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18% dos adolescentes acessam conteúdo sexual na web

Um quarto das meninas pesquisa sobre gravidez e doenças sexualmente transmissíveis na internet. Resultado está em pesquisa revelada nesta segunda
Internet: 87% dos participantes da pesquisa acessam a web por pelo menos seis dias na semana e
33% passam de 4 a 6 horas diárias na rede (Thinkstock)
 
 
Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira mostrou que os jovens estão sujeitos a comportamentos de risco na internet quando o assunto é sexualidade – e os pais não estão sendo capazes de acompanhar suas atividades. O levantamento, realizado entre junho e agosto de 2012, consultou 401 jovens de 13 a 17 anos e 414 pais com filhos na mesma faixa etária.
 
Os dados foram obtidos por meio de um questionário online enviado para jovens e pais de São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador. Encomendada pela empresa especializada em anti-vírus McAfee, a pesquisa considerou apenas usuários que se conectam à rede pelo menos duas vezes por semana.
 
O primeiro dado revelado é que grande parte dos jovens faz uso intenso da internet: 87% dos participantes da pesquisa acessam a web por pelo menos seis dias na semana e 33% afirmam passar de qautro a seis horas diárias na rede.
 
Sexualidade — O estudo aponta que 28% dos participantes de 13 a 15 anos afirmam já ter interagido com meninos (as) na rede de formas que não gostariam que seus pais soubessem. Na mesma faixa etária, 18% dos entrevistados afirmam que já tiveram acesso a conteúdos de natureza sexual.
 
Um quarto das meninas afirma se informar sobre gravidez e Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) na web. Para Lucas Pestalozzi, diretor da TNS, empresa que realizou a pesquisa, esse dado pode ser interpretado de duas formas: é positivo, no sentido da busca de informação, mas pode significar também que essas jovens não têm orientação em casa ou na escola sobre tais assuntos e por isso recorrem à internet. Ele também acrescenta que é importante saber se essas meninas estão buscando sites confiáveis para se informar.
 
O psiquiatra Jairo Bouer, especialista em comportamento jovem, acredita que a busca de informações por conta própria faz parte do processo de amadurecimento do jovem, mas quando os pais ensinam onde e como fazer essa busca, há chance do filho adotar um padrão de comportamento mais seguro na internet quando chega à adolescência. "Se a gente começar esses diálogos mais cedo, tanto sobre sexualidade, uso de substâncias, quanto sobre a internet, fica mais fácil lidar com essas questões e discutir limites. O mesmo limite que imposto aos filhos na vida real deve ser colocado na internet", diz.
 
Para Jairo, os jovens muitas vezes desconhecem parte dos riscos que a internet apresenta, mas há uma parcela de riscos sobre os quais eles têm consciência e mesmo assim ignoram o perigo, buscando mais popularidade entre os amigos, por exemplo.
 
De acordo com a pesquisa, 45% dos meninos conversam com desconhecidos e 28% das meninas já saíram de uma sala de bate-papo aberto para entrar em uma conversa particular com alguém que conheceram na internet.
 
Ciberbullying - A pesquisa encomendada pela McAfee mostrou que, dentre os jovens que afirmam já terem sofrido ciberbullying, apenas 30% contaram aos pais. Do total de jovens entrevistados, 34% afirmam ter presenciado esse tipo de agressão virtual, enquanto apenas 20% dos pais afirmam que seus filhos presenciaram a prática.
 
Monitoramento - Quase metade dos jovens (45%) afirma que mudariam seu comportamento na internet se soubesse que estavam sendo monitorados pelos pais, e 37% dos meninos afirmam saber como esconder os pais o que fazem na rede.
 
Do lado dos pais, as principais causas apontadas para a falta de acompanhamento dos filhos foi o conhecimento limitado de tecnologia (48% dos pais acreditam que seus filhos entendem mais de tecnologia do que eles) e a falta de tempo para tal acompanhamento (33%).
 
