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“Os pais têm medo dos filhos, de dizer não”

Pediatra fala sobre os principais pecados cometidos contra a infância, entre eles, terceirização da criação, superproteção, confinamento e medicalização das crianças


Os dados são alarmantes. O Brasil já é o segundo país do mundo que mais consome Ritalina, medicação tarja preta usada para controlar o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), que tem como principais usuários crianças e adolescentes.

Para o médico pediatra Daniel Becker, o quadro é sintomático das condições sociais à quais a infância está sujeita atualmente. Falta de convívio entre a família, crianças confinadas dentro de casa que precisam ser constantemente distraídas e pais que superprotegem e não conseguem dizer “não” aos filhos são alguns desses fatores. “Ao invés de tentar entender da onde vêm esses sintomas, temos preferido mais uma agressão que é a medicalização”, diz.
Em conversa com o Carta Educação, o especialista com 20 anos de experiência na área e cujo TEDx “Crianças, já para fora” teve mais de 150 mil visualizações no YouTube falou sobre os principais “pecados” que estamos cometendo contra a infância e os possíveis caminhos para solucioná-los.
Carta Educação: O senhor fala que, hoje, estamos diante de uma terceirização da infância. Como se dá esse processo?
Daniel Becker: A terceirização da infância acontece em todos os níveis e classes sociais, mas é mais acentuada nas classes média e alta. Os pais estão convivendo muito pouco com seus filhos. Há casais que não se preparam para tê-los, não levam em consideração que um filho ocupa muito tempo e energia, que exige dedicação. Logo, quando chega uma criança na família, sua criação acaba terceirizada em uma creche, por uma babá. Os pais acabam vendo seus filhos, muitas vezes, só na hora de dormir, fazem poucas refeições e passeios juntos, enfim, acabam tendo poucos momentos de convivência. Isso tudo é agravado pelas condições que a sociedade atual impõe: longas horas de trabalho, exigindo, inclusive, que as pessoas trabalhem fora do expediente, à distância nos seus tablets e celulares. Nas classes baixas, a situação é, muitas vezes, mais grave porque nem sempre os pais têm acesso à creche e, para trabalhar, precisam deixar seus filhos com vizinhos, cuidadores. Isso quando não precisam deixar as crianças sozinhas em casa. Nesse contexto, elas ficam totalmente confinadas porque os pais não deixam sair justamente pelas condições de violência das comunidades. Logo, ficam na televisão, nos celulares o dia inteiro.
Carta Educação: Como essa falta de convívio entre pais e filhos afeta negativamente as novas gerações?
DB: Terceirizar a educação é ruim para as crianças, é ruim para os pais. Os filhos acabam sendo educados por pessoas que, muitas vezes, compactuam com outros valores. Além disso, a criança não cria memórias afetivas em família por meio das quais se constrói a coisa mais importante para se educar alguém, a intimidade. Só na intimidade consegue-se dar limites, orientar, conversar sobre assuntos profundos quando mais velhos. Sem convivência não há intimidade e as crianças ficam aleijadas de seus pais que são as figuras guias, afetivas, mais importantes para elas.
CE: As crianças estão também cada vez mais conectadas. Sabemos que a tecnologia traz muitos benefícios, mas quais os efeitos perversos de uma infância confinada, na qual precisam ser constantemente distraídas?
DB: Costumo dizer que a tecnologia não é só inevitável, mas desejável. O mundo moderno caminha para que os aparelhos eletrônicos, principalmente, os telefones celulares sejam a base da nossa comunicação, da circulação de ideias. Mas o sobreuso é prejudicial em todos os sentidos, inclusive, para a saúde física e estudos americanos mostram que as crianças ficam, em média, de 8 a 10 horas conectadas por dia. Isso é, obviamente, muito ruim porque a vida não pode acontecer só no smartphone, tem que acontecer do lado de fora também, nas interações olho a olho.
Na verdade, as crianças migram para a tecnologia porque estão confinadas em casa. As escolas têm cada vez menos espaços abertos e livres e mais sala de aula, conteudismo. Com a energia explosiva que as crianças têm, o único jeito de domar alguém confinado é oferecendo distração permanente e, claro, aquela oferecida pelos telefones é irresistível. Só que o excesso de distração que essa tecnologia traz incapacita a criança para o ócio, para o tédio, para estar com a mente vazia, distraída criando suas próprias histórias. E é tão importante usar a imaginação, a criatividade, é assim que se treina o cérebro para ser criativo e imaginativo no futuro – habilidades muitos importantes, inclusive, para o sucesso profissional. O antídoto para isso tudo é sair de casa, ir para a rua, para a natureza e brincar livremente.
CE: Sobre a mercantilização da infância, é possível educar longe da onda consumista que nos acomete? De que maneira?
DB: A mercantilização da infância se dá, principalmente, em dois ambientes. Primeiro, no ambiente das telas. A televisão, por exemplo, veicula o pior tipo de publicidade que é aquela dirigida à infância, uma publicidade covarde, pois vale-se da incapacidade da criança de distinguir entre realidade e fantasia, usa o amor que ela tem por personagens para vender comida tóxica, brinquedos caros e desnecessários. Além disso, vende marcas da moda e modelos muitas vezes adultizados de aparência. Outro ambiente onde se dá a mercantilização da infância é o shopping, que virou o programa de fim de semana da família brasileira. Os pais levam as crianças para ficar vendo vitrines e pessoas comprando e comprando, fazendo disso o grande objetivo da vida delas. São colocadas naquelas gaiolas cheias de brinquedo enquanto os pais fazem compras, depois vão para uma loja de fast food comer comida ruim, comer doce, engordar. Nesse contexto, as crianças vão absorvendo os valores do consumismo, isto é, a hipervalorização da aparência, valores sexistas, de futilidade, do ter melhor do que o ser. Isso tudo é muito ruim para o desenvolvimento de um indivíduo humanista, antenado ao que acontece na sociedade, participativo. Então, é preciso afastar as crianças desses dois lugares, das telas e do shopping.
