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Piper, um dos curtas mais bonitos e cativantes da Disney


São 6 minutos. Seis minutos de uma vida. Seis minutos que vale a pena investir para desfrutar do curta mais meigo da Pixar-Disney. Porque sim, Piper é um dos curtas mais cativantes da fábrica de conteúdo audiovisual Pixar.
Estas imagens nos contam uma história que poderia ser a história de vida de qualquer um de nós, em qualquer momento da nossa existência. Superar os nossos medos e a nossa comodidade nos oferece, sempre, uma maravilhosa perspectiva da vida.

Alunos tímidos precisam de abordagem que respeite a introspecção

O espaço escolar está se tornando cada vez mais desafiador para os introvertidos. É preciso cuidado para que as práticas não levem ao sofrimento em vez de servir de estímulo

Foto: Bigstock

Nada de preconceito com os tímidos. Quando se fala em escola do futuro, chama atenção as propostas de mudanças pedagógicas que impactam diretamente o comportamento dos estudantes, cada vez mais inseridos em situações interativas. Para frente, prometem-se ainda mais métodos de aprendizagem compartilhada, espaços de convivência fora de quatro paredes e salas de aula invertida (Flipped Classroom), quando o aluno é o protagonista em uma discussão, tendo estudado antes a matéria e vai para a aula apenas para aprofundar o aprendizado com professor e colegas. São práticas e didáticas que são eficientes em alguns casos, mas podem prejudicar estudantes com tendência introspectiva.

A cultura da colaboração e autoexposição forçada acaba subvalorizando os introvertidos, segundo a escritora e conferencista norte-americana Susan Cain, autora do livro “O poder dos quietos”. A palestrante, que tem uma apresentação de sucesso em um TED Talk (Quiet: The Power of Introverts in a World That Can’t Stop Talking ), alerta para a falta de respeito aos diferentes perfis de estudantes dentro da escola – algo que pode prejudicar os introvertidos – quase um terço da população.
Tímidos são bons ouvintes, geralmente bem comportados e trabalham bem nas tarefas escolares. Há tímidos que não gostam de ficar no meio de pessoas, mas existem tímidos que gostam de ficar com pessoas (sociáveis). Esse segundo tipo pode sofrer um pouco mais - porque parece que o mundo de hoje exige que todos sejam supersociáveis.
LIDIA WEBER
 professora sênior do Doutorado em Educação da UFPR
Da mesma forma como seria uma violência obrigar um canhoto a ser destro, e vice-versa, não respeitar a introspecção de alunos com essa tendência pode empobrecer a convivência. Nesse cenário, a escola tem o desafio de permitir que os alunos mais inibidos possam se expressar de forma diferente, mesmo que não seja pela palavra.

“A criança mais silenciosa tem papel dentro do grupo também, importante para o equilíbrio”, explica a psicóloga e filósofa Alba Regina Bonotto.“As mais introspectivas falam pouco, mas servem para dar força para os que falam mais. Professores ou alunos que não sabem lidar com o silêncio são mais barulhentos e acabam projetando naquela pessoa fantasmas e medos. A pessoa introspectiva serve para revelar o outro.”
Mais do que uma característica que pode ser vista como defeito ou qualidade, a introspecção e os momentos de silêncio são fundamentais para o aprendizado. A professora do Departamento de Psicologia Educacional da Unicamp, Ana Archangelo, lembra que a instituição escolar é, por definição, um espaço que requer grande investimento cognitivo e afetivo por parte de todos e que aprender (e ensinar) envolve processos internos complexos, como o contato com a frustração por não se saber tudo. “Todos nós precisamos de experiências compartilhadas, de troca e de cooperação, que envolvam claramente a figura do outro. Mas há muito movimento na introversão, investimento psíquico, que nos permite maior contato com os processos de transformação que nos movem”, diz.

A ciência de olho nos introvertidos

Mais do que resultado da educação e dos estímulos recebidos, a introversão ou timidez tem sido apontada pela ciência como fruto de características genéticas e neurológicas. Há mais de 30 anos, o psicólogo Jerome Kagan, da Universidade Harvard, acompanhou 500 bebês avaliando seu crescimento e a intensidade do choro, a taxa cardíaca, pressão e temperatura. Observando a diferença de perfil, entre bebês reservados e extrovertidos, verificou diferenças biológicas, ocasionadas pelas funções da amígdala (região do cérebro). A amígdala também foi destaque em pesquisa da Universidade de Vanderbilt, que demonstrou que essa área primitiva influencia um comportamento mais inibido nas pessoas, e emoções como o medo e a ansiedade.