Fonte: Veja

Crianças que assistem a cenas de sexo podem perder virgindade mais cedo


Assistir a filmes com cenas de sexo durante a infância pode influenciar no comportamento sexual na adolescência. De acordo com uma pesquisa da Faculdade de Dartmouth, nos Estados Unidos, o hábito faz com que aumente a possibilidade de o jovem perder a virgindade mais cedo, ter mais parceiros sexuais e não usar preservativo em relações casuais. Os dados são do jornal Daily Mail.
Os cientistas listaram 684 filmes de maior bilheteria entre 1998 e 2004 e avaliaram seu conteúdo sexual. Depois, pediram a 1.228 participantes, com idade entre 12 e 14 anos, que dissessem quais daqueles filmes haviam visto. Seis anos depois, eles foram entrevistados e falaram sobre a vida sexual.
"Esses filmes parecem influenciar fundamentalmente a personalidade por meio de mudanças em busca de sensações, que têm implicações de longo alcance para todos os seus comportamentos de risco", disse o pesquisador Ross O'Hara. Embora seja impossível provar a ligação direta entre filmes e comportamento sexual, o profissional enfatizou que os resultados sugerem que os pais devem realmente evitar que as crianças tenham acesso a conteúdo erótico.
Fonte: Terra

Ah, o primeiro amor…


No início, entre meninos e meninas existe uma relação de conflitos e indiferença. Passados alguns anos, conseguem conviver harmoniosamente e, ao brincarem juntos, nutrem um sentimento de querer-bem, uma vontade de ficarem mais tempo juntos. Muitas vezes, fazem brincadeiras – às vezes supersticiosas – para verificarem se o sentimento é correspondido, platonizando a relação. Como na infância ocorre um treino para o mundo adulto, não é de se estranhar que as crianças vivenciem amor para com seus colegas do sexo oposto. Porém, são necessários alguns cuidados para que elas não antecipem uma fase do desenvolvimento e, assim, deixem de viver plenamente a meninice.

No cotidiano clínico, verifica-se a presença de namoricos desde a mais tenra idade. Algumas vezes, o motivo da consulta é relacionado justamente a isso: ou os pais encontram dificuldades em abordar a questão, temendo a precocidade sexual; ou há repercussões negativas no desempenho acadêmico por falta de concentração ou interesse nos estudos (sendo este mais frequente em adolescentes). Geralmente, o contexto em que se aflora o interesse pelo colega é a própria escola, espaço de socialização mais significativo para crianças e adolescentes. Não existe uma faixa etária definida para as primeiras manifestações amorosas, mas sabe-se de algumas variáveis que influenciam o seu aparecimento. Mais uma vez, é o ambiente que interfere de forma mais expressiva.

Os adultos mais próximos da criança normalmente especulam sobre a existência de namoricos em crianças pré-escolares, geralmente quando verificam que o infante demonstra satisfação em interagir com uma criança do sexo oposto. Verifica-se uma influência maior quando se trata de meninos, pois é uma prática cultural modelar o comportamento galanteador desde cedo. Caso haja uma supervalorização disso, a família pode ensinar à criança que se espera dela um par, incentivando-a para essa busca, que não ocorrerá de forma natural.

Além disso, existe a influência do próprio modelo familiar, pois a criança observa as manifestações de carinho dos pais, associa um sexo ao outro, como algo que é socialmente esperado na fase adulta. E, pela infância ser um treino para as fases que vão se suceder, a criança reproduz relacionamentos afetivos nas brincadeiras e também com os colegas do sexo oposto com quem se identificam.

Comumente, em crianças pré-escolares, o “namoradinho” é aquele amigo com quem a criança gosta de brincar, com quem sente um carinho especial e, por isso, possui caráter de fantasia. Para elas, o namorico funciona mais como uma brincadeira, o melhor amigo, o preferido para conversar e ficar por perto.