CE: Muitos especialistas criticam o excesso de atividades extracurriculares nas quais os pais matriculam seus filhos na ânsia de torná-los adultos mais competitivos. Como o senhor enxerga isso?
DB: Hoje, temos uma cultura que chamamos de escolarização do aprendizado. Existe uma ilusão que a criança só aprende a partir do adulto, então ela fica com a agenda cheia de programas ministrados por adultos. Com três anos, sai da natação, vai para o futebol, depois vai para a capoeira para depois ter aula de inglês. É massacrante. Nas escolas, é a mesma coisa, sai de uma aula entra em outra, não tendo tempo livre de pátio. Só que a gente está esquecendo que isso não prepara a criança para o mundo. As habilidades mais importantes para ser uma criança feliz e um adulto preparado para a vida e, portanto, também feliz são adquiridas no livre brincar, na interação livre com outras crianças e com a natureza. Daí nasce a empatia, a inteligência emocional, a capacidade de tomar decisões, de negociações, de enfrentar desafios e medos, avaliar riscos, as habilidades corporais, etc. A arte de brincar quando criança é a arte de saber viver quando adulto.
CE: O senhor também afirma que os pais passaram a colocar seus filhos em um trono. Quão importante é colocar limites e ter uma relação de autoridade com as crianças? Por que a superproteção da infância é nociva?
DB: A superproteção é consequência dessa falta de convivência, de intimidade. Os pais têm medo dos filhos, de dizer não, dos ataques de birra. Mas os pais que superprotegem impedem que a criança experimente a vida e aprenda com as experiências negativas e sabemos muito bem a importância de errar, de aprender com as frustrações, de entender que o mundo não existe para nos servir, de ter que achar nosso lugar no mundo e saber que isso envolve um processo de sofrimento, de não atendimento das nossas expectativas. Privando a criança das frustrações próprias da infância como ralar um joelho, não conseguir fazer um dever de casa, brigar com os amigos, não ganhar um brinquedo induzimos a formação de crianças narcisistas e com muita dificuldade de lidar com qualquer condição negativa. No futuro, serão adultos mais egoístas, com menos empatia e, provavelmente, infelizes. Os pais não devem se interpor entre os filhos e o mundo. É importante dizer aqui que isso é uma análise das condições sociais da infância, não uma análise para culpabilizar as famílias e que muitos desses “pecados” em pequena dose não fazem mal algum. A criança pode comer um docinho de vez em quando, só não pode comer todo dia. Uma criança que vai uma vez por mês no shopping não vai se tornar uma consumista frenética e assim por diante.
CE: O senhor diz que a medicalização da infância é o pior dos pecados que cometemos hoje contra a infância. Por que e como evitá-la?
DB: Todos esses fatores negativos que elenquei acima tornam as crianças sintomáticas. Elas começam a engordar, dormir mal, ficar birrentas, rebeldes, não prestar atenção, não assimilar o conteúdo escolar, ficar melancólicas, estressadas, mimadas. E, ao invés de tentar entender da onde vêm esses sintomas, analisar essas condições sociais da infância, temos preferido mais uma agressão à infância que é a medicalização. Nos Estados Unidos, 15% de todos os alunos do Ensino Médio estão tomando remédios psiquiátricos, isto é, um em cada seis. E como evitar a medicalização? No particular, pensando no que está acontecendo com nosso filho e, como sociedade, no que está acontecendo com a infância. Uma vez que há uma criança sintomática, existem muitas formas de ajudá-la que não envolvem remédios. Pode-se rever o convívio daquela criança com a família, reduzir o stress que ela é submetida, aumentar o tempo dela ao ar livre, buscar terapias, além de exigir políticas públicas que ajudem nesse sentido.
CE: O senhor propõe como solução mudar nossa relação com o tempo e o espaço. De que maneira? É possível falar de ocupação do espaço público com cidades cada vez mais violentas?
DB: Proponho que pelo menos 10% do nosso tempo seja dedicado aos nossos filhos. Passar uma hora, uma hora e meia convivendo por dia. Tomar o café da manhã juntos, contar uma história antes de dormir são momentos que geram intimidade, afeto, capacidade de educar. A segunda dimensão é mudar a relação com o espaço. Temos uma série de evidências mostrando como o contato com a natureza traz benefícios cognitivos, psíquicos, físicos, para o presente e para o futuro. A natureza melhora a imunidade, favorece a atenção, traz mais felicidade, melhora a memória, a capacidade de absorção de coisas que são ensinadas, favorece a empatia, a disposição física, reduz a obesidade e a insônia. Neste contexto, deve-se buscar o livre brincar. A criança deve brincar livremente com outras crianças, criar jogos, subir em árvore, correr, enfim, participar dessa festa que é a infância. As famílias podem favorecer esse contato, mas, é claro, também precisamos exigir de nossos governantes que haja espaço público para ocupar e que ele seja seguro, além de políticas públicas que nos permitam explorar espaços naturais e conviver. É minha esperança para que possamos ter cidades melhores e cidades melhores implicam em pessoas mais felizes.

