente desenvolvidos) podemos ter reações mais suaves ao seu comportamento.

2. Superestimulação


Escolinha, natação, balé, judô e o que mais tivermos dinheiro e tempo pra colocar nossos filhos. Será que isso tudo é mesmo necessário? Horários apertados, superestimulação e exaustão são marcas da vida familiar moderna. Kim John Payne, autor de Simplicity Parenting, argumenta que as crianças experimentam uma “reação de estresse acumulado”devido ao excesso de enriquecimento, atividade, escolha e brinquedos. Ele afirma que as crianças precisam de toneladas de “tempo de inatividade” para equilibrar o seu “tempo” (Payne, 2010). Quando nós construímos para que haja tempo inativo, hora de brincar e tempo de descanso, o comportamento das crianças melhora frequentemente visivelmente.

3. Reações a determinados fatores


Você já ficou irritado porque está com fome ou completamente sem paciência devido à privação de sono? As crianças são afetadas dez vezes mais quando estão cansadas, com fomesede, pelo excesso de açúcar ou doentes. A capacidade das crianças de controlar emoções e comportamento é muito diminuída quando estão cansadas. Muitos pais também notam uma mudança acentuada no comportamento das crianças cerca de uma hora antes das refeições, se elas acordaram durante a noite ou se estão com sono. Elas muitas vezes não conseguem se comunicar ou resolver sozinhas o problema pegando uma bolacha, um remédio pra dor ou até mesmo tomando água, como fazem os adultos.

4. Expressão de fortes sentimentos


Como adultos, fomos ensinados a domar e ocultar nossas fortes emoções. Mas crianças não podem fazer isso ainda. A educadora da primeira infância Janet Lansbury tem uma ótima frase para quando as crianças exibem sentimentos fortes, como gritar ou chorar. Ela sugere que os pais “deixem os sentimentos” não reagindo ou punindo as crianças quando expressam essas emoções.

5. Necessidade de toneladas de movimento


“Pare de perseguir seu irmão em volta da mesa!” “Pare de lutar com espadas com esses pedaços de papelão!” “Pare de pular do sofá!” As crianças têm uma necessidade de toneladas de movimento. Elas têm uma tremenda necessidade de passar o tempo fora de casa, andar de bicicleta e patinete, correr e cair, rastejar sob as coisas, balançar de coisas, saltar coisas e correr em torno de coisas. Em vez de pedir que parem quando eles estão cheias de energia, pode ser melhor organizar uma ida rápida ao parquinho ou passar um tempo na rua.

6. Necessidade de tornar-se independente


O modelo de Erik Erikson (1963) afirma que as crianças tentam fazer as coisas por si mesmas, e que os pré-escolares tomam a iniciativa e executam seus próprios planos. Mesmo que seja irritante quando uma criança escolhe tomates que ainda estão verdes, corta seu próprio cabelo, ou faz uma cabaninha com 8 lençóis limpinhos, eles estão fazendo exatamente o que eles deveriam fazer: tentando realizar seus próprios planos, por conta própria, tomando suas próprias decisões e tornando-se independente.

7. O outro lado de suas forças


Todos nós temos forças essenciais que também podem nos desviar. Talvez estejamos incrivelmente concentrados, mas não podemos fazer a transição com muita facilidade. Talvez sejamos intuitivos e sensíveis, mas assumimos o humor negativo de outras pessoas como uma esponja. As crianças são semelhantes: elas podem ser conduzidas na escola, mas têm dificuldade em lidar quando se confundem (por exemplo, gritando quando cometem um erro). Elas podem ser cautelosos e seguros, mas resistentes a novas atividades (por exemplo, recusando-se a ir à prática de um novo esporte). Elas podem viver no momento, mas não são organizadas (por exemplo, deixando o chão do quarto ficar coberto com brinquedos). Reconhecer quando os comportamentos indesejáveis de uma criança são realmente o outro lado de suas forças – assim como o nosso – pode nos ajudar a reagir com mais compreensão.