Nesse treino afetivo, em crianças menores observa-se sentimentos de ciúmes do carinho estabelecido entre os pais. Um exemplo disso é quando eles se alcunham de “namorada do papai” ou “namorado da mamãe”. Justifica-se esse comportamento pelo fato de que eles ainda estão assimilando papeis sociais e sexuais, além do que experimentam a modalidade mais pura do amor, direcionando-a para aqueles que oferecem esse sentimento incondicionalmente. Mesmo que seja engraçada ou bonitinha essa declaração, é importante que os pais estabeleçam as diferenças dos papeis familiares, colocando a criança no seu papel de filho, não de namorado. Os pais, estes sim, são namorados um do outro. Embora haja sentimentos de amor entre filho e mãe (ou pai e filha), os papeis não se confundem, o amor é diferente. Por ser assim, permitem comportamentos bem distintos e é importante delimitar isso para a criança.

Na fase escolar, entre 6 e 10 anos especificamente, diante da revelação de que a criança está gostando de alguém ou que tem namorado (a), é importante que se explore o que ela quer dizer com esses termos: gostar de alguém é querer passar mais tempo juntos brincando, ou significa alguma outra coisa, como querer beijar na boca? Usualmente, o amar infantil envolve o prazer da companhia, que provoca uma vontade de querer estar perto do outro. Engloba o pensar na outra pessoa, fantasiar com o futuro, desejar ser correspondido, mesmo que isso não venha às vias de fato. Faz parte da infância a fantasia, nada mais natural.

No entanto, é recomendado que os adultos, sem conotação punitiva, estabeleçam com as crianças os limites desse namoro. Por exemplo, recomenda-se que os pais sejam empáticos e compreensivos, respeitando o sigilo quanto ao fato, mas que estabeleçam limites que julgam saudáveis e pertinentes quanto a esse namoro na faixa etária em que ele se apresenta. Distinguir diferenças entre o gostar de uma criança e o namoro de adulto é uma sugestão, pois assim a criança assimilaria que é natural gostar de alguém, mas que, namorar de verdade, apenas é permitido aos adultos. Não se deve ignorar ou proibir o namoro, porém deve-se ter cuidado para não modelar um comportamento que é alheio à infância, adiantando uma fase do seu desenvolvimento.

Cabe aqui mais uma observação: a privacidade do filho nesse contexto. Normalmente, as crianças revelam seus segredos em algum esconderijo, como o Diário (os adolescentes podem usar outras modalidades, como uma agenda, ou mesmo as redes sociais). Ao invés de bisbilhotarem, pais devem apresentar-se desde cedo como adultos confiáveis e abertos ao diálogo. Assim, naturalmente eles cogitarão a possibilidade de fazerem de seus pais ouvintes em potencial diante dos seus segredos (embora também seja perfeitamente aceitável eles não desejarem a revelação ou mesmo elegerem outros ouvintes, como os melhores amigos).

Ademais, no decorrer do desenvolvimento, observa-se uma mudança gradual na maneira de gostar das crianças: o platonismo da pré-escola evolui para a busca pelo namoro propriamente dito na puberdade, tornando-se mais expressiva em torno dos 11 anos. A partir dos 10 anos é comum fazerem brincadeiras entre amigos, como as que acidentalmente provocam toques corporais (a lendária pera, uva ou salada mista e variações modernas), apostas para ver quem tira a BV (boca virgem) e “quem é o último” (a beijar). Na puberdade e pré-adolescência, já estabelecem um contato mais próximo: abraçam e beijam, andam de mãos dadas e podem trocar votos de amor. Consiste em um avanço, portanto, quanto à etapa anterior.

A partir da puberdade, também é comum haver também vários objetos de amor, ou seja, não gostarem apenas de um colega, mas de vários. Experimentam com velocidade o gostar e o desgostar, então é comum ficarem com muitos colegas, ou gostar de vários ao mesmo tempo.

Após os 15 anos, os adolescentes comumente já pensam e desejam sexo. Caso namorem na adolescência, as orientações devem ser mais intensificadas, com monitoria e orientações mais específicas, sobretudo quanto aos cuidados em relação ao outro. As adequadas posturas sociais (“etiqueta do namoro”), a necessidade de respeito mútuo e proteção sexual são alguns pontos importantes nessa fase.