Estudo brasileiro mostra que Ritalina não melhora o desempenho neural

Droga não beneficia a atenção nem a memória e pode causar dependência
James Steidl/Shutterstock
 
Prescrito para o tratamento de transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e de narcolepsia (crises de sono incontroláveis), o medicamento metilfenidato, comercializado com o nome de Ritalina, tem sido usado sem acompanhamento medico por estudantes que acreditam que a droga pode “turbinar” o rendimento intelectual, diminuindo a necessidade de sono e favorecendo a memória. Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), no entanto, descobriram que, além de não ter efeitos cognitivos esperados no cérebro de pessoas saudáveis, a “pílula da inteligência” ainda pode aumentar a chance de desenvolver problemas cardiovasculares.



A psicóloga Silmara Batistela dividiu 36 voluntários entre 18 e 30 anos em quatro grupos: um deles tomou placebo e os outros uma dose única de 10 mg, 20 mg ou 40 mg de Ritalina. Em seguida, todos fizeram testes cognitivos. Segundo Silmara, o desempenho foi semelhante, independentemente de terem tomado o remédio ou da quantidade administrada, o que sugere que o medicamento não aprimora as funções neurais, apesar de os que ingeriram a dose de 40 mg relatarem maior sensação de bem-estar, o que é compreensível, pois a droga é um estimulante. 



Medicamentos “turbinadores” têm ganhado popularidade entre vestibulandos, adultos jovens que estão estudando para concursos ou em situações de grande pressão por resultados. A segurança da Ritalina como aprimorador neural não é comprovada e, no Brasil, ela é comercializada para esse fim de forma ilegal. Estudos sugerem, aliás, que o uso contínuo aumenta o risco de dependência, complicações cardiovasculares e, em um grupo restrito de pessoas, pode até piorar o desempenho cognitivo.

Fonte:
Mente e Cérebro

Estudo da Unifesp derruba mito de que Ritalina 'turbina' cérebros saudáveis

 
Conhecida como 'pílula da inteligência', a droga tem sido usada por estudantes que querem melhorar o desempenho acadêmico; pesquisa revela que medicamento não beneficia a atenção nem a memória; remédio costuma ser obtido no mercado negro
 
