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Alunos do ITA criam aplicativos para ajudar crianças que sofrem de dislexia

Falta de opções em português motivou desafio com alunos de computação.
Jogos educativos ajudam disléxicos a superar obstáculos de aprendizagem
 
No sentido horário, os aplicativos Aramumo, Arqueiro Defensor e Mimosa e o Reino das Cores
(Foto: Reprodução)
 
Um grupo de estudantes do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) participou de um desafio para criar os primeiros aplicativos em língua portuguesa para crianças e jovens com dislexia. Entre abril e setembro deste ano, eles desenvolveram três jogos educativos para smartphones e tablets destinados a ajudar quem tem dificuldade de relacionar o reconhecimento e interpretação dos sons às palavras e sílabas, ordenar e escrever corretamente as letras, além de memorizar sons e sílabas e estimular a coordenação motora. Os jogos são gratuitos e funcionam em aparelhos com sistema operacional Android.
 
O desafio foi idealizado pelo Instituto ABCD, organização não-governamental que mantém programas para pessoas com dislexia e outros transtornos de aprendizagem, como a discalculia (dificuldade em reconhecer e lidar com as diferentes formas de representação numérica). A premiação dos grupos participantes foi feita na quarta-feira (10), em São Paulo, como parte das atividades da Semana de Dislexia, realizada entre os dias 8 e 14 de outubro.
 
De acordo com a diretora-presidente do instituto, Mônica Cristina Andrade Weinstein, o desafio "surgiu da constatação de que existem pouquíssimos recursos de tecnologia em língua portuguesa para quem tem dislexia".
 
Ela afirmou que, em vez de contratar uma empresa para desenvolver aplicativos, o instituto preferiu envolver estudantes para "levar a questão da dislexia para outras áreas", e também porque são os alunos de computação de hoje que poderão desenvolver novas tecnologias para uso social no futuro.
 
Na primeira edição do desafio, a única instituição participante foi o ITA, por meio do ITAbits, grupo criado para incentivar a participação dos alunos em competições desse tipo. O sucesso da iniciativa fez com que o Instituto ABCD já começasse a planejar uma segunda edição, aberta a outras instituições.
 
"Os alunos são super jovens e brilhantes, são alunos com muita facilidade na aprendizagem que aceitaram ajudar alunos com dificuldade de aprendizagem", afirmou Mônica. Todos os nove estudantes que apresentaram aplicativos atualmente cursam o segundo ano de engenharia da computação no ITA.
 
Eric Gomes Muxagata Conrado, de 19 anos, faz parte do trio que venceu o desafio, junto com os colegas Marcio Araujo de Paiva Filho e Victor Gonçalves Elias. Como prêmio, os três ganharam uma viagem aos Estados Unidos para conhecer o Massachussetts Institute of Techonology (MIT) e iniciativas que estimulam a criação de programas de computador com alguma ênfase social.
 
Ele afirmou que esse é o seu primeiro grande desafio e que a ideia de elaborar um projeto destinado a pessoas com dificuldade de aprendizagem mudou sua visão sobre a carreira que escolheu. "Não tinha muito interesse nisso antes de estudar e ver o quanto é fácil usar os conhecimentos que a gente adquire na faculdade para ajudar as pessoas", explicou.
 
Diversão e aprendizado O aplicativo vencedor, Aramumo, traz um jogo de palavras-cruzadas, porém usando sílabas. Desenvolvido em dois meses, ele tem atualmente cinco níveis de dificuldade, mas Eric garante que o grupo vai continuar trabalhando para ampliá-lo. "O aplicativo fala a palavra e o usuário tenta montar a palavra com as sílabas. A pontuação é feita de acordo com o tempo que o jogador leva para acertar todas as palavras", diz.
 
Os outros dois aplicativos ficaram empatados em segundo lugar, e seus criadores receberam, como prêmio, a participação no Fórum Mundial de Empreendedorismo Social, no Rio de Janeiro. Arqueiro Defensor é o nome de um deles. Criado por Camila Matias Morais e Samuel Flavio Barroso Sousa, com a participação de Victor Gonçalves Elias, o jogo segue o estilo do aplicativo Angry Birds: o usuário deve usar a tela sensível a toque para atirar flechas e, ao acertar pássaros, uma palavra é ouvida e deve ser digitada.
 
"A gente queria algo que focasse o aluno, para que ele continuasse insistindo. Como o público tem dificuldade de aprendizagem, quisemos mexer com todos os sentidos dele", disse Camila, de 21 anos. "A ideia era unir uma coisa divertida ao aprendizado, e que o jogador não ficasse desmotivado", contou Samuel, de 20 anos. Segundo Camila, o jogo já está disponível para aplicativos Android de forma gratuita e pode ser usado por falantes de língua portuguesa de todas as partes do mundo.
 
Marcelo Florêncio Sobral, de 23 anos, desenvolveu o aplicativo Mimosa e o Reino das Cores com Gabriel Mendes Oliveira Lima e Rodrigo Rolim Ferreira. Ele conta que, no início do jogo, o vilão da história rouba as cores do mundo, e cabe ao jogador devolver as cores.
"Mas, para isso, ele precisa nomear cada objeto do cenário", explicou.
 