É possível que o jovem acredite que esse amor seja único, formar compromisso real com o par, assumindo publicamente o namoro. Não raro, também sofrem com a rejeição e as frustrações próprias da alfabetização amorosa, o que pode repercutir negativamente no desempenho acadêmico e também no seu bem-estar. Como o ser amado frequentemente é da escola, uma frustração amorosa pode prejudicar a atenção, a concentração, o envolvimento nas tarefas escolares e, consequentemente, pode repercutir negativamente no desempenho acadêmico. Ao mesmo tempo em que, do contrário, a sensação de um amor pode motivar o jovem a ir à escola, engajar-se em atividades acadêmicas e esportivas, dentre outras.

Assim, relações afetivas na infância e juventude podem conferir boas aprendizagens, desde que aconteçam de maneira natural, sem que o jovem seja forçado a isso. Pelo fato de no namoro exercitar-se o amar e se sentir amado, importante e especial, há contribuições para a autoestima. No entanto, se o namoro interfere de forma negativa no desenvolvimento do jovem, cabe a abordagem dos pais quanto a isso.

Outra questão pertinente a ser relatada diz respeito à própria vivência dos pais. A referência de infância é aquela que eles viveram que, temporalmente, não condiz com a dos filhos. Os valores podem ser passados de uma geração para outra, propiciando a aprendizagem de padrões através da transmissão intergeracional, porém é importante respeitar as características da geração em questão. No momento da orientação parental, é importante que os pais lembrem-se disso.

Muitas vezes a constatação da sexualidade do filho propicia aos pais sentimento de perda e choque, que muitas vezes desejam que os jovens nunca cresçam por temerem quebras no vínculo afetivo ou deslocamento do amor dos pais para outra pessoa. No entanto, é necessário que estes se trabalhem emocionalmente para este momento, que é natural do desenvolvimento humano. Verbalizações do tipo “nem quero saber quando estiver namorando” ou “eu vou botar para correr” fazem o jovem perceber que algo que julga importante é considerado aversivo para os pais, o que favorece sentimentos de culpa, ansiedade e uma série de comportamentos indesejáveis que tem a função de evitar a punição que pode vir (mentiras, namoro escondido e risco de condutas inadequadas no tocante ao namoro, como gravidez precoce, por falta de orientação).

Considerando a idiossincrasia do desenvolvimento humano, verifica-se, portanto, a dificuldade de se estabelecer uma idade certa para começar a namorar. No entanto, é fato que se quisermos que a criança aja como tal, não podemos tratá-la como adulto em miniatura, pois excessos nesse sentido pode permitir a antecipação da puberdade, o que já traria consequências negativas, como a erotização precoce. Quando na infância a concepção de namoro toma proporções maiores que pegar na mão e brincar junto, percebe-se então que as crianças estão amadurecendo muito cedo, o que cabe avaliação médica e muito diálogo entre pais e filhos.

Preparo emocional dos pais, diálogo, orientação e uma boa receptividade aos segredos e queixas dos jovens continuam sendo fatores fundamentais para o bom desenvolvimento da sexualidade infanto-juvenil. É isso mesmo: o primeiro amor espera a hora certa de chegar e os pais tem a difícil missão de colaborar para que ele seja, realmente, inesquecível.

 

Juliana de Brito Lima é Psicóloga (CRP 11ª/05027), formada pela Universidade Estadual do Piauí e especializanda em Análise Comportamental Clínica pelo Instituto Brasiliense de Análise do Comportamento – IBAC. É membro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental – ABPMC e Psicóloga do Centro Integrado de Educação Especial – CIES e da Clínica Lecy Portela, em Teresina-PI. Tem experiências acadêmicas (linha de pesquisa “Desenvolvimento da criança e do adolescente em situações adversas” do Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná/ NAC-UFPR) e profissionais na área clínica (atendimento a criança, adolescente e adulto), jurídica e educação especial, na orientação de pais.
Fonte: Instituto de Psicologia Aplicada - InPA
Telefone - (61) 3242-1153