Estudo de outra universidade norte-americana, de Iowa, demonstrou que o cérebro relaxa de forma diferente entre os dois perfis de pessoas. No Brasil, um estudo da PUCRS fez um levantamento em sala de aula, ouvindo mais de 50 mil estudantes de 11 a 32 anos. A pesquisa apontou que até 25% dos estudantes têm sinais de timidez e depressão, preferindo não trabalhar em grupo e participar pouco da aula. Outro estudo gaúcho em parceria com a USP levantou que 20% dos estudantes têm algum grau de fobia social. “Mas, biologia não é destino!”, afirma a psicóloga e pesquisadora Lidia Weber, professora sênior do Doutorado em Educação da UFPR. Ela explica que a forma como a pessoa vai lidar com a timidez ou introversão depende de como a família e a escola trabalham com isso. “As causas da timidez podem ser de origem temperamental (biológica), mas mais importantes são os comportamentos aprendidos e experiências traumáticas ou não. Se os pais percebem que o filho apresenta certa introversão podem, sim, incentivar, aos poucos, a aproximação com outros, pois as relações sociais são fundamentais para o ser humano.”

10 situações que parecem birra mas não são

Aqui estão 10 coisas que as crianças fazem que parecem birra mas não são. Quando reconhecemos os comportamentos indesejáveis ​​das crianças como reações às condições ambientais, às fases de desenvolvimento ou às nossas próprias ações, somos capazes de responder proativamente e com muito mais compaixão.
Source: katarinag/Shutterstock


1. Não controlar impulsos


Você diz ao seu filho, “Não jogue isso!” E ele joga de qualquer maneira? Pesquisas sugerem que as regiões cerebrais envolvidas no autocontrole não amadurecem completamente até o final da adolescência, o que explica por que o autocontrole em desenvolvimento é um “processo longo e lento” (Tarullo, Obradovic e Gunna, 2009, 31).
Uma pesquisa recente revelou que muitos pais supõe que as crianças podem fazer coisas mais cedo do que os peritos em desenvolvimento da infantil afirmam ser verdadeiros. Por exemplo, 56% dos pais acreditam que as crianças com menos de 3 anos devem ser capazes de resistir ao desejo de fazer algo proibido, enquanto a maioria das crianças não domina essa habilidade até os três anos e meio ou quatro anos (Zero to Three, 2016).
Quando nos lembramos que as crianças nem sempre conseguem gerir impulsos (porque os seus cérebros não estão totalmente desenvolvidos) podemos ter reações mais suaves ao seu comportamento.

2. Superestimulação


Escolinha, natação, balé, judô e o que mais tivermos dinheiro e tempo pra colocar nossos filhos. Será que isso tudo é mesmo necessário? Horários apertados, superestimulação e exaustão são marcas da vida familiar moderna. Kim John Payne, autor de Simplicity Parenting, argumenta que as crianças experimentam uma “reação de estresse acumulado”devido ao excesso de enriquecimento, atividade, escolha e brinquedos. Ele afirma que as crianças precisam de toneladas de “tempo de inatividade” para equilibrar o seu “tempo” (Payne, 2010). Quando nós construímos para que haja tempo inativo, hora de brincar e tempo de descanso, o comportamento das crianças melhora frequentemente visivelmente.

3. Reações a determinados fatores


Você já ficou irritado porque está com fome ou completamente sem paciência devido à privação de sono? As crianças são afetadas dez vezes mais quando estão cansadas, com fomesede, pelo excesso de açúcar ou doentes. A capacidade das crianças de controlar emoções e comportamento é muito diminuída quando estão cansadas. Muitos pais também notam uma mudança acentuada no comportamento das crianças cerca de uma hora antes das refeições, se elas acordaram durante a noite ou se estão com sono. Elas muitas vezes não conseguem se comunicar ou resolver sozinhas o problema pegando uma bolacha, um remédio pra dor ou até mesmo tomando água, como fazem os adultos.

4. Expressão de fortes sentimentos


Como adultos, fomos ensinados a domar e ocultar nossas fortes emoções. Mas crianças não podem fazer isso ainda. A educadora da primeira infância Janet Lansbury tem uma ótima frase para quando as crianças exibem sentimentos fortes, como gritar ou chorar. Ela sugere que os pais “deixem os sentimentos” não reagindo ou punindo as crianças quando expressam essas emoções.

5. Necessidade de toneladas de movimento


“Pare de perseguir seu irmão em volta da mesa!” “Pare de lutar com espadas com esses pedaços de papelão!” “Pare de pular do sofá!” As crianças têm uma necessidade de toneladas de movimento. Elas têm uma tremenda necessidade de passar o tempo fora de casa, andar de bicicleta e patinete, correr e cair, rastejar sob as coisas, balançar de coisas, saltar coisas e correr em torno de coisas. Em vez de pedir que parem quando eles estão cheias de energia, pode ser melhor organizar uma ida rápida ao parquinho ou passar um tempo na rua.

6. Necessidade de tornar-se independente


O modelo de Erik Erikson (1963) afirma que as crianças tentam fazer as coisas por si mesmas, e que os pré-escolares tomam a iniciativa e executam seus próprios planos. Mesmo que seja irritante quando uma criança escolhe tomates que ainda estão verdes, corta seu próprio cabelo, ou faz uma cabaninha com 8 lençóis limpinhos, eles estão fazendo exatamente o que eles deveriam fazer: tentando realizar seus próprios planos, por conta própria, tomando suas próprias decisões e tornando-se independente.