Colher, faca, guardanapo, limonada são algumas das palavras que o usuário deve escrever. Cada desafio tem uma abordagem, desde a escolha entre três opções até o preenchimento da letra que falta para completar o nome. O próximo passo do grupo é colocar o aplicativo no ar, na loja da Android, para smartphones e tablets.
 
Fonte: G1

Aumentar espaço entre as letras ajuda disléxicos a ler, diz estudo

A descoberta facilita o processo de leitura em pessoas com dislexia, sem a necessidade de tratamentos convencionais


Dislexia: separar mais as letras não só aumenta a velocidade de leitura das
crianças disléxicas, como também beneficia especialmente os casos mais graves
(Thinkstock)
Pessoas com dislexia podem ler melhor e mais rápido quando há uma separação maior entre as letras de uma palavra: cientistas chegaram a essa conclusão em estudo publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

O trabalho foi realizado por cientistas europeus com 54 crianças italianas e quarenta francesas, todas com dislexia e idades entre 8 e 14 anos. Ao aumentar o espaço entre as letras, os autores perceberam que a precisão dessas crianças para decifrar palavras dobrou e a velocidade de leitura foi aumentada em 20%.

"Nossos resultados proporcionam um método prático para melhorar a leitura dos disléxicos sem necessidade de treinamento especial", disse Marco Zorzi, autor principal do estudo e pesquisador do Departamento de Psicologia da Universidade de Pádua (Itália).

Os cientistas acreditam que com um espaço maior, o causador da dificuldade de leitura, a "aglomeração" das letras, é suavizado.

Experimento — Durante o estudo, foram mostradas 24 frases curtas aos participantes, que tinham que lê-las em duas versões: uma com o texto apresentado com o espaço usual entre letras e outra com uma maior separação entre as letras. O experimento consistiu em comparar a velocidade e facilidade da leitura das crianças participantes nos dois modelos usados.

O texto normal foi escrito com corpo de letra de 14 pontos. Na outra versão, o espaço entre foi aumentado em 2,5 pontos (um ponto corresponde a 0,353 milímetros). Por exemplo, o espaço entre as letras I e L que formam a palavra italiana 'il' (que significa ele) passou de 2,7 pontos para 5,2 pontos.

Os cientistas se mostram entusiasmados com os resultados porque perceberam que separar mais as letras não só aumenta a velocidade de leitura das crianças disléxicas, mas beneficia especialmente os casos mais graves de dislexia.

De acordo com os autores, provenientes de universidades e institutos de pesquisa da França e da Itália, o aumento do espaço entre as letras não tem efeito em crianças sem dislexia.

Como diagnosticar e tratar a dislexia — Maria Ângela Nogueira Nico, fonoaudióloga e psicopedagoga da Associação Brasileira de Dislexia, explica que a dislexia pode aparecer em pessoas de todas as idades, mas que o diagnóstico preciso pode ser feito após dois anos do processo de alfabetização. "É importante fazer um acompanhamento antes desse período, principalmente com crianças que têm pais ou parentes disléxicos. O acompanhamento pode pode trazer melhorias", explica.

De acordo com a fonoaudióloga, o diagnóstico e tratamento adequado podem trazer grandes melhorias para uma pessoa disléxica: "Ela vai ter mais dificuldades, mas pode aprender a ler e escrever normalmente."

A detecção da dislexia é feita por uma equipe multidisciplinar de especialistas que realiza uma série de testes para verificar se o paciente tem problemas neurológicos e de visão, por exemplo, antes de se chegar a um diagnóstico final.

(Com Agencia France-Presse)
Fonte Veja

Cientistas desenvolvem método que pode detectar dislexia antes da idade escolar

Ressonância magnética mostra atividade incomum do cérebro.
Dislexia compromete capacidade de leitura e escrita da criança.


Um estudo publicado na edição desta semana da revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)” mostra que é possível identificar que uma criança é disléxica antes que ela entre no ensino fundamental.

Estima-se que entre 5% e 17% das crianças tenham dislexia, uma condição que compromete a capacidade de soletrar, prejudicando a leitura e a escrita. Quando há casos na família, a chance de que uma criança também seja disléxica é maior.

Indicação de filme: Taare Zameen Par - Como estrela na terra, toda criança é especial


Ishaan Awasthi (Darsheel Safary) é um menino de oito anos cujo mundo está cheio de maravilhas que ninguém mais parece apreciar: cores, peixes, cães e pipas; coisas simples que não são importantes no mundo dos adultos, que estão muito mais interessados ​​em coisas como lição de casa, trabalho e limpeza. 
Quando ele começa a se envolver em muitos problemas, seus pais o mandam para um internato. As coisas não são diferentes em sua nova escola, pois ninguém o entende e Ishaan tem de lidar também com o trauma adicional de separar-se de sua família.