A Ritalina não promove melhora cognitiva em pessoas saudáveis. Indicada para transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), ela tem sido usada por estudantes que buscam melhor desempenho em provas e concursos. Apesar da fama - que lhe rendeu o apelido de "pílula da inteligência" ou "droga dos concurseiros" -, uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostra que o medicamento não beneficia a atenção, a memória e as funções executivas (capacidade de planejar e executar tarefas) em jovens sem o transtorno.
A psicóloga Silmara Batistela, autora do estudo, decidiu investigar o tema ao perceber a popularização da prática de doping mental. "É muito comum ouvir o relato de pessoas que, para passar a noite estudando antes da prova, tomam Ritalina", diz. O objetivo da pesquisadora era avaliar se o consumo do medicamento, cujo princípio ativo é o cloridrato de metilfenidato, realmente trazia vantagens cognitivas.
Para a pesquisa, foram selecionados 36 jovens saudáveis de 18 a 30 anos. Eles foram divididos aleatoriamente em quatro grupos: um deles tomou placebo e os outros três receberam uma dose única de 10 mg, 20 mg ou 40 mg da medicação. Depois de tomarem a pílula, os participantes foram submetidos a uma série de testes que avaliaram atenção, memória operacional e de longo prazo e funções executivas. O desempenho foi semelhante nos quatro grupos, o que demonstrou a ineficácia da Ritalina em "turbinar" cérebros saudáveis.
"O uso não alterou a função cognitiva. A única diferença que observamos foi que os que tomaram a dose maior, de 40 mg, relataram uma sensação subjetiva de bem-estar maior em comparação aos demais", diz Silmara.
Perigos. O psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, diretor do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) da Unifesp, observa que o mito de que a Ritalina teria o potencial de tornar alguém mais inteligente não faz sentido. "A pessoa fala que consegue estudar a noite inteira com o remédio. Isso é porque ela fica acordada e não porque tem uma melhora na atenção", diz. Ele observa que o aprendizado sob o efeito da droga consumida inadequadamente é de má qualidade.
Silveira destaca que existem perigos relacionados ao uso inadequado do medicamento. O consumo aumenta os riscos de problemas do coração e pode levar a um quadro de arritmia cardíaca. O especialista acrescenta que, tratando-se de uma anfetamina, a droga apresenta também um potencial de abuso, razão pela qual é controlada e só pode ser comprada com receita especial.
A alternativa para os que resolvem usar a Ritalina sem ter indicação é recorrer ao mercado negro. Estudantes relatam que não é difícil encontrar fornecedores anunciando o produto em fóruns de discussão na internet.
Um estudante de Economia de 22 anos, que preferiu não se identificar, conta que soube dos efeitos da Ritalina por um amigo. "Ouvi falar de uma droga que todos universitários estavam usando na Europa e nos Estados Unidos para aumentar a concentração. Li sobre seus efeitos colaterais, para o que servia e, como sempre me achei um pouco hiperativo, resolvi experimentar."
As duas primeiras caixas foram compradas de um conhecido. Depois, encontrou um fornecedor na internet que atende aos pedidos dele e de seus amigos. "A gente pede de uma vez só várias caixas." Para o universitário, que toma o remédio para estudar aos fins de semana ou à noite, quando pretende varar a madrugada entre os livros, a principal vantagem é tirar o sono. "O ganho está nas horas a mais que estudo na madrugada."
Segundo ele, também há um aumento na concentração e na atenção. "Não fiquei mais inteligente, mas meu tempo de dedicação aos estudos aumentou", relata. Ele, que foi um dos primeiros entre seus amigos a usar o recurso, conta que hoje conhece cerca de 15 pessoas que aderiram.
Um de seus amigos, também estudante de Economia, conta que aderiu à pílula por ter dificuldade de ler textos longos. "Eu começo a me dispersar no meio deles. Como trabalho o dia inteiro, acaba me faltando tempo para conseguir ler volumes grandes." Para ele, a Ritalina o ajuda a ler bastante sem se dispersar.
Encenação. Outra estratégia que tem sido adotada para obter o remédio é simular os sintomas do TDAH na esperança de ganhar uma receita. O neuropediatra Paulo Alves Junqueira, membro da Academia Brasileira de Neurologia (Abneuro), conta que tem existido essa demanda, principalmente entre os concurseiros. "O médico precisa ter a habilidade de identificar esses casos: o TDAH não vem de uma hora para outra. É um transtorno incapacitante que acompanha o paciente ao longo da vida."
Segundo levantamento feito pelo Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma) a pedido do Estado, houve um crescimento de quase 50% na venda de remédios à base de cloridrato de metilfenidato no Brasil entre 2008 e 2012. Entre setembro de 2007 e outubro de 2008 foram vendidas 1.238.064 caixas, enquanto entre setembro de 2011 e outubro de 2012 as vendas cresceram para 1.853.930 caixas. Nesse intervalo, os valores gastos com a medicação passaram de R$ 37.838.247 para R$ 90.719.793.
 
Fonte: Estadão 

Estudo americano aponta aumento exacerbado no uso de remédios antipsicóticos em crianças

Estudo desenvolvido por pesquisadores do The Children's Hospital of Philadelphia aponta para um aumento no uso de fortes remédios antipsicóticos em crianças atendidas na rede pública americana de saúde na última década; O estudo demonstrou um aumento de 62% nos números de crianças entre 3 a 18 anos medicadas com antipsicóticos, atingindo o número de 354 mil crianças em 2007.