8. Necessidade feroz brincar


Seu filho pinta o rosto com iogurte, quer que você corra atrás dele quando está tentando escovar osdentes, ou coloca os seus sapatos, em vez dos dele, quando estão atrasados para a escolinha? Alguns dos comportamentos aparentemente “maus” dos filhos são o que John Gottman chama de “táticas” para você brincar com eles. As crianças adoram ser pestinhas. Elas se deliciam com a conexão que vem do riso compartilhado e amam os elementos de novidade, surpresa e emoção. A brincadeira muitas vezes leva tempo extra e, portanto, atrapalha agendas e compromissos, o que pode parecer resistência e desobediência mesmo quando não é. Mas quando os pais entendem e atendem essa necessidade das crianças fica mais fácil evitar brincadeiras fora de hora.

9. Reação ao humor dos pais


Vários estudos sobre o contágio emocional descobriram que leva apenas milissegundos para que emoções como entusiasmo e alegria, bem como tristeza, medo e raiva, passem de pessoa para pessoa, e isso geralmente ocorre sem que ninguém perceba (Goleman, 1991), Hatfield et al., 2014). Com as crianças não é diferente, elas são diretamente influenciadas pelo humor dos seus pais. Se eles são estressados, distraídos, para baixo, frustrados, os pequenos absorvem estes humores. E o mesmo acontece quando  são alegres, de bem com a vida.

10. Resposta a limites inconsistentes

 

Hoje você dá um chocolate pro seu filho antes do jantar. No dia seguinte você diz: “não, vai arruinar seu jantar” e ele grita e lamenta. Uma noite você lê cinco livros, mas na próxima você insiste que só tem tempo para ler um, e eles imploram por mais. Quando os pais são incoerentes com os limites, isso naturalmente desencadeia a frustração das crianças e convida a choramingar e gritar. Assim como os adultos, as crianças querem (e precisam)saber o que esperar. Esforce-se para que em sua casa haja limites e rotinas, isso vai melhorar o comportamento das crianças.
Fonte: Psychology Today   |   Tradução e adaptação: Redação Papo de Pai