7. O outro lado de suas forças


Todos nós temos forças essenciais que também podem nos desviar. Talvez estejamos incrivelmente concentrados, mas não podemos fazer a transição com muita facilidade. Talvez sejamos intuitivos e sensíveis, mas assumimos o humor negativo de outras pessoas como uma esponja. As crianças são semelhantes: elas podem ser conduzidas na escola, mas têm dificuldade em lidar quando se confundem (por exemplo, gritando quando cometem um erro). Elas podem ser cautelosos e seguros, mas resistentes a novas atividades (por exemplo, recusando-se a ir à prática de um novo esporte). Elas podem viver no momento, mas não são organizadas (por exemplo, deixando o chão do quarto ficar coberto com brinquedos). Reconhecer quando os comportamentos indesejáveis de uma criança são realmente o outro lado de suas forças – assim como o nosso – pode nos ajudar a reagir com mais compreensão.

8. Necessidade feroz brincar


Seu filho pinta o rosto com iogurte, quer que você corra atrás dele quando está tentando escovar osdentes, ou coloca os seus sapatos, em vez dos dele, quando estão atrasados para a escolinha? Alguns dos comportamentos aparentemente “maus” dos filhos são o que John Gottman chama de “táticas” para você brincar com eles. As crianças adoram ser pestinhas. Elas se deliciam com a conexão que vem do riso compartilhado e amam os elementos de novidade, surpresa e emoção. A brincadeira muitas vezes leva tempo extra e, portanto, atrapalha agendas e compromissos, o que pode parecer resistência e desobediência mesmo quando não é. Mas quando os pais entendem e atendem essa necessidade das crianças fica mais fácil evitar brincadeiras fora de hora.

9. Reação ao humor dos pais


Vários estudos sobre o contágio emocional descobriram que leva apenas milissegundos para que emoções como entusiasmo e alegria, bem como tristeza, medo e raiva, passem de pessoa para pessoa, e isso geralmente ocorre sem que ninguém perceba (Goleman, 1991), Hatfield et al., 2014). Com as crianças não é diferente, elas são diretamente influenciadas pelo humor dos seus pais. Se eles são estressados, distraídos, para baixo, frustrados, os pequenos absorvem estes humores. E o mesmo acontece quando  são alegres, de bem com a vida.

10. Resposta a limites inconsistentes

 

Hoje você dá um chocolate pro seu filho antes do jantar. No dia seguinte você diz: “não, vai arruinar seu jantar” e ele grita e lamenta. Uma noite você lê cinco livros, mas na próxima você insiste que só tem tempo para ler um, e eles imploram por mais. Quando os pais são incoerentes com os limites, isso naturalmente desencadeia a frustração das crianças e convida a choramingar e gritar. Assim como os adultos, as crianças querem (e precisam)saber o que esperar. Esforce-se para que em sua casa haja limites e rotinas, isso vai melhorar o comportamento das crianças.
Fonte: Psychology Today   |   Tradução e adaptação: Redação Papo de Pai

Reflexão


“O tempo, pouco a pouco, me liberará da extenuante fadiga de ter filhos pequenos, das noites sem dormir e dos dias sem repouso. Das mãos gordinhas que não param de me agarrar, que me escalam pelas costas, que me pegam, que me buscam sem cuidados, nem vacilos. Do peso que enche meus braços e curva minhas costas. Das vezes que me chamam e não permitem atrasos nem esperas.
O tempo me devolverá a folga aos domingos e as chamadas sem interrupções, o privilégio e o medo da solidão. Acelerará, talvez, o peso da responsabilidade que às vezes me aperta o diafragma. O tempo, certamente e inexoravelmente esfriará outra vez a minha cama, que agora está aquecida de corpos pequenos e respirações rápidas. Esvaziará os olhos de meus filhos, que agora transbordam de um amor poderoso e incontrolável. Tirará de seus lábios meu nome gritado e cantado, chorado e pronunciado cem mil vezes ao dia.
Cancelará, pouco a pouco, ou de repente, a confiança absoluta que nos faz um corpo único, com o mesmo cheiro, acostumados a mesclar nossos estados de ânimo, o espaço, o ar que respiramos.
Como um rio que escava seu leito, o tempo perigará a confiança que seus olhos têm em mim, como ser onipotente, capaz de parar o vento e acalmar o mar, consertar o inconsertável e curar o incurável. Deixarão de me pedir ajuda, porque já não acreditarão mais que em algum caso eu possa salvá-los. Pararão de me imitar, porque não desejarão parecer-se muito a mim. Deixarão de preferir minha companhia em comparação com os demais (e vejo, isto tem que acontecer!).
Se esfumaçarão as paixões, as birras e os ciúmes, o amor e o medo. Se apagarão os ecos das risadas e das canções, as sonecas e os “era uma vez”… Com o passar do tempo, meus filhos descobrirão que tenho muitos defeitos e se eu tiver sorte, me perdoarão por alguns deles.
Eles esquecerão, mas ainda assim eu não esquecerei. As cosquinhas e os “corre-corre”, os beijos nos olhos e os choros que de repente param com um abraço, as viagens e as brincadeiras, as caminhadas e a febre alta, as festas, as papinhas, as carícias enquanto adormecíamos lentamente.
Meus filhos esquecerão que os amamentei, que os balancei durante horas, que os levei nos braços e às vezes pelas mãos. Que dei de comer e consolei, que os levantei depois de cem caídas. Esquecerão que dormiram sobre meu peito de dia e de noite, que houve um dia que me necessitaram tanto, como o ar que respiram.
Esquecerão, porque é assim mesmo, porque isto é o que o tempo escolhe. E eu, eu terei que aprender a lembrar de tudo para eles, com ternura e sem arrependimentos, incondicionalmente. E que o tempo, astuto e indiferente, seja amável com estes pais que não querem esquecer.”
Silvana Santo