O aumento no uso de antipsicóticos foi observado em uma grande gama de diagnósticos de saúde mental, sendo especialmente maior em crianças com TDHA ou erros de conduta; No total, 65% das crianças a que foram prescritas as drogas antipsicóticas estavam usando remédios sem receita médica ou sem dados e informações que embasassem o uso para tratamento nas crianças.

De acordo com os pesquisadores, a significante proporção do uso de antipsicóticos sem receita médica reafirma o uso prioritário de tais drogas por pediatras; “Se é prescrito um tipo de medicamento como esse para uma criança, é importante que os médicos informem os pais e cuidadores que o remédio está sendo prescrito sem receita, seus efeitos e as terapias que poderiam ser oferecidas como alternativas a medicação”, aponta os pesquisadores.

O uso frequente de antipsicóticos sem receita tem sido assunto de debate entre muitos profissionais de saúde, especialmente na evidência de associação entre o uso de tais drogas e o aumento no risco de desenvolvimento de efeitos metabólicos paralelos nas crianças, como a diabetes e o ganho de peso.

Os pesquisadores notaram que o aumento no uso desse tipo de droga deve-se em grande parte ao aumento no número de diagnósticos de saúde mental associados as crianças; Os pesquisadores apontam para um aumento de 28% no número de crianças com diagnósticos de saúde mental.

De acordo com a autora do estudo, Meredith Matone, o mesmo objetivou investigar também porque esse tipo de medicamento tem sido usado tão frequentemente, em quais diagnósticos esses usos tem se embasado e como os padrões de prescrição se modificaram nos últimos dez anos.

Enquanto a esquizofrenia, distúrbio de bipolaridade e o autismo foram os diagnósticos que mais resultaram na prescrição de antipsicóticos, as crianças com tais transtornos não correspondem a maioria dos usuários de antipsicóticos, sendo as crianças diagnosticadas com TDHA e com três ou mais transtornos concorrentes o maior grupo de usuários; Em 2007, 50% das crianças que se utilizam de antipsicóticos tinham diagnóstico de TDHA e 14% diagnosticadas somente com TDHA.

O fato do aumento das prescrições para antipsicóticos para muitos diagnósticos aponta que tais medicamento tem sido usados para tratar comportamentos específicos, como a agressão, que são compartilhados em diversos outros diagnósticos de saúde mental.

De acordo com os autores, as políticas públicas de saúde devem informar a população e guiar a mesma acerca do uso de antipsicóticos para crianças.

Fonte: RedePsi

Uso de antipsicóticos cresce entre crianças e adolescentes nos EUA


Remédios antipsicóticos são receitados em quase uma em três visitas de crianças e adolescentes ao psiquiatra nos EUA. Na década de 90, só uma em 11 consultas acabava com uma prescrição de medicamento dessa classe. A comparação foi feita em um novo estudo publicado nesta semana na revista "Archives of General Psychiatry".

Os diagnósticos de transtorno de deficit de atenção e hiperatividade respondem por boa parte do aumento nas receitas dos antipsicóticos, ainda que não haja medicamentos dessa classe aprovados nos EUA para tratar esse o problema.

"Eles são usados para esquizofrenia, transtorno bipolar e irritabilidade no autismo. Nenhuma é aprovada para deficit de atenção", afirmou Mark Olfson, autor principal da pesquisa e professor de psiquiatria clínica na Universidade Columbia, em Nova York.

De acordo com o trabalho, 90% das prescrições de antipsicóticos para crianças e adolescentes nas consultas entre 2005 e 2009 foram "off label": os remédios foram receitados para algo diferente do uso aprovado pela agência de vigilância sanitária americana (FDA).

Apesar de o estudo não conseguir dizer se as receitas eram desnecessárias, a eficácia de antipsicóticos no tratamento de deficit de atenção e hiperatividade não é provada. Esse remédios também já foram ligados a ganho de peso e diabetes.

No ano passado, um estudo feito pela Universidade de Massachusetts mostrou que crianças usuárias de antipsicóticos tinham quatro vezes mais risco de desenvolver diabetes do que as que não usam.

Em setembro, um conselho da FDA levantou questões preocupantes sobre essas drogas e pediu à agência que monitorasse o ganho de peso e outros problemas metabólicos em crianças usuárias de antipsicóticos.

ALTERNATIVAS

Para o estudo, Olfson e seus colegas usaram informações sobre quase 500 mil consultas médicas nos EUA entre 1993 e 2009.

As receitas de antipsicóticos aumentaram em todas as faixas etárias, incluindo entre os adultos. Entre crianças e adolescentes, no entanto, o aumento foi mais rápido.