#Presentesqueficam: descubra o poder do ócio na vida das crianças

"De uma perspectiva criativa, uma das coisas mais importantes que podemos dar a uma criança é o nada"
Este depoimento aparece em "O Começo da Vida", documentário de Estela Renner sobre as diferentes formas de cuidar do período que chamamos de primeira infância, vai desde a gestação até os cinco anos. É o relato de um pai sobre o que costuma fazer com seus filhos: permitir que inventem algo com o que estiver ao redor. Mas afinal, o que isso quer dizer?
Por mais paradoxal que possa parecer, o nada é muita coisa. É o ócio, o tempo livre, o vazio, o silêncio. E é sobre ele que vamos falar em mais esta matéria da campanha #Presentesqueficam, que o Catraquinha preparou para comemorar o mês das crianças longe do consumo - clique aqui para ler as que foram publicadas.
'Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo'
Guimarães Rosa diz isso no livro "Grande Sertão: Veredas", e faz pensar sobre o valor do 'nada' como elemento de contemplação e entendimento do mundo. Assim como os adultos, as crianças também recebem cada vez mais estímulos e informações a todo momento; com isso, elas ficam expostas a situações em que devem desempenhar algum papel. Ao contrário, os momentos livres de qualquer aprendizado ou finalidade são cada vez mais raros.
Por isso, ao apresentar aos pequenos mais opções de atividades do que elas podem absorver, acabamos privando sua liberdade de ser.
No filme de Estela, quando o entrevistado diz que "a melhor coisa que podemos dar a uma criança é o nada", ele se refere especificamente aos momentos de brincadeira. Ele explica que quando uma criança recebe um brinquedo pronto, que anda, pula, canta e faz coisas impressionantes, ela automaticamente entende que seu papel ali é de espectadora passiva: o brinquedo faz tudo por ela. Porém, crianças têm necessidades cognitivas de descobrir, explorar e tatear com as próprias mãos aquilo que não conhecem.
Não por acaso, muitos pais relatam: 'meu filho brinca mais com a caixa do que com o próprio presente'. E aí chegamos à questão: o que é um presente?
Ao oferecer alguma coisa às crianças, é fácil desconsiderar suas necessidades mais básicas. Mais do que encher os pequenos de mais estímulos e informações além dos que eles já recebem do mundo, por que não oferecer momentos de silêncio, experiências afetivas, memórias?
Brincar x Consumir
Dissociar a brincadeira do consumo é mais difícil do que parece; em um sistema capitalista, o conceito de experiência está diretamente ligado ao ato de consumir. Para Gabriela Romeu, jornalista, pesquisadora e idealizadora do "Infâncias" (clique aqui para ler a matéria do Catraquinha sobre o projeto), mais do que tentar ignorar essa realidade com a qual a criança terá contato mais cedo ou mais tarde, o importante é atribuir valores ao que consumimos para que aquilo se torne uma experiência.
“Vivemos em uma sociedade de consumo, e consumir não é errado, desde que ele seja significado. A nossa sociedade acredita que a criança precisa do brinquedo pronto, e existe toda uma indústria em torno disso, quando na verdade o que ela precisa é de tempo e espaço: o resto ela inventa", explica.
Para Gabriela, o consumo tira a possibilidade de a criança vivenciar a infância, já que esvazia experiências de descobertas que ela só teria caso fosse exposta a momentos de brincadeira livre, espaço e tempo de explorar o mundo, seu corpo e suas sensações por si própria.
Nesse sentido, há mais uma questão a ser levada em conta: o acesso ao tempo. A realidade de muitas famílias, que trabalham o dia todo para garantir o sustento dos filhos, nem sempre permite que esse 'tempo e espaço' possa ser colocado em prática.