Daniel Becker: "Experimentar o tédio é um dos melhores presentes que podemos oferecer aos nossos filhos"

O pediatra Daniel Becker faz yoga com a família em casa para fugir da loucura do dia a dia. Morando no Rio de Janeiro, seu meio de transporte é uma bicicleta. O inventor da “pediatria integral” é daqueles que se esforçam para manter a “mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”. Ele defende o que a primeira vista pode parecer estranho: precisamos deixar nossas crianças sentirem tédio e isto não tem nada de absurdo. Mais uma vez no blog, pra mim é sempre uma honra entrevistá-lo:
1. Por que deixar a criança ficar sem fazer nada é importante?
Experimentar o tédio é um dos melhores presentes que podemos oferecer aos nossos filhos. É claro que eu não estou falando para deixar a criança entediada o dia todo! Mas bombardeá-la com atividades e impedir que ela fique sem fazer nada é prejudicar uma parte essencial do desenvolvimento, da personalidade e da emocionalidade da criança. Este tédio é importante para ela aprender a conviver consigo mesma, ser uma boa companhia pra si mesma. Como ela vai conhecer a si própria se fica o tempo todo distraída? É também crucial pra desenvolver a capacidade de auto-estimulação, porque ela vai ter que sair da passividade e ser pró-ativa.
2. Você considera então que sentir tédio ajuda na motivação?
Uma criança motivada ela vai procurar novas experiências, mas uma criança ocupada o tempo todo não precisa. A criança entediada vai ter que criar alguma coisa pra fazer. Ela vai ter que sair do script que lhe é imposto nas brincadeiras, geralmente pelo pai ou pela mãe, sair do joguinho do tablet e criar sua própria atividade. Muita gente se queixa que o filho não é curioso o bastante. Experimente deixá-lo realmente à toa. E leve-o para fora de casa. Depois de um tempo, ele vai começar a mexer nas folhas, procurar pedrinhas, buscar coisas que o motivem. Uma criança que já está muito tempo mergulhada no mundo virtual, ela vai levar mais tempo pra sair desse amortecimento mental criado pelos eletrônicos.
3. Há estudos que provam que o ócio, mesmo infantil, pode ser criativo?
Sim, há estudos mostrando que brincadeiras de baixa intensidade (“low-key activities”), como brincar de ver a folhinha sendo levada pela água da chuva por exemplo, é muito importante para o funcionamento e bem estar mental. Em adultos, um estudo provou que se engajar em atividades que não demandam esforço mental, faz a mente criativa funcionar melhor e pode gerar ideias, solucionar problemas. Um ditado antigo diz que "mente ociosa é oficina do diabo". Eu prefiro dizer que a mente ociosa é uma oficina da imaginação. E já dizia Einstein que a imaginação é mais importante do que a ciência, porque toda grande descoberta científica vem precedida por uma imaginação sobre a questão em si. 
4. Muita gente confunde o brincar com jogos cheio de regras e limites para não se sujar, não fazer isto ou aquilo. O que deve ser realmente o brincar para a criança?
Não há dúvida que certas atividades estruturadas são importantes, o esporte, interação com os pais, aula na escola, tudo isto é importante. Mas o livre brincar também. Acostumar uma criança a se divertir ao ar livre desde cedo é fundamental, bem como brincar sem a participação do adulto. A criança não aprende apenas interagindo com o adulto, ela é capaz de aprender também sozinha. Os países mais avançados do mundo estão deixando mais tempo livre de recreio, invertendo o que acontece nos Estados Unidos e Brasil onde o recreio está sendo substituído por intervalos. Tem escola no Rio de Janeiro que proíbe criança de correr no recreio e elas ficam sentadas no meio-fio trocando whatsapp! O livre brincar permite que a criança explore o mundo, desenvolva habilidades físicas, a coordenação motora, crie empatia, desenvolva a coragem de enfrentar os pequenos desafios, de avaliar os riscos: “será que eu avanço mais um degrau neste trepa-trepa?”.
5. Sobre pais que estão sempre na retaguarda dos filhos: este excesso, mesmo bem intencionado, é ruim? 
Quando eu falo de pais interagindo, não é ficar brincando junto o tempo todo. A criança precisa de tempo sem pai e sem mãe cercando. A interação envolve acordar, dar bom dia, ajudar a escovar o dente, conversar no carro, colocar para dormir, fazer refeição juntos, caminhar até a escola, observar com ela o caminho. Além disso, a criança precisa experimentar frustração. Precisamos dos pequenos erros na infância para lidar com os grandes erros da vida adulta. Pais que não deixam a criança se ralar, por exemplo. A criança que rala o joelho vai ver que a dor aguda vai embora, que o antiséptico arde mas passa, que no outro dia vai aparecer uma casquinha e em alguns dias a pele volta ao normal. Olha quanto aprendizado biológico e emocional por causa de um machucadinho? A dor de ser superprotegido é muito maior. 
6. A gente usa eletrônicos para distrair os filhos porque tem hora que bate o desespero de entretê-los quando estamos ocupados. Como administrar isso?
É usado e dever ser. Os aparelhos digitais são parte importante da vida moderna e podem servir como “babá” eventualmente. Mas a vida não pode acontecer só nestes aparelhos - o mundo real também conta. O problema não é só colocar a criança no tablet para comer ou resolver questão de trabalho. É usar o tempo todo. O aparelho como distração não tem nenhum problema em alguns momentos do dia, alternando momentos de total atenção. Se você deixa 15 minutos no tablet e interage 45 minutos, ok. E se você precisa de mais tempo, por que não fazer o filho interagir com os carrinhos, castelos e bonecos, que é muito mais saudável? Antigamente as crianças brincavam com os seus brinquedos. É só dizer: o tablet quebrou, agora não tem tablet, não sei onde está, vai brincar com os seus brinquedos, vai desenhar. 
7. Como criar filhos mais conectados com o mundo real?
Precisamos ter uma visão muito consciente sobre a nossa atitude com relação aos eletrônicos quando a gente está com nossos filhos e na verdade não está. As crianças estão crescendo sem o olhar dos pais, que está mais no celular do que nelas. E elas percebem isso. É preciso escolher momentos de “não-tela”, de desligamento, de estar integralmente com a criança: em família, em refeições, em passeios. A gente reclama que o filho não sai do tablet, a filha não sai do celular. Mas nós respondemos email no banheiro, nós acordamos de noite verificando mensagem, nós dormimos com o celular na mão. Restringir o uso de telas pelas crianças - que é importantíssimo - tem que vir acompanhado de uma mudança de atitude da nossa relação com eletrônicos. Enxergar de verdade a filha que diz “olha papai, eu vou pular daqui e dar uma cambalhota”, em vez de ficar com meio olho nela e um olho e meio no celular. Esta é a real interação amorosa que temos que trazer pra dentro de nossas famílias.