O número de crianças recebendo receitas de antipsicóticos aumentou de 0,24 a cada 100 pessoas entre 1993 e 1998 para 1,83 a cada 100 pessoas entre 2005 e 2009. Entre adolescentes, o número foi de 0,78 por 100 nos anos 90 para 3,76 em 100 na década de 2000.

"Há poucas dúvidas sobre o fato de essas drogas estarem sendo mais receitadas para crianças do que antigamente", afirmou Olfson.

Esses números só representam os casos em que o atendimento aconteceu em um consultório, excluindo clínicas, centros comunitários e outros centros médicos.

Os pesquisadores não sabem por quanto tempo as pessoas tomaram os remédios e se as receitas eram dadas para o mesmo paciente em sucessivas consultas.

O autor do estudo afirmou esperar que os pais façam mais perguntas sobre os antipsicóticos e sobre a possibilidade de outros tratamentos.

Olfson disse que intervenções comportamentais podem controlar comportamentos agressivos das crianças, mas destaca que esse tipo de terapia é mais caro e leva mais tempo.

"Talvez, se isso estivesse mais disponível, não estaríamos vendo um uso tão grande de medicação."

Fonte: Folha

Nos EUA, crianças e adolescentes estão tomando menos antibióticos e mais medicamentos para TDAH

Em oito anos, o número de prescrições de antibióticos a pacientes pediátricos caiu 14%. Receitas de drogas para TDAH, porém, cresceram 46%
 
Crescimento: prescrição de remédios para asma e TDAH aumentou nos últimos 8 anos, nos EUA

Segundo um levantamento feito pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão americano que regula alimentos e medicamentos, o número de prescrições de antibióticos destinadas a crianças e adolescentes é menor do que há oito anos, nos Estados Unidos. Por outro lado, são cada vez mais prescritas drogas para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e asma. O trabalho foi publicado nesta segunda-feira no Pediatrics, periódico oficial da Associação Americana de Pediatria.

Esses dados foram baseados nas prescrições médicas preenchidas no país entre os anos de 2002 e 2010 para jovens com até 17 anos de idade. De acordo com o estudo, em 2010 foram registradas 263,6 milhões de prescrições de medicamentos em geral a pessoas dessa faixa etária — 7% a menos do que em 2002. As prescrições para pacientes adultos, porém, aumentaram em 22% nesse mesmo período.

O levantamento indicou que, nesses oito anos, as prescrições de antibióticos a bebês, crianças e adolescentes caiu 14%, embora esse tipo de remédio ainda seja o mais frequentemente fornecido para pacientes pediátricos no país. Além dos antibióticos, também foram menos prescritos medicamentos para alergia (-61%), tosse e resfriados (-42%), dor (-14%) e depressão (-5%). Por outro lado, aumentou o número de prescrições para anticoncepcionais (+93%) e remédios para tratar TDAH (+46%) e asma (+14%).

TDAH — Para Alessandra Cavalcante, pediatra do Hospital São Luiz, em São Paulo, a razão do aumento da prescrição de medicamentos para TDAH não está relacionada a um excesso de diagnósticos, mas sim a um maior nível de informação de pais e médicos. "Isto é uma coisa boa, já que o transtorno, quanto mais cedo for tratado, menos problemas causará no futuro", diz a médica.

De fato, ao menos nos Estados Unidos, onde o levantamento foi feito, mais jovens estão sendo diagnosticados com TDAH e cada vez mais cedo. Um trabalho feito na Universidade de Northwestern e publicado em março deste ano também na revista Pediatrics mostrou que, em dez anos, o número de pessoas menores do que 18 anos diagnosticadas com o transtorno aumentou 66% no país. Além disso, em outubro de 2011, a Academia Americana de Pediatria reduziu a idade mínima para diagnóstico e tratamento de TDAH de seis para quatro anos.

Brasil — Embora um levantamento como esse não tenha sido feito no Brasil, Alessandra Cavalcante também percebeu na prática clínica o aumento dos tratamentos destinados a crianças com TDAH. Da mesma forma, ela acredita que os jovens brasileiros estão tomando mais remédios para asma e mais anticoncepcionais. "O aumento da incidência de asma é visível, especialmente em São Paulo, onde a poluição é forte. Além disso, como os jovens entram na vida sexual cada vez mais cedo, os contraceptivos estão se tornando mais comuns."

No entanto, a médica acredita que não tenha acontecido uma redução significativa nas prescrições de antibióticos a pacientes infantis. "Ainda temos um grande número de prescrições de antibióticos sem necessidade. Precisamos acabar com o culto ao pronto-socorro. As famílias devem, sempre que possível, procurar o pediatra que acompanha a criança e conheça o seu histórico", afirmou.