Da mesma forma, nos ambientes de ensino, a lógica do desempenho e do aprender escolarizado não proporciona esses 'espaços em branco' de que estamos falando, tão necessários para a criança ser em liberdade. O caminho para isso é 'conquistar' o tempo, mesmo que seja um pouco por dia: pode ser um olho no olho entre pai e filho antes de dormir, um passeio ao ar livre sem rumo certo, deitar na grama, aproveitar a companhia um do outro em silêncio: enfim, fazer 'nada'.
O tempo com as crianças não precisa ser preenchido com atividades. "Fazer nada" junto também pode fortalecer os vínculos familiares.
Segundo a educadora Adriana Friedmann, diretora do Mapa da Infância Brasileira (MIB), quanto mais nos deixarmos levar pela dinâmica da produtividade a qualquer custo, mais o consumo ganha força. “A questão do consumo, principalmente em grandes cidades, tem muito a ver com a ausência dos pais. O ‘querer ter’ está relacionado à falta que a criança sente. Ela pede um brinquedo, mas o que está querendo é presença”, defende.
'Nada' de presente!
O assunto é tão urgente que tem até livro ilustrado infantil sobre o assunto. Para fazer uma brincadeira com a própria palavra 'nada', o livro "Nada de Presente", da editora Girafinha, conta a história de dois camaradas: o cachorro Earl e o gato Mooch, que quer dar um presente de aniversário para o seu melhor amigo. Mas o que pode querer um cachorro além de uma cama confortável, carinho dos donos e um osso para roer? Pelo jeito, ele já tem tudo. Então, o gato resolve presentear o amigo com a única coisa que ele não tem: o nada".
"Em um mundo com tantas coisas, onde eu vou encontrar o nada?", reflete o personagem.
E aí começa a confusão. Sem saber onde encontrar o seu presente ideal, o gato começa a observar o que as pessoas dizem sobre o tal 'nada'. O dono sempre liga a TV e reclama "não tem nada passando na TV", mas quando vai procurar, encontra muita coisa. Nada feito! Decepcionado, ele continua procurando. Um certo dia, a dona chega em casa e diz "nada no shopping". Ele vai até lá e só encontra muitas e muitas coisas. E assim vai: uma jornada em busca do nada, mas que só esbarra em tudo.
"Você não precisa me dar nada!", disse o cachorro quando viu o presente do amigo. "Mas como você sabia?", respondeu o gato. O livro brinca com o conceito de 'nada' e 'tudo' para discutir consumo e o valor que damos à experiência.[/img]
A partir desse enredo aparentemente banal, o autor Patrick Macdonnel faz uma profunda reflexão filosófica sobre a carga de estímulos e informações que recebemos a todo instante, o que faz com que o nada seja um verdadeiro artigo de luxo. Pode ser um momento de silêncio, a tranquilidade, uma tarde livre de obrigações, uma noite estrelada, a calma de poder deixar o 'tudo' para amanhã, a companhia do melhor amigo. Coisas difíceis de conseguir na sociedade que considera tempo sinônimo de dinheiro.
Como poupar as crianças dessa lógica cruel? Para a professora italiana Chiara Spaggiari, o caminho é mais simples do que parece: o mínimo de interferência dos adultos  para o máximo de liberdade se ser criança. "A criança precisa ser deixada livre para observar, escolher, se aproximar e se afastar, e experimentar o mundo de diversos modos".
Em depoimento no filme "O Começo da Vida", ela explica que um adulto, quando está diante de uma criança, tende a estabelecer uma hierarquia com as crianças, levando a crer que ele é o responsável por ensinar tudo a ela. "A criança não é um recipiente que enchemos com nossos saberes. As crianças aprendem e co-constroem o seu saber junto dos adultos. E o saber não passa só do adulto para a crianças, mas principalmente de uma criança para outra criança".
Fonte: Catraquinha

Daniel Becker: "Experimentar o tédio é um dos melhores presentes que podemos oferecer aos nossos filhos"

O pediatra Daniel Becker faz yoga com a família em casa para fugir da loucura do dia a dia. Morando no Rio de Janeiro, seu meio de transporte é uma bicicleta. O inventor da “pediatria integral” é daqueles que se esforçam para manter a “mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”. Ele defende o que a primeira vista pode parecer estranho: precisamos deixar nossas crianças sentirem tédio e isto não tem nada de absurdo. Mais uma vez no blog, pra mim é sempre uma honra entrevistá-lo:
1. Por que deixar a criança ficar sem fazer nada é importante?
Experimentar o tédio é um dos melhores presentes que podemos oferecer aos nossos filhos. É claro que eu não estou falando para deixar a criança entediada o dia todo! Mas bombardeá-la com atividades e impedir que ela fique sem fazer nada é prejudicar uma parte essencial do desenvolvimento, da personalidade e da emocionalidade da criança. Este tédio é importante para ela aprender a conviver consigo mesma, ser uma boa companhia pra si mesma. Como ela vai conhecer a si própria se fica o tempo todo distraída? É também crucial pra desenvolver a capacidade de auto-estimulação, porque ela vai ter que sair da passividade e ser pró-ativa.
2. Você considera então que sentir tédio ajuda na motivação?
Uma criança motivada ela vai procurar novas experiências, mas uma criança ocupada o tempo todo não precisa. A criança entediada vai ter que criar alguma coisa pra fazer. Ela vai ter que sair do script que lhe é imposto nas brincadeiras, geralmente pelo pai ou pela mãe, sair do joguinho do tablet e criar sua própria atividade. Muita gente se queixa que o filho não é curioso o bastante. Experimente deixá-lo realmente à toa. E leve-o para fora de casa. Depois de um tempo, ele vai começar a mexer nas folhas, procurar pedrinhas, buscar coisas que o motivem. Uma criança que já está muito tempo mergulhada no mundo virtual, ela vai levar mais tempo pra sair desse amortecimento mental criado pelos eletrônicos.
3. Há estudos que provam que o ócio, mesmo infantil, pode ser criativo?
Sim, há estudos mostrando que brincadeiras de baixa intensidade (“low-key activities”), como brincar de ver a folhinha sendo levada pela água da chuva por exemplo, é muito importante para o funcionamento e bem estar mental. Em adultos, um estudo provou que se engajar em atividades que não demandam esforço mental, faz a mente criativa funcionar melhor e pode gerar ideias, solucionar problemas. Um ditado antigo diz que "mente ociosa é oficina do diabo". Eu prefiro dizer que a mente ociosa é uma oficina da imaginação. E já dizia Einstein que a imaginação é mais importante do que a ciência, porque toda grande descoberta científica vem precedida por uma imaginação sobre a questão em si. 
4. Muita gente confunde o brincar com jogos cheio de regras e limites para não se sujar, não fazer isto ou aquilo. O que deve ser realmente o brincar para a criança?
Não há dúvida que certas atividades estruturadas são importantes, o esporte, interação com os pais, aula na escola, tudo isto é importante. Mas o livre brincar também. Acostumar uma criança a se divertir ao ar livre desde cedo é fundamental, bem como brincar sem a participação do adulto. A criança não aprende apenas interagindo com o adulto, ela é capaz de aprender também sozinha. Os países mais avançados do mundo estão deixando mais tempo livre de recreio, invertendo o que acontece nos Estados Unidos e Brasil onde o recreio está sendo substituído por intervalos. Tem escola no Rio de Janeiro que proíbe criança de correr no recreio e elas ficam sentadas no meio-fio trocando whatsapp! O livre brincar permite que a criança explore o mundo, desenvolva habilidades físicas, a coordenação motora, crie empatia, desenvolva a coragem de enfrentar os pequenos desafios, de avaliar os riscos: “será que eu avanço mais um degrau neste trepa-trepa?”.
5. Sobre pais que estão sempre na retaguarda dos filhos: este excesso, mesmo bem intencionado, é ruim? 
Quando eu falo de pais interagindo, não é ficar brincando junto o tempo todo. A criança precisa de tempo sem pai e sem mãe cercando. A interação envolve acordar, dar bom dia, ajudar a escovar o dente, conversar no carro, colocar para dormir, fazer refeição juntos, caminhar até a escola, observar com ela o caminho. Além disso, a criança precisa experimentar frustração. Precisamos dos pequenos erros na infância para lidar com os grandes erros da vida adulta. Pais que não deixam a criança se ralar, por exemplo. A criança que rala o joelho vai ver que a dor aguda vai embora, que o antiséptico arde mas passa, que no outro dia vai aparecer uma casquinha e em alguns dias a pele volta ao normal. Olha quanto aprendizado biológico e emocional por causa de um machucadinho? A dor de ser superprotegido é muito maior. 
6. A gente usa eletrônicos para distrair os filhos porque tem hora que bate o desespero de entretê-los quando estamos ocupados. Como administrar isso?
É usado e dever ser. Os aparelhos digitais são parte importante da vida moderna e podem servir como “babá” eventualmente. Mas a vida não pode acontecer só nestes aparelhos - o mundo real também conta. O problema não é só colocar a criança no tablet para comer ou resolver questão de trabalho. É usar o tempo todo. O aparelho como distração não tem nenhum problema em alguns momentos do dia, alternando momentos de total atenção. Se você deixa 15 minutos no tablet e interage 45 minutos, ok. E se você precisa de mais tempo, por que não fazer o filho interagir com os carrinhos, castelos e bonecos, que é muito mais saudável? Antigamente as crianças brincavam com os seus brinquedos. É só dizer: o tablet quebrou, agora não tem tablet, não sei onde está, vai brincar com os seus brinquedos, vai desenhar. 
7. Como criar filhos mais conectados com o mundo real?
Precisamos ter uma visão muito consciente sobre a nossa atitude com relação aos eletrônicos quando a gente está com nossos filhos e na verdade não está. As crianças estão crescendo sem o olhar dos pais, que está mais no celular do que nelas. E elas percebem isso. É preciso escolher momentos de “não-tela”, de desligamento, de estar integralmente com a criança: em família, em refeições, em passeios. A gente reclama que o filho não sai do tablet, a filha não sai do celular. Mas nós respondemos email no banheiro, nós acordamos de noite verificando mensagem, nós dormimos com o celular na mão. Restringir o uso de telas pelas crianças - que é importantíssimo - tem que vir acompanhado de uma mudança de atitude da nossa relação com eletrônicos. Enxergar de verdade a filha que diz “olha papai, eu vou pular daqui e dar uma cambalhota”, em vez de ficar com meio olho nela e um olho e meio no celular. Esta é a real interação amorosa que temos que trazer pra dentro de nossas famílias.

Pensamento mágico: o que acontece com o cérebro quando brincamos?