Criando filhos autoconfiantes


Autoconfiança e autonomia andam de mãos dadas. Isso acontece por uma simples razão: se autoconfiança é o sentimento de que se é capaz, de que se dá conta de enfrentar as dificuldades ao nosso redor, como nossos filhos vão sentí-lo se não os deixamos dar conta de nada?


Seu filho provavelmente vai ficar inseguro de dormir na casa de um amigo se ele ainda não descobriu que consegue ir ao banheiro sozinho, se trocar, dormir sem você!


A autoconfiança cresce como uma escala, do menos pro mais. Por isso, por mais simples e boba que pareça uma atividade, se seu filho já é capaz de fazer sozinho, deixe com que ele faça! Ajuda demais atrapalha! Elogie o seu esforço e mostre a ele o quanto, cada vez mais, tem dado conta de resolver as demandas ao seu redor. 


Como o desenvolvimento varia muito de uma idade para outra, o ideal é ir tirando a ajuda aos poucos. Talvez a criança ainda não consiga se trocar inteira sozinha, mas já consegue tirar as meias, colocar a roupa suja no cesto. Mais pra frente você pode ir ajudando ela a tirar as calças, até que ela consiga sozinha e assim vai!


Se você tiver dúvidas do que seu filho já está apto a fazer, converse com o pediatra ou um psicólogo! Be happy!!!

Formando crianças gratas


Além da gratidão ser uma das características mais importantes para o nosso bem estar, segundo a Psicologia Positiva, ainda temos um problema grande de insatisfação na geração de crianças de hoje.

É comum pais procurarem ajuda profissional para seus filhos porque estes estão sempre insatisfeitos, mal humorados e bravos, mesmo tendo lhes dado o mundo. Essa ingratidão gera, com razão, muita frustração aos pais, que se esforçam arduamente para que seus filhos sejam felizes.