Fonte: Veja online

O que os pais devem saber sobre o tratamento de transtornos comportamentais e emocionais em pré-escolares

O número de crianças com diagnóstico e tratamento para transtornos disruptivos, incluindo déficit de atenção / hiperatividade (TDAH) aumentou acentuadamente na última década. Coerente com essa tendência é um crescente debate sobre a melhor maneira de tratar esses problemas em crianças.

De acordo com um estudo publicado no Journal of the American Medical Association, em fevereiro de 2000, o número de crianças pré-escolares que recebem estimulantes, antidepressivos e outras medicações psiquiátricas "aumentou drasticamente de 1991 a 1995." O estudo levantou preocupações sobre o crescente uso de medicações para controlar distúrbios de TDAH em crianças pequenas, porque pouco se sabe sobre sua segurança e eficácia para crianças de idade pré-escolar. Poucas destas drogas, o estudo aponta, são aprovados pela Food and Drug Administration EUA para a prescrição para crianças pequenas.

Para os pais, especialmente de crianças diagnosticadas com uma desordem comportamental ou emocional, ou aqueles que suspeitam de seus filhos ter sido vítima de um problema, essas novas preocupações sobre o uso de medicamentos psicotrópicos apresentam dilemas irritantes. Como os pais devem tomar decisões sobre o curso do tratamento é o melhor para seu filho ou filha?

Embora as crianças se desenvolvam cada uma em seu próprio ritmo, há uma média no estágios de desenvolvimento. É importante que pais, cuidadores e professores percebam o crescimento e desenvolvimento de seus filhos e alunos e observem as mudanças comportamentais incomuns ou regressões. Cada criança terá um "dia ruim" ocasional, e é apropriado crianças terem altos níveis de energia em algum momento. Mas, se seu filho está com problemas persistentes que interrompem a sua participação na escola ou interação com outras crianças, ou, se o seu filho mostra sinais de retraimento social, incapacidade de concentrar a sua atenção, ou é impulsivo e agressivo indevidamente, pode estar na hora de procurar ajuda profissional para determinar o que está acontecendo e qual a melhor forma para ajudar o seu filho ou filha.

Como regra geral, é hora de consultar um profissional de saúde mental para saber se o comportamento da criança é inadequado para a idade, um padrão em curso, e, se este interfere com no seu aprendizado, crescimento e desenvolvimento social.

Os professores, administradores escolares, ou pediatras podem sugerir que o comportamento de uma criança é problemática e que ele ou ela poderia tirar proveito de tomar uma medicação psicotrópica. No entanto, uma avaliação criteriosa e diagnóstico por profissional de saúde devidamente treinado e credenciados deve ter lugar antes de qualquer decisão. Entre os profissionais que fariam as avaliações apropriadas de comportamento do seu filho são psicólogos, pediatras, neurologistas pediátricos, e psiquiatras infantis. Esses prestadores de cuidados pediátricos também deve acompanhar o tratamento, monitorar o progresso da criança, sua família e escola.


Os programas de tratamento podem assumir muitas formas e são melhores quando são especificos para a criança. Eles podem incluir psicoterapia incluindo terapia cognitivo-comportamental, ou formação em gestão comportamental, orientação dos pais, treinamento de habilidades sociais, e serviços de apoio à família.  Se for determinado que a criança precisa de medicação para além do tratamento comportamental é frequentemente mais eficaz se ambos os tipos de tratamento são empregados em conjunto.

Uma variedade de drogas psicotrópicas têm provado ser muito útil para ajudar adultos gerenciar uma série de transtornos psiquiátricos, mas algumas dessas drogas têm sido testados para a segurança e a eficácia em crianças pré-escolares. Dependendo do seu filho família e diagnóstico, um programa comportamental deve ser considerada primeiramente antes do uso de medicamentos. Diagnóstico específico do seu filho é fundamental para determinar o melhor plano de tratamento. Pesquisa mostrem que para o diagnóstico de TDAH com um distúrbio emocional co-ocorrência de uma combinação de medicação e terapia comportamental trabalho melhor. Para o diagnóstico de TDAH apenas, tratamento medicamentoso é mais eficaz.

A Food and Drug Administration deve ter aprovado qualquer medicamento prescrito por um médico para o uso clínico, mas não necessariamente para o uso por crianças pré-escolares. Mais pesquisas são necessárias para compreender os efeitos a curto e longo prazo destas drogas em crianças e em seus cérebros em desenvolvimento. De fato, o Instituto Nacional de Saúde Mental anunciou recentemente que vai investir mais de US $ 5 milhões em pesquisa sobre o uso da Ritalina, a terapia comportamental e a combinação de ambas as intervenções para tratar déficit de atenção / hiperatividade em crianças pré-escolares.