Respostas para as perguntas que só as crianças fazem


Quem é mãe, pai ou cuidador já foi surpreendido com uma destas perguntas: “Como eu nasci?”, “Por que meu amiguinho tem dois pais?”, “Você faz sexo?”. É raro pais não titubearem frente a este tipo de questionamento, sobretudo quando referem à sexualidade. Um pouco de insegurança, delongas desnecessárias e linguagem inadequada prejudicam a compreensão infantil. Alguns cuidados são recomendados neste momento, e é deles que vamos tratar hoje.

A sexualidade é um termo que designa o uso do corpo para autoconhecimento, referindo-se às descobertas prazerosas e afetivas em relação a si ou ao outro. Ela faz parte da vida e está presente em todo o desenvolvimento do ser humano. Não seria diferente na infância, uma vez que a criança está explorando o ambiente, o próprio corpo, as diferenças dos gêneros e as formas de se relacionar com o meio e com os outros.

Na infância, as expressões de sexualidade estão nas atividades que lhes trazem satisfação, como mamar, chupar o dedo, receber um carinho, esfregar uma fralda de pano no corpo, entre outras. Vê-se, portanto, que sexualidade não está relacionada ao ato sexual: ao contrário do que comumente se pensa, os dois conceitos não estão necessariamente ligados.

Cabe destacar também a diferença entre a sexualidade infantil e a do adulto: este e a criança estão em fases distintas do desenvolvimento e, por este motivo, as formas de expressarem suas sexualidades também são diferentes. A busca pelo prazer vai se tornando genital com o passar do tempo e apenas na adolescência passará a ocorrer de forma mais próxima à do adulto. Por exemplo, a ereção peniana infantil – diante de afeto ou da estimulação local – não sinaliza a preparação para coito, mas somente uma reação fisiológica reflexa que, funcionalmente, em nada se assemelha à do adulto.

Na prática clínica, é bastante comum verificarmos pais aflitos com a expressão da sexualidade dos filhos, buscando terapia por acharem que “tem algo de errado” com eles. Muitos alegam precocidade, má influência da mídia ou da escola ou conjecturam inúmeras outras hipóteses. Acompanhando essa aflição, existe desconhecimento, insegurança e diversos tabus sexuais que a sociedade (sobretudo a criação familiar e religião) lhes impõe.

Ao questionarem sobre sexualidade, as crianças estão motivadas essencialmente pela percepção das diferenças de gênero (que se inicia entre 2 e 3 anos) e as próprias descobertas corporais. Às vezes, a estimulação visual (televisão, cenas de namoro e sexo de adultos, mulheres grávidas) e auditiva (escutar alguém falar sobre o assunto, usar uma alcunha para referir-se a sexo ou a órgãos genitais) também despertam a curiosidade infantil. Embora as manifestações de sexualidade sejam bem anteriores à aquisição da linguagem, é com o desenvolvimento dela que as crianças passam a externalizar suas dúvidas, questionando para melhor compreensão do que experimentam ou observam.

Neste contexto, cabe destacar a relevância de os pais se auto-observarem perante indagações de seus filhos. Não são importantes apenas as explicações que oferecem, mas também seu comportamento frente às curiosidades das crianças. Se diante de uma pergunta sobre sexo os pais reagem de forma ansiosa, preocupados, emitindo respostas públicas de sudorese, gagueira, sorrisos nervosos, respondendo de forma científica e minuciosa, ou mesmo apresentando repreensões verbais (“você é muito novo para saber disso”, “o que é isso, garoto?!” ou “vá perguntar para o seu pai!”), é possível que a criança compreenda que este assunto é proibido, concebendo a sexualidade como algo aversivo, diminuindo a frequência com que aborde tal assunto com, pelo menos, aqueles adultos.