Existem alguns exercícios que podemos fazer com os pequenos para que esses aumentem o grau de gratidão. Eles precisam, antes de mais nada, perceber o que há de bom em sua volta e que existem outras pessoas, além deles, responsáveis por isso.

Um exercício que gosto muito é a Parede da Gratidão.

Escolha uma parede da casa e 1x por semana, a família toda deve escrever em um post-it o que foi o evento mais legal da semana e a quem devemos agradecer por ele ter acontecido. Depois de escrito, todos devem colar na parede.

Com o tempo a parede vai se enchendo e as crianças, que são muito visuais, percebem quantas coisas boas tiveram. Leia de tempos em tempos os post-it para elas relembrarem tudo de bom que já aconteceu e quem foram os responsáveis por eles. 

Gratidão e a sua relação com o bem estar



Segundo as pesquisas da Psicologia Positiva, uma das características mais presentes nas pessoas com maiores níveis de bem estar é a gratidão.

Essa habilidade faz com que as pessoas sejam mais otimistas, se sintam pertencentes e importantes (já que ser grato implica em atribuir algo de bom da sua vida a alguém ou a algum fator externo), melhoram os relacionamentos, aumentam a benevolência e faz com que os problemas da vida sejam considerados apenas uma parcela da vida, considerando que se tem tantas outras coisas a agradecer.

E por que é tão difícil sermos gratos? Basicamente por 2 motivos. O primeiro é que somos programados biologicamente para nos atentarmos mais ao ruim do que ao bom. Uma questão de adaptação da espécie. Imagina sermos devorados por um leão porque estamos olhando as borboletas voarem. A outra questão é que nos habituamos e deixamos de perceber o que há de bom em nossas vidas. Eu fico feliz com o celular novo que eu comprei, mas em pouco tempo, ele já não me causa mais nenhuma grande emoção. Deixamos de perceber a nossa saúde, a nossa casa, o nosso carro, os nossos familiares, as estrelas, por do sol, o sabor das comidas, etc....

É aí que a conta não fecha! Nos habituamos e ao que temos de bom e continuamos alertas para os eventos negativos que aparecem.

Uma das melhores maneiras de aumentarmos os níveis de gratidão é fazermos o exercício de tirar nossa mente do automático, do mundo paralelo dos pensamentos e voltamos a nos atentar ao que está a nossa volta, como se fosse a primeira vez que estamos vivenciando aquilo.

Um simples banho pode ser uma experiência incrível se notarmos ele. Uma volta no parque, um café depois do almoço, uma música no rádio, os passarinhos pousados na árvore e por aí vai! Fica difícil sermos gratos se não percebemos o que temos de bom e sempre temos muitas coisas boas no nosso dia! Essa é a razão pela qual os treinos de meditação, mindfulness ou atenção plena estão tão em alta. Eles nos reensinam a perceber a vida e causam efeitos incríveis no bem estar e níveis de gratidão! 

Savoring


Descrição mais que perfeita do que na Psicologia Positiva chamamos de "savoring". Trata-se da capacidade de pausar os pensamentos nas coisas do dia a dia, focar a atenção da forma MAIS AMPLA POSSÍVEL no momento presente e se deliciar com os presentes cotidianos que a vida nos dá. Quanto mais conseguimos aplicar o savoring no nosso dia a dia, mais gratos somos pela vida, pq sentimos um prazer enorme em pequenas coisas q estão lá, mas a gente nem se da mais conta. A gratidão é um dos sentimentos mais presentes na vida das pessoas mais felizes e com maior grau de satisfação na vida.
 
Além da descrição maravilhosa de savoring com os filhos no texto abaixo, podemos aplicá-lo em muitos outros contextos como: ao comer algo, olhar o céu, tomar um banho (é maravilhoso perceber o banho, acredite), ficar mais 5 minutinhos na cama de manhã e por aí vai. Não precisamos de muitas coisas para sermos felizes, precisamos voltar a reconhecer o que já está lá! Be happy!



Manhã nublada, você e sua criança no chão da sala.
Congele este momento.
Eu preciso que você olhe para o rosto da sua criança.
Olhe mais.
Mais profundamente. Por mais tempo. Para mais detalhes.
Veja como os dedinhos seguram os brinquedos.
Perceba a curva doce do lábio inferior perfeitamente cor-de-rosa.
Observe os cabelos finos. Sinta o cheiro.
Memorize estes cílios longos, os olhos curiosos, e a maneira que te olham fixamente, como se você fosse o mundo, afinal, hoje você é.

Afaste a interminável lista de afazeres, os planos, as preocupações.
Varra todo o excesso para trás e coloque este momento na primeira fileira, dando a mais alta prioridade possível.