Fonte American Psychological Assiciation

Metanfetamina: Uso na gravidez pode levar a problemas comportamentais em crianças

Getty Images

O primeiro estudo verifica os potenciais efeitos douradouro da metanfetamina sobre as crianças cujas mães usaram durante a gravidez. Essas crianças encontram-se em maior risco de problemas de comportamento do que as outras crianças.

As diferenças de comportamento - ansiedade, depressão, mau humor, - não eram enormes, mas a pesquisadora Linda Lagasse chamou de "muito preocupante".

A metanfetamina é um estimulante como a cocaína e crack, e pesquisas anteriores mostraram "bebês metanfetamina" tem semelhanças com a chamada "bebês do crack" - menores em tamanho e propenso a sonolência e stress. Resultados de estudos a longo prazo mostram que crianças, filhos de mães que utilizaram cocaína, têm problemas de comportamentais duradouras.

Os problemas ainda são desconhecidos mais Lagasse, que faz pesquisa no Centro da Brown University, do Estudo de Crianças em Risco, disse que a metanfetamina tem efeitos mais fortes sobre o cérebro de modo que podem ser mais propensos a causar grandes conflitos comportamentais e duradouros em crianças.

Devido o estudo ser o primeiro, os resultados devem ser vistos com cautela e precisa ser repetido, disse ele.

Além da pesquisa verificar problemas como depressão, ansiedade e mau humor que eram ligeiramente superior nas crianças em que as mãe utilizaram metanfetamina form verificados também crianças mais agressivas e problemas de atenção semelhante ao TDAH, atenção e hiperatividade. 

Por
Lindsey Tanner
Fonte: Healthland Time 


Déficit de atenção é diagnosticado em excesso, diz pesquisa

Profissionais tendem a dar início ao tratamento depois de um diagnóstico puramente intuitivo, deixando de lado critérios reconhecidos pela medicina

A explosão no número de vendas de metilfenidato (aumento de 80% entre 2004 e 2008) – indicado para tratar o déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) – já dava pistas de que o transtorno estava sendo diagnosticado em excesso. Agora, um levantamento realizado na Alemanha e publicado no Journal of Consulting and Clinical Psychology, apresenta dados que confirmam o que se observava na prática clínica. Segundo o estudo, psicoterapeutas e psiquiatras infantis usam intuição e métodos não comprovados cientificamente para chegar ao diagnóstico do TDAH – e não critérios reconhecidos. O resultado é uma leva de crianças sendo tratadas inutilmente.

O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade atinge entre 3% e 5% das crianças e pode acompanhar os portadores até a vida adulta (Jupiterimages)


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De acordo com o estudo, realizado por uma equipe da Universidade de Bochum (no Vale do Ruhr, na Alemanha) e da Universidade de Basel, mais meninos que meninas são mal diagnosticados. Para o levantamento, foram entrevistados 1.000 profissionais, dos quais 473 foram convidados a diagnosticar e recomendar tratamento para um caso, entre quatro disponíveis. Em três dos quatro casos, os sintomas descritos não correspondiam ao transtorno. O gênero da criança foi ainda incluído em oito casos diferentes. Quando foram comparados casos idênticos, mas com crianças de gêneros distintos, o menino tendia a receber o diagnóstico de transtorno – e a menina não.

Diagnóstico — Durante a avaliação do paciente, psicoterapeutas e psiquiatras infantis tendem a usar métodos de diagnóstico não rigorosos, baseando suas decisões em sintomas vinculados a um modelo pré-definido. No caso, o modelo masculino indica sintomas como inquietação motora, falta de concentração e impulsividade. Isso significa que se uma menina tiver esses sintomas, as chances de ela não ser diagnosticada com TDAH são muito maiores do que as de um garoto. A pesquisa descobriu ainda que o gênero do especialista também é relevante: os profissionais homens dão com mais frequência diagnóstico positivo para o transtorno.

Entre 1989 e 2001, o número de casos positivos nas clínicas alemãs aumentou em 381%. Os custos da medicação para TDAH cresceram nove vezes entre 1993 e 2003 no país. A empresa de convênios médicos alemã Techniker, por exemplo, relata um aumento de 30% nas prescrições de metilfenidato para clientes entre seis e 18 anos.

Considerando essas estatísticas, há uma importante falta de pesquisa sobre o diagnóstico do TDAH. "Apesar do forte interesse público, poucos estudos empíricos tratam desse assunto", diz Silvia Schneider e Katrin Bruchmüller, responsáveis pelo estudo. Enquanto nas décadas de 1970 e 1980 uma "certa ascensão" de estudos sobre a frequência e as razões para os diagnósticos errados foi verificada, as pesquisas atuais dificilmente examinam esse fenômeno.