"A imaginação é a verdade da criança. Para alcançarmos a criança, devemos compreender que a imaginação é um mundo", defendeu o pesquisador de cultura da infância Gandhy Piorski em uma entrevista concedida ao Catraquinha. É durante o brincar que os pequenos dão corda nessa imaginação e, segundo o especialista, constroem a sua psiquê. Mas afinal, como a brincadeira atua no desenvolvimento neurológico? O que acontece com o cérebro da criança enquanto ela brinca?
O nosso parceiro Tempojunto entrevistou a pediatra Ana Escobar - doutora pelo departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da USP - sobre o assunto. Afinal, os benefícios do ato de brincar para a criança não são só sociais, culturais e cognitivos, são também físicos.
Créditos: iStock

Brincando sozinho ou junto, a criança desenvolve a imaginação 
e constrói as capacidades cognitivas que vão acompanhá-la até a vida adulta
"Brincar desenvolve todo o sistema neurológico de forma absoluta, e desenvolve também uma das coisas mais importantes que a gente tem, que é a imaginação. É ela quem nos dá as possibilidades e potencialidades de seguir novos caminhos na vida adulta, e isso começa na infância, com as brincadeiras e o pensamento mágico", explica a médica.
A doutora explica que enquanto brinca, a criança - ou mesmo o adulto - estimulam as sinapses, que é a comunicação entre os neurônios, estimuladas por atividades externas que os pais podem fazer com os pequenos desde a primeiríssima infância.
Créditos: iStock
Quando falamos do desenvolvimento neural da criança, as sinapses, 
ou a comunicação entre os neurônios, são estimuladas pelas atividades 
que os pais ou cuidadores fazem com as crianças desde recém-nascidos.
"Do ponto de vista da saúde, brincar é que permite que os neurônios se conectem. Isso se chama neuroplasticidade, quanto mais conectados estiverem os neurônios, melhor para as capacidades cognitivas de cada um", comenta.
Assista abaixo à entrevista na íntegra e leia o post completo do Tempojunto aqui.

Brincadeiras e jogos aproximam crianças da matemática



Alguns leitores me pediram sugestões de materiais –jogos, livros etc.– para interagir matematicamente com os filhos e melhorar sua receptividade à matemática. Mencionarei alguns exemplos que eu mesmo testei, mas há muitas opções na internet, tanto comerciais quanto de custo zero. A grande vantagem de muitas brincadeiras lógico-matemáticas é que o material pode ser facilmente produzido em casa. E isso é parte da diversão: mais importante do que o jogo em si, é a participação dos pais, apresentando a matemática de forma descontraída, como uma brincadeira em que todos se divertem.

Uma colega me contou do jogo dos dedos, brincadeira tradicional japonesa que usa apenas as mãos e pode ser feita em qualquer lugar, com dois ou mais jogadores. Testei com os meus filhos (7 e 10 anos) e foi um sucesso! Os dois agora pedem para jogar na sala, no carro, até na cama, na hora de dormir. O mais velho já ensinou os colegas da escola a jogar: está adorando ser o especialista do pedaço!

Depois de se decidir quem começa, os jogadores apresentam as mãos com os dedos indicadores esticados e os demais dobrados. O primeiro a agir toca com uma das mãos uma mão do adversário. A mão tocada passa a exibir a soma dos dedos dessas mãos dos jogadores (se o jogador A usar uma mão com dois dedos esticados para tocar uma mão de B com um dedo esticado, B passa a esticar três dedos). Ao chegar a cinco dedos esticados, a mão "morre" e sai do jogo. Ganha o último jogador com alguma mão "viva". Há variações das regras que tornam o jogo ainda mais divertido.

Já o wali é originário da África Ocidental e popular em diferentes regiões do continente. É jogado com uma espécie de tabuleiro, um pedaço de madeira com 12 cavidades escavadas e 48 pedrinhas. O tabuleiro pode ser substituído por uma dúzia de copinhos ou até por covinhas na areia. Em vez de pedrinhas, podem-se usar bolas de gude, feijões, moedas etc. Comprei meu wali de um artesão no Senegal. No lugar de pedras, ele pôs castanhas de uma árvore local, que catou na hora no chão do galinheiro: até hoje o tabuleiro tem um leve aroma inconfundível...