Se, por exemplo, a criança é repreendida por tocar sua genitália, ela não aprende como deve se comportar para ter autocontrole. O que ela aprende é que o que fez é errado e que da próxima vez deverá fazer com mais cuidado, para não ser descoberta. Outro efeito da punição se refere às emoções correlatas. Neste caso, a criança pode sentir-se culpada por ter chateado seus pais, ou envergonhada por ter feito algo “sujo”. Cabe destacar que sentir culpa e vergonha diante da sua sexualidade não é saudável, uma vez que ela é vital e inerente ao ser humano. Tais sentimentos provavelmente acompanharão qualquer expressão sexual ao longo do seu desenvolvimento.

O modo como nossos comportamentos se apresentam hoje é resultado de um histórico de aprendizagem. No que tange à sexualidade, caso os adultos reajam da forma supracitada, já temos indícios de que, muito provavelmente, também foram repreendidos pelos seus pais diante da sua curiosidade sexual. Dessa forma, a maneira como farão os esclarecimentos às crianças dependerá essencialmente de como lidam com a sua própria sexualidade. Caso isso não seja bem manejado, eles poderão contribuir para que as crianças, na fase adulta, apresentem dificuldades de aceitação do seu corpo e de conseguir prazer consigo e com o outro. Portanto, para isso cabem algumas orientações.

O importante que os pais e educadores reajam com atenção, naturalidade e clareza, usando linguagem adequada à sua faixa etária, com termos que a criança conhece e usa. Estes são aspectos essenciais que tornam a conversa agradável, permitindo abertura e confiança para novos diálogos, além de compreensão sobre o assunto.

Uma das dúvidas dos pais é quando oferecer orientação sexual e se isso vai estimular práticas sexuais precoces. Estudos confirmam que informações sobre sexo e drogas, por exemplo, não estimulam a aproximação prática com o tema, sendo uma efetiva medida preventiva. Neste raciocínio, a melhor época para orientar sexualmente a criança é quando ela expressa a curiosidade sobre o assunto. A recomendação é que os pais respondam objetivamente ao que é solicitado, sem delongas ou excessos. A complexidade das informações e da linguagem deve ser progressiva ao desenvolvimento da criança, de modo que com o passar do tempo pode-se fazer uso de termos e explicações mais científicas e detalhadas.

A título de informação, estatisticamente sabe-se que a ordem cronológica das curiosidades sexuais infantis é: entre 2 e 3 anos questionam sobre a origem dos bebês e as diferenças entre os sexos; dos 3 aos 4 anos, passam a se interessar pelos fatos relacionados ao nascimento e a partir daí se interessam em como se dá a reprodução humana. No entanto, esta é apenas de uma estimativa, não constituindo uma regra absoluta.

Cabe destacar também que, neste momento, os pais devem entrar em consenso quanto às informações repassadas, utilizando-se do mesmo discurso. Além disso, o uso de recursos lúdicos como imagens, desenhos, livros educativos, metáforas e bonecos também facilitam a compreensão da criança. Porém, é mister ressaltar o papel acessório dos livros educativos: eles não substituem as informações pessoais, cálidas e afetivas dos pais. O mesmo vale para a escola, cuja orientação apenas complementa a educação sexual iniciada no lar, não excluindo a responsabilidade dos pais nesta tarefa.

Outro ponto a ser considerado diz respeito às mudanças nas configurações familiares. Com a formação de famílias homossexuais e também monoparentais, é importante que os pais também eduquem seus filhos quanto a isso, sem juízo de valor. Caso haja teor preconceituoso nas explicações, a criança poderá reproduzir o padrão comportamental [1] dos pais, que pode culminar em práticas interpessoais negativas, como bullying [2], além de outros problemas que virão posteriormente, à proporção do seu crescimento.

Quanto ao manejo de práticas masturbatórias infantis, é importante que os pais as concebam como um acontecimento normal e fisiológico. A auto-estimulação só deverá ser preocupante quando a frequência passar a interferir a vida social ou acadêmica da criança. Um exemplo disso é quando ela, ao invés de se engajar em outras atividades prazerosas (como brincar com colegas), isola-se para se manipular. Neste caso, cabe a avaliação da sua rotina, se está havendo escassez de fontes de prazer, se ela tem atividades suficientes para se entreter e gastar energia ou se a criança está ansiosa. Outras hipóteses a serem consideradas são a busca de repercussões ambientais em torno do fato [3] e a exposição a situações de abuso sexual.