Em um piscar de olhos esta mesma criança estará conversando sobre política e planos de carreira.
E enquanto você escuta a voz animada de quem esta prestes a bater as asas, você desesperadamente busca no seu banco de memória por dias assim. O dia comum, sentados no chão da sala, fazendo coisas simples.

Quando o assunto é o meu mais velho, eu tenho buscado estes momentos com freqüência. Tenho fome de lembrar com clareza o cabelo tijelinha do meu menino. O sorriso dado, a pele lisa e perfeita, os lábios carnudinhos que falavam tudo bagunçado.
E por mais que eu procure na minha memória, e revire, eu nem sempre os encontro. As vezes me vem um flash. Lá estava o meu pequeno, correndo pela casa. Mas a imagem se vai com a mesma velocidade que veio. E eu nem sempre consigo recuperá-la.

Eu me pergunto o que eu estava pensando todos aqueles anos atrás. Problemas, medos, dilemas, que por diversas vezes eram os donos da minha atenção. Eu fazia planos, e me preocupava com coisas que me pareciam ser tão importantes. Enquanto eu deveria estar presente, não só fisicamente mas por inteira, exatamente ali, no chão da sala, com o meu menino.
Perdemos muito tempo buscando dias espetaculares, ocasiões especiais para celebrarmos a vida. Enquanto o comum, este sim é extraordinário.
Por isso pare. Olhe para a sua criança. Congele. Marque com canetinha. Coloque em destaque. Armazene.
Porque eu te prometo, um dia você irá procurar por estes momentos, e eu quero que você seja capaz de encontrá-los.

Autora: @a.maternidade (Instagram) - Rafaela Carvalho.
Para mais textos como este, siga no Instagram @a.maternidade

Capacidade e Dificuldade das crianças




Uma das coisas mais importantes pros pais se atentarem na educação dos filhos é como ensinamos eles a entenderem as suas capacidades ou dificuldades. Com 4 anos uma criança já tem um pensamento que pode distinguir entre "sou burro, sou inteligente, ele consegue porque é mais esperto, eu nunca vou conseguir" ou "eu preciso treinar mais pra conseguir, ele consegue porque se esforçou mais que eu, eu consigo aprender e melhorar o que eu quiser, se eu me dedicar mais". 


O que muda nos 2 casos é uma estrutura de pensamento fixa (sou ou não sou) para uma estrutura de construção (posso aprender e melhorar). 

Conseguimos ajudar os pequenos a desenvolverem essa estrutura de construção com 2 dicas:

1- Valorize o processo ao invés da criança- ao invés de dizer q ela é inteligente, esperta, boa quando consegue alguma coisa, diga q ela conseguiu, q ela se esforçou para fazer tal coisa, q ela melhorou desde a última vez. Isso faz com que quando ela não consiga, não vá para o outro extremo e pense q quem não consegue é burro ou algo assim.

2- Use a palavra AINDA nas falhas- quando o seu filho falhar em alguma coisa ou disser q não consegue, diga a ele q ele não consegue AINDA! Isso abre a possibilidade de mudança, de que ele pode conseguir se quiser. 

Dificuldades vão aparecer por toda a vida e essas duas estruturas de pensamento fazem toda a diferença na maneira de lidar com elas, mesmo na idade adulta.



Minuto Terapia com Carol Kherlakian

Problemas emocionais do pai afetam a saúde mental de seus filhos desde a gravidez

Nova pesquisa encontrou relação entre pais com altos níveis de stress e ansiedade durante a gestação do filho e problemas de comportamento da criança durante a infância
 
 
Segundo um novo estudo norueguês, pais que sofrem de stress, ansiedade e outros problemas emocionais podem afetar de forma negativa a saúde mental de seus filhos antes mesmo antes de eles nascerem — ou seja, ao longo da gestação dos bebês. Para os autores dessa pesquisa, explicações plausíveis para essa relação incluem o fator genético e a possibilidade de esses homens influenciarem a saúde mental das mulheres grávidas, prejudicando indiretamente o feto. Essas conclusões foram publicadas nesta segunda-feira na revista médica Pediatrics.
 

A pesquisa, feita no Departamento de Psiquiatria do hospital dinamarquês Helse Fonna, se baseou em dados de mais de 30.000 crianças que foram acompanhadas desde a gestação. Na 17ª semana de gravidez, os pais dessas crianças responderam a um questionário que avaliou aspectos da saúde mental, como se esses homens apresentavam sintomas de depressão ou ansiedade, por exemplo. A equipe também coletou dados sobre a saúde mental das mães e avaliaram o desenvolvimento das crianças quando elas alcançaram três anos de idade.
 
De acordo com os resultados, 3% dos pais que participaram do estudo tinham altos níveis de stress e ansiedade durante a gestação de seus filhos. E, além disso, os filhos desses homens tinham um risco 22% maior de apresentar problemas emocionais e 19% maior de ter problemas de comportamento aos três anos de idade. Essa relação permaneceu semelhante mesmo após os pesquisadores levarem em consideração fatores como idade e nível socioeconômico do pai e saúde mental da mãe da criança.
 