Com dois jogadores, o jogo começa com quatro pedrinhas em cada buraco. A partir daí, alternadamente, cada um escolhe uma cavidade, pega as pedras contidas nela e as distribui uma a uma, nos buracos seguintes, em sentido anti-horário. Se ao colocar a última pedrinha a respectiva cavidade ficar com duas ou três, o jogador deve retirá-las do jogo. Ganha quem retirar mais pedrinhas. O jogo muda de nome dependendo do país.

A torre de Hanói é uma base com três pinos, em torno dos quais estão colocados quatro ou mais discos perfurados, de tamanhos diferentes, que crescem do topo até a base. O objetivo é deslocar todos os discos para outro pino: só pode ser movido um disco por vez; não é permitido pôr um disco maior sobre outro menor.

Com quatro discos, o jogo é acessível a crianças pequenas, a partir de 3 anos. Quanto mais discos, mais complicado. Mas sempre tem solução: pode provar-se matematicamente que com 'n' discos a transferência de todos os pinos pode ser feita em 2n-1 movimentos. É um belo exercício buscar o método de solução.

A torre de Hanói foi criada pelo matemático francês Édouard Lucas (1842-1941). Ele teria se inspirado em uma lenda sobre um templo na Índia (ou China, ou Tailândia, ou Hanói –antigo nome da capital do Vietnã) onde existiriam três postes rodeados por 64 discos de ouro de tamanhos diferentes. A cada dia, os monges transferiam um disco para outro poste, segundo as regras enunciadas anteriormente. E quando finalizassem a tarefa o mundo acabaria!

Não há razão para preocupações no curto prazo: de acordo com a fórmula no parágrafo anterior, a tarefa dos monges demoraria ao menos
264-1 (ou 18.446.744.073.709.551.615) dias, ou pouco mais de 50 quatrilhões de anos. Como a idade atual do Universo, desde o Big Bang, não chega a 14 bilhões de anos, há tempo para terminarmos a maioria das tarefas pendentes...


O livro "Mágicas com Papel, Geometria e Outros Mistérios" dos professores Pedro Malagutti e João Carlos Sampaio, da editora da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), está recheado de belos truques, paradoxos, desafios e mágicas, que proporcionam descobertas surpreendentes em aritmética e geometria.

Outra opção que estará disponível em breve, gratuitamente, é o aplicativo do Biênio da Matemática Brasil para dispositivos móveis: terá um problema por dia, com grau de dificuldade escolhido pelo usuário. Enquanto esperamos, nos Facebooks do Biênio da Matemática e do Impa já há desafios lógico-matemáticos, propostos inclusive pela mascote Aramat.

Este aqui a Aramat pegou no site da Obmep (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas): João possui 30 barras de chocolate com os seguintes pesos: 2, 3 ou 4 quilos. A soma dos pesos das barras é 100 quilos. João possui mais barras de 2 quilos ou de 4 quilos?

Fonte: Folha

Fotos de crianças de todo o mundo com seus bens mais valiosos

Ao longo de um período de 18 meses, o fotógrafo italiano Gabriele Galimberti realizou o projeto Toy Stories, que  compila fotos de crianças de todo o mundo com suas grandes posse, seus brinquedos. Galimberti explora a universalidade da criança em meio à diversidade dos cantos incontáveis ​​do mundo.

Galimberti descobriu que as crianças nos países mais ricos eram mais possessivas com seus brinquedos, o que levou tempo antes das crianças permitirem que ele brincasse (que é o que ele iria fazer antes de organizar os brinquedos), enquanto que nos países mais pobres, ele achou muito mais fácil e rápido a interação, mesmo se houvesse apenas dois ou três brinquedos entre eles.

Alessia – Castiglion Fiorentino, Italy

Watcharapom – Bangkok, Thailand

Tangawizi – Keekorok, Kenya
 

Stella – Montecchio, Italy

Shaira – Mumbai, India

Pavel – Kiev, Ukraine

Orly-Brownsville,Texas

Norden – Massa, Morocco

Keynor – Cahuita, Costa Rica

Julia – Tirana, Albania

Cun Zi Yi – Chongqing, China

Chiwa – Mchinji, Malawi

Botlhe – Maun, Botswana

Bethsaida – Port au Prince, Haiti

Arafa & Aisha – Bububu, Zanzibar