Uma possível abordagem dos pais seria ensinar a criança que algumas partes do corpo são públicas, que todos veem por estarem expostas (como braços, pernas, cabeça, mãos e pés), que por isso podem ser tocadas por ela mesma ou outra pessoa próxima. E que, do contrário, existem as partes privadas ou íntimas, que ficam cobertas por cuecas ou calcinhas e que, por isso, só podem ser tocadas por ela mesma – em um canto só dela – ou pelos pais, durante higienização das mesmas. Neste caso, podem também ensiná-las quanto aos diferentes toques em seu corpo. Dessa forma, além de abordar a masturbação, a criança também é alertada quanto à proibição de manipulação genital em certos contextos e por pessoas inadequadas, prevenindo submissão ao abuso sexual.

Quanto a jogos sexuais infantis (ocorrência de contatos, manipulações e tentativas de coito praticadas entre duas crianças), algumas observações devem ser feitas. Estes decorrem de um impulso na descoberta das diferenças sexuais anatômicas (no caso de sexos diferentes) ou busca de novas sensações corporais (entre sexos iguais). Assim como na masturbação, são as circunstâncias e a frequência de tais episódios que caracterizarão o caráter “patológico” dos mesmos. Conforme anteriormente recomendado, é fundamental que os cuidadores concebam a naturalidade dos fatos, até porque com o despreparo fisiológico e anatômico das estruturas genitais infantis, o próprio episódio tenderá ao fracasso, sendo incorporado ao acervo vivencial da criança como mais uma das preparações para a vida adulta.

Como se pode constatar, a orientação sexual infantil necessita de habilidades específicas dos pais: conhecimento, atenção, paciência, criatividade, autocontrole emocional, tolerância quanto à idiossincrasia dos prazeres sexuais, auto-avaliação e, sobretudo, um bom manejo quanto à sua própria sexualidade. Assim, se os pais não se considerarem aptos nesta tarefa, recomenda-se o auxílio de outros profissionais, como psicólogo, pediatra ou professor, que, embora não substituam o papel parental, ao menos podem orientá-los para uma melhor educação da criança e, consequentemente, melhor desenvolvimento sexual nesta fase e também nas posteriores.

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[1] Como estabelece o referencial da aprendizagem social de Bandura (1977), existem três condições básicas para que haja probabilidade de reprodução do comportamento (modelação) por uma criança: (1) quando o modelo é uma figura de poder e de autoridade, (2) quando o comportamento executado por ele é mais reforçado que punido, (3) e quando o modelo e a criança compartilham características similares, havendo identificação da criança com aquele. Cabe destacar que os pais são os modelos de referência para os filhos, seguidos dos professores.

[2] Para aprofundamento do tema, consulte o texto “Bullying: O que é e o que podemos fazer” aqui no blog.

[3] Em privação de reforçadores (ou quando estes não são tidos como suficientes), como atenção dos pais, a criança pode buscar meios alternativos de obtê-la, como efetuando algum comportamento inadequado.

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Juliana de Brito Lima é Psicóloga (CRP 11ª/05027), formada pela Universidade Estadual do Piauí e especializanda em Análise Comportamental Clínica pelo Instituto Brasiliense de Análise do Comportamento – IBAC. É membro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental – ABPMC e Psicóloga do Centro Integrado de Educação Especial – CIES e da Clínica Lecy Portela, em Teresina-PI. Tem experiências acadêmicas (linha de pesquisa “Desenvolvimento da criança e do adolescente em situações adversas” do Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná/ NAC-UFPR) e profissionais na área clínica (atendimento a criança, adolescente e adulto), jurídica e educação especial, na orientação de pais.
Fonte: Instituto de Psicologia Aplicada - InPA
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