“Nosso estudo sugere que um maior risco de problemas emocionais na criança pode ser identificado já na gravidez”, diz Anne Lise Kvalevaag, coordenadora da pesquisa. Para Kvalevaag, filhos de pais que sofrem com altos níveis de stress podem herdar a suscetibilidade de tal problema. “Além disso, pais que têm problemas de saúde mental durante o período pré-natal provavelmente continuarão a ter essas dificuldades ao longo da infância de seus filhos, o que pode afetar diretamente o desenvolvimento deles.
 
Fonte: Veja

Conhecendo nossos sentimentos


No artigo anterior desta coluna, eu descrevi como ensinamos as crianças a se autoconhecerem, explicando que, à medida que elas aprendem a falar, são expostas a situações em que os adultos ensinam a elas a nomear o que estão sentindo (os estados internos) e a descrever as circunstâncias (os eventos externos) que geram ou estão relacionadas com as sensações e os sentimentos. Na descrição que fiz, considerei exemplos em que o adulto infere o estado interno da criança a partir de eventos externos e de comportamentos correlacionados com as emoções e as sensações, e as nomeia de acordo com as práticas verbais da comunidade em que eles vivem.
 
Vamos recordar um dos exemplos que descrevi naquele texto. A porta bate com força e a criança que ficou presa no quarto chora “desesperadamente”. Em seguida:
 
1) a mãe vem acudi-la e, ao falar, descreve a situação – “A porta bateu e você ficou presa no quarto, filhinha?”;
2) a mãepergunta o que a criança está sentindo, dizendo o que ela acha que a criança está sentindo – “Você ficou com medo?”;
3) a criança tem a oportunidade de observar o seu estado interno e de correlacioná-lo com os eventos externos vivenciados, como, no caso, o ruído intenso do bater da porta e o de ficar isolada;
4) no futuro, a criança será, então, capaz de dizer o que sente quando, em situações semelhantes, tiver as mesmas sensações.

Uma outra forma de ensinar a identificar e a nomear as sensações e os sentimentos pode  ocorrer em circunstâncias nas quais não temos dicas do que aconteceu, mas inferimos o que a criança está sentindo, a partir de comportamentos colaterais manifestos, que acompanham os estados internos. Por exemplo, perguntando-lhe se ela está triste, quando a vemos quietinha em um canto, não querendo participar de brincadeiras, seus olhos estão lacrimejantes e ela não sorri. Quando isto é feito, a criança tem a oportunidade de correlacionar o que está sentindo, com a palavra tristeza, aprendendo, assim, a reconhecer e nomear sua tristeza.
 
Uma terceira forma de aprendermos a identificar as nossas sensações e emoções pode ser, por exemplo, por analogia. A coincidência entre propriedades (características) das nossas sensações e propriedades de eventos externos pode nos levar a nomear as sensações com base na similaridade entre eles. Por exemplo, quando dizemos “paixão ardente”, “explosão de raiva”, “idéia luminosa”, "depressão”, “inclinação”, “agitação”, etc, estamos descrevendo nossas sensações e sentimentos por analogia a outras experiências. Para ser capaz de fazer analogias, a criança deve possuir um

repertório verbal bem desenvolvido e ser capaz de reconhecer e identificar, ela mesma, a semelhança entre os seus estados internos e os eventos externos. Portanto, isto só é possível quando ela já tiver aprendido a falar.
 
Mario Prata escreveu uma crônica que considero muito apropriada e espirituosa para ilustrar o que estou tentando explicar sobre fazer analogias. Assim, passo a reproduzi-la.


Definições
Saudade 
é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.

Lembrança
é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.
Angústia
é um nó muito apertado bem no meio do sossego.

Preocupação
é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento.

Indecisão
é quando você sabe muito bem o que quer, mas acha que devia querer outra coisa.

Certeza
é quando a idéia cansa de procurar e pára.

Intuição
é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.

Pressentimento
é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.

Vergonha
é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.

Ansiedade
é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja.

Interesse
é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
Sentimento
é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.

Raiva
é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.

Tristeza
é uma mão gigante que aperta seu coração.

Felicidade
é um agora que não tem pressa nenhuma.

Amizade
é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.

Culpa
é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.

Lucidez
é um acesso de loucura ao contrário.

Razão
é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.

Vontade
é um desejo que cisma que você é a casa dele.

Paixão
é quando apesar da palavra “perigo” o desejo chega e entra.
Amor
é quando a paixão não tem outro compromisso marcado.

Não... Amor é um exagero... também não.
Um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?
 
Talvez porque não tenha sentido, talvez porque não tenha explicação,
 
Esse negócio de amor, não sei explicar.
 
(Autor: Mário Prata)

Diante do que Mário Prata escreveu, será que podemos dizer que nós seres humanos temos consciência de nós mesmos e do que é amor?
Professora da Universidade Estadual de Londrina
Doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo